TRUMP(A)

hoje é sábado 273. AR DE ITÁLIA

Mesmo que seja só de passagem
esta é a terra que me renova

Ou me dá forças para a passagem
do que no fundo não se renova
[Mourão-Ferreira, David, Os Ramos, os Remos, Areal Editores, Porto, 1985, pág.14]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 191. "Rito de Passagem"


Em muitas comunidades indígenas, em algum ponto da vida os meninos precisam mostrar para toda a tribo que já não são mais crianças. Por isso eles passam por um tipo de ritual, no qual devem provar que já estão maduros o suficiente para serem reconhecidos como adultos. Essa foi a inspiração para o curta Ride of Passage (Rito de Passagem), de 2012.
Fonte: [http://www.animamundi.com.br/2014/ser-gente-grande-pode-ser-muito-divertido/]

escrito por Adriana Santos

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PARA A MINHA AVÓ MÃE

para a minha avó mãe pessoa de todos nós


avó máxima do máximo de tudo na vida
o amor maior dos amores por tudo existente à sua volta e para lá de si.
a avó mais terna mais criativa mais inventiva jogadora de cartas ao peixinho na ilha da nossa infância. observadora de aviões de quantos passam lá no ar "16 hoje!" de estrelas de luas e de mar
"já viste, isto é um milagre, como é que conseguimos estar aqui a boiar ao de cima da água. isto só pode ser deus nosso senhor!"

sim avozinha, deus nosso senhor é boiar no mar e tu encarnada nele.
tu que nunca conheceste limites nem limitações só acreditar acreditar fé e acreditar num sem fim inacreditável de amor que és tu. porque deus é amor. e tu és Ele. porque estás acima de qualquer pecado materialista humano ou mesquinho porque te elevas por cima disso tudo e ficas a observar lá de cima ou cá de perto as nossas trocas e os nossos passos sem entender porque temos tanto medo.

que saudades de te ouvir deslumbrada com a natureza com a tecnologia com os desenhos animados "como é que eles fazem isto? olha o boneco a mexer! ai que coisa engraçada!" e a contares pelas quinquagésima vez a história do rapaz dos óculos que não quiseste como pretendente porque poderia passar para a família e de como depois logo a tua primeira filha precisou duns óculos. De como não devemos rejeitar as pessoas por essas coisas e de como tudo na vida tem um retorno e que nada acontece ao acaso.

não há medo para ti. não há nem nunca pode haver limites para a tua grandiosidade. se entendermos que sempre e só foste feita de amor a nossa vida não fica em vão.

sei que és maior do que o corpo físico que agora largaste mas o meu coraçãozinho ainda tão humano e tão poucochinho divino está apertadinho até ao âmago do ser. queria ver essa tua cara grande quase imaculada de rugas e impregnada de ternura mais uma vez. queria assistir à tua despedida com todos aqueles que também te amam e admiram e para os quais foste sempre tão generosa.
até imagino animais em torno de ti, e passarinhos e borboletas e cães e gatos e camaleões nos teus braços todo o dia na bela ilha da fuzeta.
e imaginar-te mais uma vez a dares as migalhas do pão diário aos passarinhos e de contares dos feitos milagrosos da rainha santa isabel para os pobres .. e tantos passarinhos tantos.. ai que saudades

que o que nos ensinaste em vida a sempre amar a sempre perdoar a sempre acreditar nos sirva de inspiração.

vai agora avó mãe sogra amiga irmã filha anjo mais nobre de deus vai em paz para o descanso merecido

"já viste, estar lá no alto a voar assim. ai como era a coisa que eu mais gostava.. de voar !"
Maria Máxima Guerra*

[mariana. Mais informação sobre a avó mãe Máxima]

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UM DIA A OLHAR A BAÍA

Um dia a olhar a baía da varanda do 11ãndar. Como o teclado não é luso brinca-se com as ondas que se vê no a.
Um dia não é suficiente mas já ajuda bastante.
A baía. Maputo. Os portugueses e as suas colónias de mar feitas. De cidades no mar feitas.
E tanto mar ..
tanto

uma pessoa perde-se nele e encontra-se sem querer por querer... porque é assim o memorar. Para se encontrar nesse grão de areia misto de arrogância e fragilidade humana… de ego.
Ai o ego..
O ego, majestade de areia no mar...
No mar todos somos liberdade e amor e ternura.  e vontade magistral de ser de sophia de mello breyner andresen encarnados.
partir daqui a falar natureza.
e que natureza.

o mar.  a sophia.  e já sem dor.
escrito por mariana

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 10


[clicar na imagem, para a ver melhor/maior]
CREPÚSCULO 
En la tarde, en las horas del divino
crepúsculo sereno,
se pueblan de tinieblas los espacios
y las almas de sueños.

