Palestina livre!

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TAUTOLOGIAS

[A pretexto do texto de Sousa Tavares, comentado neste artigo do Ai meu Deus]

O tudólogo Miguel de Sousa Tavares (MST) vive enclausurado entre a opinião e a propaganda. Enquanto produz opinião podemos sempre (se o lermos), dar-lhe o benefício da dúvida; militando na propaganda, dispomo-lo no espaço dos anúncios: consome quem quer. A questão, no entanto, por obra e graça da personagem, podendo resumir-se aos estilos que pratica, tem um alcance que urge explicitar, ora porque as opiniões são infundadas, ora porque a propaganda, sendo o que é, orienta-se engenhosamente pelo engano. Os textos de MST não resistem a uma análise lógica, terapia que o ajudaria a inclinar-se para a verdade, pelo menos dos factos, procurando-a. Dizer que ele é militante da falácia é como condecorá-lo com a “Ordem da Instrução Pública”. Ele sabe (?!) que o raciocínio (defeituoso) é o que mais colhe os descuidados, engrossando o número dos que vociferam com ele, tomando o duvidoso pelo genuíno e o presumível pelo consistente.

MST deve ser tratado, a meu ver, como retórico, sim, aquele que usa a persuaso e que é capaz de ganhar um auditório, não através de premissas sustentáveis, mas usando mentiras que parecem plausíveis, enquanto “verdades”. É assim que ele formula conclusões difíceis de contestar, usando e abusando do artifício. MST usa o ardil porque sabe que o palco, de onde se dirige aos crentes, lhe dá a suposta autoridade que, em conjunto com a larga experiência que o bafeja, lhe permite manipular cidadãos pouco esclarecidos – e são tantos – sobre os complexos meandros do ensino. Muitos são facilmente (e gostam de ser) enganados com tiros furtivos que, deixando feridas, demoram uma eternidade a curar, i. é, a esclarecer.

MST cumpre, aqui, uma função que, para além de ser remunerada por cada palavra, devia valer-lhe, pelo menos uma secretaria de estado. Se a ideia é a instauração de um conflito civil, usando, para já, o belicismo das palavras e o tempero do medo, o cronista, tendo cada vez mais detractores, não deixa de incorporar um exército ululante de fiéis seguidores, prontos para o combate às greves, aos sindicatos (jsd), aos professores, aos servidores do Estado (excepto os boys), aos aposentados (peste grisalha) e a tutti quanti, abarrotando de direitos, se devem contentar apenas com deveres. Daí às novas escravaturas vai um passo (já) menor do que a perna.

MST tem uma especial predilecção pelas sociedades esclavagistas (modernas), ou talvez não. Deve ser essa a sua próxima ficção. Que o encha de felicidade. Sobre as obscenidades que, uma vez mais, propala sobre os professores, para lhe responder, seria preciso desqualificar o nível da prosa e isso, fica inteiramente com ele.

escrito por Jerónimo Costa

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O SR MIGUEL OU É BURRO OU SE FAZ

Há muuuuito tempo que não leio nem ouço Miguel Sousa Tavares. A razão é simples: com frequência,  o sr. Miguel escreve e fala sobre o que não sabe

[numa das últimas vezes que o ouvi, perorava contra a função pública invocando as diuturnidades, que já não existiam há bué de tempo]
-- e, como não sabe, inventa, para defender as duas ou três ideias que não lhe saem da cabeça
[talvez seja isso que impede que lhe entrem outras]. 
Dito de outro modo: é grande o risco de o ouvir/ler dizendo asneira.

Por muita insistência de amigos, acabo de quebrar a jura de o ignorar, lendo um dos textos (publicado no Expresso) onde vai destilando odiozinhos de estimação para ganhar mais uns cobres. Nada de novo: é o habitual chorrilho de tolices, a habitual sessão de pancadaria nos professores, nos ditos privilégios de classe, na dita mediocridade dos profissionais...

A leitura reforçou ainda a ideia de que o sr Miguel (usando linguagem da gente humilde da aldeia onde me criei) ou é burro ou faz-se (numa versão mais polida, ou é palhaço ou faz-se). O texto está construído sobre falácias, de que destaco apenas o seguinte (e já estou, com toda a certeza, a gastar cera a mais com tão ruim defunto):



