TRUMP(A)

EUSÉBIO JÁ TEM RUA EM LISBOA


E qual foi o mérito de Eusébio que justifica que "tenha uma avenida" em Lisboa? Explícito, este: foi futebolista. Palpita-me que há de haver mais qualquer razão escondida na "tabuleta": ter sido futebolista do Benfica? Ter sido futebolista dos tempos e do regime do partido único, da religião única e do clube de futebol único?

...nacionalismo bacoco -- é como designaria eu isto, se a designação me não valesse impropérios e diminuição de popularidade. E temos eleições à porta -- e nunca se sabe se não terá chegado a minha vez de ser candidato. Homem prevenido...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

FACTOS (SEM IMPORTÂNCIA)


O detido 44, por ironia do destino e pelo labor do tempo, dá a sua primeira entrevista a um órgão de Comunicação Social (a TVI), um dia após a entrada em funções, como director de informação, de Sérgio Figueiredo.

A ironia não se fica por aqui; este foi o órgão de informação que Pinto dos Santos mais criticou, acolhendo-se agora no seu seio, usando uma liberdade (a de opinião) que tanto combateu!

Considero que JSPS e a TVI, por se tratar de factos do interesse público, cumpriram o seu papel; além de mais, sabemos agora - e está escrito - que da venda de um bem patrimonial da sua mãe, o detido recebeu 75%, deixando 2 sobrinhas a reclamar idêntica percentagem. A ser verdade, o azedume contra a divulgação das perguntas do Expresso
(bem diferentes das da TVI) 
e a confusão que paira já em toda esta correspondência, adensam cada vez mais as dúvidas sobre o limitado espaço de manobra de JS. Se ele refere, apesar da detenção de mais de 30 dias, que isto só agora começou, vamos aguardar.

O inquilino de Belém foi, entretanto, instado
(através de um estranho argumento) 
a pronunciar-se, até porque, daqui a poucos meses, também poderá ser preso. Portugal e presídio, andam perto no alfabeto - e até o número de letras coincide! - se lá forem alojados
(no presídio) 
mais alguns, haveremos de ficar gratos por isso. Quem não nos merece, não deve, em nosso nome, exercer o nobre ofício da política.

escrito por Jerónimo Costa

LEIA O RESTANTE >>

COM ESTE GOVERNO, O PAÍS ESTÁ MUITO MELHOR


A Ordem dos Enfermeiros (OE) deu a conhecer neste sábado, 3 de janeiro de 2015, que 2.082 pediram a “Declaração das Diretivas Comunitárias” para trabalhar no estrangeiro. O número de pedidos cresceu desde 2010, atingindo em 2013 o pico de 2.516.


Mas em 2014, o número de pedidos, embora superior a 2.000, baixou 17,3% em relação a 2013. O que significa que, com o incentivo do governo à emigração, o país está cada vez melhor. Continuando assim, é previsível que, num dos próximos anos, a emigração desapareça totalmente: basta que os enfermeiros emigrem todos...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

O EUROMILHÕES DE JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA


Não sou leitor, nem esporádico, do Sol
[o tal semanário "que vale por si mesmo" porque "não oferece brindes"... a não ser os que vende, como os restantes periódicos]:
sempre achei, desde o segundo número, que não valia a pena perder tempo com ele. Mas hoje veio-me parar aos olhos um texto de opinião do lambidinho José António Saraiva, publicado no primeiro dia deste 2015, que não resisto a partilhar. Terminada a leitura, fiquei sem saber se é um texto parvo ou tolo ou ambas as coisas.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

EX-CITAÇÕES * 149. em nome dos portugueses

"Que espera o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para, em nome dos portugueses, intervir [no "caso José Sócrates"] quando dentro de poucos meses o poderão julgar a ele quando terminar o seu mandato presidencial?"
[Mário Soares, num texto de opinião intitulado "O meu amigo Sócrates", publicado no Jornal de Notícias. Negrito meu]

Há circunstâncias em que não sou português. No caso presente, não sou dos portugueses cujo nome é invocado por um presidente da república que já terminou o seu mandato e, portanto, já poderia/deveria ser julgado.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 298. MUSA


Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos.

