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APOLINÁRIO E BOTELHO

Ontem, foi muito comentada a presença de José Apolinário, acompanhado de Jorge Botelho, nas ruas de Tavira. Antigo presidente da Câmara Municipal de Faro e actual edil de Tavira.

A alcunha por que era conhecido Apolinário era o de “prisão de ventre”, por nem m… fazer.

Farense atento confidenciou-me:”será que vem ensinar como nada se faz em quatro anos?”.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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MACÁRIO, EM JEITO DE BALANÇO

Macário Correia

Em ciências sociais não há experimentação. O se, repetitivo, não se verifica. Por isso, o que aqui disser, terá tanto valor científico como o seu oposto. Não se pode provar, fica no domínio da convicção.

Macário Correia ficará para a história como o melhor presidente da Câmara que Tavira já teve. E o que se perspectiva leva-me a considerar que continuará a ser por muitos e bons anos.

Tavira teve administrações medíocres, sem chama, As coisas fluíam “como habitualmente”. Macário estilhaçou essa modorra. Mexeu, alterou, modernizou, construiu. Em todos os aspectos Macário foi um vendaval, um tsunami político. Reorganização de serviços, Palácio da Galeria, Biblioteca, Ponte de Santiago, requalificação de zonas importantes, Mercado da Ribeira, Hotéis, animação cultural, Parque de exposições, habitação social, transportes, apoio escolar, etc. -- e mesmo as piscinas Municipais e o Mercado Municipal, ainda que projectados anteriormente, foi ele que os concretizou. Enfim, todo um conjunto de sectores que faziam que andavam, mas não andavam. Em síntese, Macário marcou de forma indelével a vida da cidade.

Tavira não é uma cidade fácil. Não há sector económico nenhum que tenha pujança suficiente para atrair quadros superiores e por isso não tem aquilo a que os economistas chamam de “massa crítica”. Não há gente qualificada suficiente para gerar uma sã e estimulante concorrência e o aparecimento de pessoas com qualidade para a coisa pública. E a prova é que estas eleições são disputadas entre pessoas que não despertam pelas propostas, nem mobilizam pelo dinamismo. São candidaturas cinzentas e apagadas.

A saída de Macário para Faro foi uma saída inevitável. Julgo que a perpetuação no poder é má conselheira, deve ser evitada e é má para toda a gente. Macário deve ter percebido isso. Detesto ver Mesquitas Machados e quejandos pensarem que depois deles,o dilúvio. E sobretudo agirem como se fossem o poder, em si, perpétuo e não passageiros detentores do poder. Alguns autarcas pensam que as pessoas têm respeito pela sua pessoa e não medo pelo poder que têm e ficam muito desiludidas quando, depois de largarem o cargo, as pessoas não lhes ligam.

Há coisas que Macário fez e com as quais não concordei.
[ainda que as coisas negativas não tenham expressão, se comparadas com o que mexeu na cidade].
Penso que Macário já estava a acusar o tempo demasiado no poder, a confundir o cargo com a pessoa. O episódio do professor de Santa Luzia faz pensar isso.

Se Macário saiu pelo seu pé, achando que a vida tem ciclos e que o ciclo de Tavira tinha chegado ao fim, então Macário não só é, para mim, o melhor presidente que Tavira já teve, como um dos melhores do país.

Seja qual for o novo presidente da Câmara
[e penso que o Rui irá ganhar]
boa sorte! E gostava de lembrar (de memória) uma frase que ouvi a Marcelo Caetano, julgo que na sua tomada de posse: “o bom aluno não segue o Mestre”.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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CAMPANHA ELEITORAL

Gosto de campanhas eleitorais. O candidato à Câmara Municipal de Tavira, Rui Amaro, escreve no twitter:
O que mais me agrada, nesta campanha é encontrar pessoas e sentir os seus anseios e inspirações...”.
Assim é que é! Inspirações poéticas? O candidato não esclarece.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS DINOSSAUROS AUTÁRQUICOS

Diz o DN que só 29 presidentes de Câmara não se recandidatam. Impressionante. Ontem, na RTP, foram entrevistados vários presidentes de Câmara que o são há dezenas de anos. Face à impossibilidade de se poderem recandidatar nas próximas eleições, daqui a quatro anos, nenhum admitiu que tal impossibilidade era correcta. E há gente daquela que lá está há mais de vinte anos.