  1. O sr Miguel parece saber que o argumento no meu tempo era muito pior e a coisa funcionava é, no mínimo, "perigoso" (um argumento estafado, usado por muitos comentadores, que facilmente descamba para a analogia falaciosa, como aqui se prova); por isso diz (e repete) que não o vai usar. Mas usa: usa-o para concluir que "tudo é relativo", que na Finlândia é que é,... e que, em comparação, os professores portugueses trabalham pouco e ganham muito. Não sei por que razão o sr Miguel perdeu tantas palavras nos parágrafos anteriores (será só porque lhe pagam à palavra?), se eles não suportam estas teses, apenas atiradas para o papel (como diria o meu amigo Quim, sou dessa opinião ou da contrária, se necessário for).
  2. Invocando, pela enésima vez, a ideia tola de que a classe docente recusou "a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional - isto é, uma classe onde os medíocres reivindicaram o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes", o sr Miguel avança para a recente greve, "irresponsável" e "leviana" aos exames. Vou ignorar a leitura leviana que o sr Miguel faz da mesma (entendendo-a como sinal exemplar da pouca importância que os professores atribuem à avaliação); chamo apenas a atenção para um belo exemplo da falácia do boneco de palha: o sr Miguel enumera uma série de falcatruas, de pseudo-direitos adquiridos, de regalias,... para as colocar como objetivo da greve e mais facilmente lhe poder malhar. Por que razão o sr Miguel se não concentra na análise objetiva das reivindicações explícitas que levaram à greve?
    Bem sei que é isto que o homem tem feito/escrito, há muitos anos; mas, porra!, vai sendo tempo de mudar a cassete.
  3. O alvo das espingardas do sr Miguel são sempre os mesmos. Quando, por (mais um) exemplo, escreve sobre os trabalhadores que se reformaram antecipadamente, é sobre estes que atira. A elasticidade mental do sr Miguel não é suficiente para, uma vez por outra, se colocar do outro lado do espelho (das causas de tais antecipações -- muitas delas indesejadas pelos próprios aposentados -- e dos responsáveis por essas causas). O que o sr Miguel vê é tão só o seu lado --  o pensamento vulgar (o que vende artigos de opinião) é o que lhe vem à mona.
  4. E o texto termina com mais uma analogia falaciosa: a comparação entre um cirurgião que não pode entrar em greve face a um doente anestesiado para a operação (ou um bombeiro face a um incêndio ou um controlador aéreo face a um avião a aterrar) e um professor que faz greve a um exame. Repito: ou o sr Miguel é burro ou se faz.
    Admitamos que não se lhe possa pedir que saiba, expressamente, que numa analogia válida não pode haver diferenças significativas entre os termos comparados (como existem na sua comparação); admitamos que os seus odiozinhos de estimação lhe anestesiam os neurónios responsáveis pelo raciocínio. Mesmo admitindo isso, custa aceitar que o homem não perceba vagamente que a comparação não é válida e que passam por aí as razões por que no Ensino não há serviços mínimos, ao contrário dos outros serviços que ele invoca.
    Ou será que o homem sabe-o bem -- tão bem quanto sabe que textos menos falaciosos não lhe renderiam tanto?

escrito por ai.valhamedeus [ilustração retirada do artigo do Expresso]

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A LÍBIA E A SÍRIA...

Ao lermos jornais ficamos mais sabedores. Hoje, no Público, o diplomata holandês e especialista em Médio Oriente, Nikolaos Van Dam diz, sobre a influência dos acontecimentos da Líbia na Síria e Iémen:

"poderá encorajar os manifestantes, poderá dar também aos regimes um ímpeto extra para abafar qualquer dissidência".
Isto é, dá para os dois lados e deixa em aberto que tudo poderá ficar na mesma. Eu também quero ser especialista, caramba!

escrito por Carlos M. E. Lopes

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A MALHA

Vicente Jorge Silva (VCJ) é um dos comentadeiros que
[por norma e na rádio e na tv]
ganha a vidinha com reu-beu-beus-pardais-ao-ninho, jorrando discursalhas, que são aturadas pelos colegas de programa. Foi assim, durante longo tempo, na Antena 2, está a ser assim na Sic Notícias.

Há uns minutos atrás
[finalmente e no Frente-a-frente da Sic Notícias],
Ângelo Correia pôs-lhe as rédeas. Que é como quem diz, rigor. Centrando, repetidamente, a discussão no que estava a ser discutido, não permitindo o que VCJ, estrebuchando, chamou de "diálogo" para reclamar o seu direito a falar quando lhe desse na real gana e por quanto tempo ele achasse bem.

Em suma, uma malha valente. Se o meu leitor perdeu os minutos deliciosos deste Frente a Frente, procure-os na Internet. Vale a pena ouvê-los.

[Há outro menino que precisava de rédeas: Sousa Tavares. Mas esse não os tem no sítio -- para enfrentar o contraditório]

escrito por ai.valhamedeus

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JÚLIO MACHADO VAZ

Dado o estado das nossas estações de televisão e rádio, quando alguém aparece nelas com muita frequência, eu torço o nariz: à partida
(pode ser que à chegada não)
é personagem tanguda.

