Aproxima-se o fim de 2014, quero dizer, os The best of.
Já elegi a minha alegria de 2014: saber que o preso 44 passará o Natal na choldra.
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
Aproxima-se o fim de 2014, quero dizer, os The best of.
NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?[David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988. Lisboa, Editorial Presença, 1988]
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurreta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
lá está o cabrão do velho no deserto, último piso esquerdo,[Helder, Herberto, A morte sem mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 41]
que nem o diabo ousa
ouvi-lo
quanto mais os anjos do Senhor, os pintaínhos!
O Ai Jesus! arquivou vários casos de evacuação. Eusébio foi evacuado. Portugueses foram evacuados no Egito...
TEIA
Vem até à minha teia[Maria Teresa Horta. (Inédito)]
diz a escritora ao amado
Sedução de corpo e veia
de fuso e de palavras
de fio de sede e de espada
E de saliva fiada
Vem até à minha história
diz a escritora ao amado
Vem até á minha escrita
inventando
as personagens
Meu poema
Meu enredo
Minha rede de palavras»
Versos[OLIVEIRA, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág. 178]
e lágrimas, deixai-me
Incendiar
o reino da memória
entrançar
o cabelo
pela última vez
à imagem desolada
que tanto me enleou
no seu amor
e arder
ou achar enfim
repouso.
O bombardeamento de Guernica e o trabalho artístico do pintor José Luis Zumeta e do compositor Mikel Laboa, criado para evocar o evento trágico, ganham vida e inspiram este documentário animado.REALIZAÇÃO: Ángel Sandimas;
QUEM SABE?!
Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,[Florbela Espanca, O Livro d'ele (1915-1917) in Poesia Completa]
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!
(maçã, romã?)foi de se verem nus e terem vergonha
(de quê, não se sabe).O homem
(Deus)não se conteve e proferiu uma sentença ou decisão semelhante ao juiz Matateu de Loulé (*): atingiu a família e, no caso de deus, as gerações futuras
(tal como a tróica...):“com o suor do teu rosto comerás o pão pois és pó e ao pó voltarás”. Um inferno, desejou Deus.
(*) O juiz Matateu, nos anos sessenta, em Loulé, mandou prender a mulher de um cigano que ousou falecer a oito dias de ter cumprido a pena...escrito por Carlos M. E. Lopes LEIA O RESTANTE >>
… O percurso por Lábios de Maçã em Abril, de Ilda Figueiredo e Agostinho Santos é um traçado pelas referências da história do mundo, em que a afectividade tinge legados inestimáveis e memórias que importa não perder, sob pena de leviandade…. A glória de Abril só pode ser destruída pela incúria dos imbecis. Apenas quem não entende o mais elementar da vida pode desentender a conquista da democracia e toda a aspiração à Liberdade e à Igualdade. É a imbecilidade, para não dizer o crime, que nos destrói o Estado de Direito Social, não a economia. A economia tem de ser um instrumento, não pode ser um fim. A Democracia tem de ser um fim, não pode ser um instrumento. O levantamento da Humanidade acima da miséria material e espiritual e do abandono tem de ser o centro de todas as coisas. …[Valter Hugo Mãe]
Spot oficial para o 50º aniversário da Amnistia Internacional, dirigido por Carlos Lascano, produzido por Eallin Motion Art em parceria com o Dreamlife Studio. A música é do premiado Hans Zimmer e Nominee Lorne Balfe.Ano: 2011
NOTURNO
Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,[Antero de Quental, in Sonetos]
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo[Júdice, Nuno, Pedro Lembrando Inês, (distribuído com a Visão) Bertrand, Alfragide, 2009, pág. 39]
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas na trepadeira do quintal.
Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.
Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.
Em desenho 2D animado por computador, o filme relaciona o percurso de vida de um homem com um trajeto de comboio pelo interior do país.escrito por Adriana Santos LEIA O RESTANTE >>
PEQUENA FLOR
Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
e se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
na seda frágil e preservar o perfume que aí dorme,
e vê passarem as leves borboletas livremente,
e ouve cantarem os pássaros acordados sem angústia,
e o sol claro do dia as claras estátuas beijando sente,
e espera que se desprenda o excessivo, húmido orvalho pousado,
trémulo, e sabe que talvez o vento
a libertasse, porém a desprenderia do galho,
e nesse temor e esperança aguarda o mistério transida[Cecília Meireles, 2006]
– assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida.
