Palestina livre!

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rapinados 24. APRENDENDO A RIR... COM REMBRANDT

O jovem que não chora é um selvagem, mas o velho que não ri é um néscio.

 “El joven que no llora es un salvaje, pero el viejo que no ríe es un necio”, decía el filósofo George Santayana. Es una frase profundamente conmovedora; y creo que he tenido que llegar a los alrededores de la vejez para poder comprenderla en toda su sabiduría. Las palabras de Santayana me recordaron uno de mis cuadros preferidos; se trata de un autorretrato de Rembrandt, el último del centenar de autorretratos que se hizo. Lo pintó más o menos un año antes de morir y es un cuadro casi monocromático, una explosión de ocres, de luces doradas y brillos que se apagan entre las sombras. Por entonces el artista debía de tener 62 años (murió a los 63), pero parece ancianísimo. Rembrandt fue un hombre muy vital y probablemente supo ser feliz en muchas ocasiones. Alcanzó un tremendo éxito como pintor siendo muy joven, tuvo varios amores, se casó en segundas nupcias con una mujer a la que adoraba. Pero luego la vida le pasó factura. Su inmenso talento le impidió seguir siendo el artista comercial que triunfa haciendo los retratos complacientes que le pide el mercado. Eligió pintar cada vez mejor y de manera más auténtica, y eso le hizo perder la clientela. Su éxito terminó, los encargos dejaron de llegar y se llenó de deudas. Para comer tuvo que venderlo todo, incluso su colección de arte. Cuando murió estaba en la más completa miseria.

Saber gozar del presente es un don precioso, comparable a un estado de gracia

El Rembrandt que pintó el último autorretrato era este hombre olvidado y arruinado. Y no sólo eso: para entonces había enterrado a su primera mujer, y luego también a su segunda y muy amada esposa, fallecida prematuramente pese a que era mucho más joven que él; por último, también había tenido que soportar la muerte de su hijo Titus. Y, sin embargo, pese a toda esta devastación, o seguramente por todo eso, el Rembrandt de este autorretrato sonríe. Asomado de escorzo a la ventana del lienzo, el pintor nos contempla y parece decirnos: mirad, esta es la vida, la gran broma pesada de la vida, así es la inocencia de los humanos, así el afán, el fulgor, el dolor. Es una sonrisa triste, pero serena e inmensamente sabia.

“El arte es una herida hecha luz”, decía el pintor francés Georges Braque. Otra frase certera que me viene a la cabeza cuando recuerdo este cuadro de Rembrandt. La luz otoñal del rostro del pintor emerge de las tinieblas del fondo, de la oscura herida de la vida, cauterizando y suavizando su dolor y el nuestro. Por lo menos, Rembrandt tuvo su arte hasta el final (el valor de seguir pintando, de no rendirse). Por lo menos, nosotros tenemos a Rembrandt. El arte nos salva, la belleza nos salva, y la vida, si se vive con conciencia de vivir e intentando aprender de lo vivido, quizá nos proporcione esa comprensión final, ese entendimiento apaciguado que permite que aflore la sonrisa.

[rapinado daqui]

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 23. AS TETAS DE SOARES DOS SANTOS



O senhor Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, é, para além de gestor, um expert em assuntos relativos à arte de "mamar nas tetas do Estado" e um prestigiado pedagogo das manifestações de rua.

"Sou a favor de manifestações que tenham conteúdo. Que no fim da passeata apresente alguma coisa. Não é com Grândolas Vilas Morenas que a gente resolve nada" – defendeu, durante a apresentação dos resultados da empresa em 2012. Pois não, é a levantar vinte euros no multibanco de cada vez que queremos gastar vinte cêntimos no Pingo Doce. Isso sim, é luta.

Ninguém estava à espera que a Jerónimo Martins anunciasse os resultados líquidos de 360,4 milhões de euros referentes a 2012 ao som de música de intervenção. Agora, seria expectável, até aconselhável, num ano em que quase todos os portugueses saíram a perder, que um (dos poucos) que saiu a ganhar – milionário – tivesse algum decoro ao falar de assuntos que lhe passam ao lado.

Com lucros destes, muito português guardava os vinis do Zeca Afonso no baú, pendurava a boina e ia viver para um paraíso qualquer. Fiscal ou não. Daqueles em que a sede do banco é uma cabana de colmo, o céu é azul, o mar é quentinho e onde até as palmeiras sorriem.

Não satisfeito, Soares dos Santos decidiu dar mais um conselho aos pobres. Aparentemente, também especialista em subsídios, provavelmente pelas muitas horas passadas à porta da Segurança Social,   afirmou o senhor que "andamos sempre a mamar na teta do Estado". "Porquê, porquê?" – questionou indignado, quase irado, como se alguém lhe estivesse a ir ao bolso.

Ora bem, a propósito de "passeatas" e de "mamar do Estado", recordo a Soares dos Santos as seguinte notícias:

"Soares dos Santos muda participação na Jerónimo Martins para a Holanda – Os 56% que a família Soares dos Santos detém na Jerónimo Martins, dona da marca Pingo Doce, passaram a ser controlados indirectamente, através de uma sociedade com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal (...)". "Soares dos Santos garantiu que não tinham sido os impostos a levar a empresa para a Holanda. Admitiu, contudo, que poderá ter vantagens fiscais no futuro devido a esta alteração da holding que detém acções na Jerónimo Martins."  (Expresso e Negócios Online)

Infelizmente, hoje em dia, nem todas as famílias podem tomar "opções". Continuam, em desespero, a ser ordenhadas pelo Estado até o leite sair em pó. Enquanto isso, os de sempre, com as tetas bem sedeadas na Holanda ou noutro país qualquer, para fugir à sede (e à sede!) do Estado português, que assim não pode mamar o doce pingo delas como desejaria, estão, a cada dia que passa, mais "afortunados" e, principalmente, mais moralistas e hipócritas.

