TRUMP(A)

LEIT(e)URAS [60] portugal -- a terra e o homem


Houve um tempo em que, no 10 de junho, se faziam coisas destas: editar uma antologia de textos de escritores do sec. XX. Primeiro-ministro era Mota Pinto e o Presidente das Comemorações, suponho que José de Azeredo Perdigão, um dos (muitos) viseenses ilustres.

A edição destinava-se a uso “das escolas onde haja ensino de português e de Literatura Portuguesa”, como se diz lá. A edição foi de 210 000 exemplares. Uma loucura nessa altura e agora.

O livro inclui textos de 30 autores portugueses, do norte a sul, de Carlos Malheiro Dias a Torga… e falam de Portugal.

O antologiador foi David Mourão-Ferreira de quem, um dia, um ilustre prof. da Universidade do Algarve me disse:” O David Mourão-Ferreira? nem o doutoramento tem…” Pois não. Mas sabia mais de literatura do que muitos Prof. Doutores juntos. Os cevados e asininos são assim… o ter é mais importante que o ser…

Não vou dizer que este tipo de trabalhos não se farão, não digo isso. Mas, quando a aridez aperta, não é crível que isto (ou outra coisa semelhante) volte a acontecer tão cedo…

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ZOOM [96] - corinne


Calma! calma! não é o que estão a pensar
("este gajo só pensa naquilo!").
O que me chamou a atenção na capa desta revista é CORINNA, a amiga do rei de Espanha. Espanha, o país aonde chegou sem património e de onde saiu com 30 milhões dele, 10 anos depois, exercendo umas atividades que ninguém sabe quais foram.

Há quem clame pela noblesse das monarquias, que as torna superiores às repúblicas. Cá está um exemplo...

escrito por ai.valhamedeus

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CAVACO, VISTO DE BAIXO, PARECE UM GIGANTE!


Acabou o estado de graça que levou muitos líderes a França
(a uma rua de Paris, com perímetro de segurança) 
para uma encenação, imagine-se, apenas para serem 'Charlie'!

A semana, que ontem terminou, teve vários momentos hilariantes que começaram dentro de portas e acabaram um pouco mais longe.
  1. Cavaco Silva - mesmo na qualidade de PR emérito - de vez em quando, aparece. Fê-lo agora, a propósito do congresso do Milho, algures na Terra do Nunca. Aproveitou o cereal para sustentar que aí residia o maná do nosso desenvolvimento e, entrementes, ocorreu-lhe falar da Grécia, talvez para espantar os demónios que o BPN, o BES e outros submersíveis objectos instalaram em Belém. E o que disse foi comovente: emprestámos aos gregos uma 'pipa de massa' e os contribuintes - que até lhe subsidiaram umas acções, que teve no BPN -, arriscam-se a mais uns escusados sacrifícios para que os gregos flutuem. Certamente não sairá do Pavilhão do Atlântico, da vivenda da Coelha, das magras reformas que recebe, da suspensão das obras no convento, onde se vai recolher, ou do irrisório pecúlio, colocado à sua disposição, para manter uma coluna de assessores, um sem número de viagens, veículos topo de gama e motoristas a perder de vista, assunto em que rivaliza com o executivo, num frenesim que pede meças a qualquer Estado economicamente desembaraçado. Passos Coelho, que faz de primeiro-ministro e não tem mão disponível (nem a esquerda) para cumprimentar o seu homólogo grego, tinha dito antes, ou durante, numa daquelas mentiras, que a imprensa logo desmentiu, que tínhamos sido o país que mais dinheiro emprestara a Creta e, espartanos como somos, iríamos ao Peloponeso (de submarino) acertar contas com Atenas.
  2. Mais adiante, pela Europa do capital, farta de (se) ajudar (com) o Sul, todos os dias o governo grego recuava (e continua a recuar), a ponto de, a todo o momento, se esperar que se despenhe do alto do colosso de Rodes, afogando-se no mar Egeu. A Espanha e Portugal, numa clara missão de lebres, capazes de entusiasmar os caçadores de troféus, têm sido os países que mais fazem recuar a Grécia, a ponto de Varoufakis (sim o do cachecol – antigo – que entusiasmou Lagarde), já ter esclarecido P. Coelho que os ‘Contos de Criança trazem sempre esperança’, mas burro velho não aprende línguas, daí que o próprio Primeiro-ministro Tsipras tenha reforçado a ideia, com mais clareza, avisando que ‘o povo não perdoa o desprezo e a mentira’, disciplinas em que espanhóis e portugueses (que mandam) são doutorados por Berlim e Bruxelas.
  3. Cá e lá, o epílogo conta-se através de um desenho. Não é que um jornal grego resolveu fazer humor com o suserano das finanças alemãs? A Torre de Pisa inclinou perigosamente, O Big-ben deixou de acertar nas horas, o muro de Berlim, ainda há pouco derrubado, mostrou sinais de se querer erguer por si e a Torre de Belém deu mostras de se ir embora rumo ao mar alto. Loucuras! De repente, um 'boche' fardado, parecido com Wolfgang Schäuble, isto porque o governo grego está sempre a ‘recuar’, aparecia a fazer ameaças e, claro, todos deixaram de ser 'Charlie' e não se vislumbra sequer um sintoma de perdão. Mundo triste!
escrito por Jerónimo Costa

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"PALERMAS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!"

Tenho ouvido e lido um conjunto de disparates por essas redes fora. O mais frequente é dos que alinham pela batuta do sabujo do Coelho e vá de zurzir na Grécia, sem terem a mais piquena ideia

(como diz Ferreira Leite) 
do que falam. Aliás como o próprio e o contabilista de Boliqueime.

Toda a gente sabe de economia e até já ouvi um dizer no café que, dinheiro dele, não vai para a Grécia… Ninguém ouviu o que o Syriza disse, seguem aquela máxima: “para saber que é merda, basta saber de onde sai”.

Depois de uma quase unanimidade de repúdio das propostas da Grécia, eis que algumas brechas, insuspeitas, vão surgindo. Desde logo, et pour cause, do Obama que já se manifestou contra a austeridade grega, com os olhos postos a leste… Agora vem a voz insuspeita de Joseph Stiglitz dizer isto:
“…a situação atual da Grécia, incluindo a enorme subida da rácio da dívida, é principalmente devida aos equivocados programas da troika que lhe foram impingidos….. não é a reestruturação da dívida, mas a sua ausência, que é imoral”. 
Sobre as eleições na Grécia Stilitz diz
“eleições democráticas raramente dão uma mensagem tão clara como a que a Grécia deu. Se a Europa disser não à exigência dos eleitores gregos relativamente a uma mudança de rumo, estará a dizer que a democracia não tem importância, pelo menos no que diz respeito à economia…”. 
(Expresso, suplemento de economia, pág. 30 de 14/2/2015).

