TRUMP(A)

O MUNDO PAROU. SENTIU?

Um dia destes, senti uma CONVULSÃO NO MUNDO. A REVISTA Sábado explicou-me a razão: o mundo parou, quando Nicolau Breyner morreu. Agora entendo...


Cito:
"Ao contrário do que [Nicolau Breyner] tinha profetizado há seis anos, o mundo parou no dia da sua morte".
A revista revela ainda uma carta inédita de Maria Elisa sobre a noite em que pensaram casar, ela e ele (que casou cinco vezes e perdeu a conta às namoradas).

Não sei por que raio os deuses não me fizeram assim... um homem enorme com 7 vidas.

escrito por ai.valhamedeus

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O PRESIDENTE DA REPÚBLICA E OS RECADOS DA TOMADA DE POSSE

O Presidente Marcelo entendeu citar Mouzinho de Albuquerque, o milagre de Ourique e os tratados internacionais como toque patriótico e, unanimemente considerado, este último, um “aviso” à esquerda do PS.

O Presidente entende - imitando Salazar que dizia que a Pátria não se discute - que os Tratados Internacionais não são para pôr em causa. Se alguém põe em causa a União Europeia, a NATO, o Euro, ele vai estar contra e não vai deixar que se mexa.


[imagem copiada daqui]

O presidente terá em consideração o artº 8º da Constituição que diz tais normas vigorarem em Portugal. Esquece-se de acrescentar o “enquanto vincularem internacionalmente o Estado Português”. E já nos blocos político-militares (artº 6ª) Portugal defende a sua dissolução, logo da NATO também.

Isto é, não é ilegítimo que um partido inscreva no seu programa a saída da NATO, da União ou do Euro, por exemplo. O que o Presidente quis dizer foi que ideologicamente defende o que esses tratados representam. É contra qualquer alteração e aí está-se a posicionar ideologicamente.

Se rainha de Inglaterra, o referendo do Cameron era vetado.

Quanto a Ourique e Mouzinho, é de tal forma identificador ideologicamente que nem vale a pena falar.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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hoje é sábado 347. PRIMAVERA

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza
[Rodrigues, Urbano Tavares, Horas de Vidro, Dom Quixote, Alfragide, 2010, pág. 43]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 244. "Zootrópolis "

Na cidade dos animais, Zootrópolis, uma raposa é acusada de um crime que não cometeu. O melhor polícia de Zootrópolis, um coelho convencido e moralista, persegue-o. Quando ambos se tornam alvos de uma conspiração descobrem que até inimigos naturais pode tornar-se nos melhores amigos.
Fonte: [http://filmspot.pt/artigo/novo-poster-portugues-para-zootropolis-zootopia-7471/]


escrito por Adriana Santos

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hoje é sábado 346. COM UM PEQUENO CLÍTORIS

Com um pequeno clitóris alto
De súbito crescido
E tumefacto,
Indo explodir no fundo da vagina

Uma rosa poisada
ali no quarto
entre as coxas largadas e sem doçura

Carnívora, ardente e esfomeada
de tudo o que sedento
é já fissura

Uma rosa de seda
de sede
de humidade

Uma rosa de pele
uma ametista breve
um rubi sangrando entre as pálpebras
[Horta, Maria Teresa, Rosa Sangrenta, Nova Nórdica, Lisboa, 1987, pág. 15]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O SENHOR LUIZ INÁCIO FOI DETIDO

Há coisas que surpreendem, mesmo que "relativamente". Fui surpreendido pela "incriminação" de Carlos Cruz -- uma "bomba", no Portugal da altura. Fui surpreendido (até certo ponto) com a detenção de Sócrates...

[imagem copiada daqui]

...e fui surpreendido ("relativamente") pela detenção de Lula. Não consigo saber exatamente as razões desta surpresa. Pela dimensão do Brasil -- dimensão territorial e "corrupcional"? por ver o senhor Luiz Inácio como um político... bom, o presidente mais popular da democracia do Brasil, a cara mediática de um partido que se diz dos trabalhadores (como o de Sócrates se diz socialista), o governante que tirou (?) 30 milhões de pessoas da pobreza? Porque tudo isto está diretamente relacionado com a Petrobras, a maior empresa pública do Brasil, com 80.900 trabalhadores, a 28ª maior empresa do mundo, presente em 19 países? Por ser possível isto estar a acontecer, quando a trama da corrupção envolve pelo menos 2.400 milhões de euros e, entre os acusados, executivos das maiores construtoras do país e políticos de todos os partidos, salpicando até o ex-presidente Fernando Collor e o presidente do Congresso. Eduardo Cunha? Como é que uma investigação aguenta tanto... peso?

Que há coisitas, lá isso há!

escrito por ai.valhamedeus

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PALMAS! MUITAS PALMAS!



Gosto muito deste maestro/pianista, Barenboim, sobre o qual já me pronunciei aqui mais do que uma vez (destaco o texto Arma de construção massiva).

Mas, de cada vez que o sei metido em coisas destas
(que são coisas ao jeito dele), 
o meu gosto renova-se.

Palmas, muitas palmas. Tal como para as 3 orquestras de Berlim, para Simon Rattle, Fischer... ...e os outros.




escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 345. EXÍGUOS ANSEIOS

Não quero o mar.

Quero o instante
Em que o oceano inteiro
Se enrosca numa só onda.

Não quero rios.

Um redondo de lágrimas me basta:
Teus dedos
Recolhendo gaivotas
No raso voo sobre o meu peito.

Eu quero um deserto.
Mas de vastidão mindinha.

Desses que cabem num grão de areia.
[Couto, Mia, vagas e lumes, Caminho, Alfragide, 2014, pág. 25]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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DO CONTRA [109] quantos pais teve jesus?


Há por aí um movimento a exigir a CENSURA DESTE CARTAZ DO BE.

Eu concordo com essa exigência. Não pelas razões alegadas
(não porque este cartaz seja blasfemo -- porque é que haveria de ser?), 
mas porque o que nele se diz é falso. Vamos lá ver se não tenho razão.

