A opinião de Villaverde Cabral:
escrito por Gabriela Correia, Faro LEIA O RESTANTE >>
A opinião de Villaverde Cabral:
O meu baú comemorou o dia dos namorados com 3 extratos de 3 óperas onde o amor é tema dominante: "Aida" de Verdi e "As bodas de Fígaro" e "A Flauta Mágica" de Mozart. Ouver em Fogo que arde sem se ver.
escrito por ai.valhamedeus
ALL WE NEED IS LOVE - ELA
Devagar, muito devagar vais-te desprendendo
Sem querer,
Querendo.
Devagar, muito devagar deixo-te ir.
Querendo,
Sem querer.
Ficar é este meu existir de partidas adiadas
Presa ao teu partir.
Mas ficando e existindo.
Partindo, sem partir
E tu vais ficando
Preso ao meu ficar.
E eu odeio-te e odeio-me neste lugar do nosso (des) encontro,
Vendo-te partir a cada dia.
E deixo-te ir
Com o coração em desalinho,
O rosto desgrenhado,
A imagem da dor em contrabaixo.
A saudade já senhora e dona, por inteiro.
Sabendo que não está certo,
Mas que é assim que tem de ser.
Sou eu e não sou eu quando te abraço
Sou aquele que te quer quando estás longe
E te não vê quando viras a esquina ao meu encontro.
Sou eu e o outro que se desprende sem motivo ou retrocesso
No acesso aos teus braços, de improviso.
Sou eu quando te beijo
E me comovo na hora de partir
Devagar.
Envergonhado por ficar
Porque o porvir já me marcou falta na folha de presenças
E a tua indiferença me atormenta
E aguilhoa a vontade de ficar.
E fico.
Confundido nos teus dias que repetes
Sem querer, querendo.
E sou eu e todos os outros que tu sabias antes de mim.
E, por fim, parto
Sabendo que está certo,
Mas que não é assim que tem de ser.
[continua, daqui]
O epicentro da conversa migrou para a mesa das amigas e eu regressei à leitura.
E à escrita.
A conversa versou vários temas
(sim, não sou o Napoleão, mas, enquanto leio, consigo “apanhar” esta ou aquela palavra. O resto imagino. E elas falavam alto!)A minha palradora quis ressuscitar Salazar, incólume e angelical. As outras não deixaram: cala-te! Nesse tempo não se podia abrir a boca.
Às vezes rezo[José Tolentino de Mendonça]
sou um cego e vejo
as palavras o reunir
das sombras
às vezes nada digo
estendo as mãos como uma concha
puro sinal da alma
a porta
que queria que batesses
tomasses um por um os meus refúgios
estes dedos
inquietos na ignorância
do fogo
pois que tempo abrigará
os anjos
e que dia erguerá todo o sol
que há nas dunas
por isso
às vezes chove quando rezo
às vezes quase neva
sobre o pão
O Tom e Jerry já não estão no Kansas...O Feiticeiro de Oz (1939)
Eles foram visitar o Feiticeiro, o maravilhoso Feiticeiro de OZ! Tom e Jerry vão sobrevoar o arco íris e percorrer a famosa estrada de tijolos amarelos nesta adaptação do famoso clássico ("O Mágico de Oz").
Junto com Tom, Jerry, Toto, o Espantalho, o Homem de Lata, o Leão, Dorothy, a bruxa Malvada do Oeste entre outros, a diversão está garantida e nossos heróis vão fazer de tudo para levar Dorothy e Toto de volta para o Kansas, afinal não há lugar como o lar!
"O Mágico de Oz" de 1939, realizado por Victor Fleming com a actriz Judy Garland:
Ignoro as razões pelas quais foi feito o acordo ortográfico. Acordos têm sido feitos ao longo da história portuguesa. Não me repugna nem me entusiasma. Sobre o conteúdo e sobre o mérito não me pronuncio, por não dispor de elementos que me permitam uma posição sustentada. Em princípio, nada a opor.
O que acho caricato, e por estar no âmbito da política pura e dura, é a posição de Vasco Graça Moura. O Vasco Graça Moura achou que no CCB não havia de aplicar o acordo. Nada tenho a favor nem contra, como já disse. O que acho estranho é que o governo, muito teso na defesa da sua autoridade, perante esta decisão de um seu comissário, assobie para o lado e se escude em questões formais para nada dizer. Tivesse tal posição sido tomada por um qualquer subalterno -- e eis que o governo, com o Sr. Portas à cabeça, haveria de colocar a autoridade do Estado no seu lugar, como estão a fazer com os miltares. Mas, como é o Vasco da cultura, o governo acha bem meter a caudinha entre as pernas.
A minha experiência com o poder
(contra o poder, sempre)é que o dito é cobarde. Sempre será -- e basta alguém bater o pé, já ele não sabe o que fazer.
(sobre a definição de conhecimento. Com particular interesse para os alunos do 11º de Filosofia).Como se prova no texto O doido e o conhecimento.
“…Falei
(num colóquio internacional co-organizado pelo Indian Institute of Advanced Study, pelo Centro de Estudos Sociais, e pela Universidade de Goa, integrado nas celebrações da libertação)
das características do colonialismo português, bem diferente do inglês, e fiz questão de salientar que das diferenças não seria legítimo concluir se o colonialismo português foi melhor do que o colonialismo inglês, já que todos são maus. No final, uma antropóloga indiana, profª na Califórnia, criticou-me por eu ter dado uma visão muito positiva do colonialismo português. Respondi-lhe que essa era uma interpretação errada do que eu tinha dito. Para minha surpresa, leio no principal diário da Índia, The Times of India, do dia seguinte, que eu afirmara que o colonialismo português fora pior do que o inglês pelo facto de Portugal ser menos desenvolvido do que a Inglaterra. Poucas horas depois recebo uma mensagem de uma jornalista da Lusa preocupada com o teor da notícia e querendo saber em que é que eu me baseava para considerar o colonialismo português pior do que o inglês. Desfiz o equívoco e expliquei a minha posição. Mereceu a pena. Era uma jornalista muito competente, a julgar pela notícia que escreveu….”[Boaventura de Sousa Santos, prof catedrático da Universidade de Coimbra e director do Centro de Estudos Sociais (CES) e 25 de Abril, prof na Univ. de Wisconsin- Madison, com vasta obra de projecção internacional, em particular nos domínios da sociologia, democracia e direitos humanos]