hoje é sábado 64. BUCÓLICA

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira:
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha
[Miguel Torga]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ANTI-PIRATARIA * 24. o pesado lastro da ganância

"Zambita para que canten
Los humildes de mi pago
Si hay que esperar la esperanza
Mas vale esperar cantando."
Se o referido projecto for aprovado, os humildes terão que esperar mais 20 anos, já que "Zamba de los humildes" consta de uma lista de obras que estão "seriamente ameaçadas" (sic) de passar ao domínio público. Este LP é, aliás, uma prova clara de que se está a legislar em benefício das companhias discográficas multinacionais
[Sony BMG Music Entertainment inclui-o no seu catálogo e logicamente espera um aumento de vendas, como ocorre sempre que morre um artista popular]
e a fechar ainda mais a autêntica democratização do património cultural.

Mais informação aqui.

2.
No Dia da Consciência Negra, o Partido Pirata Argentino
["mais do que um partido... um domínio público"]
publicou a versão portuguesa do seu manifesto. Um documento onde se reivindica a bandeira, o legado e o nome dos Piratas, na periferia do que alguns chamam ilegalidade, pela igualdade, liberdade, autodeterminação e autêntica convivência multicultural, contra os monopólios do conhecimento, da cultura, e do patenteamento da vida, contra as metrópoles actuais que depredam os recursos naturais
[mares, ventos, planícies e montanhas]
nas suas colónias -- o planeta inteiro. Pela libertação do pesado lastro da ganância.

O partido assume, expressamente, o assalto às "naves do egoísmo e do saqueio, para quebrar a opressão das falsas leis da escassez, do copyright e de seus artificiais feudos imateriais, fraudulentas miragens propagandísticas que nos restringem o acesso a este novo mundo da abundância multicolor, onde todos nós podemos criar, copiar, multiplicar e compartilhar". Defende, por outro lado, "a privacidade, o anonimato, as redes livres e a neutralidade da Internet, como ferramentas de libertação que nos permitam seguir sustentando nossa autonomia, capacidade de nos organizar e de resistir às leis cerceantes".

...Um programa fundamentado no princípio de que "a liberdade, a solidariedade e os compromissos colectivos são o único caminho sustentável para seguir existindo como seres humanos em nosso planeta".

escrito por ai.valhamedeus

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PSD? BERDA MERDA!

7 de Novembro de 2008 [antes das eleições]:

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu hoje a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas.
Do programa eleitoral do PSD:
Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito, e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação.
13 de Novembro de 2009 [após eleições]:
PSD admite não pedir suspensão da avaliação de professores.
20 de Novembro de 2009:
Avaliação de professores: aprovado projecto do PSD.
escrito por ai.valhamedeus

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ANTES PELO CONTRÁRIO

Vi hoje
[pela segunda vez -- e, pela segunda vez, por mero acaso]
o programa Antes pelo Contrário, da RTP
[hoje, com Bagão Félix e Garcia Pereira].
O formato parece-me ser uma imitação do Frente-a-frente da Sic Notícias. Só que... a distância que há entre os 2 programas... ó meu Deus! Mesmo quando o frente-a-frente é com gente intelectualmente menos interessante, mesmo quando Mário Crespo está nos seus dias menos bons... a Sic Notícias ganha à RTP aos pontos
[a menos que eu tenha tido azar nos 2 programas da televisão pública que a sorte me fez calhar].
escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEOS DA SEXTA 39. un giorno di vita

Un giorno di vita - vídeo original: L'ENFANT DE LA HAUTE MER (2001)


escrito por Adriana Santos

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MÚSICA PARA O FIM DE SEMANA - peter gabriel



A última tentação
A sugestão musical, para este fim de semana do nosso colaborador Eduardo LG
[ver o seu blogue Algo de Música y tal vez otras cosas]
é a música de Peter Gabriel, a que o músico compôs para o filme "A última tentação de Cristo", o polémico filme de Martin Scorsese.

Está AQUI.

escrito por ai.valhamedeus

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AS NOSSAS CAUSAS

5 RAZÕES PARA NÃO USAR PRESERVATIVO


escrito por ai.valhamedeus

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DIZCIONÁRIO [80 governador civil]


Miguel Ginestal ViseuEntre eles está Miguel Ginestal, que correu em Viseu com equipas de selecção, mas foi derrotado. E nomeado.

