TRUMP(A)

CAFÉ E PACOTES DE AÇÚCAR

É um ícone. Urbano e cosmopolita. Mutante e mutável. Reinventa-se e faz-nos «companhia» nos momentos especiais e naqueles que achamos menos especiais. É ritual de culto, de charme e de glamour. Num gole de café expressam-se mil bagos de sensações. Emoções. Aromáticas. Mais ou menos amargas, mais ou menos doces, mais ou menos quentes, ou até mesmo geladas. Numa chávena de café cabem universos mágicos, daqueles que nos transportam para outras histórias de nós. Ele também tem a sua história, aliás, histórias. Lendas que fazem dele algo que consumimos de forma quase mística. Envolto em negócios secretos, em enredos amorosos, em coisas do demónio, dos anjos ou, simplesmente, banais. O café atravessou séculos, resistiu a tudo e impôs-se como um conceito. Sim, haverá outra bebida no mundo que possa provocar igual sedução quotidiana como o café? Curto, cheio, de saco ou expresso, com ou sem açúcar, pingado ou com cheirinho, escaldado ou gelado... cada café, Arábico ou Robusto, tem a sua personalidade. 
É nessa essência que nos enfeitiça. Sozinhos, tomamo-lo num momento de pausa, só nosso. Em companhia, tomamo-lo com amigos ou a dois, oferecemo-lo como cartão de cortesia e também o tomamos como pretexto de encontros e desencontros. À volta de um café dão-se muitas outras voltas. Aceita um café?
COM OU SEM AÇÚCAR
Porque adoçamos, geralmente, o café? Há quem explique que este acto acompanhou desde cedo os consumidores desta bebida milenar por ela ser demasiado forte e amarga, o que em muito contribui a fase de torração dos bagos de café. Também há especialistas que defendem a ideia de que se o café for de alta qualidade, suave e aromático, não deve ser adoçado. Existem até estudos, alguns bem recentes, como aquele que a Universidade de Barcelona divulgou, em que se assegura que a aliança entre cafeína e glicose eleva os niveis de atenção e de inteligência. Contudo, e como o café é e continuará a ser um ícone, o seu lado mais romântico e até social espalhou-se, como que por osmose, aos famosos pacotes de açúcar. 

Há até em Portugal, como também por outras paragens do mundo, associações e clubes de coleccionadores de pacotinhos de açúcar. Há muito que as marcas se aperceberam que num simples pacote de açúcar era possível passar várias mensagens. Tal como acontece, por exemplo, em t-shirts impressas com frases ideológicas. Num mercado tendencialmente voltado para o indivíduo como um ser único e especial, os pacotes de açúcar reinventaram-se no seu próprio conceito e hoje encontramos estas doces embalagens rectangulares carregadas de significado. Muitas marcas, algumas mais do que outras, apostam em campanhas de sucesso com frases a que ninguém fica indiferente. Quanto ao adoçante, a controvérsia subsiste e está sistematicamente agarrada a estudos. Mas seja lá como for - com ou sem açúcar, com ou sem adoçante - o café mantêm o lado mais dócil da vida. Na companhia de uma «bica» ou de um «cimbalino», de um “expresso” cheio ou de uma «italiana», esta é a bebida que romanceia e nos faz divagar por outras paragens. 
[Carla CONCEIÇÃO. Café: momentos de paixão. Gavião: Ramiro Leão, 2011, p. 7 e 21. Negritos meus]

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 30


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LA PLENITUD 
Delante está el carmín de la emoción.
Y al fondo de la vida,
por el suave azul nublado,
entre las cobres hojas últimas
que se curvan en éstasis de gloria,
la eterna plenitud desnuda.

(Y el agua una se ve más.
El color es más él, más sólo él,
el olor solo tiene un ámbito mayor, 
el calor todo se oye más.
Y grita
en el aire, en el agua,
sobre el calor, sobre el olor, sobre el color,
ante el carmín de la pasión segunda,
la esterna plenitud desnuda.)

¡Armonía sin fin, gran armonía
de lo que se despide sin cuidado,
en luz de oro para luego verde,
que ha de ver tantas veces todavía,
ante el carmín de la ilusión,
la interna plenitud desnuda!
[Juan Ramón Jiménez]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [105] nem a virgem gostou disto

Nem meio ano aguentou por cá!


escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 288. NÃO SE MATE

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate
[Andrade, Carlos Drummond de, Antologia Poética, Editora Record, Rio de Janeiro S. Paulo, 1999, pág. 147]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 206. " 7°anão - o pequeno herói


Sinopse
Quando Bobo, o mais novo dos sete anões, pica acidentalmente a Princesa Rose (também conhecida como Bela Adormecida), e lança o Reino num século de sono, ele e os outros seis anões têm de viajar até ao futuro para acordar Rose... e descobrir que até o mais pequeno anão pode ser Rei.

escrito por Adriana Santos

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QUE RAZÃO MANTÉM DE PÉ ESTA FICÇÃO?


Crato, além de fingir de ministro, desautorizar a matemática, considerar (só) as Universidades de Lisboa 'extraordinárias' e se assumir como uma ficção, tornou-se, talvez por efeito de uma dieta de espinafres, especialista em gramática.

O verbo manter - e apenas em duas flexões - é, por enquanto, o seu mais recente contributo para 'esclarificar' a nano diferença entre mantêm-se e manter-se-ão. Os tribunais, onde pontua uma figura tão ficcional
(e cómica) 
como a justiça que nos tutela, poderão ser chamados a dirimir
(no Citius)
a proeminente questão gramatical e, se houver lugar a qualquer indemnização, por reiterada e abusiva incompetência de quem toma decisões aparentadas com a loucura, o erário público, sustentado pelos já acostumados contribuintes, será chamado, por razões gramaticais, creio, a prestar contas.

