TRUMP(A)

SALGADO É POBREZINHO...


Ora aí está! RICARDO SALGADO É POBREZINHO: Ministério Público aceita tese de pobreza do banqueiro e abre guerra a juiz.

Dasssss!

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 237. "Snoopy e Charlie Brown"


Sinopse
Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e o restante gang dos “Peanuts” fazem a sua estreia no grande ecrã, numa animação 3D. Snoopy, o beagle mais adorável do mundo – e da aviação – embarca na sua maior missão e vai até aos céus perseguir o seu maior inimigo, O Barão Vermelho, enquanto o seu melhor amigo, Charlie Brown, começa a sua própria jornada épica.

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/snoopy-e-charlie-brown-peanuts-o-filme]

escrito por Adriana Santos

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O FAVORITISMO DA CANDIDATURA DE MARCELO

Embora já seja do passado dia 8 (deste mês de dezembro), um interessante texto de Francisco Louçã, intitulado Pedro e Paulo apoiam Marcelo que apoia António que gosta de Marcelo que gosta de toda a gente,

[um título presumivelmente inspirado na Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade, que começa assim: 
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém]
defende que a favorita candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às presidenciais (des)agrada tanto ao PSD e CDS (que "terão que engolir este candidato") quanto ao PS (de António Costa), que "só anima candidatos para consumo interno". Termina assim:
O PSD e o CDS resignam-se a essa normalidade, o PS aplaude-a, Marcelo tem até agora tudo o que quer e não podia pedir mais.
escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 90

[Clique na imagem, para a ver maior]
SONETO DO AMOR DIFÍCIL
A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa… 
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça. 
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe 
de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu. 
[David Mourão-Ferreira]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 339. ODE SOBRE UMA URNA GREGA

I

Inviolada noiva de quietude e paz,
Filha do tempo lento e da muda harmonia,
Silvestre historiadora que em silêncio dás
Uma lição floral mais doce que a poesia:
Que lenda flor-franjada envolve tua imagem
De homens ou divindades, para sempre errantes.
Na Arcádia a percorrer o vale extenso e ermo?
Que deuses ou mortais? Que virgens vacilantes?
Que louca fuga? Que perseguição sem termo?
Que flautas ou tambores? Que êxtase selvagem?


II

A música seduz. Mas ainda é mais cara
Se não se ouve. Dai-nos, flautas, vosso tom;
Não para o ouvido. Dai-nos a canção mais rara,
O supremo saber da música sem som:
Jovem cantor, não há como parar a dança,
A flor não murcha, a árvore não se desnuda;
Amante afoito, se o teu beijo não alcança
A amada meta, não sou eu quem te lamente:
Se não chegas ao fim, ela também não muda,
É sempre jovem e a amarás eternamente.

III

Ah! folhagem feliz que nunca perde a cor
Das folhas e não teme a fuga da estação;
Ah! feliz melodista, pródigo cantor
Capaz de renovar para sempre a canção;
Ah! amor feliz! Mais que feliz! Feliz amante!
Para sempre a querer fruir, em pleno hausto,
Para sempre a estuar de vida palpitante,
Acima da paixão humana e sua lida
Que deixa o coração desconsolado e exausto,
A fronte incendiada e língua ressequida.

IV

Quem são esses chegando para o sacrifício?
Para que verde altar o sacerdote impele
A rês a caminhar para o solene ofício,
De grinalda vestida a cetinosa pele?
Que aldeia à beira-mar ou junto da nascente
Ou no alto da colina foi despovoar
Nesta manhã de sol a piedosa gente?
Ah, pobre aldeia, só silêncio agora existe
Em tuas ruas, e ninguém virá contar
Por que razão estás abandonada e triste.

V

Ática forma! Altivo porte! em tua trama
Homens de mármore e mulheres emolduras
Como galhos de floresta e palmilhada grama:
Tu, forma silenciosa, a mente nos torturas
Tal como a eternidade: Fria Pastoral!
Quando a idade apagar toda a atual grandeza,
Tu ficarás, em meio às dores dos demais,
Amiga, a redizer o dístico imortal:
"A beleza é a verdade, a verdade a beleza"
— É tudo o que há para saber, e nada mais.
[Keats, John, "Ode Sobre Uma Urna Grega", in Rosa do Mundo, 2001 poemas para o futuro, Assírio & Alvim, Lisboa, 2ª edição, 2001, pág. 1035-1037]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 236."Mune, O Guardião da Lua"


