Palestina livre!

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MARÇO E AS SEMENTEIRAS

Março já se foi e não nos apresentou um dia sobre o qual se possa dizer: benza-te Deus! Isto, porque me estou a recordar dos belos e quentes dias de Março, sobretudo na 3ª semana, em que a minha mãe exclamava: que belo dia de sementeiras!

Eu não queria saber das sementeiras para nada; queria era trocar a roupa pesada de Inverno, casaco comprido e botas, por roupa mais leve, sapatos e soquetes. De preferência de renda. Feitos pelas mãos habilidosas da minha Mãe; ou da minha Avó, ao soalheiro.

Ai, a inveja que eu tinha das “velhas ao sólheiro”, sem responsabilidades de trabalhos de casa com resultados correctos das contas de dividir, nem erros ortográficos na cópia. Que sorte a delas, ali à conversa sobre a vizinhança, os namoricos dos filhos das vizinhas, o novo padre e a sobrinha, os negócios da lavoura e mais as Festas e Romarias.

Março, marçagão! (computador ignorante, desconhece a palavra)
De manhã Inverno E à tarde Verão.

Mas nos dias de sementeiras não se notava a diferença. Era o dia inteiro de calor. Até aquecia a alma! Não sei a que sementeiras se referia a minha mãe, já citadina dos quatro costados, mas acho que era a sementeira das batatas. As tais batatas que eu comia em casa da minha Avó, com azeite leve e claro e azeitonas tão saborosas. Quem é que precisava de outro conduto?

Talvez a minha Mãe tivesse saudades da infância dela, quando as horas e o calendário eram marcados pelas actividades das gentes nos campos. E aquela frase exclamativa, dita com ênfase, fosse um pedido de desculpas por ter abandonado as suas raízes.

Podia muito bem ser!

escrito por Gabriela Correia, Faro

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AS VENTOSIDADES DO CARNAVAL

Para este dia de Carnaval, sugestão do texto Um sopro de vida

[que analisa algumas brincadeiras carnavalescas ligadas a maus cheiros e ventosidades: as ligações do Carnaval a um mundo em que os camponeses podiam nascer de um… peido].
escrito por ai.valhamedeus

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VÍDEOS DA SEXTA 85. entrudo


O Entrudo
"Ainda resistem em Portugal algumas celebrações do Entrudo que mantêm a sua singularidade, de acordo com as nossas tradições. Em Trás-os-Montes contam-se pelo menos três: Lazarim, Vinhais e Podence".

"Em Lazarim, o Entrudo é uma festa local, quase privada, cuidadosamente preparada nas semanas que a antecedem. O ponto alto é a leitura pública das «deixadas», testamentos que dividem simbolicamente um burro pelos rapazes e raparigas da aldeia. Jocosas, trocistas e irónicas, são preparadas em segredo pelos mais novos, que muitas vezes recorrem à sabedoria e conhecimento dos mais velhos, repetindo a tradição. Os testamentos são ouvidos em silêncio pelos mascarados para não serem reconhecidos pelas vítimas das suas diabruras".
Fonte: [attambur]

(máscaras típicas que são feitas artesanalmente)


escrito por Adriana Santos

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A HONRA LAVA-SE COM SANGUE

O jornal espanhol Público do passado 18 de Setembro publicou a 2ª parte de um texto sobre crimes de honra: "na Índia, Jordânia, Gaza ou Iraque, a história é sempre a mesma: mulheres assassinadas por se apaixonarem ou após terem sido vítimas de abusos sexuais".

A lista dos casos apresentados é enorme: em 2003, numa única província do Irão foram assassinadas 45 mulheres em dois meses. Em Basora, em 2008, a polícia informou que estavam a ser assassinadas 15 mulheres por mês por infringirem o "código de vestir islâmico".Em Tikrit, uma jovem reclusa enviou uma carta ao irmão contando que estava grávida após ter sido violada por um carcereiro; o irmão pediu autorização para a visitar e matou-a com um tiro, para evitar a desonra à sua família. Durante séculos, na Turquia, as provas de virgindade antes do casamento foram consideradas parte da tradição normal; quando, em 1998, 5 moças tentaram suicidar-se antes das provas, o ministro dos Assuntos Familiares turco defendeu os exames médicos obrigatórios. Um comandante taliban açoitou 100 vezes uma viuva grávida e deu-lhe um tiro na cabeça...

