TRUMP(A)

EX-CITAÇÕES * 146. no próximo oriente...


George Bush Jr. acreditava que as pessoas são democratas de modo natural. Que se se retiram as autoridades repressoras, a população deixa fluir os seus instintos liberais. E atuou em conformidade. Graças a ele, este ano no Iraque proclamou-se um califado, este sim dirigido por terroristas. E o Afeganistão só é governável com a cumplicidade... dos talibãs. 
Se Bush queria democracias no Próximo Oriente, deveria ter financiado muito mais que uma guerra: escolas, juízes e toda uma organização social laica. Mas tinha uma opção mais viável: apoiar a sociedade civil muçulmana maioritária, que detesta o terrorismo mas exige respeito pela sua maneira de viver (ou seja, democracia). 
Bush já está fora de jogo. Mas Hollande ainda está a tempo de cometer o mesmo erro.
[Santiago Roncacliolo. ¿La amenaza islamista?]

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 281. DOS MENINOS DA MALANGA

DOS MENINOS DA MALANGA
(Minkhokweni)
Ao Quinho (Alexandre João Gouvéris)

Mukhokweni
não é lugar de cocos.
Mukhokweni
também tem história
retida na íris
dos meninos da Malanga.
Vivíamos a monte
entre coqueiros, pamas e piteiras
e tínhamos tudo!
Crianças sempre esfarrapadas
mulheres grávidas todos os anos
xibalos-carregadores
e magaízas endinheirados
que os mabandido por vezes
esfaqueavam.
A polícia também investia
para metralhar corpos
e efectuar prisões
mas em Mukhokweni
sobretudo
vivíamos entregues a nós mesmos.
Vinte e quatro anos são passados
sobre os coqueiros, pamas e piteiras
de Mukhokweni ora urbanizado.
Mas os gritos
pragas e imagens continuaram
doidamente condensados
nos nossos corações já amadurecidos.
Jacinto, Fernanda, Madala
e tu Kadir?
Todos companheiros de infância
que o regime implacável dividiu.
Lembram-se irmãos
dos jogos de futebol no campo da Glória
onde o Zeca
esse loiro traquina
apanhava da mãe para não aprender
a falar landim?
Mas o pau de amoreira
no seu corpo franzino
não o assustava
e lá o tínhamos diariamente
como avançado-centro da nossa equipa.
Não sei o que foi feito dele.
Da Fernanda sei.
Essa menina mulata
de tranças de carapinha
não teve ninguém
por isso há dias sem me reconhecer
quis vender-me amor num quarto qualquer da cidade.
Não me mente
este tempo historiado!
Agora
meninos totalmente diferentes
vivem em Mukhokweni
sem coqueiros, sem pamas e sem piteiras.
Porém
quando passo no lugar
quase sem rancor
choro
milhares de pessoa
que Mukhokweni marcou para sempre!
[Da Silva, Calane, Dos Meninos da Malanga, Alcance Editores, Maputo, 2013, pág. 21]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ESCOLA E MOÇAMBIQUE


Ao lado do antigo Liceu Salazar, agora Escola Secundária Josina Machel, na rotunda situa-se o Museu de História Natural. Orgulhoso da fauna e sobretudo da coleção de fetos de elefantes que tem
(única no mundo?), 
o Museu é visitado por escolas e é bonito ver, em cada turma de visita ao museu, haver três ou quatro alunos a tirar apontamentos num caderno. Os outros não tiram porque não têm
(e não haverá um pouco de vaidade naqueles que têm?). 
De resto, a única coisa que os miúdos me pediram nos dias que por cá ando, foram cadernos. A escola parece ser coisa séria.

Entre Maputo e Inhambane, cerca de 500 kms, veem-se milhares de miúdos que vêm ou vão para a escola. Com um elemento de vestuário igual
(camisa, calças/saia, gravata há em bordeaux, verdes, azuis, amarelos) 
conforme a divisão administrativa, Segundo me disseram… No outro período do dia, ajudam a mãe na venda de fruta.  Há, neste fardamento, qualquer coisa de britânico a que não será alheia a influência sul-africana. E, no entanto, há a carência de 800 mil carteiras nas escolas do país. Muitas daquelas crianças sentam-se no chão para ter aulas…

O Museu de História Natural é pequeno, mas interessante. Mas denota carências que não estão de acordo com o orgulho que as autoridades dizem ter nele. As legendas escasseiam, estão gastas, não há guias
(ou desaparecem)...
São negligências incompreensíveis num museu com um acervo importante e de que os Moçambicanos se devem orgulhar.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 199. "The Lost Thing "


THE LOST THING
Realização: Andrew Ruhemann, Shaun Tan
Ano: 2010

Sinopse
Um jovem descobre uma criatura estranha enquanto apanhava tampas de garrafa na praia. Ao aperceber-se de que está perdida, o rapaz tenta procurar o dono ou o local a que pertence, mas é confrontado com a indiferença de todos, que quase nem dão pela sua presença.
Fonte: [http://www.thelostthing.com/]


escrito por Adriana Santos

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DO CONTRA [104] a elevação da virgem


Faz, hoje, anos
[foi a 15 de agosto de 42]
que faleceu a Virgem Maria, Nossa Senhora, mãe de Jesus. Segundo a tradição da Igreja, teria "dormido" e ressuscitado sendo elevada ao Céu em corpo e alma pelos anjos.

As coisas que esta gente da Igreja sabe...

escrito por ai.valhamedeus

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NÃO CONFIO EM CACHORROS


Esta é uma imagem que circula pelo Facebook com alguma intensidade vírica.

“Não confio em pessoas que não gostam de cachorro, mas confio totalmente num cachorro quando ele não gosta de uma pessoa”. Não sei se esta frase é de Einstein ou não. Nem me interessa
(embora me incline para pensar que não é): 
se for, é (mais) uma prova de que um grande génio pode dizer uma grande asneira.

Já torço o nariz à primeira parte da citação, mas admito-a: primeiro, porque qualquer pessoa tem o direito de (não) confiar em quem entender; segundo, porque se por “não gostar de cachorro” se entender “fazer mal aos animais”, a frase começa a “fazer sentido”.

Agora… a segunda parte é que é asneira completa, se atendermos ao que ela supõe; isto é, não que afirma o referido direito de alguém (não) confiar em quem entender, mas que o facto de um cachorro “não gostar” de uma pessoa significa que essa pessoa não é de confiança. Pelo seguinte:

  • Os factos desmentem esta “teoria”; se ela fosse verdadeira, todos os animais, humanos ou não humanos (cachorros incluídos), que passam na minha rua seriam de pouca confiança: há um cachorro que ladra violentamente a tudo o que seja animal movente e lhe passe na redondeza… E, se pensarmos naqueles cachorros que se atiram aos donos, o que é que deveríamos concluir daí?
  • Se a frase fosse verdadeira, eu próprio seria… um monstro: na verdade, eu não gosto de cachorros, nem de qualquer animal em geral. Não gosto, no sentido de que não ando aos beijos ou às carícias aos ditos, nem nada que com isso se pareça – embora seja incapaz de fazer mal a qualquer animal, a não ser àqueles que, sem minha permissão, me entram em casa (designadamente moscas e quejandos). Dito de outro modo, respeito eu mais os animais em geral do que alguns animais (sobretudo cães) me respeitam a mim.

