TRUMP(A)

hoje é sábado 298. MUSA


Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos.

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, Lisboa, 1996, pág. 140]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 214. "Papel de Natal"

Camila é uma menina alegre e criativa que, um dia, percebe que o seu pai desapareceu sem deixar rasto. Determinada a encontrá-lo, constrói um amigo para a ajudar: um boneco de cartão chamado Dodu. Ele não só ganha vida como parte em busca do pai de Camila num universo paralelo em que tudo é feito de papel. Agora, é preciso resgatá-lo das garras do Monstro Desperdício… 
Dirigido por José Miguel Ribeiro (A Suspeita), uma história de amizade e coragem que pretende sensibilizar o público para a sustentabilidade, fazendo referência a uma "tradição" de Natal com a qual é preciso romper: o desperdício de papel. É deste material que são feitos, literalmente, cenários e personagens. O filme combina animação em "stop motion" com imagens reais.
Fonte: [PÚBLICO]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 41

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DA MINHA JANELA
Mar alto! Ondas quebradas e vencidas 
Num soluçar aflito, murmurado... 
Voo de gaivotas, leve, imaculado, 
Como neves nos píncaros nascidas! 
Sol! Ave a tombar, asas já feridas, 
Batendo ainda num arfar pausado... 
Ó meu doce poente torturado 
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! 
Meu verso de Samain cheio de graça, 
Inda não és clarão já és luar 
Como um branco lilás que se desfaça! 
Amor! Teu coração trago-o no peito... 
Pulsa dentro de mim como este mar 
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
[Florbela Espanca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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CAVALOS DE VENTO


Guardo alguma consideração por António Arnaut. As razões não são muitas, mas basta-me o facto de ter sido um dos principais mentores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do qual, por via do nosso alheamento e da sua transformação em negócio, pouco resta. Fiquei estupefacto por lhe terem devolvido – de Évora – os seus ‘Cavalos de Vento’ que, à semelhança dos castelos de areia, seriam um precioso recurso para retirar um detido da prisão. Pelo menos este artifício, cifrado numa linguagem que só Babel encerra, não teve o efeito pretendido: fazer de Pinto dos Santos 
(nome que indispõe o detido, dizem)
um leitor atento ao rumo dos cavalos e ao sopro do vento. O que me indignou – e pouco entendo de leis – 
(assunto em que Arnaut é especialista)
foi mesmo o desencanto experimentado com o ‘Regulamento Prisional’ que, segundo o causídico, ‘ofende os direitos de cidadania do detido’. O tempo, esse grande ‘engenheiro’ 
(não só dos domingos)
encarregou-se de devolver o seu a seu dono! Arnaut devia saber que o regulamento, com o qual não se conforma, foi gizado 
(e assinado, enquanto primeiro-ministro) 
– para os outros – pelo próprio detido! Nessa altura, teria apreciado ver Arnaut, ofendido com tal disposição, bater-se – até ao esgotamento mediático – pela revogação de disposições que possam ofender os direitos dos detidos, qualquer um! Aí, sim, além da consideração que mantenho, por via do SNS, acresceria outra, que só viria em reforço da primeira.  Quando se fazem leis, seria de elevado engenho ponderar se um dia, mesmo remoto, não estaremos sujeitos a experimentar os seus efeitos. Arnaut devia estar agradecido por ter de volta os seus ‘Cavalos de vento’, com um acréscimo de publicidade, sabendo também que o estatuto de sábios, concedido aos anciãos gregos de antigamente, está muito delapidado nos tempos que correm.

escrito por Jerónimo Costa

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hoje é sábado 297. MANUEL BANDEIRA

Este poeta está
Do outro lado do mar
Mas reconheço a sua voz há muitos anos
E digo ao silêncio os seus versos devagar

Relembrando
O antigo jovem tempo tempo quando
Pelos sombrios corredores da casa antiga
Nas solenes penumbras do silêncio
Eu recitava
"As três mulheres do sabonete Araxá"
E minha avó se espantava