No mundo das fábulas e histórias de encantar vive Mune, um pequeno fauno lunar muito tímido e pouco seguro de si. Quando é nomeado Guardião da Lua, responsável por trazer a noite e tomar conta do mundo dos sonhos, vê-se obrigado a aceitar a responsabilidade. Mas quando o Guardião das Trevas decide roubar o Sol, o pequeno fauno descobre em si uma coragem que nunca imaginou possuir. Assim, com a ajuda do arrogante Sohone, o Guardião do Sol, e da sua amiga Cire, uma frágil criatura de cera, Mune vive uma aventura extraordinária que mudará, para sempre, a forma como se vê a si mesmo.
Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/353964_mune-o-guardiao-da-lua]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 89

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OUTONAL
Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…

Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…
[Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in Poesia Completa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DE NOVO NA RUA...


Recordo com saudade os tempos em que a política "caiu" na rua. Foi a seguir ao 25 de abri de 74... e progressivamente deixou de aparecer no quotidiano, pelo menos de forma "barulhenta". Os tempos renovados por um governo de tipo novo, o de Costa, parecem querer puxar novamente a discussão política para a rua: já foi assim nos cafés, restaurantes, locais de encontro..., nos tempos que ameaçaram com o governo que entretanto se constituiria; e a coisa (para meu contentamento) parece não desmaiar. Foi assim, ontem:

Nabos para Cavaco no Camões, vaias para Costa no Carmo

Separadas por 350 metros, na zona do Chiado, em Lisboa, duas concentrações com objectivos opostos mobilizaram várias centenas de pessoas. Umas defendendo a política de esquerda no poder, outras clamando contra o assalto de Costa ao poder. Prometem ser assim os próximos meses na política portuguesa.
escrito por ai.valhamedeus

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ACABOU?

Acabou!!!! Acabou. Acabou? é o título de um texto muito interessante (no Público de hoje) de Pacheco Pereira sobre as mudanças políticas atuais. Considero-o muito interessante, independentemente de concordar com ele (embora concorde). Considero-o muito interessante sobretudo porque faz uma análise não linear (e -- não menos importante .., lúcida, até na adjetivação e nos elementos "históricos" que convoca para a argumentação).

Só duas (ou três) citações são suficientes, digo eu, para provar o que digo. Esta passagem, embora muito arguta, poderia fazer-nos crer estarmos perante um texto tendencioso:
Piu-pius governamentais que vivem no Twitter; irrevogáveis de geometria variável; o “impulsionador jovem” que aos saltos no palco dizia à assistência “ó meu, isso da história não serve para nada”; os “justiceiros geracionais” que queriam tirar as reformas aos pais e avós para em nome de uns abstractos filhos e netos as darem a “outros” pais e avós, bem vivos e presentes, em nome da “estabilidade do sistema financeiro”; os neo-malthusianos que nos encheram de simplismos gráficos em que se escolhiam os parâmetros e se excluíam outros para concluir que “não há alternativa”; os arrojados ultra-liberais, que queimam o valor dessa bela palavra de liberdade, e que proclamam que nunca, jamais e em tempo algum quereriam “casar” com as “esganiçadas” do Bloco, sem sequer perceber o que lhes diz o espelho; as mil e um personagens ridículos cuja desenvoltura vinha de terem poder, estarem encostados ao poder e entenderem que tinham impunidade para pisar os outros porque eram mais fracos e tinham menos defesas. Vamos todos dançar a tarantela para expulsar o veneno.
Mas Pacheco mostra ser tudo menos de vistas estreitas. Uma prova...
[...]na verdade, para “aquilo” já não é possível voltar, pode ser para outra coisa pior ou para outra coisa diferente, mas para o mesmo já não há caminho.
[...] Se o governo PSD-PP tivesse acabado nas urnas por uma vitória do PS mesmo tangencial, o efeito de ruptura estaria muito longe de existir, mesmo que o governo PS não fizesse muito de diferente do que o actual governo minoritário vai fazer. Foi a ecologia da vida política portuguesa que mudou[...].
...e só mais esta:
Acabou? 
Não. Há muita coisa que não acabou. Há um rastro de estragos, uns materiais e outros espirituais, que não vão ser fáceis ou sequer possíveis de superar numa geração. Sempre que um jornalista fizer a pergunta pavloviana de “quem paga?” ou “quanto custa?” só sobre salários, pensões e reformas, ou seja aquilo que interessa aos que tem menos e nunca faça a mesma pergunta em primeiro lugar, e muitas vezes único lugar, para tudo o resto, benefícios fiscais, impostos sobre os lucros, “resolução” de bancos, PPPs, swaps, etc. ainda não acabou. 
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 338. ACORDO COM O TEU NOME

