O senhor “Ai, aguenta, aguenta!” não aguentou.[in Expresso Curto]
escrito por Gabriela Correia, Faro LEIA O RESTANTE >>
O senhor “Ai, aguenta, aguenta!” não aguentou.[in Expresso Curto]
Num livro que comprei, ontem, procurei o que é habitual procurar: se respeita as novas regras ortográficas.
Li as duas primeiras páginas e não consegui saber se. Andei a folhear (en passant) a obra, à procura da resposta, e fiquei sem saber. As palavras que me poderiam ajudar a decidir a (não) compra escondiam-se.
Fui ao sítio por onde devia ter começado: o verso da capa. Lá estava: respeita as regras.
E decidi-me pela compra.
Sentei-se ao volante do meu carrito a matutar num dos argumentos dos anti-acordistas: o caos que o novo acordo provoca na escrita...
Ricardo Salgado constituído arguido por tentar corromper Sócrates[in Expresso Diário]
Façam-lhe o enterro, respeitem-lhe a memória, dêem os pêsames à família, mas deixem-se de tretas e de apregoar que ele nos trouxe a liberdade e a democracia. Não trouxe. Essa devemo-la à Alemanha de Willy Brandt, à Holanda de Joop den Uijl, a Henry Kissinger e ainda, entre mais uns quantos, aos banqueiros e empresários que sabiam que com o regime de Marcello Caetano nunca Portugal poderia entrar no Mercado Comum.
[...]
Mário Soares desagrada-me ainda como pessoa, pois simboliza aquilo que detesto e de que desdenho na burguesia portuguesa: a falsa pachorra, a jovialidade de pechisbeque, o modo paternal, o sorriso pronto, a mãozada, os Ora viva!, a festinha aos humildes; por detrás de tudo isso a ganância, o cálculo frio, o desprezo do semelhante, a presunção, o sentimento bacoco de casta, os rapapés, a mediocridade.[J. Rentes de Carvalho, in Tempo Contado]
Tenho amigos que não entendem que eu não vibre rigorosamente nada com as notícias relacionadas com Cristiano Ronaldo, mesmo quando são assim:
“A banca portuguesa está muito bem”.[Ricardo Salgado, em Abril de 2011, depois de o Estado pedir a intervenção externa]
Numa peça publicada em jeito de balanço anual, o diário britânico The Guardian elege o uso de energias renováveis em Portugal como um dos "momentos chave" da ciência em 2016. Mark Miodownik, professor da Universidade de Londres, é quem escreve sobre o tópico, explicando que, de uma perspetiva da engenharia, o anúncio português de que o país funcionou quatro dias consecutivos com energias inteiramente renováveis no mês de maio foi um "ponto alto" do ano.
Escrevendo que "a mudança para o carvão no século XIX e depois para o petróleo no século XX" deu ao mundo moderno a "a energia barata, os bens de consumo e as férias solarengas", Miodownik refere que se queremos dar o mesmo aos nossos filhos é necessário prevenir as alterações climáticas e afastar-nos dos combustíveis fósseis. "Parece impensável, impossível, mas o impossível é o que a engenharia faz melhor. O feito de Portugal dá aos governos e empresas energéticas um exemplo tangível de como pode funcionar e funciona, e porque deveriam investir em energia solar, eólica, das ondas e outras tecnologias renováveis já".[rapinado do Expresso online]
Fartos de serem chamados a resgatar bancos (BES em 2014, Banif em 2015), os portugueses podem por estes dias assistir de cadeirinha ao resgate de mais um banco. Mas desta vez não é nosso. É o mais antigo banco italiano, Monte dei Paschi di Siena, cujo plano de recapitalização por parte de investidores privados, elaborado pelo J.P. Morgan, falhou rotundamente. E quando os investidores privados falham, lá vem o Estado, sempre acusado de gerir muito pior que os privados, limpar com o dinheiro dos contribuintes a estrumeira que os accionistas e gestores privados fizeram. Serão “apenas” cinco mil milhões de euros que o Estado italiano terá de injectar no banco até ao final do ano (faltam nove dias!), passando a participação pública dos actuais 4% para uma posição entre 50% a 75%, segundo os analistas. Por outras palavras, o Monte dei Paschi di Siena vai ser nacionalizado para não ter de fechar as portas. O contribuinte italiano paga. E La Nave va.[in Expresso Curto]
Ora aqui está uma ideia muito engraçada:
"Schauble é um incendiário disfarçado de bombeiro"Isto é o que se chama ter os tomates no sítios...
