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DIA DA MÃE

Dir-me-ão: dia da Mãe são, ou deviam ser, todos os dias. Literalmente. Se fizermos um estudo sociológico do panorama português, talvez se nos apresente um cenário que a ninguém já causa impressão, e muito menos perturbação. Pois, todos sabemos o número de agregados familiares constituídos pela mãe e por um filho, do sexo feminino ou do seu “oposto”. Do pai nem rasto. Seja como for, e para efeitos de calendário ocidental, hoje é o Dia da Mãe. E logo coincidente com o Dia do Trabalhador! Nada mais certeiro, já que a mãe é muitas vezes o único elemento trabalhador, no seio da família. Com pena agravada: auferir salário inferior, em muitos casos, ao do seu congénere masculino. O direito estatuído na Constituição: a trabalho igual salário igual é o que se sabe. E só não falo de outros “mimos” feitos às mulheres, porque já falei do meu cartão de cidadã, e não de cidadão, neste blogue, antes de ele, o mimo, começar a ser também referido por um partido, tendo, assim, visibilidade. Mas deixemos essas “minudências”e passemos ao dia que hoje se comemora: O Dia da Mãe. O comércio agradece. Tomaram eles, os comerciantes bem entendido, que a lista dos dias “assinalados”, como dizia a minha Avó, se lhes alongasse. De preferência ad aeternum. Eu vou já sugerir alguns: O Dia Internacional dos Offshores, O Dia dos Hidrocarbonetos, O Dia do Fracking, (não, não é o Dia do Fraque; este Dia foi inventado pelos Americanos, e não pelos Ingleses), etc., etc. O Dia dos/as Divorciados/as. Este não existe já? Muito me admira... O Dia do/a Pagante de Impostos, O Dia das Autoestradas com Portagem, O Dia das Cimenteiras, O Dia das Prospecções no Litoral Algarvio. Vêem como a lista se está a estender?! O Dia do Acordo Ortográfico (não dei conta deste Dia), O Dia do Ruído depois da Meia-Noite, inventado pelos estudantes da UALG. E muitos mais haverá. É só puxar pela imaginação, caro/a leitor/a.

Mas o que eu queria mesmo dizer é que este foi o primeiro Dia da Mãe em que não telefonei à minha a recordar-lhe que me lembrava dela, porque ela faleceu. Por acaso, num Dia também “assinalável”: O Dia dos Namorados. E que eu saiba, no céu não há telefones.

escrito por Gabriela Correia, Faro, Dia da Mãe. 2016

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DIA DA MÃE

Hoje o dia esteve mais ou menos carrancudo; pelo menos aqui a Sul. No Dia do Trabalhador fez uma temperatura de se lhe tirar o chapéu, mas hoje, dia Da Mãe, o São Pedro, que não deve ter tido mãe, já que era Santo, não esteve pelos ajustes e zás: tomem lá que é para não se habituarem ao sol e à praia, todos os dias. Ainda por cima, nós aqui no Céu não temos praia!

Mas como alguém disse um dia que o Natal “é quando um homem quiser”, também o Dia da Mãe pode ser “quando uma filha quiser”. E foi o que fez a minha. Assim, comemorámos ontem este dia, pois então.

O pior é razão para tal facto: é que ela trabalha aos Domingos, Feriados, e quando “a patroa quiser”. E viva o velho, que tem emprego, dizem-me algumas pessoas que habitam este país (des)governado, conformadas.

Efectivamente, tem. E que emprego! Eu é que me não conformo, ao vê-la esforçar-se, orgulhosa das belas notas e do seu percurso académico, recebendo ao fim do mês a mísera quantia de 449 euros, que é o que resta do ordenado mínimo, depois dos devidos descontos. E viva o velho!

De onde terá vindo esta expressão? Só espero que este velho não seja aquele em quem estou a pensar. E estou igualmente a pensar noutra personagem que mal aflorou a Universidade, ascendendo, e acedendo, não obstante, a um lugar ao sol.

Como pode uma mãe, amargurada, comemorar seja o que for, nestas circunstâncias? Apetece é ir prantar-se junto a certos locais, em protesto. E fazer greve de fome. Para grandes males, grandes remédios.

