TRUMP(A)

hoje é sábado 346. COM UM PEQUENO CLÍTORIS

Com um pequeno clitóris alto
De súbito crescido
E tumefacto,
Indo explodir no fundo da vagina

Uma rosa poisada
ali no quarto
entre as coxas largadas e sem doçura

Carnívora, ardente e esfomeada
de tudo o que sedento
é já fissura

Uma rosa de seda
de sede
de humidade

Uma rosa de pele
uma ametista breve
um rubi sangrando entre as pálpebras
[Horta, Maria Teresa, Rosa Sangrenta, Nova Nórdica, Lisboa, 1987, pág. 15]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O SENHOR LUIZ INÁCIO FOI DETIDO

Há coisas que surpreendem, mesmo que "relativamente". Fui surpreendido pela "incriminação" de Carlos Cruz -- uma "bomba", no Portugal da altura. Fui surpreendido (até certo ponto) com a detenção de Sócrates...

[imagem copiada daqui]

...e fui surpreendido ("relativamente") pela detenção de Lula. Não consigo saber exatamente as razões desta surpresa. Pela dimensão do Brasil -- dimensão territorial e "corrupcional"? por ver o senhor Luiz Inácio como um político... bom, o presidente mais popular da democracia do Brasil, a cara mediática de um partido que se diz dos trabalhadores (como o de Sócrates se diz socialista), o governante que tirou (?) 30 milhões de pessoas da pobreza? Porque tudo isto está diretamente relacionado com a Petrobras, a maior empresa pública do Brasil, com 80.900 trabalhadores, a 28ª maior empresa do mundo, presente em 19 países? Por ser possível isto estar a acontecer, quando a trama da corrupção envolve pelo menos 2.400 milhões de euros e, entre os acusados, executivos das maiores construtoras do país e políticos de todos os partidos, salpicando até o ex-presidente Fernando Collor e o presidente do Congresso. Eduardo Cunha? Como é que uma investigação aguenta tanto... peso?

Que há coisitas, lá isso há!

escrito por ai.valhamedeus

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PALMAS! MUITAS PALMAS!



Gosto muito deste maestro/pianista, Barenboim, sobre o qual já me pronunciei aqui mais do que uma vez (destaco o texto Arma de construção massiva).

Mas, de cada vez que o sei metido em coisas destas
(que são coisas ao jeito dele), 
o meu gosto renova-se.

Palmas, muitas palmas. Tal como para as 3 orquestras de Berlim, para Simon Rattle, Fischer... ...e os outros.




escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 345. EXÍGUOS ANSEIOS

Não quero o mar.

Quero o instante
Em que o oceano inteiro
Se enrosca numa só onda.

Não quero rios.

Um redondo de lágrimas me basta:
Teus dedos
Recolhendo gaivotas
No raso voo sobre o meu peito.

Eu quero um deserto.
Mas de vastidão mindinha.

Desses que cabem num grão de areia.
[Couto, Mia, vagas e lumes, Caminho, Alfragide, 2014, pág. 25]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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DO CONTRA [109] quantos pais teve jesus?


Há por aí um movimento a exigir a CENSURA DESTE CARTAZ DO BE.

Eu concordo com essa exigência. Não pelas razões alegadas
(não porque este cartaz seja blasfemo -- porque é que haveria de ser?), 
mas porque o que nele se diz é falso. Vamos lá ver se não tenho razão.

JESUS TEVE TRÊS PAIS, e não dois:
  • primeiro: Deus Pai (de quem o Deus Filho é filho);
  • segundo: o Espírito Santo (a Virgem Maria concebeu "por obra e graça do Espírito Santo", reza a doutrina);
  • terceiro: o pai putativo (o tal carpinteiro, coitado!, que foi pai sem saber como, mas acreditou em sonhos).