Eu sou o solitário e nunca minto.[Andersen, Sophia de Mello Breyner, Obra Poética I, Editorial Caminho, s/l, 1991, 2ª edição, pág. 113]
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto.
De tudo desligado, livre sinto
Cada coisa vibrar como uma lira,
Eu - coisa sem nome em que respira
Toda a inquietação dum deus extinto.
Sou a seta lançada em pleno espaço
E tenho de cumprir o meu impulso,
Sou aquele que venho e logo passo.
E o coração batendo no meu pulso
Despedaçou a forma do meu braço
Pr'além do nó de angústia mais convulso.
Tejo que levas as águas[Fonseca, Manuel, Obra Poética, Editorial Caminho, Lisboa, 1984, 7ª edição, pág. 168-169]
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos
De roubos fomes terror
Lava a cidade de quantos
Do ódio fingem amor
Lava bancos e empresas
Dos comedores de dinheiro
Que dos salários de tristeza
Arrecadam lucro inteiro
Lava palácios vivendas
Casebres bairros da lata
Leva negócios e rendas
Que a uns farta e a outros mata
Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas
Lava avenidas de vícios
Vielas de amores venais
Lava albergues e hospícios
Cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores
Vãs glórias, ocas palmas
Leva o poder dos senhores
Que compram corpos e almas
Das camas de amor comprado
Desata abraços de lodo
Rostos corpos destroçados
Lava-os com sal e iodo
Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.
A Gastão Cruz[Cortez, António Carlos, a dor concreta, Tinta da China, Lisboa, 2016, pág. 95]
No verão se quiseres
poderás viver
ainda o verão novo
Porque o fogo feres
a pele que quer arder
no areal dum corpo
No outono no inverno
quando tu escreveres
o mar será revolto
Os Pokémon são pequenas criaturas — a palavra significa “pequenos monstros”, uma contração do título original japonês de Pocket Monsters — cada uma com características específicas e poderes mágicos, que os humanos devem apanhar e treinar com o objetivo de combaterem uns com os outros em videojogos.
As pequenas criaturas criadas nos anos 90 depressa saltaram dos videojogos e da consola portátil Game Boy para os ecrãs de televisão, para as cartas de jogar e para os brinquedos. A série Pokémon e os produtos associados é a segunda mais rentável de sempre para a empresa Nintendo (apenas atrás da série Mario Bros).
Das mais de 700 criaturas do universo Pokémon, a mais famosa é o Pikachu. A criatura amarela mistura características de um gato, de um rato e de um coelho, cujo superpoder é a eletricidade. O aspeto fofinho aliado às suas propriedades no jogo tornou-o num dos personagens favoritos.Fonte [http://observador.pt/2016/06/01/fas-de-pokemon-preparem-se-o-pikachu-vai-mudar-de-nome/]
À conta do Euro/2016, o país transformou-se num autêntico circo. Nas redes sociais, então...
Há mesmo quem jure que se cumpriu Portugal.
Tratando-se de um circo gigantesco, não poderiam faltar os palhaços. E há mesmo, pelo ridículo, candidatos a palhaço-mor.
Devemos ser muito claros. O lugar de Portugal é a Europa, é a União Europeia, não há nenhuma dúvida sobre isso, essa é a nossa escolha.escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
Amo as palavras e com elas sonho e vivo[Silva, Calane da, GOTAS DE SOL – a manifestação da palavra, Alcance editores, Maputo, 2015, pág. 43]
ternuras, tesouros, abraços muito amigos
amo as palavras simples e com elas activo
o Amor de todos incluindo os inimigos.
Amo as palavras e com elas me purifico
em sincero pulsar do vobrar uno da alma
amo as palavras e com elas me identifico
em brilho de paz, em alva-luz que acalma.
E como oração cantando no tilintar dos sinos
como eterna gramática traçando destinos
das palavras se liberta espiritual grandeza.
