Gounod nasceu há 190 anos. O aniversário foi ontem, mas ontem não tive tempo de o festejar. Suponho ainda vir a tempo, hoje. Pelo menos, virei a tempo de pôr a rodar
[sobretudo para quem não conheça]
a sua Missa de Santa Cecília, num dos trechos mais conhecidos: o Sanctus.
Aceite uma sugestão: puxe o volume do som que enviar para as colunas, tanto quanto lho permitam os seus ouvidos
Te quiero, así, de pronto, así de tonto... pero te quiero. Te quiero, así de claro, así de raro... pero te quiero. Te quiero. así de burdo, así de absurdo... pero te quiero. Pero esta noche tristeza obliga, más que a la amante quiero a la amiga. Más que tu pan, quiero tu miga.
Ontem o Ai Jesus! comemorou os 120 anos de Fernando Pessoa com um texto da Gabriela. Aproveito a motivação para recordar uma faixa do álbum Música em Pessoa, que o Ai Jesus! deixou aqui há mais de 1 ano e que, com o tempo, pode cair no esquecimento. Por isso tudo, recordo Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da Baixa, dito por Jô Soares.
Serj Adam Tankian (Beirute, 21 de agosto de 1967) é vocalista, compositor e tecladista da banda System of a Down. Atualmente lançou um álbum solo intitulado "Elect the Dead", além de realizar trabalhos paralelos. É descendente de armênios (Arménia: Սերժ Թանգյան).
[no momento em que escrevo, há aqui uma lista de mais de 400 versões].
O êxito deve-se, provavelmente, ao conteúdo do próprio hino, que fala do sofrimento da Virgem aos pés da cruz onde o filho está crucificado
[do sofrimento de uma mãe perante o sofrimento do filho].
Provavelmente, o Stabat Mater de Pergolesi, compositor do século XVII, é a versão musical mais conhecida
[mais interpretada]
do hino. No dia da mãe, deixo no podcast o dueto inicial, o Stabat Mater dolorosa, numa interpretação dos Solisti dell'Orchestra "Scarlatti" di Napoli, dirigidos por Ettore Gracis, e de Mirella Freni e Teresa Berganza.
Já aqui revelei que O tempo dos ciganos de Emir Kusturika
[um hino ao modo cigano de vida e ao amor e à magia...]
é o filme que levaria para a tal ilha, se só pudesse levar um. Recordei-o hoje, ao ouvir um cd que junta, na autoria e na execução, o famoso e extravagante violinista Nigel Kennedy com a polaca Kroke Band: East meets East explora as raízes musicais da Europa oriental.
A associação deveu-se ao facto de a faixa 7, Ederlezi, com música de Goran Bregovic
[o conhecido compositor da música dos filmes de Kusturika]
fazer parte da banda sonora do Tempo dos Ciganos, sendo o fundo musical de uma das suas cenas mais belas -- aquela que a seguir pode ver/rever, reproduzida através do Youtube
[peço atenção especial para a música]:
Agora ponha o tocar o nosso podcast e ouveja a versão instrumental, de Kennedy e da Kroke Band, de Ederlezi:
Se gostou, tem aqui o disco (de Kennedy) todo:
Nb: tenha o leitor-ouvinte cuidado com uma eventual repetição: está perante música de... partir o coração
[se assim não for, diga-no-lo. Se for, mostre-nos o coração partido! comente-nos!].
Joseph Haydn nasceu a 31 de Março de 1732. Festejo a data, colocando no podcast do Ai Jesus! propondo a audição do hino nacional da Alemanha e o 2º andamento do Quarteto "Imperador"
[o op. 76, nº 3]
do compositor austríaco. Porquê estas escolhas?
A opção por um quarteto é justificada pela importância que Haydn teve na criação e evolução desta categoria musical
[o quarteto de cordas é frequentemente considerado "a nata da música de câmara" (António Cartaxo)]:
foi ele, com Boccherini, o primeiro a compor quartetos. O Quarteto op. 76 nº 3 é um dos que mostram toda a extensão do talento maduro do compositor.
Por outro lado, Haydn foi o autor, em 1796, do Hino Imperial AustríacoDeus protege o imperador Francisco
[o tal hino da Alemanha].