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, Lisboa, 1996, pág. 140]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 214. "Papel de Natal"

Camila é uma menina alegre e criativa que, um dia, percebe que o seu pai desapareceu sem deixar rasto. Determinada a encontrá-lo, constrói um amigo para a ajudar: um boneco de cartão chamado Dodu. Ele não só ganha vida como parte em busca do pai de Camila num universo paralelo em que tudo é feito de papel. Agora, é preciso resgatá-lo das garras do Monstro Desperdício… 
Dirigido por José Miguel Ribeiro (A Suspeita), uma história de amizade e coragem que pretende sensibilizar o público para a sustentabilidade, fazendo referência a uma "tradição" de Natal com a qual é preciso romper: o desperdício de papel. É deste material que são feitos, literalmente, cenários e personagens. O filme combina animação em "stop motion" com imagens reais.
Fonte: [PÚBLICO]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 41

[Clique na imagem, para a ver maior]

DA MINHA JANELA
Mar alto! Ondas quebradas e vencidas 
Num soluçar aflito, murmurado... 
Voo de gaivotas, leve, imaculado, 
Como neves nos píncaros nascidas! 
Sol! Ave a tombar, asas já feridas, 
Batendo ainda num arfar pausado... 
Ó meu doce poente torturado 
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! 
Meu verso de Samain cheio de graça, 
Inda não és clarão já és luar 
Como um branco lilás que se desfaça! 
Amor! Teu coração trago-o no peito... 
Pulsa dentro de mim como este mar 
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
[Florbela Espanca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

CAVALOS DE VENTO


Guardo alguma consideração por António Arnaut. As razões não são muitas, mas basta-me o facto de ter sido um dos principais mentores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do qual, por via do nosso alheamento e da sua transformação em negócio, pouco resta. Fiquei estupefacto por lhe terem devolvido – de Évora – os seus ‘Cavalos de Vento’ que, à semelhança dos castelos de areia, seriam um precioso recurso para retirar um detido da prisão. Pelo menos este artifício, cifrado numa linguagem que só Babel encerra, não teve o efeito pretendido: fazer de Pinto dos Santos 
(nome que indispõe o detido, dizem)
um leitor atento ao rumo dos cavalos e ao sopro do vento. O que me indignou – e pouco entendo de leis – 
(assunto em que Arnaut é especialista)
foi mesmo o desencanto experimentado com o ‘Regulamento Prisional’ que, segundo o causídico, ‘ofende os direitos de cidadania do detido’. O tempo, esse grande ‘engenheiro’ 
(não só dos domingos)
encarregou-se de devolver o seu a seu dono! Arnaut devia saber que o regulamento, com o qual não se conforma, foi gizado 
(e assinado, enquanto primeiro-ministro) 
– para os outros – pelo próprio detido! Nessa altura, teria apreciado ver Arnaut, ofendido com tal disposição, bater-se – até ao esgotamento mediático – pela revogação de disposições que possam ofender os direitos dos detidos, qualquer um! Aí, sim, além da consideração que mantenho, por via do SNS, acresceria outra, que só viria em reforço da primeira.  Quando se fazem leis, seria de elevado engenho ponderar se um dia, mesmo remoto, não estaremos sujeitos a experimentar os seus efeitos. Arnaut devia estar agradecido por ter de volta os seus ‘Cavalos de vento’, com um acréscimo de publicidade, sabendo também que o estatuto de sábios, concedido aos anciãos gregos de antigamente, está muito delapidado nos tempos que correm.

escrito por Jerónimo Costa

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 297. MANUEL BANDEIRA

Este poeta está
Do outro lado do mar
Mas reconheço a sua voz há muitos anos
E digo ao silêncio os seus versos devagar

Relembrando
O antigo jovem tempo tempo quando
Pelos sombrios corredores da casa antiga
Nas solenes penumbras do silêncio
Eu recitava
"As três mulheres do sabonete Araxá"
E minha avó se espantava

