TRUMP(A)

O JERMÓLMINO E O ESTUDO DE ECONOMISTAS



Estudo de economistas apresenta alternativa ao governo.

Não esperaria apoio do PS ou, que é o mesmo, do governo (apesar da presença no grupo de um deputado independente do PS): alternativa ao governo é sempre dos outros.

Mas surpreende-me a posição (contra) do Jermólmino de Sousa. Diz ele que se deve prosseguir a política que tem sido seguida até aqui.

Como é que é? uma política orçamental "menos restritiva" do que a prevista pelo Governo até 2021? Diz o estudo. Jermólmino diz que não (talvez ele não saiba que é isto que se defende).

Para além do défice habitual, ter em atenção o défice social? Diz o estudo. Jermólmino diz que não (talvez ele não saiba que é isto que se defende).

[...]

Afinal, porque é que o Jermólmino diz que não? Só encontro uma razão: não parece haver nenhum economista "dele" no grupo de estudo. Isto é do karaças, não é?

escrito por ai.valhamedeus

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O MILITANTE E EL VIEJO TOPO

Não sei se toda a gente tem os seus rituais; eu tenho. Um deles, há já muitos anos, é, em meados de agosto, comprar a EP e o programa da Festa do Avante e O Militante (a revista de "Reflexão e Prática" do PCP).

Compro O Militante, na esperança, até agora vã, de encontrar uma revista com uma perspetiva de análise teórica dissonante (da pasmaceira das publicações portuguesas), mas arejada. Infelizmente, continua a ser muito uma publicação de catequese (de santinhos e catecismo).

Que fique claro: não espero (nem desejo) que a perspetiva de análise seja diferente (digamos, simplificadamente, que deixe de ser marxista-leninista); mas gostava de ler uma revista arejada nos temas, nas ilustrações, na própria mancha da página...


Como referência, tenho uma publicação espanhola que compro... quando calha (ir a Espanha): El Viejo Topo. Não, repito, na perspetiva de análise (neste caso, talvez anarquista), mas nos temas abordados.

(nb, para algum militante do PCP que eventualmente me leia: eu sei que quem define a linha editorial não sou eu; limitei-me apenas a... desabafar)

escrito por ai.valhamedeus

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ACERCA DA MONARQUIA E DA MÚSICA

Tenho alguns amigos monárquicos, que em comum têm o defenderem a monarquia com duas relevantes razões:

  1. a monarquia é mais barata que a república; 
  2. o rei e a família real são exemplares. 
Não sei (quase) nada sobre 1); mas a verdade de 2) é para mim uma evidência evidentíssima.


Seja o exemplo de Don Juan, o emérito rei espanhol. Don Juan, diz quem sabe (diz-se, por exemplo, aqui), teve 5.000 amantes, com quem se encontrava de helicóptero. 5.000 dá para passar mais de um ano servindo-se de uma por dia, sem repetir. Se isto não é exemplar qualidade de vida, digam-me lá o que é. Quem é que não gostaria de ter uma vida assim?! Eu gostava.

O Don Juan espanhol ganhou aos pontos ao Don Juan de Mozart. Este, coitadito!, ficou-se por um modesto número de 2.065: pelas contas do seu criadote Leporello, 640 em Itália; 231 na Alemanha; 100 em França; 91 na Turquia; e, em Espanha, 1003. Leporello especifica que "são já 1003"; mesmo admitindo que esse "são já 1003" pode significar que o número continuava aberto para novas aquisições, mesmo assim, tenho dúvidas muito sérias de que alguma vez tenha conseguido o suficiente para chegar perto das 5.000.

Para que se não pense que estou a brincar (com coisas sérias não se brinca), convido a que (re)ouçam a aria onde Leporello faz a contagem:



escrito por ai.valhamedeus

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A TROPA E O AMOR


Num dos canais televisivos, um comando reformado acaba de revelar o que para mim era desconhecido e uma revelação mais improvável do que... o quarto segredo de Fátima: que é na tropa que se aprende a amar.

Vou dormir, para mastigar isto durante o sono.

escrito por ai.valhamedeus

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A NORMALIZAÇÃO DA ORTOGRAFIA

Apesar das críticas às mais recentes alterações ortográficas, penso que estas não foram tão longe quanto podiam e deviam ter ido. (Até porque, prevendo-se que são inevitáveis as reações por inércia, reações por reações, melhor teria sido que se poupassem reações a alterações futuras).

Designadamente, penso que se poderia e deveria ter ido mais longe na normalização da transcrição fonética, através de normas que fossem tão gerais quanto possível, ainda que isso implicasse a eliminação de vogais/consoantes desnecessárias. Por exemplo, não faz sentido distinguir ortograficamente palavras que se pronunciam do mesmo modo, como é o caso de “cozer” e “coser” ou “assento” e “acento” ou “conselho” e “concelho”... ou todas as palavras homófonas.