Eu sei que não sou a única com motivos de queixa. Ora, com o mal dos outros podemos nós todos bem.

E no Dia da Mãe, que forma melhor de desabafo existe, do que o emprego de vários AFORISMOS? Digam lá!

escrito por Gabriela Correia, Faro

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O EQUINÓCIO DE MARÇO

O Equinócio trouxe-nos mais um corte

(roubo?)
nas parcas reformas da maioria dos portugueses. E equinócio não rima com corte, antes com ócio
(adeus feriados).

Mas hoje é igualmente o dia reservado ao lembrete duma data de coisas, e loisas: é o dia da celebração de vários dias. A saber:
  • O Dia Mundial da Árvore (quase já extinta); 
  • O Dia Mundial da Floresta (de qual, da ardida ou da outra?); 
  • O Dia Mundial da Poesia (abrupto termo dito último pesado poema do mundo -- Herberto Hélder in Ofício Cantante); 
  • Dia Mundial Contra o Racismo (só da cor?); 
  • Dia Mundial dos Gnomonistas (sejam lá quem eles forem; o meu computador também não conhece);

Mas estou segura de que há mais. Não me lembro é quais…


Hoje faz anos também que o primeiro número da revista ORPHEU (1915) veio a lume; quantos são? É só fazerem as contas!

Last but not least, hoje é o dia da entrada do Sol no signo de Carneiro! Pergunto: para quando a entrada da chuva? Faz uma falta danada
(A água que os governos metem não conta).

Porém, nem os meteorologistas são capazes de anunciar chuva capaz; chuva que nos lave as ruas e apazigúe os nossos corações amargurados. Somos piegas, e não sabíamos. Ninguém nos disse, nem os governos!

Esperemos que os ditos meteorologistas nos possam anunciar algo de bom, no próximo dia 23 de Março -- Dia Mundial da Meteorologia.

escrito por Gabriela Correia, Faro (no Equinócio do Nosso Descontentamento)

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DIA DO PAI

[Passe a publicidade...]


escrito por ai.valhamedeus [com beijos para os meus filhos]

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DO CONTRA [83] blasfémias

O dia de hoje está a ser muito intenso.
  • Um Papa morto, que já sabíamos manhoso
    [a que distância está a manha mediática de João Paulo II (jota-pê2) da candura de Paulo VI ou João XXIII!]
    foi hoje declarado beato. Tu és um beato! era das coisas más que se podiam ouvir, há uns anos atrás. Mas, hoje, fiquei feliz ao ver, nas tvs, o ar de alguns homens e mulheres em Roma: o ar feliz de quem se teria vindo ao ver alçar-se o pano que tapava o beato rosto, ainda não decrépito, de jota-pê2.

  • Hoje é também o Dia da Mãe. Amanhã não será. Prontoss! Ontem também não foi. Prontoss! Que as mães tenham pelo menos um dia! Cá por mim, concordo
    (já mandei, por via smsiana indirecta, 2 beijinhos à minha. Que Deus no-la conserve, por muitos anos!).
  • Hoje é também o Dia do Trabalhador. Em vários sentidos, incluindo neste, bué da chato: há trabalhadores a trabalhar, hoje, sem que estejam a cumprir "serviços mínimos" -- estamos em crise, dizem-nos. Ontem também foi Dia do Trabalhador. Prontoss! Amanhã também será. Prontoss! Que Deus os/nos liberte desta tragédia -- e de outras, como o fmi!

  • Hoje também é Dia do Senhor. Há oito dias, também foi. Prontoss!Daqui a oito dias, voltará a ser. Prontoss! Que é que lhe havemos de fazer?!...
Mas algumas destas coincidências deveriam ser proibidas. Por lei humana ou divina, tanto faria. O Dia do Trabalhador e/ou o Dia da Mãe não deveriam nunca ser no Dia do Senhor. Primeiro, porque o Senhor é Deus-Pai e não Deus-Mãe. Segundo, porque o Senhor
[como lembrou Saramago, em tempos antes de se encontrar com o Senhor]
trabalhou 7 dias e depois entrou na sorna, até hoje: o que é um atentado aos divinos direitos do Trabalhador
[ou, talvez antes, um exemplo a mostrar aos patrões que querem mudar para as calendas o descanso/a reforma dos trabalhadores].
escrito por ai.valhamedeus

