e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência, delicadeza,[Helder, Herberto, A Morte Sem Mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 39]
vou morrer como um cão deitado à fossa!
escrito por Carlos M. E. Lopes LEIA O RESTANTE >>
e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência, delicadeza,[Helder, Herberto, A Morte Sem Mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 39]
vou morrer como um cão deitado à fossa!
Amadeu é um adolescente popular com muitas aventuras e amigos fora do normal, que joga matraquilhos como um campeão. Ele tem uma vida fantástica e duas grandes paixões: os matraquilhos e a Laurita. Mas um dia tudo muda quando Amadeu tem de voltar a enfrentar o seu mais temível rival, El Macho, desta vez num jogo de futebol a sério. El Macho está decidido a vencer Amadeu e tirar-lhe tudo aquilo que ele ama: A vila onde vive, o bar onde trabalha, a sua mesa de matraquilhos e o coração de Laura, por quem Amadeu está secretamente apaixonado. Juntando-se a um grupo improvável de Matraquilhos muito divertidos e determinados em vencer, com a ajuda de Capi, o capitão da sua equipa, de "Liso", o líder da equipa adversária e dos restantes matraquilhos, Amadeu inicia uma aventura espetacular para salvar Laura e o sonho de todos. Juntos, irão descobrir que aqueles que são seus rivais dentro de campo, se podem transformar em amigos incondicionais fora dele.Fonte [http//cinema.sapo.pt/filme/metegol]
Post scriptum: escrito o anterior desabafo, optei por procurar um número recente de uma outra revista (um outro título). Na prateleira da estante vizinha, estavam Colóquio-Letras em número suficiente para me despertar a curiosidade: entre os números expostos (do 163, de janeiro-abril de 2003 até ao atual 186, de maio-agosto de 2014), lá estava o nº 176, que eu pretendia. E senti-me tentado a concluir que quem está a "atender" neste espaço poderia estar, com o mesmo/pouco à-vontade..., a vender frigoríficos ou algo assim.

JUNTO ÀS MARGENS DE UM RIO
Junto às margens de um rio docementeCom meus suspiros altercando,A viva apreensão ia pintandoPassadas glórias no cristal luzente.
Mas quando nesta ideia mais contenteO coração se estava recreando,Despenhou-se do peito o gosto brando,Envolto com a rápida corrente.
Lá vão parar meus gostos no Oceano,Ficando inanimado o peito frio,Que o recreio buscou só por seu dano.
Acabou-se o contente desvario,E meus olhos saudosos do enganoQuase querem formar um novo rio.
Blu vive feliz no Rio de Janeiro ao lado da companheira Jade e seus três filhotes, Carla, Bia e Tiago. Seus donos, Linda e Túlio, estão agora na floresta amazônica, fazendo novas pesquisas. Por acaso eles encontram a pena de uma ararinha azul, o que pode significar que Blu e sua família não sejam os últimos da espécie. Após vê-los em uma reportagem na TV, Jade insiste para que eles partam para a Amazônia. Blu inicialmente reluta, mas acaba aceitando a ideia. Assim, toda a família parte em uma viagem pelo interior do Brasil rumo à floresta amazônica sem imaginar que, logo ao chegar, encontrarão um velho inimigo: Nigel.Fonte: [http://www.ilovefilmesonline.com/2014/03/rio-2-filme-online.html]
QUANDO AS PARALELAS SE TOCAM![Francisco Valverde Arsénio (a publicar)]
Palavras caladas
que se cruzam
na corrente dos olhos.
Silêncios tantos
numa dimensão
do tempo sem tempo,
onde as palavras
tinham perdido todo o sentido,
onde o mar deixou de beijar as areias.
Fez-se presente
aquele presente;
e todos os poemas
saltaram da ponta dos meus dedos
e ali os teus olhos
juntos de tantos olhos
se perderam nos meus.
Esqueço-me
aqui das rimas
e da cadência dos versos,
esqueço-me das luzes mortiças
que iluminam a sala…
há um holofote
dirigido aos teus lábios
que perderam o sabor dos meus.
Do outro lado da plateia
estás tu…
tu a quem os dias são noites…
são noites…
São…
E olho-te
neste meu olhar desviado,
e os lados da plateia
juntam-se num sorriso único…
olhas-me…
ela olha-me
e os meus braços
criam asas num abraço.
Um encontro…
um reencontro…
duas pétalas trazidas pelo vento.
Musicalmente, a minha tarde começou com LOPES-GRAÇA, recordado por José Gomes Ferreira, o qual, a 21 de outubro de 1965, escreveu:
De repente, recordei-me de que em 1945 alguns amigos estranharam a divulgação sem entraves da canção do Graça: Não fiques para trás, ó companheiro.
-- Não sei porque haviam de proibi-la... -- expliquei eu então. -- No fim de contas trata-se duma mera canção de camping.
-- Sim... -- confirmou o Assis Esperança -- de camping de concentração.A canção, recordo, é esta:
XXI
Eu poderia usar[Moura, Vasco Graça, Poesia 1963/1995, Quetzal, Lisboa, 2007, pág. 281]
outras imagens, sua
trama complicada,
falar
das urdiduras da justiça.
eu poderia pôr
quadrigas sobre as praias,
calar os animais,
cantar, eu poderia
falar de morte e música,
de vida, de sibilas,
ou aludir a delphos.
mas há a linha
da minha vida, tua sobriedade.
…Um dos objectivos desta colecção é facultar ao público português, latino-americano e espanhol um conjunto de obras de contexto ibérico e atlântico…desmistificar algumas das ideias pré-concebidas da História…
Ignorado pela maioria dos portugueses será o facto de, ao longo do século xix, Portugal pertencer à chamada “terceira Europa”. No ano de 1900 encontrávamo-nos numa situação de enorme pobreza, falência do Estado, com indicadores de educação extremamente baixos, e a tentar recuperar algum dinamismo económico perdido desde a independência do Brasil. Apesar da posição periférica no contexto europeu, Portugal passa da coroa mais pobre da Europa, no século xix, para um desenvolvimento intermédio, mas chega ao 25 de Abril com um atraso cultural e estrutural muito significativo…
Quando olhamos para a nossa contemporaneidade e para a crise actual talvez não nos lembremos de que só entre 1970 e 2000 Portugal atinge um impressionante processo de desenvolvimento económico, democratização, modernização, e efectiva mudança social…[In Jl]