Manuel Bandeira era o maior espanto da minha avó
Quando em manhãs intactas e perdidas
No quarto já então pleno de futura
Saudade
Eu lia
A canção do "Trem de ferro"
E o "Poema do beco"

Tempo antigo lembrança demorada
Quando deixei uma tesoura esquecida nos ramos da cerejeira
Quando
Me sentava nos bancos pintados de fresco
E no Junho inquieto e transparente
As três mulheres do sabonete Araxá
Me acompanhavam
Tão visíveis
Que um eléctrico amarelo as decepava

Estes poemas caminharam comigo e com a brisa
Nos passeados campos da minha juventude
Estes poemas poisaram a sua mão sobre o meu ombro
E foram parte do tempo respirado.
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, 1996, pág. 78]

Resumo (exibido na página inicial) Restante do conteúdo (exibido apenas nas páginas individuais) escrito por ai.valhamedeus Carlos M. E. Lopes Gabriela Correia, Faro Ya Allah Adriana Santos José Alberto, Porto Rico, Jerónimo Costa, Eduardo LG, Argentina

LEIA O RESTANTE >>

A alegria do ano

Aproxima-se o fim de 2014, quero dizer, os The best of.



Já elegi a minha alegria de 2014: saber que o preso 44 passará o Natal na choldra.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 40

[Clique na imagem, para a ver maior]

NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurreta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
[David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988. Lisboa, Editorial Presença, 1988]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

ZOOM [94] - em falso


escrito por Gabriela Correia, Faro

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 296.

lá está o cabrão do velho no deserto, último piso esquerdo,
que nem o diabo ousa
ouvi-lo
quanto mais os anjos do Senhor, os pintaínhos!
[Helder, Herberto, A morte sem mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VELHINHOS EVACUADOS

O Ai Jesus! arquivou vários casos de evacuação. Eusébio foi evacuado. Portugueses foram evacuados no Egito...


...e agora foi a vez de umas dezenas de idoso/as serem evacuados.

Evacuar é despejar, expelir, esvaziar,... Pois garanto que nunca soube como é que esvaziaram o Eusébio ou os portugueses no Egito ou agora os velhinhos. Ter-lhes-ão dado uns clisteres?

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VENCEU A INTEGRIDADE. DEUS SEJA LOUVADO!


O processo dos submarinos foi arquivado. o Ministério Público (MP), dizem os jornalistas maliciosos, não teve acesso a documentos sobre ESCOM recolhidos nas buscas ao GES -- os mesmos jornalistas que falaram em luvas de muitos milhões e que grande parte da documentação dos submarinos desapareceu do Ministério da Defesa, em particular, os registos das posições que a antiga equipa ministerial de Paulo Portas assumiu na negociação...

...e o mais que aqui não interessa recordar, porque é tudo tramóia dos comunistas e dos aliados deles. Para que raio haveria o MP de ter acesso a esses documentos? Há alguma dúvida sobre a integridade moral do grande homem que é Paulo Portas? Um grande ministro, um grande quase-primeiro ministro, o mais íntegro de todos os portugueses...

Quem deveria levar agora com um processo em cima (ou antes, já com uma condenação) eram todos aqueles que andaram estes anos todos a investigar gente séria.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 39

[Clique na imagem, para a ver maior]
TEIA
Vem até à minha teia
diz a escritora ao amado
Sedução de corpo e veia
de fuso e de palavras
de fio de sede e de espada
E de saliva fiada
Vem até à minha história
diz a escritora ao amado
Vem até á minha escrita
inventando
as personagens
Meu poema
Meu enredo
Minha rede de palavras»
[Maria Teresa Horta. (Inédito)]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

PINTO DA COSTA VISITOU SÓCRATES?!?!


Perante esta notícia, só me resta uma decisão: arrenegar a minha condição de portista.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS DE ROLO E DIGITAIS


O gráfico anterior mostra a evolução do mercado fotográfico nos últimos 80 anos. Há um período de "convivência" entre as máquinas de rolo (representadas a cinzento) e as compactas (representadas a azul). Entretanto, a tecnologia digital anulou praticamente as primeiras.

