Mas, de cada vez que o sei metido em coisas destas
(que são coisas ao jeito dele),o meu gosto renova-se.
Palmas, muitas palmas. Tal como para as 3 orquestras de Berlim, para Simon Rattle, Fischer... ...e os outros.
(que são coisas ao jeito dele),o meu gosto renova-se.
Não quero o mar.[Couto, Mia, vagas e lumes, Caminho, Alfragide, 2014, pág. 25]
Quero o instante
Em que o oceano inteiro
Se enrosca numa só onda.
Não quero rios.
Um redondo de lágrimas me basta:
Teus dedos
Recolhendo gaivotas
No raso voo sobre o meu peito.
Eu quero um deserto.
Mas de vastidão mindinha.
Desses que cabem num grão de areia.
(não porque este cartaz seja blasfemo -- porque é que haveria de ser?),mas porque o que nele se diz é falso. Vamos lá ver se não tenho razão.
Parece-me que não. Na verdade, sendo virgem a sua putativa mãe, não parece que possa ser efetivamente mãe.Ou seja: retire-se esse cartaz!
corta-se em rodelas uma laranja. Coloca-se a laranja num prato e polvilha-se com canela a gosto.O sítio onde a encontrei faz saber que é uma sobremesa marroquina. Experimentei e... convido o leitor a fazer o mesmo. E a dizer-nos o que é que achou desta mistura de sabores.
[...] custa a perceber a razão da sua repetida celebração [do programa radiofónico] como "o programa diário mais antigo da rádio portuguesa". Durante anos, o "TV Rural" terá sido o programa mais antigo da televisão portuguesa e isso foi coisa que nunca me comoveue ainda
[...] o tom geral é o de auto-retrato ao espelho (que, aliás, é o tema da página 114), de par com uma enorme indiferença ou desrespeito pelo leitor (partilhado pelo editor - a mancha gráfica é agradável e de leitura fácil, mas a revisão é péssima, com inúmeras gralhas e um índice remissivo quase inútil, tantos são, bem acima da centena, os erros ortográficos e as omissões de nomes e entradas por página). Como o rasgado elogio (em "Andy Kirk") a disco nunca identificado (mas que se informa ter sido tocado noutro programa de rádio de JD). Ou os zig-zags de uma escrita que, para ser "diferente", cultiva a provocação da originalidade gratuita, mesmo que à custa de sucessivas contradições.Recordando a auto-imagem de Luís XIV (e a sua famosa ideia de que L'État c'est moi), Curvelo defende a tese de que, para José Duarte, Le Jazz c'est moi. É esse mesmo o título do artigo.
O habitante
(ao meu pai)
Se partiste, não sei.
Porque estás,
Tanto quanto sempre estiveste.
Essa tua,
Tão nossa, presença
Enche de sombra a casa
Como se criasse
Dentro de nós,
Uma outra casa.
No silêncio distraído
De uma varanda
Que foi o teu único castelo,
Ecoam ainda os teus passos
Feitos não para caminhar
Mas para acariciar o chão.
Nessa varanda te sentas
Nesse tão delicado modo de morrer
Como se nos estivesses ensinando
Um outro modo de viver.
Se o passo é tão celeste
A viagem não conta
Senão pelo poema que nos veste.
Os lugares que buscaste
Não têm geografia.
São vozes, são fontes,
Rios sem vontade de mar,
Tempo que escapa da eternidade.
Moras dentro,
Sem deus nem adeus.
VIII
Ah, abram-me outra realidade!
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras,
Desta civilização feita com pregos.
Quero viver como uma bandeira à brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer!
Depois encerrem-me onde queiram.[Álvaro de Campos]
Meu coração verdadeiro continuará velando
Pano brasonado a esfinges,
No alto do mastro das visões
Aos quatro ventos do Mistério.
