TRUMP(A)

ANIVERSÁRIO DE ESPINOSA


Hoje, é ANIVERSÁRIO DE ESPINOSA, que nasceu a 24 de novembro de 1632.

O meu Baú celebra-o com algumas notas sobre o filósofo, filho de uma família de judeus portugueses emigrados na Holanda. Aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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AS ÚLTIMAS D'O MEU BAÚ


As últimas cinco publicações d'O meu baú:
  1. Personalizar toques do telefone Android, usando determinada música, mas só a partir de determinado ponto dessa música. Ou usar para isso os seus próprios sons (como o nome da pessoa que lhe liga).
  2. Prioridade à abertura, um modo criativo de fotografar: como aproveitar criativamente o modo de fotografar dando prioridade à abertura do diafragma…. A profundidade de campo…
  3. Sócrates, um filme de Rossellini: um filme (completo) sobre este filósofo da antiguidade grega, com realização do mestre italiano Roberto Rossellini.
  4. Equipamento para fotografia no exterior: equipamento (e truques) para fotografar no exterior, designadamente no outono.
  5. A melhor máquina fotográfica para quem inicia: que máquina deve comprar quem quer iniciar-se na fotografia? uma qualquer. As razões (algumas) por que é assim.
escrito por ai.valhamedeus

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OUTONO QUENTE


Não se sabe (não?) de quem é a responsabilidade (pelo menos, a política) do caos em que o Citius transformou os tribunais...
...mas esta Paula da Cruz, há uns anos atrás (em 2008), era lucidamente ativíssima a pedir demissão de ministros:



que se demita ele! a mim, chega-me o pedido de desculpas...


(a notícia, aqui)
No decorrer do dia de quinta-feita e sexta-feira, as notícias davam conta das relações próximas que Miguel Macedo tinha com alguns dos suspeitos, como Albertina Gonçalves, sua ex-sócia na sociedade de advogados, ou António figueiredo, presidente do IRN.


daqui não saio, daqui ninguém me tira!... Irrevogavelmente!


(a notícia, aqui)
Como diria o outro, Porreiro, pá!

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 210. "o menino e o mundo"


O Menino e o Mundo vence o CINANIMA, em Espinho."Melhor Longa Metragem CINANIMA 2014" e "PRÉMIO DO PÚBLICO":



O menino e o mundo faz crítica social pelo olhar de uma criança. Sofrendo com a falta do pai, um menino deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres . Uma animação com várias técnicas artísticas que retrata as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança.
O Menino e O Mundo (O Menino e O Mundo, 2013 / Brasil)
Direção: Alê Abreu
Roteiro: Alê Abreu
Duração: 80 min.

Entrevista com o diretor Alê Abreu


escrito por Adriana Santos

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QUEM NÃO TEM CÃO...

Quem não tem cão caça com gato... ou com rato... ou com o que calha...


A foto superior apresenta o "cenário" em que foram feitas várias fotos. Designadamente, a foto que está em baixo.



Bem sei que olhar o "cenário" faz perder a "poesia" da foto final. Mas poderá também ser um incentivo a quem não tem cão. incentivo a que cace com... o que calhar.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 35

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LLUVIA

La lluvia tiene un vago secreto de ternura,
algo de soñolencia resignada y amable,
una música humilde se despierta con ella
que hace vibrar el alma dormida del paisaje.

Es un besar azul que recibe la Tierra,
el mito primitivo que vuelve a realizarse.
El contacto ya frío de cielo y tierra viejos
con una mansedumbre de atardecer constante.

Es la aurora del fruto. La que nos trae las flores
y nos unge de espíritu santo de los mares.
La que derrama vida sobre las sementeras
y en el alma tristeza de lo que no se sabe.

La nostalgia terrible de una vida perdida,
el fatal sentimiento de haber nacido tarde,
o la ilusión inquieta de un mañana imposible
con la inquietud cercana del color de la carne.

El amor se despierta en el gris de su ritmo,
nuestro cielo interior tiene un triunfo de sangre,
pero nuestro optimismo se convierte en tristeza
al contemplar las gotas muertas en los cristales.

Y son las gotas: ojos de infinito que miran
al infinito blanco que les sirvió de madre.

Cada gota de lluvia tiembla en el cristal turbio
y le dejan divinas heridas de diamante.
Son poetas del agua que han visto y que meditan
lo que la muchedumbre de los ríos no sabe.

¡Oh lluvia silenciosa, sin tormentas ni vientos,
lluvia mansa y serena de esquila y luz suave,
lluvia buena y pacifica que eres la verdadera,
la que llorosa y triste sobre las cosas caes!

¡Oh lluvia franciscana que llevas a tus gotas
almas de fuentes claras y humildes manantiales!
Cuando sobre los campos desciendes lentamente
las rosas de mi pecho con tus sonidos abres.

El canto primitivo que dices al silencio
y la historia sonora que cuentas al ramaje
los comenta llorando mi corazón desierto
en un negro y profundo pentágrama sin clave.

Mi alma tiene tristeza de la lluvia serena,
tristeza resignada de cosa irrealizable,
tengo en el horizonte un lucero encendido
y el corazón me impide que corra a contemplarte.