Se até o 'espírito santo', com tantas garantias do altíssimo, acabou por se estatelar sem a ousadia de um Ícaro, que razão mantém de pé uma ficção ministerial que mais não faz do que estatelar-se, sem nunca ter conseguido
(sequer) 
tentar 'voar'?

escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 29


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ENCRUZILHADA
A cada amanhecer, novos mistérios
Que escondem os pesares do mal
A cada folha que cai, uma quimera
Que embalou o sonho e se fez real

Choramos, hoje, a mágoa de ontem
Sepultando-a em cova rasa
Nossas esperanças, nossas utopias
Na dúvida de tantas filosofias
Na angústia cruel que o peito arrasa
Vagamos sem lume pelas noites frias

E nos desencontros de nossas pobres almas 
O vazio nos arrebata por completo
Cada um seguiu seu caminho errante
Afogado na mágoa, na busca constante
Do encontro verdadeiro e certo
E nunca olhamos quem está por perto
E sempre procuramos viver num outro instante

Perdemo-nos em nossos descaminhos
Preconceitos e discórdias foram nossas marcas
Esquecemo-nos do simples numa busca vã
Do impossível que não vem com o amanhã
Se nossos sonhos não se encontram
Desviam-se em cada encruzilhada
E seguem solitários, tristes, nessa estrada.
[Paulo Gondim]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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LEIT(e)URAS [59] a república


Campos Monteiro terá sido um médico e monárquico que escreveu uma bem humorada crónica dos últimos tempos da 1ª República. A coisa não era muito diferente do que temos assistido hoje.
Por exemplo, a indicação do Ministro da Instrução e Negócios Estrangeiros:
– Então você vai indicar para ministro da Instrução um homem que não tem exame de instrução primária?  
- O João Camoesas poucos exames tinha, e fez um bom lugar – respondia o interpelado.
- Mas, Doutor Paulo, ministro dos estrangeiros, um homem que fala apenas a língua portuguesa, e mal! 
- Vocês verão como ele se faz compreender, por mímica, por todos os embaixadores. Tem às vezes gestos tão expressivos!

E é neste tom divertido que o Dr. Campos Monteiro nos vai relatando as peripécias do estertor da 1ª República. Julgo que ele exagera, mas é uma crónica bem-humorada.

Diz ele que
já Guerra Junqueiro asseverava que n´este doce paiz á beira-mar plantado se não inutilizava um politico nem correndo-lhe por cima um cilindro de estrada. (pág. 177)
Haverá semelhanças com os tempos de agora?

Transcrevo aqui a passagem relativa a António Sérgio (esse mesmo, o dos ensaios…)
o perceptor e guia de todos os seus colegas, com mais preponderância no ministério que o próprio José Domingos [presidente do governo], era António Sérgio. Singular figura esta, simpática pelo talento e faculdades de trabalho, mas irritante, enormemente rebarbativa pela vaidade desmedida e pelo seu doentio anceio de originalidade e supremacia intelectual! Se um critério definido, e desviado de uma sã orientação filosófica, serviram-lhe a inteligência e a memória para encher o craneo de teias de aranha, - uma rede inextricável de teorias a que pedantescamente chamava «humanismo crítico» como podia chamar-lhe outra coisa. E a convicção de ser ele o único homem inteligente n'um paiz de estupidos enchera-o de uma filáucia ridícula, levando-o a pontificar ex-catedra e a impor as suas opiniões com uma embófia de brahamane senhor dos profundos mistérios do Rog-Veda (pág 175-176).

Há aqui algum despeito, mas o clima geral é bem disposto e dá-nos a sensação de déjà vu. Por exemplo, após a vitória da revolta, a tropa foi toda promovida dois postos. Resultado: em Lisboa passou a haver 10 000 sargentos e nenhum soldado...

Procurem. Este emprestaram-me, mas já o vi a 6€ e a 18…
(há várias edições. Esta é a mais interessante. Nas transcrições mantive a pontuação e a grafia do livro citado).
escrito por Carlos M. E. Lopes

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EX-CITAÇÕES * 148. escócias de outra vida

… Quem mais contribuiu para revigorar o nacionalismo escocês foi a desastrosa mrs. Thatcher, quando impôs à Escócia reformas de “liberalização económica”que, pelas suas nefastas consequências (nalgumas comunidades o desemprego atingiu 80%), não foram adoptadas no resto do Reino Unido…. 
… Enquanto que na Inglaterra as universidades têm vindo a ser transformadas em empresas comerciais (os alunos são agora “clientes” endividados), o ensino universitário escocês continua a ser implementado como um investimento público. E o Serviço Nacional de Saúde, que está a ser gradualmente privatizado na Inglaterra, continua a ser grátis na Escócia…. 
… O facto é que a Escócia tem conseguido assegurar a manutenção de benefícios sociais que estão a ser destruídos na Inglaterra à custa, em larga medida, da economia global do Reino Unido de que a Inglaterra é a parte dominante… 
… Oh, cínica Inglaterra! Como bem dizia o iracundo Junqueiro quando foi do Ultimato. Nesse tempo, o nosso sentimento nacionalista foi tão intenso que até quisemos comprar à Inglaterra um naviozito de guerra… para invadir a Inglaterra!... 
… Não sendo inglês nem escocês, mas residente nestas paragens há mais de meio século (e com uma confessada simpatia pela Escócia que aplaude os nossos futebolistas nos jogos contra a Inglaterra), o que eu gostaria é que houvesse maior autonomia da Escócia no contexto do Reino Unido e menor autonomia do Reino Unido no contexto duma União Europeia mais equitativa. Deixando o nacionalismo para os hinos e os jogos de futebol. ….
[Hélder Macedo, escritor, poeta]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ESCRITARIA 2014


A Escritaria, em Penafiel, termina hoje. O programa está aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 287.

Julgam-me mui sabedor.
E é tão grande o meu saber
que desconheço o valor
das quadras que sei fazer
[António Aleixo in Poetas e Prosadores Algarvios de Elviro Rocha Gomes, Algarve em Foco Editora, Faro, 1999, pág. 42]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS LIVROS E AS LIVRARIAS

Tenho por hábito abraçar causas perdidas. Cada qual nasce para o que nasce…

Tenho estado com alguma atenção ao que se passa no mundo livreiro. Um dia, por azar, tive a ousadia de dizer na Buchholz

(também vou a lugares últimas a finos), 
na apresentação de um livro, que o livro, como o conhecíamos, tinha os dias contados. Fui insultado pela minha amiga Cristina, gerente da loja.

Entretanto fecharam não sei quantas livrarias. Uma das últimas o Pátio de Letras em Faro, que recebeu inúmeros escritores e intelectuais e que não souberam ou ignoraram o “evento”. A Liliana merecia mais consideração. O Pátio de Letras era o verdadeiro Centro Cultural do Algarve
(cheguei a dizê-lo lá).
Entretanto havia fechado a Bertrand na Guia. E tantas outras. O fecho é inevitável e vai varrer ainda mais o país. Estou crente que que em breve a FNAC fará o mesmo…
Leio no El Pais
(dou-me a esse luxo, de vez em quando…) 
que uns “espertos” ibero-americanos se reuniram em Madrid para discutir “los libros y los lectores” (1 de octobre de 2014). E aí vem a lenga lenga do costume: “a indústria editorial e os governos fracassaram na hora de forjar novos leitores e novos planos de fomento da leitura”
(a tradução é minha e não dos “espertos” do aijesus).
A “coisa” expande-se por todo o mundo: a leitura tem descido. O aumento da leitura dos livros digitais não colmata a queda geral. Que fazer? Há que fazer?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 28


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ENTARDECER
Sol-posto ungindo o mar: incensos de ouro!