Esta gente pensa-se imprescindível e insubstituível. Julgam que a sua “importância” deriva deles e não do cargo que ocupam. Ponham os olhos no vaidoso do Fernando Gomes que pensava que o seu regresso à Câmara do Porto estava assegurado. Vamos ver o que acontece ao Narciso Miranda... Mas uma coisa é certa: só pelas respostas que deram nas entrevistas deveriam ir à vida.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ZOOM [41] - flintstone ruas

A notícia já tem uns anos

[nós comentámo-la aqui],
mas está novamente na ordem do dia, com o início do julgamento. A ilustração seguinte também não é recente, mas vem a propósito recordá-la.

escrito por ai.valhamedeus
[com um abraço para o CRM]

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GEDEÃO E AS PISTOLAS DE PLÁSTICO

António Gedeão, no seu “Dia de Natal”, bem avisava que esse era “o dia de ser bom” e na parafernália do consumo, entre loas ao Menino, lá estavam os detergentes e a hora de qualquer meridiano, marcada pelo último grito de relógios, feitos para espartilhar o tempo até ao segundo. Luxúria e volúpia seduzem quem passa por montras em festa mas, António Gedeão não esqueceu a criançada e, no sapatinho – que o mundo está perigoso – lá “colocou” a metralhadora, porque Natal é quando um homem quiser e a guerra também! 

A Câmara de Porto de Mós, atenta ao efeito do “Cerco” da MMoreira, e à vida fácil que os professores cada vez mais experimentam nas escolas, mesmo nas mais “piquenas”, resolveu parafrasear António Gedeão e entregar às crianças do primeiro ciclo, pois, pistolas de plástico. Provavelmente, para o ano, irão oferecer-lhes um GPS com os pontos nevrálgicos onde podem usar o brinquedo: bancos, escolas, bombas de combustível e tantos outros sítios onde ainda se ganhem a vida como antigamente: a trabalhar. Gostei!

[Jerónimo Costa]

Jornal Região de Leiria
Porto de Mós 31-12-2008
Câmara oferece pistolas de plástico a alunos do primeiro ciclo
Texto de Carlos S. Almeida