E anda Einstein (ou, mais provavelmente, alguém por ele) a dizer que… que não sei quê?! Valha-o Deus, se pode…

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 21

[Copenhague, Dinamarca. Estátua da pequena sereia.
Clique na imagem, para a ver maior]

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
(…) 
Escuto-te de aqui, agora, e desperto a qualquer coisa.
Estremece o vento. Sobe a manhã. O calor abre.
Sinto corarem-me as faces.
Meus olhos conscientes dilatam-se.
O êxtase em mim levanta-se, cresce, avança,
E com um ruído cego de arruaça acentua-se
O giro vivo do volante.

Ó clamoroso chamamento
A cujo calor, a cuja fúria fervem em mim
Numa unidade explosiva todas as minhas ânsias,
Meus próprios tédios tornados dinâmicos, todos!...
Apelo lançado ao meu sangue
Dum amor passado, não sei onde, que volve
E ainda tem força para me atrair e puxar,
Que ainda tem força para me fazer odiar esta vida
Que passo entre a impenetrabilidade física e psíquica
Da gente real com que vivo!

Ah seja como for, seja por onde for, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar.
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstrata,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado, como a poeira, plos ventos, plos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!
[Álvaro de Campos, excerto de Ode Marítima]
[esta é a segunda ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. A anterior está aqui. A terceira, aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O ELEVADOR


Um elevador é um objeto a que nunca liguei muito
(a não ser aquele tremedor que sinto quando nele embarco, muito semelhante ao que sinto quando entro num avião…). 
É a coisa mais natural num prédio alto. Não necessariamente assim, sempre. No edifício Mira d´Ouro
(será assim?), 
na Julius Nyerere, em Maputo, a coisa fiava mais fino. Aquele elevador tinha feito a guerra colonial, a guerra civil e vive hoje numa relativa paz. E vive à custa da habilidade, sageza e desenrascanço dos porteiros. Ao entrar no prédio, o meu olhar dirigia-se sôfrego para a porta, desejando não ver a vassoura a barrar o caminho ou a placa “fora de serviço…”. Mesmo assim, ao premir o botão esperava, ansioso que a luz se acendesse ao chegar ao meu piso. É que o elevador não tem luz a indicar se vem ou está parado, dentro, não sabemos onde estamos, a porta pode não abrir, pode parar ligeiramente abaixo de onde queremos sair. Enfim, uma viagem é uma aventura. A minha vizinha italiana bem gritava “porca miséria. 30 000 dólares e nem o elevador funciona”.

Aprendi (?) eu que um bem económico, grosso modo, é um objeto que satisfaz uma necessidade humana, raro, mas acessível. Nunca vi uma definição tão verdadeira. Aquele elevador era ouro. É que eu morava no 11º andar, correspondente a 12, e a rua ficava a 182 degraus abaixo. Ou melhor, a porta da minha casa ficava a 182 degraus da rua!

Lá em cima, uma vista deslumbrante sobre a baía. Mas subir 182 degraus, carago?!?! Chegámos cerca das 21 horas
(noite cerrada e já meio da noite. A noite cai às 17,30…), 
cansados. Aprontei-me para levar a rainha ao colo, porque dormia. Avancei, lesto para o prédio. Subi o primeiro degrau, direito à porta do elevador. Depois, bom... depois, foram mais 181 degraus… o piso intermédio foi rápido, em jeito de atleta. No primeiro andar, comecei a sentir as pernas. Coisa de nada. Ao segundo andar, com a porta com figuras hindus, já o fôlego me faltava. Os músculos das pernas já se faziam sentir. Encostei os meus 125 quilos, mais os 12 da transportada, ao corrimão. Isto é um minuto, pensava, enquanto esperava que nenhum atlético vizinho passasse por mim e olhasse com ar de gozo. A mim, parecia-me que os músculos se iriam virar e que deixava cair a carga que transportava. Nunca odiei tanto os cozidos à portuguesa, as feijoadas, as favas com chouriço, os enchidos, o vinho, a cerveja, os whiskys, os doces que comi e bebi. Jurei ali mesmo passar a fazer uma vida saudável, à base de verduras e frutas.

No quinto andar, estava um senhor sentado nos degraus a ganhar fôlego. Fumava para descontrair, dizia ele. Eu, com as tripas em alvoroço e as pernas a recusarem responder a qualquer ordem, encostava-me. Ainda pensei deixar a carga a dormir e os pais que tratassem dela. Já derreado, sem noção de onde estava, cheguei ao 182º degrau. Procurei as chaves. São duas portas. Uma de ferro. Tinha que puxar a porta para ela abrir. Como fazê-lo com a carga humana em cima? Lá me torci e abri as portas. Fui deitar a miúda. Senti-me um herói, suado. Deitei-me sobre a cama. Deu-me fome. Fui à cozinha. Abri uma Laurentina e fiz uma sandes de chouriço. Lembrei-me do que tinha prometido. Pensei: “começo amanhã”.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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E ESTA, HEIN!... 21

…Apesar do desrespeito dos últimos tempos pela profissão de professor e dos dias de desânimo, apesar da crescente burocracia que não deixa tempo para o que é verdadeiramente essencial na vida docente, continuo ainda a acreditar no meu trabalho e sei que sou privilegiada porque me levanto todos os dias para fazer o que gosto, numa escola perto de casa, sem precisar de me afastar da minha família, como acontece com tantos colegas. …
[Conceição Dinis Tomé, professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas Viseu Sul, doutoranda em Estudos Portugueses e investigadora do Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais da Univ. Aberta]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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PENA DE MORTE NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA


Discute-se na América a forma de executar as penas de morte. E isto porque o último executado, James Wood, levou 1 hora e 5 min a morrer. E acho bem que 72% dos Estados dos USA usem a pena de morte: assim se defendem os valores da democracia, tolerância, liberdade e dos direitos humanos. O que não está certo não é a pena de morte, mas gastar tanto tempo em eliminar um ser nocivo à humanidade
(mesmo que se venha a descobrir mais tarde que estava inocente do crime pelo qual foi executado). 
Time is Money e, de facto, duas horas para limpar o “sarampo” a um criminoso é demasiado tempo. Os estudos vão realizar-se céleres, de forma a se evitar tanto tempo e assim aliviar consciências.

Mas os americanos
(e outros que têm pena de morte)
deveriam aprender com os da Al-Qaeda e não só. Lembremo-nos do jornalista Daniel Pearl, decapitado no Paquistão… As imagens são terríveis, mas cortaram-lhe a cabeça em dez ou vinte segundos. Mas na civilizada América leva-se quase duas horas…

Tenho a opinião de que país que tem a pena de morte entre as medidas de sanção é um país incivilizado. Se leva duas horas para executar um cidadão, é um país selvagem.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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CARLOS DE OLIVEIRA


CARLOS DE OLIVEIRA nasceu há 93 anos.

O meu baú comemora o aniversário com umas notas sobre o seu romance PEQUENOS BURGUESES. Aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 280. RÔSINHA

Rôsinha
eu estar chatiado
não ir trabalhar.
Rôsinha
agente aôje vai amar.

- Ouvi quirido
você sabe qui Chiquito
comeu manga verde
tem dor no barriga
agente aôje não
vai amar.

Rôsinha
eli não vai chorar…!
Eu vai comprar rimédio pra Chiquito
tu vai ver
eli ficar bom
eli ádi bricar.