Recolhe funda a tarde em sonho e mágoa.
Surdina fluida: anda o silêncio a orar –
E há crepúsculos de asas e, na água,
O céu é mármore extático a cismar!

E nas faces marmóreas dos rochedos
Esboçam-se perfis,
- Cintilações,
Penumbra de segredos!

Ó painéis de nuvens sobre a terra,
Ogivas delirantes
Na água refratando…
Encheis de sombra o mar de espumas rasas,
Iniciando
A hora pânica das asas!

E, à meia luz da tarde,
Na areia requeimada,
São vultos sonolentos
As proas dos navios…

Ó tristeza dos balões
Iluminando,
Na água prateada,
Os pegos e baixios…

Dormentes constelações
Que, em fundos lacustres
E musgosos,
Pondes reverberações
Em nossos olhos ansiosos.

Ó tardes de aquático esplendor,
Descendo em meu olhar!

Num sonho de regresso,
Numa ânsia de voltar,
Em mim todo me esqueço
E fico-me a cismar.

A tarde é toda um sonho moribundo.
É já olor da cor que amorteceu.
O céu vive no mar: sono profundo.
A asa do rumor no ar adormeceu!
[Luís de Montalvor, in Antologia Poética]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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GESTORES MERDIONÁRIOS

No top dos prémios milionários (com 804 mil euros!), um tal Ricardo Salgado.



...prémios milionários para, supostamente, gerirem (bem). De repente, descobre-se que, afinal, em vez da boa gestão fizeram... merda.

escrito por ai.valhamedeus

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CHAMA O ANTÓNIO


Nas eleições primárias (do PS) de ontem, leio, o António perdeu; quem ganhou foi o António.

Como homenagem a ambos, recordo uma popularíssima canção, conhecida pela sua qualidade (ao melhor nível dos ex-debates televisivos e da ex-campanha eleitoral):


escrito por ai.valhamedeus

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O QUE VEM À REDE * 4



... e a pirataria está agora (mais) legitimada.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 286. A JOVEM PEREIRA...


[Lopes, Teresa Rita, O Sul dos Meus Sonhos, Gente Singular, Olhão, 2009, pág. 72]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 205. " O Jogo de Geri”


Geri's Game (O Jogo de Geri) é um filme de curta-metragem de 1997 realizado pela Pixar Animation Studios, que vem como bônus do filme Vida de Inseto da Disney em parceria com a Pixar. O curta também foi exibido nos cinemas junto com o filme Vida de Inseto.

Sinopse
O curta se passa em um parque e conta a história de um simpático velhinho chamado Geri que joga xadrez contra ele mesmo, de um lado ele é do bem e de outro lado ele é do mal. Seu lado mau está ganhando e faz seu lado bom quase ter um ataque cardíaco, Mas seu lado bom consegue virar o jogo (literalmente).

Geri aparece também em Toy Story 2, como o restaurador de brinquedos.
Fonte: [http://pt.wikipedia.org/wiki/Geri%27s_Game]

escrito por Adriana Santos

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LEIT(e)URAS [57] afirma pereira




Antonio Tabucchi nasceu há 71 anos, completados ontem, O meu baú festejou-os com uma síntese de Afirma Pereira, um romance histórico do escritor falecido há dois anos.

escrito por ai.valhamedeus

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PENSAMENTO DO DIA

A propósito da salsicha, do Citius, da fórmula matemática, etc., etc., ocorreu-me uma comparação, por contraste: sabem qual é a diferença entre o Rei Midas e este governo? É que Midas transformava tudo aquilo em que tocava em ouro.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 27


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SORRISO AUDÍVEL DAS FOLHAS 
Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
 
Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.
 
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?
[Fernando Pessoa, in Poesias]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O GOVERNO DOS ERROS E DA SALSICHA

Tudo indica que está em extensão a ligação dos dirigentes do PSD às comidas. Só que, a ser verdade esta minha tese, a qualidade decresce na mesma proporção...

Na campanha eleitoral de 2002, Margarida Sousa Uva dedicou um excerto do poema "sigamos o cherne", de Alexandre O'Neill, ao marido, Durão Barroso, a partir daí conhecido como o Cherne.



Agora, Passos Coelho (auto)associa-se à salsicha. Diz ele

[piadeticamente -- ou, se não, pindericamente. De qualquer modo, com muito mau gosto: as salsichas são cheias com... a gente sabe/adivinha com quê]
que
sabemos [sabemos?! quem é que sabe?] melhor do que ninguém que aumentar a chamada salsicha educativa não é a mesma coisa que ter um bom resultado educativo
Será que, brevemente, o primeiro deste país virá pedir desculpa, mais uma vez
[repetindo o que ele próprio já fez e os ministros dele estão a fazer -- recorde-se a ministra da justiça e o da educação]?
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 285. TABERNEIROS

Numa sórdida tasca, húmida e escura,
O taberneiro, de a bonacheirão,
Como quem tem nas mãos o coração,
Vende, por bom, uma banal mistura…

E o freguês, pobre e ingénua criatura,
Que rejeitar devia a podridão,
Bebe-a com tal prazer, sofreguidão
Que chega a ser bem cómica figura!

Fazendo, assim, por aumentar a pança
do jovial e oleoso vendedeiro
Que, mal o vê em cega contradança,

O invectiva de besta, de casmurro;
E, em paga de ficar com seu dinheiro
Prega-lhe violento e forte murro!
[Gago, Adolfo C., Lágrimas de Luz/ Sob o império da verdade, Edição da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António (prefácio de Teresa Patrício), VRSA, 2001, pág.31-32 (do Sob o Império da Verdade)]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 204. "Intolerância”


Sinopse:
O tema abordado pelo filme é a intolerância entre as pessoas. O curta tem como herói da história um personagem que acorda depois de um longo sono, no final da última era glaciar. Seu raciocínio não é algo que deva ser invejado, mas mesmo assim esse personagem é capaz de iniciar e realizar algo grandioso...
O filme curta-metragem animado Tolerantia foi inteiramente criado em 2008 por Ivan Ramadan, incluindo: produção, direção, roteiro, edição, animação, som e pós-produção.

