TRUMP(A)

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TÃO PRÓXIMOS E TÃO DIFERENTES

O bafiento Vital Moreira tem andado a vomitar nojices. Nem todos os pê-èsses alinham: Maria de Belém "não se revê" nos vómitos vitalistas. No confronto, José Lello, também pê-èsse, sai em defesa do bafiento, contra a Maria. Lello não ataca Maria
[que rica telenovela!]
por Maria não ter razão no que disse. não! ataca-a porque ela deveria defender a bafiento, que é candidato do seu partido.

O contraponto aqui ao lado, em Espanha: o cabeça de lista do PP às europeias defende o bafiento cardeal Antonio Cañizares, que considerou mais graves os abortos do que os abusos sexuais verificados em escolas católicas irlandesas. Logo o PP, através da número 2 da lista e secretária-geral do partido, se demarcou de tal posição, considerando extremamente graves os abusos sexuais
[demarcação ainda mais "interessante" se considerarmos as divergências entre a Igreja Católica e o PSOE, adversário do PP, que este poderia explorar].
[o El País está AQUI].

escrito por ai.valhamedeus

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DO CONTRA [26] especial 12 de Maio

Passaporte de Maria Filomena MónicaO último livro de Maria Filomena Mónica, Passaporte

[Lisboa: Aletheia, 2009],
descreve algumas das suas escapadelas a sítios
[aos sítios mas sobretudo à história e à cultura dos sítios]
dentro e fora do País, entre 1994 e 2008.

Uma delas é a visita a Fátima fora de horas. Reflexões demolidoras que começam pela desilusão de a Cova da Iria não ser uma cova e, portanto e mentindo na designação, escapar à regra das aparições. São depois as designações beatas dos hotéis
[Três Pastorinhos, Verbo Divino, Coroa de Fátima...];
"a avassaladora fealdade do local" e do Santuário e dos barracões onde se comercializam velas; a dimensão internacional de Fátima e "a presença do dinheiro"; o kitsch enjoativo do Museu da Cera; a fealdade da via-sacra do "Caminho dos Pastorinhos"; os "miúdos ranhosos" do parque de estacionamento de Aljustrel, a aldeia natal dos pastorinhos; o mistério de lemas das peregrinações como "Família, Torna-te Naquilo que És" e os arrazoados impossíveis da homilia...

...e a autora deriva para considerações histórico-culturais sobre o "ciclo de aparições iniciado em meados do século passado, quando a Virgem começou a aparecer a crianças pobres", em que a Cova da Iria se inscreve. Um ciclo que sobreviveu graças aos
"interesses poderosos, redes de propaganda e circuitos de comercialização"
nele interessados. O caso português tem singularidades: o sítio "possuía um nome estranho: Fátima, a filha dilecta de Maomé e da sua primeira esposa, Cadija; Fátima, o símbolo da mulher eterna, a 'mãe de seu pai'; Fátima, a fundadora de uma das mais poderosas seitas islâmicas, os xiitas. Mistura de raças, Portugal acabaria por juntar num mesmo local duas religiões e por criar uma lenda, a de que Fátima, a 'traga-mouros', trocara, ao baptizar-se, o seu nome pelo de Oriana, de onde a vizinha Vila Nova de Ourém".

...e as considerações continuam com citações de Jaime Cortesão e John Gibbons; com a análise da "forma espectacular como o turismo está montado" e da abundância do dinheiro; e à excepcional evolução demográfica da Cova da Iria.

O capítulo termina com mais de 9 páginas sobre o culto mariano: sobre a virgindade de Maria
[uma ideia com "vestígios de festas pagãs", mas que não é dos alvores do Cristianismo: o dogma data de 1854],
sobre o contexto histórico e sociológico, nacional e internacional, em que tiveram lugar as aparições
[a Rússia; e o Estado Novo, sem o qual "o 'milagre' nunca teria saído da Cova da Iria"].
Mas sobre isto escreverei amanhã.

Concluo recordando
[com negritos meus]
algumas estrofes do mais emblemático dos hinos de Fátima: o Avé. Significativas estrofes, também lembradas por Maria Filomena Mónica:
A treze de Maio
Na Cova da Iria,
Apareceu brilhando
A Virgem Maria.

[...]

Mas jamais esqueçam,
Nossos corações,
Que nos fez a Virgem,
Determinações.

Falou contra o luxo,
Contra o impudor,
De modestas modas,
De uso pecador.

Disse que a pureza,
Agrada a Jesus,
Disse que a luxúria,
Ao fogo conduz.

[...]
À Pátria que é vossa,
Senhora dos Céus,
Dai honra, alegria
E a graça de Deus.

À Virgem bendita,
Cante seu louvor,
Toda a nossa terra,
Um hino de amor.

[...]
Avé, Virgem Santa,
Estrela que nos guia,
Avé, Mãe Pátria.
Oh! Virgem Maria!
escrito por ai.valhamedeus

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CRESPO E PINA ÀS VOLTAS COM O MAL

Há dias assim, um diz: mata, o outro: esfola!