Tira capulana Rôsinha
agente aôje vai amar!
[Da Silva, Calane, Dos Meninos da Malanga, Alcance Editores, Maputo, 2013, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 198. "A Viagem de Said"


El Viaje de Said
Prémio Goya 2007- Melhor curta de animação
Diretor: Coke Rioboo
Said, um rapaz marroquino, atravessa o Estreito de Gibraltar. Do outro lado, na terra das oportunidades, descobre que o mundo não é tão bonito como lhe haviam dito.
Fonte: [http://elpaisdelarisoterapia.blogspot.pt/2009/06/el-viaje-de-said-un-corto-de.html]

escrito por Adriana Santos

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LEIT(e)URAS [58] a partícula no fim do universo

Carlos Fiolhais propõe no Público de quarta umas leituras de Estio.

Já tenho seguido as sugestões dele e não me tenho arrependido. Desta vez sugere Sean Carrol, Cristina Carvalho (filha de António Gedeão), Luísa Costa Gomes, Thomas Mann, José Tolentino de Mendonça e Pedro Mexia e Maria de Sousa.


São seis livros
(Marcelo Rebelo de Sousa recomendaria, pelo menos, 80), 
dos quais o que mais me atrai é o de Sean Carrol, A partícula no Fim do Universo, da Gradiva, por ser a área de Carlos Fiolhais. Quanto ao resto, já não sou tão fão...

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 20


Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente! 
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir! 
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
[Fernando Pessoa, 20-9-1933]
[esta é a primeira ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. Leia a segunda].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [103] o papa pop

Impressiona a quantidade de pessoas que ajoelha perante o "novo" Papa, Francisco, mesmo não sendo gente crente

[os murais do Facebook são disso uma amostra significativa].

Parece tratar-se de um papa modernaço, que põe de lado etiquetas e protocóis, almoça em cantina com funcionários do Vaticano, batiza filhos de mães solteiras (um ato considerado de uma "simplicidade brutal" por jornalistas de renome),... E eu torço o nariz, porque não vejo alterações substanciais na Igreja chamada católica, dirigida por este papa pop.

Folheio a Claves de Razón Práctica de maio/junho de 2014
[uma revista espanhola atualmente dirigida pelo filósofo colunável Fernando Savater]
e descubro que Michele Martelli partilha esta minha impressão. O seu artigo, intitulado De rodillas ante el papa Francisco (De joelhos perante o papa Francisco), defende que
Bergoglio [nome civil do papa Francisco] seduziu leigos, crentes e crédulos, mas à margem dos seus amplos sorrisos e dos seus eficazes sloganes, não parece que o novo papa se afaste demasiado do magistério tradicional.
escrito por ai.valhamedeus

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O SISTEMA FUNCIONA BEM. MUITO BEM...

Gosto dos SISTEMAS QUE FUNCIONAM BEM. Seja este exemplo:

  • É preciso baixar os salários aos reformados. Porque não há dinheiro.
  • É preciso aumentar a contribuição dos funcionários públicos para a ADSE. Porque não há dinheiro.
  • É preciso aumentar IRS, IMI e outros impostos. Porque não há dinheiro.
  • .... Porque não há dinheiro.
  • É preciso SALVAR A FAMÍLIA ESPÍRITO SANTO. Porque até o nome da família é divino. Porque até para a banca é salvífico. Porque até HÁ DINHEIRO: é só baixar os salários aos reformados, aumentar a contribuição dos funcionários públicos para a ADSE, aumentar IRS, IMI e outros impostos...
[escrito a 19/7/2014. Atualização a 2/8/2014]

É preciso salvar o BES. E o primeiro-ministro deste país abancalhado admite que o Estado poderá ter de intervir no BES. Porque "a estabilidade financeira é muito importante e tem de ser assegurada". Claro!... ou o sistema não funcionasse...

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 279. LE VIN DE L'ASSASSIN

Ma femme est morte, je suis libre!
Je puis donc boire tout mon soûl.
Lorsque je rentrais sans un sou,
Ses cris me déchiraient la fibre. 
Autant qu'un roi je suis heureux;
L'air est pur, le ciel admirable...
Nous avions un été semblable
Lorsque j'en devins amoureux! 
L'horrible soif qui me déchire
Aurait besoin pour s'assouvir
D'autant de vin qu'en peut tenir
Son tombeau; — ce n'est pas peu dire: 
Je l'ai jetée au fond d'un puits,
Et j'ai même poussé sur elle
Tous les pavés de la margelle.
— Je l'oublierai si je le puis! 
Au nom des serments de tendresse,
Dont rien ne peut nous délier,
Et pour nous réconcilier
Comme au beau temps de notre ivresse, 
J'implorai d'elle un rendez-vous,
Le soir, sur une route obscure.
Elle y vint — folle créature!
Nous sommes tous plus ou moins fous! 
Elle était encore jolie,
Quoique bien fatiguée! et moi,
Je l'aimais trop! voilà pourquoi
Je lui dis: Sors de cette vie! 
Nul ne peut me comprendre. Un seul
Parmi ces ivrognes stupides
Songea-t-il dans ses nuits morbides
À faire du vin un linceul?~ 
Cette crapule invulnérable
Comme les machines de fer
Jamais, ni l'été ni l'hiver,
N'a connu l'amour véritable, 
Avec ses noirs enchantements,
Son cortège infernal d'alarmes,
Ses fioles de poison, ses larmes,
Ses bruits de chaîne et d'ossements! 
— Me voilà libre et solitaire!
Je serai ce soir ivre mort;
Alors, sans peur et sans remords,
Je me coucherai sur la terre, 
Et je dormirai comme un chien!
Le chariot aux lourdes roues
Chargé de pierres et de boues,
Le wagon enragé peut bien 
Ecraser ma tête coupable
Ou me couper par le milieu,
Je m'en moque comme de Dieu,
Du Diable ou de la Sainte Table!
[Baudelaire, Charles. As flores do mal (Les fleurs du mal), Relógio d’Agua, Lisboa, 2003, Pág. 244 - 246]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 197. "Chico e Rita"


Cuba. 1948. Chico é um pianista com a esperança no seu sonho. Rita é uma cantora com uma voz maravilhosa. A Música e o Sonho os une de uma forma rítmica e romântica numa carreira extraordinária pelo mundo. O filme se passa em Havana, Nova York, Hollywood, Las Vegas e Paris seguindo o romance de Chico & Rita.
Fonte: [http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_%26_Rita]

escrito por Adriana Santos

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BICHAS E FILAS

Do meu mural do Facebook, importo para aqui o tema da sinonímia ou do contraste das palavras bicha e fila -- um tema motivado pelo texto (do Ai Jesus!) Os direitos dos bichos.



Parece-me generalizada a ideia de que é incorreta a utilização de bicha como sinónimo de fila. Tal ideia é que é incorreta, como se pode concluir da consulta de um vulgar, mas bom, dicionário: por exemplo, o da Priberam, em linha, recorda que um dos significados de bicha , em português europeu informal, é Fileira de pessoas, umas atrás das outras (ex.: bicha da caixa do supermercado). = FILA.

No conceituado sítio da Web Ciberdúvidas, João Carreira Bom esclarece mais  a sinonímia, associando a distinção a preconceitos da classe média. Concluindo:
Os elementos mais pretensiosos da classe média, pelo seu número e posição, podem ser muito influentes. Mas não vão para as bichas dos transportes públicos. Afigura-se-me não terem influência directa para provocar a morte de uma palavra inocente que, afinal, os perturba. Eles lá sabem porquê.
O mesmo Ciberdúvidas inclui um extrato do livro A Bicha e A Fila, uma paródia à volta das diferenças culturais entre Brasil, Angola e Portugal – a começar nas palavras do título do romance.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 19


[clique na imagem para a ver maior]

COISA AMAR  
Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
[Manuel Alegre, in Coisa Amar : Coisas do Mar. Lisboa : Perspectivas & Realidades, 1976]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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OS DIREITOS DOS BICHOS


pessoas que gostam tanto de animais que... os amam. Outras, tanto... que quase.