Uma pistola de plástico. Este foi o presente de Natal da Câmara de Porto de Mós a alguns alunos do primeiro ciclo do concelho. No início de Dezembro, a autarquia ofereceu uma ida ao circo, complementada com um pequeno presente. Entre os brindes entregues às crianças estavam pistolas de plástico, usuais nas brincadeiras de Carnaval.
O caso não agradou a alguns encarregados de educação. Célia Sousa, presidente da associação de pais da escola e jardim-de-infância do Juncal, e deputada municipal do PS, considera que este não é o brinquedo mais “correcto” para uma entidade pública oferecer. “Não é nenhum drama, mas entendo que a oferta de brinquedos deste tipo deve ser da esfera privada”, considera. O problema, entende, “é ser uma entidade pública a oferecê-la”. Aliás, confessa que num primeiro momento desvalorizou o facto. O seu filho foi contemplado com uma dessas pistolas mas o drama foi mesmo a pistola não funcionar, para desgosto da criança. Posteriormente, foi abordada por uma encarregada de educação que a alertou para a natureza do presente natalício. O marido, Luís Malhó, presidente da Assembleia Municipal de Porto de Mós, eleito pelo PSD, considera que se trata de “uma prenda de mau gosto”, entendendo que faria mais sentido “presentear as crianças com outros brinquedos”. Ainda assim, faz questão de frisar a necessidade de relativizar a questão, visando evitar que se entre em “histerias colectivas”. E não se furta a brincar com a fraca qualidade do presente: “era uma arma de plástico que nem sequer funcionava”.
Helena Arcanjo, coordenadora do primeiro ciclo do Sindicato de Professores da Região Centro, entende que o caso é sério. “É lamentável que um município tenha tido a infeliz ideia de escolher um brinquedo que embora faça as delícias dos rapazes, leve a brincadeiras com indícios de violência”, refere. Para esta responsável, a autarquia deveria ter escolhido um brinquedo com funções didácticas. Perante a falta de recursos que atingem as escolas, faria sentido oferecer brinquedos que pudessem ser um auxílio nas actividades de enriquecimento curricular. Afinal, “é nestas idades que se desenvolvem comportamentos de bullying, devendo ser as entidades públicas a dar o primeiro exemplo”, reforça.
Já o Agrupamento de Escolas de Porto de Mós escusa-se a comentar o caso. Fonte do conselho executivo daquela entidade adiantou desconhecer a natureza dos presentes entregues às crianças, adiantando não ter recebido qualquer queixa.
Presente pouco natalício. Uma arma em plena festa religiosa? Para Isidro Alberto, pároco de Porto de Mós, esta é uma medida “anti-pedagógica”. É, entende, “levar as crianças a praticar violência simbolicamente”. O religioso soube pelo REGIÃO DE LEIRIA a natureza dos brinquedos oferecidos e adiantou que “se Cristo trouxe a paz entre os homens para que vivam pacificamente, usar armas que simbolizam a guerra e a violência é anti-natalício e desumano”.
Responsável pela pasta da Educação na Câmara de Porto de Mós, o vereador Rui Neves confrontado com o caso limita-se a adiantar: “não comento”. Adiantando que instituições de vários concelhos da região também ofereceram presentes semelhantes provenientes da mesma fonte – os brinquedos foram o resultado da compra de produtos de uma empresa que faliu – recusa qualquer declaração suplementar sobre o caso.

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A ENTREVISTA DE JOSÉ SÓCRATES

José Sócrates deu uma entrevista à RTP1 e disse uma coisa de alto gabarito. Disse o Sr. Engº que ia descer o IMI. E os entrevistadores nem uma furtiva lágrima deixaram rolar pela cara abaixo. O homem baixa os impostos e ninguém se comove.

Para os incautos, o que quer dizer IMI? Saco de um livro da Almedina e que diz? CIMI, vulgo IMI. Código de Imposto Municipal sobre Imóveis. Isto é, um imposto municipal, receita dos municípios. O que é que, então, o Sócrates baixa? o imposto que não é dele. Brilhante. Razão tem o árabe de Viseu em se sentir lesado. Caramba, isto é demais.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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MACÁRIO E OS COMBUSTÍVEIS EM ESPANHA

Macário Correia, o presidente da Câmara de Tavira, veio à televisão informar que os veículos da Câmara iriam abastecer de gasóleo em Ayamonte, o que permitia uma poupança de 100 mil euros anuais. Justificou ele tal medida pelo facto de o governo, face aos aumentos contínuos dos combustíveis, nada ter feito.

Num espaço económico aberto, como o que vivemos, é salutar que a lei da concorrência dite as suas regras
(é o que se diz a torto e a direito).
Se é mais barato em Espanha, há que ir a Espanha. É o que fazem milhares de portugueses todos os dias. E basta ir a Ayamonte…

Manuela Ferreira Leite, candidata ganhadora e apoiada por Macário Correia, nada disse quanto a medidas concretas sobre este problema, antes se recusou a fazer promessas impossíveis de cumprir. Ferreira Leite é velha e feia, lá isso é; saloia e demagoga não é de certeza. E a mulher não prometeu a gasolina a pataco…

