Palestina livre!

Mostrar mensagens com a etiqueta partidos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta partidos. Mostrar todas as mensagens

EUTANÁSIA: A SAGRADA ALIANÇA CDS-PCP


Percebo a posição do CDS sobre a eutanásia. E continuo a tentar perceber a do PCP.

Tenho já várias hipóteses: terá o PCP votado ao lado do CDS

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

A DEMOCRACIA E OS PARTIDOS


Ouvi Manuela Ferreira Leite repetir uma ideia recorrente na boca de comentadores e políticos: sem partidos, não há democracia. Essa é, no entanto, uma ideia falsa. Os partidos são imprescindíveis no regime em que vivemos, nesta democracia representativa. Mas a democracia representativa partidocrata está longe de ser a única e até a melhor forma de democracia. Para dar só um exemplo:a democracia direta é muito mais democrática do que a democracia representativa partidocrata.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

EDUCAÇÃO PARA A ABSTINÊNCIA

Ora aqui está uma ideia muito engraçada:


Além da substância (a abstinência -- de louvar, por várias razões entre as quais se destaca o acordo com a democracia cristã), há pelo menos duas razões para este querer ser engraçado:

  1. É iniciativa de jotinhas -- que toda a gente diz (erradamente, como se vê) uns debochados;
  2. Tem as cores da luta dos colégios -- o que também é louvável, dada a predominância do cristianismo democrático nos tais colégios.

Tudo em consonância, portanto.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

COSTA, ALTERNATIVA DE TRABALHO DE CONFIANÇA


Os resultados das legislativas de 2015 já se souberam ontem; mas esta ainda é a página de entrada para o sítio do PS: a gente escreve www.ps.pt e é redirecionado automaticamente para costa215.pt.

Um partido muito eficaz a trabalhar, como se vê.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

A LEI DA ROLHA E O PS

O exército dos arautos da democracia está em polvorosa por mor da aprovação da "lei da rolha" pelo PSD
[o exército inclui generais do próprio partido, que informam que a coisa resultou de uma "distracção". Santo Deus! um congresso de distraídos!...].
Cá por mim
[que votaria contra, se tivesse que votar],
estou-me marimbando: se houver problema, é problema dos militantes do Partido, em cujo número me não incluo.

O que verdadeiramente me faz cócegas nos neurónios é a hipocrisia das reacções do pê-èsse; foi, primeiro, o Canas a apelidar a coisa de estalinista; foi, depois, a decisão de levar a alteração dos estatutos do PSD a debate na Assembleia da República.

O problema das leis da rolha é o problema de todas as instituições doutrinárias, com as igrejas e os partidos na cabeceira das listas
[e o PS incluidíssimo nelas].
Sócrates já impôs a lei da rolha ao seu governo pê-èsse; outros dirigentes socialistas têm outras versões da rolha; a Igreja Católica tem a excomunhão; ... e já aqui foi noticiada a expulsão de militantes do PS, PSD e CDS por terem participado em listas de outros partidos nas últimas eleições.

É mesmo assim: são os mecanismos que estas instituições constroem para destruir as divergências sérias. Serão estes mecanismos de controlo compatíveis com a democracia? São, pelo menos, uma das razões por que não estou filiado em qualquer partido nem arregimentado a qualquer Igreja.

escrito por ai.valhamedeus [foto do "Público"]

LEIA O RESTANTE >>

PROFESSORES EM LUTA

TRÊS REIVINDICAÇÕES CENTRAIS E IMEDIATAS DOS PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO E SECUNDÁRIO:

  • REDUÇÃO DO HORÁRIO SEMANAL DE 35 PARA 30 HORAS!
  • LIMITE MÁXIMO DE 20 ALUNOS POR TURMA!
  • INTEGRAÇÃO DOS PROFESSORES CONTRATADOS!
Depois de um período de falsas expectativas, que as sereias do oportunismo aproveitaram para tentar legitimar o chamado "primeiro ciclo avaliativo" e para dar ao segundo Governo de José Sócrates o tempo necessário para preparar novos e mais violentos ataques contra os professores e as escolas, eis chegado o momento de "regressar à terra" e de retomar com firmeza o caminho da luta pela defesa da dignidade docente e por uma educação pública democrática, rigorosa e de qualidade.

Aqui chegados, há que fixar a lição mais importante dos últimos três meses, a saber: as políticas educativas postas em prática pela dupla Sócrates/Rodrigues continuam a fazer o seu caminho dentro do Governo e do Parlamento, independentemente da personalidade dos ministros e dos "compromissos" que os partidos da oposição juraram cumprir em tempo eleitoral. O que isto significa é que o elemento decisivo que está na base das drásticas transformações que actualmente se desenvolvem na educação pública em Portugal, não deve ser procurado em circunstâncias conjunturais e passageiras, e muito menos deve ser buscado num pretenso movimento de inércia originado na "burocracia da 5 de Outubro", mas tem antes que ser encontrado em forças e interesses muito mais vastos e poderosos do que esses.

De facto, o que está em curso no sistema escolar em Portugal, à semelhança do que acontece a nível global, é um processo de transformação com uma natureza e uma lógica capitalistas, o qual tem na sua base a existência de poderosas indústrias e grupos económicos que pretendem converter a educação pública numa área privilegiada de negócios e de lucros. No que ao nosso país diz respeito, essas indústrias e grupos económicos, ou já actuam em força na educação pública (caso das empresas informáticas, como a Microsoft, a Intel e outras, dos grandes grupos editoriais, etc.), ou espreitam a oportunidade de aqui se estabelecerem (caso das empresas multinacionais que têm por âmbito de acção a gestão global das escolas ou a gestão de aspectos particulares dos processos de ensino/aprendizagem/avaliação).

A escola-empresa que se pretende instituir, em Portugal e a nível global, é uma escola "a tempo inteiro", em que alunos e professores têm um horário clássico de trabalho de oito horas, estão sujeitos a uma exigência de "melhoria contínua de resultados" sob uma supervisão de tipo patronal, e em que esse trabalho assume o mesmo carácter repetitivo, mecânico, impessoal e (no caso dos professores) mal pago, que existe nos demais sectores de actividade em que vigoram relações capitalistas de produção.

Numa tal "escola-empresa" pretende-se ainda que exista um corpo reduzido de "professores-supervisores" e um corpo maioritário de professores reduzidos a uma espécie de "técnicos de educação" (este constituído por uma grande parte dos cerca de 70.000 professores a quem o Ministério da Educação se prepara para barrar de vez o acesso aos escalões mais altos da carreira docente, assim como dos cerca de 30.000 professores contratados). A condição que se pretende instituir para esses "técnicos de educação" pode ser já apercebida se se olhar para os quase 10.000 professores que desenvolvem o seu trabalho nas chamadas "actividades de enriquecimento curricular" ou que trabalham nos "Centros Novas Oportunidades" não sedeados em escolas do ensino público, os quais professores, executando embora funções semelhantes aos professores dos quadros do ME, estão no entanto sujeitos a condições de remuneração e de trabalho muito mais gravosas e degradantes do que acontece com estes últimos.