¡Oh lluvia silenciosa que los árboles aman
y eres sobre el piano dulzura emocionante;
das al alma las mismas nieblas y resonancias
que pones en el alma dormida del paisaje! 
[Federico García Lorca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 293. CASA

A luz do carbureto
que ferve no gasómetro do pátio
e envolve este soneto
num cheiro de laranjas com sulfato
(as asas pantanosas dos insectos
reflectidas nos olhos, no olfacto,
a febre a consumir o meu retrato,
a ameaçar os tectos
da casa que também adoecia
ao contágio da lama
e enfim morria
nos alicerces como uma cama)
a pedregosa luz da poesia
que reconstrói a casa, chama a chama.
[Oliveira, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág.193]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 34

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UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA
Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu. 
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono. 
De sentir é só a janela a que eu assomo. 
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O INÍCIO... DESTE MUNDO


Só uma curiosidade: alguma vez o leitor se perguntou como é que este blogue começou? ;-)

Digo-lho eu, mesmo que se não pergunte. Foi com um post com o título O mundo não é só Washington nem Lisboa. Uma espécie de  chavão que, de certo modo, era o resumo do que pretendia que fosse este espaço -- uma "ideia" inicial que entretanto evoluiria, em formulação de slogan, para ...porque as ideias movem o Mundo. 

Pouco tempo depois, com o texto Morreu um homem perpetuei aqui a memória de um homem com ligações fortes (digamos assim) a um dos colaboradores assíduos do Ai Jesus!.

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PENSAMENTO DO DIA EM VERSO_7

Continuar o caminho que iniciámos
Afirma o Crato sobre a Educação.
Ai, mas o caminho é um beco sem saída!
E ele não vê, não?
escrito por Gabriela Correia, Faro

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A RETROSPETIVA DE JORGE JESUS


Sobre a "pressão" do Vitória de Guimarães
("provisoriamente" a liderar o campeonato), 
diz o grande líder do SLBenfica:
Se se fizer uma retrospetiva para trás...
Ainda bem que é nesse sentido! olha se era para a frente...

escrito por ai.valhamedeus

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ABRIU A CAÇA

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 292. SOLIDÃO

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!

Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!...

(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)
[Fonseca, Manuel, Obra Poética (7ª edição), Editorial Caminho, Lisboa, 1984, pág. 150]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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LIMPAR O INTERIOR DO VIDRO DE UM DIGITALIZADOR


O texto Limpar o vidro do Epson V500, publicado n'O meu baú, pode interessar a quem tenha um digitalizador (designadamente, o Epson V500 Photo) com uma espécie de vapor (poeiras?) a manchar o interior do vidro e a influenciar negativamente as digitalizações. Explica claramente como o limpar.

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 209. "Dripped"

Foi Pollock quem desenvolveu a técnica do dripping (gotejamento) na pintura.

Dripped de Léo Verrier foi selecionado para o Annecy 2011 (Annecy International Animation Film Festival):


Manhattan - No início dos anos 50; Jackson Pollock é um amante apaixonado da arte e visita museus durante todo o dia. Consumido pelo desejo de absorver a inspiração de seus artistas favoritos, ele rouba suas pinturas ... e come-as! Encontrando-se sozinho em seu apartamento depois de ter consumido cada pintura roubada, Jackson ainda sente fome, de modo que tenta pintar com pincel, tinta e tela ... produzindo resultados inesperados!
Fonte: [YouTube]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 33


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CADA DIA SEM GOZO NÃO FOI TEU
Cada dia sem gozo não foi teu 
Foi só durares nele. Quanto vivas 
Sem que o gozes, não vives.  
Não pesa que amas, bebas ou sorrias: 
Basta o reflexo do sol ido na água 
De um charco, se te é grato. 
 Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas 
Seu prazer posto, nenhum dia nega 
A natural ventura!  
[Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa). In Livro de Mágoas]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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FRASE DO SÉC. XXI

Estamos a evoluir
[Nuno Crato (dispensa apresentações)]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 291. GÉNESIS

Temor o tens de ti, meu Deus, eu não.
Temor do amor que possas vir a ter
e de um gesto que faças sem saber
a quem atinges ou proteges. São

bem teus ainda, quando ao coração
reduzem o dever de não morrer
como homens que te percam. Mesmo ver
que a quanto te amam temes... Nenhum pão

aceitam puro em que a vingança esplenda.
A Terra pesa tanto! E a densa venda,
se ao peso dela cai, mostra-os - e vejo-te,

e que não és sem ela nem com ela.
Mas para eles até a ausência é bela.
Não temas: eu abrigo-te e protejo-te.
[Sena, Jorge de, VERBO, Deus como interrogação na Poesia Portuguesa, seleção e prefácio José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia, Assírio & Alvim, s/l, 2014, pág. 63]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 208. "Fallin’ Floyd"


O curta de animação Fallin’ Floyd  fala sobre Floyd, um homem simples, músico de rua que junta seu dinheiro com muito esforço para comprar um anel de noivado e é rejeitado pela namorada. Para além de perder a rapariga ele ganha um novo companheiro, um pequeno demónio preto que representa seus problemas psicológicos.
escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 32