[Tiago Mesquita in Jornal Expresso]


escrito por Gabriela Correia, Faro

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rapinados 22. CARTA AO PAI NATAL

Rapinado de Olhares:

QUERIDO PAI NATAL,

Este ano você levou o meu cantor e dançarino preferido, Michael Jackson,
o meu actor preferido, Patrick Swayze
e a minha actriz preferida, Farrah Fawcett...

Quero lembrar-lhe que o meu político preferido é o José Sócrates.
Obrigado!
escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 21. O QUE É A LITERATURA?

Que é que nos leva a dizer de certas obras que são literatura?
O texto de Augusto Abelaira a seguir reproduzido começa com esta interrogação -- e termina com várias outras. Pelo meio, problematizações muito interessantes do fenómeno literário. Mais perguntas do que respostas, que o saudoso Augusto Abelaira publicou na sua secção Ao Pé das Letras, no JL nº 104, de 3 a 9 de Julho de 1984.

Que é que nos leva a dizer de certas obras que são literatura, negando a outras igual classificação? Falar na qualidade nada resolve, como se sabe. E a pergunta torna-se ainda mais perturbadora se considerarmos que um texto, o mesmo texto, pode começar por não ser literatura e, depois, transformar-se nela.

Dou um exemplo: em A Queda dum Anjo encontramos alguns parágrafos geniais, incluídos no discurso que uma das personagens da novela pronuncia no parlamento. Mas quando acabamos a leitura, fascinados pela arte de Camilo, caímos das nuvens: o autor confessa que se limitou a transcrever de um ministro da Justiça aqueles parágrafos.

E aqui está: aquele mesmo texto que, escrito pelo ministro, não era literatura mas um conjunto de disparates, transformou-se em literatura. Apenas porque foi transcrito por um grande escritor e porque mudou de local? Que diabo, as frases não são exactamente as mesmas? As coisas podem ser e deixar de ser assim tão simplesmente?

Exemplo às avessas, o panfleto de Swift a aconselhar que se comessem as crianças irlandesas, ainda hoje considerado uma obra-prima literária. Mas se supusermos que ele foi escrito «a sério», então deixará de ser uma obra-prima literária.

Simplesmente: como sabemos nós que não foi escrito «a sério» ou que a sua seriedade se coloca num plano estranho à seriedade habitual? A verdade é que no referido texto nada se diz sobre isso e temos de recorrer a outras fontes. Donde concluo: para saber se uma dada obra é ou não literatura necessitamos de informações suplementares, fora do texto, que nos expliquem as intenções do autor e as condições em que foram publicadas? Esta resposta que articulo sob forma interrogativa parece-me algo insatisfatória, mas, francamente, não conheço outra.

O Diário da República acaba de publicar um louvor do ministro José Augusto Seabra. Como todos os louvores, louva. Quem? Duas pobres criancinhas, «pela coragem e abnegação que demonstraram no cumprimento de um dever legal e cívico» — o que as obriga a andar quatro horas a pé, todos os dias, «correndo riscos de saúde e de vida». De certo porque previamente se informou de que elas cumprem esse dever espontaneamente e não sob a ameaça de castigos paternos, o ministro oferece-lhes além do louvor os livros e o material didáctico necessários, já que oferecer-lhes um autocarro seria excessivo.

Ora bem: o gesto e a prosa de Seabra, em si mesmos, também são dignos de louvor, mas o texto, ao fim e ao cabo, não consegue ser literatura. Provoca uma certa emoção, talvez mesmo algum espanto (esse espanto que está na base da filosofia, como afirmava Aristóteles), mas não é literatura. E todavia...

Suponha-se que não foi escrito «a sério», que não foi publicado por um ministro no Diário da República. Que foi escrito pelo mesmo José Augusto Seabra para caricaturar um ministro e, então, ele passará a ser literatura e da boa; reveladora até de um grande sentido do humor. Como José Augusto Seabra também é escritor, ele poderá perfeitamente publicá-lo mais tarde, fora do presente contexto, nas suas obras completas — e será literatura. Digamos que é um texto recuperável se nos esquecermos das condições em que foi publicado e das intenções que o ditaram.

E de novo pergunto: que é que nos leva a dizer de certos textos que são literatura, negando a outros (às vezes ao mesmo) essa classificação?

Não estaremos em condições de julgar A Ilíada, pois ignoramos as condições em que foi escrita (ou recitada)? Não nos basta ler A Ilíada para saber se estamos perante uma obra literária (que deveremos admirar) ou uma obra não literária (que não deveremos admirar)? O segredo não está no texto mas fora do texto?

[clicar na imagem, para ler]
escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 20. O SANTO DOS PORRES

Pelo S. Martinho prova o teu vinho. Depois do Natal, a festa de S. Martinho é a mais comemorada em Portugal. Dia de grande porre nacional, pois é quando se prova o primeiro vinho da colheita anual. Um dos grandes mistérios da Igreja — para mim — é misturar o nome de S. Martinho de Tours com água-pé, castanhas e febras na brasa. Nada na vida do santo faz conotá-lo com comedorias e bebedorias. A sua história, não tem a ver com a tradição popular dessa época. Então, viva a tradição e vamos provar o vinho.


S. Martinho nasceu no ano de 315 ou 316 em Sabária da Panónia, actual Hungria, filho de pais pagãos. O pai era oficial do exército romano e foi destinado a Pavia, onde o filho recebeu a primeira educação.