Mas há mais e pior. É que, no que diz respeito ao conteúdo do ensino e à natureza dos processos de ensino-aprendizagem, o que se prepara actualmente é a completa "coisificação", mecanização e padronização desse conteúdo e desses processos. Os instrumentos e os modelos para tal já existem ou estão em processo acelerado de construção. Trata-se, entre outras coisas, da generalização do uso do computador portátil e de outros artefactos de tecnologia digital nas escolas, logo desde o primeiro ano do ensino básico, e da colocação nos mesmos da maioria dos conteúdos de aprendizagem; trata-se também de multiplicar as provas e os exames destinados a realizar o "controlo de qualidade" desta última; e trata-se ainda de reduzir os objectivos dessa mesma aprendizagem a "referenciais mínimos de competências", facilmente objectivadas e passíveis de serem ensinadas, medidas e avaliadas através de mecanismos e procedimentos que tornem quase dispensável a presença do factor humano na relação educativa escolar.

A fabricação do "sucesso educativo" poderá, segundo esta perspectiva, ser prosseguida através do trabalho industrial dos alunos, convenientemente enquadrado pela acção de professores ou de técnicos, cujos procedimentos se pretende que estejam também determinados por rígidos "referenciais de competências" e ambiciosos "planos de produção". Os princípios organizativos em que assenta a transformação educativa que o Governo Sócrates e a classe capitalista que o sustenta procuram operar em Portugal, podem ser já entrevistos em iniciativas como a das "escolas do futuro", a cargo da chamada "Associação de Empresários pela Inclusão Social", ou a das "Novas Oportunidades".

Um elemento primordial da mudança educativa assim configurada, é o processo de proletarização, burocratização e desqualificação da profissão docente, o qual foi a marca-de-água das políticas educativas do primeiro governo Sócrates e continua a sê-lo do actual executivo. Foi nesse sentido que foram adoptadas as gravosas alterações legislativas na avaliação do desempenho, na estrutura e progressão na carreira, nos tempos e organização do trabalho docente e na participação dos professores na gestão escolar. Apesar de uma tenaz luta de resistência por parte dos professores, essas medidas continuam de pé e o Governo prepara-se agora para as reforçar com novas disposições legais ainda mais celeradas.

Nas condições actuais, não existe nenhuma reivindicação dos professores que possa ser obtida através de simples negociações entre os sindicatos e o ME. Para o Governo, os professores estão sujeitos ao regime geral dos funcionários públicos, e, para além disso, os funcionários públicos estão por sua vez sujeitos ao regime geral de trabalho, tal como está consignado no actual Código de Trabalho. Ou seja, para o Governo os professores são simples assalariados a quem há que retirar os poucos direitos que ainda lhes restam, sendo sua obrigação cumprir sem falhas o estipulado no "regulamento de trabalho" e atingir os "objectivos de produção" fixados pelo "conselho de administração" da "escola-empresa".

Contra a perspectiva governamental do que deve ser a educação pública e a profissão docente, é necessário travar uma luta sem quartel e necessariamente prolongada. De facto, aquilo que nas presentes circunstâncias se espera dos professores, no seu interesse próprio e no interesse geral do povo português por uma educação pública democrática, rigorosa e de qualidade, é que avancem com reivindicações que signifiquem uma ruptura total com as actuais políticas educativas, que logrem impor-se como medidas necessárias e urgentes para o bom funcionamento das escolas e que se identifiquem com exigências comuns a todos os trabalhadores na sua luta contra o desemprego e por condições dignas de vida e de trabalho.

É neste sentido que o PCTP/MRPP conclama os professores portugueses a colocarem na primeira linha do seu combate, e a exigirem das suas organizações sindicais e outras que o façam também, as seguintes três reivindicações imediatas fundamentais:
  1. A redução do horário semanal de trabalho de 35 para 30 horas semanais;

  2. O estabelecimento de um limite máximo de 20 alunos por turma;

  3. A integração nos quadros das escolas de todos os professores contratados que sejam necessários ao seu funcionamento.
Uma luta vitoriosa por estas reivindicações poderá significar o início da superação da presente crise educativa em Portugal. As organizações sindicais devem romper a actual farsa negocial com o ME e marcar, já no próximo mês de Janeiro, um dia de greve geral por estas (e outras) reivindicações.

O alvo e o norte da luta dos professores é o total desmantelamento das políticas e das medidas adoptadas pelo Governo Sócrates e a construção de uma alternativa de futuro ao actual processo de capitalização da actividade educativa. Este é um empreendimento de vulto, que diz respeito a toda a população trabalhadora e através do qual se pode e deve estabelecer uma identidade e uma solidariedade de facto entre a luta dos professores e a luta mais geral das classes trabalhadoras em Portugal por objectivos que hoje lhes são em larga medida comuns.

Lisboa, 29 de Dezembro de 2009


[A Organização de Professores do PCTP/MRPP]

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

A REPÚBLICA

PS(D) quadrilha

A propósito das alternâncias entre regeneradores e progressistas, no princípio do século XX, João Chagas afirmou
em Portugal não há dois partidos, mas uma quadrilha só, dividida em dois bandos”.
Cem anos depois, claro que não há qualquer semelhança com o que se passava em Portugal. Portugal modernizou-se, entrou pela Europa a toda a força, os crimes económicos cessaram, o desenvolvimento aí está impante, a corrupção foi erradicada e o país respira confiança.

Ah!... e a quadrilha dos dois partidos desapareceu.

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

HOJE É DIA DAS MENTIRAS!

O Público noticia que

PS, PSD e CDS avançam com expulsão de militantes.
E especifica: quem se candidatou em listas concorrentes às do próprio partido nas últimas autárquicas infringiu os estatutos e pode ter de sair. Só no PCP e no BE não há processos.

Ora isto só pode ser brincadeira do dia das mentiras. Toda a gente sabe que o PCP
[este, sim!]
é que expulsa militantes
[e toda a gente o sabe pela gritaria pública que rodeia essas expulsões].
Toda a gente sabe que o PCP é o único partido antidemocrático português
[vá lá... o BE também é um bocadinho, mas não tanto].
E agora vem o Público com esta notícia?! Só falta amanhã o jornal explicar que o dia das mentiras é quando um homem quiser
[e, efectivamente, é!].
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

AS POSIÇÕES MORAIS DE MANUELA FERREIRA LEITE

Ferreira Leite

Há coisas que não lembram ao diabo, mas lembram a Ferreira Leite.

Veio a Senhora, nestes dias, defender a família e o casamento como unidade fundamental, ou unidade vital da sociedade. De resto, no seguimento do veto presidencial à lei das uniões de facto. Manuela Ferreira Leite continua nos anos sessenta em matéria moral -- e trazer a moral para a política dá barraca. E isto porque a sociedade mudou e, apesar de a família através do casamento continuar a ser a primeira ou a principal unidade social, não é a única. Hoje há unidades familiares que não assentam no casamento e são unidades estáveis e duradouras. E, por aí, não passa a clivagem social portuguesa. Há mais tolerância do que parece na sociedade portuguesa e mesmo na base social a que a candidata do PSD pretende agradar. Mesmo na igreja católica há ideias diferentes e mais tolerantes do que as expressas pela Senhora. Mas, tal como Paulo Portas, que continua a falar de lavoura, como se estivéssemos no tempo do pic-nicão, Cavaco/Ferreira Leite continuam num mundo que não é desta época.