E JESUS TEVE ALGUMA MÃE?
Parece-me que não. Na verdade, sendo virgem a sua putativa mãe, não parece que possa ser efetivamente mãe.
Ou seja: retire-se esse cartaz!

escrito por ai.valhamedeus

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NATURAL * laranja com canela


Talvez a foto anterior não deixe perceber o que está no prato. E não será só por causa da (falta de) qualidade da imagem; poderá também ser pela "estranheza" da receita. Mas esta laranja com canela é coisa fácil de preparar:
corta-se em rodelas uma laranja. Coloca-se a laranja num prato e polvilha-se com canela a gosto.
O sítio onde a encontrei faz saber que é uma sobremesa marroquina. Experimentei e... convido o leitor a fazer o mesmo. E a dizer-nos o que é que achou desta mistura de sabores.

escrito por Madre Natureza

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LE JAZZ C'EST MOI


O programa cinco minutos de jazz cumpriu, ontem (21/2/2016), 50 anos de vida (ainda que interrompida durante alguns). Parece que é o mais antigo programa de rádio português. O que, em si, não é bom nem é mau.

Os "mídia" têm feito eco do cinquentenário. Com alguma pompa e circunstância. Com os focos focados em José Duarte (mesmo quando parece que é no jazz). Aliás, é dele que fala, quando José Duarte fala do jazz, pelo menos nos (nalguns) textos que li, como é o caso de uma entrevista que concedeu ao Expresso.

Para fazer o contraponto ao incenso que por aí se cheira (e não digo que não merecido) , recordo um texto publicado no Público de 20/1/2001, onde António Curvelo faz a recensão de Cinco minutos de jazz (um dos livros de José Duarte) e onde afirma

[...] custa a perceber a razão da sua repetida celebração [do programa radiofónico] como "o programa diário mais antigo da rádio portuguesa". Durante anos, o "TV Rural" terá sido o programa mais antigo da televisão portuguesa e isso foi coisa que nunca me comoveu
e ainda
[...] o tom geral é o de auto-retrato ao espelho (que, aliás, é o tema da página 114), de par com uma enorme indiferença ou desrespeito pelo leitor (partilhado pelo editor - a mancha gráfica é agradável e de leitura fácil, mas a revisão é péssima, com inúmeras gralhas e um índice remissivo quase inútil, tantos são, bem acima da centena, os erros ortográficos e as omissões de nomes e entradas por página). Como o rasgado elogio (em "Andy Kirk") a disco nunca identificado (mas que se informa ter sido tocado noutro programa de rádio de JD). Ou os zig-zags de uma escrita que, para ser "diferente", cultiva a provocação da originalidade gratuita, mesmo que à custa de sucessivas contradições. 
Recordando a auto-imagem de Luís XIV (e a sua famosa ideia de que L'État c'est moi), Curvelo defende a tese de que, para José Duarte, Le Jazz c'est moi. É esse mesmo o título do artigo.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 344. O HABITANTE

O habitante
(ao meu pai)

Se partiste, não sei.
Porque estás,
Tanto quanto sempre estiveste.

Essa tua,
Tão nossa, presença
Enche de sombra a casa
Como se criasse
Dentro de nós,
Uma outra casa.

No silêncio distraído
De uma varanda
Que foi o teu único castelo,
Ecoam ainda os teus passos
Feitos não para caminhar
Mas para acariciar o chão.

Nessa varanda te sentas
Nesse tão delicado modo de morrer
Como se nos estivesses ensinando
Um outro modo de viver.

Se o passo é tão celeste
A viagem não conta
Senão pelo poema que nos veste.

Os lugares que buscaste
Não têm geografia.

São vozes, são fontes,
Rios sem vontade de mar,
Tempo que escapa da eternidade.

Moras dentro,
Sem deus nem adeus.