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RUÍNAS
Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras! 
E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras! 
Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar! 
Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… Deixa-os tombar
[Florbela Espanca, Ruínas. In Livro de Mágoas]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [105] francisco, o papa misto


O papa Francisco, desde o início do seu mandato, tem provocado admiração por atitudes que toma e afirmações que faz. Frases "bombásticas" sobre as mães solteiras, quebras de protocolo para assumir posturas "populares",... são recorrentemente divulgadas nos mais diversos sítios, incluindo o popular Facebook.

aqui o disse: acho tudo isso folclore, que não atinge nem sequer belisca o essencial da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). O Papa serve para os dois lados, é um Papa misto: faz e diz coisas que agradam àqueles que gostariam de ver a ICAR renovada, mas a ICAR segue imperturbada o seu anquilosado e anquilosante sendeiro doutrinal.

A última prova foi o sínodo extraordinário dos bispos. Sendo um sínodo assoprado pelos ventos papais, proclamou-se que... agora é que era: homossexuais veriam reconhecido o seu "estatuto"; os divorciados e recasados, o acesso aos sacramentos incluindo o de novo matrimónio. Mas, aproximando-se a reunião do fim, numa declaração também ela mista, os homens do boné vermelho anunciam que sim (que os homossexuais devem ter um lar mais acolhedor -- a ICAR, já se vê), mas que não (que a homossexualidade é condenável)...

E a declaração final é ainda mais mista: acentua "os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal", puxa as orelhas às
"crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício"...
... "criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã". Ora aí está... a sentença para os divorciados! No que toca aos homossexuais, a posição é ainda mais mist(ic)a: é preciso vasculhar pacientemente o documento para encontrar lá vestígios de tal raça.

Abaixo, pois, os imorais atos homossexuais"! viva a indissolubilidade do casamento! Palavra da ICAR! AMEN!

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 290. RÍGIDOS SEIOS

Rígidos seios de redondas, brancas,
frágeis e frescas inserções macias,
cinturas, coxas rodeando as ancas
em que se esconde o corredor dos dias; 
torsos de finas, penugentas, frias,
enxutas linhas que nos rins se prendem,
sexos, testículos, que inertes pendem
de hirsutas liras, longas e vazias 
da crepitante música tangida,
húmida e tersa na sangrenta lida
que a inflada ponta penetrante trila; 
dedos e nádegas, e pernas, dentes,
Assim, no jeito infiel de adolescentes,
a carne espera, incerta, mas tranquila.

[Sena, Jorge de, Antologia Poética, Asa Editores, Porto 2001 (2ª edição), pág. 69]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 31


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CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão 
se havia gente dormindo 
sobre o próprio coração? 
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles 
que não se levantarão... 
Tu és folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
[Cecília Meireles]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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NÃO HÁ FOME QUE NÃO DÊ EM FARTURA


Enquanto Crato continua ministro, mesmo à força, pelo que dizem, sequestrado por Pedro, por ser especialista em implosões em áreas vitais da estrutura social, um professor
[que até já tinha abdicado de o ser] 
foi agora colocado em 95 escolas! Assim como se lhe saísse o Euromilhões sem ter jogado e, pasme-se, contra a sua vontade.

Se isto é apenas notícia do JN sem mais consequências, para além do experimentalismo que tomou conta deste executivo, pode significar que, neste país já nada constitui alarme público e o direito à indignação foi removido das nossas vidas.

Se ao menos em Belém existisse um pr e não um fantasma, este arremedo aziago de governo há muito que tinha sido sepultado nas catacumbas de qualquer inferno. Mas a prioridade do alto dignatário do estado de citius, depois de espreitar o sorriso das vaquinhas açoreanas, passou para a fertilidade do cavalo lusitano. Isso sim, são desígnios da Pátria!

escrito por Jerónimo Costa

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O LAMPEIRO


Hey! hey!

Nasceu uma nova classe no futebol português: o LamPeiro (cruzamento de lampião com tripeiro)

De todos os sinónimos, retenho dois:
  • intrometido, porque o Luís Duque acabou por ver intro-metida uma candidatura à qual não se fez e da qual não sabia, duas horas antes;
  • serôdio (quem mais se pode aproximar do LamPeiro, em termos de imagem, que um dos grandes ícones da infância da geração "25 de Abril": o Guarda Serôdio dos amigos de Gaspar)?

    Já dizia ele, ninguém entra! Nem ninguém sai...fica tudo na mesma.

escrito por ai.que.me.foram.ao.bolso.outra.vez.com

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O GOVERNO DE PORTUGAL É DO OUTRO MUNDO!


A colocação de professores, este ano, foi/está a ser a barafunda que se sabe. Continua a haver escolas sem professores. E a situação continua(rá) problemática. A própria colocação de professores remetida para as escolas parece ter criado problemas, em vez de os resolver...

...mas o primeiro dos ministros de Portugal afirma, alto e bom som...
"ACERTEI QUANDO ESCOLHI CRATO PARA MINISTRO DA EDUCAÇÃO".
Em que país estamos, ó deuses?