Estes são apenas alguns dos muitos exemplos apresentados
["Talvez a história nunca chegue a revelar quantas centenas de mulheres (e de homens) sofreram o mesmo destino, às mãos dos talibãs o de famílias em aldeias profundamente vinculadas às tradições"].
Coisa de muçulmanos! -- dirá o leitor apressado. Mas na Jordânia, segundo as organizações de mulheres, a minoria cristã de pouco mais de cinco milhões de pessoas está implicada em mais assassinatos de honra per capita do que os muçulmanos (com frequência, devido a que as mulheres cristãs querem casar com homens muçulmanos)
[os crimes de honra ocorrem em todas as religiões, diz Rana Husseini, activista jordana dos direitos humanos e jornalista].
Mas a Sctoland Yard admitiu, há já algum tempo, que teria que rever mais de uma centena de mortes, algumas ocorridas há mais de uma década, pois agora pareciam ter sido assassinatos de honra.

Mas, na aldeia em que fui menino e moço, dizia-se que a honra se lava com sangue. Dizia-se e ainda se não deixou de dizer. E, do pouco que conheço em Portugal, não apenas na aldeia em que fui menino e moço.

escrito por ai.valhamedeus

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13 DE JUNHO -- DIA DE SANTO ANTÓNIO

Hoje é dia de Santo António, o santo casamenteiro, para além de ser o Padroeiro de Lisboa. Porém este Santo é multifacetado: é também o Santo dos “Perdidos e Achados”. Quem disser três vezes um responso a Santo António
(com devoção, está claro. Ou, pelo menos com convicção)
terá a benesse de ver algo que lhe escapou, aparecer como que por milagre. Literalmente. Posso aqui revelar que algo parecido já aconteceu à minha mãe: não fosse a devoção ao santinho de uma cunhada
(que a minha progenitora não é apegada a essas chantagens emocionais)
e as poucas jóias de família desaparecidas ter-se-iam esfumado para sempre. Após não sei quantos dias de rezas e responsos, eis que as ditas jóias do coração, mais que do bolso, caem, mas caem mesmo, não do céu, mas do cimo de um armário onde a minha mãe as guardara a recato de possíveis olhares cobiçosos. Esquecendo-se, de seguida.

Pena é que só apareçam coisas materiais!

Já os Brasileiros utilizavam o Santo para fazer aparecer os escravos fugidos. E se eles não apareciam batiam no Santo que penduravam de cabeça para baixo num poço, se bem ouvi à Maria João Seixas, no programa “Um Certo Olhar”, na Antena 2. Hoje. Dia em que também nasceu outro António -- O Pessoa. Que no dizer de Miguel Real, também no mesmo programa, é o Santo das Palavras.

E agora por palavras, o escritor Gonçalo M. Tavares, na sua visita à Rússia, aonde se deslocou entre os dias 11 e 19 do mês passado, a fim de participar na 1ª Comunidade de Leitores de Língua Portuguesa no mundo, promovida pela Associação Europa Viva, afirmou, para quem o quis ouvir, que existe uma violência política por via da manipulação da linguagem, nas democracias ocidentais. Devido à ignorância dos mecanismos da linguagem por parte do grande público, é cada vez mais difícil a comunicação. Muitas das vezes temos de avisar verbalmente o nosso público de que estamos a ser irónicos.
(Eu que o diga).
Segundo este escritor, hoje em dia é possível aos políticos, sem mentir, dizerem precisamente o contrário do que está a acontecer.
(Estão a ver o bom que é para eles esta política governamental sobre educação?!).
Por fim, achando oportuno e que casa muito bem com o santo casamenteiro, e com o santo e poeta das palavras, transcrevo um terceto de Gonçalo M. Tavares sobre o Amor. Não o amor às coisas materiais, está bem de ver:
Amar é ver diferente.
Depois fica-se cego.
Mas primeiro é ver diferente.