Juntam-se os dois à esquina, a tocar a concertina e – perante a desafinação nacional, eles são dos poucos que não baralham as notas nem escangalham o tom deste insuportável só-li-dó.

O problema de que tratam é incontroverso. A sua denúncia, pela justeza, justifica a persistência.

Mas o pior, o pior desta maleita que nos consome qualquer vestígio de uma ética, mesmo circunstancial, é que Mário Crespo e Manuel António Pina não denunciam a excepção; eles falam da regra e de uma preocupante normalidade que já pouco nos surpreende e devia surpreender-nos, oh, se devia! Pior que o mal, seja lá o que isso for, tantos são os seus rostos, é torná-lo inclusivo, geneticamente inclusivo, como se não houvesse alternativa, opção, pequeno ganho civilizacional que fosse, e há.

Mário Crespo
Não é a crise que nos destrói. É o dinheiro

Nada no mundo me faria revelar o nome de quem relatou este episódio. É oportuno divulgá-lo agora porque o parlamento abriu as comportas do dinheiro vivo para o financiamento dos partidos. O que vou descrever foi-me contado na primeira pessoa. Passou-se na década de oitenta. Estando a haver grande dificuldade na aprovação de um projecto, foi sugerido a uma empresária que um donativo partidário resolveria a situação. O que a surpreendeu foi a frontalidade da proposta e o montante pedido. Ela tinha tentado mover influências entre os seus conhecimentos para desbloquear uma tramitação emperrada num labirinto burocrático e foi-lhe dito sem rodeios que se desse um donativo de cem mil Contos "ao partido" o projecto seria aprovado. O proponente desta troca de favores tinha enorme influência na vida nacional. Seguiu-se uma fase de regateio que durou alguns dias. Sem avançar nenhuma contraproposta, a empresária disse que por esse dinheiro o projecto deixaria de ser rentável e ela seria forçada a desistir. Aí o montante exigido começou a baixar muito rapidamente. Chegou aos quinze mil Contos, com uma irritada referência de que era "pegar ou largar". Para apressar as coisas e numa manifestação de poder, nas últimas fases da negociação o político facilitador surpreendeu novamente a empresária trazendo consigo aos encontros um colega de partido, pessoa muito conhecida e bem colocada no aparelho do Estado. Este segundo elemento mostrou estar a par de tudo. Acertado o preço foram dadas à empresária instruções muito específicas. O donativo para o partido seria feito em dinheiro vivo com os quinze mil Contos em notas de mil Escudos divididos em três lotes de cinco mil. Tudo numa pasta. A entrega foi feita dentro do carro da empresária. Um dos políticos estava sentado no banco do passageiro, o outro no banco de trás. O da frente recebeu a pasta, abriu-a, tirou um dos maços de cinco mil Contos e passou-a para trás dizendo que cinco mil seriam para cada um deles e cinco mil seriam entregues ao partido. O projecto foi aprovado nessa semana. Cumpria-se a velha tradição de extorsão que se tornou norma em Portugal e que nesses idos de oitenta abrangia todo o aparelho de Estado.

Rui Mateus no seu livro, Memórias de um PS desconhecido (D. Quixote 1996), descreve extensivamente os mecanismos de financiamento partidário, incluindo o uso de contas em off shore (por exemplo na Compagnie Financière Espírito Santo da Suíça - pags. 276, 277) para onde eram remetidas avultadas entregas em dinheiro vivo. Estamos portanto face a uma cultura de impunidade que se entranhou na nossa vida pública e que o aparelho político não está interessado em extirpar. Pelo contrario. Sub-repticiamente, no meio do Freeport e do BPN, sem debate parlamentar, através de um mero entendimento à porta fechada entre representantes de todos os partidos, o país político deu cobertura legal a estes dinheiros vivos elevados a quantitativos sem precedentes. Face ao clamor público e à coragem do voto contra de António José Seguro do PS, o bloco central de interesses afirma-se agora disposto a rever a legislação que aprovou. É tarde. Com esta lei do financiamento partidário, o parlamento, todo, leiloou o que restava de ética num convite aberto à troca de favores por dinheiro. Em fase pré eleitoral e com falta de dinheiro, o parlamento decidiu pura e simplesmente privatizar a democracia.
[Mário Crespo. JN, 11 de Maio de 2009]

Manuel António Pina
Foleiros & doutores

Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).
[Manuel António Pina, JN, 11 de Maio de 2009]

escrito por Jerónimo Costa

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RECEBIDO POR EMAIL -101- desemprego superior

Num dos carros do cortejo da queima das fitas, em Coimbra:


escrito por ai.valhamedeus [com um abraço para o vitor m]

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SERÁ OUTRA VEZ QUANDO QUISERMOS - 3.

