TRUMP(A)

EU (NÃO) SOU CHARLIE

Imagens como esta mostram que... os "grandes" estiveram ontem a encabeçar a multidão que se manifestou em Paris, na sequência do ataque ao Charlie Hebdo. E que estiveram até muito unidos.

Mas há sempre algum desmancha-prazeres que decide estragar as festas. Desta vez, foi o Le Monde, ao mostrar que a primeira foto e as semelhantes não passam de selfies do grupo dos grandes. Com uma simples foto tirada doutra perspetiva:


Mais pormenores, aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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NÃO SOMOS TODOS CHARLIE


Paris, daqui a pouco, também será o palco da hipocrisia; todos serão Charlie?

Em julho de 2013, Assunção Esteves, como já tinha acontecido noutras ocasiões, insurgiu-se contra as manifestações de desagrado, oriundas das galerias, onde o 'povo' costuma assistir aos 'trabalhos' de quem os representa(?!). Por várias vezes, por razões semelhantes, tem mandado expulsar as pessoas que, uma ou outra vez se insurgem contra as decisões aí tomadas.

Mas, nesta altura, resolveu, naquele que se transformou no episódio mais lamentável para a segunda figura do Estado (e para nós), convocar Simone de Beauvoir para qualificar os ocupantes do espaço popular:

Assunção Esteves não gostou dos protestos na Assembleia da República e ameaçou mudar as regras de acesso às galerias. Depois dos protestos, usou uma frase para resumir a situação.
Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes.
Hoje estará em Paris e, apesar dos 'inconseguimentos' conhecidos, é bem capaz de ter coragem bastante para desfilar e... ser 'Charlie'!

Os cartoonistas, barbaramente executados, vão, por certo, onde quer que estejam, satirizar a situação - e não serão meigos, estou certo!

escrito por Jerónimo Costa

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hoje é sábado 299. ÁRVORE


Forço e quero ao fundo delicadamente
como subindo no sentido da seiva
espraiar-me nas folhas verdejantes,
espaçado vento repousando em taças,
mão que se alarga e espalma em verde lava,
tronco em movimento enraizado,
surto da terra, habitante do ar,
flexíveis palmas, movimentos, haustos,
verde unidade quase silenciosa.
[Rosa, António Ramos, Poesia Presente, antologia, Assírio & Alvim, s/l, 2014, pág. 50]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 215. "O Principezinho"




O clássico da literatura O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry, uma das obras mais vendidas em todo o mundo, vai ganhar uma nova versão que sairá nos cinemas este ano.

escrito por Adriana Santos

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MICHEL HOUELLEBECQ. SOUMISSION


escrito por ai.valhamedeus

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ZOOM [95] - charlie hebdo


escrito por ai.valhamedeus

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O LONGO CAMINHO DA TOLERÂNCIA


Poderíamos consultar Gil Vicente, ou Shakespeare e, de algum modo, seguir um dos seus preceitos de vida: ridendo castigat mores. Sabemos que é pelo desconcerto/desconstrução que, frequentemente, se trava o fanatismo e a intolerância. Uma das vias continua a ser o humor e a sátira, mecanismos expeditos de garantia da liberdade de expressão.

François Jacob (1989) no 'Jogo dos Possíveis' escreveu, lapidarmente, que todos os crimes da história são consequência de algum fanatismo. Todos os massacres foram cometidos por virtude, em nome da verdadeira religião, do nacionalismo legítimo, da política idónea, da ideologia justa; em suma, em nome do combate contra a verdade do outro.

Em França, o 'ovo da serpente', que há muito vinha sendo amparado, teve, agora, um desfecho brutal. A pátria da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que Hollande foi transformando num equívoco, tem agora uma grande via para levar Marine Le-Pen até ao Eliseu. Não foram apenas os jornalistas-artistas que sucumbiram; foi a democracia, que na sua roupagem de fachada, abriu as portas a todas as trancas, permitindo mais um golpe na já frágil DUDH!
En quarante-cinq ans d'existence (et une longue interruption), Charlie Hebdo a toujours dérangé, c'était bien là d'ailleurs sa raison d'être: faire rire, faire réagir, faire réfléchir. Jusqu'à 2011, c'était surtout dans les tribunaux que la rédaction était attaquée. Jusqu'à l'incendie criminel de 2011. Et jusqu'au massacre de ce mercredi 
(Libération, 7JAN2015)
escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 42