«Aos dez anos» — escreve José Leite, S. J., in Santos de Cada Dia — «pediu para entrar na Igreja contra a vontade dos seus e pensava mesmo em retirar-se para o deserto. Para o libertar das influências cristãs, aos 15 anos o pai inscreveu-o no exército e obrigou-o ao juramento militar. Tratava o seu impedido em pé de igualdade, pois com ele comia, servia-o à mesa e até lhe limpava o calçado.» Baptizado aos 18 anos, foi logo ordenado como exorcista, por S. Hilário. Em Abril de 360 retira-se para um lugar chamado Ligugé, junto a Poitiers, onde construiu uma cabana e ali permanece 11 anos, entregue à oração e à penitência. Poucos anos antes de ser eleito bispo de Tours (contra a sua vontade), em 371, funda junto da cidade o mosteiro de Marmoutier, onde acolhe os primeiros discípulos. Dali saiu, entre outros, S. Patrício, o apóstolo da Irlanda. Marmoutier foi um grande centro de evangelização.

Considerado o pai do monaquismo francês, Martinho de Tours foi o grande introdutor do cristianismo na Gália romana. Na França há 485 aldeias e 3667 paróquias com o seu nome e a si devotadas. S. Martinho é padroeiro dos hoteleiros, cavaleiros e alfaiates; é invocado especialmente como protector dos gansos. Foi patrono da dinastia carolíngia. E em França, Inglaterra e Sacro Império foi santo muito popular devido às suas acções cavaleiresco-episcopais.

A sua fama de santidade nasce quando, sendo ainda catecúmeno, em Amiens, em pleno Inverno, de volta dum passeio matutino, um pobre, meio nu, estendeu-lhe a mão, pedindo esmola. Martinho tirou o manto militar, cortou-o ao meio com a espada e entregou metade ao mendigo. Críticos dessa meia-generosidade ironizaram o facto de ele não ter dado a capa inteira, talvez por ser Inverno... E aí outro «milagre» aconteceu em defesa do santo: a sua festa litúrgica, 11 de Novembro (embora tenha morrido no dia 8), costuma ser um belo dia de Verão — o Verão de S. Martinho.

A CONFUSÃO — Houve um outro S. Martinho, de Dume, natural da mesma Sabária da Panónia, dois séculos depois, que chegou a ser bispo de Braga, reputado como o homem mais ilustrado do seu tempo, tendo fundado no século VI o mosteiro de Dume, nos arredores de Braga, e tido como o grande convertor dos suevos para a religião católica.

Sobre S. Martinho de Dume escreveu Gregório de Tours, entre 591 a 594, contando mais um milagre do santo da Galícia: achava-se um dia o rei Miro na cidade em que seu sucessor tinha edificado a basílica de S. Martinho (de Dume), e em frente ao pórtico havia uma ramada de uvas, que o rei havia proibido que lhes tocassem, pois pertenciam ao santo. Como um servo desobedecesse e fosse colher um cacho, secou-se-lhe imediatamente a mão direita. Acudiu o rei e quis cortar-lha; atendendo, porém, aos rogos que lhe fizeram, voltou à igreja e foi chorar o delito do servo aos pés do altar. S. Martinho dignou-se curar o delinquente.

Devem ser essa «ramada e esse cacho de uvas» que fizeram ligar e confundir S. Martinho de Tours com o de Dume, transformando-o no santo do vinho.

Na minha opinião, quem deveria ser o santo protector do vinho é Martinho de Porres, nascido em 9 de Dezembro de 1579, em Lima, no Peru, e morto em 1639, a 3 de Novembro, dia em que é festejado. S. Martinho de Porres é padroeiro dos mulatos e é invocado para afugentar os ratos. Mas quando o leitor «amarrar» um porre, daqueles de trocar Jesus Cristo por Vitorino Nemésio, em vez do falso padroeiro do vinho, apegue-se ao santo peruano, ele deve ser do ramo. De porre ele entende.

[rapinado do jornal desportivo A Bola de 10/11/1994]

nota do Ai Jesus!: manteve-se o substantivo porre, em vez de o substituir por, mais utilizado no português europeu, bebedeira. Ou chiba. Ou cabra.

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 19. SAUDAÇÃO AO NOVO GOVERNO

O país

[seja lá isso o que for]
tem novo governo.

Como bom patriota
[seja lá isso o que for],
saúdo os que
[com sacrifício da sua vida pessoal, profissional, social,... e até outros]
vão salvar o país da perdição em que se afundaria se não fosse governado. Para poupar esforços, aproveito uma ideia bem esgalhada que rapinei do Anacruses:

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 18. MENDICIDADES

[clique na imagem para ler]

A mendicidade no século XIV:
uma esmola, por caridade!

A mendicidade no século XX:

tenho fome [1]
A mendicidade na actualidade:

por favor, deixa-me um comentário no meu blogue?...

[1] tira digitalizada de PC Today nº 233. Como se percebe pela imagem, o pobre do século XX é espanhol: o "letreiro" tem um erro -- escreve Tengo ambre, quando deveria ser Tengo hambre. Mendigo analfabeto, portanto! Traduzi sem erro, porque, dada a elevadíssima taxa de alfabetização, em Portugal até os mendigos são instruidíssimos.

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 17. APLICADORES

O retrato da semana de António Barreto, no Público de hoje, começa com a análise do manual de instruções para os "Aplicadores" das provas de aferição e termina assim:
Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.
A crónica toda:

A publicação, pelo Ministério da Educação, do Manual de Aplicadores não passou despercebida. Vários comentadores se referiram já a essa tão insigne peça de gestão escolar e de fino sentido pedagógico. Trata-se de um compêndio de regras que os professores devem aplicar nas salas onde se desenrolam as provas de aferição de Português e Matemática. Mais precisos e pormenorizados do que o manual de instruções de uma máquina de lavar a roupa. Mais rígidos do que o regimento de disciplina militar, estes manuais não são novidade. Podem consultar-se os dos últimos quatro anos. São essencialmente iguais e revelam a mesma paranóia controladora: a pretensão de regulamentar minuciosamente o que se diz e faz na sala durante as provas.