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ÀS MÃES... E AOS PAIS, TAMBÉM

escrito por ai.valhamedeus

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AINDA O CHUMBO DA AVALIAÇÃO SOCRETINA

Cavaco Silva não promulgará o chumbo da avaliação socretina dos professores

[decidido por larga maioria na Assembleia da República],
"para não irritar o governo cessante e o PS". O resto da notícia, aqui.

escrito por ai.valhamedeus

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O FIM DA POESIA

Continuando na senda dos dias e sua celebração, hoje é dia do Equinócio da Primavera, da Árvore e Dia Mundial da Poesia.
O FIM DA POESIA

Faltas tu nesta paz,
Sob este sol de Março e a alegria dos pássaros.
Faltas tu nesta paisagem desamada,
Para eu poder entrelaçar os dedos da conversa na tua mão atenta, descarnada.

Faltas tu nestes dias lindos por fora,
Mas carregados de ódio nas costuras das ruas sem vigor.
(Que não rimam com amor)

Faltas tu nas ideias solitárias
Em deambulações contrárias à mole humana
Faltas tu nesta Arca ondulante em viagem de procelas, derrapante.
Nesta Arca, onde apenas deveria haver números pares
E lugares preenchidos.
Não o vazio.

Faltas tu, mas ficou o teu lugar,
A tua marca.
E a poesia sussurra-me ao ouvido:
As metáforas morreram,
Já não são úteis os símiles de Torga.
Porque as filhas cortam o cabelo
E já não usam tranças
E as videiras há muito que estão mortas.

É esta a realidade. Acolhe-a!
Ou perderás, em vão, a tua alma.
[Gabriela Correia]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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DIA DO PAI

Nunca gostei da instituição de dias de isto e mais aquilo. Parece que agora até vai haver dias daqueloutro, pois qualquer cidadão pode alvitrar o dia que quer ver instituído no calendário, desde que apresente razões bem fundamentadas.

Mas o que aqui me traz hoje é o Dia do Pai. E, como se sabe, pais há muitos. Pais que ostentam e fazem jus ao nome, pais que nem deviam ser dignos de tal título, pais de filhos por nascer, pais de filhos já mortos, pais adoptivos e mais diligentes do que os biológicos, pais babados, pais querendo imitar o patriarca Abraão, e que acabam por gerar filhos pródigos. Esquecendo-se eles próprios do dia do seu grito do Ipiranga.

Há também os Paizinhos do Povo, de cujos actos e respectivo resultado nos recordamos, e continuamos a testemunhar.

Mas todos (quase?) os pais gostam de dar conselhos aos filhos, já que, e por inerência de funções, se espera que o façam. Por supuesto!

O meu pai não fugiu à regra e, como bom pai que se prezava de ser, sempre nos aconselhou a não termos o Estado como patrão, porque “o Estado nunca deu nada a ninguém”, clamava, preocupado. Sabia do que falava, ele próprio funcionário público. O que não o impediu de votar no General Sem Medo, contra o “patrão”. Em segredo, e muita recomendação aos mais velhos para não comentarem o facto com ninguém. Acho que agora já não faz mal. Só tenho pena de não lhe ter dado ouvidos.

Bem-haja ao meu pai, que me ensinou os valores da liberdade, da justiça e da verdade.

Bem-haja a todos os pais dignos desse nome. E são a maioria, graças ao Altíssimo.

E será por eles que continuamos a celebrar o Dia do Pai, pese embora o aproveitamento comercial da data, como se vê nas montras, profusamente decoradas com cartazes a ela alusivos.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Mais um Dia Mundial! Para o nosso calendário ficar mais airoso. Já imaginaram um calendário repleto de dias e meses e o respectivo espaço em branco, como algumas das nossas noites? Assim sempre fica mais compostinho. E ficamos a saber que existem crianças, mulheres, pais, mães, vizinhos, Santo disto e daquilo, etc, etc. Enfim, uma festa permanente. Melhor, um arraial pegado, como diria a minha Avó.

