Dir-me-ão: dia da Mãe são, ou deviam ser, todos os dias. Literalmente. Se fizermos um estudo sociológico do panorama português, talvez se nos apresente um cenário que a ninguém já causa impressão, e muito menos perturbação. Pois, todos sabemos o número de agregados familiares constituídos pela mãe e por um filho, do sexo feminino ou do seu “oposto”. Do pai nem rasto. Seja como for, e para efeitos de calendário ocidental, hoje é o Dia da Mãe. E logo coincidente com o Dia do Trabalhador! Nada mais certeiro, já que a mãe é muitas vezes o único elemento trabalhador, no seio da família. Com pena agravada: auferir salário inferior, em muitos casos, ao do seu congénere masculino. O direito estatuído na Constituição: a trabalho igual salário igual é o que se sabe. E só não falo de outros “mimos” feitos às mulheres, porque já falei do meu cartão de cidadã, e não de cidadão, neste blogue, antes de ele, o mimo, começar a ser também referido por um partido, tendo, assim, visibilidade. Mas deixemos essas “minudências”e passemos ao dia que hoje se comemora: O Dia da Mãe. O comércio agradece. Tomaram eles, os comerciantes bem entendido, que a lista dos dias “assinalados”, como dizia a minha Avó, se lhes alongasse. De preferência ad aeternum. Eu vou já sugerir alguns: O Dia Internacional dos Offshores, O Dia dos Hidrocarbonetos, O Dia do Fracking, (não, não é o Dia do Fraque; este Dia foi inventado pelos Americanos, e não pelos Ingleses), etc., etc. O Dia dos/as Divorciados/as. Este não existe já? Muito me admira... O Dia do/a Pagante de Impostos, O Dia das Autoestradas com Portagem, O Dia das Cimenteiras, O Dia das Prospecções no Litoral Algarvio. Vêem como a lista se está a estender?! O Dia do Acordo Ortográfico (não dei conta deste Dia), O Dia do Ruído depois da Meia-Noite, inventado pelos estudantes da UALG. E muitos mais haverá. É só puxar pela imaginação, caro/a leitor/a.
Mas o que eu queria mesmo dizer é que este foi o primeiro Dia da Mãe em que não telefonei à minha a recordar-lhe que me lembrava dela, porque ela faleceu. Por acaso, num Dia também “assinalável”: O Dia dos Namorados. E que eu saiba, no céu não há telefones.
escrito por Gabriela Correia, Faro, Dia da Mãe. 2016
DIA DA MÃE
DIA DA MÃE
Hoje o dia esteve mais ou menos carrancudo; pelo menos aqui a Sul. No Dia do Trabalhador fez uma temperatura de se lhe tirar o chapéu, mas hoje, dia Da Mãe, o São Pedro, que não deve ter tido mãe, já que era Santo, não esteve pelos ajustes e zás: tomem lá que é para não se habituarem ao sol e à praia, todos os dias. Ainda por cima, nós aqui no Céu não temos praia!
Mas como alguém disse um dia que o Natal “é quando um homem quiser”, também o Dia da Mãe pode ser “quando uma filha quiser”. E foi o que fez a minha. Assim, comemorámos ontem este dia, pois então.
O pior é razão para tal facto: é que ela trabalha aos Domingos, Feriados, e quando “a patroa quiser”. E viva o velho, que tem emprego, dizem-me algumas pessoas que habitam este país (des)governado, conformadas.
Efectivamente, tem. E que emprego! Eu é que me não conformo, ao vê-la esforçar-se, orgulhosa das belas notas e do seu percurso académico, recebendo ao fim do mês a mísera quantia de 449 euros, que é o que resta do ordenado mínimo, depois dos devidos descontos. E viva o velho!
De onde terá vindo esta expressão? Só espero que este velho não seja aquele em quem estou a pensar. E estou igualmente a pensar noutra personagem que mal aflorou a Universidade, ascendendo, e acedendo, não obstante, a um lugar ao sol.
Como pode uma mãe, amargurada, comemorar seja o que for, nestas circunstâncias? Apetece é ir prantar-se junto a certos locais, em protesto. E fazer greve de fome. Para grandes males, grandes remédios.
Eu sei que não sou a única com motivos de queixa. Ora, com o mal dos outros podemos nós todos bem.
E no Dia da Mãe, que forma melhor de desabafo existe, do que o emprego de vários AFORISMOS? Digam lá!
escrito por Gabriela Correia, Faro
O EQUINÓCIO DE MARÇO
O Equinócio trouxe-nos mais um corte
(roubo?)nas parcas reformas da maioria dos portugueses. E equinócio não rima com corte, antes com ócio
(adeus feriados).