Poder-se-á objetar que são coisas diferentes; mas, ao pronunciá-las, as diferenças reconhecem-se pelo contexto – o que também se pode fazer nas frases escritas. Aliás, há já imensas palavras em que isso acontece, como com a palavra “banco” (o banco de sentar ou o banco que um dia destes teremos que resgatar) e “amo” (verbo e substantivo) e “são” (saudável e verbo ser)… e todas as palavras homónimas.



[Fernando Pessoa é citado com frequência pelos "anti-acordistas".
O que estes parece desconhecerem é que 
a ortografia defendida por Pessoa era diferente da que eles usam]

escrito por ai.valhamedeus

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PASSOS: OS TIROS NO PÉ CONTINUAM


Passos Coelho, tentando explorar a tragédia de Pedrógão Grande, inventa (ou reproduz) boatos sobre suicídios.

Um partido que continua a ter um dirigente assim merece o dirigente que tem. 

Pêèssedeiros, mantenham-no por muito tempo! Os outros partidos agradecem.

escrito por ai.valhamedeus

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FLAMENCO E POLÍTICA

Há quem ache que o flamenco é de esquerda e os flamencos, de direita.

Perguntado sobre o assunto, o cantor de flamenco Enrique Morente respondeu, ironicamente:

'Somos de donde más nos convenga. Que viene la izquierda, para la izquierda; que viene la derecha, para la derecha; el centro, para el centro... Menos para atrás, para cualquier lado'. 
Este mesmo Morente, em concerto após o assassinato de Carrero Blanco, interpretou um fandango, adaptando a letra... à ocasião. O original (de José Cepero, dedicado a uma mulher) diz:
"yo no me quito en mi vida el sombrero
pa ese coche funeral
que la mujer que va dentro
a mí me ha hecho de pasar
los más terribles tormentos". 
E a adaptação (que valeu a Enrique ser incomodado pela polícia e uma multa de 100.000 pesetas):
"yo no me quito en mi vida el sombrero
pa ese coche funeral
que la persona que va dentro
a mí me ha hecho de pasar
los más terribles tormentos".


O original soa assim, na voz de Tío Gregorio el Borrico [na foto]


escrito por ai.valhamedeus

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O ÓDIO DO PRESIDENTE


O Presidente da República considera ODIOSO o ataque contra cristãos coptas no Egito.

ODIOSO é aquilo que merece ou inspira ódio. Portanto, este ataque despertou ÓDIO EM MARCELO
(terá sido por ser ataque a cristãos?). 
Só falta saber como (e contra quem) é que o Presidente da República vai exteriorizar esse ódio.

escrito por ai.valhamedeus

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ASTROLOGIA: PROGNÓSTICOS, SÓ NO FIM DO JOGO



Há um professor de filosofia que mantém um blogue onde, além de testes com questões algumas das quais eu não quereria resolver (pobres alunos!, digo eu) -- além desses testes, divulga as explicações astrológicas de alguns acontecimentos mediáticos. Por exemplo, atentados bombistas ou badaladas vitórias (ou quase) no futebol.

Foi o caso do "atentado bombista islamista em Manchester, Inglaterra, que matou 22 pessoas e feriu outras 59 no final de um espectáculo musical, em Albert Square, em 22 de Maio de 2017", que "estava escrito no Zodíaco ou circunferência celeste de doze signos ou arcos de 30º. Os terroristas são impelidos pela radiação dos planetas em movimento sobre a sua estrutura planetária psicológica (o seu mapa do céu de nascimento) e colocam as bombas ou disparam sobre pessoas ou atropelam pessoas na hora em que os planetas conjugados entre si determinam".

Esta explicação recebeu este título: Graus 14º-17º de Carneiro e 7º-8º de Touro e 16º-19º de Touro: Atentados Islâmicos na Europa.

O curioso destas explicações é que são todas posteriores ao acontecimento explicado. Se pudessem antecedê-los é que era porreiro, pá, não era?

escrito por ai.valhamedeus

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VIOLÊNCIA DE GÉNERO? Pffffff!


O que é a VIOLÊNCIA DE GÉNERO em casos como este?

Estou cada vez mais distante (se tal é possível, de tão distante que sempre estive) de causas como esta.

[antes que seja mal interpretado: acho que publicar fotos ("íntimas" ou desse género) sem consentimento do próprio é moralmente mal e legalmente proibido. É. Que são sobretudo homens a fazer isso? Talvez (parece que) sim. E daí? O que é que isto tem que ver com igualdade de género? Os trabalhadores das minas e da construção civil e os assaltantes de bancos e... são maioritariamente homens. E daí?]

escrito por ai.valhamedeus

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A ASSEMBLEIA DOS FFF



Há quem se admire por esta ovação unânime (a primeira vez que um músico é homenageado na Assembleia da República. A proposta de homenagem aos irmãos Sobral foi sugerida pelo Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e por todos os grupos parlamentares)

Eu, não. Não é este o parlamento do país que decidiu que o Panteão era o melhor sítio para viverem mortos como um tal que em vida dava uns pontapés na bola, de seu nome Eusébio? ou uma tal cantora que teve, durante muitos anos, uma boa voz? ou, quando morto, um outro moço que também dá uns pontapés na bola e é da Madeira? ou que não decide que esse é também o melhor sítio para os 3 pastorinhos de Fátima só porque assim ficariam longe da azinheira onde pousou a Virgem do Rosário de Fátima?