Não sei que tangas anda Júlio Machado Vaz a vender, à hora do almoço
[vejo-o na tasca onde trinco umas febras e bebo uns tintos, mas, felizmente, não lhe ouço a voz],
em programa da RTP onde alterna, entre outros, com a análise criminalo-psicológico-antropológico-psiquiátrica de crimes hediondos feita por Pinto da Costa e com a análise antropológico-mágica de bruxarias, santidades e tradições feita por um outro fulano de que não sei o nome.

Mas Machado Vaz começou, há muitos anos, a vender tangas na rádio pública. E, pelos vistos ou ouvidos, continua. Estava, há pouco, a arengar -- muito psicanaliticamente -- que
[ao contrário dos homens]
as mulheres erotizam as compras, o acto de comprar
["bem, confessava ele naquela sua voz erótica que acompanha todo o seu perfil sensual, eu devo dizer-lhe que também erotizo; os cds, não, mas os livros, sim: gosto de os cheirar, de lhes mexer..."].
Santo Deus! Em tempos de crise, os gajos que contratam o pessoal para as rádios e tvs públicas não vêem onde se pode poupar dinheiro?!

escrito por ai.valhamedeus [foto de Egidio Santos]

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A REVOLTA DA NATUREZA

Nos minutos iniciais do frente-a-frente do Jornal das 9 da Sic Notícias
[quando os dois "enfrentados" destacam o que acham mais importante no momento]
o pê-èssista Vítor Ramalho acaba de proferir esta declaração escatológico-moralo-padrelheco-profundamento-estúpido-tola:
A natureza está a revoltar-se contra o ser humano.

Eu pensava que estas estúpidas interpretações dos fenómenos naturais fizessem parte do património cultural do paleolítico superior ou inferior ou continuassem a ser feitas apenas pelos pastores evangélicos das igrejas marítimas dos crocodilos e jacarés. Mas não: há comentadores que são bem pagos para se mascararem de seriedade intelectualmente profunda e dizerem disparates destes.

Se não estivéssemos em Quaresma, exclamaria um sonoro "foda-se!". Mas, como estamos, calo-me
[para honra e glória de Deus: que Alá, governador-mor da Natureza revoltada, seja louvado!].
escrito por ai.valhamedeus

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MARIA DE BELÉM METRALHA

Não sei como é que se "criam" petições na Internet. Se soubesse, "criaria" uma a exigir que a pê-èsse Maria de Belém fosse proibida de aparecer em qualquer meio de comunicação social onde se pudesse ouvir a sua voz.

A senhora continua uma metralha impossível de ouvir, exprimindo-se num tom de voz irritantemente monocórdico, com um discurso verborreico que diarreiamente sobrepõe ao discurso de todos aqueles que ela supõe oporem-se-lhe.

O interesse que o Frente a frente da Sic Notícias me desperta não é suficiente para obrigar os meus ouvidos a suportar tamanho martírio. Uffff!...

escrito por ai.valhamedeus

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MEDINA CARREIRA

Medina Carreira

Aconteceu-me ver, duas semanas seguidas
[e, em ambos os casos, casualmente],
o programa Plano Inclinado, da Sic Notícias. O formato é simples e comum a outros programas televisivos: um "moderador"
[Mário Crespo],
2 comentadores "residentes"
[Medina Carreira -- segundo parece, autor do figurino do programa -- e João Duque]
e um convidado diferente, cada semana
[hoje, Henrique Neto -- magnificamente lúcido, digo eu, ainda que discordando dele...].
A imagem que se colhe de Medina Carreira é pobre: a gente ouve-o a primeira vez, acha-o ousado, corrosivo, até... mas a seguir cansa-nos a repetir constantemente a(s) mesma(s) ideia(s). Ainda que, eventualmente, concordando com essa(s) ideia(s), a um certo ponto apetece segredar-lhe:
"ó amigo, já sabemos isso! não tem mais nada para dizer? não?! então deixe lá o lugar a outro!...".
escrito por ai.valhamedeus

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MARCELO SANEADO

Marcelo Rebelo de Sousa

Maria Filomena Mónica escreve no I que Marcelo Rebelo de Sousa, afastado da RTP por causa de António Vitorino, é um génio
(no início do terceiro parágrafo),
e diz não acreditar que ele seja “irresponsável, traidor, maldoso, cruel, pernicioso, sinistro, masoquista, covarde, egocêntrico, sádico e infantil”.

Nem eu!...

escrito por Carlos M. E. Lopes

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CITAÇÃO DO DIA * o intelectual

[...] hoje quase não se lê.
[Vasco Pulido Valente, na crónica do Público de hoje: 2009: os livros do ano. As 3 sugestões de VPV são estrangeiras. Para aumentar a sensação de intelectualidade de VPV? Ou porque é
Hilary MantelClaro que Portugal não se interessará por Fallada, MacCulloch ou Mantel
[os autores dos 3 livros escolhidos pelo cronista].
A nossa crise não é só política, económica e financeira.
Fico com a sensação de que quem faz a diferença entre "hoje em Portugal não se lê" e "hoje em Portugal quase não se lê" é VPV. Não fora ele e em Portugal não se lia mesmo.

