Para não esquecer...

curtas 47. CHEGA

No café do António do Cinema, entra um esbaforido Chega. 

-- Isto está bonito, está. Fui ao Minipreço e... quem estava na casa de banho dos deficientes? Um nepalês, ao telefone, a rir! Onde isto vai parar?! 

-- De facto, não fica bem ele usar a tua casa de banho… 

escrito por Carlos M. E. Lopes

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MANIAC

 Benjamín Labatut
Maniac
Lisboa: Relógio D´Água, 2024, 325 pp.

Um mundo que nunca nos é mostrado. O mundo dos matemáticos, físicos, jogadores, génios que estão sempre na sombra.

Este livro prende-nos do princípio ao fim. A bomba de Hiroxima e Nagasaki. As manias, as loucuras, a genialidade destes homens quase anónimos. Por aqui deambula Einstein mas, sobretudo, John von Neumann e as bases da computação. Livro fascinante.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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A DEMOCRACIA E O CHEGA

Acho que não haverá muitas dúvidas quanto à natureza neofascista do partido Chega. Tem todas as características comuns aos partidos da direita radical, por essa europa fora. Identificar minorias, rejeitar os imigrantes, a teoria da substituição, a defesa da moral e anti-corrupção. Quem tenha lido um pouco da implantação do nazismo, na Alemanha, encontra semelhanças gritantes.
Defendo há muito que os regimes autoritários e de extrema direita, conforme desapareceram, poderiam reaparecer, desde que haja as condições para eles aparecerem. Ei-los.

A questão que se tem discutido ultimamente é se o Chega, face à nossa Constituição, deveria ter sido impedido de se formar. Diga-se que a Constituição fala de ideologista fascista, mas, em lado algum, se define o que isso seja.

A minha opinião sobre as barbaridades que, à vezes, se ouvem da boca do porta voz do Chega - um incontinente verbal mentiroso - é: deixá-lo falar! As ideias combatem-se com ideias e não com repressão, proibições ou criminalizações.

A implantação de um regime autoritário da direita radical (para usar um termo utilizado por Vicente Valentim), se calhar, é inevitável. E não é com repressão que se evita tal coisa. Sempre achei ridícula a palavra de ordem “fascismo nunca mais”. Não que não gostasse que isso se verificasse, mas porque não depende de nós, mas dos ventos da história. E os ventos da história, ainda ninguém os dominou.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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curtas 46. CHEGA

Sim, Sr. Presidente! As ideias combatem-se com ideias!

escrito por Carlos M. E. Lopes

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A GRITARIA DA ASSEMBLEIA

1. 

A Assembleia da República deveria ser um local de debate sereno de ideias políticas. No entanto, está transformada, há muitos anos (mesmo antes da chegada do Grande Gritador), em sítio de gritaria geral.

A chegada do Grande Gritador apenas levou a gritaria a extremos (quase) insuportáveis. Acentuou o lado negro do (pseudo) debate de ideias da Assembleia.

O Grande Gritador grita que os emigrantes são "isto" -- e dos outros lados grita-se que não, que os emigrantes são "aquilo". E acrescenta-se que quem grita que são "isto" está a cometer um crime. A gritaria eleva-se cada vez mais de volume, ignorando-se que ninguém ganha ao Grande Gritador quando se trata de gritar.

Em vez da gritaria, quando é que alguém, serenamente, faz ao Grande Gritador perguntas como estas: "em que dados é que o senhor baseia essas afirmações? Em que fontes fidedignas recolheu esses dados?" Quando é que alguém, serenamente, apresenta dados que mostrem (ao Grande Gritador, aos seus 49 medíocres acompanhantes, e sobretudo ao "povo português") que as "teses" do Grande Gritador são falsas? (O debate de ideias a sério faz-se assim).

 


2. 

Grita-se, por vezes, que o Grande Gritador grita frases que são criminosas. E há quem acrescente gritos pedindo que tais frases sejam proibidas.

Só que as ideias não se proíbem (também ao Grande Gritador se aplica a ideia de que não há machado que corte a raiz ao pensamento).

Na Assembleia da República, se se devem combater, as ideias devem com/debater-se com ideias. O tal debate político.

Mas são criminosas?! Os crimes julgam-se em tribunal. Avance-se com um processo. É assim em democracia -- e é isto que distingue (deveria distinguir) as democracias dos regimes não democráticos. Não sendo assim, transformar-nos-emos todos em juízes, em substitutos dos tribunais (outro fenómeno triste que  está a ensombrar a nossa democracia -- e, infelizmente, não é só dos lados da chamada extrema-direita que vêm as ameaças).

escrito por ai.valhamedeus

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ESTANTE DE ABRIL DE 2024






escrito por Carlos M. E. Lopes

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TRÊS MULHERES NA CIDADE

 Lara Moreno
Três mulheres na cidade
Lisboa: Alfaguara, 2024, 338 pp.

Três mulheres usam o mesmo prédio, em Madrid. Uma espanhola, uma colombiana e uma marroquina. Oliva, Damaris e Horia. A primeira vive uma relação conturbada, a segunda fugiu da Colômbia depois de um terramoto em busca de uma vida melhor. O mesmo sucede a Horia que vem em demanda de outra vida.
 
Horia aportou primeiro no sul, aqui perto de mim, em Cartaya e depois consegue o lugar de porteira no prédio onde as três circulam. Horia sempre à espera de que o filho chegue, mas este nunca chegará. Damaris cuida de dois gémeos e regressa a casa ao fim do dia. A família é a grande preocupação dela. Com o covid é despedida, como quem vai de caminho. Oliva consegue desembaraçar-se do homem que a faz sofrer.
 
Não sei se escrita feminista ou não, mas um romance de esperança, sofrimento e desilusão.
 
Uma boa leitura.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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MÚSICA DE ABRIL

25 de Abril: "Desta vez é que é de vez"

Com o 39º episódio do podcast Clássica Mente, quis fazer uma pequena homenagem ao 25 de Abril (uma das datas mais importantes da minha vida), nos seus 50 anos. 

Através da música. Da música de Abril.

Está aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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