(in Investigações. Novalis)
Eu não vos prometi que haveria de voltar à poesia de Gonçalo M. Tavares? And I like to keep my promises! Ao contrário de alguns.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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VÍDEOS DA SEXTA 5. tradições

Pois é... as tradições...
Este anúncio nunca passou na TV; vamos lá saber porquê...




escrito por Adriana Santos

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A TRADIÇÃO DO NATAL

(So)ria-me, há pouco, com o Carlos Lopes, da imagem dos pais-natal que ele viu no Brasil, vestidos a rigor como pais-natal, todos encapotados quando no Brasil o calor é de Verão, em presépios com ventoinhas atrás para refrescar os calores do ambiente e das vestimentas
[e eu associo estas às imagens dos modernos carnavais portugueses que despem mulheres, para imitar os desfiles carnavalescos brasileiros, numa fase do ano em que no Brasil é Verão e por cá faz frio]...
...e, logo a seguir, leio uma mensagem sobre o tema, numa das várias mailing lists que assino. Um texto de uma argentina:
[...] deveríamos ter um pai natal, ou o que quer que fosse, de bermudas e ojotas
[nota minha: esclarece o Diccionario de la Lengua Española que as ojotas são um calçado tipo sandália, feito de couro ou de filamento vegetal, que os índios do Peru e do Chile usavam, e ainda é usado pelos camponeses de algumas regiões da América do Sul]
(short e sandálias), pelo menos, e sem barba. Vejo-os, por uns pesos, suar sob esses disfarces teatrais e dão-me pena... E da árvore... rio-me [...]. E quanto a comer bolos, nozes, amêndoas e demais comidas calóricas... com os calores que são habituais por aqui, nem te digo nada!... Espero que as gerações futuras revejam certas tradições e as modifiquem.
escrito por ai.valhamedeus

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DELÍCIA MELANCIOSA

Eu sei que
[eu estou convencido de que]
os leitores do Ai Jesus! lêem todos os textos aqui publicados e todos os comentários aos mesmos. Mesmo assim, às vezes apetece-me
[a mim, que leio mesmo todos os textos e todos os comentários]
recomendar alguns comentários. Por norma resisto ao apetite, mas desta vez, não: recomendo vivamente a "glosa" de um anónimo ao último texto, sobre a potência sexual da melancia, que eu aqui publiquei.

Uma delícia
[digo eu]!
escrito por ai.valhamedeus

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BREVES -14. sarkozy e os jogos de azar

  1. Ficámos a saber que o presidente
    [de França e presidente da Europa aquando da abertura dos jogos olímpicos]
    Sarkozy só irá à abertura daqueles jogos se a China satisfizer 3 condições suas. O mais provável é que Sarkozy ou recue nas suas exigências ou não esteja mesmo presente. Que chatice a Europa não ter tão digno representante
    [e, sobretudo, que chatice tanto milhão de chinês não poder apreciar a primeira dama de França e, na altura, primeira dama da Europa]!...
  2. Ficámos também a saber o que é que a ASAE entende por jogos de azar:
    (do Público de hoje)
    "As máquinas de bolas que dão direito a chocolates, habitualmente instaladas em cafés e restaurantes, podem ser consideradas ilegais e os seus proprietários ou responsáveis pela sua exploração acusados de crime de jogo ilícito. Num armazém no Centro do país, todo o material foi apreendido pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) com a justificação de que não era possível ao cliente perceber qual o chocolate a que teria direito antes de introduzir a moeda de 50 cêntimos".

    Ficamos assim ainda a saber que a ASAE continua a tratar-nos da saúde e dos direitos: acabaram-se as perigosas matanças do porco e as cachaças caseiras
    [que, como sobejamente se sabe, estiveram na origem da morte de milhões de portugueses, por incontáveis intoxicações e cirroses resultantes da falta de controlo asaético, durante décadas e talvez séculos],
    acabaram-se os produtos criminosamente comercializados em exposição aos mortíferos micróbios do ar
    [na escola onde trabalho até as maçãs já são agora, no sítio, envolvidas em plástico transparente -- e andamos todos muito menos microbilizados e muito mais saudáveis],
    acabou-se também a criminosa incógnita que envolvia sempre aquele acto infantil de meter a moeda para sair
    [e às vezes não sair]
    o chicolate e/ou o brinquedo para (des)montar. Gosto deste Estado que assim me protege.
escrito por ai.valhamedeus

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em vias de extinção (2. carnaval português)

dietas de VerãoVejo a brasileira Revista da Semana de 4 de Fevereiro e surpreende-me o destaque de capa: 5 dietas de Verão... em Fevereiro?!...