É o que se pode chamar prémios de consolação
[bom... digamos que... se os cargos de governador civil não servem para isso, para prémios de consolação, para que é que hão-de servir?!]
escrito por ai.valhamedeus

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CONSULTÓRIO SENTIMENT[e]AL -8- avisar de que

ESEN ViseuLeitor(a):

Na escola onde trabalho foi afixado, há tempos, um aviso que reproduzo na imagem anterior e de que cito o primeiro parágrafo:

Avisam-se todos os professores que os alunos que tiverem ordem de saída da sala de aula, conforme as estipulado no artigo 26º, ponto número 2, alínea b) do Estatuto do Aluno, devem ser encaminhados para o Gabinete de Apoio ao Aluno, acompanhados de um funcionário.
A minha pergunta é:
deve dizer-se "Avisam-se todos os professores que os alunos... devem ser encaminhados" ou "Avisam-se todos os professores de que os alunos... devem ser encaminhados"?
[Leitora de Escola identificada]

RESPOSTA [de Ciberdúvidas]:
Os verbos informar e avisar seleccionam dois complementos:

— Complemento directo («informar/avisar alguém»);

— Complemento preposicional («de alguma coisa»).

Quando ambos os complementos estão presentes, o uso da preposição de é obrigatório, pois o complemento de assunto é introduzido por essa preposição, seja ele um sintagma preposicional (cf. exemplo 1) ou uma oração subordinada completiva (cf. exemplo 2).

(1) «Ele avisou-nos da sua saída tardia.»

(2) «Ele avisou-nos de que iria sair mais tarde.»

Por conseguinte, é correcta a sequência de que a introduzir a oração completiva, quando o sintagma nominal complemento directo está presente.

Quando não se menciona a entidade que informamos/avisamos, a omissão da preposição de já é legítima, porque a oração completiva passa ela própria a desempenhar a função de complemento directo:

(3) «Ele avisou que iria sair mais tarde.»
Portanto, deve dizer-se "Avisam-se todos os professores de que os alunos... devem ser encaminhados".

escrito por ai.valhamedeus

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PURA MÚSICA



escrito por ai.valhamedeus

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AVALIAÇÃO E OBJECTIVOS INDIVIDUAIS

Transcrito do sítio da FNE na web, comunicado com origem no Gabinete da Ministra da Educação, sobre sobre o 1º ciclo de avaliação do desempenho docente:
  1. O 1º ciclo de avaliação do desempenho docente prossegue e conclui-se, nos termos da lei, até 31 de Dezembro de 2009.
  2. Todos os docentes serão avaliados no âmbito do 1º ciclo de avaliação desde que se tenham apresentado a avaliação na primeira fase desse processo, tal como identificada na alínea a) do Artigo 15º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro e como tal mantida no chamado procedimento de avaliação simplificado, nos termos da alínea a) do nº 2 do Artigo 2º do Decreto Regulamentar nº 11/2008, de 23 de Maio.
  3. Assim, a apresentação do avaliado à primeira fase do processo de avaliação concretiza-se através da entrega da ficha de auto-avaliação, que é legalmente obrigatória (conforme dispõe expressamente o nº 2 do Artigo 16º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro), ainda que não tenham apresentado previamente, no prazo previsto, a respectiva proposta de objectivos individuais.
  4. Nos termos da alínea a) do nº 1 do Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, a avaliação de desempenho tem sempre por referência os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
  5. Quando estejam fixados objectivos individuais, o grau de cumprimento desses objectivos constitui, nos termos do Artigo 10º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, referência essencial da classificação atribuída em relação aos parâmetros a que tais objectivos se reportem.
escrito por ai.valhamedeus

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É SUSPENSÃO OU NÃO?