Pois, hoje é o Dia Mundial da Criança, e, por conseguinte, vamos dar-lhe visibilidade e prioridade, como vem acontecendo no recente concurso televisivo, muito bem apresentado por uma apresentadora muito competente. Sempre sorridente. Rindo-se do fracasso dos adultos perante o ar façanhudo
(o meu dicionário não aceita a palavra e sugere-me farfalhudo)
e impante
(também não conhece; sugere implante)
dos super miúdos. E sobretudo irritante. Quem não se sentiu já irritado? Como se este concurso mostrasse alguma sabedoria preponderante, quiçá importante! É a ideia que se faz, levianamente, do que é a aprendizagem e o conhecimento. Tal como outros, com responsabilidades, já o fizeram.

Porém, e para que não se diga que escrevo de cor, deixo aqui excertos, de depoimentos, no JL – Suplemento de Educação, de experts, sobre o concurso:

Uma professora, inquirida sobre a inocuidade, ou não, do concurso do ponto de vista pedagógico, diz que “… a experiência com o programa será mais marcante para as crianças que estão no ecrã do que para as que estão diante dele. Por via do grande nervosismo que têm de enfrentar ao competirem com uma equipa de adultos, de gerir expectativas quanto à sua prestação, de aprender a lidar com os fracassos
(que, por acaso, são escassos).
Mais à frente explica por que acha que …Na televisão portuguesa as crianças têm mais vez que voz, merecendo esta última, enquadrada no direito à participação, uma atenção especial. Direito inscrito na Convenção Sobre Os Direitos da Criança, a qual fará em Novembro 20 anos.

João Mendes Ferreira, Psicólogo Clínico acha que Supermiúdos exalta a competitividade como princípio absoluto, ao serviço da autoglorificação e da utilização das próprias capacidades para vedar o acesso dos demais àquilo que desejam – tal é a moral desta ingénua tele-escola de inveja e de inversão dos papéis educativos. …O respeito por uma identidade em construção e o reconhecimento da imaturidade daqueles que educamos, está subjacente ao dever de os protegermos. …Supermiúdos é um desperdício. Tóxico. E deixa um conselho final: Aos concorrentes
(os infragraúdos),
uma sugestão: metam-se com alguém do vosso tamanho.

Como dizia Fernando Pessoa: o melhor do mundo são as crianças.

E Gonçalo M. Tavares, na sua singularíssima poesia, INVESTIGAÇÕES. NOVALIS, escreve:
60
No fundo das Coisas: Nada.
No fundo do Nada: as Coisas.
A superfície é Poço, claro.

61
No fundo do poço, as crianças.
(Ah), como são altas!
Hei-de voltar a este singular autor, e à sua poesia. Que, como também disse Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Em mim já se entranhou.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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HOMENAGEM A TODOS OS TRABALHADORES

Coro dos Escravos Hebreus


"Nabucco é uma ópera em quatro actos de Giuseppe Verdi, com libreto de Temistocle Solera, escrita em 1842. A acção da ópera conta a história do rei Nabucodonosor da Babilónia. Foi escrita durante a época da ocupação austríaca no norte da Itália e, por meio de várias analogias, suscitou o sentimento nacionalista italiano. O Coro dos Escravos Hebreus, no terceiro acto da ópera
(Va, pensiero, sull'ali dorate, "Vai, pensamento, sobre asas douradas")
tornou-se uma música-símbolo do nacionalismo italiano da época". [fonte: wikipédia]

...uma homenagem a todos os trabalhadores.

escrito por Adriana Santos

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BLOGUE DO DIA (DA MULHER)

Blog de libros

[cada dia, um livro em espanhol],
secção Lo mejor de la quincena, texto de ontem, a pretexto do Dia Internacional da Mulher
(um dia certamente triste, em que se recorda a luta até à morte das mulheres operárias pelos seus direitos, e não um dia para oferecer chocolates e coraçõezinhos de pelúcia) ocorreu-me homenagear nesta edição várias amigas "blogueiras", mulheres como esta que vos fala, que lidamos com todas as responsabilidades quotidianas mas que nem por isso imaginamos a nossa vida sem um tempito para dedicar à escrita".
escrito por ai.valhamedeus