Entretanto parece que Coelho já emendou a mão e o Costa continua num nim. Aliás, Costa vai ser a maior desilusão do século XXI. Vai uma aposta?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 304. ÁLCOOL

Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longamente em procissão;
Volteiam-me crepúsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxidão.

Batem asas de auréola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de cor e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,
Descem-me na alma, sangram-me os sentidos.

Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo -
Luto, estrebucho...Em vão! Silvo pra além...

Corro em volta de mim sem me encontrar...
Tudo oscila e se abate como espuma...
Um disco de oiro surge a voltear...
Fecho os meus olhos com pavor da bruma...

Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eternizo?

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi álcool mais raro e penetrante:
É só de mim que ando delirante -
Manhã tão forte que me anoiteceu.
[Carneiro, Mário de Sá, Poemas Escolhidos, Livraria Civilização, Porto, 1995, pág. 13]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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PEDRO COELHO E A GRÉCIA

Adaptando Shakespeare, sempre se dirá que um sabujo é um sabujo, é um sabujo…

Naqueles grupos rivais, que se defrontam nos bairros, é certo e sabido que, se um elemento isolado é apanhado por um grupo rival, o mais cobarde, canino e ordinário do grupo se atira ao outro para mostrar a sua “coragem” e fidelidade ao grupo. Não importa que o outro esteja sozinho, indefeso e desarmado. Aquele “corajoso” não perdoa ao “inimigo”.


Tal qual Pedro Passos Coelho com a Grécia. Lampeiro e “corajoso” lá se mostrou intransigente, canino, sabujo. Uma vergonha para o país.
Só faltava agora vir Cavaco dizer um conjunto de alarvidades sem nexo e mentindo descaradamente.

Adaptando Garrett em “A Sobrinha do Marquês”: e quisemos nós disto fazer gente?
escrito por Carlos M. E. Lopes

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MESMO QUE NASÇA DUAS VEZES...


É possível que Cavaco nada saiba sobre Ulisses e Zeus não o tenha bafejado com umas tintas de cultura clássica.

Atena não lhe entrou no goto e o estadista que foi Péricles, por desconhecimento, não lhe serve de exemplo.

Aristarco de Samos certamente não passará de uma incógnita, embora tenha sido o primeiro dos gregos a propor uma explicação heliocêntrica para substituir o geocavaquismo em que o Sr. Silva ainda se encontra.

Ptolomeu, Arquimedes, Pítagoras ou Tales, não passarão de ilustres desconhecidos.

Talvez tenha uma vaga ideia de Sócrates e, por mera associação, tenha ouvido falar de Platão
(por causa dos bravos...) 
e de Aristóteles.

Já imaginou dar uma volta no cavalo de Tróia, mas quem retira cantos aos Lusíadas, diz 'façarei' e 'cidadões', não tem estaleca para ocupar o selim; saberá o custo das coisas, até do que emprestámos aos gregos, mas nunca saberá o seu valor, mesmo que nasça duas vezes!

escrito por Jerónimo Costa

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SUA eXª O DE BELÉM


Sua ex.ª, o nosso inquilino em Belém, que, contra todas as expectativas
(e mesmo factos)
nada disse, na Coreia do Sul, sobre o BES, pelo menos que os coreanos tivessem entendido, apareceu hoje, num dia cinzento, a fazer declarações brilhantes:

Uma, contra o governo grego, cuja dívida vai sair dos bolsos dos contribuintes portugueses
(compreende-se melhor o agastamento de Coelho) 
e a outra, congratular-se com o pagamento antecipado de uma verba, em dívida
(para darmos o exemplo) 
ao FMI.

Sobre a Grécia, esqueceu-se das negociações em curso e do interesse que elas possam ter para Portugal; sobre a dívida, esqueceu-se de agradecer aos portugueses esbulhados e aos mercados
(oh, os mercados!), 
que têm permitido empréstimos a um juro irrecusável. Manobras eleitorais, noblesse oblige!

escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 47

[Clique na imagem, para a ver maior]
TRAJETO
Na vertigem do oceano
vagueio
sou ave que com o seu voo
se embriaga
Atravesso o reverso do céu
e num instante
eleva-se o meu coração sem peso
Como a desamparada pluma
subo ao reino da inconstância
para alojar a palavra inquieta
Na distância que percorro
eu mudo de ser
permuto de existência
surpreendo os homens
na sua secreta obscuridade
transito por quartos
de cortinados desbotados
e nas calcinadas mãos
que esculpiram o mundo
estremeço como quem desabotoa
a primeira nudez de uma mulher
[Mia Couto in Raiz de Orvalho e outros poemas]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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"O LIXO" DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

O Expresso teve, há uns anos (poucos), alguns cronistas de eleição. Cito três que me agradavam sobremaneira: Nuno Brederode dos Santos, José Manuel dos Santos e Luís Fernando Veríssimo. Este último, quase tropecei nele. Estive em Porto Alegre e lá me disseram que era fácil encontrá-lo por perto do Centro Cultural dedicado a Mário Quintana, precisamente na rua onde fiquei. Mas fiquei-me pelas fotos na inauguração da FNAC…

Mas Veríssimo escreve crónicas tão boas que até irrita.

Já não sei onde li O Lixo, se foi lá se foi cá. Foi num jornal. Achei sublime de carinho, subtileza, enlevo. Não o encontrando, pedi a uma amiga brasileira que mo desencantasse. Vinte minutos depois, enviou-me o texto, com indicação onde o poderia encontrar (o livro) e onde poderia comprá-lo: Amazon de Inglaterra ou alemã, sendo que, aqui, em segunda mão…

Passo ao texto. Continua a fascinar-me…

O Lixo 
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.

- No seu lixo ou no meu?
escrito por Carlos M. E. Lopes

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CONSELHOS PARA ESTIMULAR O CÉREBRO


10 conselhos para estimular o cérebro: alimentação, exercício, aprender poesia, ouvir música…

Detalhes, n'O meu baú.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 303. UM OUTRO SOL, UM OUTRO PÃO

Em vão acumulo. Em vão se acumula.
Abri-me ao sol e disse: Eis o sol
todos os dias
e cheguei a sentir o sol das veias.

Árvore! gritaste.

Nunca se te abriu o pão da mesa
um pão impo
uns olhos de mulher de água tranquila?
[Rosa. António Ramos, Horizonte Imediato, Dom Quixote, Lisboa, 1974, pág. 29]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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CAVACO ESTÁ MAL...