Sobre un fondo de tonos nacarados
la silueta del templo
las altas tapias del jardín antiguo
y los árboles negros,
cuyas ramas semejan un encaje
movidas por el viento
se destacan oscuras, melancólicas
como un extraño espectro!

En estas horas de solemne calma
vagan los pensamientos
y buscan a la sombra de lo ignoto
la quietud y el silencio.
Se recuerdan las caras adoradas
de los queridos muertos
que duermen para siempre en el sepulcro
y hace tanto no vemos.

Bajan sobre las cosas de la vida
las sombras de lo eterno
y las almas emprenden su viaje
al país del recuerdo.
También vamos cruzando lentamente
de la vida el desierto
también en el sepulcro helada sima
más tarde dormiremos.

Que en la tarde, en las horas del divino
crepúsculo sereno
se pueblan de tinieblas los espacios
y las almas de sueños!
[José Asunción Silva]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O MPT E A EDUCAÇÃO

A FENPROF colocou 3 questões aos candidatos às eleições europeias:

  1. INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO: Sendo o investimento na educação e na ciência uma responsabilidade do Estado, que percentagem mínima do PIB deve reverter para essas áreas?
  2. PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO: Em que condições pode o ensino privado ser financiado com dinheiros públicos?
  3. CONDIÇÕES DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM: Que medidas concretas devem ser implementadas para melhorar as condições de trabalho nas escolas?
A coligação dos partidos do governo (PSD/CDS) não respondeu. O MPT
[que, segundo me disseram. será conhecido no Parlamento Europeu como Marinho e Pinto's Theatre]
respondeu assim
[quem terá escrito "isto"? não haverá no MPT quem escreva melhor?]

[clique na imagem para ler melhor]

escrito por ai.valhamedeus

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MORREU UMA MULHER


Um dos primeiros textos (precisamente, o quarto) do Ai Jesus! ficou registado com o título MORREU UM HOMEM. Escrevi-o à memória do pai e sogro dos meus melhores amigos, que nesse dia os/nos deixou, e como reflexão sobre a morte e sobre a importância de quem morre.

Hoje, deixou-os/nos a mãe e sogra dos que
[11 anos depois e há muitos anos mais] 
continuam a ser os meus melhores amigos. Um abraço muito forte para a Fernanda e para o Carlos (um dos construtores deste blogue)...

... recordando, novamente, o Pequeno Poema de Sebastião da Gama:

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 272. CORPOEMA

Das sílabas a espátula
começa pouco a pouco
a modelar-te em alma
o que era apenas corpo
De sílabas a estátua
De lâminas o sopro
O que era apenas alma
volve-se agora corpo
[Mourão-Ferreira, David, Os Ramos os Remos, Areal Editores, Porto, 1985, pág. 53]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 178. “Os Simpsons - LEGO"

Os Simpsons ganhou um episódio inteiro feito com formato de peças de LEGO, brinquedo de armar que também é um clássico da cultura pop.

Na história, Homer tenta descobrir o que aconteceu para que todos assumissem formas de bonecos de armar. Ao mesmo tempo, ele também precisa encontrar uma maneira de fazer tudo voltar ao normal na louca Springfield e evitar ficar preso para sempre em um mundo de brinquedo.
Fonte: [http://www.animamundi.com.br/2014/os-simpsons-ganham-episodio-em-forma-de-lego/]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 9


[clicar na imagem, para a ver melhor/maior]
POEMA 10

Hemos perdido aun este crepúsculo.
Nadie nos vio esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.

He visto desde mi ventana
la fiesta del poniente en los cerros lejanos.

A veces como una moneda
se encendía un pedazo de sol entre mis manos.

Yo te recordaba con el alma apretada
de esa tristeza que tú me conoces.