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 289. ALMINHA

Às vezes eu ando nas ruas
Pesado como nos sonhos
Com a loucura pousada nos ombros
Sinto vontades estranhas
Como pequenas alminhas
Sugerindo outros rumos
- Vai ser advogado, vai! Ficar dentro de um terno
o dia inteiro nas portas dos tribunais!
- Vai ser morador de rua, vai! Ser dono de nada
num meio de u tudo!
- Vai ser soldado, vai! Passar a vida de guarda,
vendo a vida passar!
Tem cada alminha mais sem graça…
Ainda bem que sei
Que a loucura é coisa que dá, mas passa.
[Sá, Vicente, Engenho da Loucura, ed. do autor (?), Brasília, 2011, pág. 21]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 207. "LILA"

A BELEZA ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM VÊ


"LILA" from Carlos Lascano

"Temos a arte para não morrer da verdade"
[Friedrich Nietzsche]

escrito por Adriana Santos

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CAFÉ E PACOTES DE AÇÚCAR

É um ícone. Urbano e cosmopolita. Mutante e mutável. Reinventa-se e faz-nos «companhia» nos momentos especiais e naqueles que achamos menos especiais. É ritual de culto, de charme e de glamour. Num gole de café expressam-se mil bagos de sensações. Emoções. Aromáticas. Mais ou menos amargas, mais ou menos doces, mais ou menos quentes, ou até mesmo geladas. Numa chávena de café cabem universos mágicos, daqueles que nos transportam para outras histórias de nós. Ele também tem a sua história, aliás, histórias. Lendas que fazem dele algo que consumimos de forma quase mística. Envolto em negócios secretos, em enredos amorosos, em coisas do demónio, dos anjos ou, simplesmente, banais. O café atravessou séculos, resistiu a tudo e impôs-se como um conceito. Sim, haverá outra bebida no mundo que possa provocar igual sedução quotidiana como o café? Curto, cheio, de saco ou expresso, com ou sem açúcar, pingado ou com cheirinho, escaldado ou gelado... cada café, Arábico ou Robusto, tem a sua personalidade. 
É nessa essência que nos enfeitiça. Sozinhos, tomamo-lo num momento de pausa, só nosso. Em companhia, tomamo-lo com amigos ou a dois, oferecemo-lo como cartão de cortesia e também o tomamos como pretexto de encontros e desencontros. À volta de um café dão-se muitas outras voltas. Aceita um café?
COM OU SEM AÇÚCAR
Porque adoçamos, geralmente, o café? Há quem explique que este acto acompanhou desde cedo os consumidores desta bebida milenar por ela ser demasiado forte e amarga, o que em muito contribui a fase de torração dos bagos de café. Também há especialistas que defendem a ideia de que se o café for de alta qualidade, suave e aromático, não deve ser adoçado. Existem até estudos, alguns bem recentes, como aquele que a Universidade de Barcelona divulgou, em que se assegura que a aliança entre cafeína e glicose eleva os niveis de atenção e de inteligência. Contudo, e como o café é e continuará a ser um ícone, o seu lado mais romântico e até social espalhou-se, como que por osmose, aos famosos pacotes de açúcar. 

Há até em Portugal, como também por outras paragens do mundo, associações e clubes de coleccionadores de pacotinhos de açúcar. Há muito que as marcas se aperceberam que num simples pacote de açúcar era possível passar várias mensagens. Tal como acontece, por exemplo, em t-shirts impressas com frases ideológicas. Num mercado tendencialmente voltado para o indivíduo como um ser único e especial, os pacotes de açúcar reinventaram-se no seu próprio conceito e hoje encontramos estas doces embalagens rectangulares carregadas de significado. Muitas marcas, algumas mais do que outras, apostam em campanhas de sucesso com frases a que ninguém fica indiferente. Quanto ao adoçante, a controvérsia subsiste e está sistematicamente agarrada a estudos. Mas seja lá como for - com ou sem açúcar, com ou sem adoçante - o café mantêm o lado mais dócil da vida. Na companhia de uma «bica» ou de um «cimbalino», de um “expresso” cheio ou de uma «italiana», esta é a bebida que romanceia e nos faz divagar por outras paragens. 
[Carla CONCEIÇÃO. Café: momentos de paixão. Gavião: Ramiro Leão, 2011, p. 7 e 21. Negritos meus]

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 30


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LA PLENITUD 
Delante está el carmín de la emoción.
Y al fondo de la vida,
por el suave azul nublado,
entre las cobres hojas últimas
que se curvan en éstasis de gloria,
la eterna plenitud desnuda.

(Y el agua una se ve más.
El color es más él, más sólo él,
el olor solo tiene un ámbito mayor, 
el calor todo se oye más.
Y grita
en el aire, en el agua,
sobre el calor, sobre el olor, sobre el color,
ante el carmín de la pasión segunda,
la esterna plenitud desnuda.)