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PENSAMENTO DO DIA (DA MULHER)

O dia da mulher é quando um homem quiser.

escrito por ai.valhamedeus

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NO DIA DOS NAMORADOS

Poesia e Propaganda
Hei-de mandar arrastar com muito orgulho
Pelo pequeno avião da propaganda
E no céu inocente de Lisboa,
Um dos meus versos, um dos meus
Mais sonoros e compridos versos:

E será um verso de amor...
[Alexandre O’Neill. Poesias Completas: 1951/1981]

escrito por ai.valhamedeus

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rapinados 20. O SANTO DOS PORRES

Pelo S. Martinho prova o teu vinho. Depois do Natal, a festa de S. Martinho é a mais comemorada em Portugal. Dia de grande porre nacional, pois é quando se prova o primeiro vinho da colheita anual. Um dos grandes mistérios da Igreja — para mim — é misturar o nome de S. Martinho de Tours com água-pé, castanhas e febras na brasa. Nada na vida do santo faz conotá-lo com comedorias e bebedorias. A sua história, não tem a ver com a tradição popular dessa época. Então, viva a tradição e vamos provar o vinho.


S. Martinho nasceu no ano de 315 ou 316 em Sabária da Panónia, actual Hungria, filho de pais pagãos. O pai era oficial do exército romano e foi destinado a Pavia, onde o filho recebeu a primeira educação.

«Aos dez anos» — escreve José Leite, S. J., in Santos de Cada Dia — «pediu para entrar na Igreja contra a vontade dos seus e pensava mesmo em retirar-se para o deserto. Para o libertar das influências cristãs, aos 15 anos o pai inscreveu-o no exército e obrigou-o ao juramento militar. Tratava o seu impedido em pé de igualdade, pois com ele comia, servia-o à mesa e até lhe limpava o calçado.» Baptizado aos 18 anos, foi logo ordenado como exorcista, por S. Hilário. Em Abril de 360 retira-se para um lugar chamado Ligugé, junto a Poitiers, onde construiu uma cabana e ali permanece 11 anos, entregue à oração e à penitência. Poucos anos antes de ser eleito bispo de Tours (contra a sua vontade), em 371, funda junto da cidade o mosteiro de Marmoutier, onde acolhe os primeiros discípulos. Dali saiu, entre outros, S. Patrício, o apóstolo da Irlanda. Marmoutier foi um grande centro de evangelização.

Considerado o pai do monaquismo francês, Martinho de Tours foi o grande introdutor do cristianismo na Gália romana. Na França há 485 aldeias e 3667 paróquias com o seu nome e a si devotadas. S. Martinho é padroeiro dos hoteleiros, cavaleiros e alfaiates; é invocado especialmente como protector dos gansos. Foi patrono da dinastia carolíngia. E em França, Inglaterra e Sacro Império foi santo muito popular devido às suas acções cavaleiresco-episcopais.

A sua fama de santidade nasce quando, sendo ainda catecúmeno, em Amiens, em pleno Inverno, de volta dum passeio matutino, um pobre, meio nu, estendeu-lhe a mão, pedindo esmola. Martinho tirou o manto militar, cortou-o ao meio com a espada e entregou metade ao mendigo. Críticos dessa meia-generosidade ironizaram o facto de ele não ter dado a capa inteira, talvez por ser Inverno... E aí outro «milagre» aconteceu em defesa do santo: a sua festa litúrgica, 11 de Novembro (embora tenha morrido no dia 8), costuma ser um belo dia de Verão — o Verão de S. Martinho.

A CONFUSÃO — Houve um outro S. Martinho, de Dume, natural da mesma Sabária da Panónia, dois séculos depois, que chegou a ser bispo de Braga, reputado como o homem mais ilustrado do seu tempo, tendo fundado no século VI o mosteiro de Dume, nos arredores de Braga, e tido como o grande convertor dos suevos para a religião católica.