EFÉMERA É A PASSAGEM DA CHUVA
nem sempre vestiste
a indiferença forçada que te cobre e te oculta
tempos houve em que fazias de cada palavra uma ode
de cada gesto um festim
de cada ausência um fado incerto
agora navegas à deriva
num oceano sem ondulação nem ventos bonançosos
onde por vezes
confundes escolhos com terra firme
e é então que afastas o manto que te cobre
por breves momentos, apenas,
na esperança de que as gotas de chuva sussurrem o teu nome
efémera é a passagem da chuva[JOÃO CARLOS ESTEVES, in Inventei-te as manhãs (Chiado Ed. 2013)]
e pesado o silêncio que a arrasta para fora do teu horizonte
A democracia é uma coisa que não existe, uma superstição do homem que pensa que é livre. Por isso eu sou favorável aos regimes militares, duros; eu estive na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos, mas logo percebi que Franco era merecedor de todos os meus elogios...; Se não existissem negros, a história do mundo não mudaria em nada. Uma raça que só sabe viver da imitação das coisas dos homens brancos.Chega? Chega. Mas é um bom escritor.
Respira. Um corpo horizontal,
tangível, respira.
Um corpo nu, divino,
respira, ondula, infatigável.
Amorosamente toco o que resta dos deuses.
As mãos seguem a inclinação
do peito e tremem,
pesadas de desejo.~
Um rio interior aguarda.
Aguarda um relâmpago,
um raio de sol,
outro corpo.
Se encosto o ouvido à sua nudez,
uma música sobe,
ergue-se do sangue,
prolonga outra música.
Um novo corpo nasce,[Andrade, Eugénio, As Palavras Interditas, Até amanhã, Assírio & Alvim, 2012, s/l, pág. 7-48]
nasce dessa música que não cessa,
desse bosque rumoroso de luz,
debaixo do meu corpo desvelado.

NAVIOS DE VENTO
Fechei a minha janela
ao vento que vem do largo
que entra pela foz do rio
e declina pela cidade
silvando pelos telhados
que lhe servem de desvio.
No rio sobem navios
que apitam de quando em quando.
Oh mudo pranto fechado,
que se ouve no meu quarto!
Mas o vento força a porta
sublinha-se pelas frinchas
com denodado desígnio
que me fere de malícia.
Abro a janela fecho-a
e recebo-o em minha casa
com honras de visitante,
pé atrás, outro adiante,
como se fosse esperado.
Oh pranto desenganado!
Não converso, não me espanto[Ruy Cinatti, 26/2/1975]
com o que o vento sussurra
quando entra de improviso.
O que se ouve no meu quarto
é um anjo apavorado
que me pretende assustar
com uma voz de além-túmulo
ouvida algures, além mar.
Oh lamento recordado
de uma criança a chorar!
Eu vejo cavalos brancos
galopando sobre as nuvens,
as crinas ao ar soltando
como um cardume assustado.
O vento que me percorre
rodopia sem cessar
enche-me o quarto todo
de furtivos sentimentos
difíceis de controlar.
Oh mudo pranto fechado
a sete chaves pelo vento!
Queria ter a posição dos claustros[Faria, Daniel, Poesia, Assírio & Alvim, s/l, 2012, pág. 303]
A posição do monge antigo que os varre
A posição do moribundo que pergunta as horas
A posição das árvores quando as crianças sobem
A posição dos ramos quando os ninhos nascem
A posição de alguém que já não mora. Queria
Como se tivesse
A posição da casa e alguém me visitasse
Que este governo tem sido/é uma aldrabice pegada, só não é evidente para quem quiser ser cego. Mas, como há quem não queira ver, vamos recordar o que os governantes disseram quando anunciaram os cortes nos salários e pensões: ATÉ QUANDO DURARIAM TAIS CORTES?
...e tem mais razão do que pensa: SE o Tribunal Constitucional pudesse desaparecer, é porque não seria preciso. E isso seria porque não teríamos os políticos de merda que temos (e que corremos o risco de ter). Os merdosos que de democracia só conhecem a dos euros (deles). Constituição? Isso é estorvo...
...e tem mais razão do que pensa: não podemos mesmo aguentar tanto sobressalto. Desde 2012, este governo já teve seis chumbos do Tribunal Constitucional. Os sobressaltos poderiam evitar-se, se este governo percebesse o que é uma democracia e o papel estruturante da Constituição. Mas, como a sua Constituição são as ordens dos troikos...escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>