O Norte — o que todos querem
O Sul — o que todos desejam
O Este — de onde tudo vem
O Oeste — aonde tudo finda
— Os quatro ventos do místico ar da civilização
— Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo
VIII[Fernando Pessoa, in Poemas Ingleses]
Ah quantas máscaras e submáscaras,
Usamos nós no rosto de alma, e quando,
Por jogo apenas, ela tira a máscara,
Sabe que a última tirou enfim?
De máscaras não sabe a vera máscara,
E lá de dentro fita mascarada.
Que consciência seja que se afirme,
O aceite uso de afirmar-se a ensona.
Como criança que ante o espelho teme,
As nossas almas, crianças, distraídas,
Julgam ver outras nas caretas vistas
E um mundo inteiro na esquecida causa;
E, quando um pensamento desmascara,
Desmascarar não vai desmascarado.
Trago palavras de esperança e são vento[Silva, Calane da, Gotas de sol, a manifestação da palavra, Alcance Editores, Maputo, 1ª edição, 2015, pág. 32]
trago vento de ternura e são carinhos
trago do Verbo ideias e pensamento
trago da vida madrigais, rosas e espinhos
Dou-te palavras de fé e são cristais
dou-te cristais de sonhos como oração
dou-te sonhos alados e são meus ais
dou-te a alma liberta e sou perdão
bordo palavras em cor e são teus versos
bordo versos de contas e são como terços
bordo-os em concha e pérolas e são de ouro.
Assim, te ofereço palavras como poemas
rimas em papel de asas viajando penas
palavras tecidas de luz, um eterno tesouro.
Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar.
Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer.
Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim.
(Tudo isto me parece tudo.[Fernando Pessoa]
Mas noite, frio, negro sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo —
Ah, nada é isto, nada é assim!)
Desalojado da sua casa no Ártico, um urso polar chamado Norm acaba em Nova Iorque na companhia dos seus três amigos lemmings. Norm torna-se mascote de uma grande empresa, mas rapidamente descobre que eles estão ligados ao triste destino da sua terra natal.
"algumas sugestões e, claro, podemos encontrar-nos e eu levo-te ao meu cabeleireiro, manicura e mesmo a uma depilação".Em síntese (para quem não quer ler o texto todo -- mas vale a pena e nem é longo):
Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.
Abro a janela diretamente, no desespero da insónia.
E, de repente, humano,
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!
Fraternidade na noite!
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.
Dorme. Nós temos luz.
Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,
O coração latente das nossas duas luzes,
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.
Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,
Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro,
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.
Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo![Álvaro de Campos]
Que fazes, camarada, da janela com luz?
Sonho, falta de sono, vida?
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita...
Tem graça: não tens luz elétrica.
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!
"Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista", disse. Para depois esclarecer: "Não somos capazes de mudar".Pois não, não são capazes de mudar. Mas são os eleitores. Eu, por exemplo, que já me não lembrava de votar senão na CDU.
(é proibido, segundo me dizem).Digo apenas EM QUEM VOU VOTAR: tanto eu gostava de ter esta carinha linda como presidenta. Já vai sendo tempo de eu ter -- finalmente! -- um(a) presidente da república
(não! nunca tive!)escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
Exasperado com a situação, Júlio César decide mudar de tática. Já que os seus exércitos são incapazes de se impor pela força, será a civilização romana, ela própria, que irá seduzir os bárbaros gauleses. Será então necessário construir ao lado da aldeia um condomínio residencial, luxuoso, destinado a proprietários romanos: “O Domínio dos Deuses”. Resistirão os nossos amigos gauleses ao isco do lucro e a todo o conforto romano? Será que a sua aldeia se vai transformar numa simples atração turística? Mais uma vez, Astérix (voz de Manuel Marques) e Obélix (voz de Eduardo Madeira) vão fazer de tudo para contrariar os planos de César.Fonte: [http://cinemas.nos.pt/Filme.aspx?id=13149]
esta sondagem coloca Vitorino Silva (2,5) à frente de Henrique Neto (2,3%). Querem ver que ainda vem aí outro partido, agora com epicentro em Rans?