Acordo com o teu nome nos
meus lábios – amargo beijo

esse que o tempo dá sem
aviso a quem não esquece.
[Pedreira, Maria do Rosário, poesia reunida, Quetzal, Lisboa, 2012, pág. 201]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O SAPO QUE CAVACO TEVE QUE ENGOLIR



Cavaco, que ainda é presidente (minúsculo) da República, autorizou (?!), finalmente, que Costa fosse primeiro-ministro. Ao 50º dia fez-se luz: o Presidente ainda vai pensar mais um bocadinho... este é o título de um texto, que vale a pena ler na íntegra, de Francisco Louçã. Começa assim:
A lista de “exigências” do Presidente ao secretário-geral do PS são o cândido retrato da telenovela em que Cavaco Silva mergulhou o país. Não esclarecem nada, não ilustram o poder do Presidente, não condicionam o futuro governo, não resolvem um único problema de Portugal. São desastradas e limitam-se a exigir uma repetição ritual de afirmações anteriores. Foram simplesmente a forma de avançarmos até ao 51º dia da crise, que é hoje. Cumprida essa missão relevante de perder mais um dia, talvez agora Cavaco Silva indigite Costa, o que já todos sabem que será o destino final desta procissão.
O texto é do dia 24; sabemos hoje o que é sublinhado na nota com que o texto termina: Como seria de esperar, o Presidente “indicou” Costa como Primeiro-Ministro. Supõe-se, diz Louçã, que queria dizer “indigitado”. Eu não tenho a certeza de que queria. Não sei se quis marcar (uma vez mais) o seu distanciamento em relação a um governo que teve que engolir.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 88

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FLOR SINGELA 
Linda flor que nos jardins
Força de arte cultivou,
Tem dobrada a folha, o cheiro,
Mas de fruto se privou.

Passa abelha diligente
E admirou tanto primor;
Mas para os favos o néctar,
Vai buscá-lo a outra flor.

Singelinha de três folhas
Coa mosqueta deparou
e em seu cálix meio aberto
Oh que tesouro encontrou!

Como a abelha diligente
Que busca a singela flor,
Um singelo coração
Também só procura amor.
[Almeida Garrett, in Flores sem fruto]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 337. VÉSPERAS

A idade traz-me as metáforas do perigo
e também as suas regas
no desastre.
Vejo chegar a noite e com ela um poema do Eugénio,
magríssimo, cauteloso, cioso das suas sílabas
e da cal apagada junto à boca.

Agarro o seu silêncio
que se deixa cair perto do mar.
As rochas do outono estendem as mãos grossas
para me alcançarem o corpo.
Mas o meu tempo é cada vez mais frágil
e entre o vento e a chuva uma pequena luz parece
que germina.

Sem a claridade dos pássaros o poema não voa,
no chão a palavra rasteja secura
da tarde abandonada.
São os olhos da terra que mais doem, a erva amraga,
e cantar ao crepúsculo passa a ser uma cegueira,
a bem dizer, um crime.
[Carvalho, Armando Silva, A Sombra do Mar, Assírio & Alvim, s/l, 2015, pág. 39]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 87

[Clique na imagem, para a ver maior]
Negro, estéril rochedo, que contrastas, Na mudez tua, o plácido sussurro
Das árvores do vale, que vicejam
Ricas d'encantos, coa estação propícia;
Suavíssimo aroma, que, manando
Das variegadas flores, derramadas
Na sinuosa encosta da montanha,
Do altar da solidão subindo aos ores,
És digno incenso ao Criador erguido;
Livres aves, filhas da espessura,
Que só teceis da natureza as hinos,
O que crê, o cantor, que foi lançado,
Estranho no mundo, no bulício dele,
Vem saudar-vos, sentir um gozo puro,
Dos homens esquecer paixões e opróbrio,
E ver, sem ver-lhe a luz prestar a crimes,
O Sol, e uma só vez puro saudar-lha.

