TRUMP(A)

hoje é sábado 280. RÔSINHA

Rôsinha
eu estar chatiado
não ir trabalhar.
Rôsinha
agente aôje vai amar.

- Ouvi quirido
você sabe qui Chiquito
comeu manga verde
tem dor no barriga
agente aôje não
vai amar.

Rôsinha
eli não vai chorar…!
Eu vai comprar rimédio pra Chiquito
tu vai ver
eli ficar bom
eli ádi bricar.

Tira capulana Rôsinha
agente aôje vai amar!
[Da Silva, Calane, Dos Meninos da Malanga, Alcance Editores, Maputo, 2013, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 198. "A Viagem de Said"


El Viaje de Said
Prémio Goya 2007- Melhor curta de animação
Diretor: Coke Rioboo
Said, um rapaz marroquino, atravessa o Estreito de Gibraltar. Do outro lado, na terra das oportunidades, descobre que o mundo não é tão bonito como lhe haviam dito.
Fonte: [http://elpaisdelarisoterapia.blogspot.pt/2009/06/el-viaje-de-said-un-corto-de.html]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

LEIT(e)URAS [58] a partícula no fim do universo

Carlos Fiolhais propõe no Público de quarta umas leituras de Estio.

Já tenho seguido as sugestões dele e não me tenho arrependido. Desta vez sugere Sean Carrol, Cristina Carvalho (filha de António Gedeão), Luísa Costa Gomes, Thomas Mann, José Tolentino de Mendonça e Pedro Mexia e Maria de Sousa.


São seis livros
(Marcelo Rebelo de Sousa recomendaria, pelo menos, 80), 
dos quais o que mais me atrai é o de Sean Carrol, A partícula no Fim do Universo, da Gradiva, por ser a área de Carlos Fiolhais. Quanto ao resto, já não sou tão fão...

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 20


Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente! 
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir! 
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
[Fernando Pessoa, 20-9-1933]
[esta é a primeira ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. Leia a segunda].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

DO CONTRA [103] o papa pop

Impressiona a quantidade de pessoas que ajoelha perante o "novo" Papa, Francisco, mesmo não sendo gente crente

[os murais do Facebook são disso uma amostra significativa].

Parece tratar-se de um papa modernaço, que põe de lado etiquetas e protocóis, almoça em cantina com funcionários do Vaticano, batiza filhos de mães solteiras (um ato considerado de uma "simplicidade brutal" por jornalistas de renome),... E eu torço o nariz, porque não vejo alterações substanciais na Igreja chamada católica, dirigida por este papa pop.

Folheio a Claves de Razón Práctica de maio/junho de 2014
[uma revista espanhola atualmente dirigida pelo filósofo colunável Fernando Savater]
e descubro que Michele Martelli partilha esta minha impressão. O seu artigo, intitulado De rodillas ante el papa Francisco (De joelhos perante o papa Francisco), defende que
Bergoglio [nome civil do papa Francisco] seduziu leigos, crentes e crédulos, mas à margem dos seus amplos sorrisos e dos seus eficazes sloganes, não parece que o novo papa se afaste demasiado do magistério tradicional.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

O SISTEMA FUNCIONA BEM. MUITO BEM...

Gosto dos SISTEMAS QUE FUNCIONAM BEM. Seja este exemplo:

  • É preciso baixar os salários aos reformados. Porque não há dinheiro.
  • É preciso aumentar a contribuição dos funcionários públicos para a ADSE. Porque não há dinheiro.
  • É preciso aumentar IRS, IMI e outros impostos. Porque não há dinheiro.
  • .... Porque não há dinheiro.
  • É preciso SALVAR A FAMÍLIA ESPÍRITO SANTO. Porque até o nome da família é divino. Porque até para a banca é salvífico. Porque até HÁ DINHEIRO: é só baixar os salários aos reformados, aumentar a contribuição dos funcionários públicos para a ADSE, aumentar IRS, IMI e outros impostos...
[escrito a 19/7/2014. Atualização a 2/8/2014]

É preciso salvar o BES. E o primeiro-ministro deste país abancalhado admite que o Estado poderá ter de intervir no BES. Porque "a estabilidade financeira é muito importante e tem de ser assegurada". Claro!... ou o sistema não funcionasse...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 279. LE VIN DE L'ASSASSIN