Então... de onde pode vir a admiração?! do facto de ser unânime? então algum partido estaria na disposição de, sendo contra ou abstendo-se, perder uns votitos em eleições? qual? o PC? o BE?

escrito por ai.valhamedeus

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O PAÍS DOS INHOS, DAS MARIAS, DO FADO... ETC.

Fugindo um pouco aos temas do momento que vivemos, neste país ridente, vamos debruçar-nos sobre outro tema candente, que se tornou numa “praga”: a utilização sistemática e sem critério do diminutivo. Mas apenas com acrescento do sufixo -inho ao vocábulo original. Tout court! Há pragas piores, dir-me-eis! Pois há.

Vejamos então! Saiam à rua e comecem a tomar nota da quantidade dos novos vocábulos, assim formados, digamos, ao longo de uma hora. Verificarão que não há chafarica, estabelecimento comercial, loja de cidadão, restaurante, café, refeitório que se preze, onde, a par de um sorriso (perdão, sorrisinho), os receberão com pelo menos um -inho, ao qual não conseguem fugir. Pois a todos os nomes constantes do dicionário do cliente, bem como do de quem vos atender se acrescentou um -inho: vai desejar um cafezinho, um saquinho, uma sopinha, uma aguinha, um talãozinho, um geladinho, uma facturinha, a continha? E por aí adiante.


[imagem copiada daqui]


Se conseguirem sobreviver a tanto -inho e chegarem a casa sentindo-vos um/a velhinho/a cair da tripeça, o/a qual compreende melhor a palavra cafezinho do que café, suminho (deveria ser sumozinho) do que sumo, etc. etc, pensando que vai finalmente sossegar do linguajar/linguarejar urbano, desengane-se. O telefone toca (outra praga), atendemos incautamente e então, as Marias deste país, e são muitas, passam a chamar-se Srª Maria, nome pelo qual nunca responderam.

E pode acontecer que ao desligarem, agastadas, o telefone, logo o telemóvel se ilumine com a mensagem onde lerão, alarmadas: Maria, venha ter connosco, temos a solução, blá, blá, blá. Normalmente é um rastreio auditivo, ou similar; em todo o caso, qualquer coisa relacionada com a saúde, ou a falta dela, dos velhos. E, portanto, mensagem essa semeada de -inhos.

Quanto ao Fado, é ocioso escrever seja o que for sobre o assunto. Os Portugueses descobriram-no e descobriram-se cantores incontestáveis, e incontestados, do mesmo. Ainda que alguns miem.

Dir-me-ão: para que havemos de nos preocupar com estas minudências, quando impende sobre as nossas cabeças o terrível aquecimento global, a nossa divida é, quiçá, impagável, os Bancos desmantelam-se um a um e reconstroem-se à nossa volta? Temos o trump, e a Le Pen, o da Coreia?

Pois, são mais e grandes preocupações a juntar aos pequenos aborrecimentos do quotidiano, que nos impedem de reparar nos maiores, por esgotamento das nossas energias.

escrito por Gabriela Correia, Faro 
[sob a influência do ruído da farra dos dias da Semana Académica. E com o velho AO.
P.S. Há um vocábulo ao qual o -inho se deve aplicar sem restricções: o café. Devido à crise, penso eu, o preço da chávena do café não aumentou, mas a quantidade do apreciado líquido diminuiu. Drasticamente. SEJAM FELIZES, QUAND MÊME!]

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...A VOZ DE TODOS NÓS?!


Que raio de país! É o euro... histeria! É Ronaldo... histeria! É um tal Salvador que mia... é "a voz de todos nós!"

Como se diz em linguagem do nuórte: fuôda-se!

escrito por ai.valhamedeus

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PAGADORE/AS DE PROMESSAS


Talvez Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que manhosamente enganou o pobre marido, talvez ela se não importe com estas Oblatas e outros Oblatos que por aí andam a "pagar promessas" por outros.

Mas o Cristo que expulsou os vendilhões do templo há de estar com vontade de novamente reencarnar, mas agora ali prós lados da Cova da Iria. E entrar em alguns conventos e santuários. 

escrito por ai.valhamedeus

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ONDE QUER CRISTAS AS MÃOS?