Entonces, dónde estabas?
Entre qué gentes?
Diciendo qué palabras?
Por qué se me vendrá todo el amor de golpe
cuando me siento triste, y te siento lejana?

Cayó el libro que siempre se toma en el crepúsculo,
y como un perro herido rodó a mis pies mi capa.

Siempre, siempre te alejas en las tardes
hacia donde el crepúsculo corre borrando estatua.
[Pablo Neruda]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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LEIT(e)URAS [54] o dia inicial


Nas comemorações do 25 de abril deste ano, vários comentadores e analistas, a começar pelo inevitável provocador Vasco Pulido Valente, salientaram o esquecimento, por parte dos golpistas, do quartel da PIDE. Dizem eles que o MFA, o comando do golpe, se esqueceu da sede da polícia política, prova da imaturidade, para uns, e da natureza da intocabilidade do aparelho repressivo fascista.

No livro sobre o 25 de abril, o dia inicial, Otelo vem esclarecer
(coisa que já havia feito inúmeras vezes) 
que o Jaime Neves
(esse mesmo, o comando temível e anti esquerda militante) 
se tinha recusado a ir para a sede da polícia política, sem adiantar justificações. Assim como havia falhado o controlo da sede no Porto.

Parece-me que, do ponto de vista militar, a sede da DGS não era um alvo importante. Que meios tinham eles para oferecer resistência? Já a tentativa de “recuperar” a DGS para a colocar ao serviço do novo regime, se houve tal intento, ele foi manifestamente destruído pela atitude do povo que obrigou o movimento militar a ter de a desmantelar.

O livro de Otelo foi publicado em 2011 e deu tempo a burilar algumas espontaneidades existentes nos livros do Otelo
(de resto, este expressamente auxiliado). 
Mas uma das coisas que impressiona no livro é a fragilidade de tudo aquilo. Meia dúzia de homens aqui, uma dúzia ali e temos o país parado sem uma resistência digna desse nome. Conheço o furriel Alexandre que veio de Santarém e parou na rotunda do Campo Grande, no vermelho dos semáforos. Ninguém sabia ao que vinha e toda a gente se conformou. O 25 de abril foi um suave milagre. Mas já o 5 de outubro o tinha sido. No dia 5 de outubro dá-se a proclamação da República e, no dia 6, Zacarias Guerreiro embarca em Tavira no comboio para tomar posse como governador civil em Faro.

Este livro do Otelo é um bom auxiliar para compreender o 25 de abril militar e ter a ideia como isto (não) funcionava. A ler.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 272. COM AS GAIVOTAS

Contente de me dar como as gaivotas
bebo o Outono e a tarde arrefecida.
Perfeito o céu, perfeito o mar, e este amor
por mais que digam é perfeito como a vida.

Tenho tristezas como toda a gente.
E como toda a gente quero alegria.
Mas hoje sou dum céu que tem gaivotas,
leve o diabo essa morte dia a dia.
[Andrade, Eugénio de, Primeiros Poemas, As Mãos e os Frutos, Os Amantes Sem Dinheiro, Assírio & Alvim, s/l, 2012, pág. 96]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 178. “O Coelho e o Veado ”

O Coelho e o Veado vence Prémio Indie Júnior Árvore da Vida do Indie Lisboa 2014

Com a duração de 16 minutos, conta a história de um Coelho e de um Veado que vivem sem preocupações num mundo bidimensional até que a sua amizade é posta à prova pela nova obsessão do Veado em encontrar a fórmula para a terceira dimensão. Depois de um inesperado acidente, o Veado descobre um mundo novo e surpreendente e, ao mesmo tempo, tem de procurar uma forma de manter a sua amizade.


Fonte: [http://www.rtp.pt/extra/index.php?article=431&visual=4]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 8

[clicar na imagem, para a ver melhor/maior]
ARTE POÉTICA

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.
[Jorge Luis Borges]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ZOOM [92] - abstémio

[clicar na imagem para ler melhor]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 271. FLOR DA ESTEVA

I

Mal toquei na flor da esteva,
logo se desfez,
frágil como névoas de Verão.

A corola branca
desconjuntou-se em pétalas dispersas
como flocos de neve fora de tempo
pousando com cautela sobre a terra.

Passou assim a haver
no campo um astro a menos.