JESUS TEVE TRÊS PAIS, e não dois:
  • primeiro: Deus Pai (de quem o Deus Filho é filho);
  • segundo: o Espírito Santo (a Virgem Maria concebeu "por obra e graça do Espírito Santo", reza a doutrina);
  • terceiro: o pai putativo (o tal carpinteiro, coitado!, que foi pai sem saber como, mas acreditou em sonhos).

E JESUS TEVE ALGUMA MÃE?
Parece-me que não. Na verdade, sendo virgem a sua putativa mãe, não parece que possa ser efetivamente mãe.
Ou seja: retire-se esse cartaz!

escrito por ai.valhamedeus

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NATURAL * laranja com canela


Talvez a foto anterior não deixe perceber o que está no prato. E não será só por causa da (falta de) qualidade da imagem; poderá também ser pela "estranheza" da receita. Mas esta laranja com canela é coisa fácil de preparar:
corta-se em rodelas uma laranja. Coloca-se a laranja num prato e polvilha-se com canela a gosto.
O sítio onde a encontrei faz saber que é uma sobremesa marroquina. Experimentei e... convido o leitor a fazer o mesmo. E a dizer-nos o que é que achou desta mistura de sabores.

escrito por Madre Natureza

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LE JAZZ C'EST MOI


O programa cinco minutos de jazz cumpriu, ontem (21/2/2016), 50 anos de vida (ainda que interrompida durante alguns). Parece que é o mais antigo programa de rádio português. O que, em si, não é bom nem é mau.

Os "mídia" têm feito eco do cinquentenário. Com alguma pompa e circunstância. Com os focos focados em José Duarte (mesmo quando parece que é no jazz). Aliás, é dele que fala, quando José Duarte fala do jazz, pelo menos nos (nalguns) textos que li, como é o caso de uma entrevista que concedeu ao Expresso.

Para fazer o contraponto ao incenso que por aí se cheira (e não digo que não merecido) , recordo um texto publicado no Público de 20/1/2001, onde António Curvelo faz a recensão de Cinco minutos de jazz (um dos livros de José Duarte) e onde afirma

[...] custa a perceber a razão da sua repetida celebração [do programa radiofónico] como "o programa diário mais antigo da rádio portuguesa". Durante anos, o "TV Rural" terá sido o programa mais antigo da televisão portuguesa e isso foi coisa que nunca me comoveu
e ainda
[...] o tom geral é o de auto-retrato ao espelho (que, aliás, é o tema da página 114), de par com uma enorme indiferença ou desrespeito pelo leitor (partilhado pelo editor - a mancha gráfica é agradável e de leitura fácil, mas a revisão é péssima, com inúmeras gralhas e um índice remissivo quase inútil, tantos são, bem acima da centena, os erros ortográficos e as omissões de nomes e entradas por página). Como o rasgado elogio (em "Andy Kirk") a disco nunca identificado (mas que se informa ter sido tocado noutro programa de rádio de JD). Ou os zig-zags de uma escrita que, para ser "diferente", cultiva a provocação da originalidade gratuita, mesmo que à custa de sucessivas contradições. 
Recordando a auto-imagem de Luís XIV (e a sua famosa ideia de que L'État c'est moi), Curvelo defende a tese de que, para José Duarte, Le Jazz c'est moi. É esse mesmo o título do artigo.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 344. O HABITANTE

O habitante
(ao meu pai)

Se partiste, não sei.
Porque estás,
Tanto quanto sempre estiveste.

Essa tua,
Tão nossa, presença
Enche de sombra a casa
Como se criasse
Dentro de nós,
Uma outra casa.

No silêncio distraído
De uma varanda
Que foi o teu único castelo,
Ecoam ainda os teus passos
Feitos não para caminhar
Mas para acariciar o chão.

Nessa varanda te sentas
Nesse tão delicado modo de morrer
Como se nos estivesses ensinando
Um outro modo de viver.

Se o passo é tão celeste
A viagem não conta
Senão pelo poema que nos veste.

Os lugares que buscaste
Não têm geografia.

São vozes, são fontes,
Rios sem vontade de mar,
Tempo que escapa da eternidade.

Moras dentro,
Sem deus nem adeus.

[Couto, Mia, vagas e lumes, Caminho, Alfragide, 2014, pág.14-15]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 100

[Clique na imagem, para a ver maior]
VIII

Ah, abram-me outra realidade!
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras,
Desta civilização feita com pregos.
Quero viver como uma bandeira à brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer! 
Depois encerrem-me onde queiram.
Meu coração verdadeiro continuará velando
Pano brasonado a esfinges,
No alto do mastro das visões
Aos quatro ventos do Mistério.
O Norte — o que todos querem
O Sul — o que todos desejam
O Este — de onde tudo vem
O Oeste — aonde tudo finda
— Os quatro ventos do místico ar da civilização
— Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo
[Álvaro de Campos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 99

[Clique na imagem, para a ver maior]
VIII

Ah quantas máscaras e submáscaras,
Usamos nós no rosto de alma, e quando,
Por jogo apenas, ela tira a máscara,
Sabe que a última tirou enfim?
De máscaras não sabe a vera máscara,
E lá de dentro fita mascarada.
Que consciência seja que se afirme,
O aceite uso de afirmar-se a ensona.
Como criança que ante o espelho teme,
As nossas almas, crianças, distraídas,
Julgam ver outras nas caretas vistas
E um mundo inteiro na esquecida causa;
E, quando um pensamento desmascara,
Desmascarar não vai desmascarado.
[Fernando Pessoa, in Poemas Ingleses]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 343. TESOURO DA PALAVRA

Trago palavras de esperança e são vento
trago vento de ternura e são carinhos
trago do Verbo ideias e pensamento
trago da vida madrigais, rosas e espinhos

Dou-te palavras de fé e são cristais
dou-te cristais de sonhos como oração
dou-te sonhos alados e são meus ais
dou-te a alma liberta e sou perdão

bordo palavras em cor e são teus versos
bordo versos de contas e são como terços
bordo-os em concha e pérolas e são de ouro.