Nascido e criado na Bósnia, em meio a um ambiente devastado pela guerra, Ivan encontrou na magia da animação a expressão de todo o seu talento artístico.

Tolerantia foi o primeiro curta-metragem de animação 3D produzido na Bósnia e Herzegovina. O filme foi premiado com o "Heart of Sarajevo", prêmio de melhor curta-metragem no 14º Festival de Cinema de Sarajevo. Ganhou o Prix UIP, prêmio que o indicou automaticamente para European Film Academy Awards 2008. O filme já foi exibido em cerca de 30 festivais ao redor do mundo até o momento, recebendo diversos prêmios.

Fonte: [http://www.oficinadegerencia.com/2014/03/voce-e-intolerante.html]

escrito por Adriana Santos

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ANDA TUDO MAL -32- a fortuna de carlos slim


Este da foto é o empresário mexicano Carlos Slim, novamente o mais rico do globo, segundo a revista 'Forbes',..

...com uma fortuna de 85.800 milhões de dólares, uma quantia equivalente ao PIB do Uruguai e da Bolívia juntos. Ou, se se preferir, uma quantia superior ao PIB de 127 países do mundo.

...mais uma prova de que se pode ser verdadeiramente rico. Se outros não o conseguem, é porque não trabalham como trabalha o senhor Slim (um exemplo a seguir pelos habitantes daqueles 127 países). Não trabalham... ou qualquer coisa assim...

escrito por ai.valhamedeus

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OS ERROS DO CRATO

Ontem, a ministra da justiça assumiu as responsabilidades políticas do falhanço do Citius. E quais as consequências dessas responsabilidades? (parece que) nenhumas.


Hoje, depois de muitos protestos dos professores, o ministro da educação reconheceu os erros do último concurso dos professores. E quais as consequências? Crato aceita a demissão do director-geral.

Para os políticos, vale tudo
[nunca percebi esse conceito estranho de responsabilidade política].
Vamos aplicar isto aos profissionais a sério. Um médico erra: assume publicamente as suas responsabilidades e... prontussss! Um professor faz merda
[ao que parece, foi isso que o ministério da educação fez]
numa aula: reconhece o erro e... aceita a demissão... do funcionário de serviço no piso.

escrito por ai.valhamedeus

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FRASE DO MILÉNIO – O SEGUNDO

A austeridade é para a EU uma “ideia barata” – “barata” enquanto insecto… Quando pensamos que estava morta, reaparece.
[Paul Krugman (citado por Eduardo Paz Ferreira)]

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O CITIUS DA MINISTRA



A ministra da Justiça diz assumir as responsabilidades políticas da barafunda em que se transformou o CITIUS... ...ok. assume as responsabilidades -- e quais são as consequências disso?

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 26



[Clique na imagem, para a ver maior]

DEL HIGO
Te propongo
la dulzura del higo,
su carne sonrosada,
replegada y húmeda
como un animal marino.
 
Goza el misterio de este fruto,
su textura de molusco,
su íntimo tamaño.
Tersa,
su pulpa
apremiará el deseo
de tu lengua.
 
Te propongo
las delicias del higo.
Muerde su violado,
desamparado centro,
prueba de nuevo -empecinado-
su carne
que guarda mieles y diluvios.
 
Las delicias y dulzura del higo
-pequeño y desbordado-
tan sólo te propongo.
Que tu boca profunda
se demore
en el dulzor secreto,
que asalte con lentitud
su carne desvelada.
 
Deja que a tu paladar
traiga la memoria
de sabores primitivos.
[Carmen Matute]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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E ESTA, HEIN!... 22

O mal sempre aconteceu pela acção de poucos e pela omissão de muitos, às vezes de milhões. Essa conivência preocupa-me. A nossa classe dirigente, que anda sempre associada às palavras incompetência e corrupção, não é muito vasta. Somos infinitamente mais. Por que razão estamos parados?
[Dulce Maria Cardoso, escritora]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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A LURDES FOI CONDENADA. DISCORDO DOS TRIBUNAIS


Esta, que dá pelo nome de Maria de Lurdes Rodrigues,
[ex-ministra da educação, de muito má memória, de um governo xuxa de Sócrates, de muito má memória]
foi condenada a três anos e seis meses de prisão. Com ela, foram também condenados João Pedroso e João da Silva Batista
[este, secretário-geral do Ministério da Educação do mesmo governo xuxa].
Razão:  João Pedroso
[irmão do antigo ministro xuxa Paulo Pedroso]
foi contratado pelo ministério dos xuxas, por ajuste direto, para coordenador de um grupo de trabalho responsável pela compilação e sistematização da legislação do Ministério da Educação
{rico contrato!, digo eu]
e que, em 2007, envolveu um segundo contrato no valor de 220 mil euros (mais IVA), que não chegou a ser cumprido pelo irmão de Paulo Pedroso.

A Lurdes condenada discorda e trata mal os tribunais. E eu, também: as referidas penas foram suspensas; mas que raio de justificação justificará tal suspensão?

escrito por ai.valhamedeus

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LEMBRANDO UM OUTRO 11 DE SETEMBRO

1973. CHILE.


escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 284. SOBRE O LADO ESQUERDO

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.

No segundo caso, o homem que não dorme pensa:
"o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração".
[Oliveira, Carlos de, Trabalho Poética, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág. 206]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 203. "Homem Orquestra"


Homem Orquestra é uma curta metragem de animação realizada em 2005 pela produtora de animações em computação gráfica Pixar Animation Studios.
Fonte: [http://pt.wikipedia.org/wiki/One_Man_Band]


escrito por Adriana Santos

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A PROPÓSITO DE LIVROS - OS PLUTOCRATAS

Chrystia Freeland trata um tema da maior actualidade neste livro que lhe valeu o National Business Book Award, -- a ascensão dos novos-ricos globais e a queda de todos os outros. 
Segundo a autora: "Primeiro, as decisões políticas ajudaram a criar a super-elite, e depois, conforme o poder de classe da super-elite cresce, o seu músculo político também. A resposta que envolve dinheiro, política e ideias é tanto a causa como a consequência da ascensão da super-elite. Mas as forças económicas também têm importância. A globalização e a revolução tecnológica (e o crescimento económico global que estão a criar) são motores fundamentais da ascensão dos plutocratas. Até os plutocratas que desfrutam do enriquecimento por favoritismo político, em parte também enriqueceram por via deste bolo económico crescente e global".
[Chrystia Freeland, jornalista especializada na área económica, editora adjunta do Financial Times]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 25


[Teresa Rita Lopes, in Afectos]

Escrito por Ana Paula Menezes e ai.valhamedeus

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DESCALCIFICAR MÁQUINA DE CAFÉ COM VINAGRE


Para um bom funcionamento e maior duração, as máquinas de café devem ser limpas e descalcificadas. Em princípio, o manual descreve o processo de descalcificação e, eventualmente, indica o produto a usar para o efeito.