Ferreira LeiteEsta posição de Ferreira Leite tem também como pano de fundo a oposição às uniões homossexuais. Estúpida. Ela e Cavaco. Estúpidos! A realidade é outra e ultrapassa a sua vontade.

A posição em relação à homossexualidade tem sido comum à direita e à esquerda tradicional. O PCP também foi contra
(e julgo que ainda é)
tratando tais situações como desvios e doenças. Júlio Fogaça foi expulso do PCP por esse motivo.

Cavaco e Manuela não se dão conta do ridículo das suas posições e julgam-se defensores de princípios imutáveis e que devem nortear a vida dos portugueses: princípios católicos, algo salazarentos. Nem a própria direita social já defende tais maluqueiras. Mas eles são assim: parolos.

Estas posições são objectivamente ajudas a Sócrates, que agradece.

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

PIRATAS PORTUGUESES NO TWITTER

O Partido Pirata Português está no Twitter.


escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

COMPROMISSO EDUCAÇÃO: PS, NÃO.

Os professores NÃO VOTAM em candidatos e em partidos políticos que não assumam, publicamente, o seu compromisso de rejeição da divisão da carreira e de suspensão do modelo de avaliação imposto por Maria de Lurdes Rodrigues e por Sócrates
[do blogue do PROmova].
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

UMA ESQUERDA ALEGRE E FLEXÍVEL

Foi apresentada, esta semana, uma coisa que se chama Nova Esquerda. Digo coisa, porque pareceria ser um partido, mas parece que não é, embora pareça que talvez seja
[sendo coisa de (ex?) alegristas, não admira que seja assim tão hesitante e indefinida].
E não sou em quem o diz, inventando; é o próprio Azevedo Pinto
[o porta-voz e uma das caras destacadas do que também pode ser chamado movimento, jovem viseense que tem navegado em várias águas político-partidárias]
quem o sublinha, em entrevista ao viseense Jornal do Centro. Pretendendo esclarecer que não se trata de um partido envergonhado, afirma que
Hoje em dia as pessoas estão muito cansadas com os partidos e com a política em Portugal. Isso leva ao afastamento, a começar pelas gigantescas taxas de abstenção e, depois, a um fenómeno que começa a ser interessante do ponto de vista da análise, que é a questão do voto branco e do voto nulo, se somarmos as duas coisas estamos a falar de um universo de 70 por cento de pessoas que estão fora do sistema. A designação não é um partido envergonhado. Tem que ser partido enquanto registo formal, porque a lei assim o obriga, mas a organização informal deve ser dessa forma, informal quanto possível.
E segue-se uma série de afirmações, alegríveis, deste tipo: que o movimento-partido está organizado, de um modo tradicional para ir a votos, mas de um modo diferente para funcionar fora dos votos; para ir a votos na opinião de Azevedo Pinto, embora possa não ir a votos; com uma estrutura sem funcionários mas com lideranças fortes...

Isto faz-me lembrar o pê-èsse. O pê-èsse é social-democrata
(como um ou outro, raro, destacado militante declara),
mas diz-se socialista; de esquerda teoricamente e quando na oposição, com uma prática de direita quando governa. Uma mistura disto e daquilo: uma coisa em que não se sabe se se pode confiar
[e, portanto, não se deve confiar, porque não se deve confiar em quem não se sabe se se pode confiar].
Curiosamente, no seu sítio da web, a Nova Esquerda alerta para "a provável ditadura de Ferreira Leite"; só que o PSD, nós sabemos que partido é. O pê-èsse, esse não sabemos. A Nova Esquerda parece ir pelo mesmo caminho do pê-èsse
[é uma chatice!].
Pode ler toda a entrevista aqui. Para o caso de a mesma ser retirada, transcrevo-a a seguir.


Alexandre Azevedo Pinto, 38 anos, economista, natural de Viseu, foi candidato à câmara municipal de Viseu, quando o Bloco de Esquerda (BE) estava a dar os primeiros passos. Saiu do BE quando entraram no partido antigos militantes do PCP. Participante activo na campanha presidencial de Manuel Alegre e muito próximo do histórico socialista, tem-se envolvido, em várias iniciativas de cidadãos. Líder do Movimento de Cidadãos de Viseu que, em conjunto com os comerciantes, tem reclamado a transferência da Loja do Cidadão para o centro histórico, surge como porta-voz e umas das caras da Nova Esquerda, apresentada na quarta-feira ao país.

No artigo de opinião que escreveu no Jornal do Centro apresenta o novo partido como "um grupo muito expressivo de homens e mulheres deste país [que] decidiu criar um Novo Sujeito Político em Portugal". Ao longo do texto não usa uma única vez as palavras partido político. Parece estar a criar-se um partido envergonhado.

Hoje em dia as pessoas estão muito cansadas com os partidos e com a política em Portugal. Isso leva ao afastamento, a começar pelas gigantescas taxas de abstenção e, depois, a um fenómeno que começa a ser interessante do ponto de vista da análise, que é a questão do voto branco e do voto nulo, se somarmos as duas coisas estamos a falar de um universo de 70 por cento de pessoas que estão fora do sistema. A designação não é um partido envergonhado. Tem que ser partido enquanto registo formal, porque a lei assim o obriga, mas a organização informal deve ser dessa forma, informal quanto possível.

Que interpretação é dada ao nome Sujeito Político em Portugal?

Um sujeito político é um elemento de transformação e de mobilização da sociedade portuguesa que traz consigo uma grande expectativa em relação a esta mudança, que é necessária na sociedade portuguesa e permite encaixar um conjunto de estratégias de mudança.

O que o distingue de um partido tradicional?

Os partidos de uma forma genérica estão organizados num modelo mais tecnocrata, em que há os chefes em cima e os que os respeitam em baixo. Isto criou uma sociedade estruturada a partir desta organização. Esta forma está esgotada e as pessoas estão a borrifar-se para chefes de partidos, de aparelhos locais ou de aparelhos nacionais. É algo que mete impressão a muita gente.

Mas tem que haver uma chefia.

Não, tem que haver uma organização e uma direcção necessariamente. Como modelo alternativo, sugerimos um modelo em rede muito mais flexível, onde as lideranças podem ser criadas também muito diferente das que temos hoje, e essa lógica de rede assente numa lógica de novas tecnologias, de sociedade de informação, muito mais flexível na medida em que não temos um aparelho com funcionários.

É um partido para não entrar na arca do poder?

Essa é outra questão. Terá que ter uma organização e é um projecto que poderá ir a votos. Agora, pode estar organizado para ir a votos, mas pode existir uma forma diferente de estar organizado. Isso é possível.

Mas sempre com caras em quem qualquer português que vá votar lhe confie o futuro do país. Ou não?

Sim. As lideranças são importantes. Podemos ter lideranças fortes sem caciques nacionais ou locais. Os partidos estão parados no tempo e não perceberam uma realidade em mudança e essa realidade em mudança é que 70 por cento das pessoas não liga nada a isto. Isso é preocupante e devemos resolver.

Quem é que faz parte da Nova Esquerda?

Estamos a falar num conjunto de cerca de 200 homens e mulheres de todo o país (e pessoas fora do país), muitos vindos do Partido Socialista, outros do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania) – eu próprio fui fundador bem como um conjunto alargado de pessoas que estão na Nova Esquerda. Mas nós continuamos no MIC como continuam pessoas de outros partidos nomeadamente do PS – e que, de alguma maneira, se revêem nesse duplo objectivo: renovar e transformar o sistema político em Portugal e associarmos essa renovação e transformação à esquerda da política portuguesa.