Assim, te ofereço palavras como poemas
rimas em papel de asas viajando penas
palavras tecidas de luz, um eterno tesouro.
[Silva, Calane da, Gotas de sol, a manifestação da palavra, Alcance Editores, Maputo, 1ª edição, 2015, pág. 32]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 98

[Clique na imagem, para a ver maior]
Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar. 
Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer. 
Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim. 
(Tudo isto me parece tudo.
Mas noite, frio, negro sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo —
Ah, nada é isto, nada é assim!)
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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VÍDEO DA SEXTA 243. "Norm - O Herói do Ártico"

Desalojado da sua casa no Ártico, um urso polar chamado Norm acaba em Nova Iorque na companhia dos seus três amigos lemmings. Norm torna-se mascote de uma grande empresa, mas rapidamente descobre que eles estão ligados ao triste destino da sua terra natal.

Fonte: [http://filmspot.pt/filme/norm-of-the-north-276905/]

escrito por Adriana Santos

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UM TEXTO ENGRAÇADINHO

Um texto muito engraçadinho da "meio-engraçadinha" Elisabete Azevedo-Harman dá ao Jerónimo (o engraçadinho de Sousa)
"algumas sugestões e, claro, podemos encontrar-nos e eu levo-te ao meu cabeleireiro, manicura e mesmo a uma depilação".
Em síntese (para quem não quer ler o texto todo -- mas vale a pena e nem é longo):
  1. Sorriso.
  2. Relativizar. O mundo não está contra ti.
  3. Esse pulôver vermelho sempre nas costas é uma deliberação do comité central?
  4. Resistir à dor de corno. Haverá sempre mais engraçadinhos e engraçadinhas que nós.
  5. Cabeleireiro. Tens de decidir: ou sim ou sopas. Tens de deixar de ser sovina e deixar esse barbeiro e ir a um cabeleireiro gay da moda. Eu sei que para ti essa coisa do gay não te agrada, mas achas que esse barbeiro viril que te faz essa popinha desde a época Brejnev te vai tornar ‘engraçadinho’?
    Jerónimo, amigo, estou contigo. A luta continua, vamos fazer-te não digo sexy mas, pelo menos, limpamos essa coisa sem graça.
escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 97

[Clique na imagem, para a ver maior]
Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.
Abro a janela diretamente, no desespero da insónia.
E, de repente, humano,
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!
Fraternidade na noite! 
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.
Dorme. Nós temos luz. 
Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,
O coração latente das nossas duas luzes,
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida. 
Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,
Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro,
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim. 
Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!
Que fazes, camarada, da janela com luz?
Sonho, falta de sono, vida?
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita...
Tem graça: não tens luz elétrica.
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!
[Álvaro de Campos]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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JERÓNIMO, O ENGRAÇADINHO



Este dirigente partidário de um partido em risco de extinção está cada vez mais caquético. Ontem, ressentido pelo êxito de Marisa Matias (face ao péssimo resultado do seu candidato), em vez de tirar as conclusões necessárias, decidiu passar ao ataque ao Bloco vozeirando o disparate:
"Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista", disse. Para depois esclarecer: "Não somos capazes de mudar".
Pois não, não são capazes de mudar. Mas são os eleitores. Eu, por exemplo, que já me não lembrava de votar senão na CDU.
escrito por ai.valhamedeus

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VASCO PULIDO VALENTE OU A INTELECTUALICE SEM SUBSTRATO

Há um modo, que parece eficaz, de os comentadores que ganharam nome o manterem. É disfarçarem na agressividade da escrita a falta de argumentos.

Embora o leia muito esporadicamente, apenas para confirmar que continua a ser um comentador sem qualquer interesse -- Vasco Pulido Valente é o... arquétipo protótipo de tal comentador. Há de precisar de umas coroas para o uísque -- e despeja umas dezenas de palavras no Público. Escreve, por exemplo, para defender a tese de que não há direita nem esquerda nem centro -- uma tese tão defensável como a contrária -- e a "defesa" da tese limita-se ao enunciado da mesma e a um conjunto de expressões que farão, eventualmente, a delícia de quem emotivamente defende a mesma posição de VPV, mas que são tudo menos argumentação.

Cito-o:
  • "O vocabulário disfarça a ignorância"
  • "esta brincadeira com as posições de cada um..."
  • "A asneira é livre."
  • "(...)quem não leu Marx ou Lenine e o rebanho dos seus seguidores"
  • "(...)os desmiolados que por lá andam" (no Bloco e no PC)
É um estilo de discussão pública infelizmente mais comum do que me parece razoável.

escrito por ai.valhamedeus

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A MINHA PRESIDENTA


Como estamos em período de reflexão, não vou dizer EM QUEM DEVEM VOTAR
(é proibido, segundo me dizem). 
Digo apenas EM QUEM VOU VOTAR: tanto eu gostava de ter esta carinha linda como presidenta. Já vai sendo tempo de eu ter -- finalmente! -- um(a) presidente da república
(não! nunca tive!)
escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 242. "Asterix: O domínio dos Deuses"


Sinopse:
Exasperado com a situação, Júlio César decide mudar de tática. Já que os seus exércitos são incapazes de se impor pela força, será a civilização romana, ela própria, que irá seduzir os bárbaros gauleses. Será então necessário construir ao lado da aldeia um condomínio residencial, luxuoso, destinado a proprietários romanos: “O Domínio dos Deuses”. Resistirão os nossos amigos gauleses ao isco do lucro e a todo o conforto romano? Será que a sua aldeia se vai transformar numa simples atração turística? Mais uma vez, Astérix (voz de Manuel Marques) e Obélix (voz de Eduardo Madeira) vão fazer de tudo para contrariar os planos de César.
Fonte: [http://cinemas.nos.pt/Filme.aspx?id=13149]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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EX-CITAÇÕES * 158. um novo partido?