Manuel Bandeira era o maior espanto da minha avó
Quando em manhãs intactas e perdidas
No quarto já então pleno de futura
Saudade
Eu lia
A canção do "Trem de ferro"
E o "Poema do beco"

Tempo antigo lembrança demorada
Quando deixei uma tesoura esquecida nos ramos da cerejeira
Quando
Me sentava nos bancos pintados de fresco
E no Junho inquieto e transparente
As três mulheres do sabonete Araxá
Me acompanhavam
Tão visíveis
Que um eléctrico amarelo as decepava

Estes poemas caminharam comigo e com a brisa
Nos passeados campos da minha juventude
Estes poemas poisaram a sua mão sobre o meu ombro
E foram parte do tempo respirado.
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, 1996, pág. 78]

Resumo (exibido na página inicial) Restante do conteúdo (exibido apenas nas páginas individuais) escrito por ai.valhamedeus Carlos M. E. Lopes Gabriela Correia, Faro Ya Allah Adriana Santos José Alberto, Porto Rico, Jerónimo Costa, Eduardo LG, Argentina

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A alegria do ano

Aproxima-se o fim de 2014, quero dizer, os The best of.



Já elegi a minha alegria de 2014: saber que o preso 44 passará o Natal na choldra.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 40

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NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurreta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
[David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988. Lisboa, Editorial Presença, 1988]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ZOOM [94] - em falso


escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 296.

lá está o cabrão do velho no deserto, último piso esquerdo,
que nem o diabo ousa
ouvi-lo
quanto mais os anjos do Senhor, os pintaínhos!
[Helder, Herberto, A morte sem mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VELHINHOS EVACUADOS

O Ai Jesus! arquivou vários casos de evacuação. Eusébio foi evacuado. Portugueses foram evacuados no Egito...


...e agora foi a vez de umas dezenas de idoso/as serem evacuados.

Evacuar é despejar, expelir, esvaziar,... Pois garanto que nunca soube como é que esvaziaram o Eusébio ou os portugueses no Egito ou agora os velhinhos. Ter-lhes-ão dado uns clisteres?

escrito por ai.valhamedeus

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VENCEU A INTEGRIDADE. DEUS SEJA LOUVADO!


O processo dos submarinos foi arquivado. o Ministério Público (MP), dizem os jornalistas maliciosos, não teve acesso a documentos sobre ESCOM recolhidos nas buscas ao GES -- os mesmos jornalistas que falaram em luvas de muitos milhões e que grande parte da documentação dos submarinos desapareceu do Ministério da Defesa, em particular, os registos das posições que a antiga equipa ministerial de Paulo Portas assumiu na negociação...

...e o mais que aqui não interessa recordar, porque é tudo tramóia dos comunistas e dos aliados deles. Para que raio haveria o MP de ter acesso a esses documentos? Há alguma dúvida sobre a integridade moral do grande homem que é Paulo Portas? Um grande ministro, um grande quase-primeiro ministro, o mais íntegro de todos os portugueses...

Quem deveria levar agora com um processo em cima (ou antes, já com uma condenação) eram todos aqueles que andaram estes anos todos a investigar gente séria.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 39

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TEIA
Vem até à minha teia
diz a escritora ao amado
Sedução de corpo e veia
de fuso e de palavras
de fio de sede e de espada
E de saliva fiada
Vem até à minha história
diz a escritora ao amado
Vem até á minha escrita
inventando
as personagens
Meu poema
Meu enredo
Minha rede de palavras»
[Maria Teresa Horta. (Inédito)]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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PINTO DA COSTA VISITOU SÓCRATES?!?!


Perante esta notícia, só me resta uma decisão: arrenegar a minha condição de portista.

escrito por ai.valhamedeus

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MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS DE ROLO E DIGITAIS


O gráfico anterior mostra a evolução do mercado fotográfico nos últimos 80 anos. Há um período de "convivência" entre as máquinas de rolo (representadas a cinzento) e as compactas (representadas a azul). Entretanto, a tecnologia digital anulou praticamente as primeiras.

