A divulgação da
hipótese de um governo PS+BE+CDU tem vários aspetos positivos, o menor dos quais não será certamente o de ter trazido a discussão política para os sítios onde já não era habitual, há muito tempo: os cafés, as ruas,... em suma, os sítios habitados pelo
homem comum.
Um outro aspeto positivo foi o de mostrar o caráter pouco democrático de algumas personalidades, com grande destaque para os comentadores encartados. É o pequenote e inefável Marques Mendes, a
comparar o tal hipotético governo a um campeonato de futebol, em que três equipas somassem os seus pontos para ultrapassar o primeiro classificado; é Manuela Ferreira Leite, a falar em
golpe de Estado e a exigir que a hipótese em questão tivesse sido explicitamente referida (e, assim, referendada) durante a campanha (foi isso que aconteceu, na campanha de 2011, após a qual se formou a coligação governativa PSD+CDS?). É Paulo Portas a "esquecer"
o que defendeu noutra ocasião, quando uma hipótese semelhante à atual beneficiaria o seu partido...
Compreendo que os dirigentes partidários tentem argumentar a favor dos cenários que defendem. Compreendo menos que usem argumentos pouco válidos. Ainda menos, que falem
em nome dos portugueses ou dos eleitores. Não compreendo é que os comentadores confundam essa sua condição com a de dirigentes/militantes partidários. Nem a confusão permanente entre eleição de deputados (que é o que está em jogo nas eleições legislativas) e a nomeação do primeiro-ministro (que não é eleito, mas nomeado pelo presidente da República). Nem, portanto, a tese de que um hipotético governo PS+BE+CDU seja um atentado à democracia: tão constitucionalmente legítimo será um governo da coligação ainda em exercício (e exercício de
atribuição de jobs a boys) quanto o tal hipotético -- porque, de acordo com o "famoso"
artigo 187º da Constituição, o presidente da República
não está obrigado a nomear o chefe do partido ou da lista mais votada.
escrito por
ai.valhamedeus
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