Ontem, na Culturgest, assisti ao exemplo acabado de um homem fora de tempo, do seu reinado.

Prestava-me para assistir a um concerto comemorativo dos 40 anos da universidade do Minho quando, eis se não, sou empurrado por diligente funcionária que me exigiu que me afastasse. Pelos flashs e holofotes entendi que era gente graúda que se aprestava a fazer a sua chegada. Era. Cavaco Silva e a sua Maria também iam ao concerto. Mas o que mais me impressionou foi o abandono a que foi votado tão ilustre personagem. Nada do habitual envolvimento de pessoas e atenções. Muito só, com ar de doente, entrou discreto, esteve discreto e saiu discreto. O fim do poder, mais do que a irrelevância dos seus consulados, explicarão este homem só...

O poder é lixado (ou a ausência dele…).
escrito por Carlos M. E. Lopes

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CUSTE O QUE CUSTAR

Este é o perfil político do lambe-botas que nunca mais deixa de nos desgovernar:

Trata-se dos troikos? Portugal vai cumprir, custe o que custar.



Trata-se da saúde/vida de pessoas? Isso tem limite de custos.


escrito por ai.valhamedeus

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O QUE É A DEMOCRACIA?


"Alemanha quer que Syriza recue nas promessas".

Pelos vistos, é geral a conceção da DEMOCRACIA como um regime onde as promessas eleitorais que estão na base da eleição de um(s) partido(s) não são para cumprir. Que RAIO DE DEMOCRACIA é a democracia desta gente?

escrito por ai.valhamedeus

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"E O JUIZ CARLOS ALEXANDRE QUE SE CUIDE..."


Regressamos à liberdade de expressão. Soares tem todo o direito de exprimir as suas ideias, defender os seus amigos e ter, sobre eles, as convicções que melhor se adequam ao seu ponto de vista. Atacar o sistema judicial, opinando, segundo o seu critério, de modo a desqualificar a sua actuação, lançando sobre ele o labéu da suspeição, só adensa o clima de perturbação do processo que, afinal, a prisão preventiva procurou acautelar, reforçando também a ideia de que os políticos estão a salvo de prestar contas à justiça, façam o que fizerem!

Retomar a velha máxima de um dirigente do partido que, a dada altura resolveu informar 'que quem se mete com o PS, leva', sendo infeliz
(por pretender substituir a força da lei pela lei da força), 
não só não se adequa à legítima separação de poderes, consagrada pela Constituição, como assume uma intolerável interferência no processo que apenas a justiça pode e deve resolver. Ameaçar um juiz a quem cabe instruir um processo, seja ele qual for, que, de resto, não decide sozinho
(tem o aval e a conformidade do Ministério Público), 
constitui um perigoso retrocesso democrático e uma desqualificação dos princípios e das finalidades que regulam as instituições. Cavalgar uma onda que, no limite, se destina a manipular e a provocar alarme público, que está longe de colher a adesão de tantos portugueses como Soares imagina, mais não faz do que transformar um caso de polícia num caso político. Um padrão de suspeição, tão elevado, que, além do mais é comum a outros agentes políticos, só se resolve com uma justiça eficiente e eficaz, nunca por pressões políticas, muito menos através de ameaças, que envolvem a integridade física e moral de quem decide, venham de onde vierem.

escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 46

[Clique na imagem, para a ver maior]
HORIZONTE
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp´rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.
 [Fernando Pessoa in Mensagem]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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VÍDEO DA SEXTA 217. "Meu amigo Nietzsche”


Meu Amigo Nietzsche, curta-metragem de Fáuston Silva. 
Um vídeo sensível que mostra a vida de um menino que é mudada radicalmente quando descobre um misterioso livro no lixão.
Fonte: [https://jfborges.wordpress.com/2014/12/13/meu-amigo-nietzsche-o-pensamento-filosofico-e-o-poder-da-leitura/]

escrito por Adriana Santos

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hoje é sábado 302. VOZ

Dormem os génios que povoam
a habitação dos sonhos,
dormem os símbolos e a dormir deponho-os
onde as coisas da vida não perdoam

Ainda bem que dorme tudo
o que limita o lume das areias,
como o silêncio preso nas cadeias
e o sossego das casas, ósseo e mudo.

Lá no fundo de tudo um mar parou:
e peixes como a luz ou detritos de fragas
apagam-se no fósforo das vagas
que uma respiração polar gelou

Carnosa e nuas vais surgindo, vida,
dessa água extinta, do instinto morto:
e às portas da verdade que suporto
chama a tua nudez, repercutida.
[Oliveira, Carlos, Trabalho Poético, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, pág. 85]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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TAMBÉM TU, BRUTUS?


Cavaco ainda é o presidente desta república e, por certo, passará à história como uma das figuras mais perniciosas da democracia portuguesa. Esteve em todas as situações em que o país e os portugueses foram, progressivamente, desapossados da sua soberania e dos seus bens. São conhecidas algumas das suas gafes, umas com a história, outras com a língua de Camões, outras (tantas!) com os factos, de onde sobressai a trapalhada da permuta de uma casa por um terreno, onde
(milagrosamente) 
apareceu outra casa!

É inadmissível, depois de saber que o BES estava na rota do Titanic, avisado por 2 vezes pelo próprio comandante - o então dono disto tudo - ainda assim, inebriado pelas especiarias do Oriente, veio tranquilizar-nos, desde a Coreia do Sul, sobre a salubridade do banco, ordenando, mesmo com os salva-vidas em ruptura, que a orquestra continuasse a entreter os náufragos. Chamar cavaco à AR, parece-me um 'conto de crianças', mesmo que vá com pulseira electrónica...

(A notícia, em 1ª p., é do JN de 30jan2015)

escrito por Jerónimo Costa

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UM MURRO NOS CORNOS... DA PROVA


Quanto se trata de (a)bater o inimigo (ou, se preferirem, o adversário), nem tudo vale.
  1. O ministro Crato é um (a)batedor de professores. Há provas suficientes disso  (e de que é (a)batedor do ensino português -- mas não é disso que trato agora).

    A última (que eu conheço) desse ministro: para defender a prova de avaliação docente (que já provou não ter qualidade avaliativa nenhuma) afirmou que "não faz sentido nenhum que um professor dê 20 erros de ortografia numa frase".