¡Armonía sin fin, gran armonía
de lo que se despide sin cuidado,
en luz de oro para luego verde,
que ha de ver tantas veces todavía,
ante el carmín de la ilusión,
la interna plenitud desnuda!
[Juan Ramón Jiménez]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [105] nem a virgem gostou disto

Nem meio ano aguentou por cá!


escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 288. NÃO SE MATE

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate
[Andrade, Carlos Drummond de, Antologia Poética, Editora Record, Rio de Janeiro S. Paulo, 1999, pág. 147]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 206. " 7°anão - o pequeno herói


Sinopse
Quando Bobo, o mais novo dos sete anões, pica acidentalmente a Princesa Rose (também conhecida como Bela Adormecida), e lança o Reino num século de sono, ele e os outros seis anões têm de viajar até ao futuro para acordar Rose... e descobrir que até o mais pequeno anão pode ser Rei.

escrito por Adriana Santos

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QUE RAZÃO MANTÉM DE PÉ ESTA FICÇÃO?


Crato, além de fingir de ministro, desautorizar a matemática, considerar (só) as Universidades de Lisboa 'extraordinárias' e se assumir como uma ficção, tornou-se, talvez por efeito de uma dieta de espinafres, especialista em gramática.

O verbo manter - e apenas em duas flexões - é, por enquanto, o seu mais recente contributo para 'esclarificar' a nano diferença entre mantêm-se e manter-se-ão. Os tribunais, onde pontua uma figura tão ficcional
(e cómica) 
como a justiça que nos tutela, poderão ser chamados a dirimir
(no Citius)
a proeminente questão gramatical e, se houver lugar a qualquer indemnização, por reiterada e abusiva incompetência de quem toma decisões aparentadas com a loucura, o erário público, sustentado pelos já acostumados contribuintes, será chamado, por razões gramaticais, creio, a prestar contas.

Se até o 'espírito santo', com tantas garantias do altíssimo, acabou por se estatelar sem a ousadia de um Ícaro, que razão mantém de pé uma ficção ministerial que mais não faz do que estatelar-se, sem nunca ter conseguido
(sequer) 
tentar 'voar'?

escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 29


[Clique na imagem, para a ver maior]

ENCRUZILHADA
A cada amanhecer, novos mistérios
Que escondem os pesares do mal
A cada folha que cai, uma quimera
Que embalou o sonho e se fez real

Choramos, hoje, a mágoa de ontem
Sepultando-a em cova rasa
Nossas esperanças, nossas utopias
Na dúvida de tantas filosofias
Na angústia cruel que o peito arrasa
Vagamos sem lume pelas noites frias

E nos desencontros de nossas pobres almas 
O vazio nos arrebata por completo
Cada um seguiu seu caminho errante
Afogado na mágoa, na busca constante
Do encontro verdadeiro e certo
E nunca olhamos quem está por perto
E sempre procuramos viver num outro instante

Perdemo-nos em nossos descaminhos
Preconceitos e discórdias foram nossas marcas
Esquecemo-nos do simples numa busca vã
Do impossível que não vem com o amanhã
Se nossos sonhos não se encontram
Desviam-se em cada encruzilhada
E seguem solitários, tristes, nessa estrada.
[Paulo Gondim]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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LEIT(e)URAS [59] a república


Campos Monteiro terá sido um médico e monárquico que escreveu uma bem humorada crónica dos últimos tempos da 1ª República. A coisa não era muito diferente do que temos assistido hoje.
Por exemplo, a indicação do Ministro da Instrução e Negócios Estrangeiros:
– Então você vai indicar para ministro da Instrução um homem que não tem exame de instrução primária?  
- O João Camoesas poucos exames tinha, e fez um bom lugar – respondia o interpelado.
- Mas, Doutor Paulo, ministro dos estrangeiros, um homem que fala apenas a língua portuguesa, e mal! 
- Vocês verão como ele se faz compreender, por mímica, por todos os embaixadores. Tem às vezes gestos tão expressivos!

E é neste tom divertido que o Dr. Campos Monteiro nos vai relatando as peripécias do estertor da 1ª República. Julgo que ele exagera, mas é uma crónica bem-humorada.

Diz ele que
já Guerra Junqueiro asseverava que n´este doce paiz á beira-mar plantado se não inutilizava um politico nem correndo-lhe por cima um cilindro de estrada. (pág. 177)
Haverá semelhanças com os tempos de agora?

Transcrevo aqui a passagem relativa a António Sérgio (esse mesmo, o dos ensaios…)
o perceptor e guia de todos os seus colegas, com mais preponderância no ministério que o próprio José Domingos [presidente do governo], era António Sérgio. Singular figura esta, simpática pelo talento e faculdades de trabalho, mas irritante, enormemente rebarbativa pela vaidade desmedida e pelo seu doentio anceio de originalidade e supremacia intelectual! Se um critério definido, e desviado de uma sã orientação filosófica, serviram-lhe a inteligência e a memória para encher o craneo de teias de aranha, - uma rede inextricável de teorias a que pedantescamente chamava «humanismo crítico» como podia chamar-lhe outra coisa. E a convicção de ser ele o único homem inteligente n'um paiz de estupidos enchera-o de uma filáucia ridícula, levando-o a pontificar ex-catedra e a impor as suas opiniões com uma embófia de brahamane senhor dos profundos mistérios do Rog-Veda (pág 175-176).