Ma femme est morte, je suis libre!
Je puis donc boire tout mon soûl.
Lorsque je rentrais sans un sou,
Ses cris me déchiraient la fibre. 
Autant qu'un roi je suis heureux;
L'air est pur, le ciel admirable...
Nous avions un été semblable
Lorsque j'en devins amoureux! 
L'horrible soif qui me déchire
Aurait besoin pour s'assouvir
D'autant de vin qu'en peut tenir
Son tombeau; — ce n'est pas peu dire: 
Je l'ai jetée au fond d'un puits,
Et j'ai même poussé sur elle
Tous les pavés de la margelle.
— Je l'oublierai si je le puis! 
Au nom des serments de tendresse,
Dont rien ne peut nous délier,
Et pour nous réconcilier
Comme au beau temps de notre ivresse, 
J'implorai d'elle un rendez-vous,
Le soir, sur une route obscure.
Elle y vint — folle créature!
Nous sommes tous plus ou moins fous! 
Elle était encore jolie,
Quoique bien fatiguée! et moi,
Je l'aimais trop! voilà pourquoi
Je lui dis: Sors de cette vie! 
Nul ne peut me comprendre. Un seul
Parmi ces ivrognes stupides
Songea-t-il dans ses nuits morbides
À faire du vin un linceul?~ 
Cette crapule invulnérable
Comme les machines de fer
Jamais, ni l'été ni l'hiver,
N'a connu l'amour véritable, 
Avec ses noirs enchantements,
Son cortège infernal d'alarmes,
Ses fioles de poison, ses larmes,
Ses bruits de chaîne et d'ossements! 
— Me voilà libre et solitaire!
Je serai ce soir ivre mort;
Alors, sans peur et sans remords,
Je me coucherai sur la terre, 
Et je dormirai comme un chien!
Le chariot aux lourdes roues
Chargé de pierres et de boues,
Le wagon enragé peut bien 
Ecraser ma tête coupable
Ou me couper par le milieu,
Je m'en moque comme de Dieu,
Du Diable ou de la Sainte Table!
[Baudelaire, Charles. As flores do mal (Les fleurs du mal), Relógio d’Agua, Lisboa, 2003, Pág. 244 - 246]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 197. "Chico e Rita"


Cuba. 1948. Chico é um pianista com a esperança no seu sonho. Rita é uma cantora com uma voz maravilhosa. A Música e o Sonho os une de uma forma rítmica e romântica numa carreira extraordinária pelo mundo. O filme se passa em Havana, Nova York, Hollywood, Las Vegas e Paris seguindo o romance de Chico & Rita.
Fonte: [http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_%26_Rita]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

BICHAS E FILAS

Do meu mural do Facebook, importo para aqui o tema da sinonímia ou do contraste das palavras bicha e fila -- um tema motivado pelo texto (do Ai Jesus!) Os direitos dos bichos.



Parece-me generalizada a ideia de que é incorreta a utilização de bicha como sinónimo de fila. Tal ideia é que é incorreta, como se pode concluir da consulta de um vulgar, mas bom, dicionário: por exemplo, o da Priberam, em linha, recorda que um dos significados de bicha , em português europeu informal, é Fileira de pessoas, umas atrás das outras (ex.: bicha da caixa do supermercado). = FILA.

No conceituado sítio da Web Ciberdúvidas, João Carreira Bom esclarece mais  a sinonímia, associando a distinção a preconceitos da classe média. Concluindo:
Os elementos mais pretensiosos da classe média, pelo seu número e posição, podem ser muito influentes. Mas não vão para as bichas dos transportes públicos. Afigura-se-me não terem influência directa para provocar a morte de uma palavra inocente que, afinal, os perturba. Eles lá sabem porquê.
O mesmo Ciberdúvidas inclui um extrato do livro A Bicha e A Fila, uma paródia à volta das diferenças culturais entre Brasil, Angola e Portugal – a começar nas palavras do título do romance.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 19


[clique na imagem para a ver maior]

COISA AMAR  
Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
[Manuel Alegre, in Coisa Amar : Coisas do Mar. Lisboa : Perspectivas & Realidades, 1976]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

OS DIREITOS DOS BICHOS


pessoas que gostam tanto de animais que... os amam. Outras, tanto... que quase.

A julgar pela quantidade de comida que levou para cães e gatos, a senhora que, esta tarde no mini-mercado, pagou as suas mercadorias antes de mim -- essa senhora ama certamente (os) animais ou, no mínimo, respeita-os muito.

Respeita-os muito mais, certamente, do que respeitou as pessoas que aguardaram na extensa bicha a sua vez de pagar: a amante dos animais colocou o cesto na bicha e,intervaladamente, foi-o empurrando e enchendo em corridas às prateleiras do mercado.

Assim é que se ganha a vez e se respeita muito pouco as pessoas que tiraram das prateleiras tudo o que queriam, antes de ocupar o lugar na bicha. Porque há uns bichos que valem mais do que outros...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 279. HOMERO

Escrever o poema com um boi lavra o campo/
Sem que tropece no metro o pensamento/
Sem que nada seja reduzido ou exilado/
Sem que nada separe o homem do vivido
[Andresen, Sophia de Mello Breyner,  O búzio de Cós, Caminho, Lisboa (4° edição), 1997, pág. 14]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 196. "Runaway"

Runaway foi criado por Emily Buchanan, Esther Parobek e Susan Yung, estudantes da Ringling College of Art and Design.
escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

A PACC É UM VEXAME!