[editorial de Público de 22/1/2016. Negrito meu]
[...]milhares de cidadãos adorariam poder pedir a fiscalização da constitucionalidade de normas que os aborrecem – só que não podem. Não têm esse privilégio. Os deputados têm, em função do cargo que ocupam. Ora, usar esse cargo não para fiscalizar normas em nome do povo, mas em nome do seu interesse particular, é uma infâmia.[João Miguel Tavares, aqui]
Bem sei que há ilhas lá ao sul de tudo
Onde há paisagens que não pode haver.
Tão belas que são como que o veludo
Do tecido que o mundo pode ser.
Bem sei. Vegetações olhando o mar,
Coral, encostas, tudo o que é a vida
Tornado amor e luz, o que o sonhar
Dá à imaginação anoitecida.
Bem sei. Vejo isso tudo. O mesmo vento
Que ali agita os ramos em torpor
Passa de leve por meu pensamento
E o pensamento julga que é amor.
Sei, sim, é belo, é luz, é impossível,
Existe, dorme, tem a cor e o fim,
E, ainda que não haja, é tão visível
Que é uma parte natural de mim.
Sei tudo, sim, sei tudo. E sei também[Fernando Pessoa]
Que não é lá que há isso que lá está
Sei qual é a luz que essa paisagem tem
E qual o mar por que se vai para lá.
(Maria de Belém, que o dirigente do PS apoiava, esclarece que "Se morreu do coração, morreu do que tinha de melhor").Não vejo que seja motivo suficiente. Cá para mim do que "eles" precisavam era de um pretexto. "Isto" até já a "eles" cansa.
A minha saudade tem o mar aprisionado[José Jorge Letria]
na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque não posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que não prendem pássaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.
Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um distúrbio da paixão.
Para além de traquina e muito curiosa, Fawn, a pequena fada dos animais, tem um coração transbordante de bondade. Para ela, todos os seres têm o direito a existir e ninguém merece ser julgado pelo seu aspecto, por mais insignificante ou temível que possa parecer. Quando um cometa cai sobre o reino do Vale das Fadas e liberta uma enorme criatura conhecida por Monstro do Nunca, o pânico instala-se. Aterrorizadas com o que aquele ser de boca e olhos assustadores possa fazer ao seu lar, as fadas juntam-se para o aprisionar. Mas, ao contrário de todas as outras, Fawn acha que, antes de o capturarem, deveriam tentar conhecê-lo melhor e só depois avaliar as suas intenções. E é assim, de coração aberto, que a pequena fada dos animais faz um amigo para a vida.
Sossega, coração! Não desesperes![Fernando Pessoa]
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
[A Manuel Duarte de Almeida][Quental, Antero, Sonetos, livraria Sá da Costa, Lisboa, 7ª edição, 1984, pág. 88]
Tu que não crês, nem amas, nem esperas,
Espírito de eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras...
Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como num sonho mau, só oiço um não,
Que etrnamente ocoa entre esferas...
- Porque suspiras, porque te lamentas,
Cobarde coração? Debalde intentas
Opor à Sorte a queixa do egoísmo...
Deixa os tímidos, deixa os sonhadores,
A esperança vã, seus vãos fulgores...
Sabe tu encarar sereno o abismo!