Há aqui algum despeito, mas o clima geral é bem disposto e dá-nos a sensação de déjà vu. Por exemplo, após a vitória da revolta, a tropa foi toda promovida dois postos. Resultado: em Lisboa passou a haver 10 000 sargentos e nenhum soldado...

Procurem. Este emprestaram-me, mas já o vi a 6€ e a 18…
(há várias edições. Esta é a mais interessante. Nas transcrições mantive a pontuação e a grafia do livro citado).
escrito por Carlos M. E. Lopes

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EX-CITAÇÕES * 148. escócias de outra vida

… Quem mais contribuiu para revigorar o nacionalismo escocês foi a desastrosa mrs. Thatcher, quando impôs à Escócia reformas de “liberalização económica”que, pelas suas nefastas consequências (nalgumas comunidades o desemprego atingiu 80%), não foram adoptadas no resto do Reino Unido…. 
… Enquanto que na Inglaterra as universidades têm vindo a ser transformadas em empresas comerciais (os alunos são agora “clientes” endividados), o ensino universitário escocês continua a ser implementado como um investimento público. E o Serviço Nacional de Saúde, que está a ser gradualmente privatizado na Inglaterra, continua a ser grátis na Escócia…. 
… O facto é que a Escócia tem conseguido assegurar a manutenção de benefícios sociais que estão a ser destruídos na Inglaterra à custa, em larga medida, da economia global do Reino Unido de que a Inglaterra é a parte dominante… 
… Oh, cínica Inglaterra! Como bem dizia o iracundo Junqueiro quando foi do Ultimato. Nesse tempo, o nosso sentimento nacionalista foi tão intenso que até quisemos comprar à Inglaterra um naviozito de guerra… para invadir a Inglaterra!... 
… Não sendo inglês nem escocês, mas residente nestas paragens há mais de meio século (e com uma confessada simpatia pela Escócia que aplaude os nossos futebolistas nos jogos contra a Inglaterra), o que eu gostaria é que houvesse maior autonomia da Escócia no contexto do Reino Unido e menor autonomia do Reino Unido no contexto duma União Europeia mais equitativa. Deixando o nacionalismo para os hinos e os jogos de futebol. ….
[Hélder Macedo, escritor, poeta]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ESCRITARIA 2014


A Escritaria, em Penafiel, termina hoje. O programa está aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 287.

Julgam-me mui sabedor.
E é tão grande o meu saber
que desconheço o valor
das quadras que sei fazer
[António Aleixo in Poetas e Prosadores Algarvios de Elviro Rocha Gomes, Algarve em Foco Editora, Faro, 1999, pág. 42]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS LIVROS E AS LIVRARIAS

Tenho por hábito abraçar causas perdidas. Cada qual nasce para o que nasce…

Tenho estado com alguma atenção ao que se passa no mundo livreiro. Um dia, por azar, tive a ousadia de dizer na Buchholz

(também vou a lugares últimas a finos), 
na apresentação de um livro, que o livro, como o conhecíamos, tinha os dias contados. Fui insultado pela minha amiga Cristina, gerente da loja.

Entretanto fecharam não sei quantas livrarias. Uma das últimas o Pátio de Letras em Faro, que recebeu inúmeros escritores e intelectuais e que não souberam ou ignoraram o “evento”. A Liliana merecia mais consideração. O Pátio de Letras era o verdadeiro Centro Cultural do Algarve
(cheguei a dizê-lo lá).
Entretanto havia fechado a Bertrand na Guia. E tantas outras. O fecho é inevitável e vai varrer ainda mais o país. Estou crente que que em breve a FNAC fará o mesmo…
Leio no El Pais
(dou-me a esse luxo, de vez em quando…) 
que uns “espertos” ibero-americanos se reuniram em Madrid para discutir “los libros y los lectores” (1 de octobre de 2014). E aí vem a lenga lenga do costume: “a indústria editorial e os governos fracassaram na hora de forjar novos leitores e novos planos de fomento da leitura”
(a tradução é minha e não dos “espertos” do aijesus).
A “coisa” expande-se por todo o mundo: a leitura tem descido. O aumento da leitura dos livros digitais não colmata a queda geral. Que fazer? Há que fazer?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 28


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ENTARDECER
Sol-posto ungindo o mar: incensos de ouro!

Recolhe funda a tarde em sonho e mágoa.
Surdina fluida: anda o silêncio a orar –
E há crepúsculos de asas e, na água,
O céu é mármore extático a cismar!

E nas faces marmóreas dos rochedos
Esboçam-se perfis,
- Cintilações,
Penumbra de segredos!

Ó painéis de nuvens sobre a terra,
Ogivas delirantes
Na água refratando…
Encheis de sombra o mar de espumas rasas,
Iniciando
A hora pânica das asas!

E, à meia luz da tarde,
Na areia requeimada,
São vultos sonolentos
As proas dos navios…

Ó tristeza dos balões
Iluminando,
Na água prateada,
Os pegos e baixios…

Dormentes constelações
Que, em fundos lacustres
E musgosos,
Pondes reverberações
Em nossos olhos ansiosos.

Ó tardes de aquático esplendor,
Descendo em meu olhar!

Num sonho de regresso,
Numa ânsia de voltar,
Em mim todo me esqueço
E fico-me a cismar.