Transcrito do sítio da Fenprof na web

[onde há outras informações sobre a reunião de hoje com o Ministério],
sem outro comentário para além de... hummmmm!...
FENPROF propôs resolução de problemas decorrentes da aplicação do 1º ciclo avaliativo e suspensão do ciclo que agora se inicia

Na reunião realizada entre a FENPROF e o ME (18/11/2009) foi definido o calendário negocial para o desenvolvimento do processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente, em que se inclui a aprovação de um novo regime de avaliação do desempenho. As reuniões negociais iniciar-se-ão em 25 de Novembro e prolongar-se-ão até 30 de Dezembro. As reuniões realizar-se-ão todas as quartas-feiras às 15 horas. À cabeça, a FENPROF verá definida a nova estrutura da carreira, devendo ser eliminada a sua divisão em categorias e depois, então, revistos os restantes aspectos que integram o Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Nesta reunião, a FENPROF apresentou ao ME uma proposta escrita visando resolver um conjunto de problemas que decorrem do modelo de avaliação ainda em vigor, defendendo:

i) a suspensão da aplicação do segundo ciclo avaliativo;

ii) a garantia de avaliação de todos os professores no primeiro ciclo avaliativo, independentemente de terem exercido, ou não, o direito de apresentarem proposta de objectivos individuais;

iii) a anulação dos efeitos das designadas menções de mérito, atribuídas no primeiro ciclo avaliativo, designadamente para efeito de concursos.

O Ministério da Educação garantiu que seriam tomadas medidas que evitariam que os professores e as escolas se empenhassem em tarefas eventualmente desnecessárias para o futuro modelo de avaliação. Garantiu ainda que do 1º ciclo avaliativo, não seriam penalizados professores.

Ficou ainda prevista a marcação de outras reuniões, no sentido de serem tomadas medidas que permitam resolver problemas existentes e que carecem de resposta urgente.

Os assuntos propostos foram:

- Horário de trabalho dos docentes, concurso de professores, profissionalização em serviço, vínculo laboral dos docentes das AEC, Ensino Português no Estrangeiro, Direcção e Gestão Escolares, Educação Especial, entre outros.

Posteriormente, serão ainda solicitadas reuniões para a abordagem de outros temas muito importantes e que carecem, igualmente, de um debate profundo e de medidas concretas para a resolução dos problemas que forem identificados.

O Secretariado Nacional da FENPROF
18/11/2009
escrito por ai.valhamedeus

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LEIT(e)URAS [38] os cus de judas

Apesar das várias tentativas, nunca consegui ler Lobo Antunes, o António. É óbvio que, sendo o escritor
[eterno]
candidato ao prémio Nobel, o defeito só pode ser meu.

Psicanalisei-me e concluí que o meu problema é falta de motivação. E comecei já a motivar-me, abordando novamente Os Cus de Judas. Tentei já ler o romance várias vezes, mas sempre numa edição com esta capa:
É claro que, assim, não pode haver grande motivação. Mas estou convencido de que esta edição do Círculo de Leitores, cuja capa reproduzo a seguir, é tão motivante que hei-de lê-lo até ao fim
[embora tenha algum receio de que me fique eternamente pela capa].

escrito por ai.valhamedeus

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HOJE É DIA DAS MENTIRAS!

O Público noticia que

PS, PSD e CDS avançam com expulsão de militantes.
E especifica: quem se candidatou em listas concorrentes às do próprio partido nas últimas autárquicas infringiu os estatutos e pode ter de sair. Só no PCP e no BE não há processos.

Ora isto só pode ser brincadeira do dia das mentiras. Toda a gente sabe que o PCP
[este, sim!]
é que expulsa militantes
[e toda a gente o sabe pela gritaria pública que rodeia essas expulsões].
Toda a gente sabe que o PCP é o único partido antidemocrático português
[vá lá... o BE também é um bocadinho, mas não tanto].
E agora vem o Público com esta notícia?! Só falta amanhã o jornal explicar que o dia das mentiras é quando um homem quiser
[e, efectivamente, é!].
escrito por ai.valhamedeus

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ANA GOMES E DURÃO BARROSO

O Expresso publica um texto onde se tentam traçar as linhas de actuação de Barroso e onde este é descrito como um habilidoso com pouca convicção ideológica e muito jogo de cintura. Será isso. Mas o que, mais uma vez, se verifica é a “ternura” que Ana Gomes tem pelo homem. Às tantas diz ter comunicado a Barroso que iria deixar a diplomacia para se dedicar à política no PS e que Barroso lhe teria dito “mas então porque é que não vens para o meu partido?!”.