Por isso, as palavras são elos infinitos
rendilhado de estrelas e Sóis benditos
Amor recriado, Amor-arte, Amor-beleza.
Agradeci às árvores que tornaram rica a minha vida[Tagore, Rabindranath, A Asa e a Luz, Assírio & Alvim, s/l, 2016, pág. 115]
Mas esqueci-me das ervas
Que a mantiveram sempre verde.
Faça corresponder a cada um dos cinco elementos da filosofia chinesa do Feng Shui e do taoísmo, o respectivo ponto cardeal, animal, campo de vida (profissão, casamento, etc), cor, sentido humano (audição, visão, etc.), estação do ano, hora do dia, percentagem de yang (jovem, velho) e de yin, e aplique a lei da contradição principal a esse conjuntoConfesso a minha ignorância de licenciadozinho: não sei responder. Mas o (presumível) autor responde por mim:
Os cinco elementos da filosofia chinesa do taoísmo são: madeira, fogo, terra, metal e água. As correspondências de cada um são:Depois de ler a resposta, sinto que a minha condição de licenciadozinho fica ainda mais esmagada: fico a saber (ainda) menos o que é a filosofia, que não imaginava que pudesse andar por estes caminhos.
MADEIRA. Este. Dragão verde. Crescimento, família. Cor verde. Visão. Nascer do sol. Jovem Yang.
FOGO. Sul. Fénix. Fama. Fala. Verão. meio dia, velho Yang (máximo Yang ou máxima luz e calor).
TERRA. Sudoeste (ou Centro, segundo algumas interpretações). Serpente. Cor: amarelo. Fim do verão. Casamento, amores. Sabor. Meio da tarde. Igual proporção de Yang e Yin.
METAL. Oeste. Tigre branco. A criatividade, os filhos. O olfato. Outono. Cor branca. Pôr do sol. Jovem yin (algum frio e humidade).
ÁGUA. Norte. Tartaruga negra. A profissão, os negócios. Audição. Inverno. Meia noite, velho Yi ( máximo Yin ou máxima escuridão e frio).
A lei da contradição principal diz que um sistema de múltiplas contradições pode ser reduzido a uma só, organizando-as em dois blocos, podendo haver uma ou outra contradição na zona neutra. Assim podemos, por exemplo, colocar de um lado o bloco Yang (Madeira/primavera ; Fogo/Verão) e do outro lado o bloco Yin (Metal/ Outono, Água/Inverno), ficando na zona neutra a Terra/Fim do Verão na qual Yang e Yin se equilibram. Há outras maneiras de estruturar a contradição principal.
[vem a propósito lembrar declarações de um ex-diretor da DGAE, em tempos de governação Cratiana: "É um escândalo que o ministério transfira para o ensino privado 160 milhões sem qualquer auditoria"]Ameaça que se concretizou. O movimento de ataque
(personificado no Defesa da Escola ponto. Ponto de interrogação?, pergunto eu)às pretensões do governo tem tido uma intensa atividade constante. Múltiplas e (quase) diárias iniciativas, algumas das quais pouco pacíficas: a utilização de crianças como "escudos humanos" nas manifestações, por exemplo. Ou a pressão sobre os pais. Ou esta carta, presumivelmente escrita pela(s) criança(s) que a assina(m) -- afetuosamente escrita, no estilo afetuoso da pessoa a quem se dirige, com beijinho e xi coração (para tentar fazer esquecer quem ganha com os contratos de associação?)
Chegou hoje de manhã alguém que estava longe,Tagore, Rabindranath, A Asa e a Luz, Assírio & Alvim, s/l, 2016, pág. 111]
E ficou ainda mais perto quando, de noite, partiu.
Amelinha deu como prova da sua visão da Virgem uma cruz na testa. Veio a descobrir-se que era de tintura de iodo.b) Oscar Brénifier: filosofia no dia-a-dia
"O investigador francês passou por Portugal para um workshop sobre filosofia do quotidiano. O desafio? Tirar Platão e Sócrates dos livros e aplicá-los nas nossas vidas".