Há já uma crítica que vos é apontada nas conversas informais que se ouvem: são os frustrados que não conseguiram impor-se às ideias noutros partidos. Que comentário lhe merece esta análise?

Não percebo como se faz a opinião pública neste país. O mais incrível é que as pessoas falam do que nem sequer conhecem. Acho que a opinião pública neste país anda um pouco manipulada e deixa-me muito a desejar.

O MIC de Viseu tem muita influência neste novo movimento?

Há pessoas do MIC de Viseu que têm um papel muito destacado no projecto. Talvez porque foi um grupo muito coeso, que desde o primeiro momento esteve na candidatura de Manuel Alegre e houve pessoas que inclusive estiveram com a candidatura de Manuel Alegre a secretário-geral do Partido Socialista.

É uma Nova Esquerda para ir a votos?

Essa é a minha opinião. Nós vamos fazer uma convenção fundadora e esse será necessariamente um dos tópicos de discussão.

Já nas legislativas?

Os timings são muito curtos. O nosso objectivo seria ir nestas eleições. Uma das questões é apresentação das 7500 assinaturas e todos os formalismos, por forma ainda entrar na agenda das legislativas. Não sei se será possível, é difícil pelos timings.

Não concorrendo às eleições, qual vai ser o papel da Nova Esquerda nos próximos actos eleitorais?

Ainda não tenho resposta. É um modelo que está em construção e vamos ter necessariamente que reflectir.

O Alexandre seria um bom candidato à Câmara Municipal de Viseu?

(Risos) eu já fui candidato, derrotado se quiserem, mas as autárquicas têm ainda uma dupla dificuldade. Isso vê-se nos pequenos partidos. É talvez o tipo de eleição que mais obriga a uma lógica de militância. Se fosse uma candidatura isolada, poderia ser uma hipótese, mas acho muito difícil face à agenda e aos candidatos perfilados. Foi muito ponderada em tempos a apresentação de uma candidatura de independentes em Viseu, terão percebido os sinais.

E porque não avançou?

Entendemos que não faria sentido nesta fase, porque ainda não havia um grupo suficientemente consolidado do ponto de vista de um projecto para Viseu. E a avançar não podíamos falhar. Depois, há imensas dificuldades do ponto de vista da própria formalização de uma candidatura independente. A lei dos partidos condiciona muito os independentes. E, desse ponto de vista, também queremos dar um sinal de diferença. Uma das propostas que vamos fazer, na mudança do sistema político em Portugal, é a candidatura de cidadãos independentes a legislativas, os cidadãos poderem disputar de igual para com os partidos, a candidatura a eleições legislativas. Estamos a melhorar a democracia e a aproximar os cidadãos dos eleitores. O monopólio dos partidos é passado e é mesmo muito importante para a própria renovação dos partidos.

Essas candidaturas de cidadãos não poderão transformar-se em listas de interesses particulares, promovidas por grupos economicamente poderosos?

Isso é possível.

E um risco grande para a democracia.

É um problema que temos na sociedade portuguesa e transversal à natureza humana. Aí o que temos que exigir é lisura no tratamento de informação e que às pessoas seja exigida uma participação de igual para igual. Tem que haver uma mudança sistémica. O povo, de alguma maneira, tem demonstrado que está insatisfeito com este estado de coisas.

O Alexandre Pinto pode ser a cara da Nova esquerda?

As coisas estão muito cruas desse ponto de vista. Há uma comissão promotora que tem como missão apresentar, organizar e fazer a primeira convenção, em Coimbra, dia 4 de Julho na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, numa sala emblemática, a Sala 17 de Abril, ligada à crise estudantil. A nós também nos interessa mover neste quadro simbólico, como um sinal para que as pessoas percebem que vivemos num quadro de símbolos.

Porquê Coimbra?

Pela centralidade, pela Sala 17 de Abril e pela Universidade de Coimbra. Estas coisas não têm que ser sempre em Lisboa.

Saiu do Bloco de Esquerda (BE) mas continua a ir às iniciativas do BE quando está em Viseu Francisco Louçã. Integrou o movimento alegrista de Viseu, lidera o Movimento de Cidadãos. É ânsia de protagonismo?

Se me disser protagonismo político, talvez. Relativamente ao Bloco é conhecida a minha saída, eu continuo a ter uma óptima relação com o Francisco Louçã do ponto de vista das questões económicas. Eu respeito-o muito como economista, até mais do que como político (sorri), ao contrário das relações que ficaram pior tratadas, por exemplo, com o Miguel Portas.

Arranjou outros palcos?

Gosto da palavra palco (sorri). Muitas pessoas ainda hoje acham que eu sou do Bloco de Esquerda. Eu não me sinto nada desagradado com isso.

O que o move?

A questão da cidadania. No Bloco, integrava uma quarta corrente que pertencia a pessoas que não vinham de nenhuma filiação política anterior, estavam na área dos independentes dentro do Bloco. Esse espaço acabou por desaparecer e eu entendi que já faria muito sentido continuar no projecto. Mas a minha atitude de cidadania manteve-se e procurei encontrar outras soluções politicas, mantendo a coerência. Entendi que a candidatura de Manuel Alegre representava tudo isso. Viseu teve um protagonismo muito grande, na decisão de Manuel Alegre avançar, na candidatura presidencial. Está escrito e muito bem explicado num livro organizado por Helena Roseta e Nuno David.

Foi uma desilusão Manuel Alegre não ter avançado com um partido?

Para mim, foi uma desilusão Manuel Alegre não ter avançado.

A Nova Esquerda é uma resposta a essa desilusão?

Eu respeitarei a decisão individual de Manuel Alegre, acho que ficou claro que quererá voltar a ser candidato presidencial e tem desde já o meu apoio, apoio do Alexandre e inevitavelmente do movimento.

Como comunicou a Manuel Alegre a criação deste novo partido?

Foi avisado muito tempo antes e percebeu isso muito bem.

Como está a luta pela transferência da Loja do Cidadão de Viseu para o centro histórico?

O Governo e o Partido Socialista local têm tido uma atitude incompreensível. Ainda não percebi hoje qual é a posição que o PS tem relativamente à Loja do Cidadão. Um dia dizem uma coisa, no outro dia dizem outra. O Governo diz uma coisa, o PS local diz outra, depois, dizem meias coisas.

O movimento parou?

Não, estamos a aguardar uma clarificação das coisas novas no processo. Na última reunião da Assembleia Municipal coloquei questões específicas ao dr. Fernando Ruas e ele, de uma forma gentil, deu-me resposta e avançou com uma ideia nova: uma decisão da autarquia, em que afinal a Loja do Cidadão já não iria para o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários, mas para o Mercado 2 de Maio e, ao mesmo tempo, diz que tinha já falado com o arquitecto Siza Vieira para alterar o Mercado 2 de Maio, construir um edifício adicional no piso superior e tendo necessidade de deitar abaixo um conjunto de magnólias.

Vão esperar que a situação se clarifique?