A julgar pela quantidade de comida que levou para cães e gatos, a senhora que, esta tarde no mini-mercado, pagou as suas mercadorias antes de mim -- essa senhora ama certamente (os) animais ou, no mínimo, respeita-os muito.

Respeita-os muito mais, certamente, do que respeitou as pessoas que aguardaram na extensa bicha a sua vez de pagar: a amante dos animais colocou o cesto na bicha e,intervaladamente, foi-o empurrando e enchendo em corridas às prateleiras do mercado.

Assim é que se ganha a vez e se respeita muito pouco as pessoas que tiraram das prateleiras tudo o que queriam, antes de ocupar o lugar na bicha. Porque há uns bichos que valem mais do que outros...

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 279. HOMERO

Escrever o poema com um boi lavra o campo/
Sem que tropece no metro o pensamento/
Sem que nada seja reduzido ou exilado/
Sem que nada separe o homem do vivido
[Andresen, Sophia de Mello Breyner,  O búzio de Cós, Caminho, Lisboa (4° edição), 1997, pág. 14]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 196. "Runaway"

Runaway foi criado por Emily Buchanan, Esther Parobek e Susan Yung, estudantes da Ringling College of Art and Design.
escrito por Adriana Santos

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A PACC É UM VEXAME!


Desafio qualquer defensor da chamada prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) a que, seriamente, analise o enunciado da prova de anteontem (está aqui) e mostre como é que esta prova distingue os bons professores dos maus professores.

A sensação que tenho é que, mesmo alguns dos camelos que nas tevês comentaram, a soldo, essa PACC (e a confundiram, com a maior das facilidades e de ignorância, com o processo de avaliação dos professores) -- mesmo esses, e alguns bem conceituados na praça político-partidária, não fazem ideia do que estão a falar.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 18


[clique na imagem para a ver maior]

SILENCIO
Así como del fondo de la música
brota una nota
que mientras vibra crece y se adelgaza
hasta que en otra música enmudece,
brota del fondo del silencio
otro silencio, aguda torre, espada,
y sube y crece y nos suspende
y mientras sube caen
recuerdos, esperanzas,
las pequeñas mentiras y las grandes,
y queremos gritar y en la garganta
se desvanece el grito:
desembocamos al silencio
en donde los silencios enmudecen.
[Octavio Paz]
[esta foi a terceira ilustração de uma série de três, sugeridas por um tema comum: o Nevoeiro. A anterior está aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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PROFESSORES EM PROTESTO CONTRA A PACC

Porque não se lê bem, transcrevo:
-- e como professor, não sente uma espécie de vergonha em fazer este tipo de protestos?
-- sinto é uma espécie de vergonha em viver num país onde professores precisam de fazer este tipo de protestos.
escrito por ai.valhamedeus

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ESTE GOVERNO SUBSTITUIU A DEMOCRACIA PELA MANHA


Não é para melhorar as escolas, é para mostrar quem manda. O resultado é que, se houver sarilhos, é porque andaram a pedi-los,
escrevia, um dia destes, Pacheco Pereira a propósito das manhas pouco democráticas deste governo para fintar a atividade sindical contra esta teimosia de uma prova estúpida para professores.

Continua a saga dos truques: Ministério proíbe concentrações de professores em dia de prova polémica. O SPRC promete:
Em todas as escolas onde está marcada a prova vai realizar-se uma reunião sindical. Nem que seja à porta da escola. Nenhum colega deve vigiar outros colegas.
escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 145. os erros da troika


... Este país, que não é para novos nem para velhos diz, de certo, muito pouco aos que sonharam com um Estado que abandonaria a cauda da Europa e saberia afirmar a sua modernidade… A percepção dos “dez erros que abalaram Portugal”, como prefiro dizer, resulta patente mais do que das afirmações do autor de “Os Dez Erros da Troika em Portugal”, das sucessivas demonstrações de incompetência, irresponsabilidade, má fé e enviesamento ideológico, que investigou com um rigor inultrapassável…. 
…Os erros da Troika explicam o país que hoje somos, e como foi possível extrair aos particulares mais de 27 mil milhões de euros para reduzir o défice em nove milhões…. 
… Do meu ponto de vista, não há qualquer razão para inocentar ou perdoar aos homens de fato cinzento que por cá passaram, com uma arrogância e incompetência quase inultrapassáveis, e que, fechado este dossier, partirão para outra operação, quais verdadeiros pistoleiros contratados, dos velhos westerns, gozando das benesses que recusam aos outros, e aguardando reformas douradas e isentas de impostos, sem um minuto de pensamento para os reformados condenados à miséria. Mas não nos podemos esquecer dos mandantes do crime, e de que portugueses há que se vangloriam de ter sido autores e inspiradores da troika, e que o Governo português proclamou, ufano, que iria para além do imposto pelo exterior. … 
…Se não estivesse hoje convencido de que, como sustenta Ulrich Beck, tudo isto fez parte de uma estratégia merkeliana de tomada de poder, pensaria que a Europa era estúpida e partidária de comportamentos auto-lesivos, como escrevi há mais de um ano…. 
…Com o sentido injurioso de quem considera que não está num estado independente -- e que até é um dos mais antigos da Europa -- a troika e os seus mandantes atacaram em termos inaceitáveis um órgão de soberania português -- o Tribunal Constitucional. Nada, no entanto, que se compare com aquilo que os dirigentes políticos portugueses fizeram e que nos levaram para muito próximo da Hungria e da vergonhosa supressão da independência do poder judicial. …
[Eduardo Paz Ferreira, professor catedrático da Universidade de Direito de Lisboa]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 278. FOI NO MAR QUE APRENDI

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos de espuma

Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, O Búzio de Cós e outros poemas (4ª edição), Editorial Caminho, Lisboa, 1997, pag. 11]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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HÁ MUITAS LINHAS. ESTA É UMA DELAS...


escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 195. "capuchinho vermelho 2"


Capuchinho Vermelho  trabalha para a agência Felizes para Sempre, que resolve problemas no mundo dos contos de fadas. No momento ela foi enviada para um treinamento junto com as Irmãs de Capuz, deixando o Lobo Mau, a Vovózinha  e o esquilo sozinhos nas missões. Quando uma bruxa desconhecida sequestra os irmãos João  e Maria  o trio é chamado para o resgate, mas a Vovózinha acaba sendo aprisionada. Capuchinho retorna para salvá-la, mas enfrenta problemas quando precisa trabalhar junto com o Lobo.
Fonte: [http://www.adorocinema.com/filmes/filme-127677/]

CAPUCHINHO VERMELHO: a nova aventura 1
http://youtu.be/hNUVNyNP1D4 (filme completo) 

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 17


[clique na imagem para a ver maior]

CONTEMPLAÇÃO

Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre ideias e espíritos pairando...