Alguns exemplos denotam a qualidade deste manual: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual." "Continue a leitura em voz alta: Passo agora a ler os cuidados a terem ao longo da prova. (...) Estou a ser claro(a)? Querem fazer alguma pergunta?" "Leia em voz alta: Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo, até que eu diga que as voltem." "Leia em voz alta: A primeira parte da prova termina quando encontrarem uma página a dizer PÁRA AQUI! Quando chegarem a esta página, não podem voltar a folha; durante a segunda parte, não podem responder a perguntas a que não responderam na primeira parte. Querem perguntar alguma coisa? Fui claro(a)?" Além destas preciosas recomendações, há dezenas de observações repetidas sobre os apara-lápis, as canetas, o papel de rascunho, as janelas e as portas da sala. Tal como um GPS ("Saia na saída"), o manual do aplicador não se esquece de recomendar ao professor que leia em voz alta: "Escrevam o vosso nome no espaço dedicado ao nome." Finalmente: "Mande sair os alunos, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado(a) pela vossa colaboração"!

A leitura destes manuais não deixa espaço para muitas conclusões. Talvez só duas. A primeira: os professores são atrasados mentais e incompetentes. Por isso deve o esclarecido ministério prever todos os passos, escrever o guião do que se diz, reduzir a zero quaisquer iniciativas dos professores, normalizar os procedimentos e evitar que profissionais tão incapazes tenham ideias. A segunda: a linha geral do ministério, a sua política e a sua estratégia estão inteiras e explícitas nestes manuais. Trata os professores como se fossem imaturos e aldrabões. Pretende reduzi-los a agentes automáticos. Não admite a autonomia. Abomina a iniciativa e a responsabilidade. Cria um clima de suspeição. Obriga os professores a comportarem-se como robôs.

A ser verdadeira a primeira hipótese, não se percebe por que razão aquelas pessoas são professores. Deveriam exercer outras profissões. Mesmo com cinco, dez ou 20 anos de experiência, estes professores são pessoas de baixa moral, de reduzidas capacidades intelectuais e de nula aptidão profissional. O ministério, que os contratou, é responsável por uma selecção desastrada. Não tem desculpa.

Se a segunda for verdade, o ministério revela a sua real natureza. Tem uma concepção centralizadora e dirigista da educação e da sociedade. Entende sem hesitação gerir directamente milhares de escolas. Considera os professores imbecis e simulados. Pretende que os professores sejam funcionários obedientes e destituídos de personalidade. Está disposto a tudo para estabelecer uma norma burocrática, mais ou menos "taylorista", mais ou menos militarizada, que dite os comportamentos dos docentes.

O ano lectivo chega ao fim. Ouvem-se gritos e suspiros. Do lado do ministério, festeja-se a "vitória". Parece que, segundo Walter Lemos, 75 por cento dos professores cumpriram as directivas sobre a avaliação. Outras fontes oficiais dizem que foram 57. Ainda pelas bandas da 5 de Outubro, comemora-se o grande "êxito": as notas em Matemática e Português nunca foram tão boas. Do lado dos professores, celebra-se também a "vitória". Nunca se viram manifestações tão grandes. Nunca a mobilização dos professores foi tão impressionante como este ano. Cá fora, na vida e na sociedade, perguntamo-nos: "vitória" de quem? Sobre quê? Contra quem? Esta ideia de que a educação está em guerra e há lugar para vitórias entristece e desmoraliza. Chegou-se a um ponto em que já quase não interessa saber quem tem razão. Todos têm uma parte e todos têm falta de alguma. A situação criada é a de um desastre ecológico. Serão precisos anos ou décadas para reparar os estragos. Só uma nova geração poderá sentir-se em paz consigo, com os outros e com as escolas.

Olhemos para as imagens na televisão e nos jornais. Visitemos algumas escolas. Ouçamos os professores. Conversemos com os pais. Falemos com os estudantes. Toda a gente está cansada. A ministra e os dirigentes do ministério também. Os responsáveis governamentais já só têm uma ideia em mente: persistir, mesmo que seja no erro, e esperar sofridamente pelas eleições. Os professores procuram soluções para a desmoralização. Uns pedem a reforma ou tentam mudar de profissão. Outros solicitam transferência para novas escolas, na esperança de que uma mudança qualquer engane a angústia. Há muitos professores para quem o início de um dia de aulas é um momento de pura ansiedade. Foram milhares de horas perdidas em reuniões. Quilómetros de caminho para as manifestações. Dias passados a preencher formulários absurdos. Foram semanas ocupadas a ler directivas e despachos redigidos por déspotas loucos. Pais inquietos, mas sem meios de intervenção, lêem todos os dias notícias sobre as escolas transformadas em terrenos de batalha. Há alunos que ameaçam ou agridem os professores. E há docentes que batem em alunos. Como existem estudantes que gravam ou fotografam as aulas para poderem denunciar o que lá se passa. O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de Educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 16. ASSIM SE REÚNE EM PORTUGAL

São aborrecidas, ineficazes e caras. As reuniões de trabalho consomem cada vez mais tempo em Portugal: cerca de seis horas por semana, segundo os especialistas. Mas há truques para que corram melhor - mudar o formato da mesa, obrigar os retardatários a permanecer de pé, proibir telemóveis.

[Natália Faria]

Uma empresa do sector automóvel decidiu obrigar cada pessoa que chegasse atrasada a depositar um euro num porquinho mealheiro existente na sala de reuniões. E de nada valia ao retardatário desculpar-se com o trânsito caótico, as dificuldades no estacionamento ou, na versão mais genérica mas igualmente popular, com "problemas urgentes de última hora". Em pouco tempo, o mealheiro deixou de ser necessário porque as pessoas se habituaram a chegar a horas.

Mas por que é toda a gente gasta tanto tempo em reuniões? São mesmo um mal necessário para que o trabalho avance ou transformaram-se numa espécie de doença crónica que não mata mas vai minando o desempenho das empresas?