Destes produtos descalcificantes (normalmente, em pó ou pastilha), só conheço o da Krups (marca da minha máquina -- passe a publicidade), que não é propriamente barato. Em seu lugar pode usar-se o vinagre ou o sumo de limão. A DECO aconselha um copo de vinagre ou o sumo de 3 limões por cada litro de água.

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 202. "Destiny"


Joe tem uma coleção de relógios e não parece desviar sua atenção do tempo por nada. Toda manhã é a mesma história: acordar, preparar o café e ir para o trabalho.Essa é a rotina, ou melhor, era a rotina até o dia de hoje. 
Uma animação criada por estudantes da universidade francesa Bellecour School of Art.
Fonte: [http://www.cafecomfilme.com.br]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 24





[Teresa Rita Lopes, in Afectos]

[esta é a quinta ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens A anterior está aqui]
Escrito por Ana Paula Menezes e ai.valhamedeus

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PENSAMENTO DO DIA EM VERSO_6

Somos o que comemos
Já lá dizia o Hipócrates
Certamente com desdém.
Ai, mas o que serão aqueles
Que nem para comer têm vintém?
escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 283. O AMOR BATE NA AORTA

Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...
[De Andrade, Carlos Drummond, Antologia Poética, Editora Record, Rio de Janeiro-São Paulo, 1999 (44ª edição), págs. 144-145]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 201. "a lua"

Um menino acompanha pela primeira vez seu pai e avô numa noite de trabalho. As três gerações tomam um velho barco de madeira, remam mar adentro e quando não há mais terra à vista eles param e esperam. O menino se surpreende quando descobre que o trabalho de sua família é mais inusitado do que ele poderia imaginar.
Fonte: [http://www.adorocinema.com]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 23

[Praça de Espanha, Sevilha.
Clique na imagem, para a ver maior]

ANDALUCÍA

Cielo brillante, fuentes rumorosas,
ojos negros, cantares y verbenas,
altares adornados de azucenas,
rostros tostados, perfumadas rosas.
Bellas noches de amor esplendorosas,
mares de plata y luz, brisas serenas,
rejas de nardos y claveles llenas,
serenatas, mujeres deliciosas.
Cancelas orientales, miradores,
la guitarra y su triste melodía,
vinos dorados, huertas, ruiseñores,
deslumbradora y plácida poesía...
He aquí al pueblo del sol y los amores,
la mañana del mundo: ¡Andalucía!
[Manuel Reina]
[esta é a quarta ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. A anterior, está aqui. A quinta, aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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EX-CITAÇÕES * 147. cidadãos do cupão, franchisados e net-liberais

A cidadania democrática deu mais um passo. O serviço de impostos abriu um casino de slot machines por tudo quanto é sítio onde se realize a mais modesta transacção. Injecta-se dinheiro -- a troco de, por exemplo, uma couve coração, declina-se um número de contribuinte e espera-se. A política resume-se aos acertos privados entre privados, que se nos dão tranquilamente em espectáculo no espaço mediático. Contempladores da própria impotência cívica, vamos espreitando, na Tv. paga, os lances retóricos da monodia em que se converteu o discurso político, enquanto as instituições se fecham ao escrutínio público. Ao mesmo tempo, a devassa e o registo centralizado dos mais pequenos gestos quotidianos convertem a distopia orwelliana numa parábola inocente sobre a verdade e o controlo das consciências. Antes do imposto higienista sobre o açúcar e o sal. Ou do mais temível contador imaginado por Abelaira, em A Palavra é de Oiro.
[SANTOS, João - Escrever nas Margens, in JL]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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PODEM CHAMAR-ME EURÍDICE...


O Público tem vindo a publicar livros proibidos antes do 25 de abril. Este sábado, foi a vez de Podem chamar-me Eurídice de Orlando da Costa. O autor nasceu em Moçambique de pai goês. Intelectual do PCP, é pai de António Costa e de Ricardo Costa.

O seu livro foi proibido porque o “ambiente é subversivo e com alguma imoralidade”, lê-se no relatório do major censor.


Este Costa era homem sério, segundo me dizem…

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 282. AO NOSSO AMOR INACABADO

AO NOSSO AMOR INACABADO (1)
À Mila

Mila
Que sabes tu do nosso amor?
Do fundo ignóbil do meu medo
À limpidez do teu olhar?
Que sabes tu do meu desespero?
Da vontade, da fúria e da angústia
por um moçambicano a menos nos nossos braços?

E esta lança atirada no cosmos
estas Luas pálidas para sempre
este naufragar íntimo que me rebela?
Que sabes tu dos meus versos?
Do silêncio quase forçado
à raiva de ser imperfeito?

Mila
do perdão
noites contínuas acto-contrito
solicito-me e solicito-te
esta derradeira autocrítica
tão necessária ao tempo essencial
do nosso Amor inacabado.
(Setembro, 1973)

[Da Silva, Calane, Dos Meninos da Malanga, Planeta editores, Maputo, 2013, pág. 43]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 200. "o vendedor de fumaça"


O Vendedor de Fumaça é uma curta-metragem de animação realizada integralmente pelos alunos de PrimerFrame.com, em outubro de 2010 e foi um dos finalista aos prémios Goya 2013.
Fonte: [http://asebenta.wordpress.com/]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 22

[Num parque de Londres...
Clique na imagem, para a ver maior]