Que é o mundo ante mim?  fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentido...
[Antero de Quental, in Sonetos]
[esta foi a segunda ilustração de uma série de três, sugeridas por um tema comum: o Nevoeiro. A anterior está aqui. A terceira, aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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VÍDEO DA SEXTA 194. "os Três Porquinhos"

[A dança húngara nº5 de Brahms]


O desenho Pigs in a Polka de 1942, utilizando as "Danças Húngaras" de Brahms, reconta de forma inusitada a história do Lobo Mau e os Três Porquinhos.
Fonte: [http://www.livrariasaraiva.com.br]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 16


CÂNTICO NEGRO
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
 
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
 
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
 
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
 
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
 
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
 
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
 
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
 
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
[José Régio, in Poemas de Deus e do Diabo]
[esta foi a primeira ilustração de uma série de três, sugeridas por um tema comum: o Nevoeiro. A segunda está aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 277. E EU QUE ME ESQUECI

e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência, delicadeza,
vou morrer como um cão deitado à fossa!
[Helder, Herberto,  A Morte Sem Mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 39]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 193. "matraquilhos"

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Sinopse
Amadeu é um adolescente popular com muitas aventuras e amigos fora do normal, que joga matraquilhos como um campeão. Ele tem uma vida fantástica e duas grandes paixões: os matraquilhos e a Laurita. Mas um dia tudo muda quando Amadeu tem de voltar a enfrentar o seu mais temível rival, El Macho, desta vez num jogo de futebol a sério. El Macho está decidido a vencer Amadeu e tirar-lhe tudo aquilo que ele ama: A vila onde vive, o bar onde trabalha, a sua mesa de matraquilhos e o coração de Laura, por quem Amadeu está secretamente apaixonado. Juntando-se a um grupo improvável de Matraquilhos muito divertidos e determinados em vencer, com a ajuda de Capi, o capitão da sua equipa, de "Liso", o líder da equipa adversária e dos restantes matraquilhos, Amadeu inicia uma aventura espetacular para salvar Laura e o sonho de todos. Juntos, irão descobrir que aqueles que são seus rivais dentro de campo, se podem transformar em amigos incondicionais fora dele.
Fonte [http//cinema.sapo.pt/filme/metegol]

escrito por Adriana Santos

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A BIBLIOTECA MUNICIPAL DE VISEU


É minha convicção que a Biblioteca Municipal de Viseu precisa de algumas "vistas mais largas" nalguns aspetos. Hoje, estranhei mais um.

Precisava de consultar a revista Colóquio-Letras de janeiro de 2011. Procurei-a na Biblioteca. Informaram-me de que não me poderiam informar, no momento, se a tinham em arquivo; o processo ("normal", acrescentaram) nestas circunstâncias é este: preenche-se uma requisição (e solicitamente entregaram-me a respetiva folha) e, no dia seguinte, havendo a publicação solicitada, estará à disposição para consulta.

Ou seja, terei (teria! porque, entretanto, desisti) que voltar amanhã para, amanhã, saber se a Biblioteca tem a publicação que desejo consultar e, no caso de ter (o que só saberia amanhã), a poder consultar. Hoje, só preencher a requisição.

Isto, em 2014 e numa biblioteca com esta dimensão,... santo Deus!...
Post scriptum: escrito o anterior desabafo, optei por procurar um número recente de uma outra revista (um outro título). Na prateleira da estante vizinha, estavam Colóquio-Letras em número suficiente para me despertar a curiosidade: entre os números expostos (do 163, de janeiro-abril de 2003 até ao atual 186, de maio-agosto de 2014), lá estava o nº 176, que eu pretendia. E senti-me tentado a concluir que quem está a "atender" neste espaço poderia estar, com o mesmo/pouco à-vontade..., a vender frigoríficos ou algo assim.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 15



JUNTO ÀS MARGENS DE UM RIO 

Junto às margens de um rio docemente
Com meus suspiros altercando,
A viva apreensão ia pintando
Passadas glórias no cristal luzente. 
Mas quando nesta ideia mais contente
O coração se estava recreando,
Despenhou-se do peito o gosto brando,
Envolto com a rápida corrente. 

Lá vão parar meus gostos no Oceano, 
Ficando inanimado o peito frio,
Que o recreio buscou só por seu dano. 

Acabou-se o contente desvario,
E meus olhos saudosos do engano
Quase querem formar um novo rio.
[Maria Teresa Horta, in As Luzes de Leonor]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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VÍDEO DA SEXTA 192. "Rio 2"


SINOPSE
Blu vive feliz no Rio de Janeiro ao lado da companheira Jade e seus três filhotes, Carla, Bia e Tiago. Seus donos, Linda  e Túlio, estão agora na floresta amazônica, fazendo novas pesquisas. Por acaso eles encontram a pena de uma ararinha azul, o que pode significar que Blu e sua família não sejam os últimos da espécie. Após vê-los em uma reportagem na TV, Jade insiste para que eles partam para a Amazônia. Blu inicialmente reluta, mas acaba aceitando a ideia. Assim, toda a família parte em uma viagem pelo interior do Brasil rumo à floresta amazônica sem imaginar que, logo ao chegar, encontrarão um velho inimigo: Nigel.
Fonte: [http://www.ilovefilmesonline.com/2014/03/rio-2-filme-online.html]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 14


QUANDO AS PARALELAS SE TOCAM!

Palavras caladas
que se cruzam
na corrente dos olhos.
Silêncios tantos
numa dimensão
do tempo sem tempo,
onde as palavras
tinham perdido todo o sentido,
onde o mar deixou de beijar as areias.
Fez-se presente
aquele presente;
e todos os poemas
saltaram da ponta dos meus dedos
e ali os teus olhos
juntos de tantos olhos
se perderam nos meus.
Esqueço-me
aqui das rimas
e da cadência dos versos,
esqueço-me das luzes mortiças
que iluminam a sala…
há um holofote
dirigido aos teus lábios
que perderam o sabor dos meus.
Do outro lado da plateia
estás tu…
tu a quem os dias são noites…
são noites…
São…
E olho-te
neste meu olhar desviado,
e os lados da plateia
juntam-se num sorriso único…
olhas-me…
ela olha-me
e os meus braços
criam asas num abraço.
Um encontro…
um reencontro…
duas pétalas trazidas pelo vento.
[Francisco Valverde Arsénio (a publicar)]

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NÃO FIQUES PARA TRÁS, Ó COMPANHEIRO

Musicalmente, a minha tarde começou com LOPES-GRAÇA, recordado por José Gomes Ferreira, o qual, a 21 de outubro de 1965, escreveu:

De repente, recordei-me de que em 1945 alguns amigos estranharam a divulgação sem entraves da canção do Graça: Não fiques para trás, ó companheiro. 
-- Não sei porque haviam de proibi-la... -- expliquei eu então. -- No fim de contas trata-se duma mera canção de camping. 
-- Sim... -- confirmou o Assis Esperança -- de camping de concentração.
A canção, recordo, é esta:


escrito por ai.valhamedeus

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E ESTA, HEIN!... 20


escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 276.