A Gabriela já aqui recordou, no dia apropriado, os 40 anos da crise académica no Portugal dos anos 60 do século XX. Porque este também é um modo de recordar e reavivar Abril, deixo 2 vídeos dos vários que é possível encontrar na Internet:

O ANO EM QUE OS ESTUDANTES "GRITARAM"




escrito por ai.valhamedeus

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NOS 40 ANOS DA CRISE ACADÉMICA

Gostaria de dizer que hoje é dia de festa e que as nossas almas cantam. Na verdade não é assim. É dia de recordações para mim. Mas para quem mais?

Recordo a caloira tímida a assistir à inauguração do novo edifício “das Matemáticas” em Coimbra, na longínqua Primavera, faz hoje precisamente 40 anos, de 69. Data memorável! Creio que ainda haverá uma sala nessa Faculdade a atestar o acontecimento – sala 17 de Abril.

Recordo o dirigente da Associação de Estudantes da Universidade de Coimbra, Alberto Martins. Sim, esse ….

Recordo o seu pedido do uso da palavra em tão solene acto. Creio que foi indeferido. Ou terá ele sido interrompido no uso da palavra devido ao conteúdo do discurso? A minha memória aqui está um pouco apagada. Será propositadamente? Será que essa entidade reguladora dos momentos dignos, ou indignos, de serem relembrados tem razão e faz a selecção natural?

Não sei. Nem tenho como saber.

O que sei é que os acontecimentos se precipitaram, não houve mais aulas, nem serenatas na Sé Velha, pese embora, ou por isso mesmo, já se cantassem canções de Manuel Alegre em tom de fado de Coimbra. Pelo Berna. E que faziam as delícias da rapaziada: dos politicamente atentos, e também dos outros. E a nossa bela Associação, ponto de encontro dos “subversivos” e dos menos sub, porém eversivos à sua maneira, foi encerrada sem apelo nem agravo, e sem fim à vista, acabando por ser transformada em Refeitório da malta esfomeada de batatas fritas e bife com ovo a cavalo! E toma lá que já almoçaste!

Mas vingámo-nos! E foi um fartote de concertos de música de intervenção, todos, as mais das vezes, de rabo no chão, a escutar aquela canção do “Venham mais Cinco”. De uma assentada vinham muitos mais, e mal assentados. Mas quem se ralava. Não sei se havia perigo. Eu era uma caloira inconsciente!

Mas era de certeza mais perigoso do que em 74, depois de Abril, para os que andavam a ocupar casas, movidos por causas trocadas. Digo eu! Referindo-me, bem entendido, ao perigo e às causas trocadas. O mais que lhes poderia acontecer era levarem uma arrochada de um dono mais cioso dos seus haveres. Ou não? Enfim, ardores da juventude que, aos 40, é absorvida por esta engrenagem à qual chamamos vida. É caso para dizer: é a vida!

escrito por Gabriela Correia, Faro

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EM NOME DO BOM NOME

Para o arquivo da memória do Ai Jesus!, ficam dois textos, com, pelo menos, um denominador comum, como se verá pela leitura – e ambos publicados em vésperas do que convencionou chamar-se em Portugal o Dia da Liberdade
[pura convenção, já sei].
Espero que não esteja por aqui a… enfeixar lenha para me queimar
[que é como quem diz, a ofender o bom nome de algum Grande Irmão com acesso privilegiado à Sala 101. Ou às balanças cegas do Código Penal. Ou do Ministério da Verdade].
EM NOME DO BOM NOME

Depois dos políticos, são os árbitros de futebol. A APAF anunciou que também os árbitros vão processar qualquer pessoa "que efectue declarações (…) ofendendo o seu bom nome ou colocando em causa (…) a sua idoneidade e seriedade". O anúncio reporta-se, claro, aos árbitros que tenham bom nome, idoneidade e seriedade e, se a intenção for avante (e temo, com este "se", já estar a colocar em causa a idoneidade e seriedade da APAF), não ficará pedra sobre pedra nos jornais e nas discussões de café das segundas-feiras.

Com efeito, o artigo 180º do Código Penal - e longe de mim, valha-me Deus, ofender o bom nome do artigo ou pôr em causa a sua idoneidade e seriedade - pune tudo o que mexe: a imputação de factos, a manifestação de suspeitas e até a mera formulação de juízos ou a sua reprodução. Só ficam por punir elogios. O que uma tal redacção explica à liberdade de expressão é assim a modos o que médico da anedota diz ao doente: "Álcool e doces estão proibidos, comida só grelhados sem sal, nada de excitações, sair à noite nem pensar, mulheres idem aspas, homens ainda menos… E divirta-se, divirta-se!"
[Manuel António Pina, JN, 15.04.2009]