Sondagem da Intercampus para a TVI e PÚBLICO dá vitória ao candidato apoiado pelo PSD e CDS à primeira volta nas eleições presidenciais, com 51,8% das intenções de voto mas ainda dentro da margem de erro do inquérito (3%).
esta sondagem coloca Vitorino Silva (2,5) à frente de Henrique Neto (2,3%). Querem ver que ainda vem aí outro partido, agora com epicentro em Rans?
[editorial de Público de 22/1/2016. Negrito meu] 

escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 157. advogados em causa própria

[...]milhares de cidadãos adorariam poder pedir a fiscalização da constitucionalidade de normas que os aborrecem – só que não podem. Não têm esse privilégio. Os deputados têm, em função do cargo que ocupam. Ora, usar esse cargo não para fiscalizar normas em nome do povo, mas em nome do seu interesse particular, é uma infâmia.
[João Miguel Tavares, aqui]

escrito por ai.valhamedeus

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RÁDIO AERREGE


Mixlr é um serviço (e uma aplicação) com o qual se pode criar uma emissora de rádio e transmiti-la pela internet para ser ouvida por... quem quiser.

Um dos colaboradores do Ai Jesus! criou aí uma rádio, a que chamou Aerrege e está a dar os primeiros passos. Até este momento, conta com 7 emissões, de 1 hora diária cada ("a opção gratuita tem as suas limitações"). Para já, só música; mas (confidencia) há projetos para algo mais "elaborado".

A Aerrege
  • pode ser ouvida aqui, em direto; as emissões são anunciadas no mural do Facebook do responsável (embora, "a seu tempo e se a coisa vingar", possa haver outros meios de difusão);
  • as emissões ficam gravadas aqui, para ouvir em qualquer altura. Até este momento, as 7 emissões foram dedicadas a David Bowie (por ocasião da sua morte), a Vivaldi ("As quatro estações"), Rui Veloso (2 emissões com... o melhor da sua música), The Beatles (Live At The Festival Hall), Chico Buarque e Eagles (a pretexto da morte de Glenn Frey).
Estão na calha (outra revelação! ;-)) as melhores músicas de Elis Regina, Caetano Veloso, as melhores músicas de jazz de todos os tempos...

[edição, a 7/5/2016] A rádio mudou de nome, para Rádio Clássica Mente. A lista dos temas das emissões, entretanto gravadas, é atualizada aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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AS SUBVENÇÕES


Foram 30 os deputados que subscreveram o pedido de fiscalização da constitucionalidade à norma do Orçamento do Estado (OE) para 2015 que fazia depender as subvenções vitalícias dos rendimentos dos beneficiários (condição de recursos).

21 do PS e nove do PSD. Grande parte dos subscritores são directamente beneficiados com a decisão. Belém decidirá se pede a remuneração depois de saber se (não) chega a Belém.

Em causa está o artigo 80.º da Lei do OE que prevê a suspensão da atribuição da subvenção aos antigos políticos com rendimentos superiores a dois mil euros (excluindo a subvenção). E, nas restantes situações, limitou a prestação à diferença entre os dois mil euros e o rendimento total (excluindo a subvenção).

O Tribunal Constitucional decidiu que a norma é inconstitucional porque viola o "princípio da protecção da confiança" dos beneficiários das subvenções. Está certo! a seguir, será a vez de serem declarados inconstitucionais todos os cortes efetuados aos outros "beneficiários", nos últimos anos. Ou comem todos...

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 96

[Clique na imagem, para a ver maior]
Bem sei que há ilhas lá ao sul de tudo
Onde há paisagens que não pode haver.
Tão belas que são como que o veludo
Do tecido que o mundo pode ser. 
Bem sei. Vegetações olhando o mar,
Coral, encostas, tudo o que é a vida
Tornado amor e luz, o que o sonhar
Dá à imaginação anoitecida. 
Bem sei. Vejo isso tudo. O mesmo vento
Que ali agita os ramos em torpor
Passa de leve por meu pensamento
E o pensamento julga que é amor. 
Sei, sim, é belo, é luz, é impossível,
Existe, dorme, tem a cor e o fim,
E, ainda que não haja, é tão visível
Que é uma parte natural de mim. 
Sei tudo, sim, sei tudo. E sei também
Que não é lá que há isso que lá está
Sei qual é a luz que essa paisagem tem
E qual o mar por que se vai para lá.
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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ALMEIDA SANTOS E AS PRESIDENCIAIS


Leio que está suspensa a campanha eleitoral, pelo menos a de Maria de Belém e as de Sampaio da Nóvoa e Marcelo.

Porque morreu Almeida Santos, dizem
(Maria de Belém, que o dirigente do PS apoiava, esclarece que "Se morreu do coração, morreu do que tinha de melhor"). 
Não vejo que seja motivo suficiente. Cá para mim do que "eles" precisavam era de um pretexto. "Isto" até já a "eles" cansa.

escrito por ai.valhamedeus

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CANDIDATOS DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA



AS TVs (agora, foi a Sic) dedicam grande espaço às iniciativas de Marisa, de Nóvoa, de Marcelo e de Edgar, separadamente. Os outros são juntos num pacote breve, onde cada candidato tem... tratamento breve.

Eu votarei no primeiro bloco. Talvez Marisa. Talvez Nóvoa. Mas isso não me impede de discordar do tratamento diferenciado.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 95

[Clique na imagem, para a ver maior]
A minha saudade tem o mar aprisionado
na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque não posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que não prendem pássaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.
Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um distúrbio da paixão.
[José Jorge Letria]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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A BARBÁRIE NO SEU... PIOR


Jihadista executou a própria mãe em público na cidade de Raqqa.

Activistas locais dizem que a mulher, de nacionalidade síria, foi acusada de... apostasia.