Há uns anos, uns influentes dirigentes regionais do PS também fizeram uma manifestação a Ayamonte para demonstrar que a gasolina era mais barata em Espanha do que em Portugal. Foram mais comedidos, não transferiram os abastecimentos de nenhum órgão da administração pública para um país vizinho. Como se viu, depois de o PS tomar o poder, essa diferença aumentou e não diminuiu. Estou em crer que Macário Correia ou não pensa ser governo em 2009, ou pode vir a criar um problema à sua candidata e ao seu partido. Supondo que o PSD irá ser governo, como justificará a manutenção desta transferência? Não creio que a gasolina vá baixar com Ferreira Leite ou o PSD no governo e até penso que a “coisa” se vá agravar.

Mas a atitude de Macário levanta outro problema. É a pena que os munícipes de Tavira têm de não poderem ir comprar a água para as suas torneiras a outro concelho para não pagar das mais caras águas do país, ou não poderem pagar a contribuição autárquica ou o IRS noutro concelho.

A medida denota contudo alguma coragem e pode abrir as portas a outras discussões. Vamos ver o que isto dá.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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A SERENIDADE DO SR. ESCUSA

O Sr. Escusa

[mais conhecido como presidente da república portuguesa]
desta vez não se escusou a ter opinião e fez um apelo veemente à serenidade de professores/sindicatos e governo. Se me não engano, o que Cavaco entende por serenidade significa acabar com a agitação que os profes têm posto na rua. Ou seja, laisser passer a concretização das humilhações socretinas aos professores e à escola pública democrática.

Não tendo sido para responder ao Sr. Escusa, Mário Nogueira acaba de dar a resposta, na RTP 2: os professores estão serenos
[trabalham durante o dia e manifestam-se depois do trabalho ou no fim de semana].
E vamos continuar, digo eu, a serenamente recusar a serenidade a que Cavaco apelou
[mesmo que um tal burgesso ignorante de nome Valentim Loureiro e um tal presidente da Confap elogiem a dona Lurdes, à dona Lurdes estes elogios assentam-lhe muito bem. Fique lá com eles!].
Essa serenidade, nunca!, enquanto não mudar esta política pê-èsse.

escrito por ai.valhamedeus

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ANDA TUDO MAL... -7- explosão social

Isto continua tudo muito mal...

  1. Cristiano Ronaldo continua a interessar a muitos clubes de futebol. Tanto que o Manchester está a pôr a hipótese de lhe pagar 800.000 euros por mês para ele não fugir para outro clube, até 2014. Considerando um valor de salário mínimo de 426 euros, aquele valor mensal daria para pagar, se a minha calculadora não falha, quase 1878 meses de salário mínimo a um trabalhador. Ou seja, 156 anos. Ou seja, 2 vidas de trabalho... pelo preço de um mês.
    Pobre Manchester! Quanto não sofre um clube!...

  2. José Sá Fernandes, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, esteve há pouco na Sic Notícias. Ouvi só a parte final da sua entrevista: o suficiente para ficar a saber que, se o vereador não mente, o famoso restaurante Eleven paga à Câmara um aluguer de 500 euros pelo espaço que ocupa
    [em "localização fabulosa", apregoa o sítio do restaurante na Internet].
    Compreende-se a filantropia da Câmara para com a sociedade dos 11 amigos que criaram o Eleven "por amor à gastronomia", como apregoa o seu sítio na Internet. Porque a vida está feia para toda a gente, incluindo para o restaurante do ex-bastonário da Ordem dos Advogados
    [recente aquisição do pê-èsse da autarquia de Lisboa]
    e amigos
    . Estou mesmo convencido de que isto está tudo tão mal que os preços elevados das refeições seriam insuficientes, para haver algum lucrozito, sem esta ajudinha do preço baixo da renda.