A tendência parece ser (inevitavelmente?) a de as compactas desaparecerem. Substituídas pelos telemóveis inteligentes (smartphones)?

[Fonte: Mirrorless Rumors]

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 295. CHAMA

Versos
e lágrimas, deixai-me
Incendiar
o reino da memória
entrançar
o cabelo
pela última vez
à imagem desolada
que tanto me enleou
no seu amor
e arder
ou achar enfim
repouso.
[OLIVEIRA, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág. 178]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 213. "GERNIKA"


Sinopse:
O bombardeamento de Guernica e o trabalho artístico do pintor José Luis Zumeta e do compositor Mikel Laboa, criado para evocar o evento trágico, ganham vida e inspiram este documentário animado.
REALIZAÇÃO: Ángel Sandimas;
PRODUÇÃO: Syntorama | Espanha. Spain | 2012 | 00:12:49 | Cor . |
TÉCNICAS - Computador 3D . 3D

Fonte: [http://cinanima.pt/]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 38

[Clique na imagem, para a ver maior]
QUEM SABE?!
Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça! 
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?! 
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais. 
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais! 
[Florbela Espanca, O Livro d'ele (1915-1917) in Poesia Completa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

DO CONTRA [107] a bíblia e adão e eva

["Adão e Eva no Paraíso", de Paul Rubens e Jan Brueghel, o Jovem]

Diz a Bíblia, infinita fonte de saber, que a Eva foi seduzida por uma serpente a comer do fruto da sabedoria e, depois, ela seduziu Adão, que estava a leste disto tudo. E vai de lá Deus, que tinha proibido Adão e Eva de comer o fruto da árvore que estava no meio do Éden para não conhecer o bem e o mal, amaldiçoou um e outro e obrigou ela a padecer na gravidez e ele, a trabalhar. Tout court.

Um dos efeitos de comerem o fruto
(maçã, romã?) 
foi de se verem nus e terem vergonha
(de quê, não se sabe). 
O homem
(Deus) 
não se conteve e proferiu uma sentença ou decisão semelhante ao juiz Matateu de Loulé (*): atingiu a família e, no caso de deus, as gerações futuras
(tal como a tróica...):
“com o suor do teu rosto comerás o pão pois és pó e ao pó voltarás”. Um inferno, desejou Deus.

Há uma passagem interessante que mostra a consideração que o homem (?) tinha pelas mulheres. Adão é condenado “porque deste atenção à tua mulher e comeste da árvore proibida”... Este Deus é do caraças...

(*) O juiz Matateu, nos anos sessenta, em Loulé, mandou prender a mulher de um cigano que ousou falecer a oito dias de ter cumprido a pena...
escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

A PROPÓSITO DE LIVROS - Lábios de Maçã em Abril


… O percurso por Lábios de Maçã em Abril, de Ilda Figueiredo e Agostinho Santos é um traçado pelas referências da história do mundo, em que a afectividade tinge legados inestimáveis e memórias que importa não perder, sob pena de leviandade…. A glória de Abril só pode ser destruída pela incúria dos imbecis. Apenas quem não entende o mais elementar da vida pode desentender a conquista da democracia e toda a aspiração à Liberdade e à Igualdade. É a imbecilidade, para não dizer o crime, que nos destrói o Estado de Direito Social, não a economia. A economia tem de ser um instrumento, não pode ser um fim. A Democracia tem de ser um fim, não pode ser um instrumento. O levantamento da Humanidade acima da miséria material e espiritual e do abandono tem de ser o centro de todas as coisas. …
[Valter Hugo Mãe]

escrito por Gabriela Correia, Faro

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 212. "O longo caminho pela liberdade"

Spot oficial para o 50º aniversário da Amnistia Internacional, dirigido por Carlos Lascano, produzido por Eallin Motion Art em parceria com o Dreamlife Studio. A música é do premiado Hans Zimmer e Nominee Lorne Balfe.
Ano: 2011

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 37

[Clique na imagem, para a ver maior]
NOTURNO 
Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
 
Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
 
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.
 