A tarde é toda um sonho moribundo.
É já olor da cor que amorteceu.
O céu vive no mar: sono profundo.
A asa do rumor no ar adormeceu!
[Luís de Montalvor, in Antologia Poética]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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GESTORES MERDIONÁRIOS

No top dos prémios milionários (com 804 mil euros!), um tal Ricardo Salgado.



...prémios milionários para, supostamente, gerirem (bem). De repente, descobre-se que, afinal, em vez da boa gestão fizeram... merda.

escrito por ai.valhamedeus

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CHAMA O ANTÓNIO


Nas eleições primárias (do PS) de ontem, leio, o António perdeu; quem ganhou foi o António.

Como homenagem a ambos, recordo uma popularíssima canção, conhecida pela sua qualidade (ao melhor nível dos ex-debates televisivos e da ex-campanha eleitoral):


escrito por ai.valhamedeus

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O QUE VEM À REDE * 4



... e a pirataria está agora (mais) legitimada.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 286. A JOVEM PEREIRA...


[Lopes, Teresa Rita, O Sul dos Meus Sonhos, Gente Singular, Olhão, 2009, pág. 72]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 205. " O Jogo de Geri”


Geri's Game (O Jogo de Geri) é um filme de curta-metragem de 1997 realizado pela Pixar Animation Studios, que vem como bônus do filme Vida de Inseto da Disney em parceria com a Pixar. O curta também foi exibido nos cinemas junto com o filme Vida de Inseto.

Sinopse
O curta se passa em um parque e conta a história de um simpático velhinho chamado Geri que joga xadrez contra ele mesmo, de um lado ele é do bem e de outro lado ele é do mal. Seu lado mau está ganhando e faz seu lado bom quase ter um ataque cardíaco, Mas seu lado bom consegue virar o jogo (literalmente).

Geri aparece também em Toy Story 2, como o restaurador de brinquedos.
Fonte: [http://pt.wikipedia.org/wiki/Geri%27s_Game]

escrito por Adriana Santos

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LEIT(e)URAS [57] afirma pereira




Antonio Tabucchi nasceu há 71 anos, completados ontem, O meu baú festejou-os com uma síntese de Afirma Pereira, um romance histórico do escritor falecido há dois anos.

escrito por ai.valhamedeus

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PENSAMENTO DO DIA

A propósito da salsicha, do Citius, da fórmula matemática, etc., etc., ocorreu-me uma comparação, por contraste: sabem qual é a diferença entre o Rei Midas e este governo? É que Midas transformava tudo aquilo em que tocava em ouro.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 27


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SORRISO AUDÍVEL DAS FOLHAS 
Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
 
Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.
 
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?
[Fernando Pessoa, in Poesias]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O GOVERNO DOS ERROS E DA SALSICHA

Tudo indica que está em extensão a ligação dos dirigentes do PSD às comidas. Só que, a ser verdade esta minha tese, a qualidade decresce na mesma proporção...

Na campanha eleitoral de 2002, Margarida Sousa Uva dedicou um excerto do poema "sigamos o cherne", de Alexandre O'Neill, ao marido, Durão Barroso, a partir daí conhecido como o Cherne.



Agora, Passos Coelho (auto)associa-se à salsicha. Diz ele

[piadeticamente -- ou, se não, pindericamente. De qualquer modo, com muito mau gosto: as salsichas são cheias com... a gente sabe/adivinha com quê]
que
sabemos [sabemos?! quem é que sabe?] melhor do que ninguém que aumentar a chamada salsicha educativa não é a mesma coisa que ter um bom resultado educativo
Será que, brevemente, o primeiro deste país virá pedir desculpa, mais uma vez
[repetindo o que ele próprio já fez e os ministros dele estão a fazer -- recorde-se a ministra da justiça e o da educação]?
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 285. TABERNEIROS

Numa sórdida tasca, húmida e escura,
O taberneiro, de a bonacheirão,
Como quem tem nas mãos o coração,
Vende, por bom, uma banal mistura…

E o freguês, pobre e ingénua criatura,
Que rejeitar devia a podridão,
Bebe-a com tal prazer, sofreguidão
Que chega a ser bem cómica figura!

Fazendo, assim, por aumentar a pança
do jovial e oleoso vendedeiro
Que, mal o vê em cega contradança,

O invectiva de besta, de casmurro;
E, em paga de ficar com seu dinheiro
Prega-lhe violento e forte murro!
[Gago, Adolfo C., Lágrimas de Luz/ Sob o império da verdade, Edição da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António (prefácio de Teresa Patrício), VRSA, 2001, pág.31-32 (do Sob o Império da Verdade)]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 204. "Intolerância”


Sinopse:
O tema abordado pelo filme é a intolerância entre as pessoas. O curta tem como herói da história um personagem que acorda depois de um longo sono, no final da última era glaciar. Seu raciocínio não é algo que deva ser invejado, mas mesmo assim esse personagem é capaz de iniciar e realizar algo grandioso...
O filme curta-metragem animado Tolerantia foi inteiramente criado em 2008 por Ivan Ramadan, incluindo: produção, direção, roteiro, edição, animação, som e pós-produção.