Em Portugal, gasta-se mais tempo em reuniões do que a média da União Europeia, que é de quatro horas e meia por semana. "A minha experiência como consultor e formador diz-me que gastamos à volta de seis horas por semana", calcula Pedro Mendonça, consultor na área do Comportamento Organizacional e professor no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. "A maioria destas reuniões são como as palas de D. Afonso Henriques: chatas e compridas", acrescenta.

Há formas de conferir maior eficácia às reuniões, além do porquinho mealheiro: os objectos que estão na sala, quem paga os cafés, o tipo de cadeiras e o formato da mesa, a hora do dia a que se realizam, tudo isto pode influenciar. "Ou colocar uma cadeira a menos na sala para que quem chegue atrasado seja obrigado a permanecer de pé?", sugere ainda Pedro Mendonça no capítulo das penalidades. Proibir os telemóveis também é meio caminho andado para evitar que uma reunião se prolongue demasiado. Outra regra é nunca fazer uma reunião que se prolongue para lá de 1h30. "Ao fim de uma hora e meia já não temos posição na cadeira. Isto tem a ver com o ritmo cerebral humano."

Marcar uma reunião para as 10h15 em vez de para as 10h00 também parece incentivar a pontualidade. Por outro lado, as reuniões não devem ser marcadas para o meio da manhã ou para o meio da tarde porque, nestes casos, a tendência é para se prolongarem. Do mesmo modo, acrescenta Mendonça, "as cadeiras não devem ser demasiado confortáveis". A sala deve ter um relógio, "de preferência com o cronómetro usado no básquete a contar o tempo que falta".

O formato das mesas de reunião também influencia. O ideal é que sejam redondas, para que todos se sintam em pé de igualdade. Claro que "se o líder for autocrático, não é pelo facto de a mesa ser redonda e não rectangular que este vai deixar de o ser", nota Arménio Rego, autor do livro Liderança de Reuniões. Este professor universitário acrescenta outras regras para que a reunião seja eficaz. "É fundamental que quem lidera uma reunião a prepare e crie condições para que os que vão participar se preparem também", isto é, "não faz sentido libertar documentos numa reunião para que sejam lidos na hora". Outro mandamento a seguir religiosamente é alimentar a divergência. E nunca, mas nunca, matar o mensageiro das más notícias. "Se as pessoas sentirem que, ao transmitir uma má notícia ou uma informação menos agradável, vão ser penalizadas, passam a dizer apenas aquilo que os outros querem ouvir". Dentro da mesma lógica, "o líder não deve expor a sua opinião com ênfase logo no início, de maneira a que as pessoas não se sintam pressionadas a concordar com ele".

Por enquanto, na maior parte das organizações, a maneira mais eficaz de pôr uma pessoa a revirar os olhos de enfado é convocá-la para uma reunião. E isso nem é um problema nacional porque, nos Estados Unidos, o ódio às reuniões cresceu de tal forma que a cadeia CBC Radio até fez um fórum cuja pergunta de partida era "Do you hate work meetings?" O jornal económico Financial Times também publicou recentemente um artigo sobre "a praga" das reuniões, questionando logo à cabeça: "Será que alguém ainda vai a uma reunião com entusiasmo? Ou a maioria das pessoas limita¬se a resmungar, antecipando mais um encontro burocrático e aborrecido numa sala com pouco oxigénio?" O director executivo de uma empresa norte-americana sintetizou a ideia do artigo numa frase. "Sempre achei as reuniões improdutivas e aborrecidas e, por vezes, mesmo tóxicas e destrutivas. Os lambe-botas dão graxa e todos os outros desperdiçam o seu tempo."

Claro que não tem que ser assim. Uma reunião, diz Miguel Pina e Cunha, professor associado na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, pode ser "uma óptima forma de divulgar informação e de criar conhecimento numa empresa". Desde que, claro, a mesma tenha
sido planeada, conte com as pessoas certas e tenha horas para começar e horas para acabar.

Demasiadas reuniões

O problema é que da teoria à prática vai uma distância que daria para alimentar, digamos... muitas reuniões. "Em Portugal reúne-se demasiado e durante demasiado tempo", diagnostica Arménio Rego, para quem "é fácil tomar algumas decisões, ou pelo menos divulgar algumas informações, através de correio electrónico, sem obrigar as pessoas a despender uma hora ou mais". E isto numa previsão optimista porque a regra, entre os portugueses, é que as reuniões nunca comecem a tempo e se prolonguem para lá do previsto. "Muitas reuniões fazem-se porque as pessoas gostam de socializar. Isso é um bocadinho português, enquanto numa cultura como a norte-americana está muito vincada a ideia de que "time is money", acrescenta este professor na Universidade de Aveiro nas áreas de Gestão de Recursos Humanos. De resto, reforça Pedro Mendonça, só em português é que existe a expressão "fazer horas".

Por detrás de muitas reuniões, torna Arménio Rego, está muitas vezes uma "necessidade de diluir responsabilidades por parte de quem tem dificuldades em tomar decisões". Mas o pior é quando uma reunião se resume a "um conjunto de pessoas que estão a falar do que deviam estar a fazer", como descreve Pedro Mendonça, recorrendo a algum do anedotário sobre o tema.

Não é brincadeira. Recentemente, a Escola de Direcção e Negócios fez um estudo intitulado Pontualidade em Portugal - Pessoas e Organizações que concluiu, a partir de um inquérito a 3462 empresários e trabalhadores, que "dois terços das reuniões no nosso país não começam à hora marcada" e que 60 por cento das empresas ou organizações "não têm uma preocupação consistente com a gestão eficiente das reuniões". Não admira, assim, que mais de metade das reuniões tenham sido apontadas pelos inquiridos como supérfluas ou mesmo desnecessárias.

