TRUMP(A)

hoje é sábado 335. CADA TACO AFAGADO

cada taco afagado
untado de cera repele
a ruína
que virá

as cortinas do quarto
que alaranjam as paredes
a cama o guarda-fatos

encobrem alguma coisa má

dentro daquela gaveta
dormindo
muito bem guardado está
a ruína que virá

em toda a parte na despensa
no escritório
na varanda no vestíbulo
na garagem

dentro e fora da vedação
do quintal

a ruína, adiada, que virá
[Miguel-manso, persianas, Tinta da China, Lisboa, 2015, pág. 51]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 234. "Peter Pan"



Uma nova versão da história de Peter Pan, o menino que se recusa a crescer. Desta vez, a peça de teatro que se tornou num dos grandes clássicos da literatura infantil é adaptada pelo realizador britânico Joe Wright.
Inglaterra, década de 1940. Sem pai, mãe ou alguém que lhe possa valer, Peter, de 12 anos, foi criado por freiras num orfanato. Um dia, ele e os outros rapazes são raptados por piratas e levados num estranho navio voador. O destino da embarcação é a Terra do Nunca, um lugar mágico e muito longínquo onde o terrível Barba Negra escraviza crianças e adultos para que encontrem uma pedra preciosa que concentra o pó de fada. É ali que Peter conhece Capitão Gancho, um jovem impetuoso de quem se torna amigo. Com ele, engendra contra o Barba Negra um plano que libertará todos e o transformará no jovem herói que hoje conhecemos pelo nome de Peter Pan.
Peter Pan  filme de animação

Peter Pan é um filme de animação norte-americano produzido pela Disney em 1953 e baseado na peça teatral Peter and Wendy do autor escocês James Matthew Barrie.
Fontes:[http://cinecartaz.publico.pt/Filme/ e https://pt.wikipedia.org/]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

VENDA-SE A RTP! OU DÊ-SE!

Notícia de abertura do jornal da SIC das 13h de hoje: Austeridade prolongada.


À mesma hora, o jornal da RTP 1 arranca com a notícia de que o Governo alivia austeridade.


Lá mais para diante, no mesmo jornal, a RTP insere um pequeno "documentário" exemplar sobre uma "freguesia ingovernável" (citei): (e cito novamente) "O que está a acontecer no país aconteceu numa freguesia de Chaves", onde os partidos com eleitos levaram dois anos a entender-se, com a junta de freguesia em "governo de gestão". Quase no fim, é um entrevistado que tira a lição de moral: "Quem nos governa olhe para esta situação. [...]O país não pode estar sujeito a berrices [??? birrinhas???], a miminhos".


Esta RTP é a televisão para a qual eu pago todos os meses uma quantia contra a minha vontade, disfarçada na fatura da eletricidade. Privatize-se esta RTP! Venda-se esta RTP! Ou dê-se!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

A VIVER ACIMA DAS NOSSAS POSSIBILIDADES

[notícia, aqui]

Estes meninos continuam a viver acima das nossas possibilidades...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 85

[Clique na imagem, para a ver maior]
SOBRE UM POEMA
Um poema cresce inseguramente 
na confusão da carne, 
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, 
talvez como sangue 
ou sombra de sangue pelos canais do ser. 

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência 
ou os bagos de uva de onde nascem 
as raízes minúsculas do sol. 
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis 
do nosso amor, 
os rios, a grande paz exterior das coisas, 
as folhas dormindo o silêncio, 
as sementes à beira do vento, 
- a hora teatral da posse. 
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço. 

E já nenhum poder destrói o poema. 
Insustentável, único, 
invade as órbitas, a face amorfa das paredes, 
a miséria dos minutos, 
a força sustida das coisas, 
a redonda e livre harmonia do mundo. 

- Em baixo o instrumento perplexo ignora 
a espinha do mistério. 
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
[Herberto Helder]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

NATURAL * manteiga de avelã e amendoim

No texto anterior, descrevi um processo para fazer leite de arroz caseiro. Proponho hoje manteigas (margarinas) vegetais.

Se me não engano, a soja domina os produtos vegetais como as bebidas ou as manteigas. Nas grandes superfícies, é muito fácil encontrar à venda manteigas de soja de várias marcas, nacionais e estrangeiras. Sendo assim, porquê fazer em casa manteigas vegetais?