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
 
[Antero de Quental, in Sonetos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

RECEBIDO POR EMAIL -141- o kant alentejano





Dizem os seus íntimos que, poucos dias depois de estar em Évora, Sócrates já pensa que é o Kant do Alentejo.


escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 294. FLASHBACK

Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas na trepadeira do quintal.

Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.

Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.
[Júdice, Nuno, Pedro Lembrando Inês, (distribuído com a Visão) Bertrand, Alfragide, 2009, pág. 39]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 211. "Fuligem"


​O filme português Fuligem, de David Doutel e Vasco Sá, venceu a 38.ª edição do Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho.

Em desenho 2D animado por computador, o filme relaciona o percurso de vida de um homem com um trajeto de comboio pelo interior do país.
escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

MÁRIO SOARES E SÓCRATES


A barata tonta deste vídeo, que dá pelo nome de Mário Soares, faz-me lembrar os meus alunos, quando Carlos Cruz foi detido. Gritavam, de boca cheia e agitada, que era impossível o senhor televisão ter cometido os crimes de que era acusado.

Tratava-se de putos e miúdas jovens/adolescentes, que nunca tinham sido presidentes da república nem eram, como este diz que é, jurista.

Mas eu entendo: a tudo se chega, se a vida dura...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 36

[Clique na imagem, para a ver maior]

PEQUENA FLOR
Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
e se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
na seda frágil e preservar o perfume que aí dorme,
e vê passarem as leves borboletas livremente,
e ouve cantarem os pássaros acordados sem angústia,
e o sol claro do dia as claras estátuas beijando sente, 
e espera que se desprenda o excessivo, húmido orvalho pousado,
trémulo, e sabe que talvez o vento
a libertasse, porém a desprenderia do galho, 
e nesse temor e esperança aguarda o mistério transida
– assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida.
[Cecília Meireles, 2006]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

SÓCRATES FOI PRESO. EU ESTOU CONTENTE



Sócrates foi preso. Há gente triste por isso. Sem meias palavras, declaro que eu estou contente por isso.


  • A detenção do fulano, há quem diga que é problemática, na perspetiva da lei. Mas isso pouco me interessa. Pertenço ao grupo dos portugueses que, durante os governos dele, foram humilhados e ofendidos, muitas vezes com fundamentação legal duvidosa. Sobretudo os funcionários públicos, com destaque para os professores.
  • Ouço que a coisa deveria ter sido feita com mais discrição (parece que alguns canais de televisão já tinham equipas no aeroporto de Lisboa, aquando da detenção do tipo). Que os julgamentos na praça pública e tal...
    Gostaria de ouvir os comentadores que tal apregoam, gostaria de os ouvir lançarem-se contra os jornais que, nas primeiras páginas, todos os dias divulgam supostos crimes de cidadãos anónimos que são expostos, comentados por psicólogos, gente da polícia e outros especialistas em crimes nos programas televisivos da manhã. Ou esta carne para alimentar as bolsas dos donos dos media, ou esta carne é menos valiosa do que a do senhor Pinto de Sousa?
  • Não tenho nada contra a violação do segredo de justiça. Tenho é contra o segredo de justiça. Só ouço falar disso e dos inquéritos à fuga de informação quando estão em jogo nomes sonantes. Qual é o problema de sabermos das suspeitas que há sobre um ex-primeiro ministro? Venham elas todas! todas!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ANIVERSÁRIO DE ESPINOSA


Hoje, é ANIVERSÁRIO DE ESPINOSA, que nasceu a 24 de novembro de 1632.