XXI 
Eu poderia usar
outras imagens, sua
trama complicada,
falar

das urdiduras da justiça.
eu poderia pôr
quadrigas sobre as praias,
calar os animais,

cantar, eu poderia
falar de morte e música,
de vida, de sibilas,
ou aludir a delphos.

mas há a linha
da minha vida, tua sobriedade.
[Moura, Vasco Graça, Poesia 1963/1995, Quetzal, Lisboa, 2007, pág. 281]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ANTI-PIRATARIA * 35. HOLA!, novo rei de espanha


Amigas minhas garantem-me que não conseguem comprar a revista ¡HOLA! dedicada ao "entronamento" do novo rei de Espanha, por estar esgotada. Convencido de que, dadas as referidas circunstâncias, não está em causa qualquer ato de pirataria, sugiro a versão digital. Está aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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LIVROS_ CONHECER O PASSADO PARA COMPREENDER O PRESENTE



Uma História de Portugal (1808 – 2010) no contexto da América Latina:
  • HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DE PORTUGAL – VOLUME 1
  • O COLAPSO DO IMPÉRIO E A REVOLUÇÃO LIBERAL: 1808-1834
  • E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DE PORTUGAL – VOLUME 2
  • A CONSTRUÇÃO NACIONAL: 1834-1890
…Um dos objectivos desta colecção é facultar ao público português, latino-americano e espanhol um conjunto de obras de contexto ibérico e atlântico…desmistificar algumas das ideias pré-concebidas da História… 
Ignorado pela maioria dos portugueses será o facto de, ao longo do século xix, Portugal pertencer à chamada “terceira Europa”. No ano de 1900 encontrávamo-nos numa situação de enorme pobreza, falência do Estado, com indicadores de educação extremamente baixos, e a tentar recuperar algum dinamismo económico perdido desde a independência do Brasil. Apesar da posição periférica no contexto europeu, Portugal passa da coroa mais pobre da Europa, no século xix, para um desenvolvimento intermédio, mas chega ao 25 de Abril com um atraso cultural e estrutural muito significativo… 
Quando olhamos para a nossa contemporaneidade e para a crise actual talvez não nos lembremos de que só entre 1970 e 2000 Portugal atinge um impressionante processo de desenvolvimento económico, democratização, modernização, e efectiva mudança social…
[In Jl]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 13



EFÉMERA É A PASSAGEM DA CHUVA 
nem sempre vestiste
a indiferença forçada que te cobre e te oculta
tempos houve em que fazias de cada palavra uma ode
de cada gesto um festim
de cada ausência um fado incerto
 
agora navegas à deriva
num oceano sem ondulação nem ventos bonançosos
onde por vezes
confundes escolhos com terra firme
 
e é então que afastas o manto que te cobre
por breves momentos, apenas,
na esperança de que as gotas de chuva sussurrem o teu nome
 
efémera é a passagem da chuva
e pesado o silêncio que a arrasta para fora do teu horizonte
[JOÃO CARLOS ESTEVES, in Inventei-te as manhãs (Chiado Ed. 2013)]


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RECEBIDO POR EMAIL -140- alemanha-portugal



escrito por ai.valhamedeus [com um abraço para o Hernâni]

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LEIT(e)URAS [56] viagem ao fundo da noite


Jorge Luís Borges tem sido citado e abundantemente citado, como um autor e um homem de direita. Vasculhando a net, encontrei algumas pérolas do senhor. Por exemplo:
A democracia é uma coisa que não existe, uma superstição do homem que pensa que é livre. Por isso eu sou favorável aos regimes militares, duros; eu estive na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos, mas logo percebi que Franco era merecedor de todos os meus elogios...; Se não existissem negros, a história do mundo não mudaria em nada. Uma raça que só sabe viver da imitação das coisas dos homens brancos. 
Chega? Chega. Mas é um bom escritor.

Outro há, Céline, que também se arrima a esta visão do mundo mas que escreveu um livro, Viagem ao Fundo da Noite, que é um dos livros de todos os tempos.

Conta Jorge Listopad que, vivendo nos arredores de Paris e tendo precisado de um médico por causa de uma sua filha doente, foi bater à porta de Louis-Ferdinand Céline, médico, que lhe disse não poder ir ver a filha porque não tinha com quem deixar os cães… A acusação de ter traído a França e a sua fama (e proveito) de anti-semita contribuiu para ser votado a um certo ostracismo em França, mas a sua obra é de uma crueza e desencanto extraordinários. Lembro uma passagem em que ele diz, enquanto médico, “quando levo dinheiro a um pobre sinto-me ladrão; quando levo a um rico, sinto-me lacaio”.

O estilo e a visão desencantada do mundo tornam Viagem ao Fundo da Noite um dos livros mais extraordinários que li.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 275. APENAS UM CORPO

Respira. Um corpo horizontal,
tangível, respira.
Um corpo nu, divino,
respira, ondula, infatigável.
 
Amorosamente toco o que resta dos deuses.
As mãos seguem a inclinação
do peito e tremem,
pesadas de desejo.~
 
Um rio interior aguarda.
Aguarda um relâmpago,
um raio de sol,
outro corpo.
 
Se encosto o ouvido à sua nudez,
uma música sobe,
ergue-se do sangue,
prolonga outra música.
 
Um novo corpo nasce,
nasce dessa música que não cessa,
desse bosque rumoroso de luz,
debaixo do meu corpo desvelado.
[Andrade, Eugénio, As Palavras Interditas, Até amanhã, Assírio & Alvim, 2012, s/l, pág. 7-48]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ZOOM [93] - o mundial


escrito por Gabriela Correia, Faro

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 12



NAVIOS DE VENTO 
Fechei a minha janela
ao vento que vem do largo
que entra pela foz do rio
e declina pela cidade
silvando pelos telhados
que lhe servem de desvio.
No rio sobem navios
que apitam de quando em quando.
Oh mudo pranto fechado,
que se ouve no meu quarto!
 
Mas o vento força a porta
sublinha-se pelas frinchas
com denodado desígnio
que me fere de malícia.
Abro a janela fecho-a
e recebo-o em minha casa
com honras de visitante,
pé atrás, outro adiante,
como se fosse esperado.
Oh pranto desenganado!
 
Não converso, não me espanto
com o que o vento sussurra
quando entra de improviso.
O que se ouve no meu quarto
é um anjo apavorado
que me pretende assustar
com uma voz de além-túmulo
ouvida algures, além mar.
Oh lamento recordado
de uma criança a chorar!

Eu vejo cavalos brancos
galopando sobre as nuvens,
as crinas ao ar soltando
como um cardume assustado.
O vento que me percorre
rodopia sem cessar
enche-me o quarto todo
de furtivos sentimentos
difíceis de controlar.
Oh mudo pranto fechado
a sete chaves pelo vento!
[Ruy Cinatti, 26/2/1975]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 274.

Queria ter a posição dos claustros
A posição do monge antigo que os varre
A posição do moribundo que pergunta as horas
A posição das árvores quando as crianças sobem
A posição dos ramos quando os ninhos nascem
A posição de alguém que já não mora. Queria
Como se tivesse
A posição da casa e alguém me visitasse
[Faria, Daniel, Poesia, Assírio & Alvim, s/l, 2012, pág. 303]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ATÉ QUANDO DURAM OS CORTES? VAMOS RECORDAR AS PROMESSAS

Que este governo tem sido/é uma aldrabice pegada, só não é evidente para quem quiser ser cego. Mas, como há quem não queira ver, vamos recordar o que os governantes disseram quando anunciaram os cortes nos salários e pensões: ATÉ QUANDO DURARIAM TAIS CORTES?


escrito por ai.valhamedeus

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ELES TÊM MAIS RAZÃO DO QUE PENSAM...