[Clique na imagem, para a ver maior]
O QUE É PERFEITO NÃO PRECISA DE NADA
Sim, talvez tenham razão. 
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, 
Mas essa coisa oculta é a mesma 
Que a coisa sem ser oculta. 
 Na planta, na árvore, na flor 
(Em tudo que vive sem fala 
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), 
No bosque que não é árvores mas bosque, 
Total das árvores sem soma, 
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro 
Que lhes dá a vida; 
Que floresce com o florescer deles 
E é verde no seu verdor.  
No animal e no homem entra. 
Vive por fora por dentro 
É um já dentro por fora, 
Dizem os filósofos que isto é a alma 
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem 
Da maneira como existe.  
E penso que talvez haja entes 
Em que as duas coisas coincidam 
E tenham o mesmo tamanho.  
E que estes entes serão os deuses, 
Que existem porque assim é que completamente se existe, 
Que não morrem porque são iguais a si mesmos, 
Que podem mentir porque não têm divisão [?] 
Entre quem são e quem são, 
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam 
Porque o que é perfeito não precisa de nada.
[Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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EUSÉBIO JÁ TEM RUA EM LISBOA


E qual foi o mérito de Eusébio que justifica que "tenha uma avenida" em Lisboa? Explícito, este: foi futebolista. Palpita-me que há de haver mais qualquer razão escondida na "tabuleta": ter sido futebolista do Benfica? Ter sido futebolista dos tempos e do regime do partido único, da religião única e do clube de futebol único?

...nacionalismo bacoco -- é como designaria eu isto, se a designação me não valesse impropérios e diminuição de popularidade. E temos eleições à porta -- e nunca se sabe se não terá chegado a minha vez de ser candidato. Homem prevenido...

escrito por ai.valhamedeus

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FACTOS (SEM IMPORTÂNCIA)


O detido 44, por ironia do destino e pelo labor do tempo, dá a sua primeira entrevista a um órgão de Comunicação Social (a TVI), um dia após a entrada em funções, como director de informação, de Sérgio Figueiredo.

A ironia não se fica por aqui; este foi o órgão de informação que Pinto dos Santos mais criticou, acolhendo-se agora no seu seio, usando uma liberdade (a de opinião) que tanto combateu!

Considero que JSPS e a TVI, por se tratar de factos do interesse público, cumpriram o seu papel; além de mais, sabemos agora - e está escrito - que da venda de um bem patrimonial da sua mãe, o detido recebeu 75%, deixando 2 sobrinhas a reclamar idêntica percentagem. A ser verdade, o azedume contra a divulgação das perguntas do Expresso
(bem diferentes das da TVI) 
e a confusão que paira já em toda esta correspondência, adensam cada vez mais as dúvidas sobre o limitado espaço de manobra de JS. Se ele refere, apesar da detenção de mais de 30 dias, que isto só agora começou, vamos aguardar.

O inquilino de Belém foi, entretanto, instado
(através de um estranho argumento) 
a pronunciar-se, até porque, daqui a poucos meses, também poderá ser preso. Portugal e presídio, andam perto no alfabeto - e até o número de letras coincide! - se lá forem alojados
(no presídio) 
mais alguns, haveremos de ficar gratos por isso. Quem não nos merece, não deve, em nosso nome, exercer o nobre ofício da política.

escrito por Jerónimo Costa

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COM ESTE GOVERNO, O PAÍS ESTÁ MUITO MELHOR


A Ordem dos Enfermeiros (OE) deu a conhecer neste sábado, 3 de janeiro de 2015, que 2.082 pediram a “Declaração das Diretivas Comunitárias” para trabalhar no estrangeiro. O número de pedidos cresceu desde 2010, atingindo em 2013 o pico de 2.516.