    O ministro mente. Que provas tenho de que o ministro mente? objetivas, nenhuma. Mas o ministro também não apresentou objetivamente nenhuma: atirou 20 erros, mas poderia ter atirado 40 ou 50: como poderemos verificar isso?
    Mais: não é razoável admitir que alguém dê 20 erros numa frase -- a não ser que o ministro (ou alguém por ele, certamente, que ele não deve ter posto olho em qualquer prova) identifique o final de uma frase pelo ponto final e a tal frase seja uma daquelas "frases" à Saramago com pontuação a perder vista...

    Mas admitamos, misericordiosamente, que até houve um professor que escreveu uma frase com 20 erros. Admitamos que houve dois ou três. Não é razoável admitir que o número de professores que deu 20 erros numa frase seja tão elevado que seja suficientemente significativo para o ministro o referir, como argumento, numa audição na Assembleia da República.
        
  2. O presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE)  não se poupa nas críticas feitas ao docentes e a todos as pessoas que continuam a censurar a importância da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC). Ao Diário de Notícias (DN), Hélder Rodrigues fala no “número considerável de chumbos”, mas que tal já não o surpreende, uma vez que a instituição que lidera tem, com frequência, contacto com documentos “enviados por docentes” que, diz, “mostram falhas gravíssimas de escrita e até do ponto de vista científico”.

    E prossegue dizendo que este problema “tem de ser tratado de forma clara e frontal” e que “é preciso acabar com a tradição portuguesa de que quando não se sabe fazer mais nada vai-se para o ensino”.

    Este Helder Rodrigues é parvo. Além de parvo (onde é que esse tipo foi buscar este raio de tradição portuguesa?), este Helder é agressivo. Mesmo usando palavras que parecem não o ser, a ideia é-o.
    Não se pode tirar, logicamente, a conclusão de que todos os que foram/vão para o ensino são gente que não sabe fazer mais nada; mas é essa a ideia que passa. Como professor, sinto-me tão agredido por este Helder que, ao nível da agressividade dele, me apetecia responder que é tradição portuguesa gente que não sabe fazer mais nada ir para presidente de uma merda qualquer; e que essa gente merecia um murro nos cornos.
  3. Para que quem está por fora disto tenha uma ideia do que está verdadeiramente em questão, faço saber que a questão da prova que teve mais insucesso (78,9%) era de escolha múltipla (segundo parece, foi na escolha múltipla que os professores que fizeram a prova mais tremeram): perguntava e apresentava como hipótese de resposta o seguinte:

    o selecionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol. Destes 17 jogadores, seis ficarão no banco como suplentes. Supondo que o selecionador pode escolher os seis suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, podemos afirmar: (a) que o número de grupos diferentes de jogadores suplentes é inferior ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos; (b) superior ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos; (c) igual ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos; (d) não se relaciona com o número de grupos diferentes de jogadores efetivos”.

    Digam-me agora que raio de interesse tem este tipo de questões para avaliar a qualidade de um professor de filosofia, de português, de história, de geografia, de...?
  4. Quanto se trata de (a)bater o inimigo (ou, se preferirem, o adversário), nem tudo vale.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 45

[Clique na imagem, para a ver maior]
À BEIRA DA ÁGUA
Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
 [Eugénio de Andrade, in Os Sulcos da Sede]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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OUTRA VEZ O FADO?!


Cavaco condecorou umas fadistas e uns fadistas -- separando os géneros, como agora se faz.

Cavaco Silva diz tê-lo feito porque o fado tem “um potencial económico de elevada relevância”.

A seguir, virá a música pimba -- num sentido lato que englobe música e músicos como Marco Paulo... e os Xutos e Pontapés
[a seguir... ou, pela relevância económica, deveria ter sido antes?]?
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 301. NÃO COMPREENDEM NADA


Entrei no barbeiro e disse
Sossegado:
“Tenha a bondade, penteie-me as orelhas”.
O amável baeta logo ficou picado,
Esticou a cara até às sobrancelhas.
“Maluco!
Palhaço!” –
As palavras a saltar.
O insulto remexeu-se como um cacarejo,
E durante mu-u-u-ito tempo
Riu a cabeça de alguém,
Como um velho rabanete na multidão sem par.

(1913)

[Maiakovski, Eu Próprio. Poesia 1912-1916, vol 1, Editora Vento de Leste, Lisboa,1979, pág. 48]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O PARTIDO LIVRE

A nossa esquerda vai de vento em popa. O Podemos, antes de ser formado, já tem uma dissidente, a Joana Amaral Dias saiu do BE e agora saiu do Podemos antes de este existir

(coisa difícil). 
O BE tem dado origem a grupinhos e grupelhos. Mas há um partido que dificilmente terá dissidentes: o Livre! Que se saiba, o Livre é formado por uma pessoa: o Rui Tavares. Convidado por Miguel Portas para integrar o BE nas europeias como independente, zangou-se com o Louçã, saiu do grupo, mas não de Deputado Europeu. Como se sabe, no nosso sistema eleitoral as eleições são uninominais… Partido unipessoal lhe chamou Louçã… e com razão. Entretanto, essa esquerda “diferente” está a pôr-se a jeito para integrar um futuro governo de António Costa e até, se calhar, deputado. Espero que venha a fazer parte da comissão parlamentar de ética. Temos garantias de rigor e isenção.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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A FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES

Mário Soares não é um político por quem tenha grande consideração. E isto mais pelo feitio, pela forma como sempre procurou estar na ribalta, atropelando quem se opusesse, jogando fora quem não lhe servisse. Não o critico pelo papel na descolonização porque, na altura, julgo não haver outra coisa a fazer. Dito isto…

Recebi, há dias, uma petição para que os subsídios à Fundação Mário Soares fossem cancelados. Os brutos que me contactaram não sabem o que é a Fundação, nem o que faz. Mas só o nome do patrono lhes causa calafrios. São as mesmas bestas que acham que o Parlamento deveria ser extinto

(para que serve aquela merda?) 
e que os partidos não deveriam existir. Ignorantes, alarves, merdosos, são os mesmos que acham que a educação e a memória do nosso património são uma perda de tempo. Não lhes passa pela cabeça que a actividade desenvolvida pela Fundação é culturalmente relevante e importantíssima para o nosso país e um facto de que nos deveríamos orgulhar.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Qualquer aprendiz da nossa “social-democracia” encarrilou na vertente liberal. Ninguém se lembra, talvez, que Balsemão, nos anos 80, afirmou que “ser social-democrata, hoje, é ser liberal”. Milton Friedman e os Chicago Boys campearam…

Alguns jornalistas da nossa praça são ferozes liberais -- e há que cortar “gorduras” e diminuir o Estado.