Independentemente de a senhora ser (ou não) apóstata... que raio de religião/cultura é esta, onde a apostasia é castigada com pena de morte (como, também e por exemplo, na Arábia Saudita)... ou outra pena menor?!

Valha-nos Alá (ou Jeová)!

escrito por ai.valhamedeus

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A LIBERDADE DE EXPRESSÃO DOS CRENTES


O Vaticano acusou Charlie Hebdo de “não respeitar crentes de todas as religiões”.

...e o presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano, Anouar Kbibech, defende que a caricatura da capa do Charlie “fere todos os crentes das diferentes religiões”.  E acrescenta: “É preciso respeitar a liberdade de expressão dos jornalistas mas também a liberdade de expressão dos crentes”.

E eu pergunto: mas Charlie Hebdo não respeita a liberdade de expressão dos crentes?! o que é que os responsáveis pela Charlie Hebdo fazem que não respeita a liberdade de expressão? quem a não respeita são aqueles que, em nome de um qualquer Alá (justificadamente ou blasfemando, como diz o papa Xico), matam os que não pensam como eles.

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 241. "Sininho e a Lenda do Monstro da Terra do Nunca"


Sinopse
Para além de traquina e muito curiosa, Fawn, a pequena fada dos animais, tem um coração transbordante de bondade. Para ela, todos os seres têm o direito a existir e ninguém merece ser julgado pelo seu aspecto, por mais insignificante ou temível que possa parecer. Quando um cometa cai sobre o reino do Vale das Fadas e liberta uma enorme criatura conhecida por Monstro do Nunca, o pânico instala-se. Aterrorizadas com o que aquele ser de boca e olhos assustadores possa fazer ao seu lar, as fadas juntam-se para o aprisionar. Mas, ao contrário de todas as outras, Fawn acha que, antes de o capturarem, deveriam tentar conhecê-lo melhor e só depois avaliar as suas intenções. E é assim, de coração aberto, que a pequena fada dos animais faz um amigo para a vida.

Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/351526_sininho-e-a-lenda-do-monstro-da-terra-do-nunca]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 94

[Clique na imagem, para a ver maior]

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres. 

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo! 

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 342. ESTOICISMO

[A Manuel Duarte de Almeida]

Tu que não crês, nem amas, nem esperas,
Espírito de eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras...

Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como num sonho mau, só oiço um não,
Que etrnamente ocoa entre esferas...

- Porque suspiras, porque te lamentas,
Cobarde coração? Debalde intentas
Opor à Sorte a queixa do egoísmo...

Deixa os tímidos, deixa os sonhadores,
A esperança vã, seus vãos fulgores...
Sabe tu encarar sereno o abismo!
[Quental, Antero, Sonetos, livraria Sá da Costa, Lisboa, 7ª edição, 1984, pág. 88]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 240. "Upsss! Lá Se Foi a Arca..."


Sinopse
Reza a Bíblia que um homem chamado Noé foi chamado por Deus a construir uma grande arca que albergasse todos os animais, grandes e pequenos, de um dilúvio de proporções universais. Esta história é bem conhecida. Mas outra ficou por contar: o que aconteceu aos animais que não tiveram a sorte de embarcar? Dave e o filho, Finny, são nestrians, criaturas peludas, coloridas e trapalhonas que ouvem falar do fim do mundo iminente. Inicialmente aliviados ao tomarem conhecimento da construção da arca por esse bondoso Noé, rapidamente percebem que não estão na lista dos animais escolhidos. Nada que os consiga demover. Graças a um estratagema levado a cabo com a ajuda involuntária de dois grymps – Hazel e a sua filha, Lea –, lá conseguem entrar na arca. Mas a curiosidade das duas crianças faz com que, acidentalmente, acabem por ficar do lado de fora. Os pais, desesperados, terão de arranjar maneira de pôr de lado as suas diferenças e trabalhar em conjunto para resgatar as crias. Estas, entregues a si próprias, terão de dar o melhor de si para conseguirem sobreviver à subida das águas. Pelo caminho, vão viver uma série de peripécias e aprender o quanto a amizade pode fazer a força.

Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/351533_upsss-la-se-foi-a-arca]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 93

[Clique na imagem, para a ver maior]
ANO NOVO
Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.
[Fernando Pessoa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 341. PIETÀ

Vejo-te ainda, Mãe, de olhar parado,
Da pedra e da tristeza, no teu canto,
Comigo ao colo, morto e nu, gelado,
Embrulhado nas dobras do teu manto.
Sobre o golpe sem fundo do meu lado
Ia caindo o rio do teu pranto;
E o meu corpo pasmava, amortalhado,
De um rio amargo que adoçava tanto.
Depois, a noite de uma outra vida
Veio descendo lenta, apetecida
Pela terra-polar de que me fiz;
Mas o teu pranto, pela noite além,
Seiva do mundo, ia caindo, Mãe,
Na sepultura fria da raiz.
[Torga, Miguel, Diário I, Coimbra, Edição do Autor, 6ª edição, 1978, pág. 124]

Lisboa, Cadeia do Aljube, Natal de 1939 -
Como se fosse ainda em S. Pedro de Roma

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ELOGIO DO NATAL

O El País de hoje inclui um texto de Manuel Fraijó, catedrático emérito de Filosofia da UNED. Um texto que faz aquilo que o título anuncia: o Elogio de la Navidad (Elogio do Natal). Um elogio que parte de um outro elogio de um filósofo insuspeito, nesta área, por ser... marxista e ateu: Ernst Bloch. E que destaca a "tendência para baixo", para os pobres e marginais da terra, da figura de Jesus de Nazaré, "um homem bom, algo que nunca tinha ocorrido".

