TRUMP(A)

O MILITANTE E EL VIEJO TOPO

Não sei se toda a gente tem os seus rituais; eu tenho. Um deles, há já muitos anos, é, em meados de agosto, comprar a EP e o programa da Festa do Avante e O Militante (a revista de "Reflexão e Prática" do PCP).

Compro O Militante, na esperança, até agora vã, de encontrar uma revista com uma perspetiva de análise teórica dissonante (da pasmaceira das publicações portuguesas), mas arejada. Infelizmente, continua a ser muito uma publicação de catequese (de santinhos e catecismo).

Que fique claro: não espero (nem desejo) que a perspetiva de análise seja diferente (digamos, simplificadamente, que deixe de ser marxista-leninista); mas gostava de ler uma revista arejada nos temas, nas ilustrações, na própria mancha da página...


Como referência, tenho uma publicação espanhola que compro... quando calha (ir a Espanha): El Viejo Topo. Não, repito, na perspetiva de análise (neste caso, talvez anarquista), mas nos temas abordados.

(nb, para algum militante do PCP que eventualmente me leia: eu sei que quem define a linha editorial não sou eu; limitei-me apenas a... desabafar)

escrito por ai.valhamedeus

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ACERCA DA MONARQUIA E DA MÚSICA

Tenho alguns amigos monárquicos, que em comum têm o defenderem a monarquia com duas relevantes razões:

  1. a monarquia é mais barata que a república; 
  2. o rei e a família real são exemplares. 
Não sei (quase) nada sobre 1); mas a verdade de 2) é para mim uma evidência evidentíssima.


Seja o exemplo de Don Juan, o emérito rei espanhol. Don Juan, diz quem sabe (diz-se, por exemplo, aqui), teve 5.000 amantes, com quem se encontrava de helicóptero. 5.000 dá para passar mais de um ano servindo-se de uma por dia, sem repetir. Se isto não é exemplar qualidade de vida, digam-me lá o que é. Quem é que não gostaria de ter uma vida assim?! Eu gostava.

O Don Juan espanhol ganhou aos pontos ao Don Juan de Mozart. Este, coitadito!, ficou-se por um modesto número de 2.065: pelas contas do seu criadote Leporello, 640 em Itália; 231 na Alemanha; 100 em França; 91 na Turquia; e, em Espanha, 1003. Leporello especifica que "são já 1003"; mesmo admitindo que esse "são já 1003" pode significar que o número continuava aberto para novas aquisições, mesmo assim, tenho dúvidas muito sérias de que alguma vez tenha conseguido o suficiente para chegar perto das 5.000.

Para que se não pense que estou a brincar (com coisas sérias não se brinca), convido a que (re)ouçam a aria onde Leporello faz a contagem:



escrito por ai.valhamedeus

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A TROPA E O AMOR


Num dos canais televisivos, um comando reformado acaba de revelar o que para mim era desconhecido e uma revelação mais improvável do que... o quarto segredo de Fátima: que é na tropa que se aprende a amar.

Vou dormir, para mastigar isto durante o sono.

escrito por ai.valhamedeus

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A NORMALIZAÇÃO DA ORTOGRAFIA

Apesar das críticas às mais recentes alterações ortográficas, penso que estas não foram tão longe quanto podiam e deviam ter ido. (Até porque, prevendo-se que são inevitáveis as reações por inércia, reações por reações, melhor teria sido que se poupassem reações a alterações futuras).

Designadamente, penso que se poderia e deveria ter ido mais longe na normalização da transcrição fonética, através de normas que fossem tão gerais quanto possível, ainda que isso implicasse a eliminação de vogais/consoantes desnecessárias. Por exemplo, não faz sentido distinguir ortograficamente palavras que se pronunciam do mesmo modo, como é o caso de “cozer” e “coser” ou “assento” e “acento” ou “conselho” e “concelho”... ou todas as palavras homófonas.

Poder-se-á objetar que são coisas diferentes; mas, ao pronunciá-las, as diferenças reconhecem-se pelo contexto – o que também se pode fazer nas frases escritas. Aliás, há já imensas palavras em que isso acontece, como com a palavra “banco” (o banco de sentar ou o banco que um dia destes teremos que resgatar) e “amo” (verbo e substantivo) e “são” (saudável e verbo ser)… e todas as palavras homónimas.