Reza a Bíblia que um homem chamado Noé foi chamado por Deus a construir uma grande arca que albergasse todos os animais, grandes e pequenos, de um dilúvio de proporções universais. Esta história é bem conhecida. Mas outra ficou por contar: o que aconteceu aos animais que não tiveram a sorte de embarcar? Dave e o filho, Finny, são nestrians, criaturas peludas, coloridas e trapalhonas que ouvem falar do fim do mundo iminente. Inicialmente aliviados ao tomarem conhecimento da construção da arca por esse bondoso Noé, rapidamente percebem que não estão na lista dos animais escolhidos. Nada que os consiga demover. Graças a um estratagema levado a cabo com a ajuda involuntária de dois grymps – Hazel e a sua filha, Lea –, lá conseguem entrar na arca. Mas a curiosidade das duas crianças faz com que, acidentalmente, acabem por ficar do lado de fora. Os pais, desesperados, terão de arranjar maneira de pôr de lado as suas diferenças e trabalhar em conjunto para resgatar as crias. Estas, entregues a si próprias, terão de dar o melhor de si para conseguirem sobreviver à subida das águas. Pelo caminho, vão viver uma série de peripécias e aprender o quanto a amizade pode fazer a força.
ANO NOVO
Ficção de que começa alguma coisa![Fernando Pessoa]
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.
Vejo-te ainda, Mãe, de olhar parado,[Torga, Miguel, Diário I, Coimbra, Edição do Autor, 6ª edição, 1978, pág. 124]
Da pedra e da tristeza, no teu canto,
Comigo ao colo, morto e nu, gelado,
Embrulhado nas dobras do teu manto.
Sobre o golpe sem fundo do meu lado
Ia caindo o rio do teu pranto;
E o meu corpo pasmava, amortalhado,
De um rio amargo que adoçava tanto.
Depois, a noite de uma outra vida
Veio descendo lenta, apetecida
Pela terra-polar de que me fiz;
Mas o teu pranto, pela noite além,
Seiva do mundo, ia caindo, Mãe,
Na sepultura fria da raiz.
O El País de hoje inclui um texto de Manuel Fraijó, catedrático emérito de Filosofia da UNED. Um texto que faz aquilo que o título anuncia: o Elogio de la Navidad (Elogio do Natal). Um elogio que parte de um outro elogio de um filósofo insuspeito, nesta área, por ser... marxista e ateu: Ernst Bloch. E que destaca a "tendência para baixo", para os pobres e marginais da terra, da figura de Jesus de Nazaré, "um homem bom, algo que nunca tinha ocorrido".
O texto está aqui. Deixo cópia com a "estrutura" do jornal impresso, a seguir, (clique na imagem para ler melhor):
Tudo parece estar a mudar para melhor no Hotel Transilvania… Drac finalmente desistiu da sua rígida politica de "só para monstros" e o hotel está agora aberto a hóspedes humanos. Mas, na privacidade do seu caixão, Drac está preocupado com Dennis, o seu adorável neto, meio humano, meio vampiro que não mostra quaisquer sinais de ser de facto um verdadeiro vampiro. Assim, enquanto Mavis está ocupada a visitar os seus sogros humanos juntamente com Johnny – e prestes a ter o seu próprio choque cultural – o vovô vampiro, Drac, junta os seus amigos Frank, Murray, Wayne e Griffin para levar Dennis a um campo de treinos para monstros. Mal sabem eles que Vlad, o muito velho e muito, muito velha guarda pai de Drac pretende fazer uma visita surpresa ao hotel. E quando Vlad descobre que o seu bisneto não é um vampiro puro e que os humanos são agora bem vindos ao Hotel - as coisas vão mesmo ficar tenebrosas!
NATAL, E NÃO DEZEMBRO
Entremos, apressados, friorentos,[David Mourão-Ferreira]
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
Deixem passar quem vai na sua estrada.[Torga, Miguel, Diário I, Coimbra, Edição do Autor, 6ª edição, 1978, pág. 9]
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser
Uma estrela no chão.