A tendência parece ser (inevitavelmente?) a de as compactas desaparecerem. Substituídas pelos telemóveis inteligentes (smartphones)?

[Fonte: Mirrorless Rumors]

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 295. CHAMA

Versos
e lágrimas, deixai-me
Incendiar
o reino da memória
entrançar
o cabelo
pela última vez
à imagem desolada
que tanto me enleou
no seu amor
e arder
ou achar enfim
repouso.
[OLIVEIRA, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág. 178]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 213. "GERNIKA"


Sinopse:
O bombardeamento de Guernica e o trabalho artístico do pintor José Luis Zumeta e do compositor Mikel Laboa, criado para evocar o evento trágico, ganham vida e inspiram este documentário animado.
REALIZAÇÃO: Ángel Sandimas;
PRODUÇÃO: Syntorama | Espanha. Spain | 2012 | 00:12:49 | Cor . |
TÉCNICAS - Computador 3D . 3D

Fonte: [http://cinanima.pt/]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 38

[Clique na imagem, para a ver maior]
QUEM SABE?!
Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça! 
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?! 
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais. 
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais! 
[Florbela Espanca, O Livro d'ele (1915-1917) in Poesia Completa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [107] a bíblia e adão e eva

["Adão e Eva no Paraíso", de Paul Rubens e Jan Brueghel, o Jovem]

Diz a Bíblia, infinita fonte de saber, que a Eva foi seduzida por uma serpente a comer do fruto da sabedoria e, depois, ela seduziu Adão, que estava a leste disto tudo. E vai de lá Deus, que tinha proibido Adão e Eva de comer o fruto da árvore que estava no meio do Éden para não conhecer o bem e o mal, amaldiçoou um e outro e obrigou ela a padecer na gravidez e ele, a trabalhar. Tout court.

Um dos efeitos de comerem o fruto
(maçã, romã?) 
foi de se verem nus e terem vergonha
(de quê, não se sabe). 
O homem
(Deus) 
não se conteve e proferiu uma sentença ou decisão semelhante ao juiz Matateu de Loulé (*): atingiu a família e, no caso de deus, as gerações futuras
(tal como a tróica...):
“com o suor do teu rosto comerás o pão pois és pó e ao pó voltarás”. Um inferno, desejou Deus.

Há uma passagem interessante que mostra a consideração que o homem (?) tinha pelas mulheres. Adão é condenado “porque deste atenção à tua mulher e comeste da árvore proibida”... Este Deus é do caraças...

(*) O juiz Matateu, nos anos sessenta, em Loulé, mandou prender a mulher de um cigano que ousou falecer a oito dias de ter cumprido a pena...
escrito por Carlos M. E. Lopes

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A PROPÓSITO DE LIVROS - Lábios de Maçã em Abril


… O percurso por Lábios de Maçã em Abril, de Ilda Figueiredo e Agostinho Santos é um traçado pelas referências da história do mundo, em que a afectividade tinge legados inestimáveis e memórias que importa não perder, sob pena de leviandade…. A glória de Abril só pode ser destruída pela incúria dos imbecis. Apenas quem não entende o mais elementar da vida pode desentender a conquista da democracia e toda a aspiração à Liberdade e à Igualdade. É a imbecilidade, para não dizer o crime, que nos destrói o Estado de Direito Social, não a economia. A economia tem de ser um instrumento, não pode ser um fim. A Democracia tem de ser um fim, não pode ser um instrumento. O levantamento da Humanidade acima da miséria material e espiritual e do abandono tem de ser o centro de todas as coisas. …
[Valter Hugo Mãe]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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VÍDEO DA SEXTA 212. "O longo caminho pela liberdade"

Spot oficial para o 50º aniversário da Amnistia Internacional, dirigido por Carlos Lascano, produzido por Eallin Motion Art em parceria com o Dreamlife Studio. A música é do premiado Hans Zimmer e Nominee Lorne Balfe.
Ano: 2011

escrito por Adriana Santos

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