Os resultados são claramente desastrosos. "Uma reunião é uma actividade extremamente cara. Veja-se o custo das pessoas envolvidas e o retorno que se espera obter com ela", reforça o estudo, para concluir que "a probabilidade de estarmos a perder muitíssimo dinheiro não é uma possibilidade, é uma angustiante certeza".

Mais olhos que barriga

Conscientes disto, algumas empresas - muito por efeito da contaminação cultural produzida pelas multinacionais, mas não só, começam agora a adoptar estratégias de combate ao desperdício de tempo e de dinheiro, forçando a pontualidade. Não é caso para menos, já que, de acordo com o mesmo estudo, 95 por cento dos portugueses não são habitualmente pontuais. Do mesmo modo, 30 por cento não costumam organizar o seu trabalho a partir de uma agenda diária. Pior: entre os que recorrem à agenda, 60 por cento costumam agendar mais tarefas do que aquelas que são capazes de realizar. As empresas que estiverem mesmo interessadas em usar as reuniões para poupar tempo e dinheiro podem sempre optar por ter lições sobre isso. No mercado, já existe uma empresa, a Inforpress, que dá conselhos a empresários e executivos para reuniões eficazes.

[rapinado do Público de 20/1/2009]

escrito por ai.valhamedeus [que conhece quem reúna assim]

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rapinados 15. AFASTA DE MIM ESSA LÂMPADA

lâmpadas de baixo consumo

Um texto do Público do passado dia 22 alerta para os perigos para a saúde que podem vir das lâmpadas de baixo consumo, propagandeadas com vestimenta ecológica. Aqui o deixo:

Afasta de mim essa lâmpada
22.10.2008, Ana Gerschenfeld

Já trocou as lâmpadas todas lá de casa por lâmpadas de baixo consumo, que protegem o ambiente e a sua factura da EDP? Então veio ter à página certa e tem de ler o que se segue. E se ainda não trocou também.

Podem ser ecologicamente correctas e dividir a nossa conta da electricidade por seis no fim do mês, mas é de admitir que as lâmpadas incandescentes de baixo consumo, que têm começado a invadir as nossas casas, são uma seca por várias razões. Mudam a cor da mobília
(uma mesa que à luz do dia é amarelo-mostarda passa a ter um tom verde-cocó, por exemplo);
não se acendem logo, o que faz com que às vezes pareçam ter avariado
(o que seria de mau gosto, uma vez que são supostas ser de longa duração);
e demoram a "aquecer", deitando inicialmente uma luz tétrica sobre o mundo. Tudo bem: com estas pormenores conseguimos viver, desde que seja por uma boa causa e alivie o nosso orçamento doméstico.

O assunto já não é tão pacífico quando nos vêm dizer que as ditas lâmpadas poderão ser perigosas para a saúde. Ora, um alerta oficial, emitido há uns dias pela idónea Agência de Protecção da Saúde britânica (HPA), afirma exactamente isso: que certas lâmpadas económicas emitem radiações ultravioletas (UV) que ultrapassam as doses recomendadas, havendo "o risco imediato [de] uma irritação da pele semelhante à de um escaldão" e que "há também um pequeno risco adicional de cancro da pele".

Já em Abril, a mesma agência tinha alertado para o facto de as lâmpadas de baixo consumo conterem mercúrio, explicando porém que o risco para a saúde de uma fuga deste metal em caso de ruptura era muito reduzido, dadas as quantidades envolvidas
("4 miligramas por lâmpada - apenas suficiente para cobrir a ponta de uma esferográfica").
Mesmo assim, aconselhava-se "evitar o contacto desnecessário com o mercúrio", bem como com os estilhaços de vidro - nada mais razoável. 

Mas perante o mais recente aviso, ficamos mesmo totalmente confusos. Afinal, será que fizemos bem em mudar TODAS as lâmpadas lá de casa para as de baixo consumo para poupar electricidade e reduzir as emissões de carbono? A saúde dos nossos filhos - e a nossa - não valem mais do que isso?

Mas comecemos pelo começo: antes de mais, o alerta agora emitido apenas se aplica às lâmpadas ditas "abertas" ou não encapsuladas - ou seja, àquelas onde os tubinhos que contêm os filamentos incandescentes estão à vista. As outras, as "encapsuladas", que têm o aspecto de uma lâmpada incandescente normal, não apresentam problemas, dizem-nos no site da HPA.

Don't panic!
De qualquer forma, o problema tem solução e ela não passa por deitar as lâmpadas para o caixote do lixo. "Se tem lâmpadas incandescentes de baixo consumo em sua casa", diz ainda a HPA, "não precisa de se preocupar, a menos que utilize lâmpadas abertas a uma distância da sua pele inferior a 30 centímetros durante mais de uma hora por dia." O texto prossegue: "Se precisa mesmo de uma lâmpada a grande proximidade durante um período prolongado, então sugerimos que mude a lâmpada e coloque uma lâmpada de baixo consumo de tipo encapsulado. Ou então, afaste a lâmpada até ela ficar a pelo menos 30 centímetros de distância." Ou seja, mude a lâmpada do candeeiro de secretária, ao pé do computador, e as dos candeeiros das mesinhas de cabeceira, se costuma ler na cama até altas horas da noite. Entretanto, a HPA e o Ministério britânico da Saúde já apelaram "à União Europeia, às entidades de regulação industrial e à indústria da iluminação para que considerem formas de reforçar as normas dos seus produtos".