  3. A coisa está tão mal que até um tal general Garcia Leandro, Director de um tal Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, depois de escrever um texto explosivo no Expresso, veio
    [dando uma no cravo e outra, na ferradura, que é como quem diz atacando os partidos e defendendo-os, atacando o governo pê-èsse e defendendo-o]
    denunciar a ligação "despudorada" entre o poder político e o económico e prevenir contra o perigo de uma "explosão social". Um dia destes, alertava eu para o perigo de isto estar a mudar. O general confirma: isto anda mesmo tudo muito mal.
escrito por ai.valhamedeus

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DIZCIONÁRIO [61 notícia]

Notícia, diz o Houaiss no seu dicionário, é “informação a respeito de acontecimento novo”. No Público noticia-se que

Autarca critica governo
Informação é. Mas onde está a novidade? É isto notícia?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O COMÉRCIO TRADICIONAL

COMPRAR NO COMÉRCIO TRADICIONAL PARA NÃO DEIXAR MORRER A(S) CIDADE(S)

Curiosamente, Fernando Ruas acaba de se desculpar com “as leis de mercado e de estabelecimento defendidas pela União Europeia”, pela proliferação de grandes superfícies no concelho de Viseu. Revelando ter mais de 10 pedidos para abertura de grandes distribuidores, o presidente da CMV, apesar de achar que “o panorama é comum ao resto do país”

(na verdade, Viseu está em vias de se tornar a cidade portuguesa com a maior densidade comercial, segundo dados da Associação Comercial do Distrito),
pela primeira vez questiona-se se haverá mercado para tantos empreendimentos
(ler Diário de Viseu).
Mas, Ruas não pode, agora, atirar todas as responsabilidades para cima da Direcção Regional de Economia
(como parece ter feito, de acordo com a notícia),
porque a actual Lei nº 12/2004, de 30 de Março, faz depender as autorizações de instalação do parecer prévio de uma comissão presidida pelo presidente da Câmara ou um seu representante.

Fernando Ruas não só ficará nos anais de Viseu como o “exterminador implacável do pequeno comércio”, como também deverá ser responsabilizado pela expulsão dos moradores do centro da cidade
(e não só do centro histórico)
para a periferia, pela ausência de uma estratégia urbanística e de reabilitação atempada do casco histórico, pela sujeição aos interesses imobiliários
(geradores de taxas e impostos municipais),
por uma política errada de mobilidade, que retirou o direito dos moradores e dos comerciantes ao estacionamento. A Rua Formosa, a Rua do Comércio e metade da Rua Direita já só têm dois ou três moradores. Sem gente não pode haver comércio. Naquelas artérias só há vida no rés-do-chão das lojas. Mas daqui a poucos anos, como já acontece hoje nas cidades do Canadá, como Toronto, inundadas de grandes superfícies, serão as lojas a ficar entaipadas.

Como disse José António Silva, presidente da Confederação do Comércio Português, numa reunião com associados da Associação Comercial do Distrito de Viseu, na passada segunda feira, para discutir a Crise no Comércio e o seu previsível agravamento com o novo regime de licenciamento comercial e de liberalização de horários, a área comercial duplicou em relação a 2005, mas o desemprego aumentou”. Portugal, que tem um poder de compra 32% abaixo da média europeia (68%), já tem um horário de abertura ao consumidor (84 horas semanais) superior à média europeia (72 horas). Só em três países europeus o comércio abre ao domingo e na Alemanha encerra até mesmo ao sábado à tarde. Mas basta irmos até Espanha. Castelo Branco tem mais grandes superfícies do que Cáceres, que tem quatro ou cinco vezes mais população.

Um estudo apresentado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços, conclui que o trabalho precário nos centros comerciais da área metropolitana do Porto atinge 43% dos trabalhadores, alguns com recibos verdes e contratos a prazo há uma década, e 26,5% a descansar apenas um dia por semana (1,2% nem sequer isso), enquanto 9,5% trabalham mais do que as 40 horas semanais estipuladas por lei, havendo casos de não pagamento de horas extraordinárias. Nada que me surpreenda quando já tive oportunidade de denunciar, há uns anos atrás, que 19 empregadas do Modelo de Viseu tiveram de recorrer a um abaixo assinado para exigir o pagamento de horas extraordinárias.