Ouço os comentários e os ataques do PPD e CDS, dos seus dirigentes e governo, dos comentadores, dos banqueiros... às decisões de chumbo do Tribunal Constitucional -- e concluo que eles têm mais razão do que pensam. Dois exemplos:

  • O repetitivo carreirista Medina Carreira afirmou que Se TC pudesse desaparecer o país só beneficiaria.
...e tem mais razão do que pensa: SE o Tribunal Constitucional pudesse desaparecer, é porque não seria preciso. E isso seria porque não teríamos os políticos de merda que temos (e que corremos o risco de ter). Os merdosos que de democracia só conhecem a dos euros (deles). Constituição? Isso é estorvo...
  • A par do elogio ao rei caducante de Espanha, Passos Coelho avisa que Não podemos estar em permanente sobressalto constitucional.
...e tem mais razão do que pensa: não podemos mesmo aguentar tanto sobressalto. Desde 2012, este governo já teve seis chumbos do Tribunal Constitucional. Os sobressaltos poderiam evitar-se, se este governo percebesse o que é uma democracia e o papel estruturante da Constituição. Mas, como a sua Constituição são as ordens dos troikos...
escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 11




EIS-ME

Eis-me 
Tendo-me despido de todos os meus mantos 
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses 
Para ficar sozinha ante o silêncio 
Ante o silêncio e o esplendor da tua face 
Mas tu és de todos os ausentes o ausente 
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca 
O meu coração desce as escadas do tempo 
                        [em que não moras 
E o teu encontro 
São planícies e planícies de silêncio  
Escura é a noite 
Escura e transparente 
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco 
E eu não habito os jardins do teu silêncio 
Porque tu és de todos os ausentes o ausente 
[Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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LEIT(e)URAS [55] o estrangeiro


Meursault é uma pessoa estranha a quem o mundo é indiferente, e, como diz Sartre, “este homem lúcido, indiferente, taciturno…” não reage como o comum dos mortais perante os factos: a morte da mãe, matar um homem, ser julgado, fazer amor. Antes com uma indiferença que é também serenidade. Daí ser um estranho, estrangeiro aos olhos dos que o rodeiam. Meursault é condenado à morte por ter matado um homem, mas é-o sobretudo por ter demonstrado indiferença perante a morte da mãe. Mais do que o ato de ter disparado e matado um homem, a personagem é condenada por não ter reagido à morte da mãe com o sentimento com que as pessoas normais reagiriam.

Camus leva-nos a refletir face aos clichés e às nossas reações “normais” face aos factos. É um livro que trata a vida com secura, trata do absurdo da vida. Tema que o próprio Camus desenvolve em O mito de Sísifo.

Segundo alguns, logo a entrada, “Aujourd’hui, Maman est morte´´, é elucidativa do romance, marca a indiferença da personagem e constitui uma das entradas mais famosas da literatura francesa.

Ler este livro (e reler agora), deu-me imenso gozo e julgo que é um dos livros de leitura obrigatória.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 273. AR DE ITÁLIA

Mesmo que seja só de passagem
esta é a terra que me renova

Ou me dá forças para a passagem
do que no fundo não se renova
[Mourão-Ferreira, David, Os Ramos, os Remos, Areal Editores, Porto, 1985, pág.14]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 191. "Rito de Passagem"


Em muitas comunidades indígenas, em algum ponto da vida os meninos precisam mostrar para toda a tribo que já não são mais crianças. Por isso eles passam por um tipo de ritual, no qual devem provar que já estão maduros o suficiente para serem reconhecidos como adultos. Essa foi a inspiração para o curta Ride of Passage (Rito de Passagem), de 2012.
Fonte: [http://www.animamundi.com.br/2014/ser-gente-grande-pode-ser-muito-divertido/]

escrito por Adriana Santos

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PARA A MINHA AVÓ MÃE

para a minha avó mãe pessoa de todos nós


avó máxima do máximo de tudo na vida
o amor maior dos amores por tudo existente à sua volta e para lá de si.
a avó mais terna mais criativa mais inventiva jogadora de cartas ao peixinho na ilha da nossa infância. observadora de aviões de quantos passam lá no ar "16 hoje!" de estrelas de luas e de mar
"já viste, isto é um milagre, como é que conseguimos estar aqui a boiar ao de cima da água. isto só pode ser deus nosso senhor!"

sim avozinha, deus nosso senhor é boiar no mar e tu encarnada nele.
tu que nunca conheceste limites nem limitações só acreditar acreditar fé e acreditar num sem fim inacreditável de amor que és tu. porque deus é amor. e tu és Ele. porque estás acima de qualquer pecado materialista humano ou mesquinho porque te elevas por cima disso tudo e ficas a observar lá de cima ou cá de perto as nossas trocas e os nossos passos sem entender porque temos tanto medo.

que saudades de te ouvir deslumbrada com a natureza com a tecnologia com os desenhos animados "como é que eles fazem isto? olha o boneco a mexer! ai que coisa engraçada!" e a contares pelas quinquagésima vez a história do rapaz dos óculos que não quiseste como pretendente porque poderia passar para a família e de como depois logo a tua primeira filha precisou duns óculos. De como não devemos rejeitar as pessoas por essas coisas e de como tudo na vida tem um retorno e que nada acontece ao acaso.

não há medo para ti. não há nem nunca pode haver limites para a tua grandiosidade. se entendermos que sempre e só foste feita de amor a nossa vida não fica em vão.

sei que és maior do que o corpo físico que agora largaste mas o meu coraçãozinho ainda tão humano e tão poucochinho divino está apertadinho até ao âmago do ser. queria ver essa tua cara grande quase imaculada de rugas e impregnada de ternura mais uma vez. queria assistir à tua despedida com todos aqueles que também te amam e admiram e para os quais foste sempre tão generosa.
até imagino animais em torno de ti, e passarinhos e borboletas e cães e gatos e camaleões nos teus braços todo o dia na bela ilha da fuzeta.
e imaginar-te mais uma vez a dares as migalhas do pão diário aos passarinhos e de contares dos feitos milagrosos da rainha santa isabel para os pobres .. e tantos passarinhos tantos.. ai que saudades

que o que nos ensinaste em vida a sempre amar a sempre perdoar a sempre acreditar nos sirva de inspiração.

vai agora avó mãe sogra amiga irmã filha anjo mais nobre de deus vai em paz para o descanso merecido

"já viste, estar lá no alto a voar assim. ai como era a coisa que eu mais gostava.. de voar !"
Maria Máxima Guerra*

[mariana. Mais informação sobre a avó mãe Máxima]

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UM DIA A OLHAR A BAÍA

Um dia a olhar a baía da varanda do 11ãndar. Como o teclado não é luso brinca-se com as ondas que se vê no a.
Um dia não é suficiente mas já ajuda bastante.
A baía. Maputo. Os portugueses e as suas colónias de mar feitas. De cidades no mar feitas.
E tanto mar ..
tanto

uma pessoa perde-se nele e encontra-se sem querer por querer... porque é assim o memorar. Para se encontrar nesse grão de areia misto de arrogância e fragilidade humana… de ego.
Ai o ego..
O ego, majestade de areia no mar...
No mar todos somos liberdade e amor e ternura.  e vontade magistral de ser de sophia de mello breyner andresen encarnados.
partir daqui a falar natureza.
e que natureza.

o mar.  a sophia.  e já sem dor.
escrito por mariana

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 10


[clicar na imagem, para a ver melhor/maior]
CREPÚSCULO 
En la tarde, en las horas del divino
crepúsculo sereno,
se pueblan de tinieblas los espacios
y las almas de sueños.

Sobre un fondo de tonos nacarados
la silueta del templo
las altas tapias del jardín antiguo
y los árboles negros,
cuyas ramas semejan un encaje
movidas por el viento
se destacan oscuras, melancólicas
como un extraño espectro!