 


Já agora... Cristas explica que as mãos dos sindicatos ali seria a institucionalização da cunha.
  • Ela lá sabe, presumivelmente por experiência própria, como é que isto se transforma (necessariamente) em cunha.
  • Isto revela o que Cristas pensa dos sindicatos. Nada de novo, bem sei -- mas é conveniente sublinhá-lo.
escrito por ai.valhamedeus

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A DEMOCRACIA E OS PARTIDOS


Ouvi Manuela Ferreira Leite repetir uma ideia recorrente na boca de comentadores e políticos: sem partidos, não há democracia. Essa é, no entanto, uma ideia falsa. Os partidos são imprescindíveis no regime em que vivemos, nesta democracia representativa. Mas a democracia representativa partidocrata está longe de ser a única e até a melhor forma de democracia. Para dar só um exemplo:a democracia direta é muito mais democrática do que a democracia representativa partidocrata.

escrito por ai.valhamedeus

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O CATOLICISMO, A ESQUERDA E MARCELO


Faz falta esquerda católica?!

Eu diria que faz falta o CATOLICISMO ser DE ESQUERDA.

escrito por ai.valhamedeus

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DO CONTRA [115] santa lúcia de jesus de fátima


Tudo indica que os 3 pastorinhos irão ser declarados santos.: os dois primos da Lúcia e a prima, ela mesma.

Não é a terceira vez, nem será a última, que a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) faz coisas destas: apresentar como modelos criaturas que é muito difícil achar modelares.

Deixemos de lado os coitados dos manos pastorinhos -- coitados, porque ela ouvia mas não falava com a virgem e ele via-a mas não a ouvia. Vamos à prima Lúcia!, ela, porque tem qualidades de líder e de verdadeira intérprete das divinas vozes virginais: via e ouvia tudo.

Em que (para que) é que é modelo uma criatura que, quando criança, tinha visões e que, adolescente, se fecha num convento de onde sai muito raramente e por escassos minutos, até morrer quase centenária?
  • ...incentivo ao devaneio esquizofrénico?
  • ...incentivo a que as mulheres recusem os pecados da carne? e da mundaneidade?
  • ...incentivo a que as mulheres não cedam à tentação da maternidade? e da... esposabilidade?
  • ...glorificação do analfabetismo?
  • ...ou tudo isto junto?
escrito por ai.valhamedeus

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DO CONTRA [114] tomou o vinagre


Quando Jesus tomou o vinagre, disse «está cumprido» e, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
[Evangelho Segundo João, trad. Frederico Lourenço]

Durante muito tempo, estranhei isto do vinagre: ainda se fosse vinho, vá que não vá... agora... vinagre?!

Mas... pensando melhor... o evangelista tem razão: foi o vinagre que o matou. Se fosse vinho, teria recobrado forças para fugir da cruz.

escrito por ai.valhamedeus

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DO CONTRA [113] o papa Xico, a Colômbia e o Altíssimo


O Papa Xico diz estar chocado com a tragédia na Colômbia.

É natural: quem não está?

Só não entendo porque é que SS (Sua Santidade) não protesta junto do Altíssimo, de quem SS é representante na Terra, que governa o Mundo e poderia perfeitamente ter evitado a tragédia.

Em vez do protesto, rezou pelas vítimas, ao mesmo Altíssimo que permitiu a tragédia. Incoerências...

escrito por ai.valhamedeus

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PARA RIR * 5. Dijsselboem e a pós – verdade


O Presidente do Euro-grupo, que se enganou no seu currículo ao candidatar-se ao cargo, disse que não disse aquilo que disse.

Encorajado, quiçá, pela mãozinha protectora do Schäuble sorridente e conciliador.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 7


A POESIA VAI ACABAR

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar?
[Manuel António Pina]

escrito por ai.valhamedeus

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 6


Não há Vagas 

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
 
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
 
- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"
 
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
 
    O poema, senhores,
    não fede
    nem cheira
[Ferreira Gullar, in 'Antologia Poética']

escrito por ai.valhamedeus

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 5



AURORA
A poesia não é voz - é uma inflexão. 
Dizer, diz tudo a prosa. No verso 
nada se acrescenta a nada, somente 
um jeito impalpável dá figura 
ao sonho de cada um, expectativa 
das formas por achar. No verso nasce 
à palavra uma verdade que não acha 
entre os escombros da prosa o seu caminho. 
E aos homens um sentido que não há 
nos gestos nem nas coisas: 

voo sem pássaro dentro. 
[Adolfo Casais Monteiro, in 'Voo Sem Pássaro Dentro']

escrito por ai.valhamedeus

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COM CHINFRIM OU SEM CHINFRIM?


O atentado de ontem, em Londres, matou 4 pessoas, além dos feridos. Por se tratar de terrorismo -- um número suficiente para gerar, nas tvs, na imprensa e nas redes sociais um grande CHINFRIM.

Na manhã do dia anterior, um ataque dos cu-ligados (as "Forças Democráticas Sírias", uma aliança de combatentes árabes e curdos apoiada pela coligação militar internacional liderada pelos Estados Unidos) contra uma escola síria fazia pelo menos 33 mortos. Por se tratar de gente pacífica e democrática -- o número de mortos NÃO foi suficiente para gerar, nas tvs, na imprensa e nas redes sociais QUALQUER CHINFRIM.