Mas em 2014, o número de pedidos, embora superior a 2.000, baixou 17,3% em relação a 2013. O que significa que, com o incentivo do governo à emigração, o país está cada vez melhor. Continuando assim, é previsível que, num dos próximos anos, a emigração desapareça totalmente: basta que os enfermeiros emigrem todos...

escrito por ai.valhamedeus

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O EUROMILHÕES DE JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA


Não sou leitor, nem esporádico, do Sol
[o tal semanário "que vale por si mesmo" porque "não oferece brindes"... a não ser os que vende, como os restantes periódicos]:
sempre achei, desde o segundo número, que não valia a pena perder tempo com ele. Mas hoje veio-me parar aos olhos um texto de opinião do lambidinho José António Saraiva, publicado no primeiro dia deste 2015, que não resisto a partilhar. Terminada a leitura, fiquei sem saber se é um texto parvo ou tolo ou ambas as coisas.

escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 149. em nome dos portugueses

"Que espera o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para, em nome dos portugueses, intervir [no "caso José Sócrates"] quando dentro de poucos meses o poderão julgar a ele quando terminar o seu mandato presidencial?"
[Mário Soares, num texto de opinião intitulado "O meu amigo Sócrates", publicado no Jornal de Notícias. Negrito meu]

Há circunstâncias em que não sou português. No caso presente, não sou dos portugueses cujo nome é invocado por um presidente da república que já terminou o seu mandato e, portanto, já poderia/deveria ser julgado.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 298. MUSA


Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos.

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, Lisboa, 1996, pág. 140]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 214. "Papel de Natal"

Camila é uma menina alegre e criativa que, um dia, percebe que o seu pai desapareceu sem deixar rasto. Determinada a encontrá-lo, constrói um amigo para a ajudar: um boneco de cartão chamado Dodu. Ele não só ganha vida como parte em busca do pai de Camila num universo paralelo em que tudo é feito de papel. Agora, é preciso resgatá-lo das garras do Monstro Desperdício… 
Dirigido por José Miguel Ribeiro (A Suspeita), uma história de amizade e coragem que pretende sensibilizar o público para a sustentabilidade, fazendo referência a uma "tradição" de Natal com a qual é preciso romper: o desperdício de papel. É deste material que são feitos, literalmente, cenários e personagens. O filme combina animação em "stop motion" com imagens reais.
Fonte: [PÚBLICO]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 41

[Clique na imagem, para a ver maior]

DA MINHA JANELA
Mar alto! Ondas quebradas e vencidas 
Num soluçar aflito, murmurado... 
Voo de gaivotas, leve, imaculado, 
Como neves nos píncaros nascidas! 
Sol! Ave a tombar, asas já feridas, 
Batendo ainda num arfar pausado... 
Ó meu doce poente torturado 
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! 
Meu verso de Samain cheio de graça, 
Inda não és clarão já és luar 
Como um branco lilás que se desfaça! 
Amor! Teu coração trago-o no peito... 
Pulsa dentro de mim como este mar 
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
[Florbela Espanca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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CAVALOS DE VENTO


Guardo alguma consideração por António Arnaut. As razões não são muitas, mas basta-me o facto de ter sido um dos principais mentores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do qual, por via do nosso alheamento e da sua transformação em negócio, pouco resta. Fiquei estupefacto por lhe terem devolvido – de Évora – os seus ‘Cavalos de Vento’ que, à semelhança dos castelos de areia, seriam um precioso recurso para retirar um detido da prisão. Pelo menos este artifício, cifrado numa linguagem que só Babel encerra, não teve o efeito pretendido: fazer de Pinto dos Santos 
(nome que indispõe o detido, dizem)
um leitor atento ao rumo dos cavalos e ao sopro do vento. O que me indignou – e pouco entendo de leis – 
(assunto em que Arnaut é especialista)
foi mesmo o desencanto experimentado com o ‘Regulamento Prisional’ que, segundo o causídico, ‘ofende os direitos de cidadania do detido’. O tempo, esse grande ‘engenheiro’ 
(não só dos domingos)
encarregou-se de devolver o seu a seu dono! Arnaut devia saber que o regulamento, com o qual não se conforma, foi gizado 
(e assinado, enquanto primeiro-ministro) 
– para os outros – pelo próprio detido! Nessa altura, teria apreciado ver Arnaut, ofendido com tal disposição, bater-se – até ao esgotamento mediático – pela revogação de disposições que possam ofender os direitos dos detidos, qualquer um! Aí, sim, além da consideração que mantenho, por via do SNS, acresceria outra, que só viria em reforço da primeira.  Quando se fazem leis, seria de elevado engenho ponderar se um dia, mesmo remoto, não estaremos sujeitos a experimentar os seus efeitos. Arnaut devia estar agradecido por ter de volta os seus ‘Cavalos de vento’, com um acréscimo de publicidade, sabendo também que o estatuto de sábios, concedido aos anciãos gregos de antigamente, está muito delapidado nos tempos que correm.

escrito por Jerónimo Costa

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hoje é sábado 297. MANUEL BANDEIRA