Veio a público, por exemplo, que em Portugal, em 2011, o emprego público pesava 11% no emprego, quando a média da OCDE era de 15%. E desde 2011 temos perdido, cerca de 4% ao ano, tendo Portugal perdido 11% dos funcionários públicos de 2011 a 2014.

Quando fazemos alguma coisa, fazemos bem, punhefla

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O XICO DA FORNICAÇÃO DOS COELHOS

Quem se excita todo/a com a progressividade do papa Xico tem cada vez mais dificuldade em fundamentar a sua tese. Depois de os infiéis que ultrajam os sentimentos religiosos levarem um soco no estômago, foi agora a vez de os que andam praí a fornificar sem jeito serem enfiados em bacanais dos coelhos fornicadores

(ou seja, no dos selvagens, porque, pelos vistos, os domésticos não fornicam assim... sem dó nem piedade).

Antes que alguém me acuse do contrário, declaro publicamente que reconheço a Sua Santidade (SS) o direito de achar que só devíamos fornicar uma vez por mês ou por ano ou por século. Fornicar com ou sem preservativo, com sida ou sem ela, um por cima e o outro por baixo ou o outro por cima e o um por baixo, a dois ou a três ou a nove,... ou o que SS entender.

Acho mesmo que SS tem o direito de condenar às chamas do inferno quem usar lingerie de determinadas cores -- o vermelho, por exemplo, que é uma cor satânica
[não é verdade que uma cuequinha vermelha cria apetites do caraças -- queria dizer, apetites de coelho?]
Acho mesmo que SS tem o direito de seguir o exemplo de outras religiões e condenar às chamas do inferno ou do purgatório
[não faz mal se já não existe purgatório ou se não há lá chamas. Reconheço-lhe o direito, nesse caso, de criar um. Um purgatório com chamas do tamanho que SS entender]
de condenar a essas penas, dizia eu, aqueles que bebam álcool ou comam carnes de porco.

Por mim, declaro publicamente, continuarei a fornicar com a frequência e a vitalidade que mo permitirem as forças que Deus entendeu ainda me conservar. Não sei se será como coelhos, que nunca vi coelhos fornicarem, como SS parece ter apreciado. Fornicarei como Deus ainda me permite.

E que Deus seja louvado!

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 44

[Clique na imagem, para a ver maior]
UM RIO TE ESPERA
Estás só, e é de noite,
na cidade aberta ao vento leste.
Há muita coisa que não sabes
e é já tarde para perguntares.
Mas tu já tens palavras que te bastem,
as últimas,
pálidas, pesadas, ó abandonado. 
Estás só
e ao teu encontro vem
a grande ponte sobre o rio.
Olhas a água onde passaram barcos,
escura, densa, rumorosa
de lírios ou pássaros noturnos. 
Por um momento esqueces
a cidade e o seu comércio de fantasmas,
a multidão atarefada em construir
pequenos ataúdes para o desejo,
a cidade onde cães devoram,
com extrema piedade,
crianças cintilantes
e despidas. 
Olhas o rio
como se fora o leito
da tua infância:
lembras-te da madressilva
no muro do quintal,
dos medronhos que colhias
e deitavas fora,
dos amigos a quem mandavas
palavras inocentes
que regressavam a sangrar,
lembras-te de tua mãe
que te esperava
com os olhos molhados de alegria. 
Olhas a água, a ponte,
os candeeiros,
e outra vez a água; 
a água;
água ou bosque,
sombra pura
nos grandes dias de verão. 
Estás só.
Desolado e só.
E é de noite.
 [Eugénio de Andrade]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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CAI O CARMO E A TRINDADE? CAI!


De repente - e compreende-se - com tanta desavença em torno do espírito santo, que por uma estranha metáfora, era uma espécie de illuminati dos papas, acabou (também) por tremer o Carmo. Mesmo nas nuvens
(e perto de Deus!?) 
o Papa Francisco acrescentou umas achas para a fogueira e, de um sopro, aragem que faz medrar os incêndios, resolveu, ali mesmo, no avião (?!) rever a teoria de (não) “dar a outra face” regressando a uma espécie de direito natural da força:
"se um grande amigo fala mal da minha mãe, ele pode esperar um soco, e isso é normal." 
Bela epifania para quem tem percorrido tempestades contrariando a ideia de que quem anda à chuva molha-se. Bastou uma hedionda matança, em Paris, no XI arrondissement, onde se cultiva a liberdade de expressão, através da sátira, para o mais alto dignitário dos Cristãos achar uma espúria comparação e disponibilizar o soco (a um amigo) para resolver a contenda. Certamente por se achar mais forte; sabendo-se mais fraco, quem sabe, era capaz de ir buscar a kalashnikov para acertar contas com o incauto.

Sei que a liberdade de expressão é assunto sério, sendo, por isso, um referencial da democracia. Há gente disposta a cercear a liberdade, não a sua, mas a dos outros. Todos (?!) sabemos como isto começa; Marine já deu o mote: referendo sobre a reintrodução da pena de morte
(O Charlie já a experimentou e o Papa ainda só vai no soco) 
e a revisão do Tratado de Schengen. Não saberemos como isto termina. Dizem os livros que passa pela censura, auto-censura, interrogatórios arbitrários, prisão e limitação, em nome da segurança, de um conjunto de liberdades.


Está desenhado o caminho e há muito que descansa nos cartoons, acenando-nos com o inevitável retrocesso civilizacional. Aliás, há muito que os islâmicos vêm reclamando da cruz na bandeira da Suíça e estes, nos produtos que querem exportar para os países islâmicos, já lhes fizeram a vontade: substituíram a cruz! Um dia ainda vamos ter que adoptar a Sharia…

escrito por Jerónimo Costa

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SANTANA E A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Ontem, no Público, a boa imprensa vem dizer que Santana Lopes é presidenciável.


Santana Lopes é uma anedota. Tal como Cavaco era. Este chegou lá, ninguém sabe porquê. O homem não prestou, não presta e não prestará. Em torno dele vegetou o Loureiro, o Oliveira e Costa e quejandos. Em torno do Santana vegetou ele próprio: incompetente, demitido por isso mesmo pelo insuspeito Sampaio.

Estaremos sujeitos a isto, mais uma vez?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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SÓCRATES, O COITADO...

Há muitos anos que não dou prendas no Natal. E cada ano que passa recebo menos (é natural)… Mas quero dizer que atingi o cume da alegria com a prisão do José Sócrates. Pode ser inocente, mas só o facto de ter sido preso me deixou cheio de alegria. Sempre o achei arrogante, ignorante, vaidoso, sicofanta, malandro. Chega?