 [manteiga de amendoim -- imagem copiada daqui]

Por duas razões: porque não á fácil encontrar manteigas que não sejam de soja; depois, porque os produtos comerciais têm (bastantes) aditivos. Acresce que é muito fácil fazer manteigas vegetais a partir de qualquer oleaginosa (amêndoas, avelãs, cajus, nozes...) ou semente (sésamo, girassol, abóbora). O processo é sempre simplesmente este, como é explicado no texto para o qual remete a ligação anterior: tostar e triturar. O processo de triturar pode demorar alguns minutos, dependendo da potência do processador: forma-se uma farinha grossa, depois essa farinha começa a libertar os seus óleos... até se obter um creme macio.

Esta receita indica os valores para quem usa Bimby. Esta receita de manteiga de amendoim e esta incluem opções que as tornam mais salgadas ou doces. Acho que tanto o sal como o açúcar (tanto nesta como na de avelã) são dispensáveis, mas isso varia conforme os gostos.

Experimente e diga-nos o que achou...

escrito por Madre Natureza

LEIA O RESTANTE >>

QUEM GANHOU/PERDEU AS ELEIÇÕES?

Em comentário ao (meu) texto A CONSTITUIÇÃO DE UM GOVERNO DE ESQUERDA, um leitor do Ai Jesus! chama ao eventual futuro governo PS/BE/PC um governo de perdedores.

Seja em que domínio for, isto de ganhar ou perder, porque supõe comparação, é relativo: depende do critério adotado. É essa a razão por que em noites eleitorais a maioria dos partidos se auto-declara ganhador. Não é só o referido leitor a entender que os ganhadores das últimas legislativas portuguesas foram os partidos coligados PSD/CDS: vários comentadores insistem nessa ideia (julgo que por má fé).


De facto, esses foram os ganhadores, se o critério for o de quem teve mais votos. O problema é que
  • esse não é o único critério para determinar quem ganhou ou perdeu;
  • as eleições legislativas não são para eleger governantes ou sequer o primeiro-ministro, mas para eleger deputados. O critério para a indigitação do primeiro-ministro e a formação do governo está definido constitucionalmente e não é o do partido que teve mais votos/deputados.
Feitos estes reparos preliminares... quem ganhou/perdeu, nas últimas eleições?
  • Repito: se o critério for quem teve mais votos/deputados, foi o PSD+CDS.
  • Se o critério for a comparação com as eleições de 2011, o grande vencedor é o BE, sendo que o único perdedor é a coligação PSD+CDS (em número e percentagem de votos e número de deputados).
Mas o ponto principal é que, se o critério for o da constituição de governo, PSD+CDS foram os grandes perdedores: perderam o apoio da maioria absoluta dos deputados. E uma eventual coligação PS+BE+PC é a grande vencedora. porque ganharam  o apoio da maioria absoluta dos deputados.

Nota final:
Bem sei que nada do que escrevi é novo; mas, quando ouço a maioria dos comentadores encartados (que passam a mensagem ao cidadão comum), até chego a pensar que sim.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 334. OS AMIGOS

Vamos vendo os amigos cada vez mais longe,
muitas vezes de costas,
a sacudir o espaço dos seus tempos como se entrassem
no mundo pela primeira vez.

São pequenas formações quase desumanas
que às vezes se reconhecem
disformes quase sempre sós e aos pés oculto de todos
corre um rio.

Um rio que nos vai confundindo a vida
e a memória
Que percorre os lugares do júbilo como uma água
aflita e sem regresso.

Quando os olho por dentro no começo da tarde
os amigos cintilam como corpos estranhos
entre os nossos desastres bebemos o anoitecer
e adormeceríamos juntos se soubéssemos.
[Carvalho, Armando Silva, A sombra do Mar, Assírio & Alvim, s/l, 2015, pág. 48]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 233. "fears"

Curta produzido por Nata Metlukh mostra que nem sempre vale a pena se desfazer assim dos seus medos, mas que talvez seja uma boa aprender a controlá-los e conviver com eles. 
Fonte: [http://n-found.blogspot.pt/]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 84

[Clique na imagem, para a ver maior]
UM SENTIDO
Porque há um sentido 
no lírio, incensar-se; 
e no choupo, erguer-se; 
e na urze arborescente, 
ampliar-se; 
e no cobre, primeira cura, 
que dou à vinha, 
procriar-se. 