O texto está aqui. Deixo cópia com a "estrutura" do jornal impresso, a seguir, (clique na imagem para ler melhor):


escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 239. "Hotel Transylvania II"


Sinopse
Tudo parece estar a mudar para melhor no Hotel Transilvania… Drac finalmente desistiu da sua rígida politica de "só para monstros" e o hotel está agora aberto a hóspedes humanos. Mas, na privacidade do seu caixão, Drac está preocupado com Dennis, o seu adorável neto, meio humano, meio vampiro que não mostra quaisquer sinais de ser de facto um verdadeiro vampiro. Assim, enquanto Mavis está ocupada a visitar os seus sogros humanos juntamente com Johnny – e prestes a ter o seu próprio choque cultural – o vovô vampiro, Drac, junta os seus amigos Frank, Murray, Wayne e Griffin para levar Dennis a um campo de treinos para monstros. Mal sabem eles que Vlad, o muito velho e muito, muito velha guarda pai de Drac pretende fazer uma visita surpresa ao hotel. E quando Vlad descobre que o seu bisneto não é um vampiro puro e que os humanos são agora bem vindos ao Hotel - as coisas vão mesmo ficar tenebrosas!

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/hotel-transylvania-2]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 92

[Clique na imagem, para a ver maior]
NATAL, E NÃO DEZEMBRO
Entremos, apressados, friorentos, 
numa gruta, no bojo de um navio, 
num presépio, num prédio, num presídio 
no prédio que amanhã for demolido... 
Entremos, inseguros, mas entremos. 
Entremos e depressa, em qualquer sítio, 
porque esta noite chama-se Dezembro, 
porque sofremos, porque temos frio. 

Entremos, dois a dois: somos duzentos, 
duzentos mil, doze milhões de nada. 
Procuremos o rastro de uma casa, 
a cave, a gruta, o sulco de uma nave... 
Entremos, despojados, mas entremos. 
De mãos dadas talvez o fogo nasça, 
talvez seja Natal e não Dezembro, 
talvez universal a consoada.
[David Mourão-Ferreira]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 340. SANTO E SENHA

Deixem passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser
Uma estrela no chão.
[Torga, Miguel, Diário I, Coimbra, Edição do Autor, 6ª edição, 1978, pág. 9]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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EX-CITAÇÕES * 156. sócrates, o activo tóxico

O que é que José Sócrates espera? Que as pessoas fiquem esmagadas pela sua “determinação” e auto-convencimento e se tornem subitamente estúpidas e aceitem argumentos que parecem os de um adolescente a mentir? A única conclusão a tirar é que ele nos insulta e acha que devemos ficar contentes pelo insulto.
[excerto de um texto de Pacheco Pereira sobre Sócrates, em particular, a sua entrevista à TVI]

escrito por ai.valhamedeus

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O NOVO CONSELHO DE ESTADO


Novo Conselho de Estado é "um manual da história política de Portugal" é o título de um texto onde Maria João Lopes aborda esta questão:
Um antigo ministro de Salazar, um combatente anti-fascista e dois fundadores de partidos. Ainda que seja um órgão consultivo, que relevância pode ter a nova composição do Conselho do Estado, no actual quadro político português?
Começa assim:
Este Conselho de Estado será o mais representativo da diversidade política da democracia portuguesa até hoje”. A frase é do politólogo António Costa Pinto. Não é o único a atribuir um significado à nova composição do órgão consultivo marcada pelo regresso do PCP e pela chegada do Bloco de Esquerda.
escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 238. "Lendas de Oz: O Regresso de Dorothy"


Sinopse
Dorothy regressa novamente a Oz para salvar os seus amigos Espantalho, Leão, Homem de Lata e Glinda de um novo vilão maléfico, Jester. A Coruja Sábia, Marshal Mallow, a Princesa Chinesa e Tugg, o Rebocador, juntam-se também a Dorothy para a sua última viagem mágica pela paisagem colorida de Oz, com o objectivo de restaurar a ordem e a felicidade na Cidade Esmeralda.

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/lendas-de-oz-o-regresso-de-dorothy]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 91

[Clique na imagem, para a ver maior]
COMO UM FLOR VERMELHA
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia. 
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas. 
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
[Sophia de Mello Breyner Andresen]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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O BANIF, O ESTADO... E EU


Há afirmações (e "ideias") assim...
Só é possível salvar o Banif se o Estado assumir prejuízos.
Se o Estado assumir os meus prejuízos... o que eu não serei capaz de fazer!

escrito por ai.valhamedeus

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SALGADO É POBREZINHO...


Ora aí está! RICARDO SALGADO É POBREZINHO: Ministério Público aceita tese de pobreza do banqueiro e abre guerra a juiz.

Dasssss!

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEO DA SEXTA 237. "Snoopy e Charlie Brown"


Sinopse
Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e o restante gang dos “Peanuts” fazem a sua estreia no grande ecrã, numa animação 3D. Snoopy, o beagle mais adorável do mundo – e da aviação – embarca na sua maior missão e vai até aos céus perseguir o seu maior inimigo, O Barão Vermelho, enquanto o seu melhor amigo, Charlie Brown, começa a sua própria jornada épica.

Fonte: [http://mag.sapo.pt/cinema/filmes/snoopy-e-charlie-brown-peanuts-o-filme]

escrito por Adriana Santos

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O FAVORITISMO DA CANDIDATURA DE MARCELO

Embora já seja do passado dia 8 (deste mês de dezembro), um interessante texto de Francisco Louçã, intitulado Pedro e Paulo apoiam Marcelo que apoia António que gosta de Marcelo que gosta de toda a gente,

[um título presumivelmente inspirado na Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade, que começa assim: 
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém]
defende que a favorita candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às presidenciais (des)agrada tanto ao PSD e CDS (que "terão que engolir este candidato") quanto ao PS (de António Costa), que "só anima candidatos para consumo interno". Termina assim:
O PSD e o CDS resignam-se a essa normalidade, o PS aplaude-a, Marcelo tem até agora tudo o que quer e não podia pedir mais.
escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 90

[Clique na imagem, para a ver maior]
SONETO DO AMOR DIFÍCIL
A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa… 
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça. 
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe 
de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu. 
[David Mourão-Ferreira]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 339. ODE SOBRE UMA URNA GREGA

I

Inviolada noiva de quietude e paz,
Filha do tempo lento e da muda harmonia,
Silvestre historiadora que em silêncio dás
Uma lição floral mais doce que a poesia:
Que lenda flor-franjada envolve tua imagem
De homens ou divindades, para sempre errantes.
Na Arcádia a percorrer o vale extenso e ermo?
Que deuses ou mortais? Que virgens vacilantes?
Que louca fuga? Que perseguição sem termo?
Que flautas ou tambores? Que êxtase selvagem?