Fico ainda com outra sensação. Supondo que VPV se interessa por Fallada, MacCulloch e Mantel -- e que Portugal não se interessa... então segue-se que VPV não é português
[ou a lógica já não é lógica?]
escrito por ai.valhamedeus

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A FARSA DE VPV

A crónica de Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, é
[como seria de prever]
sobre as declarações de Saramago. Uma lástima, ao "melhor" estilo da mediocridade que tem caracterizado as reacções públicas às ideias do escritor.

O que VPV faz é atacar Saramago
[em vez de atacar as ideias],
que
"tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele".
Atira depois para o Prémio Nobel, com farpas do género das anteriores: "
"ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita".
Finalmente recorda o que fez no PREC, depois do qual
"Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve".
E sobre as ideias que Saramago tem exposto? Qualificativos, também e nada mais.
"Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito".
Ou seja, Saramago não tem razão, porque o que ele diz é o que dizem os trolhas e analfabetos -- e o que diz essa gentalha, diga o que disser, não é verdade. Belíssimo argumento
[falacioso. Daquelas falácias básicas uqe qualquer aluno do secundário é capaz de identificar... Mas, vindo de um intelectual que nem é trolha nem analfabeto, deixa de ser falácia].
Do mesmo teor de outro argumento
[igualmente muito complexo, sobretudo a partir de determinadas horas da noite, em noites que a sede aperta]:
Saramago não tem razão quando emite opinião sobre a Bíblia, porque
"não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com o tradição epigonal indígena".
De quem é a culpa?, perguntaríamos neste ponto. VPV responde: do "regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos" que "permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha".

Seguindo o tipo de "argumentação" de VPV
[para que ele verifique que há trolhas e analfabetos como eu que também são capazes de chamar nomes],
concluo que é esse mesmo regime de liberdade, aliás excessiva, que permite a qualquer cronista evacuar as asneiras que os uísques fazem ferver nos intestinos e na figadeira, a altas horas da noite, depois de ter desfeito o cérebro em vapores etéreos. Com o pequeno detalhe, que faz grande diferença, de que, no caso destes cronistas, as tralhas evacuadas pagam bem o preço dos uísques emborcados. Louvado seja o Altíssimo!...

escrito por ai.valhamedeus

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UMA CRÓNICA INÚTIL

Vasco Pulido Valente hoje não sabia o que escrever. Vai daí, conta a história da editora do seu livro Glória que lhe comunicou que o livro ia na 5ª edição. Ele não gostou. Acha que lhe deveriam ter comunicado a venda da editora e a reedição da sua obra. Barafusta e nada se percebe.

Será que VPV leu o contrato que assinou? Em Inglaterra não é assim? Que interesse tem uma crónica que nada explica, nem esclarece? Não seria melhor ter a página do Público ficado em branco?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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rapinados 17. APLICADORES

O retrato da semana de António Barreto, no Público de hoje, começa com a análise do manual de instruções para os "Aplicadores" das provas de aferição e termina assim:
Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.
A crónica toda:

A publicação, pelo Ministério da Educação, do Manual de Aplicadores não passou despercebida. Vários comentadores se referiram já a essa tão insigne peça de gestão escolar e de fino sentido pedagógico. Trata-se de um compêndio de regras que os professores devem aplicar nas salas onde se desenrolam as provas de aferição de Português e Matemática. Mais precisos e pormenorizados do que o manual de instruções de uma máquina de lavar a roupa. Mais rígidos do que o regimento de disciplina militar, estes manuais não são novidade. Podem consultar-se os dos últimos quatro anos. São essencialmente iguais e revelam a mesma paranóia controladora: a pretensão de regulamentar minuciosamente o que se diz e faz na sala durante as provas.

Alguns exemplos denotam a qualidade deste manual: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual." "Continue a leitura em voz alta: Passo agora a ler os cuidados a terem ao longo da prova. (...) Estou a ser claro(a)? Querem fazer alguma pergunta?" "Leia em voz alta: Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo, até que eu diga que as voltem." "Leia em voz alta: A primeira parte da prova termina quando encontrarem uma página a dizer PÁRA AQUI! Quando chegarem a esta página, não podem voltar a folha; durante a segunda parte, não podem responder a perguntas a que não responderam na primeira parte. Querem perguntar alguma coisa? Fui claro(a)?" Além destas preciosas recomendações, há dezenas de observações repetidas sobre os apara-lápis, as canetas, o papel de rascunho, as janelas e as portas da sala. Tal como um GPS ("Saia na saída"), o manual do aplicador não se esquece de recomendar ao professor que leia em voz alta: "Escrevam o vosso nome no espaço dedicado ao nome." Finalmente: "Mande sair os alunos, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado(a) pela vossa colaboração"!