O compositor retoma o tema deste hino no 2º andamento do Quarteto acima referido, que, por esta razão, ficou conhecido por "O Imperador".
Achei que, dadas estas circunstâncias, seria interessante confrontar a versão orquestral do hino, interpretado pela Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan, com as variações sobre o tema que podem ouvir-se no andamento do Quarteto. Neste último,
a melodia do hino imperial austríaco permanece imóvel do princípio ao fim; ela desenvolve-se na base de 4 variações puramente harmónicas de que a última, conferindo ao tema um cromatismo agitado, fá-lo oscilar entre o Sol Maior e o Mi Menor até que a coda (5 compassos) restabelece uma estabilidade total representando de forma verosímil o papel do símbolo da permanência da ordem política (J. J. Soleil; G. Lelong - As obras-chave da música. Lisboa: Pergaminho, 1991, p. 113).
O 2º andamento...
O hino...
...a ilustrar sonoramente imagens de triste memória
[Por favor, se ouviu esta proposta musical, diga-me/nos o que sentiu; se a não ouviu, não quer dizer porquê?]
O podcast do Aijesus! foi hoje enriquecido, a pedido da Gabriela Correia, com um Nocturno de Chopin, interpretado por Maria João Pires: o Nocturno nº 20 in C sharp minor, op. post.: Lento con gran espressione. Copio, da tradução espanhola do booklet respectivo, as notas sobre a intérprete e a obra, publicada em 2 discos compactos
Para acalmar a excitação das folias de Carnaval, acrescento ao podcast a "Sonata ao Luar", de Beethoven
[a opus 27, nº2, uma das favoritas do grande público, que não de Beethoven, o qual declarou não ser a sua melhor sonata e também não é o autor do título de "sonata ao Luar", posterior ao seu "Sonata quasi uma fantasia"].
Por razões de espaço, apenas o 1º andamento
(talvez o mais divulgado),
com Robert Casadesus ao piano.
Recordo que, além das do podcast, o Ai Jesus! tem outras músicas espalhadas pelos seus dias de vida. Algumas estão aqui.
Para dar música ao lançamento da biografia do grupo, o Quarteto 1111 voltou a reunir-se, 40 anos após a sua estreia discográfica.
Fico a saber, pela imprensa, que A Lenda d'El Rei D. Sebastião foi a canção mais celebrada no retorno do grupo. E talvez com razão. Escreveu António A. Duarte
[25 anos de rock'n Portugal. [sl]: Bertrand, 1984]
que a ruptura com determinadas letras de canções estereotipadas
[comuns tanto em Portugal como nos Estados Unidos]
foi operada com o Quarteto e a canção referida, que alargou os horizontes do rock português dessa altura e foi
"o princípio de muita coisa para o rock em português" (p. 36),
designadamente, o despontar da
"luta pela qualidade e pela dignidade de uma certa pop-rock de expressão nacional" (p. 68).
A secção que António A. Duarte dedica ao grupo leva o título significativo:
"Quatro 'uns' subversivos e 'perigosos' para o regime".
Um perigo adivinhado na cópia da "carta" da DGI à Valentim de Carvalho, que se reproduz ao lado
[clicar na imagem, para ler]:
dos textos submetidos à censura
[que entretanto aprenderia o LP],
só a um não há nada a opor, sendo que, à excepção de um outro que é censurado nas 5ª e última quadras, todos os restantes
[em que se incluía a conhecida "Trovas do vento que passa"]
têm divulgação proibida. O que é significativo, mesmo considerando que a censura com alguma facilidade se atirava a monstros que não passavam de moinhos de vento
[o "pano de fundo da Lenda de Nambuangongo, por exemplo, era tema tabu: o colonialismo].
Evoco, pois,
A Lenda d'El Rei D. Sebastião: pelas razões acima expostas
Isaac Albéniz (1860-1909) é um compositor e pianista espanhol, autor de peças para piano com sabor pitoresco e romântico, com raízes no folclore do país vizinho.
Poderia ilustrar-se a afirmação com a
[possivelmente]
mais conhecida das suas obras: Iberia: impressões para piano. Fá-lo-ei com Sevilla, recordando os ritmos das sevillanas.