Nascido e criado na Bósnia, em meio a um ambiente devastado pela guerra, Ivan encontrou na magia da animação a expressão de todo o seu talento artístico.

Tolerantia foi o primeiro curta-metragem de animação 3D produzido na Bósnia e Herzegovina. O filme foi premiado com o "Heart of Sarajevo", prêmio de melhor curta-metragem no 14º Festival de Cinema de Sarajevo. Ganhou o Prix UIP, prêmio que o indicou automaticamente para European Film Academy Awards 2008. O filme já foi exibido em cerca de 30 festivais ao redor do mundo até o momento, recebendo diversos prêmios.

Fonte: [http://www.oficinadegerencia.com/2014/03/voce-e-intolerante.html]

escrito por Adriana Santos

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ANDA TUDO MAL -32- a fortuna de carlos slim


Este da foto é o empresário mexicano Carlos Slim, novamente o mais rico do globo, segundo a revista 'Forbes',..

...com uma fortuna de 85.800 milhões de dólares, uma quantia equivalente ao PIB do Uruguai e da Bolívia juntos. Ou, se se preferir, uma quantia superior ao PIB de 127 países do mundo.

...mais uma prova de que se pode ser verdadeiramente rico. Se outros não o conseguem, é porque não trabalham como trabalha o senhor Slim (um exemplo a seguir pelos habitantes daqueles 127 países). Não trabalham... ou qualquer coisa assim...

escrito por ai.valhamedeus

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OS ERROS DO CRATO

Ontem, a ministra da justiça assumiu as responsabilidades políticas do falhanço do Citius. E quais as consequências dessas responsabilidades? (parece que) nenhumas.


Hoje, depois de muitos protestos dos professores, o ministro da educação reconheceu os erros do último concurso dos professores. E quais as consequências? Crato aceita a demissão do director-geral.

Para os políticos, vale tudo
[nunca percebi esse conceito estranho de responsabilidade política].
Vamos aplicar isto aos profissionais a sério. Um médico erra: assume publicamente as suas responsabilidades e... prontussss! Um professor faz merda
[ao que parece, foi isso que o ministério da educação fez]
numa aula: reconhece o erro e... aceita a demissão... do funcionário de serviço no piso.

escrito por ai.valhamedeus

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FRASE DO MILÉNIO – O SEGUNDO

A austeridade é para a EU uma “ideia barata” – “barata” enquanto insecto… Quando pensamos que estava morta, reaparece.
[Paul Krugman (citado por Eduardo Paz Ferreira)]

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O CITIUS DA MINISTRA



A ministra da Justiça diz assumir as responsabilidades políticas da barafunda em que se transformou o CITIUS... ...ok. assume as responsabilidades -- e quais são as consequências disso?

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 26



[Clique na imagem, para a ver maior]

DEL HIGO
Te propongo
la dulzura del higo,
su carne sonrosada,
replegada y húmeda
como un animal marino.
 
Goza el misterio de este fruto,
su textura de molusco,
su íntimo tamaño.
Tersa,
su pulpa
apremiará el deseo
de tu lengua.
 
Te propongo
las delicias del higo.
Muerde su violado,
desamparado centro,
prueba de nuevo -empecinado-
su carne
que guarda mieles y diluvios.
 
Las delicias y dulzura del higo
-pequeño y desbordado-
tan sólo te propongo.
Que tu boca profunda
se demore
en el dulzor secreto,
que asalte con lentitud
su carne desvelada.
 
Deja que a tu paladar
traiga la memoria
de sabores primitivos.
[Carmen Matute]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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E ESTA, HEIN!... 22

O mal sempre aconteceu pela acção de poucos e pela omissão de muitos, às vezes de milhões. Essa conivência preocupa-me. A nossa classe dirigente, que anda sempre associada às palavras incompetência e corrupção, não é muito vasta. Somos infinitamente mais. Por que razão estamos parados?
[Dulce Maria Cardoso, escritora]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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A LURDES FOI CONDENADA. DISCORDO DOS TRIBUNAIS


Esta, que dá pelo nome de Maria de Lurdes Rodrigues,
[ex-ministra da educação, de muito má memória, de um governo xuxa de Sócrates, de muito má memória]
foi condenada a três anos e seis meses de prisão. Com ela, foram também condenados João Pedroso e João da Silva Batista
[este, secretário-geral do Ministério da Educação do mesmo governo xuxa].
Razão:  João Pedroso
[irmão do antigo ministro xuxa Paulo Pedroso]
foi contratado pelo ministério dos xuxas, por ajuste direto, para coordenador de um grupo de trabalho responsável pela compilação e sistematização da legislação do Ministério da Educação
{rico contrato!, digo eu]
e que, em 2007, envolveu um segundo contrato no valor de 220 mil euros (mais IVA), que não chegou a ser cumprido pelo irmão de Paulo Pedroso.

A Lurdes condenada discorda e trata mal os tribunais. E eu, também: as referidas penas foram suspensas; mas que raio de justificação justificará tal suspensão?

escrito por ai.valhamedeus

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LEMBRANDO UM OUTRO 11 DE SETEMBRO

1973. CHILE.


escrito por ai.valhamedeus

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