O meu Baú celebra-o com algumas notas sobre o filósofo, filho de uma família de judeus portugueses emigrados na Holanda. Aqui.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

AS ÚLTIMAS D'O MEU BAÚ


As últimas cinco publicações d'O meu baú:
  1. Personalizar toques do telefone Android, usando determinada música, mas só a partir de determinado ponto dessa música. Ou usar para isso os seus próprios sons (como o nome da pessoa que lhe liga).
  2. Prioridade à abertura, um modo criativo de fotografar: como aproveitar criativamente o modo de fotografar dando prioridade à abertura do diafragma…. A profundidade de campo…
  3. Sócrates, um filme de Rossellini: um filme (completo) sobre este filósofo da antiguidade grega, com realização do mestre italiano Roberto Rossellini.
  4. Equipamento para fotografia no exterior: equipamento (e truques) para fotografar no exterior, designadamente no outono.
  5. A melhor máquina fotográfica para quem inicia: que máquina deve comprar quem quer iniciar-se na fotografia? uma qualquer. As razões (algumas) por que é assim.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

OUTONO QUENTE


Não se sabe (não?) de quem é a responsabilidade (pelo menos, a política) do caos em que o Citius transformou os tribunais...
...mas esta Paula da Cruz, há uns anos atrás (em 2008), era lucidamente ativíssima a pedir demissão de ministros:



que se demita ele! a mim, chega-me o pedido de desculpas...


(a notícia, aqui)
No decorrer do dia de quinta-feita e sexta-feira, as notícias davam conta das relações próximas que Miguel Macedo tinha com alguns dos suspeitos, como Albertina Gonçalves, sua ex-sócia na sociedade de advogados, ou António figueiredo, presidente do IRN.


daqui não saio, daqui ninguém me tira!... Irrevogavelmente!


(a notícia, aqui)
Como diria o outro, Porreiro, pá!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 210. "o menino e o mundo"


O Menino e o Mundo vence o CINANIMA, em Espinho."Melhor Longa Metragem CINANIMA 2014" e "PRÉMIO DO PÚBLICO":



O menino e o mundo faz crítica social pelo olhar de uma criança. Sofrendo com a falta do pai, um menino deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres . Uma animação com várias técnicas artísticas que retrata as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança.
O Menino e O Mundo (O Menino e O Mundo, 2013 / Brasil)
Direção: Alê Abreu
Roteiro: Alê Abreu
Duração: 80 min.

Entrevista com o diretor Alê Abreu


escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

QUEM NÃO TEM CÃO...

Quem não tem cão caça com gato... ou com rato... ou com o que calha...


A foto superior apresenta o "cenário" em que foram feitas várias fotos. Designadamente, a foto que está em baixo.



Bem sei que olhar o "cenário" faz perder a "poesia" da foto final. Mas poderá também ser um incentivo a quem não tem cão. incentivo a que cace com... o que calhar.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 35

[Clique na imagem, para a ver maior]

LLUVIA

La lluvia tiene un vago secreto de ternura,
algo de soñolencia resignada y amable,
una música humilde se despierta con ella
que hace vibrar el alma dormida del paisaje.

Es un besar azul que recibe la Tierra,
el mito primitivo que vuelve a realizarse.
El contacto ya frío de cielo y tierra viejos
con una mansedumbre de atardecer constante.

Es la aurora del fruto. La que nos trae las flores
y nos unge de espíritu santo de los mares.
La que derrama vida sobre las sementeras
y en el alma tristeza de lo que no se sabe.

La nostalgia terrible de una vida perdida,
el fatal sentimiento de haber nacido tarde,
o la ilusión inquieta de un mañana imposible
con la inquietud cercana del color de la carne.

El amor se despierta en el gris de su ritmo,
nuestro cielo interior tiene un triunfo de sangre,
pero nuestro optimismo se convierte en tristeza
al contemplar las gotas muertas en los cristales.

Y son las gotas: ojos de infinito que miran
al infinito blanco que les sirvió de madre.

Cada gota de lluvia tiembla en el cristal turbio
y le dejan divinas heridas de diamante.
Son poetas del agua que han visto y que meditan
lo que la muchedumbre de los ríos no sabe.