OS PÁSSAROS DE LONDRES

Os pássaros de Londres
cantam todo o inverno
como se o frio fosse
o maior aconchego
nos parques arrancados
ao trânsito automóvel
nas ruas da neve negra
sob um céu sempre duro
os pássaros de Londres
falam de esplendor
com que se ergue o estio
e a lua se derrama
por praças tão sem cor
que parecem de pano
em jardins germinando
sob mantos de gelo
como se gelo fora
o linho mais bordado
ou em casas como aquela
onde Rimbaud comeu
e dormiu e estendeu
a vida desesperada
estreita faixa amarela
espécie de paralela
entre o tudo e o nada
os pássaros de Londres
quando termina o dia
e o sol consegue um pouco
abraçar a cidade
à luz razante e forte
que dura dois minutos
nas árvores que surgem
subitamente imensas
no ouro verde e negro
que é sua densidade
ou nos muros sem fim
dos bairros deserdados
onde não sabes não
se vida rogo amor
algum dia erguerão
do pavimento cínzeo
algum claro limite
os pássaros de Londres
cumprem o seu dever
de cidadãos britânicos
que nunca nunca viram
os céus mediterrânicos.
[Mário Cesariny, in Poemas de Londres]
[esta é a terceira ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. A anterior está aqui. A quarta, aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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GARCÍA LORCA


Federico García Lorca foi fuzilado há 78 anos (a 19 de Agosto de 1936). O meu baú recorda o poeta granadino. Aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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DO TEMPO DA MARIA CACHUCHA

Quando se diz que algo «é do tempo da Maria Cachucha», quer-se dizer que é muito antigo

[porquê? encontra a explicação aqui].

Mas isto de ser "muito antigo" é muito... relativo. A informática, por exemplo: os objetos da fotografia anterior são do tempo da Maria Cachucha. Quero dizer, dos anos 90 do século XX. Conservo-os ainda, fora de uso obviamente, mas usava-os há uns 20 e poucos anos atrás.

É um leitor de disquetes de 5,25 polegadas e as respetivas disquetes. Em cada uma delas cabiam 720KB de dados; fazendo as contas, para gravar a informação que se guarda numa daquelas minúsculas pen de 16GB, hoje comuns, que se transportam num bolso, seriam necessários vários milhões de disquetes destas. Isso mesmo, milhões. Como diria o outro, é só fazer as contas...

escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 146. no próximo oriente...


George Bush Jr. acreditava que as pessoas são democratas de modo natural. Que se se retiram as autoridades repressoras, a população deixa fluir os seus instintos liberais. E atuou em conformidade. Graças a ele, este ano no Iraque proclamou-se um califado, este sim dirigido por terroristas. E o Afeganistão só é governável com a cumplicidade... dos talibãs. 
Se Bush queria democracias no Próximo Oriente, deveria ter financiado muito mais que uma guerra: escolas, juízes e toda uma organização social laica. Mas tinha uma opção mais viável: apoiar a sociedade civil muçulmana maioritária, que detesta o terrorismo mas exige respeito pela sua maneira de viver (ou seja, democracia). 
Bush já está fora de jogo. Mas Hollande ainda está a tempo de cometer o mesmo erro.
[Santiago Roncacliolo. ¿La amenaza islamista?]

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 281. DOS MENINOS DA MALANGA

DOS MENINOS DA MALANGA
(Minkhokweni)
Ao Quinho (Alexandre João Gouvéris)

Mukhokweni
não é lugar de cocos.
Mukhokweni
também tem história
retida na íris
dos meninos da Malanga.
Vivíamos a monte
entre coqueiros, pamas e piteiras
e tínhamos tudo!
Crianças sempre esfarrapadas
mulheres grávidas todos os anos
xibalos-carregadores
e magaízas endinheirados
que os mabandido por vezes
esfaqueavam.
A polícia também investia
para metralhar corpos
e efectuar prisões
mas em Mukhokweni
sobretudo
vivíamos entregues a nós mesmos.
Vinte e quatro anos são passados
sobre os coqueiros, pamas e piteiras
de Mukhokweni ora urbanizado.
Mas os gritos
pragas e imagens continuaram
doidamente condensados
nos nossos corações já amadurecidos.
Jacinto, Fernanda, Madala
e tu Kadir?
Todos companheiros de infância
que o regime implacável dividiu.
Lembram-se irmãos
dos jogos de futebol no campo da Glória
onde o Zeca
esse loiro traquina
apanhava da mãe para não aprender
a falar landim?
Mas o pau de amoreira
no seu corpo franzino
não o assustava
e lá o tínhamos diariamente
como avançado-centro da nossa equipa.
Não sei o que foi feito dele.
Da Fernanda sei.
Essa menina mulata
de tranças de carapinha
não teve ninguém
por isso há dias sem me reconhecer
quis vender-me amor num quarto qualquer da cidade.
Não me mente
este tempo historiado!
Agora
meninos totalmente diferentes
vivem em Mukhokweni
sem coqueiros, sem pamas e sem piteiras.
Porém
quando passo no lugar
quase sem rancor
choro
milhares de pessoa
que Mukhokweni marcou para sempre!
[Da Silva, Calane, Dos Meninos da Malanga, Alcance Editores, Maputo, 2013, pág. 21]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ESCOLA E MOÇAMBIQUE


Ao lado do antigo Liceu Salazar, agora Escola Secundária Josina Machel, na rotunda situa-se o Museu de História Natural. Orgulhoso da fauna e sobretudo da coleção de fetos de elefantes que tem
(única no mundo?), 
o Museu é visitado por escolas e é bonito ver, em cada turma de visita ao museu, haver três ou quatro alunos a tirar apontamentos num caderno. Os outros não tiram porque não têm
(e não haverá um pouco de vaidade naqueles que têm?). 
De resto, a única coisa que os miúdos me pediram nos dias que por cá ando, foram cadernos. A escola parece ser coisa séria.

Entre Maputo e Inhambane, cerca de 500 kms, veem-se milhares de miúdos que vêm ou vão para a escola. Com um elemento de vestuário igual
(camisa, calças/saia, gravata há em bordeaux, verdes, azuis, amarelos) 
conforme a divisão administrativa, Segundo me disseram… No outro período do dia, ajudam a mãe na venda de fruta.  Há, neste fardamento, qualquer coisa de britânico a que não será alheia a influência sul-africana. E, no entanto, há a carência de 800 mil carteiras nas escolas do país. Muitas daquelas crianças sentam-se no chão para ter aulas…

O Museu de História Natural é pequeno, mas interessante. Mas denota carências que não estão de acordo com o orgulho que as autoridades dizem ter nele. As legendas escasseiam, estão gastas, não há guias
(ou desaparecem)...
São negligências incompreensíveis num museu com um acervo importante e de que os Moçambicanos se devem orgulhar.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 199. "The Lost Thing "


THE LOST THING
Realização: Andrew Ruhemann, Shaun Tan
Ano: 2010

Sinopse
Um jovem descobre uma criatura estranha enquanto apanhava tampas de garrafa na praia. Ao aperceber-se de que está perdida, o rapaz tenta procurar o dono ou o local a que pertence, mas é confrontado com a indiferença de todos, que quase nem dão pela sua presença.
Fonte: [http://www.thelostthing.com/]


escrito por Adriana Santos

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DO CONTRA [104] a elevação da virgem


Faz, hoje, anos
[foi a 15 de agosto de 42]
que faleceu a Virgem Maria, Nossa Senhora, mãe de Jesus. Segundo a tradição da Igreja, teria "dormido" e ressuscitado sendo elevada ao Céu em corpo e alma pelos anjos.