O que é que José Sócrates espera? Que as pessoas fiquem esmagadas pela sua “determinação” e auto-convencimento e se tornem subitamente estúpidas e aceitem argumentos que parecem os de um adolescente a mentir? A única conclusão a tirar é que ele nos insulta e acha que devemos ficar contentes pelo insulto.[excerto de um texto de Pacheco Pereira sobre Sócrates, em particular, a sua entrevista à TVI]
Um antigo ministro de Salazar, um combatente anti-fascista e dois fundadores de partidos. Ainda que seja um órgão consultivo, que relevância pode ter a nova composição do Conselho do Estado, no actual quadro político português?Começa assim:
“Este Conselho de Estado será o mais representativo da diversidade política da democracia portuguesa até hoje”. A frase é do politólogo António Costa Pinto. Não é o único a atribuir um significado à nova composição do órgão consultivo marcada pelo regresso do PCP e pela chegada do Bloco de Esquerda.escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
Dorothy regressa novamente a Oz para salvar os seus amigos Espantalho, Leão, Homem de Lata e Glinda de um novo vilão maléfico, Jester. A Coruja Sábia, Marshal Mallow, a Princesa Chinesa e Tugg, o Rebocador, juntam-se também a Dorothy para a sua última viagem mágica pela paisagem colorida de Oz, com o objectivo de restaurar a ordem e a felicidade na Cidade Esmeralda.
COMO UM FLOR VERMELHA
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece[Sophia de Mello Breyner Andresen]
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
Só é possível salvar o Banif se o Estado assumir prejuízos.Se o Estado assumir os meus prejuízos... o que eu não serei capaz de fazer!
Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e o restante gang dos “Peanuts” fazem a sua estreia no grande ecrã, numa animação 3D. Snoopy, o beagle mais adorável do mundo – e da aviação – embarca na sua maior missão e vai até aos céus perseguir o seu maior inimigo, O Barão Vermelho, enquanto o seu melhor amigo, Charlie Brown, começa a sua própria jornada épica.
Embora já seja do passado dia 8 (deste mês de dezembro), um interessante texto de Francisco Louçã, intitulado Pedro e Paulo apoiam Marcelo que apoia António que gosta de Marcelo que gosta de toda a gente,
[um título presumivelmente inspirado na Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade, que começa assim:
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém]defende que a favorita candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às presidenciais (des)agrada tanto ao PSD e CDS (que "terão que engolir este candidato") quanto ao PS (de António Costa), que "só anima candidatos para consumo interno". Termina assim:
O PSD e o CDS resignam-se a essa normalidade, o PS aplaude-a, Marcelo tem até agora tudo o que quer e não podia pedir mais.escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
SONETO DO AMOR DIFÍCIL
A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa…
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.[David Mourão-Ferreira]
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.
I[Keats, John, "Ode Sobre Uma Urna Grega", in Rosa do Mundo, 2001 poemas para o futuro, Assírio & Alvim, Lisboa, 2ª edição, 2001, pág. 1035-1037]
Inviolada noiva de quietude e paz,
Filha do tempo lento e da muda harmonia,
Silvestre historiadora que em silêncio dás
Uma lição floral mais doce que a poesia:
Que lenda flor-franjada envolve tua imagem
De homens ou divindades, para sempre errantes.
Na Arcádia a percorrer o vale extenso e ermo?
Que deuses ou mortais? Que virgens vacilantes?
Que louca fuga? Que perseguição sem termo?
Que flautas ou tambores? Que êxtase selvagem?
II
A música seduz. Mas ainda é mais cara
Se não se ouve. Dai-nos, flautas, vosso tom;
Não para o ouvido. Dai-nos a canção mais rara,
O supremo saber da música sem som:
Jovem cantor, não há como parar a dança,
A flor não murcha, a árvore não se desnuda;
Amante afoito, se o teu beijo não alcança
A amada meta, não sou eu quem te lamente:
Se não chegas ao fim, ela também não muda,
É sempre jovem e a amarás eternamente.
III
Ah! folhagem feliz que nunca perde a cor
Das folhas e não teme a fuga da estação;
Ah! feliz melodista, pródigo cantor
Capaz de renovar para sempre a canção;
Ah! amor feliz! Mais que feliz! Feliz amante!