E outro, pressago, 
sentido há na memória, 
explodir-se. E outro, imensurável, 
no amor, entregar-se. 
E outro, definitivo, 
na morte, render-se. 
[António Osório, in Felicidade da Pintura]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

ANTI-PIRATARIA * 36. aceder aos sites bloqueados

A Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) enviou para os operadores de telecomunicações uma lista com 51 sites piratas que deverão ser bloqueados ao abrigo de um protocolo assinado no passado verão. A Exame Informática revela os sites bloqueados.



Tive conhecimento de que a Cabovisão já pôs em prática esse bloqueio. Acabo de verificar que a NOS, também, apresentando a mensagem A página a que pretende aceder encontra-se bloqueada na sequência do cumprimento de ordem judicial ou administrativa.

Bom...
  1. esta lista tem vários interesses, o menor dos quais não será o de dar a conhecer-nos esses sites;
  2. é bastante fácil ultrapassar o bloqueio; n(alguns d)esses sites já era possível, há algum tempo, encontrar indicações sobre como o ultrapassar. No Youtube e na Web há bué de explicações sobre o assunto. O que há a fazer é alterar os endereços de DNS (como se explica aqui).
    [edição a 6/1/2016] Se utilizar Ubuntu, experimente esta solução.
  3. Há outros modos de o fazer. Por exemplo, os Reformados da Investigação sugerem a utilização de extensões para modificar o DNS a aplicar nos browsers: este no Chrome e este, no Firefox.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 333. ALGUMA ETERNIDADE

Um nome é uma vida, um sangue, um coração absoluto,
o estremecer de alguma eternidade.

Tudo tem direito a um nome.
Ate uma lagarta que se move entre a frescura das couves
e os restos amarelos do que já apodreceu,
com todos os seus gestos lentos de cocotte,
não despedaça o seu nome na lama.
A boca de deus chamará
por ela.

Olhai toda a natureza exuberante
que merece o esplendor duma outra nomenclatura.
A não-nomenclatura que existe antes do verbo,
todo esse despertar do mal e bem entre a matéria,
da exaltação da flora desumana,
da língua branca e fria
e glaciar,
da boca aberta da lava,
dos avós asteroides, da desordem do ser e do silêncio,
da igualdade da morte, da monomania
da vida.
Os nomes não queimam o tudo e todos
que a eles têm direito.
É a língua de carne em chamas,
no frio da casa obscura,
feita de nós, por nós, ociosos de deus,
criada de apelos verbais,
pois quem finge que chama, chama para dividir
e reinar,
nunca saberá olhar a sombra do seu próprio monstro,
e ser também a simples partícula do bem
suspenso no vazio do seu nome.
[Carvalho, Armando Silva, A Sombra do Mar, Assírio & Alvim, s/l, 2015, pág. 84/85]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

A CONSTITUIÇÃO DE UM GOVERNO DE ESQUERDA


A divulgação da hipótese de um governo PS+BE+CDU tem vários aspetos positivos, o menor dos quais não será certamente o de ter trazido a discussão política para os sítios onde já não era habitual, há muito tempo: os cafés, as ruas,... em suma, os sítios habitados pelo homem comum.

Um outro aspeto positivo foi o de mostrar o caráter pouco democrático de algumas personalidades, com grande destaque para os comentadores encartados. É o pequenote e inefável Marques Mendes, a comparar o tal hipotético governo a um campeonato de futebol, em que três equipas somassem os seus pontos para ultrapassar o primeiro classificado; é Manuela Ferreira Leite, a falar em golpe de Estado e a exigir que a hipótese em questão tivesse sido explicitamente referida (e, assim, referendada) durante a campanha (foi isso que aconteceu, na campanha de 2011, após a qual se formou a coligação governativa PSD+CDS?). É Paulo Portas a "esquecer" o que defendeu noutra ocasião, quando uma hipótese semelhante à atual beneficiaria o seu partido...

Compreendo que os dirigentes partidários tentem argumentar a favor dos cenários que defendem. Compreendo menos que usem argumentos pouco válidos. Ainda menos, que falem em nome dos portugueses ou dos eleitores. Não compreendo é que os comentadores confundam essa sua condição com a de dirigentes/militantes partidários. Nem a confusão permanente entre eleição de deputados (que é o que está em jogo nas eleições legislativas) e a nomeação do primeiro-ministro (que não é eleito, mas nomeado pelo presidente da República). Nem, portanto, a tese de que um hipotético governo PS+BE+CDU seja um atentado à democracia: tão constitucionalmente legítimo será um governo da coligação ainda em exercício (e exercício de atribuição de jobs a boys) quanto o tal hipotético -- porque, de acordo com o "famoso" artigo 187º da Constituição, o presidente da República não está obrigado a nomear o chefe do partido ou da lista mais votada.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 83

[Clique na imagem, para a ver maior]
CHUVA
Chuva, caindo tão mansa, 
Na paisagem do momento, 
Trazes mais esta lembrança 
De profundo isolamento. 