II

A música seduz. Mas ainda é mais cara
Se não se ouve. Dai-nos, flautas, vosso tom;
Não para o ouvido. Dai-nos a canção mais rara,
O supremo saber da música sem som:
Jovem cantor, não há como parar a dança,
A flor não murcha, a árvore não se desnuda;
Amante afoito, se o teu beijo não alcança
A amada meta, não sou eu quem te lamente:
Se não chegas ao fim, ela também não muda,
É sempre jovem e a amarás eternamente.

III

Ah! folhagem feliz que nunca perde a cor
Das folhas e não teme a fuga da estação;
Ah! feliz melodista, pródigo cantor
Capaz de renovar para sempre a canção;
Ah! amor feliz! Mais que feliz! Feliz amante!
Para sempre a querer fruir, em pleno hausto,
Para sempre a estuar de vida palpitante,
Acima da paixão humana e sua lida
Que deixa o coração desconsolado e exausto,
A fronte incendiada e língua ressequida.

IV

Quem são esses chegando para o sacrifício?
Para que verde altar o sacerdote impele
A rês a caminhar para o solene ofício,
De grinalda vestida a cetinosa pele?
Que aldeia à beira-mar ou junto da nascente
Ou no alto da colina foi despovoar
Nesta manhã de sol a piedosa gente?
Ah, pobre aldeia, só silêncio agora existe
Em tuas ruas, e ninguém virá contar
Por que razão estás abandonada e triste.

V

Ática forma! Altivo porte! em tua trama
Homens de mármore e mulheres emolduras
Como galhos de floresta e palmilhada grama:
Tu, forma silenciosa, a mente nos torturas
Tal como a eternidade: Fria Pastoral!
Quando a idade apagar toda a atual grandeza,
Tu ficarás, em meio às dores dos demais,
Amiga, a redizer o dístico imortal:
"A beleza é a verdade, a verdade a beleza"
— É tudo o que há para saber, e nada mais.
[Keats, John, "Ode Sobre Uma Urna Grega", in Rosa do Mundo, 2001 poemas para o futuro, Assírio & Alvim, Lisboa, 2ª edição, 2001, pág. 1035-1037]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 236."Mune, O Guardião da Lua"


No mundo das fábulas e histórias de encantar vive Mune, um pequeno fauno lunar muito tímido e pouco seguro de si. Quando é nomeado Guardião da Lua, responsável por trazer a noite e tomar conta do mundo dos sonhos, vê-se obrigado a aceitar a responsabilidade. Mas quando o Guardião das Trevas decide roubar o Sol, o pequeno fauno descobre em si uma coragem que nunca imaginou possuir. Assim, com a ajuda do arrogante Sohone, o Guardião do Sol, e da sua amiga Cire, uma frágil criatura de cera, Mune vive uma aventura extraordinária que mudará, para sempre, a forma como se vê a si mesmo.
Fonte: [http://cinecartaz.publico.pt/Filme/353964_mune-o-guardiao-da-lua]

escrito por Adriana Santos

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 89

[Clique na imagem, para a ver maior]
OUTONAL
Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…

Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…
[Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in Poesia Completa]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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DE NOVO NA RUA...


Recordo com saudade os tempos em que a política "caiu" na rua. Foi a seguir ao 25 de abri de 74... e progressivamente deixou de aparecer no quotidiano, pelo menos de forma "barulhenta". Os tempos renovados por um governo de tipo novo, o de Costa, parecem querer puxar novamente a discussão política para a rua: já foi assim nos cafés, restaurantes, locais de encontro..., nos tempos que ameaçaram com o governo que entretanto se constituiria; e a coisa (para meu contentamento) parece não desmaiar. Foi assim, ontem:

Nabos para Cavaco no Camões, vaias para Costa no Carmo

Separadas por 350 metros, na zona do Chiado, em Lisboa, duas concentrações com objectivos opostos mobilizaram várias centenas de pessoas. Umas defendendo a política de esquerda no poder, outras clamando contra o assalto de Costa ao poder. Prometem ser assim os próximos meses na política portuguesa.
escrito por ai.valhamedeus

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ACABOU?

Acabou!!!! Acabou. Acabou? é o título de um texto muito interessante (no Público de hoje) de Pacheco Pereira sobre as mudanças políticas atuais. Considero-o muito interessante, independentemente de concordar com ele (embora concorde). Considero-o muito interessante sobretudo porque faz uma análise não linear (e -- não menos importante .., lúcida, até na adjetivação e nos elementos "históricos" que convoca para a argumentação).