O menino e o mundo faz crítica social pelo olhar de uma criança. Sofrendo com a falta do pai, um menino deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres . Uma animação com várias técnicas artísticas que retrata as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança.
Quem não tem cão caça com gato... ou com rato... ou com o que calha...

LLUVIA
[Federico García Lorca]
La lluvia tiene un vago secreto de ternura,
algo de soñolencia resignada y amable,
una música humilde se despierta con ella
que hace vibrar el alma dormida del paisaje.
Es un besar azul que recibe la Tierra,
el mito primitivo que vuelve a realizarse.
El contacto ya frío de cielo y tierra viejos
con una mansedumbre de atardecer constante.
Es la aurora del fruto. La que nos trae las flores
y nos unge de espíritu santo de los mares.
La que derrama vida sobre las sementeras
y en el alma tristeza de lo que no se sabe.
La nostalgia terrible de una vida perdida,
el fatal sentimiento de haber nacido tarde,
o la ilusión inquieta de un mañana imposible
con la inquietud cercana del color de la carne.
El amor se despierta en el gris de su ritmo,
nuestro cielo interior tiene un triunfo de sangre,
pero nuestro optimismo se convierte en tristeza
al contemplar las gotas muertas en los cristales.
Y son las gotas: ojos de infinito que miran
al infinito blanco que les sirvió de madre.
Cada gota de lluvia tiembla en el cristal turbio
y le dejan divinas heridas de diamante.
Son poetas del agua que han visto y que meditan
lo que la muchedumbre de los ríos no sabe.
¡Oh lluvia silenciosa, sin tormentas ni vientos,
lluvia mansa y serena de esquila y luz suave,
lluvia buena y pacifica que eres la verdadera,
la que llorosa y triste sobre las cosas caes!
¡Oh lluvia franciscana que llevas a tus gotas
almas de fuentes claras y humildes manantiales!
Cuando sobre los campos desciendes lentamente
las rosas de mi pecho con tus sonidos abres.
El canto primitivo que dices al silencio
y la historia sonora que cuentas al ramaje
los comenta llorando mi corazón desierto
en un negro y profundo pentágrama sin clave.
Mi alma tiene tristeza de la lluvia serena,
tristeza resignada de cosa irrealizable,
tengo en el horizonte un lucero encendido
y el corazón me impide que corra a contemplarte.
¡Oh lluvia silenciosa que los árboles aman
y eres sobre el piano dulzura emocionante;
das al alma las mismas nieblas y resonancias
que pones en el alma dormida del paisaje!
A luz do carbureto[Oliveira, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág.193]
que ferve no gasómetro do pátio
e envolve este soneto
num cheiro de laranjas com sulfato
(as asas pantanosas dos insectos
reflectidas nos olhos, no olfacto,
a febre a consumir o meu retrato,
a ameaçar os tectos
da casa que também adoecia
ao contágio da lama
e enfim morria
nos alicerces como uma cama)
a pedregosa luz da poesia
que reconstrói a casa, chama a chama.
UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA
Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,[Fernando Pessoa]
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
Continuar o caminho que iniciámosescrito por Gabriela Correia, Faro LEIA O RESTANTE >>
Afirma o Crato sobre a Educação.
Ai, mas o caminho é um beco sem saída!
E ele não vê, não?
("provisoriamente" a liderar o campeonato),diz o grande líder do SLBenfica:
Se se fizer uma retrospetiva para trás...Ainda bem que é nesse sentido! olha se era para a frente...
Que venham todos os pobres da Terra[Fonseca, Manuel, Obra Poética (7ª edição), Editorial Caminho, Lisboa, 1984, pág. 150]
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!
Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!...
(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)
Foi Pollock quem desenvolveu a técnica do dripping (gotejamento) na pintura.