[Couto, Mia, vagas e lumes, Caminho, Alfragide, 2014, pág.14-15]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 100

[Clique na imagem, para a ver maior]
VIII

Ah, abram-me outra realidade!
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras,
Desta civilização feita com pregos.
Quero viver como uma bandeira à brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer! 
Depois encerrem-me onde queiram.
Meu coração verdadeiro continuará velando
Pano brasonado a esfinges,
No alto do mastro das visões
Aos quatro ventos do Mistério.
O Norte — o que todos querem
O Sul — o que todos desejam
O Este — de onde tudo vem
O Oeste — aonde tudo finda
— Os quatro ventos do místico ar da civilização
— Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo
[Álvaro de Campos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 99

[Clique na imagem, para a ver maior]
VIII

Ah quantas máscaras e submáscaras,
Usamos nós no rosto de alma, e quando,
Por jogo apenas, ela tira a máscara,
Sabe que a última tirou enfim?
De máscaras não sabe a vera máscara,
E lá de dentro fita mascarada.
Que consciência seja que se afirme,
O aceite uso de afirmar-se a ensona.
Como criança que ante o espelho teme,
As nossas almas, crianças, distraídas,
Julgam ver outras nas caretas vistas
E um mundo inteiro na esquecida causa;
E, quando um pensamento desmascara,
Desmascarar não vai desmascarado.
[Fernando Pessoa, in Poemas Ingleses]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 343. TESOURO DA PALAVRA

Trago palavras de esperança e são vento
trago vento de ternura e são carinhos
trago do Verbo ideias e pensamento
trago da vida madrigais, rosas e espinhos

Dou-te palavras de fé e são cristais
dou-te cristais de sonhos como oração
dou-te sonhos alados e são meus ais
dou-te a alma liberta e sou perdão

bordo palavras em cor e são teus versos
bordo versos de contas e são como terços
bordo-os em concha e pérolas e são de ouro.

Assim, te ofereço palavras como poemas
rimas em papel de asas viajando penas
palavras tecidas de luz, um eterno tesouro.
[Silva, Calane da, Gotas de sol, a manifestação da palavra, Alcance Editores, Maputo, 1ª edição, 2015, pág. 32]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 98

[Clique na imagem, para a ver maior]
Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar. 
Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer. 
Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim. 
(Tudo isto me parece tudo.
Mas noite, frio, negro sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo —
Ah, nada é isto, nada é assim!)
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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VÍDEO DA SEXTA 243. "Norm - O Herói do Ártico"

Desalojado da sua casa no Ártico, um urso polar chamado Norm acaba em Nova Iorque na companhia dos seus três amigos lemmings. Norm torna-se mascote de uma grande empresa, mas rapidamente descobre que eles estão ligados ao triste destino da sua terra natal.

Fonte: [http://filmspot.pt/filme/norm-of-the-north-276905/]

escrito por Adriana Santos

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UM TEXTO ENGRAÇADINHO

Um texto muito engraçadinho da "meio-engraçadinha" Elisabete Azevedo-Harman dá ao Jerónimo (o engraçadinho de Sousa)
"algumas sugestões e, claro, podemos encontrar-nos e eu levo-te ao meu cabeleireiro, manicura e mesmo a uma depilação".
Em síntese (para quem não quer ler o texto todo -- mas vale a pena e nem é longo):
  1. Sorriso.
  2. Relativizar. O mundo não está contra ti.
  3. Esse pulôver vermelho sempre nas costas é uma deliberação do comité central?
  4. Resistir à dor de corno. Haverá sempre mais engraçadinhos e engraçadinhas que nós.
  5. Cabeleireiro. Tens de decidir: ou sim ou sopas. Tens de deixar de ser sovina e deixar esse barbeiro e ir a um cabeleireiro gay da moda. Eu sei que para ti essa coisa do gay não te agrada, mas achas que esse barbeiro viril que te faz essa popinha desde a época Brejnev te vai tornar ‘engraçadinho’?
    Jerónimo, amigo, estou contigo. A luta continua, vamos fazer-te não digo sexy mas, pelo menos, limpamos essa coisa sem graça.
escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 97