Há aqui, como é óbvio, uma crítica implícita a Barroso, por achar que se pode fazer política de igual modo no PS e no PSD e a inconfidência de uma conversa privada entre Ana Gomes, diplomata, e Durão Barroso, primeiro-ministro.

Sobre esta última, penso que Ana Gomes deveria abster-se de divulgar o que se passou num encontro privado. A conversa não foi no Parlamento e, por isso e ainda por cima, sendo desagradável para uma das partes, havia o dever de reserva.

Em segundo lugar, Barroso disse de facto uma blasfémia. Ana Gomes aderiu ao PS pela mão de Ferro Rodrigues. Opôs-se a Sócrates por causa dos voos da CIA para Guantánamo, derreteu-se e submeteu-se a Sócrates no Congresso quando a ela e a Elisa Ferreira lhes foi permitido serem candidatas ao Parlamento Europeu e à Câmara Municipal -- e ainda vem falar de coerência ou de adrenalina do poder?! Por outro lado, a diferença entre PS e PSD, quem a descobriu? A recente alteração da posição do PSD em relação à avaliação dos professores vem provar a “profunda” diferença entre eles.

Falei de invertebrados, eu? Não dei por isso.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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PENSAMENTO DO DIA

Face Oculta é «problema comezinho»
[Mário Soares]

escrito por ai.valhamedeus

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CRUCIFIXOS E LAICIDADE

Para fazer o contraponto, transcrevo, do Público de hoje, a opinião de Frei Bento sobre crucifixos e laicidade:

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu que a escola pública não tem religião nem pode usar símbolos religiosos

1.Segundo os meios de comunicação, perante a queixa de uma mãe, Soile Lautsi, que, em 2002, exigiu a retirada dos crucifixos na escola pública de Vittorino da Feltre (Pádua), onde os seus filhos estudavam, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo, acaba de lhe dar razão - a escola pública não tem religião nem pode usar símbolos religiosos - e condena o Estado italiano a pagar-lhe uma multa de cinco mil euros por danos morais.

Esta decisão é considerada, por uns, como lamentável, por outros, como uma decisão histórica na afirmação da laicidade do ensino público e na defesa da liberdade individual em matéria religiosa na Europa. Na Itália, a sua rejeição parece bastante generalizada, o Governo italiano vai recorrer da decisão e o Vaticano está de acordo.

Em Portugal, em 2005, este tema prometia um balão de polémicas. Pela voz de D. Carlos Azevedo, então porta-voz da CEP, foi esvaziado com declarações muito descontraídas, cheias de bom senso, que não davam para alimentar a ira dos laicistas. Da parte do Governo também não houve nenhuma vontade de precipitação e, em várias instâncias, foi-se abrindo caminho para soluções que respeitem a laicidade, a liberdade de crer e não crer e a presença das religiões na escola pública, para aqueles que não as consideram fonte de alucinação.

2.Continuaremos, no entanto, confrontados com vários aspectos das problemáticas em torno desta questão, pois, nem o mundo nem a Europa esgotaram as suas surpresas nos séculos XIX e XX. Felizmente, dispomos, entre nós, de algumas referências que podem ajudar a não ser simplistas com soluções abstractas que não tenham em conta a complexidade do devir histórico das sociedades e mentalidades. Destaco uma obra incontornável, de perspectiva histórica, de Fernando Catroga, com prefácio de Anselmo Borges (1), e um texto indispensável de Eduardo Lourenço, elaborado nas fronteiras da história cultural, da filosofia e da teologia, lembrando que a laicidade não é inocente se não comporta distância em relação à tentação de se fechar sobre si como "discurso de verdade" (2).

A laicidade pode ser vista, antes de mais, como um processo histórico desencadeado como efeito da secularização, isto é, da perda de influência social da religião e da sua capacidade configuradora da história, manifestada na autonomia da ciência, da política, da filosofia, da economia e da própria moral. A partir do Vaticano lI, redescobriu-se oficialmente que a própria autocompreensão do cristianismo exige a autonomia das realidades temporais. Por outro lado, a essência da laicidade não está na separação entre o Estado e a Igreja ou a religião e a política e nem se limita, sequer, à questão religiosa. Como observa o historiador Émile Poulat, o que está em jogo na laicidade é, antes de mais, uma concepção do ser humano e o papel da consciência individual. O facto da separação da esfera civil e política da esfera religiosa e eclesiástica só atinge o seu verdadeiro sentido quando essa separação é posta ao serviço da primazia da consciência e da defesa da liberdade humana.