Acho que tem que ser clarificada o mais rápido possível. O prazo de renovação do actual contrato está a decorrer, não sei se estão a decorrer negociações. A ideia que o dr. Fernando Ruas deu foi que o ministro não inviabilizava o avanço, mas também não movia uma palha. Eu acho que a câmara está a fazer mais do que devia, está a fazer a parte que competiria ao Governo e aí é que critico o Governo e o PS e tenho que saudar o dr. Ruas.

O objectivo do Movimento de Cidadãos de Viseu está cumprido?

Um dos objectivos com que nos mobilizámos era introduzir o centro histórico como núcleo central no debate político dos candidatos [às eleições autárquicas]. Penso que o estamos a conseguir. Agora, a nossa luta ainda não acabou, atenção. Nós entendemos que a Loja do Cidadão deve ir para o centro histórico, as 500 pessoas que estiveram na concentração só ficarão satisfeitas quando virem a Loja onde ela merece estar.

Qual o candidato à Câmara de Viseu que vai apoiar?

(Risos) não sei se publicamente irei apoiar algum, ainda não os conheço todos, poderá até acontecer que eu, Alexandre Pinto, vá apoiar um candidato.

E o Movimento de Cidadãos de Viseu?

Não vai apoiar enquanto movimento nenhum dos candidatos. Individualmente é possível que possam até integrar listas de candidatos.


escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO

A CDU realiza um debate sobre questões e problemas no sector da Educação, amanhã, 16 de Maio (sábado), às 14.30 h, no novo Espaço Café da Livraria Pretexto, Rua Formosa – Viseu

Este debate conta com a participação de Jorge Pires, membro da Comissão Política do PCP.

Contacto: João Abreu – 91 9930018

A Comissão Coordenadora Distrital da CDU

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

CRESPO E PINA ÀS VOLTAS COM O MAL

Há dias assim, um diz: mata, o outro: esfola!

Juntam-se os dois à esquina, a tocar a concertina e – perante a desafinação nacional, eles são dos poucos que não baralham as notas nem escangalham o tom deste insuportável só-li-dó.

O problema de que tratam é incontroverso. A sua denúncia, pela justeza, justifica a persistência.

Mas o pior, o pior desta maleita que nos consome qualquer vestígio de uma ética, mesmo circunstancial, é que Mário Crespo e Manuel António Pina não denunciam a excepção; eles falam da regra e de uma preocupante normalidade que já pouco nos surpreende e devia surpreender-nos, oh, se devia! Pior que o mal, seja lá o que isso for, tantos são os seus rostos, é torná-lo inclusivo, geneticamente inclusivo, como se não houvesse alternativa, opção, pequeno ganho civilizacional que fosse, e há.

Mário Crespo
Não é a crise que nos destrói. É o dinheiro

Nada no mundo me faria revelar o nome de quem relatou este episódio. É oportuno divulgá-lo agora porque o parlamento abriu as comportas do dinheiro vivo para o financiamento dos partidos. O que vou descrever foi-me contado na primeira pessoa. Passou-se na década de oitenta. Estando a haver grande dificuldade na aprovação de um projecto, foi sugerido a uma empresária que um donativo partidário resolveria a situação. O que a surpreendeu foi a frontalidade da proposta e o montante pedido. Ela tinha tentado mover influências entre os seus conhecimentos para desbloquear uma tramitação emperrada num labirinto burocrático e foi-lhe dito sem rodeios que se desse um donativo de cem mil Contos "ao partido" o projecto seria aprovado. O proponente desta troca de favores tinha enorme influência na vida nacional. Seguiu-se uma fase de regateio que durou alguns dias. Sem avançar nenhuma contraproposta, a empresária disse que por esse dinheiro o projecto deixaria de ser rentável e ela seria forçada a desistir. Aí o montante exigido começou a baixar muito rapidamente. Chegou aos quinze mil Contos, com uma irritada referência de que era "pegar ou largar". Para apressar as coisas e numa manifestação de poder, nas últimas fases da negociação o político facilitador surpreendeu novamente a empresária trazendo consigo aos encontros um colega de partido, pessoa muito conhecida e bem colocada no aparelho do Estado. Este segundo elemento mostrou estar a par de tudo. Acertado o preço foram dadas à empresária instruções muito específicas. O donativo para o partido seria feito em dinheiro vivo com os quinze mil Contos em notas de mil Escudos divididos em três lotes de cinco mil. Tudo numa pasta. A entrega foi feita dentro do carro da empresária. Um dos políticos estava sentado no banco do passageiro, o outro no banco de trás. O da frente recebeu a pasta, abriu-a, tirou um dos maços de cinco mil Contos e passou-a para trás dizendo que cinco mil seriam para cada um deles e cinco mil seriam entregues ao partido. O projecto foi aprovado nessa semana. Cumpria-se a velha tradição de extorsão que se tornou norma em Portugal e que nesses idos de oitenta abrangia todo o aparelho de Estado.

Rui Mateus no seu livro, Memórias de um PS desconhecido (D. Quixote 1996), descreve extensivamente os mecanismos de financiamento partidário, incluindo o uso de contas em off shore (por exemplo na Compagnie Financière Espírito Santo da Suíça - pags. 276, 277) para onde eram remetidas avultadas entregas em dinheiro vivo. Estamos portanto face a uma cultura de impunidade que se entranhou na nossa vida pública e que o aparelho político não está interessado em extirpar. Pelo contrario. Sub-repticiamente, no meio do Freeport e do BPN, sem debate parlamentar, através de um mero entendimento à porta fechada entre representantes de todos os partidos, o país político deu cobertura legal a estes dinheiros vivos elevados a quantitativos sem precedentes. Face ao clamor público e à coragem do voto contra de António José Seguro do PS, o bloco central de interesses afirma-se agora disposto a rever a legislação que aprovou. É tarde. Com esta lei do financiamento partidário, o parlamento, todo, leiloou o que restava de ética num convite aberto à troca de favores por dinheiro. Em fase pré eleitoral e com falta de dinheiro, o parlamento decidiu pura e simplesmente privatizar a democracia.
[Mário Crespo. JN, 11 de Maio de 2009]

Manuel António Pina
Foleiros & doutores

Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).
[Manuel António Pina, JN, 11 de Maio de 2009]

escrito por Jerónimo Costa

LEIA O RESTANTE >>

FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS, ELEIÇÕES E ALGO MAIS

Junto 4 textos de opinião retirados da edição de ontem do Público.