Sobre S. Martinho de Dume escreveu Gregório de Tours, entre 591 a 594, contando mais um milagre do santo da Galícia: achava-se um dia o rei Miro na cidade em que seu sucessor tinha edificado a basílica de S. Martinho (de Dume), e em frente ao pórtico havia uma ramada de uvas, que o rei havia proibido que lhes tocassem, pois pertenciam ao santo. Como um servo desobedecesse e fosse colher um cacho, secou-se-lhe imediatamente a mão direita. Acudiu o rei e quis cortar-lha; atendendo, porém, aos rogos que lhe fizeram, voltou à igreja e foi chorar o delito do servo aos pés do altar. S. Martinho dignou-se curar o delinquente.

Devem ser essa «ramada e esse cacho de uvas» que fizeram ligar e confundir S. Martinho de Tours com o de Dume, transformando-o no santo do vinho.

Na minha opinião, quem deveria ser o santo protector do vinho é Martinho de Porres, nascido em 9 de Dezembro de 1579, em Lima, no Peru, e morto em 1639, a 3 de Novembro, dia em que é festejado. S. Martinho de Porres é padroeiro dos mulatos e é invocado para afugentar os ratos. Mas quando o leitor «amarrar» um porre, daqueles de trocar Jesus Cristo por Vitorino Nemésio, em vez do falso padroeiro do vinho, apegue-se ao santo peruano, ele deve ser do ramo. De porre ele entende.

[rapinado do jornal desportivo A Bola de 10/11/1994]

nota do Ai Jesus!: manteve-se o substantivo porre, em vez de o substituir por, mais utilizado no português europeu, bebedeira. Ou chiba. Ou cabra.

escrito por ai.valhamedeus

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DIA DA BASTILHA

Hoje é Dia da Bastilha. A tomada da Bastilha encontra-se entre os marcos fundamentais da Revolução Francesa.

Associo-lhe duas canções emblemáticas da Revolução: La Carmagnole e Ça ira. Lê-se aqui que
Depois de «A Marselhesa», La Carmagnole foi a canção preferida dos sans coulottes da Revolução Francesa, apenas disputando o lugar com «Ça Ira». Escrita na base de uma dança tradicional do Piemonte, assinala nos seus versos iniciais a derrota de Luís XVI ao tentar utilizar o direito de veto que lhe havia sido concedido pela Constituinte de 1791, dando origem ao assalto às Tulherias e à prisão da família real.

La Carmagnole manteve-se ao longo dos séculos como uma das mais populares canções francesas, conhecendo-se mais de 50 letras diferentes utilizadas noutras situações revolucionárias e de luta do movimento operário.




Quanto a Ça ira,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira, refrain qui symbolise la Révolution, fut entendu pour la première fois en mai 1790. Son auteur, un ancien soldat chanteur des rues du nom de Ladré, avait adapté des paroles anodines sur le Carillon national, un air de contredanse très populaire dû à Bécourt, violoniste au théâtre Beaujolais et que la reine Marie-Antoinette elle-même aimait souvent jouer sur son clavecin.


escrito por ai.valhamedeus

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ESOS LOCOS BAJITOS

Hoje é dia dos putos. Dos loucos baixitos
["baixitos são", diz Serrat. "Eventualmente baixitos. Mas baixitos". E "maravilhosamente loucos" até caírem nas mãos dos adultos que lhes cortam as asas mágicas com que vêm de fábrica, dando assim origem à deterioração da espécie que se nota quando se anda pelas ruas].
A menudo los hijos se nos parecen,
y así nos dan la primera satisfacción;
ésos que se menean con nuestros gestos,
echando mano a cuanto hay a su alrededor.

Esos locos bajitos que se incorporan
con los ojos abiertos de par en par,
sin respeto al horario ni a las costumbres
y a los que, por su bien, (dicen) que hay que domesticar.

Niño,
deja ya de joder con la pelota.
Niño,
que eso no se dice,
que eso no se hace,
que eso no se toca.

Cargan con nuestros dioses y nuestro idioma,
con nuestros rencores y nuestro porvenir.
Por eso nos parece que son de goma
y que les bastan nuestros cuentos
para dormir.

Nos empeñamos en dirigir sus vidas
sin saber el oficio y sin vocación.
Les vamos trasmitiendo nuestras frustraciones
con la leche templada
y en cada canción.