Mário Crespo – a poucos dias de mais uma celebração do já velho e gasto (?!) 25 de Abril, ou reactualizando o refrão do Chico Buarque: estão finando a tua festa pá!
"Estava um dia frio e límpido de Abril e os relógios batiam treze badaladas" e eu dei comigo a pensar: 'Se calhar o melhor é passar um pano encharcado em creolina sobre isto tudo e deixarmo-nos de coisas porque a melhor política é o trabalho e qualquer dia… toca-me a mim'. Do Ministério do Amor já tinham vindo sérias admoestações. Recordam-se do zelador da justiça que, questionado por um jornalista mais impertinente sobre se o "Grande Irmão" poderia ser constituído arguido, respondeu: "Olhe, até você pode ser constituído arguido"? E não é que foi mesmo! Só na última semana foram uns três! Tudo isto para que não haja dúvidas que na "Oceânia", como foi dito, "não é qualquer director de Jornal com as suas campanhas" ou "uma qualquer televisão quem governa". Quem governa na Oceânia é "quem o povo escolhe". Por isso, estes três (e brevemente serão mais) obviamente foram entregues ao Ministério do Amor (um deles já foi ouvido) e agora vão de certeza parar à Sala 101 onde "confrontarão os seus piores receios" até aprenderem a amar sem reservas quem tanto bem lhes faz e a quem tanto devem. Tem que haver uma punição exemplar por esta ingratidão dos que não reconhecem o imenso trabalho que tem sido feito pelo Ministério da Abundância na "distribuição de rações". Como é que os amigos não os denunciaram (como foi feito, e bem na DREN)! Então o Ministério da Verdade não tinha já decidido dar mais um ano de completo bico-calado sobre tudo! E eles (e elas) a pisar cada vez mais o risco contando coisas! Falam de pressões sobre o próprio Ministério da Verdade! Subornos no Ministério da Abundância e, sacrilégio ultrajante, sugerem que há corrupção a alto nível! Qual nível? Ao nível do topo do "Partido Interno"! Como é que se pode dizer uma coisa destas e esperar fazê-lo com impunidade, aqui na Oceânia onde a Abundância é inigualável, e a paz e a justiça nas ruas é garantida por dez mil novos disparadores Glock-19 de 9mm! O Ministério da Verdade já exortou à serenidade com um brilhante anúncio na Rádio e na TV informando que as manifestações de rua são "contra" os cidadãos. E eles não quiseram acreditar! E mesmo no Período do Grande Silêncio decretado pelo Ministério da Verdade divulgaram coisas como se quem mandasse na Oceânia fosse um "qualquer Director de Jornal com as suas campanhas" ou "uma qualquer televisão", quando todos sabemos que quem manda é "quem o povo escolhe". Por isso vamos passar a esfregona bem encharcada em creolina sobre tudo isto e, com o Grande Silêncio garantido pelo Ministério da Verdade, com os desviantes na "Sala 101" a aprenderem a estar calados quando os mandam, o povo sereno votará e escolherá quem quer que continue a mandar na Oceânia. As listas para o "Partido Interno" já estão quase prontas. Depois vêm as do "Partido Externo". Nessas, os descontentes ao verem como ficam os jornalistas que o Ministério da Verdade vai levar à Sala 101, aceitarão de vez o Grande Silêncio e terá "chegado o grande momento. Salvar-nos-emos, seremos perfeitos."

PS: As frases entre aspas, mais inspiradas, são do 1984 de George Orwell. As menos inspiradas são de 2009. Quanto ao mais, como Marx diz no Capital, "muda-lhes os nomes e esta é a tua história".
[in JN, 13.04.2009]

escrito por ai.valhamedeus [com um abraço para o Jerónimo, que me enviou os textos e o título do texto de Mário Crespo]

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POIS!... [estórias exemplares] -33- 372 euros por dia

Não teve que se sentar à mesa nem esperar para contar esta estória. O jornalista chegou solícito, com muitos agradecimentos na manga e na boca. E era uma estória de trabalho e mais trabalho, uma trabalheira, tudo por amor a Deus e ao próximo.

O actual membro do Conselho Económico e Social teve que se sujeitar a estar durante anos e anos em cinco ou seis posições de poder ao mesmo tempo para salvar o país e uma parte importante da humanidade
[a portuguesa].
Por isso hoje, o Padre Vítor Melícias, OFM deve ser dos ex mais ex do país
[e com a globalização, até talvez da Europa].
Ex-Comissário para Timor Leste, ex-presidente do Montepio Geral, ex-da Misericórdia de Lisboa, ex-do Serviço Nacional de Bombeiro, ex-confessor de Guterres, ex-presença badalada em coisas de futebol e membro vitalício de outros orgasmos
[penso que alguém quis dizer e escrever organismos. Devemos ser comprensivos, porque nestes temposde crise todos estamos mais sujeitos a falhas semânticas que a orgasmos].
Este pobre trabalhador recebe, para o seu sustento
[todos os seres humanos têm direito à vida, incluindo os pobres irmãos de São Francisco de Assis]
372 euros por dia. É com esta «pensão aceitável»
[que aceita com humildade, porque «não é rico»]
que tem que se alimentar, vestir, pagar água e luz, telefone, telemóvel, transportes e umas coisitas mais. Uma autêntica desgraça. Ninguém o vê entrar numa tasca a comer um almocinho social por 4 euros porque a vida está mesmo muito má.