¡Oh lluvia silenciosa, sin tormentas ni vientos,
lluvia mansa y serena de esquila y luz suave,
lluvia buena y pacifica que eres la verdadera,
la que llorosa y triste sobre las cosas caes!

¡Oh lluvia franciscana que llevas a tus gotas
almas de fuentes claras y humildes manantiales!
Cuando sobre los campos desciendes lentamente
las rosas de mi pecho con tus sonidos abres.

El canto primitivo que dices al silencio
y la historia sonora que cuentas al ramaje
los comenta llorando mi corazón desierto
en un negro y profundo pentágrama sin clave.

Mi alma tiene tristeza de la lluvia serena,
tristeza resignada de cosa irrealizable,
tengo en el horizonte un lucero encendido
y el corazón me impide que corra a contemplarte.

¡Oh lluvia silenciosa que los árboles aman
y eres sobre el piano dulzura emocionante;
das al alma las mismas nieblas y resonancias
que pones en el alma dormida del paisaje! 
[Federico García Lorca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 293. CASA

A luz do carbureto
que ferve no gasómetro do pátio
e envolve este soneto
num cheiro de laranjas com sulfato
(as asas pantanosas dos insectos
reflectidas nos olhos, no olfacto,
a febre a consumir o meu retrato,
a ameaçar os tectos
da casa que também adoecia
ao contágio da lama
e enfim morria
nos alicerces como uma cama)
a pedregosa luz da poesia
que reconstrói a casa, chama a chama.
[Oliveira, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág.193]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 34

[Clique na imagem, para a ver maior]

UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA
Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu. 
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono. 
De sentir é só a janela a que eu assomo. 
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

O INÍCIO... DESTE MUNDO


Só uma curiosidade: alguma vez o leitor se perguntou como é que este blogue começou? ;-)

Digo-lho eu, mesmo que se não pergunte. Foi com um post com o título O mundo não é só Washington nem Lisboa. Uma espécie de  chavão que, de certo modo, era o resumo do que pretendia que fosse este espaço -- uma "ideia" inicial que entretanto evoluiria, em formulação de slogan, para ...porque as ideias movem o Mundo. 

Pouco tempo depois, com o texto Morreu um homem perpetuei aqui a memória de um homem com ligações fortes (digamos assim) a um dos colaboradores assíduos do Ai Jesus!.

LEIA O RESTANTE >>

PENSAMENTO DO DIA EM VERSO_7

Continuar o caminho que iniciámos
Afirma o Crato sobre a Educação.
Ai, mas o caminho é um beco sem saída!
E ele não vê, não?
escrito por Gabriela Correia, Faro

LEIA O RESTANTE >>

A RETROSPETIVA DE JORGE JESUS


Sobre a "pressão" do Vitória de Guimarães
("provisoriamente" a liderar o campeonato), 
diz o grande líder do SLBenfica:
Se se fizer uma retrospetiva para trás...
Ainda bem que é nesse sentido! olha se era para a frente...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ABRIU A CAÇA

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 292. SOLIDÃO

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!

Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!...

(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)
[Fonseca, Manuel, Obra Poética (7ª edição), Editorial Caminho, Lisboa, 1984, pág. 150]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

LIMPAR O INTERIOR DO VIDRO DE UM DIGITALIZADOR


O texto Limpar o vidro do Epson V500, publicado n'O meu baú, pode interessar a quem tenha um digitalizador (designadamente, o Epson V500 Photo) com uma espécie de vapor (poeiras?) a manchar o interior do vidro e a influenciar negativamente as digitalizações. Explica claramente como o limpar.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 209. "Dripped"

Foi Pollock quem desenvolveu a técnica do dripping (gotejamento) na pintura.