Para sempre a querer fruir, em pleno hausto,
Para sempre a estuar de vida palpitante,
Acima da paixão humana e sua lida
Que deixa o coração desconsolado e exausto,
A fronte incendiada e língua ressequida.
IV
Quem são esses chegando para o sacrifício?
Para que verde altar o sacerdote impele
A rês a caminhar para o solene ofício,
De grinalda vestida a cetinosa pele?
Que aldeia à beira-mar ou junto da nascente
Ou no alto da colina foi despovoar
Nesta manhã de sol a piedosa gente?
Ah, pobre aldeia, só silêncio agora existe
Em tuas ruas, e ninguém virá contar
Por que razão estás abandonada e triste.
V
Ática forma! Altivo porte! em tua trama
Homens de mármore e mulheres emolduras
Como galhos de floresta e palmilhada grama:
Tu, forma silenciosa, a mente nos torturas
Tal como a eternidade: Fria Pastoral!
Quando a idade apagar toda a atual grandeza,
Tu ficarás, em meio às dores dos demais,
Amiga, a redizer o dístico imortal:
"A beleza é a verdade, a verdade a beleza"
— É tudo o que há para saber, e nada mais.
No mundo das fábulas e histórias de encantar vive Mune, um pequeno fauno lunar muito tímido e pouco seguro de si. Quando é nomeado Guardião da Lua, responsável por trazer a noite e tomar conta do mundo dos sonhos, vê-se obrigado a aceitar a responsabilidade. Mas quando o Guardião das Trevas decide roubar o Sol, o pequeno fauno descobre em si uma coragem que nunca imaginou possuir. Assim, com a ajuda do arrogante Sohone, o Guardião do Sol, e da sua amiga Cire, uma frágil criatura de cera, Mune vive uma aventura extraordinária que mudará, para sempre, a forma como se vê a si mesmo.Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/353964_mune-o-guardiao-da-lua]
OUTONAL
Caem as folhas mortas sobre o lago;[Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in Poesia Completa]
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…
Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…
Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!
Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>Nabos para Cavaco no Camões, vaias para Costa no Carmo
Separadas por 350 metros, na zona do Chiado, em Lisboa, duas concentrações com objectivos opostos mobilizaram várias centenas de pessoas. Umas defendendo a política de esquerda no poder, outras clamando contra o assalto de Costa ao poder. Prometem ser assim os próximos meses na política portuguesa.
Piu-pius governamentais que vivem no Twitter; irrevogáveis de geometria variável; o “impulsionador jovem” que aos saltos no palco dizia à assistência “ó meu, isso da história não serve para nada”; os “justiceiros geracionais” que queriam tirar as reformas aos pais e avós para em nome de uns abstractos filhos e netos as darem a “outros” pais e avós, bem vivos e presentes, em nome da “estabilidade do sistema financeiro”; os neo-malthusianos que nos encheram de simplismos gráficos em que se escolhiam os parâmetros e se excluíam outros para concluir que “não há alternativa”; os arrojados ultra-liberais, que queimam o valor dessa bela palavra de liberdade, e que proclamam que nunca, jamais e em tempo algum quereriam “casar” com as “esganiçadas” do Bloco, sem sequer perceber o que lhes diz o espelho; as mil e um personagens ridículos cuja desenvoltura vinha de terem poder, estarem encostados ao poder e entenderem que tinham impunidade para pisar os outros porque eram mais fracos e tinham menos defesas. Vamos todos dançar a tarantela para expulsar o veneno.Mas Pacheco mostra ser tudo menos de vistas estreitas. Uma prova...
...e só mais esta:[...]na verdade, para “aquilo” já não é possível voltar, pode ser para outra coisa pior ou para outra coisa diferente, mas para o mesmo já não há caminho.[...] Se o governo PSD-PP tivesse acabado nas urnas por uma vitória do PS mesmo tangencial, o efeito de ruptura estaria muito longe de existir, mesmo que o governo PS não fizesse muito de diferente do que o actual governo minoritário vai fazer. Foi a ecologia da vida política portuguesa que mudou[...].