En estas horas de solemne calma
vagan los pensamientos
y buscan a la sombra de lo ignoto
la quietud y el silencio.
Se recuerdan las caras adoradas
de los queridos muertos
que duermen para siempre en el sepulcro
y hace tanto no vemos.

Bajan sobre las cosas de la vida
las sombras de lo eterno
y las almas emprenden su viaje
al país del recuerdo.
También vamos cruzando lentamente
de la vida el desierto
también en el sepulcro helada sima
más tarde dormiremos.

Que en la tarde, en las horas del divino
crepúsculo sereno
se pueblan de tinieblas los espacios
y las almas de sueños!
[José Asunción Silva]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O MPT E A EDUCAÇÃO

A FENPROF colocou 3 questões aos candidatos às eleições europeias:

  1. INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO: Sendo o investimento na educação e na ciência uma responsabilidade do Estado, que percentagem mínima do PIB deve reverter para essas áreas?
  2. PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO: Em que condições pode o ensino privado ser financiado com dinheiros públicos?
  3. CONDIÇÕES DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM: Que medidas concretas devem ser implementadas para melhorar as condições de trabalho nas escolas?
A coligação dos partidos do governo (PSD/CDS) não respondeu. O MPT
[que, segundo me disseram. será conhecido no Parlamento Europeu como Marinho e Pinto's Theatre]
respondeu assim
[quem terá escrito "isto"? não haverá no MPT quem escreva melhor?]

[clique na imagem para ler melhor]

escrito por ai.valhamedeus

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MORREU UMA MULHER


Um dos primeiros textos (precisamente, o quarto) do Ai Jesus! ficou registado com o título MORREU UM HOMEM. Escrevi-o à memória do pai e sogro dos meus melhores amigos, que nesse dia os/nos deixou, e como reflexão sobre a morte e sobre a importância de quem morre.

Hoje, deixou-os/nos a mãe e sogra dos que
[11 anos depois e há muitos anos mais] 
continuam a ser os meus melhores amigos. Um abraço muito forte para a Fernanda e para o Carlos (um dos construtores deste blogue)...

... recordando, novamente, o Pequeno Poema de Sebastião da Gama:

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 272. CORPOEMA

Das sílabas a espátula
começa pouco a pouco
a modelar-te em alma
o que era apenas corpo
De sílabas a estátua
De lâminas o sopro
O que era apenas alma
volve-se agora corpo
[Mourão-Ferreira, David, Os Ramos os Remos, Areal Editores, Porto, 1985, pág. 53]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 178. “Os Simpsons - LEGO"

Os Simpsons ganhou um episódio inteiro feito com formato de peças de LEGO, brinquedo de armar que também é um clássico da cultura pop.

Na história, Homer tenta descobrir o que aconteceu para que todos assumissem formas de bonecos de armar. Ao mesmo tempo, ele também precisa encontrar uma maneira de fazer tudo voltar ao normal na louca Springfield e evitar ficar preso para sempre em um mundo de brinquedo.
Fonte: [http://www.animamundi.com.br/2014/os-simpsons-ganham-episodio-em-forma-de-lego/]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 9


[clicar na imagem, para a ver melhor/maior]
POEMA 10

Hemos perdido aun este crepúsculo.
Nadie nos vio esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.

He visto desde mi ventana
la fiesta del poniente en los cerros lejanos.

A veces como una moneda
se encendía un pedazo de sol entre mis manos.

Yo te recordaba con el alma apretada
de esa tristeza que tú me conoces.

Entonces, dónde estabas?
Entre qué gentes?
Diciendo qué palabras?
Por qué se me vendrá todo el amor de golpe
cuando me siento triste, y te siento lejana?

Cayó el libro que siempre se toma en el crepúsculo,
y como un perro herido rodó a mis pies mi capa.

Siempre, siempre te alejas en las tardes
hacia donde el crepúsculo corre borrando estatua.
[Pablo Neruda]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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LEIT(e)URAS [54] o dia inicial


Nas comemorações do 25 de abril deste ano, vários comentadores e analistas, a começar pelo inevitável provocador Vasco Pulido Valente, salientaram o esquecimento, por parte dos golpistas, do quartel da PIDE. Dizem eles que o MFA, o comando do golpe, se esqueceu da sede da polícia política, prova da imaturidade, para uns, e da natureza da intocabilidade do aparelho repressivo fascista.

No livro sobre o 25 de abril, o dia inicial, Otelo vem esclarecer
(coisa que já havia feito inúmeras vezes) 
que o Jaime Neves
(esse mesmo, o comando temível e anti esquerda militante) 
se tinha recusado a ir para a sede da polícia política, sem adiantar justificações. Assim como havia falhado o controlo da sede no Porto.

Parece-me que, do ponto de vista militar, a sede da DGS não era um alvo importante. Que meios tinham eles para oferecer resistência? Já a tentativa de “recuperar” a DGS para a colocar ao serviço do novo regime, se houve tal intento, ele foi manifestamente destruído pela atitude do povo que obrigou o movimento militar a ter de a desmantelar.

O livro de Otelo foi publicado em 2011 e deu tempo a burilar algumas espontaneidades existentes nos livros do Otelo
(de resto, este expressamente auxiliado). 
Mas uma das coisas que impressiona no livro é a fragilidade de tudo aquilo. Meia dúzia de homens aqui, uma dúzia ali e temos o país parado sem uma resistência digna desse nome. Conheço o furriel Alexandre que veio de Santarém e parou na rotunda do Campo Grande, no vermelho dos semáforos. Ninguém sabia ao que vinha e toda a gente se conformou. O 25 de abril foi um suave milagre. Mas já o 5 de outubro o tinha sido. No dia 5 de outubro dá-se a proclamação da República e, no dia 6, Zacarias Guerreiro embarca em Tavira no comboio para tomar posse como governador civil em Faro.

Este livro do Otelo é um bom auxiliar para compreender o 25 de abril militar e ter a ideia como isto (não) funcionava. A ler.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 272. COM AS GAIVOTAS

Contente de me dar como as gaivotas
bebo o Outono e a tarde arrefecida.
Perfeito o céu, perfeito o mar, e este amor
por mais que digam é perfeito como a vida.

Tenho tristezas como toda a gente.
E como toda a gente quero alegria.
Mas hoje sou dum céu que tem gaivotas,
leve o diabo essa morte dia a dia.
[Andrade, Eugénio de, Primeiros Poemas, As Mãos e os Frutos, Os Amantes Sem Dinheiro, Assírio & Alvim, s/l, 2012, pág. 96]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 178. “O Coelho e o Veado ”

O Coelho e o Veado vence Prémio Indie Júnior Árvore da Vida do Indie Lisboa 2014

Com a duração de 16 minutos, conta a história de um Coelho e de um Veado que vivem sem preocupações num mundo bidimensional até que a sua amizade é posta à prova pela nova obsessão do Veado em encontrar a fórmula para a terceira dimensão. Depois de um inesperado acidente, o Veado descobre um mundo novo e surpreendente e, ao mesmo tempo, tem de procurar uma forma de manter a sua amizade.


Fonte: [http://www.rtp.pt/extra/index.php?article=431&visual=4]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 8

[clicar na imagem, para a ver melhor/maior]
ARTE POÉTICA

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesía
Que es inmortal y pobre. La poesía
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.
[Jorge Luis Borges]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ZOOM [92] - abstémio

[clicar na imagem para ler melhor]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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