Dripped de Léo Verrier foi selecionado para o Annecy 2011 (Annecy International Animation Film Festival):


Manhattan - No início dos anos 50; Jackson Pollock é um amante apaixonado da arte e visita museus durante todo o dia. Consumido pelo desejo de absorver a inspiração de seus artistas favoritos, ele rouba suas pinturas ... e come-as! Encontrando-se sozinho em seu apartamento depois de ter consumido cada pintura roubada, Jackson ainda sente fome, de modo que tenta pintar com pincel, tinta e tela ... produzindo resultados inesperados!
Fonte: [YouTube]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 33


[Clique na imagem, para a ver maior]

CADA DIA SEM GOZO NÃO FOI TEU
Cada dia sem gozo não foi teu 
Foi só durares nele. Quanto vivas 
Sem que o gozes, não vives.  
Não pesa que amas, bebas ou sorrias: 
Basta o reflexo do sol ido na água 
De um charco, se te é grato. 
 Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas 
Seu prazer posto, nenhum dia nega 
A natural ventura!  
[Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa). In Livro de Mágoas]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

FRASE DO SÉC. XXI

Estamos a evoluir
[Nuno Crato (dispensa apresentações)]

escrito por Gabriela Correia, Faro

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 291. GÉNESIS

Temor o tens de ti, meu Deus, eu não.
Temor do amor que possas vir a ter
e de um gesto que faças sem saber
a quem atinges ou proteges. São

bem teus ainda, quando ao coração
reduzem o dever de não morrer
como homens que te percam. Mesmo ver
que a quanto te amam temes... Nenhum pão

aceitam puro em que a vingança esplenda.
A Terra pesa tanto! E a densa venda,
se ao peso dela cai, mostra-os - e vejo-te,

e que não és sem ela nem com ela.
Mas para eles até a ausência é bela.
Não temas: eu abrigo-te e protejo-te.
[Sena, Jorge de, VERBO, Deus como interrogação na Poesia Portuguesa, seleção e prefácio José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia, Assírio & Alvim, s/l, 2014, pág. 63]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 208. "Fallin’ Floyd"


O curta de animação Fallin’ Floyd  fala sobre Floyd, um homem simples, músico de rua que junta seu dinheiro com muito esforço para comprar um anel de noivado e é rejeitado pela namorada. Para além de perder a rapariga ele ganha um novo companheiro, um pequeno demónio preto que representa seus problemas psicológicos.
escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 32


[Clique na imagem, para a ver maior]

RUÍNAS
Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras! 
E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras! 
Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar! 
Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… Deixa-os tombar
[Florbela Espanca, Ruínas. In Livro de Mágoas]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

DO CONTRA [105] francisco, o papa misto


O papa Francisco, desde o início do seu mandato, tem provocado admiração por atitudes que toma e afirmações que faz. Frases "bombásticas" sobre as mães solteiras, quebras de protocolo para assumir posturas "populares",... são recorrentemente divulgadas nos mais diversos sítios, incluindo o popular Facebook.

aqui o disse: acho tudo isso folclore, que não atinge nem sequer belisca o essencial da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). O Papa serve para os dois lados, é um Papa misto: faz e diz coisas que agradam àqueles que gostariam de ver a ICAR renovada, mas a ICAR segue imperturbada o seu anquilosado e anquilosante sendeiro doutrinal.

A última prova foi o sínodo extraordinário dos bispos. Sendo um sínodo assoprado pelos ventos papais, proclamou-se que... agora é que era: homossexuais veriam reconhecido o seu "estatuto"; os divorciados e recasados, o acesso aos sacramentos incluindo o de novo matrimónio. Mas, aproximando-se a reunião do fim, numa declaração também ela mista, os homens do boné vermelho anunciam que sim (que os homossexuais devem ter um lar mais acolhedor -- a ICAR, já se vê), mas que não (que a homossexualidade é condenável)...

E a declaração final é ainda mais mista: acentua "os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal", puxa as orelhas às
"crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício"...
... "criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã". Ora aí está... a sentença para os divorciados! No que toca aos homossexuais, a posição é ainda mais mist(ic)a: é preciso vasculhar pacientemente o documento para encontrar lá vestígios de tal raça.

Abaixo, pois, os imorais atos homossexuais"! viva a indissolubilidade do casamento! Palavra da ICAR! AMEN!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>