Mas hoje é igualmente o dia reservado ao lembrete duma data de coisas, e loisas: é o dia da celebração de vários dias. A saber:
- O Dia Mundial da Árvore (quase já extinta);
- O Dia Mundial da Floresta (de qual, da ardida ou da outra?);
- O Dia Mundial da Poesia (abrupto termo dito último pesado poema do mundo -- Herberto Hélder in Ofício Cantante);
- Dia Mundial Contra o Racismo (só da cor?);
- Dia Mundial dos Gnomonistas (sejam lá quem eles forem; o meu computador também não conhece);
Mas estou segura de que há mais. Não me lembro é quais…
Last but not least, hoje é o dia da entrada do Sol no signo de Carneiro! Pergunto: para quando a entrada da chuva? Faz uma falta danada
(A água que os governos metem não conta).
Porém, nem os meteorologistas são capazes de anunciar chuva capaz; chuva que nos lave as ruas e apazigúe os nossos corações amargurados. Somos piegas, e não sabíamos. Ninguém nos disse, nem os governos!
Esperemos que os ditos meteorologistas nos possam anunciar algo de bom, no próximo dia 23 de Março -- Dia Mundial da Meteorologia.
escrito por Gabriela Correia, Faro (no Equinócio do Nosso Descontentamento) LEIA O RESTANTE >>
DIA DO PAI
[Passe a publicidade...]
escrito por ai.valhamedeus [com beijos para os meus filhos] LEIA O RESTANTE >>
DO CONTRA [83] blasfémias
- Um Papa morto, que já sabíamos manhoso
[a que distância está a manha mediática de João Paulo II (jota-pê2) da candura de Paulo VI ou João XXIII!]
foi hoje declarado beato. Tu és um beato! era das coisas más que se podiam ouvir, há uns anos atrás. Mas, hoje, fiquei feliz ao ver, nas tvs, o ar de alguns homens e mulheres em Roma: o ar feliz de quem se teria vindo ao ver alçar-se o pano que tapava o beato rosto, ainda não decrépito, de jota-pê2. - Hoje é também o Dia da Mãe. Amanhã não será. Prontoss! Ontem também não foi. Prontoss! Que as mães tenham pelo menos um dia! Cá por mim, concordo
(já mandei, por via smsiana indirecta, 2 beijinhos à minha. Que Deus no-la conserve, por muitos anos!).
- Hoje é também o Dia do Trabalhador. Em vários sentidos, incluindo neste, bué da chato: há trabalhadores a trabalhar, hoje, sem que estejam a cumprir "serviços mínimos" -- estamos em crise, dizem-nos. Ontem também foi Dia do Trabalhador. Prontoss! Amanhã também será. Prontoss! Que Deus os/nos liberte desta tragédia -- e de outras, como o fmi!
- Hoje também é Dia do Senhor. Há oito dias, também foi. Prontoss!Daqui a oito dias, voltará a ser. Prontoss! Que é que lhe havemos de fazer?!...
[como lembrou Saramago, em tempos antes de se encontrar com o Senhor]
[ou, talvez antes, um exemplo a mostrar aos patrões que querem mudar para as calendas o descanso/a reforma dos trabalhadores].escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
ÀS MÃES... E AOS PAIS, TAMBÉM
escrito por ai.valhamedeus
AINDA O CHUMBO DA AVALIAÇÃO SOCRETINA
Cavaco Silva não promulgará o chumbo da avaliação socretina dos professores
[decidido por larga maioria na Assembleia da República],
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
O FIM DA POESIA
O FIM DA POESIA[Gabriela Correia]
Faltas tu nesta paz,
Sob este sol de Março e a alegria dos pássaros.
Faltas tu nesta paisagem desamada,
Para eu poder entrelaçar os dedos da conversa na tua mão atenta, descarnada.
Faltas tu nestes dias lindos por fora,
Mas carregados de ódio nas costuras das ruas sem vigor.
(Que não rimam com amor)
Faltas tu nas ideias solitárias
Em deambulações contrárias à mole humana
Faltas tu nesta Arca ondulante em viagem de procelas, derrapante.
Nesta Arca, onde apenas deveria haver números pares
E lugares preenchidos.
Não o vazio.
Faltas tu, mas ficou o teu lugar,
A tua marca.
E a poesia sussurra-me ao ouvido:
As metáforas morreram,
Já não são úteis os símiles de Torga.
Porque as filhas cortam o cabelo
E já não usam tranças
E as videiras há muito que estão mortas.
É esta a realidade. Acolhe-a!