O Avante de hoje integra um suplemento de 4 páginas sobre a vida de Adriano Correia de Oliveira e é acompanhado por um cd com algumas das mais belas canções do cantor, falecido há 25 anos
[cumpridos no próximo dia 16].
Querendo aproveitar o pretexto para recordar Adriano, é-me difícil escolher uma ou duas das 18 faixas, para reproduzir aqui. "Trova do vento que passa" é seguramente uma trova emblemática
[nos tempos idos ante-25 de Abril e nos tempos-socráticos ainda não idos].
Mas qualquer canção popular açoreana
[Sapateia, Lira -- ai! esta "Lira!" --, O sol préguntou à lua]
me agrada o suficiente para justificar escolhê-la. E porquê não lembrar
[com, por exemplo, Menina dos olhos tristes]
os sentimentos que atormentavam os jovens que com os 18 anos viam chegar o espectro da guerra? Ou propor reflexão sobre temas como a emigração
[com Cantar de emigração, sobre poema da galega Rosalia de Castro]?
Ou reler a poesia de António Gedeão
[em Lágrima de preta ou Fala do Homem nascido]?...
Bem... vou decidir-me por
Canção com lágrimas, um poema de Manuel Alegre musicado por Adriano. Deixo-a aqui porque a conheci e ouvi vezes sem conta a partir de uma cassete "gravada clandestinamente" da de um padre cujos sermões eram "vigiados" pela PIDE. Sempre que a ouço, sinto novamente o frio que me subia na coluna de jovem-adolescente desses tempos
[o frio, então, do medo. Do medo do sistema].
Trova do vento que passa: com letra de Manuel Alegre e música de António Portugal. Porque tem que ser -- e o que tem que ser tem muita força.
[ouça (quase) todas as músicas que o Ai Jesus! já disponibilizou -- excluindo as do podcast, que pode reproduzir no nosso leitor respectivo, ao lado direito]
para o ouvir quantas vezes quiser. Ou descarregue todo o cd de onde esta faixa é tirada: Jazz in Summertime. Mesmo já à porta do Outono, é muito tranquilizante ouvir as 14 faixas em ritmo swingante, incluindo a reinterpretação de algumas músicas conhecidas, como a Garota de Ipanema ou a Bachiniana de Toquinho
[repito: o Ai Jesus! não arquiva ficheiros, designadamente, os que podem ser considerados pirataria. Mais: o Ai Jesus! recomenda a compra deste cd, se, após a audição, o ouvinte gostar do mesmo].
[ouça todos as músicas que o Ai Jesus! deu a conhecer nesta série de Sons].
é um grupo de músicos e cantores da república russa da Cacássia
[no sudeste da Sibéria],
que interpreta música tradicional, na língua tradicional, acompanhado por instrumentos tradicionais
[como o "komus", uma espécie de alaúde com duas cordas, o "yh", o "chatkhan",.. e o "dungur", usado pelos xamanes nos seus rituais].
A sua proposta musical afasta-se dos nossos cânones ortodoxos, tanto nos instrumentos que usa como nos sons vocais. Isso mesmo pode comprovar-se na faixa
[do seu álbum syr chome]
kharagay (the khakas family tree)
e, particularmente, em
khan tigirning chyltyzy (the lonely star),
onde a voz masculina é emitida com uma técnica a que não estamos habituados
[recomenda-se algum cuidado na tentativa de imitar o grupo: é grande o risco de danos irreparáveis para a garganta ;-)]
Para mais informações sobre os músicos, consultar a página do grupo na Internet.
Querendo ouvir todo o álbum, pode descarregá-lo daqui
[nb: o Ai Jesus! não hospeda nenhum ficheiro, muito menos álbuns musicais. Pode acontecer, por isso, que o disco deixe de estar disponível, um dia destes. Por outro lado, não assumimos quaisquer responsabilidades legais pela disponibilização. Finalmente... se gostar do disco, adquira-o: terá música com mais qualidade e ajudará o grupo a continuar o trabalho].
Foi a banda sonora de Tous les matins du monde que me aproximou do músico e compositor catalão. Não é o seu primeiro trabalho
[embora tenha sido suficientemente premiado],
mas foi este filme que me despertou a curiosidade para a música... celestial de Marin Marais
(1656-1728),
tema central do filme, e para a personalidade de Jordi Savall, que aqui dirige Le Concert des Nations.