Desafio qualquer defensor da chamada prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) a que, seriamente, analise o enunciado da prova de anteontem (está aqui) e mostre como é que esta prova distingue os bons professores dos maus professores.

A sensação que tenho é que, mesmo alguns dos camelos que nas tevês comentaram, a soldo, essa PACC (e a confundiram, com a maior das facilidades e de ignorância, com o processo de avaliação dos professores) -- mesmo esses, e alguns bem conceituados na praça político-partidária, não fazem ideia do que estão a falar.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 18


[clique na imagem para a ver maior]

SILENCIO
Así como del fondo de la música
brota una nota
que mientras vibra crece y se adelgaza
hasta que en otra música enmudece,
brota del fondo del silencio
otro silencio, aguda torre, espada,
y sube y crece y nos suspende
y mientras sube caen
recuerdos, esperanzas,
las pequeñas mentiras y las grandes,
y queremos gritar y en la garganta
se desvanece el grito:
desembocamos al silencio
en donde los silencios enmudecen.
[Octavio Paz]
[esta foi a terceira ilustração de uma série de três, sugeridas por um tema comum: o Nevoeiro. A anterior está aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

PROFESSORES EM PROTESTO CONTRA A PACC

Porque não se lê bem, transcrevo:
-- e como professor, não sente uma espécie de vergonha em fazer este tipo de protestos?
-- sinto é uma espécie de vergonha em viver num país onde professores precisam de fazer este tipo de protestos.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ESTE GOVERNO SUBSTITUIU A DEMOCRACIA PELA MANHA


Não é para melhorar as escolas, é para mostrar quem manda. O resultado é que, se houver sarilhos, é porque andaram a pedi-los,
escrevia, um dia destes, Pacheco Pereira a propósito das manhas pouco democráticas deste governo para fintar a atividade sindical contra esta teimosia de uma prova estúpida para professores.

Continua a saga dos truques: Ministério proíbe concentrações de professores em dia de prova polémica. O SPRC promete:
Em todas as escolas onde está marcada a prova vai realizar-se uma reunião sindical. Nem que seja à porta da escola. Nenhum colega deve vigiar outros colegas.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

EX-CITAÇÕES * 145. os erros da troika


... Este país, que não é para novos nem para velhos diz, de certo, muito pouco aos que sonharam com um Estado que abandonaria a cauda da Europa e saberia afirmar a sua modernidade… A percepção dos “dez erros que abalaram Portugal”, como prefiro dizer, resulta patente mais do que das afirmações do autor de “Os Dez Erros da Troika em Portugal”, das sucessivas demonstrações de incompetência, irresponsabilidade, má fé e enviesamento ideológico, que investigou com um rigor inultrapassável…. 
…Os erros da Troika explicam o país que hoje somos, e como foi possível extrair aos particulares mais de 27 mil milhões de euros para reduzir o défice em nove milhões…. 
… Do meu ponto de vista, não há qualquer razão para inocentar ou perdoar aos homens de fato cinzento que por cá passaram, com uma arrogância e incompetência quase inultrapassáveis, e que, fechado este dossier, partirão para outra operação, quais verdadeiros pistoleiros contratados, dos velhos westerns, gozando das benesses que recusam aos outros, e aguardando reformas douradas e isentas de impostos, sem um minuto de pensamento para os reformados condenados à miséria. Mas não nos podemos esquecer dos mandantes do crime, e de que portugueses há que se vangloriam de ter sido autores e inspiradores da troika, e que o Governo português proclamou, ufano, que iria para além do imposto pelo exterior. … 
…Se não estivesse hoje convencido de que, como sustenta Ulrich Beck, tudo isto fez parte de uma estratégia merkeliana de tomada de poder, pensaria que a Europa era estúpida e partidária de comportamentos auto-lesivos, como escrevi há mais de um ano…. 
…Com o sentido injurioso de quem considera que não está num estado independente -- e que até é um dos mais antigos da Europa -- a troika e os seus mandantes atacaram em termos inaceitáveis um órgão de soberania português -- o Tribunal Constitucional. Nada, no entanto, que se compare com aquilo que os dirigentes políticos portugueses fizeram e que nos levaram para muito próximo da Hungria e da vergonhosa supressão da independência do poder judicial. …
[Eduardo Paz Ferreira, professor catedrático da Universidade de Direito de Lisboa]

escrito por Gabriela Correia, Faro

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 278. FOI NO MAR QUE APRENDI

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos de espuma

Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, O Búzio de Cós e outros poemas (4ª edição), Editorial Caminho, Lisboa, 1997, pag. 11]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

HÁ MUITAS LINHAS. ESTA É UMA DELAS...


escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>