Chuva, caindo em silêncio 
Na tarde, sem claridade... 
A meu sonhar d'hoje, vence-o 
Uma infinita saudade. 


Chuva, caindo tão mansa, 
Em branda serenidade. 
Hoje minh'alma descansa. 
— Que perfeita intimidade!... 
[Francisco Bugalho, in Paisagem]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 332. INTERMEZZO

Hoje não posso ver ninguém:
sofro pela Humanidade.
Não é por ti.
Nem por ti.
Nem por ti.
Nem por ninguém.
É por alguém.
Alguém que não é ninguém
mas que é toda a Humanidade.
[Gedeão, António, Poesias Completas (1956 – 1967), 7ª edição, Portugália Editora, Lisboa,1978, pág. 38]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

NATURAL * leite de arroz

Inicio a minha colaboração no Ai Jesus! com uma proposta: fazer leite de arroz (bem sei que, rigorosamente, a designação de leite não é rigorosa. Tolere-se-me esta falta de rigor).

Há quem não beba leite animal, por várias razões; para eles, e não só, os leites vegetais são uma alternativa. O de arroz tem a vantagem de ter um sabor mais agradável do que outros. O que é feito em casa, além de mais barato, é mais "puro" e personalizável. Vamos, então, a isso:

  1. Colocar de molho 200 g de arroz integral, durante 10 a 12 horas (tenha em conta que irá aumentar de volume).
  2. Escorrer bem a água de demolhar.
  3. Junte ao arroz 750 ml de água fresca e uma pitada de sal marinho integral. 
  4. Leve ao lume numa caçarola com tampa; apague o lume antes de começar a ferver e deixe abafado durante 30 minutos.
  5. Bater a mistura num liquidificador (ou varinha mágica) na velocidade máxima, até se obter o leite (2/3 minutos?).
  6. Coar bem (pressionando o coador com uma colher, para retirar o máximo de leite possível).
  7. Passar o leite para um recipiente de vidro (esterilizado) e guardar no frigorífico (durante 3 a 5 dias).

Observações:
  1. Se assim entender, altere a proporção arroz/água aqui sugerida, até encontrar a sua concentração preferida.
  2. Pode variar o sabor do leite, adicionando (por exemplo) coco (na preparação do leite) ou canela em pó (antes de guardar no frigorífico) ou sementes de cânhamo ou chocolate (coloque no liquidificador cacau em pó, puro, 1/2 vagem de baunilha raspada e 2 tâmaras sem caroço, se necessário, demolhadas).
  3. Se usar arroz branco, basta demolhar durante 4 horas (este leite é particularmente útil em situações de convalescença). 
  4. A polpa que sobra (e pode ser guardada num recipiente de vidro -- esterilizado -- no frigorífico até 3 dias ou, congelada, até 6 meses) pode ser usada para outros cozinhados. A seu tempo, lá iremos...
[imagem copiada daqui, onde se descreve um processo alternativo para o fabrico do leite de arroz]

escrito por Madre Natureza

LEIA O RESTANTE >>

ZOOM [101] - o medo do governo de esquerda


escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

UM MOINHO DE VENTO CHAMADO COSTA

A hipótese de um governo/acordo PS/BE/CDU está a assustar o mundo inteiro: comentadores, "mercados", bolsas/Bolsas, homem comum (não ouço discutir outra coisa nos cafés, nas ruas...).

Serei eu o único a pensar que tal hipótese não passa, nunca passou, de um moinho de vento? Estão a aparecer os primeiros sinais indicadores de que tenho razão:
"Costa não vai apresentar propostas à direita e, se não conseguir um entendimento para quatro anos com a esquerda, abstém-se numa moção de rejeição do programa de governo. E obriga Passos a governar sem garantias de estabilidade."
 escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

A DEMOCRACIA ANGOLANA

Não me parece que esta seja apenas uma questão interna de Angola. E não me parece que Angola seja promotora da paz e da democracia -- muito pelo contrário!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 82

[Clique na imagem, para a ver maior]
POEMA DAS ÁRVORES
As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam  novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam  ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa  não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.
[Eugénio de Andrade]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>