A leitura destes manuais não deixa espaço para muitas conclusões. Talvez só duas. A primeira: os professores são atrasados mentais e incompetentes. Por isso deve o esclarecido ministério prever todos os passos, escrever o guião do que se diz, reduzir a zero quaisquer iniciativas dos professores, normalizar os procedimentos e evitar que profissionais tão incapazes tenham ideias. A segunda: a linha geral do ministério, a sua política e a sua estratégia estão inteiras e explícitas nestes manuais. Trata os professores como se fossem imaturos e aldrabões. Pretende reduzi-los a agentes automáticos. Não admite a autonomia. Abomina a iniciativa e a responsabilidade. Cria um clima de suspeição. Obriga os professores a comportarem-se como robôs.

A ser verdadeira a primeira hipótese, não se percebe por que razão aquelas pessoas são professores. Deveriam exercer outras profissões. Mesmo com cinco, dez ou 20 anos de experiência, estes professores são pessoas de baixa moral, de reduzidas capacidades intelectuais e de nula aptidão profissional. O ministério, que os contratou, é responsável por uma selecção desastrada. Não tem desculpa.

Se a segunda for verdade, o ministério revela a sua real natureza. Tem uma concepção centralizadora e dirigista da educação e da sociedade. Entende sem hesitação gerir directamente milhares de escolas. Considera os professores imbecis e simulados. Pretende que os professores sejam funcionários obedientes e destituídos de personalidade. Está disposto a tudo para estabelecer uma norma burocrática, mais ou menos "taylorista", mais ou menos militarizada, que dite os comportamentos dos docentes.

O ano lectivo chega ao fim. Ouvem-se gritos e suspiros. Do lado do ministério, festeja-se a "vitória". Parece que, segundo Walter Lemos, 75 por cento dos professores cumpriram as directivas sobre a avaliação. Outras fontes oficiais dizem que foram 57. Ainda pelas bandas da 5 de Outubro, comemora-se o grande "êxito": as notas em Matemática e Português nunca foram tão boas. Do lado dos professores, celebra-se também a "vitória". Nunca se viram manifestações tão grandes. Nunca a mobilização dos professores foi tão impressionante como este ano. Cá fora, na vida e na sociedade, perguntamo-nos: "vitória" de quem? Sobre quê? Contra quem? Esta ideia de que a educação está em guerra e há lugar para vitórias entristece e desmoraliza. Chegou-se a um ponto em que já quase não interessa saber quem tem razão. Todos têm uma parte e todos têm falta de alguma. A situação criada é a de um desastre ecológico. Serão precisos anos ou décadas para reparar os estragos. Só uma nova geração poderá sentir-se em paz consigo, com os outros e com as escolas.

Olhemos para as imagens na televisão e nos jornais. Visitemos algumas escolas. Ouçamos os professores. Conversemos com os pais. Falemos com os estudantes. Toda a gente está cansada. A ministra e os dirigentes do ministério também. Os responsáveis governamentais já só têm uma ideia em mente: persistir, mesmo que seja no erro, e esperar sofridamente pelas eleições. Os professores procuram soluções para a desmoralização. Uns pedem a reforma ou tentam mudar de profissão. Outros solicitam transferência para novas escolas, na esperança de que uma mudança qualquer engane a angústia. Há muitos professores para quem o início de um dia de aulas é um momento de pura ansiedade. Foram milhares de horas perdidas em reuniões. Quilómetros de caminho para as manifestações. Dias passados a preencher formulários absurdos. Foram semanas ocupadas a ler directivas e despachos redigidos por déspotas loucos. Pais inquietos, mas sem meios de intervenção, lêem todos os dias notícias sobre as escolas transformadas em terrenos de batalha. Há alunos que ameaçam ou agridem os professores. E há docentes que batem em alunos. Como existem estudantes que gravam ou fotografam as aulas para poderem denunciar o que lá se passa. O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de Educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.

escrito por ai.valhamedeus

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BELÉM, MÁQUINA FALANTE

Manuel Alegre e Maria de Belém

Neste país, onde há comissões para quase tudo, quando é que se cria uma comissão para avaliar que pessoas podem ir
(ou quais estão proibias de ir)
à tv? Sou candidato a presidente da dita, para propor, logo no início da primeira reunião, que seja impedida de aparecer nos ecrãs uma monocórdica máquina falante que dá pelo nome de Maria de Belém
[avisando, nomeadamente, a SIC Notícias da pesada multa em que incorre, se insistir em a pôr no ar].
Uma máquina com muitas bocas, mas sem qualquer vestígio de qualquer ouvido: a gente ouve-a a debitar montanhas de palavras, sem silêncio entre elas, a sobrepor a voz estridente à de toda a gente que esteja a falar quando era suposto ela estar calada... e chega-se ao fim com uma irritação de criar úlceras.