[Este exemplar de estória é remake de um outro: POIS!... [estórias exemplares] -32- 13 euros por dia].

escrito por José Alberto, Porto Rico

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POIS!... [estórias exemplares] -32- 13 euros por dia

Sentou-se, depois de pedir licença à mulher que já estava à mesa a acabar o bacalhau à Gomes de Sá.

-- Olhe que eu gosto muito do respeitinho -- esclareceu, antes que houvesse ideias. E a conversa derivou para uma lista de doenças sem fim, alimentada de ambos os lados contrários da mesa.

Já a mulher bebia o chá, depois de ter recusado a sugestão de sobremesa, quando ele abriu a boca a um saco plástico:

-- Tenho aqui mais de 100 euros, só de bilhetes de carreira. Vossemecê apanha a carreira ao pé de casa? Eu tenho que andar 3 quilómetros a pé até à paragem.

E informou que estava de baixa.

-- O médico queria que eu trabalhasse, mas eu não posso de maneira nenhuma. -- Mostrou a mão esquerda inchada. -- Eu perguntei-lhe: "o senhor doutor conseguia alevantar caixas cheias de garrafas de azeite cheias com uma mão assim?"

A mulher abanou repetida e solidariamente a cabeça, num movimento acompanhado pelo lamento de valha-nos Nosso Senhor!

Ele olhou-me, quando pedi um café curto. Mas foi à mulher que confidenciou:

-- Sabe quanto estou a ganhar por dia assim de baixa? Treuze euros. Ganho treuze euros por dia.

Lá pelo meio das confidências, fiquei a saber que, quando vinha ao médico, passava naquela tasca para comer uma bifana e beber um copo. Pagava 4 euros, acrescentou. Hoje não comeu nada: cumprimentou e saiu, justificando-se com a hora da consulta:

-- O senhor doutor já lá deve 'star...

[Remake deste texto: POIS!... [estórias exemplares] -33- 372 euros por dia]
escrito por ai.valhamedeus

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destaques [25] PLAYBOY PORTUGUESA

Por norma, Portugal chega tarde às coisas, particularmente se essas coisas forem boas.

A Playboy chegou a Portugal; quero dizer, chegou em português de Portugal. Aqui estão as fotos da menina da capa desse nº 1
[Mónica Sofia (ex Delirium)]
e da playmate Rita Penedo. Um olhar voyeurista, a abrir o apetite para a compra da revista em papel.

escrito por ai.valhamedeus

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ANDA TUDO MAL... -13- onde estão os ricos?

O quotidiano refrão das cantigas recentes da rádio, tv, jornais e outros que tais é o que já toda a gente canta: o refrão da crise. Que mais isto mais aquilo, que a crise é global, que é séria, que temos que nos mentalizar de que... E o objectivo parece ser esse mesmo: o de o nos mentalizar de que... O de conseguir que aceitemos como natural notícias como a de que em 24 horas houve 70 mil despedimentos.
  1. Uma tv passava, há pouco, uma reportagem junto de trabalhadores com o horizonte do fecho da fábrica, onde trabalham, bem próximo; dizia um deles: "desemprego? provavelmente!... a crise não é só cá, não é?...".

  2. Que a coisa está preta, vê-se por indicadores como este: o Banco Espírito Santo teve uma queda de 34% nos lucros, no ano passado
    [o que significa que teve apenas 402 milhões de euros de lucro].
  3. Porque a coisa está preta, o Forum português para a competitividade ameaça, premonitoriamente: Portugal será obrigado a seguir imposições externas. E, do Fórum, Ferraz da Costa
    [o tal que não pára de pedir cortes nos salários]
    adverte, mais uma vez, que os portugueses estão a viver acima das suas possibilidades
    [o governador do Banco de Portugal às vezes faz também declarações do género -- recorda-se o leitor? E não é o único].
    O que quererá dizer um rico, quando exige contenção para os pobres?

  4. "Um dos indicadores de uma boa sociedade é a forma como trata os pobres. Nem sempre é fácil aqueles que não são pobres saberem fazê-lo correctamente. Como observou Charles Péguy: "Falho de génio, um rico não consegue imaginar a pobreza". É por isso que os mais abastados pensam que os pobres deviam abster-se de televisão e cigarros, se não têm dinheiro para tal."

    (GRAYLING, A. C.. O significado das coisas. Lisboa: Gradiva, 2002, p. 170).