Coisas de terrorismo, num caso, e de pacifistas democratas, noutro.

escrito por ai.valhamedeus

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VINHO E MULHERES... E DIJSSELBLOEM


Talvez não seja a opinião deste marmanjo, mas...
...TRES COSAS hay en la vida... que a embelezam: música... vinho e mulheres.
escrito por ai.valhamedeus

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 4



VERSOS
Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...

Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês...
[Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"]

escrito por ai.valhamedeus

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 3




COMO DIZER POESIA
Tomemos a palavra borboleta. Para usar esta palavra não é preciso fazer com que a voz pese menos de um grama nem dotá-la de asinhas poeirentas. Não é preciso inventar um dia de sol nem um campo de narcisos. Não é preciso estar-se apaixonado, nem estar-se apaixonado por borboletas. A palavra borboleta não é uma borboleta real. Existe a palavra e existe a borboleta. Se confundires estas duas coisas darás razão a quem queira rir-se de ti. Não atribuas grande importância à palavra. Estarás a tentar insinuar que amas as borboletas de uma forma mais perfeita do que qualquer outra pessoa, ou que compreendes a sua natureza? A palavra borboleta não passa de informação. Não é uma oportunidade para pairares, levitares, aliares-te às flores, simbolizares a beleza e a fragilidade, nem de modo nenhum personificares uma borboleta. Não representes palavras. Nunca representes palavras. Nunca tentes tirar os pés do chão ao falares de voar. Nunca feches os olhos, tombando a cabeça para um dos lados, ao falares da morte. Não fixes em mim os teus olhos ardentes ao falares de amor. Se quiseres impressionar-me ao falares de amor mete a mão no bolso ou por baixo do vestido e toca-te. Se a ambição e a sede de aplausos te levaram a falar de amor deverás aprender a fazê-lo sem te envergonhares a ti mesmo nem às tuas fontes. 
Qual é a expressão exigida pela nossa época? A época não exige expressão nenhuma. Já vimos fotografias de mães asiáticas enlutadas. Não estamos interessados na agonia dos teus órgãos remexidos. Não há nada que possas estampar no teu rosto que se equipare ao horror desta época. Nem sequer tentes. Apenas te sujeitarás ao desdém daqueles que sentiram profundamente as coisas. Já assistimos a películas de seres humanos em pontos extremos de dor e desenraizamento. Toda a gente sabe que andas a comer bem e que estás até a ser pago para estares aí em cima. Estás a atuar diante de pessoas que passaram por uma catástrofe. Tal facto deverá tornar-te bastante discreto. Diz as palavras, transmite a informação, chega-te para o lado. Toda a gente sabe que estás a sofrer. Não poderás contar à plateia tudo o que sabes sobre o amor a cada verso de amor que disseres. Chega-te para o lado e as pessoas saberão o que tu sabes por já o saberes. Nada tens para lhes ensinar. Tu não és mais belo do que elas. Não és mais sábio. Não lhes grites. Não forces uma penetração a seco. É mau sexo. Se revelares o contorno dos teus genitais, então cumpre o que prometes. E lembra-te que as pessoas não desejam propriamente um acrobata na cama. De que é que nós precisamos? De estar perto do homem natural, de estar perto da mulher natural. Não finjas que és um cantor adorado com um público vasto e leal que tem vindo a acompanhar os altos e baixos da tua vida até ao momento presente. As bombas, os lança-chamas e essas merdas todas não destruíram apenas árvores e aldeias. Destruíram igualmente o palco. Achaste que a tua profissão escaparia à destruição geral? Já não há palco. Já não há ribalta. Tu estás no meio das pessoas. Portanto, sê modesto. Diz as palavras, transmite a informação, chega-te para o lado. Fica a sós. Fica no teu canto. Não te insinues. 
Trata-se de uma paisagem interior. É por dentro. É privado. Respeita a privacidade do texto. Estas obras foram escritas em silêncio. A coragem da atuação é dizê-las. A disciplina da atuação é não as violar. Deixa que o público sinta o teu amor pela privacidade ainda que não haja privacidade. Sejam boas putas. O poema não é um slogan. Não poderá publicitar-te. Não poderá promover a tua reputação de seres sensível. Tu não és um garanhão. Tu não és uma mulher fatal. Toda essa treta relacionada com os bandidos do amor. Vocês são estudantes da disciplina. Não representes as palavras. As palavras morrem se as representares, murcham, e a única coisa que sobrará será a tua ambição. 
Diz as palavras com a exata precisão com que verificas uma lista de roupa suja. Não te comovas com a blusa de renda. Não fiques de pau feito ao dizer cuecas. Não te arrepies todo só por causa da toalha. Os lençóis não deverão suscitar à volta dos olhos uma expressão sonhadora. Não é preciso chorar agarrado a um lenço. As meias não estão lá para te recordar viagens estranhas e longínquas. É só a tua roupa suja. São só as tuas peças de roupa. Não espreites através delas. Veste-as. 
O poema não é senão informação. É a Constituição do país interior. Se o declamares e deres cabo dele com nobres intenções, então não serás melhor do que os políticos que desprezas. Não passarás de uma pessoa a agitar uma bandeira e a realizar o apelo mais reles a uma espécie de patriotismo emocional. Pensa nas palavras como sendo ciência e não arte. Elas são um relatório. Tu estás a falar num encontro do Clube de Exploradores da National Geographic. As pessoas que tens à tua frente conhecem todos os riscos do montanhismo. Honram-te partindo desse princípio. Se lhes esfregares isso na cara, será um insulto à sua hospitalidade. Fala-lhes da altura da montanha, do equipamento que usaste, sê rigoroso em relação às superfícies e ao tempo que demoraste a escalá-la. Não manipules o público à caça de bocas abertas e suspiros. Se mereceres as bocas abertas e os suspiros, isso não se deverá à avaliação que fizeres do acontecimento, mas à que o público fizer. Resultará da estatística e não do tremer da tua voz nem das tuas mãos a cortar o ar. Resultará dos dados e da discreta organização da tua presença. 
Evita os floreados. Não tenhas medo da fraqueza. Não tenhas vergonha do cansaço. O cansaço dá-te bom ar. O ar de quem seria capaz de nunca mais parar. Agora, entrega-te aos meus braços. Tu és a imagem da minha beleza.
[Leonard Cohen. Tradução de Vasco Gato. O texto pode ser ouvido (em inglês, com tradução para português), aqui: https://www.youtube.com/watch?v=IvXn4P9Kj2Y

