Estranha época, aquela! Havia deuses ou as pessoas acreditavam ser deuses. Estão a crucificar uns homens; um diz ao outro que é um deus; e o outro acredita; o primeiro diz-lhe que nessa noite estarão juntos no céu. E, estás a ver, a burla. A inscrição: Rei dos judeus. E os soldados a jogar aos dados. E o que o atraiçoa é quem lhe dá o beijo. Tudo isso escrito em poucas linhas – a gente escreveria páginas e páginas – e estão ali os melhores detalhes circuntanciais, a história mais extraordinária, contada de passagem. E o que é que me dizeis das últimas palavras? “Meu Deus, meu Deus, por quê me abandonaste?” Nesse momento compreendeu que não era deus nem nada: um homem a morrer. E essas palavras, registam-nas os que querem provar-nos que era um deus. Tudo é estranhíssimo.J. L Borges (citado por A. Bioy Casares A. em Borges)
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>