Celebro o aniversário com a primeira faixa do disco que reúne as várias músicas do filme de Alain Corneau: Marche pour la cérémonie des Turcs de J. B. Lully
É possível ver/recordar no Youtube a cena do filme que tem esta marcha como motivo
(experimentem-se as 2 versões seguintes, ambas colocadas sem a qualidade que seria de esperar, como se percebe do confronto com o anterior ficheiro sonoro).
Do Rio de Janeiro e num comentário, a Irene sugeriu um dia destes
um CD muito legal "A música em Pessoa" da 'Biscoito Fino' , que tem os poemas de Fernando Pessoa cantados ou declamados. Gosto de todas as faixas porém o meu preferido é 'Cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da Baixa' declamado por Jô Soares.
De animais, gosto o suficiente para entender que os devo deixar em paz
[tal como gostaria que eles, sobretudo os cães, me deixassem a mim].
Mas há pessoas especiais (para mim) que deles gostam o suficiente para os ter consigo
[um abraço para o Martim].
Deixo aqui uma humilde prendinha para a Dalila, que gosta de gatos
[querendo ouvir os sons que se seguem, não se esqueça de desligar o podcast].
O célebre Dueto buffo dos dois gatos é muitas vezes considerado como uma das mais célebres obras vocais de Rossini: é uma paródia de bel canto, cuja letra são... miaus lânguidos. Uma versão apenas sonora:
Ou, em vídeo:
Trois petits chats é uma canção infantil, aqui na versão de Henri Dès:
Cats In The Cradle é uma canção de Harry Chapin, onde o gato é apenas, digamos, pano de fundo. A estória é outra...
Tinha já uma secção a que demos o título geral de SONS
[é possível juntar todos os posts que anunciam trechos musicais, e ouvi-los, clicando no marcador Sons. Os posts respectivos não estão ainda todos assinalados: estamos a trabalhar para que isso aconteça brevemente].
Agora acrescentámos um podcast. A "rádio" pessoal do Ai Jesus!. Para já, em fase experimental, com apenas duas faixas do álbum "Possessed" do Balanescu Quartet: Computer Love e Possessed
[um tipo de música que provavelmente entrará em alguns dos nossos ouvidos apenas após mais do que uma audição].
Pensamos que o manejamento do leitor do podcast é mais ou menos intuitivo
[no caso de não ser, diga, que nós ajudamos]:
escolhe-se uma faixa clicando nela, voltando-se ao menú com um clique no ícon que representa uma lista.
Poderíamos deixar que a escolha inicial de (não) ouvir fosse do leitor/ouvinte. Optámos por ligar o rádio automaticamente
[é fácil, no entanto, desligá-lo no ícon que tem o símbolo usado em todos os aparelhos de áudio];
mudaremos de opção, se os leitores nos disserem preferir que o Ai jesus! abra em silêncio. Diga-nos o que pensa.
[apesar de, pelos vistos, ser uma cantora que anda nas cantorias há já uns anitos. E com êxito].
Uma diva sensualmente feminina
[a menos que o fotógrafo tenha feito... milagres],
dona de uma voz profunda, hipnoticamente grave.
Conheci-a através do seu último álbum
[de 2006]:
Thunderbird.
[um nome -- e uma inspiração -- roubado a um mito dos nativos americanos: um animal divino e mágico, enviado pelos deuses para os proteger dos poderes malignos].
Um disco com uma sonoridade urbana, onde a penetrante doçura vocal de Cassandra mistura um repertório variado e aberto, feito de pop, blues,folk e jazz.
Pode ouvir-se o início de todas as faixas na Amazon: aqui. Deixo, integralmente, a 5ª faixa: Red River Valley. Não por ser a mais representativa
[não é, de certeza, até porque nela se não pode ouvir a bonita e virtuosa sonoridade da harmónica de Grégoire Maret, que se ouve noutras faixas].
Trata-se, contudo, de uma conhecida canção tradicional, aqui interpretada como um diálogo entre a voz de Cassandra e a guitarra
[que me fez lembrar a sonoridade da de Ray Cooder, na banda sonora do que foi durante muito tempo o filme da minha vida: Paris, Texas].