A bem da saúde psicológica nacional, é urgente acabar com esta peste. Uffff!...

escrito por ai.valhamedeus

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ESSE RAPAZ A QUE CHAMAM MIGUEL

Esse rapaz a que se dá o nome de Miguel Sousa Tavares veio à TVI comentar notícias em directo. Parece que o faz todas as quintas-feiras.

Hoje deu que a Câmara Municipal de Viana do Castelo comprou a praça de Touros da cidade e vai transformá-la em Museu. O rapaz está contra. A notícia dizia que se realizava uma corrida por ano, nas festas da Agonia
(apropriado nome).
E o rapaz está contra porquê? Porque não se deve proibir que as pessoas se divirtam, num recinto fechado
(a violência doméstica também é praticada em recinto fechado e com muito menos gente a presenciar).
As pessoas são livres.

O rapaz é um animal. Ouvi a notícia e pasmo-me como uma criatura destas é paga para dizer tais dislates. Não ouvi em parte alguma alguém dizer que era proibida a corrida de toiros em Viana do Castelo. A Câmara comprou o recinto e vai transformá-lo noutra coisa. Ninguém coarctou o direito de ninguém. A Praça foi vendida
[já agora, onde estavam os aficionados, que não impediram a venda da Praça?]
Aqui já não serve o estafado argumento do mercado e da oferta e da procura?

Sem cuidar de saber se tal actividade deve ser proibida ou não, o que se passou foi que uma câmara comprou uma Praça de Toiros e a vai transformar num Museu. Nada mais. Onde está a limitação à liberdade
[já agora, sabem que em Barcelona se acabou com as corridas de toiros?]?
Se a TVI me contratasse, juro que dizia menos disparates; quando não soubesse, calava-me. Mas ninguém cala o rapaz que vive
(como diz o meu amigo Paulo)
de duas ou três ideias há uma série de anos.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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RECEBIDO POR EMAIL -90- prenda de natal

Acabo de receber por email a primeira prenda de Natal deste ano. É um livro, em formato pdf, que eu nunca li, de um autor de quem nunca li livro nenhum
[nem tenho intenção de ler].
Acompanha-o um bilhete que diz o seguinte:
"Os professores são os inúteis mais bem pagos deste país" !!!!!!
- Miguel.Sousa.Tavares.

Ora como "os inúteis mais bem pagos deste país" já lhe deram alguns milhares de euros a ganhar, resolveram agora e mais uma vez fazer uso da sua inutilidade e dar este presentinho de Natal a todos os outros inúteis que o queiram ler...

[o presentinho é o livro Equador].
Se me não engano, já ouvi o Sr. Miguel declarar na tv que jamais teria dito o que foi espalhado como uma declaração sua e é citado no bilhete supra
[eu próprio fiz uma pesquisa, em tempos, e também não encontrei essas palavras tais quais. Mas essa é a ideia que o sr. Miguel transmite sempre que encontra um pretexto].
Independentemente disso
[e do facto de que, mesmo assim, não lerei o livro agora oferecido],
a ideia da prenda tem alguma graça
[acabando -- ai Jesus! -- por fazer publicidade ao homem]...
escrito por ai.valhamedeus

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OFENSIVA GLOBAL

A equipa de marketing do governo pê-èsse lançou uma ataque global aos professores, possivelmente para atenuar o efeito de duas manifestações gigantescas e de uma greve gigantesca dos docentes. Refiro aqui 2 episódios recentes dessa ofensiva:
  • O ataque do pê-èsse Mário Soares (pMS). Dizia ele, esta semana, que admirava a coragem da ministra. Ou pMS está xexé ou saberá que a coragem é uma característica que em si nem é boa nem má. Porque, a ser sempre boa/admirável, pergunto a pMS se admira, por exemplo, a coragem daqueles que se atam numa bomba e a fazem explodir matando-se
    [extrema coragem?!]
    e matando outros. Ou se admiraria, por exemplo, a coragem de quem conseguisse, eventualmente à custa da própria vida
    [extrema coragem?!]
    furar a vigilância
    [extrema inteligência?!],
    entrar numa reunião plena do governo e fazer ir tudo e todos pelos ares.

  • O segundo ataque é feito hoje no DN pela
    [real ou putativa]
    namorada do presidente do conselho de ministros: a jornalista Fernanda Câncio. Conclui a Câncio assim um texto que intitulou Olhem que não, stôres!: a classe dos professores portugueses não é "uma classe mártir e explorada. Antes pelo contrário".