  5. Voltando à crise... Pela negrura com que pintam a coisa, parece que, de repente, os ricos desapareceram
    [e, com eles, se evaporou a riqueza produzida. Ora se, quando a coisa dá, arrebanham a massa, porque não a haverão de perder quando a coisa dá... para o torto?].
    Mas onde é que estão os ricos?
[Leia aqui. Se tiver dificuldade, diga: talvez possamos dar uma ajudinha]

escrito por ai.valhamedeus

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ANDA TUDO MAL... -12- o sistema em crise

Ai Jesus violência na GréciaNa Grécia, as manifestações, violentas, continuam. Ninguém acreditará que a verdadeira causa é a morte, no passado sábado, do adolescente hoje enterrado. Não é difícil associar as imagens que as tvs transmitem com as que vimos vindas de França, há 2 anos.

Não tão fácil, nem tão pacífica, será a associação dos 2 fenómenos com outros relacionados com a crise do sistema económico-social em que vivemos. Às vezes dou comigo a admirar-me por não haver mais violência em alguns países. Por exemplo, no país onde se congelam salários porque a situação económica é difícil e pela mesma razão se despedem trabalhadores; precisamente no mesmo em que o Estado arranja 20 mil milhões de euros para... salvar a banca em crise; precisamente a banca que, no primeiro semestre do ano da salvação, teve lucros de mais de mil milhões de euros
[quase seis milhões de euros por dia].
Se este é um sistema justo, puta que pariu tal justiça em vez de a ter abortado!

escrito por ai.valhamedeus

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SEXTAS À NOITE 1. a morte de portugal

Chega finalmente a sexta-feira à noite. Início de um fim-de-semana bem merecido, ou não, que podemos usar a nosso talante: com muita imaginação, com imaginação que bonde, ou sem nenhuma, em frente à tal caixinha mágica, estendidos no sofá. Sozinhos ou acompanhados.

Mas há, felizmente, sítios onde podemos ir e desfrutar da imaginação de outros que a prepararam para nós. Foi o caso.

Foi um caso muito sério, na Biblioteca desta outrora Capital da Cultura, onde o professor de Filosofia e escritor, Miguel Real, nos falou do seu livro “A Morte de Portugal”, por interrogação directa do interlocutor, que fazia o papel de moderador, em pretexto do novo livro “O Sal da Terra”.

Éramos quase uma tertúlia restrita, dada a escassez de público: pouco mais do que uma dúzia! Catorze, contei eu! Porém o escritor não se deixou intimidar, nem ficou desmotivado ou descorçoado/descoroçoado. A pedido de José Bívar, desatou a falar de coisas interessantíssimas, que muitos deveriam ouvir para não andarem a desmotivar o próximo. O próximo, o menos próximo e o ultrapassado.

Entre outras afirmações, e para quem não leu o livro “A Morte de Portugal”, ele explicou o porquê do título. Os Portugueses sofrem de 4 síndromes: a do Viriatismo -- do tal pastor pobre
(afinal nem era pobre, mas sim aquele que tinha mais terra, o Rei dos Pastores)
e ignorante dos montes hermínios que venceu o general romano experiente, e estratega encartado. Esta síndrome leva-nos a aceitar a maneira de ser e de pensar: pobres mas honrados; homens de palavra e de antes quebrar que torcer
(ai, ai que eu sou viriatista…),
tão bem quista de Sá de Miranda, feroz opositor aos desmandos dos esbanjadores das riquezas da Índia. Síndrome 2: o Vieirismo -- somos os melhores do mundo, construímos um Império e viva o novo, o Quinto, de que fala o Padre António Vieira. Síndrome 3 -- o Pombalino. Se os outros são melhores do que nós, nós somos tão bons ou melhores; portanto imitemo-los. Foi o que fez o Marquês de Pombal, que viveu oito anos na Inglaterra. Ainda bem, digo eu. Aquela Baixa Pombalina não envergonha ninguém. Muito pelo contrário. Síndrome 4 -- o canibalismo: isso mesmo. O êxito dos outros dá-nos engulhos e enquanto os não chicoteamos, enquanto não desfazemos tudo o que eles construíram, não descansamos.

O estilo jocoso é meu. Miguel Real explicou tudo com clareza e como só um bom professor de Filosofia sabe fazer. A Sr.ª Ministra teria ficado deliciada com um dos professores que tutela, não fora a síndrome do canibalismo. A reflexão é minha, naturalmente.

Já o 1º Ministro é nitidamente pombalino: “em apenas dois anos reformou o sistema da Segurança Social, o que aos Ingleses e Suecos levou sete anos”! Inquirido se achava que o Portugal destas síndromes já tinha morrido, retorquiu que quando escreveu o livro pensava que sim, devido à nossa entrada na EU, o que veio uniformizar as coisas e esbater estas características tão fortes, do carácter luso. Mas constatando a actuação de Sócrates, tão tipicamente pombalino
(se nos outros países resulta, aqui também),
já as certezas o abandonam.

Disse ainda que outrora se era político porque se tinha ética, mas agora, e não só em Portugal, a ética desapareceu, que Portugal teve sempre o azar de apanhar o comboio certo, porém no tempo errado. Só quando esses dois factores foram coincidentes, nos Descobrimentos, é que Portugal foi líder do mundo.