Convosco eu sou maior; mais longe a mente
dos céus se imerge livre,
E se desprende de mortais memórias
Na solidão solene, onde, incessante,
Em cada pedra, em cada flor se escuta
Do Sempiterno a voz, e vê-se impressa
A dextra sua em multiforme quadro.
[Alexandre Herculano, in A Harpa do Crente]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 336. À NOITE QUANDO A LUA REPOUSA NO OMBRO

à noite quando a lua repousa no ombro
mais chegado à melancolia

a chávena mal se distingue no parapeito
e a peste dos meus versos alastra lá ao fundo
numa abandonada escrivaninha

sou o escravo que repousa do idioma
entregando-se ao inaparente ruído dos insectos
e de mãos tombadas sobre o vazio

vela o descomedido trauma terreal
[Miguel-manso, persianas, Tinta da China, Lisboa, 2015, pág.17]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 235. "A Viagem de Arlo"


The Good Dinosaur (A Viagem de Arlo - título em Portugal) é um filme de animação produzido pela Pixar Animation Studios, sendo o décimo-sexto animado realizado pelo estúdio.
E se o meteorito que há 65 milhões de anos mudou para sempre a vida na Terra tivesse passado ao lado do nosso planeta? Dessa forma, a extinção dos dinossauros nunca teria acontecido.
The Good Dinosaur acompanha Arlo, um Apatossauro adolescente com um grande coração e o seu amigo Spot, um menino humano.

Enquanto viajam através de uma paisagem misteriosa, Arlo aprende o poder de enfrentar os seus medos e descobre do que é realmente capaz.
Fonte: [http://filmspot.pt/filme/the-good-dinosaur-105864/ e https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Good_Dinosaur]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 86

[Clique na imagem, para a ver maior]
MENSAGEM
Vinde à terra do vinho, deuses novos!
Vinde, porque é de mosto
O sorriso dos deuses e dos povos
Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.

Houve Olimpos onde houve mar e montes.
Onde a flor da amargura deu perfume.
Onde a concha da mão tirou das fontes
Uma frescura que sabia a lume.

Vinde, amados senhores da juventude!
Tendes aqui o louro da virtude,
A oliveira da paz e o lírio agreste...

E carvalhos, e velhos castanheiros,
A cuja sombra um dormitar celeste
Pode tornar os sonhos verdadeiros
[Miguel Torga, in  Miguel Torga, Libertação]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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OS ACÓRDOS DOS COMENTADORES

Caiu o governo mais precário dos governos portugueses.

Ao longo de todo o dia, caiu-nos em cima uma avalanche de comentadores das rádios e tvs. Para além de repetirem as mesmas ideias, em comum, maioritariamente, têm um discurso dominado
  • pela expressão "ou seja" (que eu entendo como sinal de pouca convicção pessoal);
  • pela palavra acordos, pronunciada como "ac[ó]rdos" em vez de (forma correta) "ac[ô]rdos". Até o provável futuro primeiro-ministro a pronunciou assim.

escrito por ai.valhamedeus

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ASSIM SE VÊ...

Assim se vê a democracia do PêPêDê -- ou antes, do seu governo:
Governo corta verbas a Observatório por ter revelado números da emigração
O Governo decidiu acabar com o financiamento do Observatório da Emigração (OEm) uma semana depois da divulgação no seu site dos números relativos à emigração em 2014, que se manteve nos níveis elevados de 2013, resultando numa notícia no PÚBLICO com data de 29 de Setembro, poucos dias antes das legislativas de 4 de Outubro.
O relatório estava concluído desde Julho mas a sua publicação foi adiada pelo Governo para depois das eleições de Outubro. Mesmo assim, Observatório da Emigração antecipou os números.
A atual situação política portuguesa poderia não ter outras qualidades (embora tenha...), mas esta ninguém lha tira: trouxe a política para a rua com uma vivacidade de que já não me lembrava. Hoje mesmo...
...duas manifestações estão convocadas, para a mesma hora e local, com objetivos contrários: uma, para apoiar a previsível queda do atual precário governo; a outra, para protestar contra a mesma previsível queda.
Assim se vê a força da democracia.

Assim se vê a força da má argumentação, em dois textos: Um grande embuste é o título do do eurodeputado do PPD Paulo Rangel; Um acordo reaccionário é o de João Miguel Tavares. Não é por serem contra o hipotético futuro governo do PS que são maus: há má (e boa) argumentação dos dois lados. São maus porque o seriam também se fossem a favor.

escrito por ai.valhamedeus

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A DEMOCRACIA ANGOLANA

democracias, (para cúmulo, (ex)ditas populares), que funcionam assim:
Dezoito activistas angolanos foram condenados a dois meses de prisão convertidos em multa, pelo Tribunal do Lobito, na província de Benguela, por terem distribuído panfletos. A sentença foi lida após um julgamento sumário que se prolongou por mais de nove horas e terminou na sexta-feira à noite.

escrito por ai.valhamedeus

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