TRUMP(A)

hoje é sábado 299. ÁRVORE


Forço e quero ao fundo delicadamente
como subindo no sentido da seiva
espraiar-me nas folhas verdejantes,
espaçado vento repousando em taças,
mão que se alarga e espalma em verde lava,
tronco em movimento enraizado,
surto da terra, habitante do ar,
flexíveis palmas, movimentos, haustos,
verde unidade quase silenciosa.
[Rosa, António Ramos, Poesia Presente, antologia, Assírio & Alvim, s/l, 2014, pág. 50]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 215. "O Principezinho"




O clássico da literatura O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry, uma das obras mais vendidas em todo o mundo, vai ganhar uma nova versão que sairá nos cinemas este ano.

escrito por Adriana Santos

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MICHEL HOUELLEBECQ. SOUMISSION


escrito por ai.valhamedeus

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ZOOM [95] - charlie hebdo


escrito por ai.valhamedeus

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O LONGO CAMINHO DA TOLERÂNCIA


Poderíamos consultar Gil Vicente, ou Shakespeare e, de algum modo, seguir um dos seus preceitos de vida: ridendo castigat mores. Sabemos que é pelo desconcerto/desconstrução que, frequentemente, se trava o fanatismo e a intolerância. Uma das vias continua a ser o humor e a sátira, mecanismos expeditos de garantia da liberdade de expressão.

François Jacob (1989) no 'Jogo dos Possíveis' escreveu, lapidarmente, que todos os crimes da história são consequência de algum fanatismo. Todos os massacres foram cometidos por virtude, em nome da verdadeira religião, do nacionalismo legítimo, da política idónea, da ideologia justa; em suma, em nome do combate contra a verdade do outro.

Em França, o 'ovo da serpente', que há muito vinha sendo amparado, teve, agora, um desfecho brutal. A pátria da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que Hollande foi transformando num equívoco, tem agora uma grande via para levar Marine Le-Pen até ao Eliseu. Não foram apenas os jornalistas-artistas que sucumbiram; foi a democracia, que na sua roupagem de fachada, abriu as portas a todas as trancas, permitindo mais um golpe na já frágil DUDH!
En quarante-cinq ans d'existence (et une longue interruption), Charlie Hebdo a toujours dérangé, c'était bien là d'ailleurs sa raison d'être: faire rire, faire réagir, faire réfléchir. Jusqu'à 2011, c'était surtout dans les tribunaux que la rédaction était attaquée. Jusqu'à l'incendie criminel de 2011. Et jusqu'au massacre de ce mercredi 
(Libération, 7JAN2015)
escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 42

[Clique na imagem, para a ver maior]
O QUE É PERFEITO NÃO PRECISA DE NADA
Sim, talvez tenham razão. 
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, 
Mas essa coisa oculta é a mesma 
Que a coisa sem ser oculta. 
 Na planta, na árvore, na flor 
(Em tudo que vive sem fala 
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), 
No bosque que não é árvores mas bosque, 
Total das árvores sem soma, 
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro 
Que lhes dá a vida; 
Que floresce com o florescer deles 
E é verde no seu verdor.  
No animal e no homem entra. 
Vive por fora por dentro 
É um já dentro por fora, 
Dizem os filósofos que isto é a alma 
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem 
Da maneira como existe.  
E penso que talvez haja entes 
Em que as duas coisas coincidam 
E tenham o mesmo tamanho.  
E que estes entes serão os deuses, 
Que existem porque assim é que completamente se existe, 
Que não morrem porque são iguais a si mesmos, 
Que podem mentir porque não têm divisão [?] 
Entre quem são e quem são, 
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam 
Porque o que é perfeito não precisa de nada.
[Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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EUSÉBIO JÁ TEM RUA EM LISBOA


E qual foi o mérito de Eusébio que justifica que "tenha uma avenida" em Lisboa? Explícito, este: foi futebolista. Palpita-me que há de haver mais qualquer razão escondida na "tabuleta": ter sido futebolista do Benfica? Ter sido futebolista dos tempos e do regime do partido único, da religião única e do clube de futebol único?

...nacionalismo bacoco -- é como designaria eu isto, se a designação me não valesse impropérios e diminuição de popularidade. E temos eleições à porta -- e nunca se sabe se não terá chegado a minha vez de ser candidato. Homem prevenido...

escrito por ai.valhamedeus

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FACTOS (SEM IMPORTÂNCIA)


O detido 44, por ironia do destino e pelo labor do tempo, dá a sua primeira entrevista a um órgão de Comunicação Social (a TVI), um dia após a entrada em funções, como director de informação, de Sérgio Figueiredo.