O primeiro é o editorial do director José Manuel Fernandes. Comenta a aprovação da revisão do diploma sobre o financiamento dos partidos, considerando que é [...]
incompreensível, é mesmo vergonhoso, a forma como, de forma dissimulada, sem discussão que se visse, com quase tudo a ser resolvido em reuniões fechadas à imprensa, a Assembleia da República aprovou ontem a revisão do diploma sobre o financiamento dos partidos em termos tais que não só escancara as portas à corrupção, como cria inúmeros alçapões por onde podem escapar-se os que estiverem dispostos a abusar das regras.
Não se compreende que o limite ao financiamento em "dinheiro vivo" num dos países do mundo com uma melhor rede de terminais multibanco tenha sido aumentado 55 vezes. Não se compreende igualmente o alargamento às campanhas não presidenciais da possibilidade de donativos individuais, um mecanismo que permite receber grossas maquias e depois "doá-las" ao partido através de redes de militantes arregimentadas por um qualquer cacique. Isto só para dar dois exemplos mais gritantes.
As alterações são chocantes e representam um insulto aos cidadãos eleitores por permitirem que os partidos gastem muito mais em campanha em tempos de crise económica, como mostra a hipocrisia dos falsos moralistas, aqui com destaque para os campeões do comportamento angelical, o Bloco de Esquerda. É fantástico e revelador como, num momento como este, todos estão pateticamente de acordo e não entendem que possibilitar o regresso do tempo das "malas das notas" representa um tremendo retrocesso no que diz respeito à transparência das campanhas eleitorais e do financiamento dos partidos. Mas é também assim que se compreende como nunca foi possível fazer uma lei contra o enriquecimento ilícito. O resto são basófias.
E termina com 2 notas, "irresistíveis":
Diminuir o valor das multas que as empresas poluidoras têm de pagar invocando as dificuldades das pequenas e médias empresas é criminoso. Quem prevarica tem de continuar a pagar as multas que merece, que já nem eram elevadas. Porquê? Porque perdoar a quem prevarica é distorcer a concorrência e beneficiar as más pequenas e médias empresas que ficam em condições de fazer mais concorrência às que cumprem a lei. Para além de que, antes de abdicar da prevenção do ambiente, há dezenas de outras medidas que aliviaram os problemas de tesouraria do nosso tecido industrial. Mas ao optar por sacrificar o ambiente o nosso primeiro-ministro mostra como é diáfana a sua costela de ambientalista. Já não lhe bastavam os famosos PIN...
Em nome da coerência, o Bloco de Esquerda deverá apresentar em breve no único concelho onde elegeu um presidente da câmara, o de Salvaterra de Magos, uma proposta idêntica à que fez aprovar no concelho de Sintra, onde as touradas passaram a ser proibidas. Se não o fizer, volta a provar que, como aconteceu com a votação da lei de financiamento dos partidos, uma coisa são as suas lições de moral e outra a sua real prática. É pois necessário que Louçã diga rapidamente se vai ou não pregar contra o sofrimento dos touros para Salvaterra de Magos. Temos uma data para lhe sugerir: domingo 10 de Maio, altura da Festa do Melão, que terá como ponto alto o toureio de, citamos, "6 terroríficos touros 6" da "mais antiga ganadaria de Portugal". Era de homem.

António Vilarigues comenta o modo como a imprensa analisou as eleições na África do Sul, com interessantes considerações sobre um certo conceito de democracia:
Como se fabrica uma notícia

Em muitos países europeus, 65,9 por cento dos votos dariam muito mais que dois terços dos deputadosAcomunicação social nos nossos dias reproduz como nunca a ideologia dominante. Seja na TV, na rádio ou nos jornais. A forma como a generalidade da comunicação social cobriu as recentes eleições na África do Sul é um bom espelho do que afirmamos.
Apetece perguntar: quais seriam as notícias publicadas pelos media ditos de referência se, num qualquer país da Europa ou da América do Norte (em relação à América Central e à América do Sul, o caso já muda de figura...), um partido político ganhasse as eleições com 65,9 por cento dos votos? E se houvesse uma participação eleitoral da ordem dos 77,3 por cento?
Imaginemos França, Inglaterra, Alemanha ou Canadá. Cantar-se-iam loas à democracia e aos candidatos eleitos. Falar-se-ia de legitimidade democrática e do bom funcionamento do sistema. Escrever-se-ia sobre uma liderança política legitimada de forma indiscutível. E não venham dizer que isto é especulação. Os exemplos nas últimas dezenas de anos abundam e aí estão para o provar.
Mas sobre a África do Sul não. O essencial, a vitória do ANC com dois terços dos votos expressos (11.650.748 em cerca de 23 milhões de votantes inscritos), 264 deputados em 400, triunfo em 8 das 9 províncias, 126 representantes em 184 no Conselho Nacional das Províncias (Câmara Baixa do Parlamento) é sistematicamente desvalorizado. O acessório, o não ter alcançado os dois terços dos deputados eleitos (faltaram escassos 3 lugares), é promovido à categoria de quase derrota do ANC.
Significativamente, é em vão que procuramos uma notícia que nos informe que em quase todos os países europeus e da América do Norte com 65,9 por cento dos votos qualquer partido teria muito mais que dois terços dos deputados. Portugal incluído. E isto graças a sistemas eleitorais muito "democráticos" onde, por exemplo, o partido trabalhista de Tony Blair, com menos do que 50 por cento dos votos, obteve sucessivas maiorias absolutas bastante folgadas.
É também em vão que procuramos uma análise objectiva do novo Presidente da África do Sul Jacob Zuma. E era fácil. Bastava transcrever o que sobre ele disse e escreveu Nelson Mandela ao manifestar-lhe o seu apoio. Tal como são quase nulas as notícias que referem que ficou claramente provado que os processos por corrupção (que abrangeram também dirigentes do Partido Comunista) foram desencadeados com fins políticos por ministros do Governo de Thabo Mbeki (que saíram do ANC e fundaram um novo partido). Que elementos dos órgãos de segurança do Estado e do aparelho judicial tudo fizeram para manipular factos e provas. Que a comunicação social dominante na África do Sul tentou de múltiplas formas desacreditar Jacob Zuma e a nova liderança do ANC.
Mas encontramos coisas ridículas como o "facto" de Zuma ter sido condenado a dez anos de prisão, não pela sua actividade no ANC, mas "por tentar deixar o país clandestinamente, aos 21 anos". Curiosamente, ou talvez não, a mais objectiva análise vem de onde menos se poderia esperar. De um inimigo de ontem: Roelof "Pik" Botha.
O mesmo para as propostas políticas do ANC geralmente arrumadas na categoria de "populistas". E porquê? Porque põem uma muito grande ênfase na prioridade à resolução dos problemas das camadas trabalhadoras e da população mais desfavorecida do país. Prioridade no combate à pobreza e ao desemprego. Promessas que tudo indica serem para cumprir, esse é o problema para certos poderes, e não para ficar no papel.
Mas nada disto nos surpreende. Basta ler o que Eduardo Galeano (o tal do livro oferecido por Chávez a Obama) escreve sobre o processo na Venezuela. Onde recorda que nunca, em parte alguma do mundo, um Presidente eleito se submeteu a meio do mandato a uma consulta eleitoral revocatória. E Hugo Chavez fê-lo. Mas toda (quase) a comunicação social dominante escondeu este "simples" facto.