escrito por ai.valhamedeus

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 2




O POEMA 

O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.
É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.
Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.
E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.
[Natália Correia, in Poemas (1955)]

escrito por ai.valhamedeus

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NA SEMANA DO DIA DA POESIA * 1


TU ÉS EM MIM PROFUNDA PRIMAVERA

O sabor da tua boca e a cor da tua pele,
pele, boca, fruta minha destes dias velozes,
diz-me, sempre estiveram contigo
por anos e viagens e por luas e sóis
e terra e pranto e chuva e alegria,
ou só agora, só agora
brotam das tuas raízes
como a água que à terra seca traz
germinações de mim desconhecidas
ou aos lábios do cântaro esquecido
na água chega o sabor da terra?

Não sei, não mo digas, tu não sabes.
Ninguém sabe estas coisas.
Mas, aproximando os meus sentidos todos
da luz da tua pele, desapareces,
fundes-te como o ácido
aroma dum fruto
e o calor dum caminho,
o cheiro do milho debulhado,
a madressilva da tarde pura,
os nomes da terra poeirenta,
o infinito perfume da pátria:
magnólia e matagal, sangue e farinha,
galope de cavalos,
a lua poeirenta das aldeias,
o pão recém-nascido:
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo a terra que tu és:
tu és em mim profunda primavera:
volto a saber em ti como germino.
[Pablo Neruda, in Os Versos do Capitão]

escrito por ai.valhamedeus

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DO CONTRA [113] no dia do pai, para os bons pais



Deus abandonou-me.
(Aconteceu a mais alguém?)
Não me surpreende:
Se até o seu filho bem amado Ele abandonou, Por que não o faria a mim, Que não lhe sou nada?!
escrito por ai.valhamedeus

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O LIVRO DO CAVACO E OS NÃO FACTOS


Cavaco Silva entendeu escrever um livro sobre os seus dez anos na presidência. Nada de mal. Mas, como todos os manhosos, não exibe uma ideia, sobretudo do que ele entende ser os superiores interesses do país, interesses esses por que pautou a sua vida política (ele diria pública). Eu penso que, na nossa democracia, os superiores interesses do país seriam os explanados na Constituição, uma vez que nela são consagrados alguns princípios programáticos importantes, tais como o direito à habitação, saúde e educação. Mas desconfio de que não são esses os princípios por que o homem se pauta, sei lá, digo eu.

Ao folhear o índice, chamou-me a atenção um dos capítulos que diz A FALTA DE BOM SENSO DE UM MINISTRO (pág. 203 a 207). Pensei que iria aqui ter acesso àquilo que seria o exemplo dos princípios por que se pautava o Sr e indicasse factos que poderiam indiciar tais princípios. Primeiro pergunta a Sócrates a sua posição sobre o sector agrícola. Sócrates falou mal do governo anterior por causa das medidas agroambientais. Sócrates deu instruções ao ministro, Jaime Silva, para deixar de criticar o governo anterior. Mas havia animosidade entre o ministro e a CAP.

Tudo espremido, nem uma ideia, nem um facto sobre a falta de bom senso, a não ser que o ministro teria chamado de direita à CAP (redonda mentira, como se sabe). Lá para o fim, fala de perda de fundos da União Europeia por causa da incompetência do ministro. Foi só.