    E invoca dados de um relatório da OCDE sobre educação, para defender que "a comparação entre o tempo total de trabalho, o ratio professor/aluno e o nível salarial dos professores portugueses com os seus congéneres europeus (e não só) é, [...] muito favorável" aos lusitanos. "A nível do ensino básico, o ratio professor/estudante é de um para 11, abaixo da média da OCDE (16); e no secundário é o mesmo, também abaixo da média (13)". Bem... isto é de risada geral! Não sei que raio de contas são essas, mas... menos de 13 alunos por professor?! Sou professor há mais de 33 anos e, portanto, pertenço ao grupo dos docentes com menos alunos; no início da próxima semana, vou exigir que me retirem os alunos que tenho a mais -- isto é, vou exigir ficar só com uma turma e, dessa, apenas com metade dos alunos.

    E a Cância continua escrevendo que "Portugal está, nesse grupo [da OCDE], entre os que melhor paga aos professores" e que "a partir de 15 anos de carreira sobem na escala, ultrapassando a Suécia, a Itália e a Noruega".

    Já em tempos aqui publiquei 2 quadros comparativos sobre este assunto. Os dados do referido relatório da OCDE
    [que são de 2006]
    mostram que a Cância mente: considerando os professores com pelo menos 15 anos de serviço, dos países da OCDE analisados, em 20 deles os professores são mais bem pagos, sendo que em Portugal os seus salários estão abaixo da média europeia
    (32.866 dólares contra 40.465)
    e apenas em 7 países da OCDE os professores ganham menos
    [a aproximação faz-se apenas no topo da carreira; no início da carreira, a comparação é desastrosa para os professores portugueses: apenas ganham menos os professores da República Checa, Hungria, México e Nova Zelândia]:
Salários dos professores portugueses
Ainda palavras da Cância: "Por fim, o tempo total de trabalho exigido aos professores portugueses (1440 horas/ano) está mais de 250 horas abaixo da média da OCDE".

Sem comentários
[apenas com uma pergunta: quem terá encomendado o sermão à Cância?],
a propósito, deixo aqui o 2º dos quadros que publiquei no texto que acima referi, com o lugar de Portugal assinalado:
Tempo de trabalho dos professores portugueses
escrito por ai.valhamedeus

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AS ADIVINHAÇÕES DE MARCELO

As escolhas de MarceloOntem, na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou ao país uma descoberta que tinha feito ao analisar declarações de Mário Nogueira: que os Sindicatos/Professores não ficariam pela queda deste modelo de avaliação, mas que a seguir iriam combater o Estatuto, designadamente as quotas e a divisão da carreira.

Se Marcelo se informasse
[e para tanto bastaria, por exemplo, consultar o site da Fenprof; aí se reproduz a declaração para acta que inclui memorando do entendimento, onde a plataforma sindical exprime claramente a sua posição em relação a esse assunto],
saberia que sempre os Sindicatos e os Professores foram bem explícitos sobre o que pretendem. Só que estes comentadores mandam uns palpites, sem grandes preocupações por se informarem. E depois... descobrem a América mais de 500 anos depois de a América estar descoberta...

escrito por ai.valhamedeus

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O SR. MIGUEL É BURRO


Nos tempos mais recentes, uma coisa me vinha intrigando: duas manifestações

[para simplificar, tomo-as como ponto de referência, mas sei que não foram só elas que conseguiram esse efeito]
de professores
[ambas significativas, ainda que eventualmente por razões não coincidentes, mas ambas coincidentes nos objectivos]
conseguiram pôr as causas dos professores na agenda do país de tal modo
[de tal modo insólito na História da classe docente]
que parecia não haver mais Portugal
[as tvs foram o sinal mais visível do facto]
para além da avaliação dos docentes. Quero dizer: estranhamente, o governo parecia ter perdido o controlo do País no que se refere à publicidade/marketing de massas
[e este governo pê-èsse tem sido exemplar nesse controlo].
Levou
[algum]
tempo, mas a profissional máquina propagandística do governo está novamente em acção: foi a grande encenação do conselho de ministros, foi a grande encenação da conferência de imprensa, foi o reforço na grande entrevista da ministra hoje na rtp... e a máquina parece estar novamente em funcionamento pleno.

No referido período intrigante, houve muitos factos significativos, entre os quais justamente se pode incluir, como exemplo, a ausência de comentários do sr. Miguel
[que bufa sempre que ouve falar em Fenprof/professores]
num "telejornal" onde a luta dos professores esteve saliente. Mas, significativamente, não foi preciso esperar muito tempo para que o sr. Miguel tivesse voltado a atacar os professores
[quero dizer, a asneirar]:
fê-lo hoje mesmo, no seu tempo de antena de comentador da TVI.