Só duas (ou três) citações são suficientes, digo eu, para provar o que digo. Esta passagem, embora muito arguta, poderia fazer-nos crer estarmos perante um texto tendencioso:
Piu-pius governamentais que vivem no Twitter; irrevogáveis de geometria variável; o “impulsionador jovem” que aos saltos no palco dizia à assistência “ó meu, isso da história não serve para nada”; os “justiceiros geracionais” que queriam tirar as reformas aos pais e avós para em nome de uns abstractos filhos e netos as darem a “outros” pais e avós, bem vivos e presentes, em nome da “estabilidade do sistema financeiro”; os neo-malthusianos que nos encheram de simplismos gráficos em que se escolhiam os parâmetros e se excluíam outros para concluir que “não há alternativa”; os arrojados ultra-liberais, que queimam o valor dessa bela palavra de liberdade, e que proclamam que nunca, jamais e em tempo algum quereriam “casar” com as “esganiçadas” do Bloco, sem sequer perceber o que lhes diz o espelho; as mil e um personagens ridículos cuja desenvoltura vinha de terem poder, estarem encostados ao poder e entenderem que tinham impunidade para pisar os outros porque eram mais fracos e tinham menos defesas. Vamos todos dançar a tarantela para expulsar o veneno.
Mas Pacheco mostra ser tudo menos de vistas estreitas. Uma prova...
[...]na verdade, para “aquilo” já não é possível voltar, pode ser para outra coisa pior ou para outra coisa diferente, mas para o mesmo já não há caminho.
[...] Se o governo PSD-PP tivesse acabado nas urnas por uma vitória do PS mesmo tangencial, o efeito de ruptura estaria muito longe de existir, mesmo que o governo PS não fizesse muito de diferente do que o actual governo minoritário vai fazer. Foi a ecologia da vida política portuguesa que mudou[...].
...e só mais esta:
Acabou? 
Não. Há muita coisa que não acabou. Há um rastro de estragos, uns materiais e outros espirituais, que não vão ser fáceis ou sequer possíveis de superar numa geração. Sempre que um jornalista fizer a pergunta pavloviana de “quem paga?” ou “quanto custa?” só sobre salários, pensões e reformas, ou seja aquilo que interessa aos que tem menos e nunca faça a mesma pergunta em primeiro lugar, e muitas vezes único lugar, para tudo o resto, benefícios fiscais, impostos sobre os lucros, “resolução” de bancos, PPPs, swaps, etc. ainda não acabou. 
escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 338. ACORDO COM O TEU NOME

Acordo com o teu nome nos
meus lábios – amargo beijo

esse que o tempo dá sem
aviso a quem não esquece.
[Pedreira, Maria do Rosário, poesia reunida, Quetzal, Lisboa, 2012, pág. 201]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O SAPO QUE CAVACO TEVE QUE ENGOLIR



Cavaco, que ainda é presidente (minúsculo) da República, autorizou (?!), finalmente, que Costa fosse primeiro-ministro. Ao 50º dia fez-se luz: o Presidente ainda vai pensar mais um bocadinho... este é o título de um texto, que vale a pena ler na íntegra, de Francisco Louçã. Começa assim:
A lista de “exigências” do Presidente ao secretário-geral do PS são o cândido retrato da telenovela em que Cavaco Silva mergulhou o país. Não esclarecem nada, não ilustram o poder do Presidente, não condicionam o futuro governo, não resolvem um único problema de Portugal. São desastradas e limitam-se a exigir uma repetição ritual de afirmações anteriores. Foram simplesmente a forma de avançarmos até ao 51º dia da crise, que é hoje. Cumprida essa missão relevante de perder mais um dia, talvez agora Cavaco Silva indigite Costa, o que já todos sabem que será o destino final desta procissão.
O texto é do dia 24; sabemos hoje o que é sublinhado na nota com que o texto termina: Como seria de esperar, o Presidente “indicou” Costa como Primeiro-Ministro. Supõe-se, diz Louçã, que queria dizer “indigitado”. Eu não tenho a certeza de que queria. Não sei se quis marcar (uma vez mais) o seu distanciamento em relação a um governo que teve que engolir.

escrito por ai.valhamedeus

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 88

[Clique na imagem, para a ver maior]
FLOR SINGELA 
Linda flor que nos jardins
Força de arte cultivou,
Tem dobrada a folha, o cheiro,
Mas de fruto se privou.

Passa abelha diligente
E admirou tanto primor;
Mas para os favos o néctar,
Vai buscá-lo a outra flor.

Singelinha de três folhas
Coa mosqueta deparou
e em seu cálix meio aberto
Oh que tesouro encontrou!

Como a abelha diligente
Que busca a singela flor,
Um singelo coração
Também só procura amor.
[Almeida Garrett, in Flores sem fruto]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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hoje é sábado 337. VÉSPERAS

A idade traz-me as metáforas do perigo
e também as suas regas
no desastre.
Vejo chegar a noite e com ela um poema do Eugénio,
magríssimo, cauteloso, cioso das suas sílabas
e da cal apagada junto à boca.

Agarro o seu silêncio
que se deixa cair perto do mar.
As rochas do outono estendem as mãos grossas
para me alcançarem o corpo.
Mas o meu tempo é cada vez mais frágil
e entre o vento e a chuva uma pequena luz parece
que germina.

Sem a claridade dos pássaros o poema não voa,
no chão a palavra rasteja secura
da tarde abandonada.
São os olhos da terra que mais doem, a erva amraga,
e cantar ao crepúsculo passa a ser uma cegueira,
a bem dizer, um crime.
[Carvalho, Armando Silva, A Sombra do Mar, Assírio & Alvim, s/l, 2015, pág. 39]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 87

[Clique na imagem, para a ver maior]
Negro, estéril rochedo, que contrastas, Na mudez tua, o plácido sussurro
Das árvores do vale, que vicejam
Ricas d'encantos, coa estação propícia;
Suavíssimo aroma, que, manando
Das variegadas flores, derramadas
Na sinuosa encosta da montanha,
Do altar da solidão subindo aos ores,
És digno incenso ao Criador erguido;
Livres aves, filhas da espessura,
Que só teceis da natureza as hinos,
O que crê, o cantor, que foi lançado,
Estranho no mundo, no bulício dele,
Vem saudar-vos, sentir um gozo puro,
Dos homens esquecer paixões e opróbrio,
E ver, sem ver-lhe a luz prestar a crimes,
O Sol, e uma só vez puro saudar-lha.

Convosco eu sou maior; mais longe a mente
dos céus se imerge livre,
E se desprende de mortais memórias
Na solidão solene, onde, incessante,
Em cada pedra, em cada flor se escuta
Do Sempiterno a voz, e vê-se impressa
A dextra sua em multiforme quadro.
[Alexandre Herculano, in A Harpa do Crente]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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