Os números que motivaram o alerta provêm de um estudo realizado pela equipa de Marina Khazova, da HPA, que foi publicado online na revista Radiation Protection Dosimetry. Entre outras coisas, estes investigadores estimam que se uma pessoa se encontrar "a grande proximidade (2 cm) de algumas lâmpadas não encapsuladas, os níveis de radiação UV podem ser equivalentes à exposição solar num dia de sol no Verão no Reino Unido, o que exige algumas precauções". Sem referir marcas, constatam que, em cerca de 20 por cento das lâmpadas testadas, "o limite de exposição a grande proximidade teria sido ultrapassado em menos de dez minutos" e que para cerca de metade das lâmpadas isso aconteceria "passada meia hora". "A distâncias maiores (20 cm), apenas oito por cento das lâmpadas ultrapassaram, ao fim de oito horas, as doses diárias máximas recomendadas na UE
(pela Comissão Científica para os Riscos para a Saúde Emergentes e Recentemente Identificados, ou SCENIHR).
O alerta, precisa a HPA, é de "carácter provisório" e poderá ser afinado mal outros investigadores, que também se estão a debruçar sobre a questão, tenham resultados suplementares. 

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 14. MAIS 2 ULTRAPORTÁTEIS

Na sequência de testes comparativos a ultraportáteis já AQUI publicados, deixo mais duas achegas, de revista francesa, para... baralhar a situação:
  • uma análise a outro modelo da Asus, tão sucesso de vendas que, ao que ouço, está esgotado em tudo o que é sítio: o Eee PC 1000H. Com uma nota global de "Bom", recebe realce positivo na autonomia e no funcionamento silencioso e realce negativo no peso
    [1,42 kg sem contar com o adaptador de ligação à rede eléctrica]
    e no preço, demasiado elevado para um netbook.

[clicar na imagem, para ler]
Asus Eee PC 1000H
  • uma primeira vista de olhos a um anunciado modelo da Lenovo [a ex-IBM], também com classificação de "Bom": o IdeaPad S10:

    [clicar na imagem, para ler]
    Lenovo Ideapad S10
escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 13. COMPUTADORES ULTRAPORTÁTEIS

Os computadores ultra-portáteis estão na moda. E por razões compreensíveis, das quais se destaca o peso
[e o preço].
Um portátil "normal" com alguma facilidade se aproxima dos 3kg, pondo em questão a designação de portátil; mas o ultraportátil Asus EEE PC 701 pesa menos de 1kg.

Como seria de prever, tudo isto tem um preço -- e quem paga o preço são as características. Só para dar um exemplo: o Asus referido tem um disco duro de apenas 4GB
[tamanho ultra-limitado, ainda que se possa contornar a limitação, dependendo do objectivo a que se destina].
Indício de que estes objectos estão na moda: os inúmeros testes que vão aparecendo em revistas. Porque a maioria dos leitores do Ai Jesus! facilmente os encontra em revistas portuguesas, publico aqui os resultados de 2 revistas espanholas:
A Personal Computer & Internet nº 69

[clicar nas imagens para ler]

Ultraportáteis portáteis ASUS EEEPC

Ultraportáteis portáteis ASUS EEEPC
testa 6 modelos. O vencedor, em termos de qualidade, é o MSI Wind U100 (6,88 pontos); nos lugares seguintes ficaram o Ahtec Lug No11 (6,62), o Medion E1210 mini Akoya (6,15), o HP 2133 Mini-Note PC (5,53), o Asus EEE PC 701 XP (5,36) e o Airis Kira 515 (5,21). Contudo, o popular
[em Portugal, pelo menos]
modelo da Asus vence, se considerarmos a relação preço/qualidade
(é o mais pequeno e leve e custa 279€, contra os 419€ do vencedor).
A PC Actual nº 210
[clicar na imagem para ler]
Ultraportáteis portáteis ASUS EEEPC
testa 5 outros modelos, de gama ligeiramente superior aos anteriores
[superior mesmo quando as marcas coincidem, como é o caso da Asus].
Na qualidade, ganha o Acer Aspire one (9,0 pontos), seguindo-se os MSI Wind U100 e HP 2133 Mini-Note (ambos com 8,9), Asus EEEPC 4G (7,6) e Airis Kira 350 (6,8). O Acer continua a ganhar quando se considera a relação preço/qualidade
(é mesmo o mais barato do grupo: 299€);
por exemplo, dispõe de um engenhoso sistema de cartões SD para ampliar o armazenamento no disco duro sólido de 8GB
[ainda que lamentavelmente não seja possível ampliar a sua memória RAM original de 512 MB].
escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 12. CONFIRMADO: ISTO 'TÁ MAL!

Veja de Outubro de 2008Tendo-lhe interessado o conteúdo da revista

[nº 2080, deste Outubro que está a chegar],
pode matar a curiosidade AQUI.

escrito por ai.valhamedeus [com um abraço de parabéns para a Gabriela, que hoje tem o dia mais feliz de Setembro e de modo nenhum repete o poeta, que escreveu: "O dia em que eu nasci morra e pereça"]

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rapinados 11. ISTO 'TÁ MAL!

Crise económica nos EUA
escrito por ai.valhamedeus [rapinado de El Mundo]

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rapinados 10. VINHO PARA TESOS

Quem bebe vinho regularmente

[e eu bebo a todas as refeições. Tinto]
e não nada em dinheiro
[é também o meu caso]
tem na Revista de Vinhos de Agosto de 2008 uma prova de 82 tintos com preço até 4€. Uma prova que descobre no grupo "muitas e boas opções".

Os 4 vinhos com a cotação máxima de 16 pontos
[2 Dão -- Casa de Santar de 2005 e Grilos 2006 --, 1 Ribatejano -- Catapereiro Escolha 2006 -- e 1 Alentejano -- Reguengos Reserva 2005]
têm preços entre os 4€ e os 3,80€. Mas há bastantes com preços inferiores a 3€. Há mesmo 1 que custa menos de 2€: do Dão, da Adega Cooperativa de Nelas, o Nelus Reserva Tinto de 2005 tem pontuação de 14, bebo-o com alguma regularidade e acho-o um vinho corrente muito aceitável
[o consumidor menos atento terá atenção ao rótulo: dominantemente vermelho, não confundir com um outro dominantemente azul, que identifica um vinho não tão aceitável. Uma outra nota: compro-o no Jumbo a 1.99€, mas o preço que tenho visto no Continente é 2.99€].
escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 9. AO PAGAR, SOMOS EUROPEUS

Podemos gabar-nos de estar ao nível da restante Europa em alguns domínios. Por exemplo, quando se trata de pagar. Por exemplo, no preço dos combustíveis. Por exemplo, no preço da ligação à Internet: estamos 5€ acima da média europeia
[e ainda há quem se queixe de não acompanharmos a Europa...].