As coisas que esta gente da Igreja sabe...

escrito por ai.valhamedeus

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NÃO CONFIO EM CACHORROS


Esta é uma imagem que circula pelo Facebook com alguma intensidade vírica.

“Não confio em pessoas que não gostam de cachorro, mas confio totalmente num cachorro quando ele não gosta de uma pessoa”. Não sei se esta frase é de Einstein ou não. Nem me interessa
(embora me incline para pensar que não é): 
se for, é (mais) uma prova de que um grande génio pode dizer uma grande asneira.

Já torço o nariz à primeira parte da citação, mas admito-a: primeiro, porque qualquer pessoa tem o direito de (não) confiar em quem entender; segundo, porque se por “não gostar de cachorro” se entender “fazer mal aos animais”, a frase começa a “fazer sentido”.

Agora… a segunda parte é que é asneira completa, se atendermos ao que ela supõe; isto é, não que afirma o referido direito de alguém (não) confiar em quem entender, mas que o facto de um cachorro “não gostar” de uma pessoa significa que essa pessoa não é de confiança. Pelo seguinte:

  • Os factos desmentem esta “teoria”; se ela fosse verdadeira, todos os animais, humanos ou não humanos (cachorros incluídos), que passam na minha rua seriam de pouca confiança: há um cachorro que ladra violentamente a tudo o que seja animal movente e lhe passe na redondeza… E, se pensarmos naqueles cachorros que se atiram aos donos, o que é que deveríamos concluir daí?
  • Se a frase fosse verdadeira, eu próprio seria… um monstro: na verdade, eu não gosto de cachorros, nem de qualquer animal em geral. Não gosto, no sentido de que não ando aos beijos ou às carícias aos ditos, nem nada que com isso se pareça – embora seja incapaz de fazer mal a qualquer animal, a não ser àqueles que, sem minha permissão, me entram em casa (designadamente moscas e quejandos). Dito de outro modo, respeito eu mais os animais em geral do que alguns animais (sobretudo cães) me respeitam a mim.

E anda Einstein (ou, mais provavelmente, alguém por ele) a dizer que… que não sei quê?! Valha-o Deus, se pode…

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 21

[Copenhague, Dinamarca. Estátua da pequena sereia.
Clique na imagem, para a ver maior]

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
(…) 
Escuto-te de aqui, agora, e desperto a qualquer coisa.
Estremece o vento. Sobe a manhã. O calor abre.
Sinto corarem-me as faces.
Meus olhos conscientes dilatam-se.
O êxtase em mim levanta-se, cresce, avança,
E com um ruído cego de arruaça acentua-se
O giro vivo do volante.

Ó clamoroso chamamento
A cujo calor, a cuja fúria fervem em mim
Numa unidade explosiva todas as minhas ânsias,
Meus próprios tédios tornados dinâmicos, todos!...
Apelo lançado ao meu sangue
Dum amor passado, não sei onde, que volve
E ainda tem força para me atrair e puxar,
Que ainda tem força para me fazer odiar esta vida
Que passo entre a impenetrabilidade física e psíquica
Da gente real com que vivo!

Ah seja como for, seja por onde for, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar.
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstrata,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado, como a poeira, plos ventos, plos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!
[Álvaro de Campos, excerto de Ode Marítima]
[esta é a segunda ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. A anterior está aqui. A terceira, aqui].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O ELEVADOR


Um elevador é um objeto a que nunca liguei muito
(a não ser aquele tremedor que sinto quando nele embarco, muito semelhante ao que sinto quando entro num avião…). 
É a coisa mais natural num prédio alto. Não necessariamente assim, sempre. No edifício Mira d´Ouro
(será assim?), 
na Julius Nyerere, em Maputo, a coisa fiava mais fino. Aquele elevador tinha feito a guerra colonial, a guerra civil e vive hoje numa relativa paz. E vive à custa da habilidade, sageza e desenrascanço dos porteiros. Ao entrar no prédio, o meu olhar dirigia-se sôfrego para a porta, desejando não ver a vassoura a barrar o caminho ou a placa “fora de serviço…”. Mesmo assim, ao premir o botão esperava, ansioso que a luz se acendesse ao chegar ao meu piso. É que o elevador não tem luz a indicar se vem ou está parado, dentro, não sabemos onde estamos, a porta pode não abrir, pode parar ligeiramente abaixo de onde queremos sair. Enfim, uma viagem é uma aventura. A minha vizinha italiana bem gritava “porca miséria. 30 000 dólares e nem o elevador funciona”.

Aprendi (?) eu que um bem económico, grosso modo, é um objeto que satisfaz uma necessidade humana, raro, mas acessível. Nunca vi uma definição tão verdadeira. Aquele elevador era ouro. É que eu morava no 11º andar, correspondente a 12, e a rua ficava a 182 degraus abaixo. Ou melhor, a porta da minha casa ficava a 182 degraus da rua!

Lá em cima, uma vista deslumbrante sobre a baía. Mas subir 182 degraus, carago?!?! Chegámos cerca das 21 horas
(noite cerrada e já meio da noite. A noite cai às 17,30…), 
cansados. Aprontei-me para levar a rainha ao colo, porque dormia. Avancei, lesto para o prédio. Subi o primeiro degrau, direito à porta do elevador. Depois, bom... depois, foram mais 181 degraus… o piso intermédio foi rápido, em jeito de atleta. No primeiro andar, comecei a sentir as pernas. Coisa de nada. Ao segundo andar, com a porta com figuras hindus, já o fôlego me faltava. Os músculos das pernas já se faziam sentir. Encostei os meus 125 quilos, mais os 12 da transportada, ao corrimão. Isto é um minuto, pensava, enquanto esperava que nenhum atlético vizinho passasse por mim e olhasse com ar de gozo. A mim, parecia-me que os músculos se iriam virar e que deixava cair a carga que transportava. Nunca odiei tanto os cozidos à portuguesa, as feijoadas, as favas com chouriço, os enchidos, o vinho, a cerveja, os whiskys, os doces que comi e bebi. Jurei ali mesmo passar a fazer uma vida saudável, à base de verduras e frutas.