[Fernando Pessoa é citado com frequência pelos "anti-acordistas".
O que estes parece desconhecerem é que 
a ortografia defendida por Pessoa era diferente da que eles usam]

escrito por ai.valhamedeus

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PASSOS: OS TIROS NO PÉ CONTINUAM


Passos Coelho, tentando explorar a tragédia de Pedrógão Grande, inventa (ou reproduz) boatos sobre suicídios.

Um partido que continua a ter um dirigente assim merece o dirigente que tem. 

Pêèssedeiros, mantenham-no por muito tempo! Os outros partidos agradecem.

escrito por ai.valhamedeus

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FLAMENCO E POLÍTICA

Há quem ache que o flamenco é de esquerda e os flamencos, de direita.

Perguntado sobre o assunto, o cantor de flamenco Enrique Morente respondeu, ironicamente:

'Somos de donde más nos convenga. Que viene la izquierda, para la izquierda; que viene la derecha, para la derecha; el centro, para el centro... Menos para atrás, para cualquier lado'. 
Este mesmo Morente, em concerto após o assassinato de Carrero Blanco, interpretou um fandango, adaptando a letra... à ocasião. O original (de José Cepero, dedicado a uma mulher) diz:
"yo no me quito en mi vida el sombrero
pa ese coche funeral
que la mujer que va dentro
a mí me ha hecho de pasar
los más terribles tormentos". 
E a adaptação (que valeu a Enrique ser incomodado pela polícia e uma multa de 100.000 pesetas):
"yo no me quito en mi vida el sombrero
pa ese coche funeral
que la persona que va dentro
a mí me ha hecho de pasar
los más terribles tormentos".


O original soa assim, na voz de Tío Gregorio el Borrico [na foto]


escrito por ai.valhamedeus

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O ÓDIO DO PRESIDENTE


O Presidente da República considera ODIOSO o ataque contra cristãos coptas no Egito.

ODIOSO é aquilo que merece ou inspira ódio. Portanto, este ataque despertou ÓDIO EM MARCELO
(terá sido por ser ataque a cristãos?). 
Só falta saber como (e contra quem) é que o Presidente da República vai exteriorizar esse ódio.

escrito por ai.valhamedeus

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ASTROLOGIA: PROGNÓSTICOS, SÓ NO FIM DO JOGO



Há um professor de filosofia que mantém um blogue onde, além de testes com questões algumas das quais eu não quereria resolver (pobres alunos!, digo eu) -- além desses testes, divulga as explicações astrológicas de alguns acontecimentos mediáticos. Por exemplo, atentados bombistas ou badaladas vitórias (ou quase) no futebol.

Foi o caso do "atentado bombista islamista em Manchester, Inglaterra, que matou 22 pessoas e feriu outras 59 no final de um espectáculo musical, em Albert Square, em 22 de Maio de 2017", que "estava escrito no Zodíaco ou circunferência celeste de doze signos ou arcos de 30º. Os terroristas são impelidos pela radiação dos planetas em movimento sobre a sua estrutura planetária psicológica (o seu mapa do céu de nascimento) e colocam as bombas ou disparam sobre pessoas ou atropelam pessoas na hora em que os planetas conjugados entre si determinam".

Esta explicação recebeu este título: Graus 14º-17º de Carneiro e 7º-8º de Touro e 16º-19º de Touro: Atentados Islâmicos na Europa.

O curioso destas explicações é que são todas posteriores ao acontecimento explicado. Se pudessem antecedê-los é que era porreiro, pá, não era?

escrito por ai.valhamedeus

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VIOLÊNCIA DE GÉNERO? Pffffff!


O que é a VIOLÊNCIA DE GÉNERO em casos como este?

Estou cada vez mais distante (se tal é possível, de tão distante que sempre estive) de causas como esta.

[antes que seja mal interpretado: acho que publicar fotos ("íntimas" ou desse género) sem consentimento do próprio é moralmente mal e legalmente proibido. É. Que são sobretudo homens a fazer isso? Talvez (parece que) sim. E daí? O que é que isto tem que ver com igualdade de género? Os trabalhadores das minas e da construção civil e os assaltantes de bancos e... são maioritariamente homens. E daí?]

escrito por ai.valhamedeus

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