A grande distribuição criou 4 mil empregos, em 2006, mas provocou a perda de 24 mil. Desde 2005 que o saldo negativo é de 54 mil postos de trabalho extintos.

Esta é também uma questão de cidadania. Comprar no comércio tradicional é não só dar vida às cidades, como também contribuir para uma economia sustentável.

escrito por Carlos Vieira

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FARO: JOSÉ APOLINÁRIO, PRESIDENTE

José Apolinário, olhanense, presidente da Câmara Municipal de Faro, já arranjou um cognome que vai ser difícil que lho tirem. Mercê da sua inércia, já é conhecido pelo “prisão de ventre”. Porquê? “Nem merda faz”.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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FERNANDO RUAS EM EXCESSO DE VELOCIDADE

Fernando Ruas ia em excesso de velocidade e foi mandado parar pela brigada de trânsito. O governador civil de Viseu estava presente e mandou Fernando Ruas em paz. Sem o identificar, diz o jornal.

Pensava eu que o edil tinha “corrido” a brigada à pedrada, mas não. Bem prega frei Tomás…

escrito por Carlos M. E. Lopes

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A ZEZINHA E OS CHINESES

Maria José Nogueira Pinto fez algumas considerações sobre a baixa de Lisboa e saiu-se com aquela de que não quer lojas de chineses na baixa. A Zezinha

(como lhe chamam aqueles que gostam dela e aqueles que não a gramam, como eu)
acha que a invasão amarela é um perigo para a raça. Podem contaminar, vulgarizar a baixa e torná-la perigosa para as nossas gentes.

Acho bem, Zezinha. Desta vez superaste-te. Ainda bem que o Costa te foi buscar ao baú da história e te deu a importância que tu mereces. És tão querida…

escrito por Carlos M. E. Lopes

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SEGUNDAS FILAS

Desde manhã cedo, já ouvi hoje várias versões de noticiários

[em várias estações de rádio, na tv...].
Só me lembro de uma notícia comum: António Costa
[o ex-governante pê-èsse, actual autarca pê-èsse e provável futuro líder pê-èsse]
determinou lançar, a partir de hoje, um gigantesco (?) combate ao estacionamento em segunda fila.

É o estilo do governo pê-èsse transposto para a autarquia de Lisboa. O estacionamento em segunda fila implica, indecentemente, desrespeito pelos outros? claro que sim! O estacionamento em segunda fila é intolerável? claro que sim! Para o combater, a notícia, em vez de
António Costa declara tolerância zero ao estacionamento em segunda fila
poderia ser
António Costa apresentou projectos de construção de novos parques gratuitos (?!) de estacionamento.
A grande diferença entre a primeira e a segunda medida é que a primeira, sem deixar de ser "populista", dá euros
[e os autarcas, por norma, são bombas sugadoras de euros].
...E lembro-me de um cartaz espalhado por um outro autarca social-democrata
[não menos social-democrata de que este Costa social-democrata],
Fernando Ruas, na cidade onde é quase-rei. Dizia: "Estamos a resolver o problema do estacionamento na cidade". E resolveram. Bastou introduzir, em praticamente todo o espaço citadino, uma "figura" até então inteiramente nova na zona: a do parquímetro.

Estes social-democratas... valha-me Deus!...

escrito por ai.valhamedeus

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O DN E O MACÁRIO

O DN, a semana que passou, resolveu atribuir privilégio de primeira página - como se o assunto a tal se prestasse - a uma acusação feita pela Drª Teresa Sequeira de um presumível assédio sexual pelo Engº Macário Correia.