Não vou perder muito tempo com o sr. Miguel. Por ele, não perderia nenhum, que não tem ele valor que justifique o tempo que perco. Só que o sr. Miguel tem sido pião/peão do tabuleiro de xadrez do marketing governamental e reforça a propaganda mentirosa do governo
[e este papel não é inócuo].
Salientem-se, pois, algumas ignorâncias do sr. Miguel:
  • os professores são o único corpo da função pública que ainda não tem avaliação.
    Asneira dupla:
    a) se isso fosse verdade, não provaria nada: poderia ser o único caso em que não se aplicaria um modelo injusto
    [bastaria, para tal, que a avaliação nos restantes corpos da função pública fosse injusta -- e não está afastada a hipótese de tal acontecer];
    b) os professores não estão neste momento a ser avaliados porque o modelo que o ministério impôs é impraticável;

  • os resultados dos alunos têm que ser tidos em conta na avaliação dos professores; caso contrário, como é possível avaliar os resultados da actividade docente?
    Pelos vistos, a ignorância do sr. Miguel não lhe permite perceber que
    [querendo mesmo avaliar a qualidade do trabalho do professor]
    a qualidade do trabalho do professor não se mede necessariamente pelos resultados dos alunos; porque os resultados dos alunos não dependem apenas dessa actividade, mas de uma série de factores que o professor não domina. No limite, a actividade do professor pode ser medíocre e os resultados dos alunos, bons
    [basta, por exemplo, que os pais dos alunos lhes proporcionem explicações];
    ou a actividade do professor pode ser óptima e os resultados dos alunos, insatisfatórios
    [basta, por exemplo, que os alunos tenham tido ensino menos bom em anos anteriores ou que tenham background limitador. E isto é perfeitamente possível e real: é só comparar escolas entre si e, dentro das escolas, turmas entre si].
  • se os professores querem mesmo ser avaliados, eles/os sindicatos que apresentem propostas de modelos de avaliação; mas eles não apresentam...
    Ignorância crassa ou má fé do sr. Miguel
    [ou ambas as coisas].
    Quando houve discussão de modelos de avaliação
    [o sr. Miguel talvez ignore, mas esta discussão não é recente. Mais: esta discussão, a sério, é anterior; recentemente não tem havido discussão, apenas negociação aparente -- a negociação que tem que ser por força legal],
    os sindicatos sempre apresentaram propostas alternativas
    [a Fenprof, que eu conheço melhor, pelo menos, fê-lo. A Fenprof, pelo menos, tem propostas recentes e públicas: bastaria ao sr. Miguel consultar o site conhecido daquela frente sindical].
  • os professores, como qualquer classe profissional
    [como nós aqui, disse o sr. Miguel ao jornalista],
    sabem como distinguir os bons dos maus professores. E seria fácil indicar como.

    Finalmente estou de acordo com o sr. Miguel. Só que o sr. Miguel, porque é burro ou de má fé, não tira daí as consequências. Se os professores sabem como é que isso é possível sem burocracias
    [e sabem],
    então o governo que os ouça! Mas o governo não ouve: impõe. E é isto que o sr. Miguel não sabe ou, sabendo, não diz
    [a verdadeira questão está noutro lado, de que o sr. Miguel saberá ou não: é que a lógica dos professores não é a lógica do governo. O governo não quer distinguir a sério os bons dos maus professores; o que o governo quer é que haja x% [x=a maioria] de professores que fiquem eternamente nos escalões mais baixos da hierarquia salarial].
    Esta não é a lógica dos professores, nem a lógica ética, nem a lógica do autêntico reconhecimento da qualidade profissional nem a lógica que interessa à qualidade do ensino.

  • O que os professores/sindicatos querem é a cabeça da ministra e teimosamente, como sempre, não desistem disso.

    E o sr. Miguel não desiste de ser ignorante. Eu já tenho aqui justificado a ideia de que esta luta não é contra pessoas
    [embora, a mim, esta equipa ministerial me provoque vómitos. Mas isso é outra estória],
    os sindicatos insistem nessa ideia, o que os professores querem é a mudança de políticas... Só o sr. Miguel não percebe isso. Ou percebe mas finge o contrário. Ou não percebe mesmo e nem tem tempo e/ou capacidade para perceber
    [a esta gente, que é ignorante mas teima em falar como se o não fosse, eu chamo burros. Ou me engano muito, ou o sr. Miguel é burro].
escrito por ai.valhamedeus [foto de Jerónimo Costa]

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SOUSA TAVARES ASSALTADO

Miguel Sousa Tavares foi assaltado e levaram-lhe o romance que estava a escrever. A literatura já fez saber, em comunicado divulgado pela LUSA, que agradece.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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