TRUMP(A)

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Só cretinices. 1

É publicamente conhecida a minha admiração pelo Sócrates. Uma das qualidade maiores do Sócrates é a facilidade com que usa uma linguagem que todo o povo entende. E entende-a, por ser a linguagem que o povo usa.

Havendo dúvidas, aqui deixo uma prova:

O Sócrates disse que o acordo com o fmi não tem mais cortes nos salários da função pública. Nem mais (nenhum) despedimentos na função pública. Nem mais alterações à idade da reforma. Nem haverá, essencialmente, mais medidas do que as do pec4. Nem mais medidas orçamentais para 2011...

É essa a minha linguagem e a linguagem do Sr. Zé, tudo gente do povo.

O Sr. Zé é um simpático funcionário do restaurante onde, quase invariavelmente, tomo o meu almoço económico. Quase invariavelmente, o Sr. Zé, quando topa que parei de comer, pergunta "Então?! não come mais nada?". E, quase invariavelmente, respondo "Não, sr. Zé! Não vai mais nada".

Entendamo-nos: não vai mais nada... até ao dia seguinte, no restaurante, onde irá mais qualquer coisinha. Noutros sítios, até ir mais qualquer coisinha. Minto eu ao Sr. Zé? Eu acho que não -- e nem ele nunca se queixou. É a linguagem do povo, a linguagem que o povo entende...

escrito por ai.valhamedeus

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BREVES - 13. argumentos... fatais

O discurso político é a melhor fonte de exemplos para distinguir argumentação de retórica. Deixo 4 exemplos:

  1. Fernando Negrão instalou em Lisboa 10 tendas
    [para registar críticas e sugestões dos lisboetas],
    como um "acto simbólico" da "volta" que o candidato social-democrata quer dar ao funcionamento da Câmara. O candidato do PSD justifica a iniciativa com um argumento... fatal: trata-se de "aproximar a autarquia dos cidadãos". Truque velhinho em roupagem nova: os candidatos viajam pelas feiras, mas os eleitos nunca mais lá voltam; os candidatos dão beijos nas velhinhas-coitadinhas, mas os eleitos cortam-lhes as reformas e aumentam a comparticipação nos medicamentos... E o mesmo há-de acontecer com estas tendas
    [que tenda é provisória, não é?].
    Dizia Fernando Negrão: os lisboetas devem ter "uma atitude pró-activa"
    [até parece que o homem anda a fazer publicidade a uma daquelas margarinas ou iogurtes proactive...].
  2. No "frente a frente" da Sic Notícias, Filipe Menezes [FM] defendeu hoje a não realização, em Portugal, do referendo ao novo tratado da União Europeia
    [passado para a presidência portuguesa, talvez por ser apresentado como um tratado "simplex". Digo eu].
    Com um argumento, no mínimo, curioso
    [e certamente... fatal]:
    é previsível que a percentagem de votantes num hipotético referendo fosse muito baixa. Portanto, seria um referendo não vinculativo -- e andaríamos a perder tempo. Ora o autarca do PSD diz estar convencido de que os portugueses querem
    [lá vem o velho sofisma dos políticos]
    é que a União Europeia "ande para a frente", sem empecilhos. Ou seja, os portugueses não querem o referendo.
    Das duas, uma
    [ou das duas, duas]:
    ou FM é burro ou acha que o telespectador é burro.
  3. O ministro da Saúde esconde o relatório da comissão de entendidos que propõe, para a Saúde, as medidas que, contrariando a Constituição, afastam cada vez mais o Serviço Nacional de Saúde da gratuitidade. O argumento é... fatal: as medidas não serão postas em prática nos próximos 2 anos
    [quer dizer, antes das próximas eleições].
    Ou seja, temos a confirmação de que
    • o governo pê-èsse começa a preparar as próximas eleições;
    • no caso de o pê-èsse ganhar as próximas eleições, vai continuar o regabofe da malhação no pessoal...
  4. Segundo contas do Infarmed, o tabaco custou-nos cerca de 434 milhões de euros em cuidados de saúde no ano de 2005. Segundo estudo realizado por investigadores da Universidade Católica Portuguesa e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, os internamentos motivados pelo tabagismo custaram 126 milhões de euros, os medicamentos, consultas e meios complementares de diagnóstico, mais de 308 milhões.
    Face a tais números, parece sem justificação que o governo economicista do pê-èsse não ataque tamanho malefício. Mas nestas contas faltam alguns números: quanto é que o tabaco rende em impostos; e quantos anos de reforma o Estado poupa, por mortes prematuras de indivíduos que viveriam mais uns anitos
    [a OMS prevê que, a continuarem as coisas como estão, em 2020 morrerão anualmente 10 milhões de pessoas]...
escrito por ai.valhamedeus

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