Nada ni nadie puede impedir que sufran,
que las agujas avancen en el reloj,
que decidan por ellos, que se equivoquen,
que crezcan y que un día
nos digan adiós.
escrito por ai.valhamedeus

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MONTEVERDI FAZ ANOS

MonteverdiMonteverdi nasceu a 15 de Maio de 1567. Faz anos hoje, portanto.

Há dois anos e tal, homenageei o compositor, a propósito dos 400 anos da ópera. Um pequeno vídeo permite ainda agora ouver um delicioso trecho do seu L'Orfeo.

A Monteverdi brindo hoje, novamente com L'Orfeo, com pedidos de desculpa pela insistência
[mas a culpa de a obra ser extraordinariamente como é, a culpa não é minha, é do seu criador].

escrito por ai.valhamedeus

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PARA A MINHA FILHA

Hoje é o Dia da Mãe, mais uma vez aproveitado pelo comércio para recolher dividendos. Enfim, é o Dia da Mãe. Como sou filha já cumpri o meu dever em relação à minha. E a minha filha também. Em retribuição deixo-lhe aqui os versos que lhe dediquei quando ela era pequena e me subia para o colo a fim de adormecer. E continuo a dedicar, enquanto mãe. E o comércio que se lixe.
Para a Minha Filha

Dêem-me um mote
Para eu dizer em verso
O que é um cachalote

Mas não digam que eu não presto.

Dêem-me um verso
Para eu dizer em prosa
O que é uma formiga
Ou a bela mariposa
Que ao sol parece mais bela.

Mas não digam que eu não presto.

Dêem-me o mundo
Para o pôr numa bandeja
E a teus pés colocá-lo.

Mas não digam que eu não presto.

Dêem-me o céu
Que tenho pressa de cumprir o meu destino
Como o fruto pequenino.

Mas não me digam que eu não presto.
[Gabriela Correia. Rimas para a infância]

escrito por Gabriela Correia, Faro

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HOJE É DIA DO LIVRO

Dia do livro

...e amanhã, também. E depois de amanhã. Todos os dias são bons para ler.

O ano passado, o Carlos Lopes indicou aqui os motivos por que se celebra o livro a 23 de Abril. Hoje, revelo eu a minha última descoberta em relação ao livro (à leitura): que a leitura tem uma história.

Não imaginava, por exemplo, que a leitura silenciosa fosse prática usual no Ocidente apenas a partir do século X. Foi Alberto Manguel
[Uma História da Leitura. Lisboa: Editorial Presença, 1998]
que me fez saber que datam do século IX as primeiras ordenações a requererem o silêncio dos escribas no scriptorium monástico; até então, os textos que copiavam eram-lhes ditados ou liam-nos eles próprios em voz alta. A nova moda na leitura gerou reacções negativas: a leitura em silêncio propiciava o sonhar acordado, o perigo de acídia -- o pecado do ócio, "a destruição que devasta ao meio-dia". Havia ainda outro perigo na leitura silenciosa: um livro lido em privado já não é susceptível de clarificação imediata ou de leitura guiada, condenação ou censura por um ouvinte. E leitores assim independentes eram obviamente... perigosos -- como viria a provar-se com o movimento protestante que, no século XVI, defendeu que toda a gente tinha o direito de ler a palavra de Deus directamente, sem testemunhas nem intermediários.

Nas suas Confissões, Santo Agostinho refere-se ao bispo de Milão, observando que era um leitor cuja voz se mantinha "em silêncio e a sua língua não se movia". Tal forma de ler era suficientemente estranha para merecer um registo nas Confissões. Manguel refere que, nos anos 70, na bela Biblioteca Ambrosiana, em Milão, os leitores falavam uns com os outros a partir dos seus lugares; de quando em quando, alguém gritava uma pergunta ou um nome, um tomo pesado fechava-se com estrondo, um carrinho com livros passava a chocalhar. Hoje, a leitura em silêncio é cada vez mais pontuada pelos estalidos e martelar dos teclados de computadores portáteis, como se vivessem bandos de picapaus dentro destes edifícios forrados a livros que são as bibliotecas/mediatecas.

escrito por ai.valhamedeus [inspirado no capítulo Os Leitores Silenciosos do referido livro]

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