Vasco Pulido Valente não traça um retrato particularmente positivo dos 100 dias de governação de Obama:
Os cem dias de Obama

Como a campanha eleitoral, a campanha de Obama para "refazer" a "imagem" da América no mundo foi absolutamente perfeita: prometeu fechar Guantánamo; admitiu a existência de tortura (e divulgou os relatórios da CIA); deu uma entrevista à televisão Al-Arabiya; disse (em Ankara) que não estava, nem estaria em guerra com o islão; aliviou (sem o levantar) o embargo a Cuba; serviu franqueza e tolerância ao inominável Hugo Chávez; passeou a sua simpatia como uma pop star pelos G20 (sem comover Angela Merkel); e até exibiu boa vontade com a Rússia e o Irão. Pode um novo Presidente convocar uma nova América com um puro espectáculo como este? Não pode. Toda a gente colaborou na coisa para não ficar mal no retrato, mas ninguém de facto se convenceu.Como a campanha eleitoral, a campanha de Obama para "refazer" a "imagem" da América no mundo foi absolutamente perfeita: prometeu fechar Guantánamo; admitiu a existência de tortura (e divulgou os relatórios da CIA); deu uma entrevista à televisão Al-Arabiya; disse (em Ankara) que não estava, nem estaria em guerra com o islão; aliviou (sem o levantar) o embargo a Cuba; serviu franqueza e tolerância ao inominável Hugo Chávez; passeou a sua simpatia como uma pop star pelos G20 (sem comover Angela Merkel); e até exibiu boa vontade com a Rússia e o Irão. Pode um novo Presidente convocar uma nova América com um puro espectáculo como este? Não pode. Toda a gente colaborou na coisa para não ficar mal no retrato, mas ninguém de facto se convenceu.
Basta pensar que nada mudou no principal: na guerra do Iraque e na guerra do Afeganistão. Ou, se mudou, mudou para pior. No Iraque o plano de retirada militar é, sem tirar nem pôr, o plano de Bush e não é, na essência, um plano de retirada: a América vai conservar na região o número suficiente de tropas para garantir a "solidez" de um Estado que nunca será sólido. Por outras palavras, não sairá no futuro previsível - embora "acantonada" e sem (segundo se espera) funções de policiamento. No Afeganistão, para que Obama pede (sem muito sucesso) a ajuda da NATO e para onde já mandou mais 4000 homens, ninguém vê maneira de eliminar os taliban. Pelo contrário, a própria América começa agora a perceber o risco dos taliban, ou dos seus sócios, virem pouco a pouco a tomar conta do Paquistão, que tem, como se sabe, armas nucleares.

Quanto ao resto, a esquerda gosta do intervencionismo do Estado na economia. O pacote de "estímulo" de 787 mil milhões de dólares (fundamentalmente para o "sistema" financeiro, se merece o nome); os 3500 milhões de dólares para investir em energia, em infra-estruturas, no ensino, na saúde, na criação de emprego e no "alívio" do contribuinte; e, principalmente, a indústria automóvel seminacionalizada - tudo isto e o mais que por aí virá alegra a alma adormecida do socialismo. Só que os resultados não parecem famosos (por enquanto?) e, se a crise persistir, não se percebe para que lado se voltará Obama. A cartilha chegou ao fim (sem sequer faltar o fetichismo da ciência) e os dias de festa passam depressa.


O último, que considero particularmente interessante, é do ex-ministro Luís Campos e Cunha, sobre o sigilo bancário:
Desmancha-prazeres-indevidos

Nada me dá mais prazer do que ser desmancha-prazeres de prazeres indevidos. Estou a falar da moda de acabar com o sigilo bancário, da forma como o querem fazer e no momento em que o estão a fazer. Não me refiro a problemas de corrupção ou crimes mais graves ainda, mas tão só da fuga ao fisco.
Antes de mais e para que fique claro: não há sigilo bancário, há muitos anos, para efeitos fiscais. Ainda há dias, quando este jornal afirmava que eu fui contra o fim do sigilo bancário quando ministro, estava incorrecto: não podia ser contra uma coisa que não existia.
Mas, estranhamente, há sigilo bancário para outros crimes bem mais graves. Como num recente debate televisivo ficou claro, se eu contratar alguém para matar um sujeito com quem antipatizo, tenho toda a protecção. Para verem se fui suficientemente honesto para ter pago o servicinho e verificarem a minha conta bancária, só um Juiz da Relação o pode autorizar. Contudo, se um sujeito enviar uma carta anónima a denunciar, com ou sem verdade, que alguém fugiu ao fisco por cem euros, a devassa é total. E legal. É assim há anos mas não devia ser: os valores em causa são muito diferentes.
Os acessos de moralidade, como o recente ataque ao sigilo bancário, acontecem sempre antes das eleições: os políticos (todos ou quase todos) não fogem à demagogia de picarem a inveja da populaça. O momento é perfeito.
Desde que acabou o sigilo bancário que não há trafulhices fiscais com contas bancárias realizadas por qualquer vigarista digno desse nome. Se o trafulha for minimamente inteligente, há muito que usa envelopes com dinheiro. Se não for inteligente, já devia estar na prisão porque a polícia pode facilmente apanhá-lo. Com ou sem sigilo.
Além disso, o dito envelope não só não deixa rasto como pode ficar bem guardado em casa, onde ninguém pode ir sem a autorização de um juiz, naturalmente. E bem.
Mas eu não percebo porque é que o dinheiro em casa tem toda a protecção e o dinheiro no banco fica à mercê de qualquer funcionário.
Outro aspecto em que, na fuga para a frente, ninguém pensa, é que o fim do sigilo bancário tem de ter pesos e contrapesos. Fiscalizar o fiscal é importante. Em Espanha quando, há uns 20 anos, acabaram com o sigilo bancário houve consequências interessantes. Primeiro, passou a ser o país desenvolvido que mais utilizava dinheiro vivo. Ou seja, as caixas do multibanco passaram a ser as mais utilizadas do mundo: tudo tinha de ser pago em notas. Experimente ir às compras e só pagar em dinheiro e verá a trabalheira que dá. Segundo, pequenas lojas deixaram de ter conta bancária, o que fazia as delícias dos ladrões de pequenas quantias. Terceiro, foi descoberto um gang de gente com ligações ao fisco, sediada em Madrid e Barcelona, que se entretinha a extorquir dinheiro aos incautos. Imagine que se descobre que, apesar de pagar os seus impostos, tem uma amante a quem presenteia regularmente com pagamentos que passam pela sua conta bancária. A chantagem é óbvia e fácil. E em todos os países e em todas as organizações há "maçãs podres". Em Espanha, onde não são meigos e a justiça vai funcionando, parou tudo na prisão. Felizmente.
Na fúria antes das eleições, agora tal como em 2004-5, ninguém percebe que o que pode interessar ao fisco são as entradas nas contas (valores a crédito) mas a privacidade de cada cidadão está, no essencial, onde gasta o dinheiro (valores a débito). Basicamente, a fuga ao fisco está no que se recebe e a nossa intimidade está onde se gasta, nos tratamentos de uma doença grave ou a ajudar um amigo ou em jantaradas. Mas o fisco não tem nada com isso. Este aspecto ninguém acautela e a destrinça não é feita.
Outra destrinça importante é que a protecção das pessoas e das empresas deve ser diferente. As pessoas têm intimidade que deve ser protegida, as empresas têm, quando muito, segredos comerciais. São valores bem diferentes e como tal deveriam ter protecções legais também diferentes.
Daqui a uns anos, com os chips nos automóveis, poderemos ter uma discussão parecida. Hoje vão ser colocados chips apenas para fins de controlo banais e está vedada a sua utilização para outros fins. Mas se houver um rapto de uma criança ou um assalto violento ou um assassinato? Quem vai ser contra que se utilizem os chips para outros fins? E se o chefe das secretas, daqui a dez anos, for amigo do primeiro-ministro? E se for ele o próprio chefe das secretas? A desvirtuação para vigilância indevida dos cidadãos, não coloca em risco a nossa liberdade? E se for eleito um tipo com tanto respeito pelos direitos humanos como Bush-filho? E se for ainda pior?
Num país que, ainda não há muitos anos, tinha uma ditadura e uma polícia política estes avanços contra a privacidade e a intimidade dos cidadãos são preocupantes. Com vias-verde, cartões de crédito e contas bancárias vasculhadas, câmaras de vigilância em tudo quanto é sítio, a nossa liberdade passará a ser uma benesse dos políticos no poder. Eu não acredito em benesses, prefiro garantias, regras e contrapoderes. Não percebo o comportamento do PS, que tem particulares responsabilidades nestas matérias. Tem, hoje, uma maioria absoluta e, no passado, foi o bastião da defesa da cidadania. A liberdade está em causa, hoje, porque estamos a criar as condições para que, amanhã, ela possa desaparecer. O Hitler também foi eleito.
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

