TRUMP(A)

hoje é sábado 342. ESTOICISMO

[A Manuel Duarte de Almeida]

Tu que não crês, nem amas, nem esperas,
Espírito de eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras...

Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como num sonho mau, só oiço um não,
Que etrnamente ocoa entre esferas...

- Porque suspiras, porque te lamentas,
Cobarde coração? Debalde intentas
Opor à Sorte a queixa do egoísmo...

Deixa os tímidos, deixa os sonhadores,
A esperança vã, seus vãos fulgores...
Sabe tu encarar sereno o abismo!
[Quental, Antero, Sonetos, livraria Sá da Costa, Lisboa, 7ª edição, 1984, pág. 88]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 240. "Upsss! Lá Se Foi a Arca..."


Sinopse
Reza a Bíblia que um homem chamado Noé foi chamado por Deus a construir uma grande arca que albergasse todos os animais, grandes e pequenos, de um dilúvio de proporções universais. Esta história é bem conhecida. Mas outra ficou por contar: o que aconteceu aos animais que não tiveram a sorte de embarcar? Dave e o filho, Finny, são nestrians, criaturas peludas, coloridas e trapalhonas que ouvem falar do fim do mundo iminente. Inicialmente aliviados ao tomarem conhecimento da construção da arca por esse bondoso Noé, rapidamente percebem que não estão na lista dos animais escolhidos. Nada que os consiga demover. Graças a um estratagema levado a cabo com a ajuda involuntária de dois grymps – Hazel e a sua filha, Lea –, lá conseguem entrar na arca. Mas a curiosidade das duas crianças faz com que, acidentalmente, acabem por ficar do lado de fora. Os pais, desesperados, terão de arranjar maneira de pôr de lado as suas diferenças e trabalhar em conjunto para resgatar as crias. Estas, entregues a si próprias, terão de dar o melhor de si para conseguirem sobreviver à subida das águas. Pelo caminho, vão viver uma série de peripécias e aprender o quanto a amizade pode fazer a força.

Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/351533_upsss-la-se-foi-a-arca]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 93

[Clique na imagem, para a ver maior]
ANO NOVO
Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 341. PIETÀ

Vejo-te ainda, Mãe, de olhar parado,
Da pedra e da tristeza, no teu canto,
Comigo ao colo, morto e nu, gelado,
Embrulhado nas dobras do teu manto.
Sobre o golpe sem fundo do meu lado
Ia caindo o rio do teu pranto;
E o meu corpo pasmava, amortalhado,
De um rio amargo que adoçava tanto.
Depois, a noite de uma outra vida
Veio descendo lenta, apetecida
Pela terra-polar de que me fiz;
Mas o teu pranto, pela noite além,
Seiva do mundo, ia caindo, Mãe,
Na sepultura fria da raiz.
[Torga, Miguel, Diário I, Coimbra, Edição do Autor, 6ª edição, 1978, pág. 124]

Lisboa, Cadeia do Aljube, Natal de 1939 -
Como se fosse ainda em S. Pedro de Roma

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

ELOGIO DO NATAL

O El País de hoje inclui um texto de Manuel Fraijó, catedrático emérito de Filosofia da UNED. Um texto que faz aquilo que o título anuncia: o Elogio de la Navidad (Elogio do Natal). Um elogio que parte de um outro elogio de um filósofo insuspeito, nesta área, por ser... marxista e ateu: Ernst Bloch. E que destaca a "tendência para baixo", para os pobres e marginais da terra, da figura de Jesus de Nazaré, "um homem bom, algo que nunca tinha ocorrido".

O texto está aqui. Deixo cópia com a "estrutura" do jornal impresso, a seguir, (clique na imagem para ler melhor):


escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 239. "Hotel Transylvania II"


Sinopse
Tudo parece estar a mudar para melhor no Hotel Transilvania… Drac finalmente desistiu da sua rígida politica de "só para monstros" e o hotel está agora aberto a hóspedes humanos. Mas, na privacidade do seu caixão, Drac está preocupado com Dennis, o seu adorável neto, meio humano, meio vampiro que não mostra quaisquer sinais de ser de facto um verdadeiro vampiro. Assim, enquanto Mavis está ocupada a visitar os seus sogros humanos juntamente com Johnny – e prestes a ter o seu próprio choque cultural – o vovô vampiro, Drac, junta os seus amigos Frank, Murray, Wayne e Griffin para levar Dennis a um campo de treinos para monstros. Mal sabem eles que Vlad, o muito velho e muito, muito velha guarda pai de Drac pretende fazer uma visita surpresa ao hotel. E quando Vlad descobre que o seu bisneto não é um vampiro puro e que os humanos são agora bem vindos ao Hotel - as coisas vão mesmo ficar tenebrosas!