[Clique na imagem, para a ver maior]
Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.
Abro a janela diretamente, no desespero da insónia.
E, de repente, humano,
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!
Fraternidade na noite! 
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.
Dorme. Nós temos luz. 
Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,
O coração latente das nossas duas luzes,
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida. 
Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,
Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro,
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim. 
Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!
Que fazes, camarada, da janela com luz?
Sonho, falta de sono, vida?
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita...
Tem graça: não tens luz elétrica.
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!
[Álvaro de Campos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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JERÓNIMO, O ENGRAÇADINHO



Este dirigente partidário de um partido em risco de extinção está cada vez mais caquético. Ontem, ressentido pelo êxito de Marisa Matias (face ao péssimo resultado do seu candidato), em vez de tirar as conclusões necessárias, decidiu passar ao ataque ao Bloco vozeirando o disparate:
"Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista", disse. Para depois esclarecer: "Não somos capazes de mudar".
Pois não, não são capazes de mudar. Mas são os eleitores. Eu, por exemplo, que já me não lembrava de votar senão na CDU.
escrito por ai.valhamedeus

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VASCO PULIDO VALENTE OU A INTELECTUALICE SEM SUBSTRATO

Há um modo, que parece eficaz, de os comentadores que ganharam nome o manterem. É disfarçarem na agressividade da escrita a falta de argumentos.

Embora o leia muito esporadicamente, apenas para confirmar que continua a ser um comentador sem qualquer interesse -- Vasco Pulido Valente é o... arquétipo protótipo de tal comentador. Há de precisar de umas coroas para o uísque -- e despeja umas dezenas de palavras no Público. Escreve, por exemplo, para defender a tese de que não há direita nem esquerda nem centro -- uma tese tão defensável como a contrária -- e a "defesa" da tese limita-se ao enunciado da mesma e a um conjunto de expressões que farão, eventualmente, a delícia de quem emotivamente defende a mesma posição de VPV, mas que são tudo menos argumentação.

Cito-o:
  • "O vocabulário disfarça a ignorância"
  • "esta brincadeira com as posições de cada um..."
  • "A asneira é livre."
  • "(...)quem não leu Marx ou Lenine e o rebanho dos seus seguidores"
  • "(...)os desmiolados que por lá andam" (no Bloco e no PC)
É um estilo de discussão pública infelizmente mais comum do que me parece razoável.

escrito por ai.valhamedeus

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A MINHA PRESIDENTA


Como estamos em período de reflexão, não vou dizer EM QUEM DEVEM VOTAR
(é proibido, segundo me dizem). 
Digo apenas EM QUEM VOU VOTAR: tanto eu gostava de ter esta carinha linda como presidenta. Já vai sendo tempo de eu ter -- finalmente! -- um(a) presidente da república
(não! nunca tive!)
escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 242. "Asterix: O domínio dos Deuses"


Sinopse:
Exasperado com a situação, Júlio César decide mudar de tática. Já que os seus exércitos são incapazes de se impor pela força, será a civilização romana, ela própria, que irá seduzir os bárbaros gauleses. Será então necessário construir ao lado da aldeia um condomínio residencial, luxuoso, destinado a proprietários romanos: “O Domínio dos Deuses”. Resistirão os nossos amigos gauleses ao isco do lucro e a todo o conforto romano? Será que a sua aldeia se vai transformar numa simples atração turística? Mais uma vez, Astérix (voz de Manuel Marques) e Obélix (voz de Eduardo Madeira) vão fazer de tudo para contrariar os planos de César.
Fonte: [http://cinemas.nos.pt/Filme.aspx?id=13149]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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EX-CITAÇÕES * 158. um novo partido?


Sondagem da Intercampus para a TVI e PÚBLICO dá vitória ao candidato apoiado pelo PSD e CDS à primeira volta nas eleições presidenciais, com 51,8% das intenções de voto mas ainda dentro da margem de erro do inquérito (3%).
esta sondagem coloca Vitorino Silva (2,5) à frente de Henrique Neto (2,3%). Querem ver que ainda vem aí outro partido, agora com epicentro em Rans?
[editorial de Público de 22/1/2016. Negrito meu] 

escrito por ai.valhamedeus

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