Acabou?
Não. Há muita coisa que não acabou. Há um rastro de estragos, uns materiais e outros espirituais, que não vão ser fáceis ou sequer possíveis de superar numa geração. Sempre que um jornalista fizer a pergunta pavloviana de “quem paga?” ou “quanto custa?” só sobre salários, pensões e reformas, ou seja aquilo que interessa aos que tem menos e nunca faça a mesma pergunta em primeiro lugar, e muitas vezes único lugar, para tudo o resto, benefícios fiscais, impostos sobre os lucros, “resolução” de bancos, PPPs, swaps, etc. ainda não acabou.escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
Acordo com o teu nome nos[Pedreira, Maria do Rosário, poesia reunida, Quetzal, Lisboa, 2012, pág. 201]
meus lábios – amargo beijo
esse que o tempo dá sem
aviso a quem não esquece.
A lista de “exigências” do Presidente ao secretário-geral do PS são o cândido retrato da telenovela em que Cavaco Silva mergulhou o país. Não esclarecem nada, não ilustram o poder do Presidente, não condicionam o futuro governo, não resolvem um único problema de Portugal. São desastradas e limitam-se a exigir uma repetição ritual de afirmações anteriores. Foram simplesmente a forma de avançarmos até ao 51º dia da crise, que é hoje. Cumprida essa missão relevante de perder mais um dia, talvez agora Cavaco Silva indigite Costa, o que já todos sabem que será o destino final desta procissão.O texto é do dia 24; sabemos hoje o que é sublinhado na nota com que o texto termina: Como seria de esperar, o Presidente “indicou” Costa como Primeiro-Ministro. Supõe-se, diz Louçã, que queria dizer “indigitado”. Eu não tenho a certeza de que queria. Não sei se quis marcar (uma vez mais) o seu distanciamento em relação a um governo que teve que engolir.
FLOR SINGELA
Linda flor que nos jardins[Almeida Garrett, in Flores sem fruto]
Força de arte cultivou,
Tem dobrada a folha, o cheiro,
Mas de fruto se privou.
Passa abelha diligente
E admirou tanto primor;
Mas para os favos o néctar,
Vai buscá-lo a outra flor.
Singelinha de três folhas
Coa mosqueta deparou
e em seu cálix meio aberto
Oh que tesouro encontrou!
Como a abelha diligente
Que busca a singela flor,
Um singelo coração
Também só procura amor.
A idade traz-me as metáforas do perigo[Carvalho, Armando Silva, A Sombra do Mar, Assírio & Alvim, s/l, 2015, pág. 39]
e também as suas regas
no desastre.
Vejo chegar a noite e com ela um poema do Eugénio,
magríssimo, cauteloso, cioso das suas sílabas
e da cal apagada junto à boca.
Agarro o seu silêncio
que se deixa cair perto do mar.
As rochas do outono estendem as mãos grossas
para me alcançarem o corpo.
Mas o meu tempo é cada vez mais frágil
e entre o vento e a chuva uma pequena luz parece
que germina.
Sem a claridade dos pássaros o poema não voa,
no chão a palavra rasteja secura
da tarde abandonada.
São os olhos da terra que mais doem, a erva amraga,
e cantar ao crepúsculo passa a ser uma cegueira,
a bem dizer, um crime.