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/hotel-transylvania-2]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 92

[Clique na imagem, para a ver maior]
NATAL, E NÃO DEZEMBRO
Entremos, apressados, friorentos, 
numa gruta, no bojo de um navio, 
num presépio, num prédio, num presídio 
no prédio que amanhã for demolido... 
Entremos, inseguros, mas entremos. 
Entremos e depressa, em qualquer sítio, 
porque esta noite chama-se Dezembro, 
porque sofremos, porque temos frio. 

Entremos, dois a dois: somos duzentos, 
duzentos mil, doze milhões de nada. 
Procuremos o rastro de uma casa, 
a cave, a gruta, o sulco de uma nave... 
Entremos, despojados, mas entremos. 
De mãos dadas talvez o fogo nasça, 
talvez seja Natal e não Dezembro, 
talvez universal a consoada.
[David Mourão-Ferreira]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 340. SANTO E SENHA

Deixem passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser
Uma estrela no chão.
[Torga, Miguel, Diário I, Coimbra, Edição do Autor, 6ª edição, 1978, pág. 9]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

EX-CITAÇÕES * 156. sócrates, o activo tóxico

O que é que José Sócrates espera? Que as pessoas fiquem esmagadas pela sua “determinação” e auto-convencimento e se tornem subitamente estúpidas e aceitem argumentos que parecem os de um adolescente a mentir? A única conclusão a tirar é que ele nos insulta e acha que devemos ficar contentes pelo insulto.
[excerto de um texto de Pacheco Pereira sobre Sócrates, em particular, a sua entrevista à TVI]

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

O NOVO CONSELHO DE ESTADO


Novo Conselho de Estado é "um manual da história política de Portugal" é o título de um texto onde Maria João Lopes aborda esta questão:
Um antigo ministro de Salazar, um combatente anti-fascista e dois fundadores de partidos. Ainda que seja um órgão consultivo, que relevância pode ter a nova composição do Conselho do Estado, no actual quadro político português?
Começa assim:
Este Conselho de Estado será o mais representativo da diversidade política da democracia portuguesa até hoje”. A frase é do politólogo António Costa Pinto. Não é o único a atribuir um significado à nova composição do órgão consultivo marcada pelo regresso do PCP e pela chegada do Bloco de Esquerda.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 238. "Lendas de Oz: O Regresso de Dorothy"


Sinopse
Dorothy regressa novamente a Oz para salvar os seus amigos Espantalho, Leão, Homem de Lata e Glinda de um novo vilão maléfico, Jester. A Coruja Sábia, Marshal Mallow, a Princesa Chinesa e Tugg, o Rebocador, juntam-se também a Dorothy para a sua última viagem mágica pela paisagem colorida de Oz, com o objectivo de restaurar a ordem e a felicidade na Cidade Esmeralda.

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/lendas-de-oz-o-regresso-de-dorothy]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 91

[Clique na imagem, para a ver maior]
COMO UM FLOR VERMELHA
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia. 
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas. 
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
[Sophia de Mello Breyner Andresen]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

O BANIF, O ESTADO... E EU


Há afirmações (e "ideias") assim...
Só é possível salvar o Banif se o Estado assumir prejuízos.
Se o Estado assumir os meus prejuízos... o que eu não serei capaz de fazer!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

SALGADO É POBREZINHO...


Ora aí está! RICARDO SALGADO É POBREZINHO: Ministério Público aceita tese de pobreza do banqueiro e abre guerra a juiz.

Dasssss!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 237. "Snoopy e Charlie Brown"


Sinopse
Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e o restante gang dos “Peanuts” fazem a sua estreia no grande ecrã, numa animação 3D. Snoopy, o beagle mais adorável do mundo – e da aviação – embarca na sua maior missão e vai até aos céus perseguir o seu maior inimigo, O Barão Vermelho, enquanto o seu melhor amigo, Charlie Brown, começa a sua própria jornada épica.