LEIT(e)URAS [32] os anos do silêncio

Francisco Martins Rodrigues. Os Anos do SilêncioFrancisco Martins Rodrigues foi um antigo militante do PCP, um dos evadidos de Peniche com Álvaro Cunhal. Foi, além disso, um dos primeiros
(ou o primeiro)
dissidente maoista do PCP. Pretendeu fundar ou refundar o Partido Comunista de Portugal com João Pulido Valente e Rui d´Espiney. Criou o CMLP. Falou após ter sido posto à prova nas sessões de tortura da PIDE. Foi um rachado. Tal facto, entre os comunistas, era uma situação insustentável.

É precisamente sobre essa tortura e o que o levou a falar que trata este livro, Os Anos do Silêncio
[Francisco Martins Rodrigues. Os Anos do Silêncio. Lisboa: Dinossauro, 2008, 103 págs].
Um depoimento pungente, de grande dramatismo humano. Para quem queira ter uma ideia da PIDE e do drama humano de uma pessoa sujeita a tortura, leia este livro. Francisco Martins Rodrigues cedeu, numa situação limite de tortura e de dores e sofrimentos atrozes. Sem se convencer. 40 anos depois, FMR tem a coragem da análise. Um homem sofrido.

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

CONSULTÓRIO SENTIMENT[e]AL -7- duas breves

Novamente o Consultório publica uma missiva que não solicita resposta
[nem solicita nem eu me atrevo a inventá-la: trata-se de alguém acima de qualquer conselho -- alto dirigente partidário, devidamente identificado por mim de quem faz o favor de ser amigo, cuja identidade não revelo].
Foi escrita ontem e diz assim:
Caro,

Duas coisas a acabar a manhã de Domingo no escritório:

1. Uma, mais uma, triste notícia - acaba de falecer o António Costa Quinta, médico cardiologista, activo simpatizante do MRPP e do Partido, foi quem participou na libertação do Arnaldo Matos, sacando-o do Hospital Militar da Estrela.

2. Envio em anexo um trecho de um dos contos do Jorge de Sena, inserido nas "Novas Andanças do Demónio", que achei interessante - refere-se, no conto e na parte que envio, ao nosso Camões. Se, dentro da tua bagagem e memória literárias, também achares interessante e sobre a matéria não conheceres muito melhor, aproveita-o, nomeadamente para o blog.

Um abraço.
E o trecho de Jorge de Sena:
O amor para ele fora carne e espírito, tão carne, que nenhum espírito podia estar presente, e tão espírito, que nem toda a carne do mundo, usada dia e noite, chegava para contentá-lo. Até o fastio, que às vezes o afastava longamente de contactos carnais, era uma ardência insatisfeita, que se continha, suspensa e ameaçadora , à espera de esquecer que a carne era sempre igual, e os gestos do amor tão poucos que os sabia já de cor. Mas depois, ao fazê-los, era sempre, como na primeira vez, uma surpresa, uma ignorância curiosa, um receio tímido, uma insegurança doce, um pasmo juvenil, uma alegria nova, um encantamento frenético; era como na primeira iniciação, mas sem a perplexidade e a decepção de o amor não ser mais do que isso, quando a virtude do amor não está em ser mais do que é, mas em ser o prazer de não ser isso mesmo.

Jorge de Sena
Novas Andanças do Demónio
Super Flumina Babylonis
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ANTI-PIRATARIA * 3. partidos piratas

Partido Pirata ArgentinoO Partido Pirata Argentino é contra a cópia de cedês, devedês, programas... Isso, dizem eles, é coisa de putos. O partido
[que tem uma comissão para o meio ambiente e um ministro espia num gabinete ministerial, cuja identidade não revela]
aconselha piratarias mais ousadas.

O Partido Pirata Espanhol está a recolher assinaturas para concorrer às próximas europeias de 2009.

Incitamos os aijesusitas
[os defensores do aijesusismo, a teoria filosófica fundada, desenvolvida e pregada por este blogue]
a visitarem os sítios da web destes partidos e a colaborarem, do modo que entenderem mais atraente, nas suas nobres causas.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

O PSD EM RENOVAÇÃO

Quero expressar aqui o meu pesar pelo afastamento de Luís Filipe Menezes, as poucas possibilidades de Santana e a mais que duvidosa candidatura de Jardim. Detesto Carnaval, mas, deste tipo de humor, gosto.

Manuela Ferreira Leite aparece como a esperança e a tentativa de dar um ar sério à coisa. Não sei se consegue.

Manuela Ferreira Leite foi ministra da educação e das finanças. E penso que não deixou saudades. Estaremos atentos ao que ela dirá sobre os professores, a justiça, a saúde, as finanças. Depois, se vier a ser primeira-ministra
(dizem todos que não chegará lá por causa da idade…),
saber que diferenças iremos notar nas políticas. Estou convencido de que não haverá diferenças. É que o problema do PSD é precisamente esse: não tem políticas alternativas ao PS de Sócrates. Este secou a direita e a esquerda está moribunda. Basta ver as declarações de amor de Júdice e outros que tal ao PS.

Com a entrada em cena de Ferreira Leite perdemos momentos de humor garantidos com Santana e Jardim. Não sei se não era melhor um deles
(os partidos políticos são fundamentais, mas vive-se num período em que a realidade faz crer que não).
escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

na rede [17] FER, TROTSKISTAS BE

Ruptura/FERO Ruptura/FER nasceu da unificação entre a corrente marxista revolucionária que intervém em Portugal desde 1974 e que nos últimos anos se organizou na FER, e os activistas do Movimento Ruptura. O seu 1º Congresso realizou-se em Abril de 2000. O Ruptura/FER é a secção portuguesa da Liga Internacional dos Trabalhadores (IV Internacional). É no marco desta organização internacional que luta por uma sociedade socialista, onde o poder seja exercido democraticamente pelos trabalhadores. Os membros do Ruptura/FER fazem parte do Bloco de Esquerda, impulsionando o debate político e a sua construção.

É assim que o Ruptura/Frente Esquerda Revolucionária Secção Portuguesa da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional é apresentado no seu sítio na Internet. Apesar de integrado no Bloco de Esquerda, a sua integração não é incondicional. A título de exemplo: no último número do seu órgão oficial
Ruptura/FER[clique na imagem, para a ver e ler melhor]

manifesta-se contra a manutenção do acordo do BE com o PS na autarquia de Lisboa.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>