Mas passou a haver também
Um odor a esteva nos meus dedos.

Ficou ela por ela.
[Cabral, a.m. pires, gaveta do fundo, Tinta da China, Lisboa, 2013, pág. 27]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 178.“The Me Bird”

Inspirado no poema homónimo do chileno Pablo Neruda, a animação “The Me Bird” (O Eu Pássaro) narra a história de uma bailarina em busca de sua liberdade. O curta foi exibido na sessão Panorama do Anima Mundi 2013.

Um belo encontro entre poesia e animação!


O Pássaro Eu

Chamo-me pássaro Pablo,
ave de uma pena só,
voador na escuridão clara
e claridade confusa,
minhas asas não são vistas,
os ouvidos me retumbam
quando passo entre as árvores
ou por debaixo das tumbas
qual funesto guarda-chuva
ou como espada desnuda,
estirado como um arco
ou redondo como uma uva,
voo e voo sem saber,
ferido na noite escura,
aqueles que vão me esperar,
os que não querem meu canto,
os que me querem ver morto,
os que não sabem que chego
e não virão para vencer-me,
a sangrar-me, a retorcer-me
ou beijar minha roupa rota
pelo sibilante vento.
Por isso eu volto e vou,
voo mas não voo, mas canto:
pássaro furioso sou
da tempestade tranquila.
[Pablo Neruda]

Fonte: [http://www.animamundi.com.br/2014/the-me-bird-poema-de-pablo-neruda-da-vida-a-animacao/]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 7


[clique na foto para a ver melhor]

NÃO QUERO IR ONDE NÃO HÁ A LUZ

Não quero ir onde não há a luz,
Do outro lado abóbada do solo,
Ínfera imensa cripta, não mais ver
As flores, nem o curso ao sol de rios,
Nem onde as estações que se sucedem
Mudam no campo o campo. Ali, no escuro,
Só sombras múrmuras, êxuis de tudo,
Salvo da saudade, eternas moram;
Região aos mesmos íncolas incógnita,
Dos naturais, se os tem, desconhecida.
Ali talvez só lírios cor de cinza
Surgirão pálidos da noite imota.
Ali talvez só gelo com as águas,
Como a cegos, serão, e o surdo curso,
No côncavo sossego lamentoso,
Se acaso à vista habituada aclare,
Será como um cinzento tédio externo.
 
Não quero o pátrio sol de toda a terra
Deixar atrás, descendo, passo a passo,
A escadaria cujos degraus são
Sucessivos aumentos de negrume,
Até ao extremo solo e noite inteira.
 
Para que vim a esta clara vida?
Para que vim, se um dia hei-de cair
Da haste dela? Para que no solo
Se abre o poço da ida? Porque não
Será sem fim [?...]
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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LIVROS PROIBIDOS PELO ESTADO NOVO

Com o jornal Público está a vender-se, às quintas-feiras, uma coleção de 13 livros proibidos pelo Estado Novo, nas suas edições originais, acompanhados pelos relatórios oficiais de censura.

A semana passada, foi a vez de POVO 
[contos de Afonso Ribeiro, um dos expoentes da prosa de ficção neo-realista portuguesa, natural de Moimenta da Beira. O seu livro de novelas Ilusão na Morte, de 1938, é considerado precursor na área. Professor primário em zonas rurais, o contacto com as desigualdades sociais e com as carências das classes desfavorecidas inspira uma prosa atenta à verosimilhança da fala das personagens, aos seus problemas e escravidões. As suas obras denunciam a miséria moral de proprietários e trabalhadores, proclamando a necessidade de olhar para o mundo rural com diferentes olhos. Colaborou nos jornais O Diabo e Sol Nascente e com a Revista Vértice, tendo deixado um importante legado literário que abarca diferentes géneros].
Esta série de contos foca na sua generalidade a miséria em que vivem as classes trabalhadoras populares, oprimidas pelas classes patronais dos abastados. Foi proibido pelas razões que se reproduzem na imagem seguinte e se podem sintetizar na expressão "Pura propaganda comunista", da autoria do censor, o capitão Carlos Maria do Carmo.


[clicar na imagem para ler melhor]

Os livros da coleção (com detalhes) encontram-se listados aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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ZOOM [91] - saída limpa


escrito por ai.valhamedeus

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