Falou– se de política, sem se falar. Isso todos percebemos. E porque não? Quem foi que disse que o todo o acto social, humano, quiçá, é político?

escrito por Gabriela Correia, Faro

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POLÉMICA ENTRE JUDOCAS

JoanaParece que a confederação brasileira de judô está com medo de que o João Derly seja linchado no Brasil e perca todos os seus patrocinadores... Se isso realmente aconteceu
(tudo leva a crer que sim),
foi péssimo para os dois países. Agora quem diz Ai Jesus sou eu! Que vergonha!! Por quê este animal gaúcho não controlou seus hormônios??

As notícias estão aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u432308.shtml

http://odia.terra.com.br/esporte/olimpiadas2008/judo/htm/portuguesa_pivo_de_polemica_entre_judocas_havia_derrotado_medalhista_brasileira_192337.asp

escrito por Vania Vieira [a revoltada], Brasil

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ESPANCAMENTOS DA PSP

As agressões, espancamentos e outros mimos com que alguns cidadãos são mimoseados nas esquadras da GNR
[tradicionais bastiões da repressão; brutos, toscos e alarves]
parecem ter seguimento agora na PSP. Um estudante alemão, em Lisboa no âmbito do Erasmus, foi espancado pela PSP na esquadra do Bairro Alto, segundo relata o Diário de Notícias de hoje. As fotografias parecem elucidativas das consequências do zelo policial. Como sempre, vamos ter versões da polícia em como a vítima se atirou ao chão ou se agarrou ao eléctrico. Os suspeitos do costume…

A PSP é o reflexo do país que somos. Brutos. alarves e medíocres. Uma corja, como diria Eça. O mérito da força, da violência e da violação dos direitos elementares, continua a ser a forma de acção das nossa forças da “ordem”. Com o aplauso embevecido de uma parte significativa da população. Pois claro.

escrito por Carlos Lopes

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O PAÍS VIRTUAL

Hoje acordei e pensei que estava num outro país.

Explico: disseram-me que o Afeganistão, e por conseguinte os Afegãos,
(sim, eu sei que se referiam aos Taliban; mas neste jogo enviesado de interesses e casos embrulhados quem pode assegurar com justeza que assim é?)
eram meus inimigos. Em conformidade com perigo tão perigoso, e talvez iminente, ampla reportagem passou na RTP 1, serviço público, sobre os ases do ar, mailas suas máquinas infernais e adjacente perícia, tirada em cursos nos States. Que novidade!...

Mais à frente, ou teria sido noutro local e noutra altura? tanto faz, uma notícia dava conta de que numa cidade qualquer, em Portugal, as pessoas são assaltadas e as suas vidas postas em risco por falta de meios na polícia e encerramento de esquadras.

Depois fiquei a saber que somos muito bons a Matemática: a média dos exames não foi de 12,5 mas de 14! Isto nem na Finlândia!
(O comentário é meu).
E, pasme-se! O Sr. Secretário de Estado Valter Lemos veio a terreiro dizer que não devemos exultar perante os resultados do exame do 9º Ano, pois 50% de negativas não é um bom resultado, e que, portanto, não se deve passar essa ideia. Mas quem é que a passou?

Terceira e estranha notícia. Eu que ainda nem entrei de férias, apesar das línguas viperinas contradizerem tal facto
(aprenderam bem a lição da Ministra, pese embora a vituperarem)
e que terei de as interromper, tal como algumas colegas para interrogarem alunos nas provas orais, e, no meu caso, possibilitar o direito dos alunos a interporem recurso aos resultados dos exames da 2ª Fase, eu, conforme dizia, tomei conhecimento de que no 1º Período do próximo Ano Lectivo
(este ainda nem terminou)
haverá uma pausa de 2 dias para actividades extra escolares; mas só se envolverem os alunos!!!... Pergunta inocente: as aulas são o quê? Não são actividades que envolvem os alunos?

Mas as novidades não terminam aqui. Já no dia 12 de Setembro, embora sem carácter obrigatório, se institui o Dia do Diploma! Decrete-se e assine-se! A bem da Educação.

Hummmm! Alguém anda a ver muitos filmes americanos!

E far-se-ão cerimónias com aquelas togas adejantes e aqueles “chapeuzinhos” traçados a régua e esquadro com um fio a sair do meio, pendendo? E que têm tudo a ver connosco. Ora pensem lá bem!

Ainda se fossem tricornes ou elegantes chapéus de fartas plumas de espadachins batendo-se pelas suas damas, e descobrindo-se sempre que uma passava, vá que não vá.

Admirável país novo, este!