3.Não basta, por isso, considerar a laicidade como um valor e um património histórico, cultural e político comum à Europa e à cultura ocidental, ignorando a sua raiz e origem profundamente religiosas e, concretamente, cristãs. Foi nesse contexto que nasceu e se desenvolveu. É difícil compreender a sua génesis e sentido fora da matriz que o cristianismo lhe proporcionou.

É certo que os processos de laicidade e sua implantação se desenvolveram em confrontações abertas com a religião e com a Igreja, rompendo com a sua abusiva tutela. Apesar dessa beligerância, não se pode esquecer que as noções de pessoa e humanismo, de autonomia e liberdade e direitos humanos ou da própria noção de separação do poder político e religioso só se tornam compreensíveis a partir da tradição cristã e judaico-cristã. Para Marcel Gauchet, como para vários outros analistas, a concepção laica da realidade do mundo, da natureza e do vínculo social constituiu-se, essencialmente, no interior do campo religioso, alimentou-se da sua substância e encontrou, aí, o meio para desabrochar como expressão das suas virtualidades fundamentais.

O quadro dualista, em que se tem movido a confrontação entre Igreja e Estado, religião e política, tornou-se insuficiente para entender as novas formas de expressão religiosa, a visibilidade pública da fé e as manifestações públicas do religioso no mundo actual. Como nota o já citado Émile Poulat, "a Igreja e a religião perderam o estatuto público de que gozavam no espaço público e, com ele, deixaram de ser um poder, mas encontraram um lugar legítimo na sociedade civil - essa grande família de corpos intermédios entre o Estado e os cidadãos - a partir do qual podem continuar a ser uma autoridade. Serão referências, tanto mais autorizadas e desejadas, quanto mais afastarem qualquer tentação de dominação política, social, cultural, económica ou religiosa".

O seu reino não é o das querelas de imagens, mas o seguimento do Crucificado no serviço dos excluídos.

(1) Entre Deuses e Césares, Coimbra, Almedina, 2006.

(2) Religião - Religiões - Laicidade, in Europa e Cultura, Gulbenkian, 1998, pp. 71-78.

escrito por ai.valhamedeus

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DO CONTRA [45] para a bíblia, não!

Como é do domínio público
[particularmente do público dos países libertados pela matriz judaico-cristã],
nos países bábaros dominados pelo Islamismo práticas como o apedrejamento de mulheres adúlteras e a prisão de homossexuais são, com frequência, aprovadas legalmente. Há quem diga que elas são fundamentadas no Corão
[não sei se são, que não tenho conhecimento de causa]
e que a própria guerra santa também o é
[não sei se é ou se não é, mas ainda hei-de tirar isso a limpo].
qpedrejamento BíbliaO que eu sei, com conhecimento de causa, é que na Bíblia se dizem coisas do género
[calma! não me apedrejem já! eu já me explico!],
em particular no Antigo Testamento -- mas neste caso é preciso fazer uma leitura simbólica. Façamo-la, então!

O livro do Êxodo
[no seu capítulo 20, vers. 18 ss]
prevê:
"Não deixarás viver a feiticeira. Aquele que tiver relações com um animal será condenado à morte. Aquele que oferecer sacrifícios a outros deuses além do Senhor será exterminado".
O que é que Deus
[que, como é do domínio público, a Bíblia é a palavra de Deus revelada aos Homens],
o que é que Deus quer dizer com não deixar viver, condenar à morte ou exterminar? Quer dizer que a essas pessoas, as devemos amar infinitamente, para que elas se convertam à Verdade Eterna
[sendo tais palavras palavra de Deus, nem podia ser outra coisa].
Esse mesmo Deus, que se revela na Bíblia, é um brincalhão: finge ser mau, mas, na verdade e numa leitura simbólica, é só fingimento, porque Ele até é bonzinho. Uma prova, extraída do mesmo Êxodo (32, 9 ss): falando a Moisés a propósito do seu povo, diz Deus que
"Vejo bem que este povo é um povo de cerviz dura (...): a Minha cólera vai inflamar-se contra eles e destrui-los-ei".
Mas, após Moisés implorar a favor dos seus súbditos, Deus mostra que aquilo era tudo a fingir; acrescenta a Bíblia que
"o Senhor arrependeu-Se das ameaças que proferira contra o Seu povo".
Isto pode parecer uma brincadeira de putos
[tipo o jogo do gato e do rato]
mas, fazendo uma leitura simbólica, percebe-se que a mensagem destas passagens é: Deus ama o Seu povo e até gosta de brincar com ele.