Carnaval em LouléEsqueci-me, de repente, de que no Brasil é, de facto, Verão. E é disso igualmente que se esquecem os responsáveis pelos Carnavais portugueses actuais, quando abundantemente os vestem de mulheres despidas. Copiam o Carnaval brasileiro, até na estação do ano

[que, ao contrário da brasileira, em Portugal pede roupa vestida].
Era homem para alinhar em manifestações que exigissem o regresso das tradições carnavalescas portuguesas
[mesmo correndo o risco de a ASAE cancelar algumas delas exigindo o seu empacotamento em plástico asséptico].
Também neste domínio, há tradições rurais em risco de desaparecimento da própria memória dos vivos.

escrito por ai.valhamedeus [com fotografia do Carnaval de Loulé, rapinada do sítio da RTP]

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irreal quotidiano 1. BRUXAS

O secular livro da bruxaÉ imperdoável que o Ai Jesus! tenha deixado passar o dia de ontem sem qualquer referência à tradição

[estado-unidense]
do dia das bruxas. Corremos assim o risco de alguém pensar que este blogue é anti-States ou anti-Bush.

Para afastar qualquer mal-entendido, celebro hoje o dia de ontem, com duas citações d'O Secular Livro da Bruxa
[Rio de Janeiro: Editôra Espiritualista, 1971].
A primeira
(p. 9-10)
é um conjunto de 3 orações, que eu relaciono com um costume rural português que, com a ruralidade, se encontra em vias de extinção: o de tocar o sino da igreja de manhã
[o toque das Avé-Marias],
ao meio-dia e ao escurecer
[o toque das Trindades].
Trata(va)-se de toques para que os crentes rezassem, assinalando
[digo eu]
os momentos fortes dos trabalhos no campo.
SECULARES ORAÇÕES DAS HORAS ABERTAS

PARA O MEIO-DIA

Ó Virgem dos Céus sagrados,
Mãe do nosso Redentor,
Qu'entre as mulheres, tens a palma,
Traze alegria à minha alma,
Que geme cheia de dor;
E vem depor nos meus lábios
Palavras de puro amor.
Em nome do Deus dos mundos,
E também do Filho Amado,
Onde existe o sumo bem.
Seja para sempre louvado.
Nesta hora bendita. Amem.

PARA AS TRINDADES

A Santíssima Trindade
Me acompanhe toda a vida,
Sempre ela me dê guarida,
De mim tenha piedade.
O Padre Eterno me ajude,
O Filho a bênção me lance.
O Espírito-Santo me alcance
Proteção, honra e virtude.
Nunca a soberba me inveje,
Em vêz do mal faça o bem.
A Santíssima Trindade,
Me acompanhe sempre. Amem.

PARA A MEIA-NOITE

O Anjo da minha guarda,
Nesta hora de terror,
Me livre das más visões.
Do diabo aterrador.
Deus me ponha a alma em guarda
Dos perigos da tentação,
De mim aparte os maus sonhos,
E opressões do coração.
Ó anjo da minha guarda,
Por mim pede à Virgem Mãe,
Que me preserve dos perigos,
Enquanto fôr vivo. Amem.
A segunda citação é um instrumento particularmente útil para os solitários forçados, com ganas de quebrar os grilhos da solidão:
Magia para fazer alguém ficar loucamente apaixonado

Cosem-se os olhos de um sapo macho, o qual se deita em uma panela juntamente com outro de sexo diferente.

Depois disso executado, diz-se:

— "F... (o nome do enfeitiçado) assim como eu (a pessoa que faz a feitiçaria) tenho estes dois sapos aqui seguros e oprimidos, assim tu a mim estarás ligado, e só me deixarás quando este sapo tiver vista, ou a sapa deixar o companheiro".