Eu é que sou uma velha do Restelo, e o resto são cantigas.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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LUGARES -7. por portugal e espanha

Unamuno - Por tierras de Portugal y de EspañaEm tempo de férias, quero dizer, de viagens, comprei, na Fnac, Por tierras de Portugal y de España de Miguel de Unamuno
[Madrid: Alianza Editorial, 2006].
Esta colecção de artigos sobre a literatura e as terras portuguesas e espanholas
[escritos entre 1906 e 1909 e reunidos, a primeira vez, em 1911]
abre com um texto sobre Eugénio de Castro. Para Unamuno, a obra de eleição deste "delicadíssimo poeta português" é Constança, "a sua obra mais profundamente portuguesa", dedicada à tragédida da enamorada alma da mulher legítima do infante D. Pedro, enamorado por Inês de Castro.

Prossegue a viagem com um segundo texto sobre a literatura portuguesa contemporânea
[segundo Unamuno, "a literatura portuguesa, a que merece ser lida, data do século passado [o 18], do período romântico, da época de Almeida Garrett e de Herculano].
E visita-se João de Deus, Antero, António Nobre, Eça, Correia de Oliveira, Camilo...

Depois, viaja-se por doze páginas que percorrem As sombras de Teixeira de Pascoaes -- e, logo, oito sobre o assassinato do rei D. Carlos (escritas em Fevereiro de 1908) e algumas mais sobre o Portugal pós-regicídio (Julho do mesmo ano). Estas últimas, nascidas em Espinho, onde nasceu também, no mês seguinte, um capítulo dedicado ao culto d'As almas do Purgatório em Portugal, ao culto dos mortos, à religiosidade portuguesa -- guiado pela pena de Herculano.

E a viagem a Portugal continua pela pesca de Espinho, por Braga
[ir a Braga "é um dos deveres do turista, iniludível para o que quiser escrever sobre o pitoresco desta terra"],
o Bom Jesus do Monte, Guarda, o povo português
[uma visita a Lisboa é pretexto para uma excursão a "um povo suicida", um povo triste mesmo quando sorri, de escritores que se suicidaram, de meiguice apenas à superfície...],
Alcobaça. Sempre na companhia da literatura e da cultura lusas.

E entra-se em Espanha. Em Barcelona, Guadalupe, Yuste, a Ávila dos Cavaleiros... E no "espírito" das excursões, no "espírito" das grandes e das pequenas cidades, no sentimento da Natureza, numa excursão de Oñate a Aitzgorri, numa subida ao santuário de San Miguel de Excelsis em Navarra, numa análise das terras e das gentes da Galiza e das Canárias, na lagoa de Tenerife, nas terras extremeñas de Trujillo
[e em assuntos como a paixão pelo jogo].
E despedimo-nos com um aperto de mão, "esta misma mano com que trazo estas líneas: Chóquela, amigo; nos hemos entendido".

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 9. AO PAGAR, SOMOS EUROPEUS

Podemos gabar-nos de estar ao nível da restante Europa em alguns domínios. Por exemplo, quando se trata de pagar. Por exemplo, no preço dos combustíveis. Por exemplo, no preço da ligação à Internet: estamos 5€ acima da média europeia
[e ainda há quem se queixe de não acompanharmos a Europa...].

[clique na imagem para ler melhor]

[rapinado da revista Personal Computer & Internet, nº 66]

escrito por ai.valhamedeus

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HÁ MENOS IMIGRANTES A PROCURAR PORTUGAL

Segundo os jornais, há menos imigrantes a procurar Portugal como destino. Ao contrário dos anos cinquenta e sessenta, em que magotes de portugueses partiam sem saber bem para onde, hoje, os imigrantes de leste já estão muito bem informados e, ao saberem o que os pode esperar num país governado por Sócrates, nem querem entrar nesta espelunca de corruptos, gestores com vidas principescas e miseráveis.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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...OU COMEM TODOS!

Belmiro de Azevedo é conhecido, mais do que por ser engenheiro, por ser especialista em diversas áreas, que vão da economia à educação. Ontem puxou as orelhas ao governo por este se ter manifestado, pela voz do ministro das Finanças, favorável a uma concertação europeia no que respeita aos salários dos gestores, bem como a uma moralização dos mesmos, «designadamente no sector público, que é aquele que mais depende das decisões do Governo».

As razões do senhor SONAE parecem ser pacíficas: a acção do governo deve limitar-se aos gestores públicos, porque apenas estes são pagos com dinheiros públicos. Faltou ao sr. engenheiro-economista explicar de onde vêm os dinheiros para pagar aos gestores das empresas privadas -- de onde vêm os dinheiros para pagar aos gestores da SONAE. Se o sr. engenheiro-economista pensa que saem do bolso dele, é altura de deixarmos de "frequentar" os Continentes, os Modelos, as Wortens... e talvez o sr. engenheiro-economista se lembre de um ditado popular que diz assim, textualmente: ou há moralidade ou comem(os) todos... E, mesmo que não pense, talvez aprenda que, se vivemos numa economia livre e aberta, como ele gosta de sublinhar, não vivemos
[ou não deveremos viver]
numa economia onde vale tudo. Onde vale coabitarem os que morrem de miséria e os que morrem de fartura.

escrito por ai.valhamedeus

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