Este poeta está
Do outro lado do mar
Mas reconheço a sua voz há muitos anos
E digo ao silêncio os seus versos devagar

Relembrando
O antigo jovem tempo tempo quando
Pelos sombrios corredores da casa antiga
Nas solenes penumbras do silêncio
Eu recitava
"As três mulheres do sabonete Araxá"
E minha avó se espantava

Manuel Bandeira era o maior espanto da minha avó
Quando em manhãs intactas e perdidas
No quarto já então pleno de futura
Saudade
Eu lia
A canção do "Trem de ferro"
E o "Poema do beco"

Tempo antigo lembrança demorada
Quando deixei uma tesoura esquecida nos ramos da cerejeira
Quando
Me sentava nos bancos pintados de fresco
E no Junho inquieto e transparente
As três mulheres do sabonete Araxá
Me acompanhavam
Tão visíveis
Que um eléctrico amarelo as decepava

Estes poemas caminharam comigo e com a brisa
Nos passeados campos da minha juventude
Estes poemas poisaram a sua mão sobre o meu ombro
E foram parte do tempo respirado.
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, 1996, pág. 78]

Resumo (exibido na página inicial) Restante do conteúdo (exibido apenas nas páginas individuais) escrito por ai.valhamedeus Carlos M. E. Lopes Gabriela Correia, Faro Ya Allah Adriana Santos José Alberto, Porto Rico, Jerónimo Costa, Eduardo LG, Argentina

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A alegria do ano

Aproxima-se o fim de 2014, quero dizer, os The best of.



Já elegi a minha alegria de 2014: saber que o preso 44 passará o Natal na choldra.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 40

[Clique na imagem, para a ver maior]

NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurreta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
[David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988. Lisboa, Editorial Presença, 1988]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ZOOM [94] - em falso


escrito por Gabriela Correia, Faro

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hoje é sábado 296.

lá está o cabrão do velho no deserto, último piso esquerdo,
que nem o diabo ousa
ouvi-lo
quanto mais os anjos do Senhor, os pintaínhos!
[Helder, Herberto, A morte sem mestre, Porto Editora, Porto, 2014, pág. 41]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VELHINHOS EVACUADOS

O Ai Jesus! arquivou vários casos de evacuação. Eusébio foi evacuado. Portugueses foram evacuados no Egito...


...e agora foi a vez de umas dezenas de idoso/as serem evacuados.

Evacuar é despejar, expelir, esvaziar,... Pois garanto que nunca soube como é que esvaziaram o Eusébio ou os portugueses no Egito ou agora os velhinhos. Ter-lhes-ão dado uns clisteres?

escrito por ai.valhamedeus

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VENCEU A INTEGRIDADE. DEUS SEJA LOUVADO!


O processo dos submarinos foi arquivado. o Ministério Público (MP), dizem os jornalistas maliciosos, não teve acesso a documentos sobre ESCOM recolhidos nas buscas ao GES -- os mesmos jornalistas que falaram em luvas de muitos milhões e que grande parte da documentação dos submarinos desapareceu do Ministério da Defesa, em particular, os registos das posições que a antiga equipa ministerial de Paulo Portas assumiu na negociação...

...e o mais que aqui não interessa recordar, porque é tudo tramóia dos comunistas e dos aliados deles. Para que raio haveria o MP de ter acesso a esses documentos? Há alguma dúvida sobre a integridade moral do grande homem que é Paulo Portas? Um grande ministro, um grande quase-primeiro ministro, o mais íntegro de todos os portugueses...

Quem deveria levar agora com um processo em cima (ou antes, já com uma condenação) eram todos aqueles que andaram estes anos todos a investigar gente séria.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 39

[Clique na imagem, para a ver maior]
TEIA
Vem até à minha teia
diz a escritora ao amado
Sedução de corpo e veia
de fuso e de palavras
de fio de sede e de espada
E de saliva fiada
Vem até à minha história
diz a escritora ao amado
Vem até á minha escrita
inventando
as personagens
Meu poema
Meu enredo
Minha rede de palavras»
[Maria Teresa Horta. (Inédito)]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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PINTO DA COSTA VISITOU SÓCRATES?!?!