Mas há uma coisa que não compreendo. O fulano deu uma entrevista à TVI
(mesmo que o meu Ilustre Colega Pedro Delile diga que não) 
onde afirma que nunca foi confrontado com qualquer facto criminoso. “Onde, quando e como?”. A partir daí vem a lume que o MP lhe quer instaurar um processo por violação de segredo de justiça. Como assim? Se o que ele disse é mentira, não há violação do segredo de justiça; se o que ele disse é verdade, só têm de libertar o homem…
(esta minha opinião é de cidadão, não de advogado. Enquanto tal, não me pronuncio, não conheço, não vi e não sei e não quero).
escrito por Carlos M. E. Lopes

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A TAP E O EXPRESSO

No Expresso desta semana vêm dois artigos interessantes sobre a TAP. Um, de João Viera Pereira, penso que economista com provas dadas em empresas de referência

(digo eu, não sei) 
-- e outro, do Nicolau Santos, economista e diretor-adjunto do Expresso. O primeiro diz que se deverá entregar a TAP aos sindicatos
(com aquela ironia fina que caracteriza os economistas de sucesso…); 
o outro entende que o que consta do caderno de encargos da privatização significa que a TAP, naquelas condições, não vai ser privatizada.


Tal como os economistas, nada sei de economia. Espanta-me como se privatiza a EDP que, depois de não poder ser gerida pelo Estado, pode ser gerida por uma empresa do Estado… chinês… e como se pretende privatizar a TAP, à pressa, quando estamos perto de eleições legislativas. E há muita gente que se tem manifestado contra essa solução, nomeadamente… economistas de referência
(esses, sim, com provas dadas).
A “coisa” não mereceria alguma reflexão? Eu, contra as privatizações? Nem pensar! O Pedro queria privatizar os cemitérios, o Reagan privatizou as prisões, eu privatizava… o Estado. Já!
(queria ver onde “eles” iam arranjar trampolim para as suas vidas…)
escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 300. TÉDIO

Não vivo, mal vegeto, duro apenas,
Vazio dos sentidos porque existo;
Não tenho infelizmente sequer penas
E o meu mal é ser (alheio Cristo)
Nestas horas doridas e serenas
Completamente consciente disto.
[Pessoa, Fernando, Novas Poesias Inéditas, Edições Ática, Lisboa, 1979, pág. 19]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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EU SOU CHARLIE... TUDO PERDOADO!


Encontrei na Internet, para descarregar, a última edição do Charlie Hebdo (de 14/jan/2015). Tratando-se de coisa tão séria, suponho não ser pirataria, pelo que deixo aqui indicação dos sítios onde presumivelmente estará: aqui ou aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 216. "Vida Maria”


VIDA MARIA é um curta de 2006 dirigido por Márcio Ramos. 
O filme mostra a história do que mais se vê no interior do nordeste do Brasil (e não só lá):  crianças que têm sua infância interrompida para ajudar a família a sobreviver.
Fonte: [http://www.contioutra.com/]

escrito por Adriana Santos

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DO CONTRA [108] papa xico não é charlie


O Papa Xico, a pretexto do ataque ao semanário Charlie Hebdo, sentenciou que a liberdade de expressão não dá direito de insultar a fé do próximo.

Sua Santidade confunde aqui duas coisas (dois planos). Esperar-se-ia, porque é inspirado pelo divino espírito santo, que as não confundisse
(já outro tanto não se espera da eurodeputada Ana Gomes, que deve ter outros bichos inspiradores).
Sua Santidade confunde crenças/ideias com pessoas. E insiste na confusão quando compara/argumenta as ofensas ao Islão com as ofensas à (sua) mãe:
 "se um grande amigo fala mal da minha mãe, ele pode esperar um soco, e isso é normal. Não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros, não podemos ridicularizar".
Porque, quem sabe?, o papa Xico poderá ler estas linhas, vou tentar explicar-lhe que uma coisa são crenças e outras, pessoas. Para dar um exemplo do catolicismo: eu acho tola a crença dos católicos na transubstanciação. Que alguém acredite que um pedaço de pão se transforme no corpo de um deus sem qualquer sinal que aponte nesse sentido -- isto é um perfeito disparate. No entanto, isto não impede o meu relacionamento com muitas pessoas (amigos, familiares) que acreditam na transubstanciação. Mais: já transportei pessoas, que não poderiam ir de outro modo, para "assistirem" à missa.

Esta distinção, de pessoas e das crenças das pessoas, tem várias virtudes; algumas:
  • permite a livre expressão, incluindo a "do outro lado"; permitiu ao ex-arcebispo-atual-papa "ofender" os gays proclamando que o casamento gay é uma manobra do diabo para destruir famílias (ou, vinda do outro lado, a ofensa deixa de ser ofensa?);
  • permite que se recorra aos tribunais e outros modos legalmente/legitimamente estabelecidos de punição; permitiu que alguns portugueses recorressem aos tribunais, por se sentirem ofendidos por uma imagem do papa, de outro papa mais tolo que este, com preservativo no nariz.
  • evita atitudes como a da Arábia Saudita que declarou, na lei, que todos os ateus são terroristas ; evitaria, por mais incrível que possa parecer, a chacina no Charlie Hebdo (e até, eventual e paradoxalmente, o fim do semanário); evitaria a caça aos cristãos nalguns países...

Se virem o papa Xico por aí, digam-lhe que passe por aqui!...

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 43

[Clique na imagem, para a ver maior]
MOMENTO
Nenhum sopro de ausência. Só a paixão
suave
de um sol íntimo
no seu ninho verde e alaranjado.
Simplicidade de substância volátil,
desejo no seu silêncio,
luxo indolente, frescura de vértebras solares. 
intimidade perfeita
e que demora numa cândida estância.
Tudo se tornou interno neste espaço interior,
na delícia extrema de um sossego de folhas.
O que era fugaz converteu-se em tempo enamorado
e em tranquila doçura de hábitos.
 [António Ramos Rosa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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EU SOU CHARLIE

  • ...só um desafio: em que país (islamita ou não?) este cartoon (que satirizava uma posição estúpida de um determinado grupo religioso) foi chamado desenho aporcalhado ou execrável caricatura? foi geral a defesa da liberdade de expressão (do cartoonista)?  Se não sabe a resposta, procure-a aqui.

  • ...só mais uma adivinha: em que país (islamita ou não?) a candidatura de Saramago a um prémio europeu foi vetada atendendo às convicções religiosas nacionais? Que islamita era chefe de governo nessa altura? Como reagiu o grupo religioso maioritário nesse país? Como reagiu o chefe desse país quando Saramago morreu? Se não sabe as respostas, procure-as aqui

escrito por ai.valhamedeus

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EU (NÃO) SOU CHARLIE

Imagens como esta mostram que... os "grandes" estiveram ontem a encabeçar a multidão que se manifestou em Paris, na sequência do ataque ao Charlie Hebdo. E que estiveram até muito unidos.