O DN não anda bem e sabemos que a chamada silly season é propensa a frivolidades. Vamos ler a notícia e vemos que uma funcionária da CMT acusa o presidente da Câmara (Macário Correia) de a ter assediado sexualmente. Eu conheço as personagens em causa e penso que a Drª Teresa não merece um tal ataque... a ter acontecido.

O que me preocupa é que tal notícia tenha honra de primeira página. Porque de notícia se trata: a senhora acusa mesmo o engenheiro de a ter tentado seduzir. Se a tentou é que não se sabe...

Esta notícia coloca vários problemas. O primeiro é o de saber o que anda a fazer um jornal centenário, como o Diário de Notícias, com notícias deste jaez na primeira página.

O segundo é o que preocupa a imprensa escrita nesta época, quando na Europa se discutem outros problemas, nomeadamente a polémica proposta de Sarkozy de castrar os pedófilos.

Por último, como descalça esta bota Marques Mendes, que defende o afastamento de todos os políticos que se vejam acusados e sabendo que Macário Correia é porta voz da sua candidatura à liderança do PSD e é, neste momento, vice-presidente do PSD.

Um imbróglio.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS MATRIARCAS

Não resisto a transcrever, em parte, este texto de Aurélio Lopes, sociólogo e professor na Escola Superior de Educação de Santarém. E autor de livros como "Tempo de Solstícios".
E boas férias!

OS MATRIARCAS

Como animal social que é, o Homem assume vivências hierarquizadas nas suas interacções grupais entre indivíduos de funções e estatutos, necessariamente, diferenciados. Em muitas sociedades animais, os indivíduos de prestígio superior detêm, igualmente, claros privilégios na relação com os seus parentes de menor estatuto. Ocupam o melhor lugar no território do grupo: o mais central, o mais elevado! Comem e bebem primeiro, melhor e, principalmente … mais!(…)

Em grupos mais alargados são usualmente fêmeas: "axis mundus" em redor das quais se dispõe o bando, se estabelece a teia de relações e se movimentam adesões e rejeições. São matriarcas, distantes e impassíveis. Inacessíveis ao comum dos indivíduos!

Como nos fazem lembrar personagens autárquicas que conhecemos por esse país fora!! Personagens em que, passados os enfáticos tempos eleitorais, os populismos militantes (feitos de beijinhos a criancinhas amorosas e a velhinhas adoráveis) se esvaem como por milagre.

Apressam, então, em rodear-se de um círculo de burocracias e dificuldades, obstáculos e empecilhos, que tornam o acesso às mesmas bem mais difícil que ao Papa! Reduz-se este ao círculo privado de amigos e conhecidos. E aos amigos dos conhecidos! E aos conhecidos dos amigos!

Colocam-se assim, num pedestal difícil de alcançar e que obriga, ainda, os suplicantes a olhá-los, humildemente, de baixo para cima.

O acesso torna-se, ele próprio, condição e consagração de estatuto. E se com Deus e os santos podemos, pelo menos, falar directa e imediatamente, aqui só com audiência marcada! Marcada a perder de vista, adiante-se! Destinada a fazer perder a vontade e a paciência!

E mesmo que esta não fraqueje, que a necessidade mais ou menos imperiosa a isso obrigue, pode sempre surgir uma urgência de última hora, lamentável com certeza, mas inultrapassável!

O senhor vereador não está disponível! Está em reunião. Não, não sei quando acaba! Sim, acho que vai demorar! E depois tem de ir a uma recepção. Aliás, já está atrasado! Sim, é uma pena! Tente mais tarde.(…)

É claro que estas atitudes, impróprias de quem, com certeza, está na política por “espírito de missão”, seriam perfeitamente desnecessárias se não existissem os “chatos” dos tais munícipes!

Sim! Por que raio é que os municípios hão-de estar sempre “infestados” de munícipes?

Que praga!! O Vaticano, por exemplo, não tem população, e não consta que se esteja a dar mal!
escrito por Gabriela Correia, Faro

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