Perante esta notícia, só me resta uma decisão: arrenegar a minha condição de portista.

escrito por ai.valhamedeus

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MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS DE ROLO E DIGITAIS


O gráfico anterior mostra a evolução do mercado fotográfico nos últimos 80 anos. Há um período de "convivência" entre as máquinas de rolo (representadas a cinzento) e as compactas (representadas a azul). Entretanto, a tecnologia digital anulou praticamente as primeiras.

A tendência parece ser (inevitavelmente?) a de as compactas desaparecerem. Substituídas pelos telemóveis inteligentes (smartphones)?

[Fonte: Mirrorless Rumors]

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 295. CHAMA

Versos
e lágrimas, deixai-me
Incendiar
o reino da memória
entrançar
o cabelo
pela última vez
à imagem desolada
que tanto me enleou
no seu amor
e arder
ou achar enfim
repouso.
[OLIVEIRA, Carlos de, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág. 178]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 213. "GERNIKA"


Sinopse:
O bombardeamento de Guernica e o trabalho artístico do pintor José Luis Zumeta e do compositor Mikel Laboa, criado para evocar o evento trágico, ganham vida e inspiram este documentário animado.
REALIZAÇÃO: Ángel Sandimas;
PRODUÇÃO: Syntorama | Espanha. Spain | 2012 | 00:12:49 | Cor . |
TÉCNICAS - Computador 3D . 3D

Fonte: [http://cinanima.pt/]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 38

[Clique na imagem, para a ver maior]
QUEM SABE?!
Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça! 
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?! 
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais. 
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais! 
[Florbela Espanca, O Livro d'ele (1915-1917) in Poesia Completa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DO CONTRA [107] a bíblia e adão e eva

["Adão e Eva no Paraíso", de Paul Rubens e Jan Brueghel, o Jovem]

Diz a Bíblia, infinita fonte de saber, que a Eva foi seduzida por uma serpente a comer do fruto da sabedoria e, depois, ela seduziu Adão, que estava a leste disto tudo. E vai de lá Deus, que tinha proibido Adão e Eva de comer o fruto da árvore que estava no meio do Éden para não conhecer o bem e o mal, amaldiçoou um e outro e obrigou ela a padecer na gravidez e ele, a trabalhar. Tout court.

Um dos efeitos de comerem o fruto
(maçã, romã?) 
foi de se verem nus e terem vergonha
(de quê, não se sabe). 
O homem
(Deus) 
não se conteve e proferiu uma sentença ou decisão semelhante ao juiz Matateu de Loulé (*): atingiu a família e, no caso de deus, as gerações futuras
(tal como a tróica...):
“com o suor do teu rosto comerás o pão pois és pó e ao pó voltarás”. Um inferno, desejou Deus.

Há uma passagem interessante que mostra a consideração que o homem (?) tinha pelas mulheres. Adão é condenado “porque deste atenção à tua mulher e comeste da árvore proibida”... Este Deus é do caraças...

(*) O juiz Matateu, nos anos sessenta, em Loulé, mandou prender a mulher de um cigano que ousou falecer a oito dias de ter cumprido a pena...
escrito por Carlos M. E. Lopes

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A PROPÓSITO DE LIVROS - Lábios de Maçã em Abril


… O percurso por Lábios de Maçã em Abril, de Ilda Figueiredo e Agostinho Santos é um traçado pelas referências da história do mundo, em que a afectividade tinge legados inestimáveis e memórias que importa não perder, sob pena de leviandade…. A glória de Abril só pode ser destruída pela incúria dos imbecis. Apenas quem não entende o mais elementar da vida pode desentender a conquista da democracia e toda a aspiração à Liberdade e à Igualdade. É a imbecilidade, para não dizer o crime, que nos destrói o Estado de Direito Social, não a economia. A economia tem de ser um instrumento, não pode ser um fim. A Democracia tem de ser um fim, não pode ser um instrumento. O levantamento da Humanidade acima da miséria material e espiritual e do abandono tem de ser o centro de todas as coisas. …
[Valter Hugo Mãe]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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VÍDEO DA SEXTA 212. "O longo caminho pela liberdade"

Spot oficial para o 50º aniversário da Amnistia Internacional, dirigido por Carlos Lascano, produzido por Eallin Motion Art em parceria com o Dreamlife Studio. A música é do premiado Hans Zimmer e Nominee Lorne Balfe.
Ano: 2011

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 37

[Clique na imagem, para a ver maior]
NOTURNO 
Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
 
Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
 
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.
 