Dripped de Léo Verrier foi selecionado para o Annecy 2011 (Annecy International Animation Film Festival):
Manhattan - No início dos anos 50; Jackson Pollock é um amante apaixonado da arte e visita museus durante todo o dia. Consumido pelo desejo de absorver a inspiração de seus artistas favoritos, ele rouba suas pinturas ... e come-as! Encontrando-se sozinho em seu apartamento depois de ter consumido cada pintura roubada, Jackson ainda sente fome, de modo que tenta pintar com pincel, tinta e tela ... produzindo resultados inesperados!Fonte: [YouTube]
CADA DIA SEM GOZO NÃO FOI TEU
Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas[Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa). In Livro de Mágoas]
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Estamos a evoluir[Nuno Crato (dispensa apresentações)]
Temor o tens de ti, meu Deus, eu não.[Sena, Jorge de, VERBO, Deus como interrogação na Poesia Portuguesa, seleção e prefácio José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia, Assírio & Alvim, s/l, 2014, pág. 63]
Temor do amor que possas vir a ter
e de um gesto que faças sem saber
a quem atinges ou proteges. São
bem teus ainda, quando ao coração
reduzem o dever de não morrer
como homens que te percam. Mesmo ver
que a quanto te amam temes... Nenhum pão
aceitam puro em que a vingança esplenda.
A Terra pesa tanto! E a densa venda,
se ao peso dela cai, mostra-os - e vejo-te,
e que não és sem ela nem com ela.
Mas para eles até a ausência é bela.
Não temas: eu abrigo-te e protejo-te.
O curta de animação Fallin’ Floyd fala sobre Floyd, um homem simples, músico de rua que junta seu dinheiro com muito esforço para comprar um anel de noivado e é rejeitado pela namorada. Para além de perder a rapariga ele ganha um novo companheiro, um pequeno demónio preto que representa seus problemas psicológicos.escrito por Adriana Santos LEIA O RESTANTE >>
RUÍNAS
Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!
E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!
Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!
Sonhos que tombam! Derrocada louca![Florbela Espanca, Ruínas. In Livro de Mágoas]
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… Deixa-os tombar
"crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício"...... "criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã". Ora aí está... a sentença para os divorciados! No que toca aos homossexuais, a posição é ainda mais mist(ic)a: é preciso vasculhar pacientemente o documento para encontrar lá vestígios de tal raça.
Rígidos seios de redondas, brancas,
frágeis e frescas inserções macias,
cinturas, coxas rodeando as ancas
em que se esconde o corredor dos dias;
torsos de finas, penugentas, frias,
enxutas linhas que nos rins se prendem,
sexos, testículos, que inertes pendem
de hirsutas liras, longas e vazias
da crepitante música tangida,
húmida e tersa na sangrenta lida
que a inflada ponta penetrante trila;
dedos e nádegas, e pernas, dentes,
Assim, no jeito infiel de adolescentes,
a carne espera, incerta, mas tranquila.
CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...
Tu és folha de outono[Cecília Meireles]
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
[que até já tinha abdicado de o ser]foi agora colocado em 95 escolas! Assim como se lhe saísse o Euromilhões sem ter jogado e, pasme-se, contra a sua vontade.
"ACERTEI QUANDO ESCOLHI CRATO PARA MINISTRO DA EDUCAÇÃO".Em que país estamos, ó deuses?
Às vezes eu ando nas ruas[Sá, Vicente, Engenho da Loucura, ed. do autor (?), Brasília, 2011, pág. 21]
Pesado como nos sonhos
Com a loucura pousada nos ombros
Sinto vontades estranhas
Como pequenas alminhas
Sugerindo outros rumos
- Vai ser advogado, vai! Ficar dentro de um terno
o dia inteiro nas portas dos tribunais!
- Vai ser morador de rua, vai! Ser dono de nada
num meio de u tudo!
- Vai ser soldado, vai! Passar a vida de guarda,
vendo a vida passar!
Tem cada alminha mais sem graça…
Ainda bem que sei
Que a loucura é coisa que dá, mas passa.