[clique na imagem para ler melhor]

[rapinado da revista Personal Computer & Internet, nº 66]

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 8. BACTÉRIAS DO ESCRITÓRIO


escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 7. A DANÇA DA MORTE

A Dança da Morte surgiu na Europa em princípios do século XV provavelmente como resposta às mortes causadas pelas epidemias de peste negra. Os primeiros exemplos deste género foram pintados em frescos nas paredes das igrejas, com um carácter marcadamente moralista recordando aos fiéis que aa vida é breve e a morte chega inevitavelmente. As pinturas de Hans Holbein, a meio do século XVI são exemplos bem conhecidos.

A Dança da MorteA Dança da MorteO aguarelista, pintor e caricaturista inglês Thomas Rowlandson (1756-1827) cria e edita com carácter periódico, entre 1814 e 1816, The English Dance of Death, 96 gravuras a cores acompanhadas por texto em verso de William Coombe, que unidos à obra Doctor Sintax editada anteriormente lhe outorgam uma grande popularidade. Estas imagens poderiam situar-se entre o grotesco e o humorístico.

[rapinado do blogue, em língua castelhana, Odisea 2008, dedicado à divulgação de livros e imagens encontrados em bibliotecas digitais. Aí se encontram também as hiperligações para a obra acima mencionada, em 2 volumes: volume 1 e volume 2.]

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 6. MICROSOFT E GM

Numa recente feira de informática -- a Comdex --, Bill Gates fez umas declarações infelizes, nas quais comparou a indústria informática com a automobilística, dizendo que:

Se a GM (General Motors) tivesse evoluído tecnologicamente tanto como o fez a indústria informática, estaríamos hoje a guiar carros que custariam 25 dólares e que fariam 1000 milhas com 1 galão (cerca de 420 km com perto de 1,5 litros).

A General Motors, em resposta, veio a público manifestar o seguinte:

Se a Microsoft fabricasse carros:

1 - Sempre que voltassem a ser pintadas as linhas nas estradas, tínhamos que comprar um carro novo.

2 - Se por acaso, indo a 100 km/h, o nosso carro se fosse abaixo na auto-estrada sem razão aparente, tínhamos apenas que o aceitar, mesmo sem compreender porquê! Depois, tínhamos que voltar a ligá-lo (depois de desligar o carro, tirar a chave da ignição, fechar o vidro, sair do carro, fechar e trancar a porta, voltar a abri-la, entrar outra vez e sentar-se no banco, abrir o vidro, pôr a chave na ignição e ligar o motor novamente). Depois, já podíamos continuar...

3 - Inesperadamente, ao fazermos uma manobra à esquerda, podíamos fazer com que o nosso carro parasse. Tínhamos então que voltar a instalar o motor! E, por muito estranho que pareça, íamos aceitá-lo como “normal”.

4 - A Linux faria um carro em parceria com a Apple, extremamente fiável, sendo cinco vezes mais rápido e dez vezes mais fácil de guiar. Mas só podia andar em 5% das estradas.

5 - Os indicadores luminosos de falta de óleo, gasolina e bateria seriam substituídos por uma simples “Falha Geral ou Defeito Genérico” (deixando à nossa imaginação a identificação do erro!).

6 - Os novos assentos iam obrigar a que todos tivéssemos o mesmo tamanho de rabiosque.

7 - Num desastre, o sistema de "airbag" perguntava: “Tem a certeza que quer usar o airbag?”.

8 - A meio de uma pronunciada descida, quando ligássemos ao mesmo tempo o ar condicionado, o rádio, e as luzes, no travão aparecia uma mensagem, de género: “Este carro fez uma operação ilegal e vai ser desligado!”.

9 - Se desligássemos o nosso carro usando a chave e sem antes termos desligado o rádio ou o pisca-pisca, ao voltarmos a ligá-lo, ele ia verificar todas as funções do carro durante meia hora, e ainda nos dava uma bronca, e dizia-nos para não fazermos isso nunca mais.

10 - A cada novo lançamento de automóvel que houvesse, tínhamos que voltar à auto-escola para tirarmos uma nova carta.

11 - Para desligarmos o carro, tínhamos que apertar o botão que dissesse ”Iniciar”.

12- A única vantagem: Os nossos netos haviam de saber guiar muito melhor do que nós!

[rapinado do número 8 da Revista Linux, que pode ser descarregada gratuitamente, como é hábito no Linux, DAQUI.]

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rapinados 5. FEROZ COMPETIÇÃO NAS ESCOLAS

Seul, Coreia do SulA alguns metros da rua Insadong, uma das mais tradicionais e transitadas de Seul, centenas de adolescentes vestidos com uniforme saem do colégio, com as mochilas ao ombro, a sorrir e a falar sobre música ou desporto. A cena poderia ter lugar em qualquer outra cidade do mundo, não fosse acontecer à meia-noite.

A educação é considerada na Coreia do Sul uma das ferramentas mais poderosas para subir social e economicamente. Nos últimos anos despertou um forte clima de competição que levantou problemas pela enorme pressão que representa para os estudantes, cada vez mais sobrecarregados com actividades extra curriculares depois do horário escolar
[o resto da notícia aqui, em castelhano].
escrito por ai.valhamedeus

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