(Aviso meu: este Sócrates não é o que estão a pensar...)escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
A 13 de maioPortanto, a Virgem Maria ficou por cá, não chegou a meio ano. Ou seja, nem a Virgem Maria gostou deste país...
na cova da Iria
apareceu brilhando
a Virgem Maria.
A 13 de outubro
foi o seu adeus
e a Virgem Maria
voltou para os céus.
[...e ainda querem que refugiados venham para cá viver?!]escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
Tu ladeavas o cavalo, rindo[Mendes, Luís Filipe Castro, Outro Ulisses Regressa a Casa, Assírio & Alvim, s/l, 2016, pág. 45]
da tua tão perfeita novidade.
Qual amazona de um destino findo,
o tempo não mudava a tua idade.
A pistola exibias sobre a coxa
e do meu desejo tua troça ria.
Enredado na lírica mais frouxa,
um soneto pobríssimo eu trazia
só para teu controle e vistoria.
Mas logo se soltou o teu cavalo
para bem longe de mim e da poesia.
E se guardo teu riso enquanto falo
e me digo e desdigo em cada dia,
guarda republicana, em teu cavalo
trouxeste troça feita melodia.
Dir-me-ão: dia da Mãe são, ou deviam ser, todos os dias. Literalmente. Se fizermos um estudo sociológico do panorama português, talvez se nos apresente um cenário que a ninguém já causa impressão, e muito menos perturbação. Pois, todos sabemos o número de agregados familiares constituídos pela mãe e por um filho, do sexo feminino ou do seu “oposto”. Do pai nem rasto. Seja como for, e para efeitos de calendário ocidental, hoje é o Dia da Mãe. E logo coincidente com o Dia do Trabalhador! Nada mais certeiro, já que a mãe é muitas vezes o único elemento trabalhador, no seio da família. Com pena agravada: auferir salário inferior, em muitos casos, ao do seu congénere masculino. O direito estatuído na Constituição: a trabalho igual salário igual é o que se sabe. E só não falo de outros “mimos” feitos às mulheres, porque já falei do meu cartão de cidadã, e não de cidadão, neste blogue, antes de ele, o mimo, começar a ser também referido por um partido, tendo, assim, visibilidade. Mas deixemos essas “minudências”e passemos ao dia que hoje se comemora: O Dia da Mãe. O comércio agradece. Tomaram eles, os comerciantes bem entendido, que a lista dos dias “assinalados”, como dizia a minha Avó, se lhes alongasse. De preferência ad aeternum. Eu vou já sugerir alguns: O Dia Internacional dos Offshores, O Dia dos Hidrocarbonetos, O Dia do Fracking, (não, não é o Dia do Fraque; este Dia foi inventado pelos Americanos, e não pelos Ingleses), etc., etc. O Dia dos/as Divorciados/as. Este não existe já? Muito me admira... O Dia do/a Pagante de Impostos, O Dia das Autoestradas com Portagem, O Dia das Cimenteiras, O Dia das Prospecções no Litoral Algarvio. Vêem como a lista se está a estender?! O Dia do Acordo Ortográfico (não dei conta deste Dia), O Dia do Ruído depois da Meia-Noite, inventado pelos estudantes da UALG. E muitos mais haverá. É só puxar pela imaginação, caro/a leitor/a.
Mas o que eu queria mesmo dizer é que este foi o primeiro Dia da Mãe em que não telefonei à minha a recordar-lhe que me lembrava dela, porque ela faleceu. Por acaso, num Dia também “assinalável”: O Dia dos Namorados. E que eu saiba, no céu não há telefones.
escrito por Gabriela Correia, Faro, Dia da Mãe. 2016
És um soneto um realejo amigo[Mendes, Luís Filipe Castro, Outro Ulisses Regressa a Casa, Assírio & Alvim, s/l, 2016, pág. 39]
que me estende da aranha a teia fina
onde este pensamento que persigo
se desfaz só no verso, só na rima?
Serás então do verso falso amigo,
mecanismo voraz e tentador
a destruir no ovo o que consigo,
tornando o pensamento um só rumor?
Se palavras apenas nossos versos
E as ideias ficaram para trás,
que direi dos meus actos, tão diversos
de tudo o que de nós a vida faz?
És tu soneto aranha e sua teia,
Um engano desfeito na areia…