Também estão previstos na Bíblia castigos como a morte por apedrejamento ou na fogueira. O capítulo 20 do Levítico é um imenso repositório de penas diversas: será punido com a morte quem prestar culto a outro Deus
[morte por apedrejamento],
quem "amaldiçoar o seu pai e a sua mãe", quem cometer adultério com mulher casada, o homem que coabite com outro homem, quem desposar uma mulher e a mãe dela
[vão os três direitinhos para a fogueira],
quem "se ajuntar com um animal", quem desposar a sua irmã
["serão exterminados na presença dos seus concidadãos"]
ou a sua tia, quem coabitar com uma mulher menstruada, quem "se entregar a evocações ou sortilégios"
[será apedrejado].
No Êxodo (19,13) determina-se que quem subir ao monte Sinai ou tocar a sua base será apedrejado ou "trespassado por flechas". Segundo o Deuteronómio (13, 10), e também segundo o capítulo 21 de I Reis, "apedrejarás até morrer" todo o ente querido
[ninguém escapa: filho, filha, sobrinho, sobrinha, amigo...]
que tentar "secretamente seduzir-te" para "servir os deuses estrangeiros". Conta o Números [15, 32-36] que um homem apanhado a apanhar lenha ao sábado foi apedrejado até à morte por toda a comunidade, "como o Senhor tinha ordenado a Moisés".

E a lista poderia continuar...

Embora o povo do Senhor não fizesse, destas como das outras passagens, uma leitura simbólica
[encontramos, mesmo no Novo Testamento, provas suficientes de leituras literais: ver, por ex., Act 5, 26 ou 14,19],
não o fazia porque tal povo não era especialista na leitura simbólica da palavra de Deus. Mas a verdade é que tudo isto tem que ser devidamente interpretado
[há, por exemplo, quem faça notar que a Bíblia não especifica o tamanho das pedras -- e, portanto, podem escolher-se pedras suficientemente pequenas para não magoarem. Eu acrescentaria uma interpretação minha: e não podem usar-se pedras artificiais? feitas de plástico?, mais ou menos como as usadas por algumas polícias, as quais seguramente devem interpretar simbolicamente a Bíblia].
Actualmente, temos os teólogos que nos ensinam o que Deus
[que, recordo, a Bíblia é a palavra de Deus revelada aos Homens]
queria dizer com tudo o que disse
[porque o que Deus revelou não era o que Ele queria revelar].
Todos estes apedrejamentos e mortes -- é tudo actos simbólicos. Actos de amor. As pedras dos apedrejamentos não são pedras, são símbolos de beijinhos. De amorzinho de Deus. De dedicaçãozinha ao próximo. Tudo muito a jeito para a conversão das alminhas. Isso! a conversão das almas, isso é que é importante -- e só se consegue com o amor. O resto, tudo o que dizem alguns hereges, é fruto de má fé ou de uma leitura literal -- e isso, a leitura literal, é leitura para o Corão. Para a Bíblia, não.

escrito por ai.valhamedeus

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destaques [59] souto moura

Eduardo Souto Moura "Ten Houses Series – Souto Moura"
Published by Rockport Publishers | Publication date : October 1997 | ISBN : 1564963942 | PDF | 108 pages | English, Japanese | 38.6 MB

[está AQUI]

The Ten Houses series makes the most important elements of architectural design available to a large and varied audience. Each infinitely useful volume presents one of the world’s foremost architects and features 10 of his or her finest residential works-including presentation, drawings, sketches, and working drawings. These full-color, highly affordable volumes will enhance any library, providing an essential reference for architecture students and individuals looking for home design ideas.