Esta posição manhosa, sem se comprometerem, é próprio destes políticos ranhosos e cobardes. Vou ainda consultar alguns capítulos. Sim, não irei ler o livro de seguida, por uma questão de higiene.

De folhear o livro, parece-me que a ideia geral do homem é que haja harmonia na família portuguesa e não truculências. Acho que já conhecemos a ideia…

Há uma coisa que quero dizer. Acho que não terá mal uma pessoa contar a sua história enquanto governante, mesmo que seja umas pseudomemórias.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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PARA RIR * 4. Me explica, por favor!

“o trabalho temporário é um elemento indicador da dinamização da atividade económica em todos os países”.
[Vitalino Canas, provedor do trabalhador temporário]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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PARA RIR * 3

O senhor “Ai, aguenta, aguenta!” não aguentou.
[in Expresso Curto]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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LÍNGUA PORTUGUESA

Academia de Ciências vai convocar profissionais da escrita para discutir mudanças no acordo ortográfico.

Encontro nacional vai decorrer no início de março. Empresas que vendem corretores ortográficos também vão ser convocadas para serem “chamadas à responsabilidade”. Nesta edição do Expresso Diário, entrevistamos o presidente da Academia de Ciências de Lisboa. Há elementos da Academia que queriam ver o acordo rasgado

In Expresso on line

escrito por Gabriela Correia, Faro

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O CAOS ORTOGRÁFICO

Num livro que comprei, ontem, procurei o que é habitual procurar: se respeita as novas regras ortográficas.

Li as duas primeiras páginas e não consegui saber se. Andei a folhear (en passant) a obra, à procura da resposta, e fiquei sem saber. As palavras que me poderiam ajudar a decidir a (não) compra escondiam-se. Fui ao sítio por onde devia ter começado: o verso da capa. Lá estava: respeita as regras.

E decidi-me pela compra.

Sentei-se ao volante do meu carrito a matutar num dos argumentos dos anti-acordistas: o caos que o novo acordo provoca na escrita...


Ao ler a primeira página pela segunda vez, verifiquei que tinha lido apressadamente: nas primeiras linhas do início da obra, que reproduzo, lá está um dos causadores do caos -- exatas em lugar de exactas.

Mas insisti na ideia: o caos é tão grande... que, concedendo que haja, não é fácil encontrá-lo.

escrito por ai.valhamedeus

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O CASO TRUMP


Penso que se deva distinguir dois aspectos no caso Trump.
  1. O primeiro, a sua eleição, enquanto manifestação, por parte dos eleitores, do seu repúdio pela classe política tradicional; 
  2. o segundo, o perigo que eventualmente as suas políticas podem representar e que são, também elas, uma manifestação de repúdio pelas políticas praticadas. 
Ambos me parecem perigosos, mas compreensíveis à luz desse repúdio. Digo, há muito, que o fascismo, nazismo ou outra forma de intolerância irá surgir, quer queiramos quer não, e não necessariamente pela forma como os conhecemos. Aliás, ir-nos-á aparecer sob uma forma lógica e natural e impor-se-á, apesar de campanhas.

Penso que estamos no limiar de uma situação dessas.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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PARA RIR * 2


Notícia de última hora; ou talvez não.
Ricardo Salgado constituído arguido por tentar corromper Sócrates 
[in Expresso Diário]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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(Não) gosto de animais

[foto rapinada daqui]

Entre os que me são próximos, tenho fama de não gostar de animais. Quando me perguntam se é verdade, tenho dificuldade em responder, por não saber o que e que a pergunta quer saber.

A minha relação com os animais resume-se em dois pontos:

  1. sou incapaz de fazer mal a um animal (exceção para aqueles bicihitos que me entram em casa sem autorização);
  2. sou suficientemente amigo dos animais para gostar de os deixar em paz (longe de mim) e irrito-me solenemente quando eles não têm o mesmo sentimento em relação a mim;
  3. sou incapaz de um gesto de afeto dirigido a qualquer animal (exceção para alguns de duas pernas).
Bem... foram três os pontos. Mas mais vale mais do que menos.


escrito por ai.valhamedeus

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ZOOM [101] - comparação


escrito por ai.valhamedeus

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EX-CITAÇÕES * 157. o pai da pátria


Façam-lhe o enterro, respeitem-lhe a memória, dêem os pêsames à família, mas deixem-se de tretas e de apregoar que ele nos trouxe a liberdade e a democracia. Não trouxe. Essa devemo-la à Alemanha de Willy Brandt, à Holanda de Joop den Uijl, a Henry Kissinger e ainda, entre mais uns quantos, aos banqueiros e empresários que sabiam que com o regime de Marcello Caetano nunca Portugal poderia entrar no Mercado Comum.
[...] 
Mário Soares desagrada-me ainda como pessoa, pois simboliza aquilo que detesto e de que desdenho na burguesia portuguesa: a falsa pachorra, a jovialidade de pechisbeque, o modo paternal, o sorriso pronto, a mãozada, os Ora viva!, a festinha aos humildes; por detrás de tudo isso a ganância, o cálculo frio, o desprezo do semelhante, a presunção, o sentimento bacoco de casta, os rapapés, a mediocridade.
[J. Rentes de Carvalho, in Tempo Contado]

escrito por ai.valhamedeus

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CR7? MARIMBANDO...