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
 
[Antero de Quental, in Sonetos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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RECEBIDO POR EMAIL -141- o kant alentejano





Dizem os seus íntimos que, poucos dias depois de estar em Évora, Sócrates já pensa que é o Kant do Alentejo.


escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 294. FLASHBACK

Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas na trepadeira do quintal.

Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.

Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.
[Júdice, Nuno, Pedro Lembrando Inês, (distribuído com a Visão) Bertrand, Alfragide, 2009, pág. 39]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 211. "Fuligem"


​O filme português Fuligem, de David Doutel e Vasco Sá, venceu a 38.ª edição do Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho.

Em desenho 2D animado por computador, o filme relaciona o percurso de vida de um homem com um trajeto de comboio pelo interior do país.
escrito por Adriana Santos

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MÁRIO SOARES E SÓCRATES


A barata tonta deste vídeo, que dá pelo nome de Mário Soares, faz-me lembrar os meus alunos, quando Carlos Cruz foi detido. Gritavam, de boca cheia e agitada, que era impossível o senhor televisão ter cometido os crimes de que era acusado.

Tratava-se de putos e miúdas jovens/adolescentes, que nunca tinham sido presidentes da república nem eram, como este diz que é, jurista.

Mas eu entendo: a tudo se chega, se a vida dura...

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 36

[Clique na imagem, para a ver maior]

PEQUENA FLOR
Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
e se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
na seda frágil e preservar o perfume que aí dorme,
e vê passarem as leves borboletas livremente,
e ouve cantarem os pássaros acordados sem angústia,
e o sol claro do dia as claras estátuas beijando sente, 
e espera que se desprenda o excessivo, húmido orvalho pousado,
trémulo, e sabe que talvez o vento
a libertasse, porém a desprenderia do galho, 
e nesse temor e esperança aguarda o mistério transida
– assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida.
[Cecília Meireles, 2006]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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SÓCRATES FOI PRESO. EU ESTOU CONTENTE



Sócrates foi preso. Há gente triste por isso. Sem meias palavras, declaro que eu estou contente por isso.


  • A detenção do fulano, há quem diga que é problemática, na perspetiva da lei. Mas isso pouco me interessa. Pertenço ao grupo dos portugueses que, durante os governos dele, foram humilhados e ofendidos, muitas vezes com fundamentação legal duvidosa. Sobretudo os funcionários públicos, com destaque para os professores.
  • Ouço que a coisa deveria ter sido feita com mais discrição (parece que alguns canais de televisão já tinham equipas no aeroporto de Lisboa, aquando da detenção do tipo). Que os julgamentos na praça pública e tal...
    Gostaria de ouvir os comentadores que tal apregoam, gostaria de os ouvir lançarem-se contra os jornais que, nas primeiras páginas, todos os dias divulgam supostos crimes de cidadãos anónimos que são expostos, comentados por psicólogos, gente da polícia e outros especialistas em crimes nos programas televisivos da manhã. Ou esta carne para alimentar as bolsas dos donos dos media, ou esta carne é menos valiosa do que a do senhor Pinto de Sousa?
  • Não tenho nada contra a violação do segredo de justiça. Tenho é contra o segredo de justiça. Só ouço falar disso e dos inquéritos à fuga de informação quando estão em jogo nomes sonantes. Qual é o problema de sabermos das suspeitas que há sobre um ex-primeiro ministro? Venham elas todas! todas!

escrito por ai.valhamedeus

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ANIVERSÁRIO DE ESPINOSA


Hoje, é ANIVERSÁRIO DE ESPINOSA, que nasceu a 24 de novembro de 1632.

O meu Baú celebra-o com algumas notas sobre o filósofo, filho de uma família de judeus portugueses emigrados na Holanda. Aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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AS ÚLTIMAS D'O MEU BAÚ


As últimas cinco publicações d'O meu baú:
  1. Personalizar toques do telefone Android, usando determinada música, mas só a partir de determinado ponto dessa música. Ou usar para isso os seus próprios sons (como o nome da pessoa que lhe liga).
  2. Prioridade à abertura, um modo criativo de fotografar: como aproveitar criativamente o modo de fotografar dando prioridade à abertura do diafragma…. A profundidade de campo…
  3. Sócrates, um filme de Rossellini: um filme (completo) sobre este filósofo da antiguidade grega, com realização do mestre italiano Roberto Rossellini.
  4. Equipamento para fotografia no exterior: equipamento (e truques) para fotografar no exterior, designadamente no outono.
  5. A melhor máquina fotográfica para quem inicia: que máquina deve comprar quem quer iniciar-se na fotografia? uma qualquer. As razões (algumas) por que é assim.
escrito por ai.valhamedeus

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OUTONO QUENTE


Não se sabe (não?) de quem é a responsabilidade (pelo menos, a política) do caos em que o Citius transformou os tribunais...
...mas esta Paula da Cruz, há uns anos atrás (em 2008), era lucidamente ativíssima a pedir demissão de ministros:



que se demita ele! a mim, chega-me o pedido de desculpas...