A ironia não se fica por aqui; este foi o órgão de informação que Pinto dos Santos mais criticou, acolhendo-se agora no seu seio, usando uma liberdade (a de opinião) que tanto combateu!

Considero que JSPS e a TVI, por se tratar de factos do interesse público, cumpriram o seu papel; além de mais, sabemos agora - e está escrito - que da venda de um bem patrimonial da sua mãe, o detido recebeu 75%, deixando 2 sobrinhas a reclamar idêntica percentagem. A ser verdade, o azedume contra a divulgação das perguntas do Expresso
(bem diferentes das da TVI) 
e a confusão que paira já em toda esta correspondência, adensam cada vez mais as dúvidas sobre o limitado espaço de manobra de JS. Se ele refere, apesar da detenção de mais de 30 dias, que isto só agora começou, vamos aguardar.

O inquilino de Belém foi, entretanto, instado
(através de um estranho argumento) 
a pronunciar-se, até porque, daqui a poucos meses, também poderá ser preso. Portugal e presídio, andam perto no alfabeto - e até o número de letras coincide! - se lá forem alojados
(no presídio) 
mais alguns, haveremos de ficar gratos por isso. Quem não nos merece, não deve, em nosso nome, exercer o nobre ofício da política.

escrito por Jerónimo Costa

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COM ESTE GOVERNO, O PAÍS ESTÁ MUITO MELHOR


A Ordem dos Enfermeiros (OE) deu a conhecer neste sábado, 3 de janeiro de 2015, que 2.082 pediram a “Declaração das Diretivas Comunitárias” para trabalhar no estrangeiro. O número de pedidos cresceu desde 2010, atingindo em 2013 o pico de 2.516.


Mas em 2014, o número de pedidos, embora superior a 2.000, baixou 17,3% em relação a 2013. O que significa que, com o incentivo do governo à emigração, o país está cada vez melhor. Continuando assim, é previsível que, num dos próximos anos, a emigração desapareça totalmente: basta que os enfermeiros emigrem todos...

escrito por ai.valhamedeus

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O EUROMILHÕES DE JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA


Não sou leitor, nem esporádico, do Sol
[o tal semanário "que vale por si mesmo" porque "não oferece brindes"... a não ser os que vende, como os restantes periódicos]:
sempre achei, desde o segundo número, que não valia a pena perder tempo com ele. Mas hoje veio-me parar aos olhos um texto de opinião do lambidinho José António Saraiva, publicado no primeiro dia deste 2015, que não resisto a partilhar. Terminada a leitura, fiquei sem saber se é um texto parvo ou tolo ou ambas as coisas.

escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 149. em nome dos portugueses

"Que espera o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para, em nome dos portugueses, intervir [no "caso José Sócrates"] quando dentro de poucos meses o poderão julgar a ele quando terminar o seu mandato presidencial?"
[Mário Soares, num texto de opinião intitulado "O meu amigo Sócrates", publicado no Jornal de Notícias. Negrito meu]

Há circunstâncias em que não sou português. No caso presente, não sou dos portugueses cujo nome é invocado por um presidente da república que já terminou o seu mandato e, portanto, já poderia/deveria ser julgado.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 298. MUSA


Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos.

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, Lisboa, 1996, pág. 140]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 214. "Papel de Natal"

Camila é uma menina alegre e criativa que, um dia, percebe que o seu pai desapareceu sem deixar rasto. Determinada a encontrá-lo, constrói um amigo para a ajudar: um boneco de cartão chamado Dodu. Ele não só ganha vida como parte em busca do pai de Camila num universo paralelo em que tudo é feito de papel. Agora, é preciso resgatá-lo das garras do Monstro Desperdício… 
Dirigido por José Miguel Ribeiro (A Suspeita), uma história de amizade e coragem que pretende sensibilizar o público para a sustentabilidade, fazendo referência a uma "tradição" de Natal com a qual é preciso romper: o desperdício de papel. É deste material que são feitos, literalmente, cenários e personagens. O filme combina animação em "stop motion" com imagens reais.
Fonte: [PÚBLICO]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 41