No quinto andar, estava um senhor sentado nos degraus a ganhar fôlego. Fumava para descontrair, dizia ele. Eu, com as tripas em alvoroço e as pernas a recusarem responder a qualquer ordem, encostava-me. Ainda pensei deixar a carga a dormir e os pais que tratassem dela. Já derreado, sem noção de onde estava, cheguei ao 182º degrau. Procurei as chaves. São duas portas. Uma de ferro. Tinha que puxar a porta para ela abrir. Como fazê-lo com a carga humana em cima? Lá me torci e abri as portas. Fui deitar a miúda. Senti-me um herói, suado. Deitei-me sobre a cama. Deu-me fome. Fui à cozinha. Abri uma Laurentina e fiz uma sandes de chouriço. Lembrei-me do que tinha prometido. Pensei: “começo amanhã”.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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E ESTA, HEIN!... 21

…Apesar do desrespeito dos últimos tempos pela profissão de professor e dos dias de desânimo, apesar da crescente burocracia que não deixa tempo para o que é verdadeiramente essencial na vida docente, continuo ainda a acreditar no meu trabalho e sei que sou privilegiada porque me levanto todos os dias para fazer o que gosto, numa escola perto de casa, sem precisar de me afastar da minha família, como acontece com tantos colegas. …
[Conceição Dinis Tomé, professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas Viseu Sul, doutoranda em Estudos Portugueses e investigadora do Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais da Univ. Aberta]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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PENA DE MORTE NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA


Discute-se na América a forma de executar as penas de morte. E isto porque o último executado, James Wood, levou 1 hora e 5 min a morrer. E acho bem que 72% dos Estados dos USA usem a pena de morte: assim se defendem os valores da democracia, tolerância, liberdade e dos direitos humanos. O que não está certo não é a pena de morte, mas gastar tanto tempo em eliminar um ser nocivo à humanidade
(mesmo que se venha a descobrir mais tarde que estava inocente do crime pelo qual foi executado). 
Time is Money e, de facto, duas horas para limpar o “sarampo” a um criminoso é demasiado tempo. Os estudos vão realizar-se céleres, de forma a se evitar tanto tempo e assim aliviar consciências.

Mas os americanos
(e outros que têm pena de morte)
deveriam aprender com os da Al-Qaeda e não só. Lembremo-nos do jornalista Daniel Pearl, decapitado no Paquistão… As imagens são terríveis, mas cortaram-lhe a cabeça em dez ou vinte segundos. Mas na civilizada América leva-se quase duas horas…

Tenho a opinião de que país que tem a pena de morte entre as medidas de sanção é um país incivilizado. Se leva duas horas para executar um cidadão, é um país selvagem.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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CARLOS DE OLIVEIRA


CARLOS DE OLIVEIRA nasceu há 93 anos.

O meu baú comemora o aniversário com umas notas sobre o seu romance PEQUENOS BURGUESES. Aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 280. RÔSINHA

Rôsinha
eu estar chatiado
não ir trabalhar.
Rôsinha
agente aôje vai amar.

- Ouvi quirido
você sabe qui Chiquito
comeu manga verde
tem dor no barriga
agente aôje não
vai amar.

Rôsinha
eli não vai chorar…!
Eu vai comprar rimédio pra Chiquito
tu vai ver
eli ficar bom
eli ádi bricar.

Tira capulana Rôsinha
agente aôje vai amar!
[Da Silva, Calane, Dos Meninos da Malanga, Alcance Editores, Maputo, 2013, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 198. "A Viagem de Said"


El Viaje de Said
Prémio Goya 2007- Melhor curta de animação
Diretor: Coke Rioboo
Said, um rapaz marroquino, atravessa o Estreito de Gibraltar. Do outro lado, na terra das oportunidades, descobre que o mundo não é tão bonito como lhe haviam dito.
Fonte: [http://elpaisdelarisoterapia.blogspot.pt/2009/06/el-viaje-de-said-un-corto-de.html]

escrito por Adriana Santos

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LEIT(e)URAS [58] a partícula no fim do universo

Carlos Fiolhais propõe no Público de quarta umas leituras de Estio.

Já tenho seguido as sugestões dele e não me tenho arrependido. Desta vez sugere Sean Carrol, Cristina Carvalho (filha de António Gedeão), Luísa Costa Gomes, Thomas Mann, José Tolentino de Mendonça e Pedro Mexia e Maria de Sousa.


São seis livros
(Marcelo Rebelo de Sousa recomendaria, pelo menos, 80), 
dos quais o que mais me atrai é o de Sean Carrol, A partícula no Fim do Universo, da Gradiva, por ser a área de Carlos Fiolhais. Quanto ao resto, já não sou tão fão...

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 20


Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente! 
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir! 
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
[Fernando Pessoa, 20-9-1933]
[esta é a primeira ilustração de uma série sugerida por um tema comum: Lugares/viagens. Leia a segunda].
foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [103] o papa pop

Impressiona a quantidade de pessoas que ajoelha perante o "novo" Papa, Francisco, mesmo não sendo gente crente

[os murais do Facebook são disso uma amostra significativa].

Parece tratar-se de um papa modernaço, que põe de lado etiquetas e protocóis, almoça em cantina com funcionários do Vaticano, batiza filhos de mães solteiras (um ato considerado de uma "simplicidade brutal" por jornalistas de renome),... E eu torço o nariz, porque não vejo alterações substanciais na Igreja chamada católica, dirigida por este papa pop.

Folheio a Claves de Razón Práctica de maio/junho de 2014
[uma revista espanhola atualmente dirigida pelo filósofo colunável Fernando Savater]
e descubro que Michele Martelli partilha esta minha impressão. O seu artigo, intitulado De rodillas ante el papa Francisco (De joelhos perante o papa Francisco), defende que
Bergoglio [nome civil do papa Francisco] seduziu leigos, crentes e crédulos, mas à margem dos seus amplos sorrisos e dos seus eficazes sloganes, não parece que o novo papa se afaste demasiado do magistério tradicional.
escrito por ai.valhamedeus

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