Mas há sempre algum desmancha-prazeres que decide estragar as festas. Desta vez, foi o Le Monde, ao mostrar que a primeira foto e as semelhantes não passam de selfies do grupo dos grandes. Com uma simples foto tirada doutra perspetiva:


Mais pormenores, aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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NÃO SOMOS TODOS CHARLIE


Paris, daqui a pouco, também será o palco da hipocrisia; todos serão Charlie?

Em julho de 2013, Assunção Esteves, como já tinha acontecido noutras ocasiões, insurgiu-se contra as manifestações de desagrado, oriundas das galerias, onde o 'povo' costuma assistir aos 'trabalhos' de quem os representa(?!). Por várias vezes, por razões semelhantes, tem mandado expulsar as pessoas que, uma ou outra vez se insurgem contra as decisões aí tomadas.

Mas, nesta altura, resolveu, naquele que se transformou no episódio mais lamentável para a segunda figura do Estado (e para nós), convocar Simone de Beauvoir para qualificar os ocupantes do espaço popular:

Assunção Esteves não gostou dos protestos na Assembleia da República e ameaçou mudar as regras de acesso às galerias. Depois dos protestos, usou uma frase para resumir a situação.
Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes.
Hoje estará em Paris e, apesar dos 'inconseguimentos' conhecidos, é bem capaz de ter coragem bastante para desfilar e... ser 'Charlie'!

Os cartoonistas, barbaramente executados, vão, por certo, onde quer que estejam, satirizar a situação - e não serão meigos, estou certo!

escrito por Jerónimo Costa

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hoje é sábado 299. ÁRVORE


Forço e quero ao fundo delicadamente
como subindo no sentido da seiva
espraiar-me nas folhas verdejantes,
espaçado vento repousando em taças,
mão que se alarga e espalma em verde lava,
tronco em movimento enraizado,
surto da terra, habitante do ar,
flexíveis palmas, movimentos, haustos,
verde unidade quase silenciosa.
[Rosa, António Ramos, Poesia Presente, antologia, Assírio & Alvim, s/l, 2014, pág. 50]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 215. "O Principezinho"




O clássico da literatura O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry, uma das obras mais vendidas em todo o mundo, vai ganhar uma nova versão que sairá nos cinemas este ano.

escrito por Adriana Santos

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MICHEL HOUELLEBECQ. SOUMISSION


escrito por ai.valhamedeus

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ZOOM [95] - charlie hebdo


escrito por ai.valhamedeus

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O LONGO CAMINHO DA TOLERÂNCIA


Poderíamos consultar Gil Vicente, ou Shakespeare e, de algum modo, seguir um dos seus preceitos de vida: ridendo castigat mores. Sabemos que é pelo desconcerto/desconstrução que, frequentemente, se trava o fanatismo e a intolerância. Uma das vias continua a ser o humor e a sátira, mecanismos expeditos de garantia da liberdade de expressão.

François Jacob (1989) no 'Jogo dos Possíveis' escreveu, lapidarmente, que todos os crimes da história são consequência de algum fanatismo. Todos os massacres foram cometidos por virtude, em nome da verdadeira religião, do nacionalismo legítimo, da política idónea, da ideologia justa; em suma, em nome do combate contra a verdade do outro.

Em França, o 'ovo da serpente', que há muito vinha sendo amparado, teve, agora, um desfecho brutal. A pátria da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que Hollande foi transformando num equívoco, tem agora uma grande via para levar Marine Le-Pen até ao Eliseu. Não foram apenas os jornalistas-artistas que sucumbiram; foi a democracia, que na sua roupagem de fachada, abriu as portas a todas as trancas, permitindo mais um golpe na já frágil DUDH!
En quarante-cinq ans d'existence (et une longue interruption), Charlie Hebdo a toujours dérangé, c'était bien là d'ailleurs sa raison d'être: faire rire, faire réagir, faire réfléchir. Jusqu'à 2011, c'était surtout dans les tribunaux que la rédaction était attaquée. Jusqu'à l'incendie criminel de 2011. Et jusqu'au massacre de ce mercredi 
(Libération, 7JAN2015)
escrito por Jerónimo Costa

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 42

[Clique na imagem, para a ver maior]
O QUE É PERFEITO NÃO PRECISA DE NADA
Sim, talvez tenham razão. 
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, 
Mas essa coisa oculta é a mesma 
Que a coisa sem ser oculta. 
 Na planta, na árvore, na flor 
(Em tudo que vive sem fala 
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), 
No bosque que não é árvores mas bosque, 
Total das árvores sem soma, 
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro 
Que lhes dá a vida; 
Que floresce com o florescer deles 
E é verde no seu verdor.  
No animal e no homem entra. 
Vive por fora por dentro 
É um já dentro por fora, 
Dizem os filósofos que isto é a alma 
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem 
Da maneira como existe.  
E penso que talvez haja entes 
Em que as duas coisas coincidam 
E tenham o mesmo tamanho.  
E que estes entes serão os deuses, 
Que existem porque assim é que completamente se existe, 
Que não morrem porque são iguais a si mesmos, 
Que podem mentir porque não têm divisão [?] 
Entre quem são e quem são, 
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam 
Porque o que é perfeito não precisa de nada.
[Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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EUSÉBIO JÁ TEM RUA EM LISBOA


E qual foi o mérito de Eusébio que justifica que "tenha uma avenida" em Lisboa? Explícito, este: foi futebolista. Palpita-me que há de haver mais qualquer razão escondida na "tabuleta": ter sido futebolista do Benfica? Ter sido futebolista dos tempos e do regime do partido único, da religião única e do clube de futebol único?

...nacionalismo bacoco -- é como designaria eu isto, se a designação me não valesse impropérios e diminuição de popularidade. E temos eleições à porta -- e nunca se sabe se não terá chegado a minha vez de ser candidato. Homem prevenido...

escrito por ai.valhamedeus

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FACTOS (SEM IMPORTÂNCIA)


O detido 44, por ironia do destino e pelo labor do tempo, dá a sua primeira entrevista a um órgão de Comunicação Social (a TVI), um dia após a entrada em funções, como director de informação, de Sérgio Figueiredo.

A ironia não se fica por aqui; este foi o órgão de informação que Pinto dos Santos mais criticou, acolhendo-se agora no seu seio, usando uma liberdade (a de opinião) que tanto combateu!

