TRUMP(A)

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EX-CITAÇÕES * 117. a obra de maria

Para os meus lados quando se fazem porções desiguais costuma-se dizer:“Tudo para Jesus e Nada para Maria”. A frase tem o seu fundamento: as escrituras sagradas, especialmente na aventura da natividade, são desequilibradas na distribuição de papéis. O filho brilha por si mesmo mais do que pela escolta de uma estrela; José toma algumas decisões difíceis inspirado em sonhos por oportunas instruções angélicas; Maria, pelo contrário, é um corpo emprestado pela natureza à providência. Fica grávida antes de habitar com o seu marido, uma falha que aos olhos do mundo a faria passar por adúltera, punível com lapidação. Na agitação dos acontecimentos a narração sagrada segue José, os seus escrúpulos, a dúvida dolorosa, diluída enfim por um sonho.
Erri de Luca, in Caroço de Azeitona
Fonte: Diário 2012, 25 de Março, Dia da Anunciação
Ed. Assírio & Alvim

escrito por Gabriela Correia, Faro

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JUNTOS NO ESSENCIAL

Eu diria que Manuel António Pina anda a aprender umas coisas... com o Ai Jesus! ;-). Diria que tem lido os nossos Do contra. É só analisar o texto que publica hoje no JN:
O acaso pode ter inquietante objectividade. No mesmo dia em que cheguei, pela TVnet, à notícia de que um juiz saudita, Hamad Al-Razine, defende o direito de os maridos muçulmanos esbofetearem as mulheres, descobri no "El País" (seguindo um "post" de João Tunes em agualisa6.blogs.sapo.pt) algumas das consignas que a católica Secção Feminina da Falange, organização típica do fascismo beato espanhol, dava às mulheres: "Se o teu marido sugere que tenham relações sexuais, acede humildemente, tendo sempre em conta que a sua satisfação é mais importante que a tua", ou: "Se o teu marido te pede práticas sexuais incomuns, sê obediente e não te queixes".

Os pais da Igreja sempre atiraram sobre Eva a culpa da ruptura da incorruptibilidade original, partindo daí para a fundamentação da submissão da mulher, mera "costela" do homem ("Sobre ti subsiste a sentença de Deus", diz Tertuliano). Se há coisa em que os fundamentalismos católico e islâmico são duas faces de uma mesma moeda é a misoginia. Talvez, quem sabe?, possa começar por aí a "Aliança de Civilizações" que o Papa anda a pregar no Médio Oriente.
escrito por ai.valhamedeus

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SOBRE A ARTE DE OBSEQUIAR

A minha co-postante Sayyida Gabriela manifestou algum incómodo pelo à parte sobre a arte de obsequiar, e pareceu lamentar o rude golpe que essa impertinência infligiu à dignidade do texto. É evidente que em nenhum momento pôs em causa a dignidade do autor, e isso é detalhe de que me toca.

Já a limitação temporal que declara ao escrever "... as mulheres eram, nesses tempos, objectos usados como obséquio feito aos amigos" parece-me enfermar de falta de rigor histórico, pois a prática nem começou nem terminou nesses tempos, mantendo-se não viva, mas tendo até evoluído para formas comerciais mais ou menos sofisticadas.

Na pequenez lusa, temos prova disso nalguma da matéria de facto imputada a certos dirigentes futebolensium, que
(pretensamente)
se inspiraram no governador do Egipto para obsequiarem árbitros complacentes, e na oferta de ucranianas prontas a usar que se tem institucionalizado como obséquio tradicional aos que se despedem de solteiros
(também me consta que vice-versa, mas, como Deus manda, com muito mais recato).
Na grandeza decrépita americana, a recente iniciativa dos industriais de pornografia Larry Flynt e Joe Francis é prova do acima escrito: ambos requereram ao Congresso a inclusão do sector industrial em que operam
($20 biliões/ano, e, segundo clamam, sinistrado)
na lista dos beneficiários do package de auxílio financeiro, invocando a urgência em "rejuvenescer o apetite sexual da América", e as terríveis consequências sobre o nível de emprego da descida do volume de negócios em mais de 20%. Sabendo-se que uma parte desse volume de negócios é gerada pela utilização das "commodities" para obsequiar, creio ficar provado que, estes tempos, nada ficam a dever àqueles.

Quanto à evocação da cerimónia ocidental do "casamento religioso onde o pai entrega a noiva ao noivo, numa passagem de testemunho idiota", não chego a compreender se Sayyida Gabriela critica a entrega
(a "traditio" que os romanos já praticavam),
ou o seu carácter religioso. Se é este último, saibam os leitores que, no Islão sunita – 85% dos crentes - a cerimónia do casamento
("nikah" em árabe – desconheço se o português importou esse termo)
nada tem de religiosa, sendo acto de natureza exclusivamente civil em que qualquer muçulmano pode oficiar, e a noiva é acompanhada não pelo pai mas por um representante da família designado para o efeito, conhecido por "wali"
(palavra que em português deu o "valido" medievo, vítima do tempo e da degradação dos valores).
*-*-*-*-*-*-*-*
A homenagem de Sayyida Gabriela aos Rajul al-Ansar – "Homens-companheiros", denota a opção por um mundo em que a identidade masculina se esbate e o homem se feminiza, depilando-se, consumindo produtos de beleza, usando jóias, sonhando com o amor eterno, consumindo telenovelas, preferindo o compromisso à autoridade viril e privilegiando o diálogo (!!!) à luta.

Esta tendência é alimentada pelos poderes, que se deram conta dos múltiplos aspectos interessantes que vectoriza: a aproximação em direcção do feminino abre risonhas perspectivas a inúmeros mercados até aqui condicionados pelo género, e, sobretudo, à pressão eficaz no sentido de ser alcançada a igualdade de salários pela descida progressiva dos masculinos até ao nível dos femininos. No braço de ferro entre o trabalho e o capital, este humilha inflexivelmente aquele, mostrando aos machos que as mulheres podem fazer exactamente as mesmas coisas que eles, e ao mesmo preço.

Citando Al-Sahafiyy Az-Zemmour "...quando se recusa ver a relação sórdida entre o dinheiro, o poder e o falo, compram-se óculos com lentes opacas".

escrito por Ya Allah

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OUTRO MAU EXEMPLO

Já sabíamos, por via da sabedoria popular, que, de Espanha, não é de esperar nem bom vento nem bom casamento. Agora, pelos vistos, no país ao lado

[onde, por permissão do governo actual ainda que com oposição da Igreja Católica e de outros poderes, os homens podem casar com homens e as mulheres, com mulheres]
multiplicam-se os maus exemplos. O Carlos Lopes denunciou o mau exemplo de Cuenca; o cartaz que se segue revela outro: um encontro de mulheres na zona de Tarazona, no reino de Aragão.
Encontro de mulheresDo programa destaca-se
[destaco eu]
um colóquio-debate subordinado ao tema "o meu filho não sai de casa nem com água quente", uma conversa-debate sobre a igualdade e um recital de poesia erótica.

Ai, meu Deus! Ao qu'isto chegou!...

escrito por ai.valhamedeus

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