(a notícia, aqui)
No decorrer do dia de quinta-feita e sexta-feira, as notícias davam conta das relações próximas que Miguel Macedo tinha com alguns dos suspeitos, como Albertina Gonçalves, sua ex-sócia na sociedade de advogados, ou António figueiredo, presidente do IRN.


daqui não saio, daqui ninguém me tira!... Irrevogavelmente!


(a notícia, aqui)
Como diria o outro, Porreiro, pá!

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 210. "o menino e o mundo"


O Menino e o Mundo vence o CINANIMA, em Espinho."Melhor Longa Metragem CINANIMA 2014" e "PRÉMIO DO PÚBLICO":



O menino e o mundo faz crítica social pelo olhar de uma criança. Sofrendo com a falta do pai, um menino deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres . Uma animação com várias técnicas artísticas que retrata as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança.
O Menino e O Mundo (O Menino e O Mundo, 2013 / Brasil)
Direção: Alê Abreu
Roteiro: Alê Abreu
Duração: 80 min.

Entrevista com o diretor Alê Abreu


escrito por Adriana Santos

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QUEM NÃO TEM CÃO...

Quem não tem cão caça com gato... ou com rato... ou com o que calha...


A foto superior apresenta o "cenário" em que foram feitas várias fotos. Designadamente, a foto que está em baixo.



Bem sei que olhar o "cenário" faz perder a "poesia" da foto final. Mas poderá também ser um incentivo a quem não tem cão. incentivo a que cace com... o que calhar.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 35

[Clique na imagem, para a ver maior]

LLUVIA

La lluvia tiene un vago secreto de ternura,
algo de soñolencia resignada y amable,
una música humilde se despierta con ella
que hace vibrar el alma dormida del paisaje.

Es un besar azul que recibe la Tierra,
el mito primitivo que vuelve a realizarse.
El contacto ya frío de cielo y tierra viejos
con una mansedumbre de atardecer constante.

Es la aurora del fruto. La que nos trae las flores
y nos unge de espíritu santo de los mares.
La que derrama vida sobre las sementeras
y en el alma tristeza de lo que no se sabe.

La nostalgia terrible de una vida perdida,
el fatal sentimiento de haber nacido tarde,
o la ilusión inquieta de un mañana imposible
con la inquietud cercana del color de la carne.

El amor se despierta en el gris de su ritmo,
nuestro cielo interior tiene un triunfo de sangre,
pero nuestro optimismo se convierte en tristeza
al contemplar las gotas muertas en los cristales.

Y son las gotas: ojos de infinito que miran
al infinito blanco que les sirvió de madre.

Cada gota de lluvia tiembla en el cristal turbio
y le dejan divinas heridas de diamante.
Son poetas del agua que han visto y que meditan
lo que la muchedumbre de los ríos no sabe.

¡Oh lluvia silenciosa, sin tormentas ni vientos,
lluvia mansa y serena de esquila y luz suave,
lluvia buena y pacifica que eres la verdadera,
la que llorosa y triste sobre las cosas caes!

¡Oh lluvia franciscana que llevas a tus gotas
almas de fuentes claras y humildes manantiales!
Cuando sobre los campos desciendes lentamente
las rosas de mi pecho con tus sonidos abres.

El canto primitivo que dices al silencio
y la historia sonora que cuentas al ramaje
los comenta llorando mi corazón desierto
en un negro y profundo pentágrama sin clave.

Mi alma tiene tristeza de la lluvia serena,
tristeza resignada de cosa irrealizable,
tengo en el horizonte un lucero encendido
y el corazón me impide que corra a contemplarte.

¡Oh lluvia silenciosa que los árboles aman
y eres sobre el piano dulzura emocionante;
das al alma las mismas nieblas y resonancias
que pones en el alma dormida del paisaje! 
[Federico García Lorca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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