A BELEZA ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM VÊ
"Temos a arte para não morrer da verdade"[Friedrich Nietzsche]
É um ícone. Urbano e cosmopolita. Mutante e mutável. Reinventa-se e faz-nos «companhia» nos momentos especiais e naqueles que achamos menos especiais. É ritual de culto, de charme e de glamour. Num gole de café expressam-se mil bagos de sensações. Emoções. Aromáticas. Mais ou menos amargas, mais ou menos doces, mais ou menos quentes, ou até mesmo geladas. Numa chávena de café cabem universos mágicos, daqueles que nos transportam para outras histórias de nós. Ele também tem a sua história, aliás, histórias. Lendas que fazem dele algo que consumimos de forma quase mística. Envolto em negócios secretos, em enredos amorosos, em coisas do demónio, dos anjos ou, simplesmente, banais. O café atravessou séculos, resistiu a tudo e impôs-se como um conceito. Sim, haverá outra bebida no mundo que possa provocar igual sedução quotidiana como o café? Curto, cheio, de saco ou expresso, com ou sem açúcar, pingado ou com cheirinho, escaldado ou gelado... cada café, Arábico ou Robusto, tem a sua personalidade.
É nessa essência que nos enfeitiça. Sozinhos, tomamo-lo num momento de pausa, só nosso. Em companhia, tomamo-lo com amigos ou a dois, oferecemo-lo como cartão de cortesia e também o tomamos como pretexto de encontros e desencontros. À volta de um café dão-se muitas outras voltas. Aceita um café?
Porque adoçamos, geralmente, o café? Há quem explique que este acto acompanhou desde cedo os consumidores desta bebida milenar por ela ser demasiado forte e amarga, o que em muito contribui a fase de torração dos bagos de café. Também há especialistas que defendem a ideia de que se o café for de alta qualidade, suave e aromático, não deve ser adoçado. Existem até estudos, alguns bem recentes, como aquele que a Universidade de Barcelona divulgou, em que se assegura que a aliança entre cafeína e glicose eleva os niveis de atenção e de inteligência. Contudo, e como o café é e continuará a ser um ícone, o seu lado mais romântico e até social espalhou-se, como que por osmose, aos famosos pacotes de açúcar.
Há até em Portugal, como também por outras paragens do mundo, associações e clubes de coleccionadores de pacotinhos de açúcar. Há muito que as marcas se aperceberam que num simples pacote de açúcar era possível passar várias mensagens. Tal como acontece, por exemplo, em t-shirts impressas com frases ideológicas. Num mercado tendencialmente voltado para o indivíduo como um ser único e especial, os pacotes de açúcar reinventaram-se no seu próprio conceito e hoje encontramos estas doces embalagens rectangulares carregadas de significado. Muitas marcas, algumas mais do que outras, apostam em campanhas de sucesso com frases a que ninguém fica indiferente. Quanto ao adoçante, a controvérsia subsiste e está sistematicamente agarrada a estudos. Mas seja lá como for - com ou sem açúcar, com ou sem adoçante - o café mantêm o lado mais dócil da vida. Na companhia de uma «bica» ou de um «cimbalino», de um “expresso” cheio ou de uma «italiana», esta é a bebida que romanceia e nos faz divagar por outras paragens.[Carla CONCEIÇÃO. Café: momentos de paixão. Gavião: Ramiro Leão, 2011, p. 7 e 21. Negritos meus]
LA PLENITUD
Delante está el carmín de la emoción.[Juan Ramón Jiménez]
Y al fondo de la vida,
por el suave azul nublado,
entre las cobres hojas últimas
que se curvan en éstasis de gloria,
la eterna plenitud desnuda.
(Y el agua una se ve más.
El color es más él, más sólo él,
el olor solo tiene un ámbito mayor,
el calor todo se oye más.
Y grita
en el aire, en el agua,
sobre el calor, sobre el olor, sobre el color,
ante el carmín de la pasión segunda,
la esterna plenitud desnuda.)
¡Armonía sin fin, gran armonía
de lo que se despide sin cuidado,
en luz de oro para luego verde,
que ha de ver tantas veces todavía,
ante el carmín de la ilusión,
la interna plenitud desnuda!