Terminado, fazem-se três cruzes com a mão esquerda sobre a panela, que se tapa imediatamente em seguida .
O Ai Jesus! disponibiliza-se para enviar outras receitas aos leitores que as solicitarem. Temos centenas de remédios para tudo: desde uma
cópia de uma letra e oração achada no Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo,
passando por receitas para fazer ou desfazer casamentos
[alheios ou o próprio, incluindo trabalho para as mulheres se livrarem dos homens quando estiverem aborrecidas de os aturarem],
até trabalhos infalíveis
[revelados por São Cipriano, que ao transmitir a uma mulher um deles, para o qual pedia segredo, "sorriu-se por que lembrou o que vale um segredo em boca de mulher"]
para as mulheres não terem filhos
["fazendo cópula", é claro -- o segredo está em esponjas que há no mar ou em milho mastigado ou mordido por uma mula. E mais não digo...].
Há ainda "trabalhos feitos com cinco pregos tirados de um caixão de defunto, isto é, quando já tenha saído da sepultura". Enfim, uma lista infindável. Queiram servir-se!

escrito por ai.valhamedeus

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DIZCIONÁRIO [50 cavalhadas]

Cavalhadas de Vildemoinhos - Viseu[Cavalhadas de Vildemoinhos, 2007. Carro. 1º prémio]

Dizem os dicionários que uma cavalhada é uma quantidade de cavalos; cavalhadas
[no plural]
é
[em Portugal e no Brasil]
um divertimento em que os parceiros vão montados em cavalgaduras – uma espécie de torneio popular. Na região de Viseu, as cavalhadas são associadas a Vildemoinhos
[uma povoação encostada ao perímetro urbano da cidade, terra de um campeão olímpico: Carlos Lopes],
o seu ex-libris, uma tradição com mais de 355 anos.

Cavalhadas de Vildemoinhos - Viseu[Cavalhadas de Vildemoinhos, 2007. Carro. 2º prémio]

A história das Cavalhadas de Vildemoinhos mistura-se com a lenda
[ou será pura lenda?]
e analisa-a criticamente Alberto Correia no seu Cavalhadas de Vil de Moinhos
[edição do autor. (1979?)].
Críticas à parte, adopto a versão mais... poética
[que interesse tem, aqui, a verdade dela?].
Estava-se em 1652, com estiagem prolongada e consequente escassez de água. Nas hortas das margens da cidade se esgotavam as águas do rio Pavia, presas nos açudes. Mais longe, em Vildemoinhos, as 43 mós dos moleiros estavam paradas.

Em visita festiva
[as festas de solstício]
à capela de São João da Carreira
[à beira do caminho que sai de Viseu para Nascente],
os moleiros abrem represas e açudes. As mós giraram de novo, mas os açudes voltaram a erguer-se e a estancar a água – e estalou a guerra entre camponeses e moleiros. As autoridades estão do lado dos segundos, mas os primeiros resistem. As autoridades locais escrevem a Lisboa e da capital chega, em resposta escrita, novo apoio aos moleiros.
Os moleiros, agradecidos, fazem o voto de ir agradecer ao Santo o milagre da sentença favorável. E cumprem o voto na noite festiva de S. João.” (p. 15).
Cavalhadas de Vildemoinhos - Viseu[Cavalhadas de Vildemoinhos, 2007. Carro. 3º prémio]

Hoje as Cavalhadas deixaram de ser o “velho e tradicional cortejo de moleiros mascarados, montados em alimárias, perseguindo os vultos hieráticos dos Mordomos guiados pela bandeira, em esbeltas montadas” (p. 36-37), para se transformarem num complexo espectáculo de Corso. A coisa começa de manhã e prolonga-se durante várias horas. Em Monumentalidade visiense
[Viseu : AVIS, 2007],
Júlio Cruz e Jorge Braga da Costa sintetizam-na assim:
“Abrem o cortejo quatro mordomos, de casaca e chapéu alto, ladeando o Alferes da Bandeira que leva chapéu bicorne e bandeira cor de púrpura, todos a cavalo dão previamente três voltas à capela de S. João Baptista, depois, atrás deles outros cavaleiros engrossam a cavalhada onde aparecem a seguir os engenhosos carros alegóricos
[“Há carros artísticos, carros humorísticos e carros tradicionais”, com prémios atribuídos por um júri -- especifica Alberto Correia (p. 39). E bandas de música, ranchos folclóricos, gigantones, Zés Pereiras,... e uma multidão a esgotar todo o espaço que ladeia todo o percurso],
partindo então até Viseu. Só os cavaleiros irão até S. João da Carreira, como é da tradição
[desde 1954].
De regresso a Vildemoinhos é festa até às tantas” (p. 132).
Cavalhadas de Vildemoinhos - Viseu[Cavalhadas de Vildemoinhos, 2007. Carro. 4º prémio]

escrito por ai.valhamedeus

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