Tenho amigos que não entendem que eu não vibre rigorosamente nada com as notícias relacionadas com Cristiano Ronaldo, mesmo quando são assim:


Apelam ao meu sentimento nacional(ista), que ele é português que isso dá fama a Portugal que não sei mais o quê... mas eu, nada! CR7 não passa de um puto que ganha milhões por saber dar uns xutos na bola -- e isso a mim interessa-me tanto como zero ou talvez menos do que zero.

O que me faz vibrar e sentir orgulho são notícias como esta:



escrito por ai.valhamedeus

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PARA RIR * 1


Para rir, ou para arrepelar os cabelos de irritação, desespero ou impotência para agir, por manifestas razões...
A banca portuguesa está muito bem”. 
[Ricardo Salgado, em Abril de 2011, depois de o Estado pedir a intervenção externa]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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2017 NA AVENIDA DOS ALIADOS


Não foi a primeira vez que passei para um novo ano nas ruas do Porto. Desta vez, o que mais me surpreendeu foi
  • as medidas policiais contra atentados de eventuais camiões. Na sequência do de Berlim, o governo diz que não há razões para alterar o nível de alerta; mas que eu nunca tinha visto nada assim, ai isso não;
  • o mijadoiro enorme em que se tornou a Avenida dos Aliados (e até os parques de estacionamento subterrâneos), a partir de determinado momento. Impressionava a quantidade de homens (sobretudo jovens do sexo masculino, mas não só) a despejar a bexiga -- e os regatos de urina a correr pela avenida e pelos recantos entre os automóveis estacionados.

Águas na bexiga e medos no cu obligent.

escrito por ai.valhamedeus

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CR7 PARA O PANTEÃO


Este miúdo é sério candidato a um lugarzinho no Panteão. Se o Eusébio mora lá -- e a Amália, também... ambos sem terem sido gente de negócios, sem hotéis, sem ginásios e sem canais de tv...

Se me é permitido sugerir -- eu acharia bem que o colocassem entre o Eusébio e a Amália. Sempre se divertia a fazer truques de pés ao Eusébio e a acompanhar a Amália num desafinado I wish you a Merry Christmas.

escrito por ai.valhamedeus

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PORTUGAL, CAMPEÃO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS


[imagem rapinada daqui]
Numa peça publicada em jeito de balanço anual, o diário britânico The Guardian elege o uso de energias renováveis em Portugal como um dos "momentos chave" da ciência em 2016. Mark Miodownik, professor da Universidade de Londres, é quem escreve sobre o tópico, explicando que, de uma perspetiva da engenharia, o anúncio português de que o país funcionou quatro dias consecutivos com energias inteiramente renováveis no mês de maio foi um "ponto alto" do ano. 
Escrevendo que "a mudança para o carvão no século XIX e depois para o petróleo no século XX" deu ao mundo moderno a "a energia barata, os bens de consumo e as férias solarengas", Miodownik refere que se queremos dar o mesmo aos nossos filhos é necessário prevenir as alterações climáticas e afastar-nos dos combustíveis fósseis. "Parece impensável, impossível, mas o impossível é o que a engenharia faz melhor. O feito de Portugal dá aos governos e empresas energéticas um exemplo tangível de como pode funcionar e funciona, e porque deveriam investir em energia solar, eólica, das ondas e outras tecnologias renováveis já". 
[rapinado do Expresso online]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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E ESTA, HEIN!... 31

Fartos de serem chamados a resgatar bancos (BES em 2014, Banif em 2015), os portugueses podem por estes dias assistir de cadeirinha ao resgate de mais um banco. Mas desta vez não é nosso. É o mais antigo banco italiano, Monte dei Paschi di Siena, cujo plano de recapitalização por parte de investidores privados, elaborado pelo J.P. Morgan, falhou rotundamente. E quando os investidores privados falham, lá vem o Estado, sempre acusado de gerir muito pior que os privados, limpar com o dinheiro dos contribuintes a estrumeira que os accionistas e gestores privados fizeram. Serão “apenas” cinco mil milhões de euros que o Estado italiano terá de injectar no banco até ao final do ano (faltam nove dias!), passando a participação pública dos actuais 4% para uma posição entre 50% a 75%, segundo os analistas. Por outras palavras, o Monte dei Paschi di Siena vai ser nacionalizado para não ter de fechar as portas. O contribuinte italiano paga. E La Nave va. 
[in Expresso Curto]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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