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/snoopy-e-charlie-brown-peanuts-o-filme]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

O FAVORITISMO DA CANDIDATURA DE MARCELO

Embora já seja do passado dia 8 (deste mês de dezembro), um interessante texto de Francisco Louçã, intitulado Pedro e Paulo apoiam Marcelo que apoia António que gosta de Marcelo que gosta de toda a gente,

[um título presumivelmente inspirado na Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade, que começa assim: 
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém]
defende que a favorita candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às presidenciais (des)agrada tanto ao PSD e CDS (que "terão que engolir este candidato") quanto ao PS (de António Costa), que "só anima candidatos para consumo interno". Termina assim:
O PSD e o CDS resignam-se a essa normalidade, o PS aplaude-a, Marcelo tem até agora tudo o que quer e não podia pedir mais.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 90

[Clique na imagem, para a ver maior]
SONETO DO AMOR DIFÍCIL
A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa… 
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça. 
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe 
de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu. 
[David Mourão-Ferreira]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>

hoje é sábado 339. ODE SOBRE UMA URNA GREGA

I

Inviolada noiva de quietude e paz,
Filha do tempo lento e da muda harmonia,
Silvestre historiadora que em silêncio dás
Uma lição floral mais doce que a poesia:
Que lenda flor-franjada envolve tua imagem
De homens ou divindades, para sempre errantes.
Na Arcádia a percorrer o vale extenso e ermo?
Que deuses ou mortais? Que virgens vacilantes?
Que louca fuga? Que perseguição sem termo?
Que flautas ou tambores? Que êxtase selvagem?


II

A música seduz. Mas ainda é mais cara
Se não se ouve. Dai-nos, flautas, vosso tom;
Não para o ouvido. Dai-nos a canção mais rara,
O supremo saber da música sem som:
Jovem cantor, não há como parar a dança,
A flor não murcha, a árvore não se desnuda;
Amante afoito, se o teu beijo não alcança
A amada meta, não sou eu quem te lamente:
Se não chegas ao fim, ela também não muda,
É sempre jovem e a amarás eternamente.

III

Ah! folhagem feliz que nunca perde a cor
Das folhas e não teme a fuga da estação;
Ah! feliz melodista, pródigo cantor
Capaz de renovar para sempre a canção;
Ah! amor feliz! Mais que feliz! Feliz amante!
Para sempre a querer fruir, em pleno hausto,
Para sempre a estuar de vida palpitante,
Acima da paixão humana e sua lida
Que deixa o coração desconsolado e exausto,
A fronte incendiada e língua ressequida.

IV

Quem são esses chegando para o sacrifício?
Para que verde altar o sacerdote impele
A rês a caminhar para o solene ofício,
De grinalda vestida a cetinosa pele?
Que aldeia à beira-mar ou junto da nascente
Ou no alto da colina foi despovoar
Nesta manhã de sol a piedosa gente?
Ah, pobre aldeia, só silêncio agora existe
Em tuas ruas, e ninguém virá contar
Por que razão estás abandonada e triste.

V

Ática forma! Altivo porte! em tua trama
Homens de mármore e mulheres emolduras
Como galhos de floresta e palmilhada grama:
Tu, forma silenciosa, a mente nos torturas
Tal como a eternidade: Fria Pastoral!
Quando a idade apagar toda a atual grandeza,
Tu ficarás, em meio às dores dos demais,
Amiga, a redizer o dístico imortal:
"A beleza é a verdade, a verdade a beleza"
— É tudo o que há para saber, e nada mais.
[Keats, John, "Ode Sobre Uma Urna Grega", in Rosa do Mundo, 2001 poemas para o futuro, Assírio & Alvim, Lisboa, 2ª edição, 2001, pág. 1035-1037]

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

VÍDEO DA SEXTA 236."Mune, O Guardião da Lua"


No mundo das fábulas e histórias de encantar vive Mune, um pequeno fauno lunar muito tímido e pouco seguro de si. Quando é nomeado Guardião da Lua, responsável por trazer a noite e tomar conta do mundo dos sonhos, vê-se obrigado a aceitar a responsabilidade. Mas quando o Guardião das Trevas decide roubar o Sol, o pequeno fauno descobre em si uma coragem que nunca imaginou possuir. Assim, com a ajuda do arrogante Sohone, o Guardião do Sol, e da sua amiga Cire, uma frágil criatura de cera, Mune vive uma aventura extraordinária que mudará, para sempre, a forma como se vê a si mesmo.
Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/353964_mune-o-guardiao-da-lua]

escrito por Adriana Santos

LEIA O RESTANTE >>

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 89

[Clique na imagem, para a ver maior]
OUTONAL
Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…

Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…
[Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in Poesia Completa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

LEIA O RESTANTE >>