Eduardo Souto Moura graduated from the Oporto School of Architecture in 1980 where he later taught as an assistant professor until 1991. He has been a visiting professor at Harvard, Dublin, Zurich, and Lausanne.

In 1980, he established his own practice in Oporto and started designing a vast range of buildings, such as private houses and interior renovations, art galleries, a market in Braga, a cultural center in Oporto, a university building in Aviero, a transport museum in Oporto, a residential block in Oporto, and the conversion of the Mosterio de Santa Maria do Bouro into a state inn. Other works by Moura include a project for the Ponte dell'Accademia in Venice (Biennale di Venezia), 1985; a hotel in Salzburg, 1987; a project for the Porta dei Colli, Palmero, Sicily (Triennale di Milano), 1987; the exhitibion Um Museu Portugues Serralves in Expo'92 (Sevilha); an installation at the Architektur Forum in Zurich.

Moura's work has been featured in numerous publications and exhibited in Portugal, France, Great Britain, Italy, Croatia, the United States, and Switzerland. Moura has won several awards, including the first prize for the SEC cultural center in Oporto, 1981; the first prize for the redesign of Praca do Giraldo in Evora, 1982; the first prize in a competition for a hotel in Salzburg, 1987; the National Secil Award of Architecture, 1992; the International Prize for Stone in Architecture, 1995; and the Annual Award of the Portuguese Department of the International Association of Art Critics, 1996.

escrito por ai.valhamedeus

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hoje é sábado 63. VARIAÇÃO SOBRE UM POEMA DE YEATS

Gaivotas brancas sobre o mar
brancas como a espuma
voam no grande espaço
azul infinito.
Assim é o amor
(ou deveria ser)
o movimento de aproximação dos corpos.
Se fôssemos gaivotas brancas
não seriam para nós obstáculo
os altos rochedos
e seríamos talvez livres
para percorrer as grandes distâncias
entre os cabos e as baías.
[António José Ventura]

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O PSD DEIXOU-SE CAIR

O PSD alterou a sua posição relativamente ao actual modelo de avaliação. Exigia a sua suspensão, passou a pedir a sua substituição.

Não me surpreende a mudança: ela com-prova, mais uma vez, 2 "coisas":
a) que o PSD, particularmente na pessoa da sua chefe, tem andado pr'aí à deriva, a defender qualquer coisa ou o contrário, de acordo com o que parece mais conveniente no momento;

b) que a "política" do pê-èsse é a "política" do psd
[que o psd poria em prática, se estivesse no poder e pudesse].
Só me surpreende a coerência do CDS, que reprova a mudança do psd e mantém as posições que defendeu nos últimos tempos.


Como diria o outro -- sinais dos tempos!...

escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEOS DA SEXTA 38. o boi barrabil

O boi Barrabil, conto tradicional recolhido em Elvas no fim do séc. XIX, convertido em animação a partir das ilustrações de António Carvalho”



escrito por Adriana Santos

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RECEBIDO POR EMAIL -107- a bíblia segundo saramago

Abraão

Abraão levou o filho para o deserto.... amarrou-o a uma árvore e acendeu uma fogueira debaixo dos seus pés.

De repente, uma voz diz:

- Abraão, Abraão, que é isso?

- Senhor, Senhor, eu estou sacrificando o meu filho, conforme a Vossa ordem!

- Não, Abraão! eu só queria medir a tua fé!

- Mas, Senhor....!

- Abraão, solta o menino!

Abraão soltou o filho. O menino saiu disparado... correu, correu, correu, e Abraão gritava:

- Filho, volta! filho, volte! o Senhor libertou-te!

O menino parou, longe, e gritou:

- Libertou, o caralho! Se eu não fosse ventríloquo, estava fodido!...

escrito por ai.valhamedeus [com um abraço para o Paulo C.]

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A ENTREVISTA DA AMÁLIA

O Sol

[semanário que é uma espécie de Correio da Manhã de sextas]
anunciou por todo o lado que vai publicar uma entrevista feita por Felícia Cabrita a Amália, antes de esta morrer.

Surpreendente, fabuloso, nunca visto! Pensava eu que Amália teria sido entrevistada em Vilar de Perdizes, ou num programa do Gouxa, mas depois de morta. Nada disso: antes de morrer! Não é extraordinário? O arquitecto Saraiva é um génio.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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