Negro, estéril rochedo, que contrastas, Na mudez tua, o plácido sussurro[Alexandre Herculano, in A Harpa do Crente]
Das árvores do vale, que vicejam
Ricas d'encantos, coa estação propícia;
Suavíssimo aroma, que, manando
Das variegadas flores, derramadas
Na sinuosa encosta da montanha,
Do altar da solidão subindo aos ores,
És digno incenso ao Criador erguido;
Livres aves, filhas da espessura,
Que só teceis da natureza as hinos,
O que crê, o cantor, que foi lançado,
Estranho no mundo, no bulício dele,
Vem saudar-vos, sentir um gozo puro,
Dos homens esquecer paixões e opróbrio,
E ver, sem ver-lhe a luz prestar a crimes,
O Sol, e uma só vez puro saudar-lha.
Convosco eu sou maior; mais longe a mente
dos céus se imerge livre,
E se desprende de mortais memórias
Na solidão solene, onde, incessante,
Em cada pedra, em cada flor se escuta
Do Sempiterno a voz, e vê-se impressa
A dextra sua em multiforme quadro.
à noite quando a lua repousa no ombro[Miguel-manso, persianas, Tinta da China, Lisboa, 2015, pág.17]
mais chegado à melancolia
a chávena mal se distingue no parapeito
e a peste dos meus versos alastra lá ao fundo
numa abandonada escrivaninha
sou o escravo que repousa do idioma
entregando-se ao inaparente ruído dos insectos
e de mãos tombadas sobre o vazio
vela o descomedido trauma terreal
The Good Dinosaur (A Viagem de Arlo - título em Portugal) é um filme de animação produzido pela Pixar Animation Studios, sendo o décimo-sexto animado realizado pelo estúdio.Fonte: [http://filmspot.pt/filme/the-good-dinosaur-105864/ e https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Good_Dinosaur]
E se o meteorito que há 65 milhões de anos mudou para sempre a vida na Terra tivesse passado ao lado do nosso planeta? Dessa forma, a extinção dos dinossauros nunca teria acontecido.
The Good Dinosaur acompanha Arlo, um Apatossauro adolescente com um grande coração e o seu amigo Spot, um menino humano.
Enquanto viajam através de uma paisagem misteriosa, Arlo aprende o poder de enfrentar os seus medos e descobre do que é realmente capaz.
MENSAGEM
Vinde à terra do vinho, deuses novos![Miguel Torga, in Miguel Torga, Libertação]
Vinde, porque é de mosto
O sorriso dos deuses e dos povos
Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.
Houve Olimpos onde houve mar e montes.
Onde a flor da amargura deu perfume.
Onde a concha da mão tirou das fontes
Uma frescura que sabia a lume.
Vinde, amados senhores da juventude!
Tendes aqui o louro da virtude,
A oliveira da paz e o lírio agreste...
E carvalhos, e velhos castanheiros,
A cuja sombra um dormitar celeste
Pode tornar os sonhos verdadeiros
Governo corta verbas a Observatório por ter revelado números da emigração
O Governo decidiu acabar com o financiamento do Observatório da Emigração (OEm) uma semana depois da divulgação no seu site dos números relativos à emigração em 2014, que se manteve nos níveis elevados de 2013, resultando numa notícia no PÚBLICO com data de 29 de Setembro, poucos dias antes das legislativas de 4 de Outubro.
O relatório estava concluído desde Julho mas a sua publicação foi adiada pelo Governo para depois das eleições de Outubro. Mesmo assim, Observatório da Emigração antecipou os números.A atual situação política portuguesa poderia não ter outras qualidades (embora tenha...), mas esta ninguém lha tira: trouxe a política para a rua com uma vivacidade de que já não me lembrava. Hoje mesmo...
...duas manifestações estão convocadas, para a mesma hora e local, com objetivos contrários: uma, para apoiar a previsível queda do atual precário governo; a outra, para protestar contra a mesma previsível queda.Assim se vê a força da democracia.
Dezoito activistas angolanos foram condenados a dois meses de prisão convertidos em multa, pelo Tribunal do Lobito, na província de Benguela, por terem distribuído panfletos. A sentença foi lida após um julgamento sumário que se prolongou por mais de nove horas e terminou na sexta-feira à noite.