Considero que JSPS e a TVI, por se tratar de factos do interesse público, cumpriram o seu papel; além de mais, sabemos agora - e está escrito - que da venda de um bem patrimonial da sua mãe, o detido recebeu 75%, deixando 2 sobrinhas a reclamar idêntica percentagem. A ser verdade, o azedume contra a divulgação das perguntas do Expresso
(bem diferentes das da TVI) 
e a confusão que paira já em toda esta correspondência, adensam cada vez mais as dúvidas sobre o limitado espaço de manobra de JS. Se ele refere, apesar da detenção de mais de 30 dias, que isto só agora começou, vamos aguardar.

O inquilino de Belém foi, entretanto, instado
(através de um estranho argumento) 
a pronunciar-se, até porque, daqui a poucos meses, também poderá ser preso. Portugal e presídio, andam perto no alfabeto - e até o número de letras coincide! - se lá forem alojados
(no presídio) 
mais alguns, haveremos de ficar gratos por isso. Quem não nos merece, não deve, em nosso nome, exercer o nobre ofício da política.

escrito por Jerónimo Costa

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COM ESTE GOVERNO, O PAÍS ESTÁ MUITO MELHOR


A Ordem dos Enfermeiros (OE) deu a conhecer neste sábado, 3 de janeiro de 2015, que 2.082 pediram a “Declaração das Diretivas Comunitárias” para trabalhar no estrangeiro. O número de pedidos cresceu desde 2010, atingindo em 2013 o pico de 2.516.


Mas em 2014, o número de pedidos, embora superior a 2.000, baixou 17,3% em relação a 2013. O que significa que, com o incentivo do governo à emigração, o país está cada vez melhor. Continuando assim, é previsível que, num dos próximos anos, a emigração desapareça totalmente: basta que os enfermeiros emigrem todos...

escrito por ai.valhamedeus

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O EUROMILHÕES DE JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA


Não sou leitor, nem esporádico, do Sol
[o tal semanário "que vale por si mesmo" porque "não oferece brindes"... a não ser os que vende, como os restantes periódicos]:
sempre achei, desde o segundo número, que não valia a pena perder tempo com ele. Mas hoje veio-me parar aos olhos um texto de opinião do lambidinho José António Saraiva, publicado no primeiro dia deste 2015, que não resisto a partilhar. Terminada a leitura, fiquei sem saber se é um texto parvo ou tolo ou ambas as coisas.

escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 149. em nome dos portugueses

"Que espera o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para, em nome dos portugueses, intervir [no "caso José Sócrates"] quando dentro de poucos meses o poderão julgar a ele quando terminar o seu mandato presidencial?"
[Mário Soares, num texto de opinião intitulado "O meu amigo Sócrates", publicado no Jornal de Notícias. Negrito meu]

Há circunstâncias em que não sou português. No caso presente, não sou dos portugueses cujo nome é invocado por um presidente da república que já terminou o seu mandato e, portanto, já poderia/deveria ser julgado.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 298. MUSA


Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos.

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
[Andresen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética III, Editorial Caminho, 2ª edição, Lisboa, 1996, pág. 140]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 214. "Papel de Natal"

Camila é uma menina alegre e criativa que, um dia, percebe que o seu pai desapareceu sem deixar rasto. Determinada a encontrá-lo, constrói um amigo para a ajudar: um boneco de cartão chamado Dodu. Ele não só ganha vida como parte em busca do pai de Camila num universo paralelo em que tudo é feito de papel. Agora, é preciso resgatá-lo das garras do Monstro Desperdício… 
Dirigido por José Miguel Ribeiro (A Suspeita), uma história de amizade e coragem que pretende sensibilizar o público para a sustentabilidade, fazendo referência a uma "tradição" de Natal com a qual é preciso romper: o desperdício de papel. É deste material que são feitos, literalmente, cenários e personagens. O filme combina animação em "stop motion" com imagens reais.
Fonte: [PÚBLICO]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 41

[Clique na imagem, para a ver maior]

DA MINHA JANELA
Mar alto! Ondas quebradas e vencidas 
Num soluçar aflito, murmurado... 
Voo de gaivotas, leve, imaculado, 
Como neves nos píncaros nascidas! 
Sol! Ave a tombar, asas já feridas, 
Batendo ainda num arfar pausado... 
Ó meu doce poente torturado 
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! 
Meu verso de Samain cheio de graça, 
Inda não és clarão já és luar 
Como um branco lilás que se desfaça! 
Amor! Teu coração trago-o no peito... 
Pulsa dentro de mim como este mar 
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
[Florbela Espanca]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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CAVALOS DE VENTO


Guardo alguma consideração por António Arnaut. As razões não são muitas, mas basta-me o facto de ter sido um dos principais mentores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do qual, por via do nosso alheamento e da sua transformação em negócio, pouco resta. Fiquei estupefacto por lhe terem devolvido – de Évora – os seus ‘Cavalos de Vento’ que, à semelhança dos castelos de areia, seriam um precioso recurso para retirar um detido da prisão. Pelo menos este artifício, cifrado numa linguagem que só Babel encerra, não teve o efeito pretendido: fazer de Pinto dos Santos 
(nome que indispõe o detido, dizem)
um leitor atento ao rumo dos cavalos e ao sopro do vento. O que me indignou – e pouco entendo de leis – 
(assunto em que Arnaut é especialista)
foi mesmo o desencanto experimentado com o ‘Regulamento Prisional’ que, segundo o causídico, ‘ofende os direitos de cidadania do detido’. O tempo, esse grande ‘engenheiro’ 
(não só dos domingos)
encarregou-se de devolver o seu a seu dono! Arnaut devia saber que o regulamento, com o qual não se conforma, foi gizado 
(e assinado, enquanto primeiro-ministro) 
– para os outros – pelo próprio detido! Nessa altura, teria apreciado ver Arnaut, ofendido com tal disposição, bater-se – até ao esgotamento mediático – pela revogação de disposições que possam ofender os direitos dos detidos, qualquer um! Aí, sim, além da consideração que mantenho, por via do SNS, acresceria outra, que só viria em reforço da primeira.  Quando se fazem leis, seria de elevado engenho ponderar se um dia, mesmo remoto, não estaremos sujeitos a experimentar os seus efeitos. Arnaut devia estar agradecido por ter de volta os seus ‘Cavalos de vento’, com um acréscimo de publicidade, sabendo também que o estatuto de sábios, concedido aos anciãos gregos de antigamente, está muito delapidado nos tempos que correm.

escrito por Jerónimo Costa

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