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DA MINHA JANELA
Mar alto! Ondas quebradas e vencidas 
Num soluçar aflito, murmurado... 
Voo de gaivotas, leve, imaculado, 
Como neves nos píncaros nascidas! 
Sol! Ave a tombar, asas já feridas, 
Batendo ainda num arfar pausado... 
Ó meu doce poente torturado 
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! 
Meu verso de Samain cheio de graça, 
Inda não és clarão já és luar 
Como um branco lilás que se desfaça! 
Amor! Teu coração trago-o no peito... 
Pulsa dentro de mim como este mar 
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
[Florbela Espanca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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CAVALOS DE VENTO


Guardo alguma consideração por António Arnaut. As razões não são muitas, mas basta-me o facto de ter sido um dos principais mentores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do qual, por via do nosso alheamento e da sua transformação em negócio, pouco resta. Fiquei estupefacto por lhe terem devolvido – de Évora – os seus ‘Cavalos de Vento’ que, à semelhança dos castelos de areia, seriam um precioso recurso para retirar um detido da prisão. Pelo menos este artifício, cifrado numa linguagem que só Babel encerra, não teve o efeito pretendido: fazer de Pinto dos Santos 
(nome que indispõe o detido, dizem)
um leitor atento ao rumo dos cavalos e ao sopro do vento. O que me indignou – e pouco entendo de leis – 
(assunto em que Arnaut é especialista)
foi mesmo o desencanto experimentado com o ‘Regulamento Prisional’ que, segundo o causídico, ‘ofende os direitos de cidadania do detido’. O tempo, esse grande ‘engenheiro’ 
(não só dos domingos)
encarregou-se de devolver o seu a seu dono! Arnaut devia saber que o regulamento, com o qual não se conforma, foi gizado 
(e assinado, enquanto primeiro-ministro) 
– para os outros – pelo próprio detido! Nessa altura, teria apreciado ver Arnaut, ofendido com tal disposição, bater-se – até ao esgotamento mediático – pela revogação de disposições que possam ofender os direitos dos detidos, qualquer um! Aí, sim, além da consideração que mantenho, por via do SNS, acresceria outra, que só viria em reforço da primeira.  Quando se fazem leis, seria de elevado engenho ponderar se um dia, mesmo remoto, não estaremos sujeitos a experimentar os seus efeitos. Arnaut devia estar agradecido por ter de volta os seus ‘Cavalos de vento’, com um acréscimo de publicidade, sabendo também que o estatuto de sábios, concedido aos anciãos gregos de antigamente, está muito delapidado nos tempos que correm.

escrito por Jerónimo Costa

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hoje é sábado 297. MANUEL BANDEIRA

Este poeta está
Do outro lado do mar
Mas reconheço a sua voz há muitos anos
E digo ao silêncio os seus versos devagar

Relembrando
O antigo jovem tempo tempo quando
Pelos sombrios corredores da casa antiga
Nas solenes penumbras do silêncio
Eu recitava
"As três mulheres do sabonete Araxá"
E minha avó se espantava

Manuel Bandeira era o maior espanto da minha avó
Quando em manhãs intactas e perdidas
No quarto já então pleno de futura
Saudade
Eu lia
A canção do "Trem de ferro"
E o "Poema do beco"

Tempo antigo lembrança demorada
Quando deixei uma tesoura esquecida nos ramos da cerejeira
Quando
Me sentava nos bancos pintados de fresco
E no Junho inquieto e transparente
As três mulheres do sabonete Araxá
Me acompanhavam
Tão visíveis
Que um eléctrico amarelo as decepava

Estes poemas caminharam comigo e com a brisa
Nos passeados campos da minha juventude
Estes poemas poisaram a sua mão sobre o meu ombro
E foram parte do tempo respirado.
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, 1996, pág. 78]

Resumo (exibido na página inicial) Restante do conteúdo (exibido apenas nas páginas individuais) escrito por ai.valhamedeus Carlos M. E. Lopes Gabriela Correia, Faro Ya Allah Adriana Santos José Alberto, Porto Rico, Jerónimo Costa, Eduardo LG, Argentina

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A alegria do ano

Aproxima-se o fim de 2014, quero dizer, os The best of.



Já elegi a minha alegria de 2014: saber que o preso 44 passará o Natal na choldra.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 40

[Clique na imagem, para a ver maior]

NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurreta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
[David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988. Lisboa, Editorial Presença, 1988]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ZOOM [94] - em falso


escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 296.

lá está o cabrão do velho no deserto, último piso esquerdo,
que nem o diabo ousa
ouvi-lo
quanto mais os anjos do Senhor, os pintaínhos!
[Helder, Herberto, A morte sem mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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