Ou perderás, em vão, a tua alma.
escrito por Gabriela Correia, Faro LEIA O RESTANTE >>
DIA DO PAI

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
(o meu dicionário não aceita a palavra e sugere-me farfalhudo)e impante
(também não conhece; sugere implante)dos super miúdos. E sobretudo irritante. Quem não se sentiu já irritado? Como se este concurso mostrasse alguma sabedoria preponderante, quiçá importante! É a ideia que se faz, levianamente, do que é a aprendizagem e o conhecimento. Tal como outros, com responsabilidades, já o fizeram.
(que, por acaso, são escassos).Mais à frente explica por que acha que …Na televisão portuguesa as crianças têm mais vez que voz, merecendo esta última, enquadrada no direito à participação, uma atenção especial. Direito inscrito na Convenção Sobre Os Direitos da Criança, a qual fará em Novembro 20 anos.
(os infragraúdos),uma sugestão: metam-se com alguém do vosso tamanho.
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No fundo das Coisas: Nada.
No fundo do Nada: as Coisas.
A superfície é Poço, claro.
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No fundo do poço, as crianças.
(Ah), como são altas!
HOMENAGEM A TODOS OS TRABALHADORES
(Va, pensiero, sull'ali dorate, "Vai, pensamento, sobre asas douradas")tornou-se uma música-símbolo do nacionalismo italiano da época". [fonte: wikipédia]
...uma homenagem a todos os trabalhadores.
escrito por Adriana Santos LEIA O RESTANTE >>
BLOGUE DO DIA (DA MULHER)
[cada dia, um livro em espanhol],
(um dia certamente triste, em que se recorda a luta até à morte das mulheres operárias pelos seus direitos, e não um dia para oferecer chocolates e coraçõezinhos de pelúcia) ocorreu-me homenagear nesta edição várias amigas "blogueiras", mulheres como esta que vos fala, que lidamos com todas as responsabilidades quotidianas mas que nem por isso imaginamos a nossa vida sem um tempito para dedicar à escrita".escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
NO DIA DOS NAMORADOS
Poesia e Propaganda
Hei-de mandar arrastar com muito orgulho[Alexandre O’Neill. Poesias Completas: 1951/1981]
Pelo pequeno avião da propaganda
E no céu inocente de Lisboa,
Um dos meus versos, um dos meus
Mais sonoros e compridos versos:
E será um verso de amor...
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
rapinados 20. O SANTO DOS PORRES
Pelo S. Martinho prova o teu vinho. Depois do Natal, a festa de S. Martinho é a mais comemorada em Portugal. Dia de grande porre nacional, pois é quando se prova o primeiro vinho da colheita anual. Um dos grandes mistérios da Igreja — para mim — é misturar o nome de S. Martinho de Tours com água-pé, castanhas e febras na brasa. Nada na vida do santo faz conotá-lo com comedorias e bebedorias. A sua história, não tem a ver com a tradição popular dessa época. Então, viva a tradição e vamos provar o vinho.
S. Martinho nasceu no ano de 315 ou 316 em Sabária da Panónia, actual Hungria, filho de pais pagãos. O pai era oficial do exército romano e foi destinado a Pavia, onde o filho recebeu a primeira educação.
«Aos dez anos» — escreve José Leite, S. J., in Santos de Cada Dia — «pediu para entrar na Igreja contra a vontade dos seus e pensava mesmo em retirar-se para o deserto. Para o libertar das influências cristãs, aos 15 anos o pai inscreveu-o no exército e obrigou-o ao juramento militar. Tratava o seu impedido em pé de igualdade, pois com ele comia, servia-o à mesa e até lhe limpava o calçado.» Baptizado aos 18 anos, foi logo ordenado como exorcista, por S. Hilário. Em Abril de 360 retira-se para um lugar chamado Ligugé, junto a Poitiers, onde construiu uma cabana e ali permanece 11 anos, entregue à oração e à penitência. Poucos anos antes de ser eleito bispo de Tours (contra a sua vontade), em 371, funda junto da cidade o mosteiro de Marmoutier, onde acolhe os primeiros discípulos. Dali saiu, entre outros, S. Patrício, o apóstolo da Irlanda. Marmoutier foi um grande centro de evangelização.
Considerado o pai do monaquismo francês, Martinho de Tours foi o grande introdutor do cristianismo na Gália romana. Na França há 485 aldeias e 3667 paróquias com o seu nome e a si devotadas. S. Martinho é padroeiro dos hoteleiros, cavaleiros e alfaiates; é invocado especialmente como protector dos gansos. Foi patrono da dinastia carolíngia. E em França, Inglaterra e Sacro Império foi santo muito popular devido às suas acções cavaleiresco-episcopais.
A sua fama de santidade nasce quando, sendo ainda catecúmeno, em Amiens, em pleno Inverno, de volta dum passeio matutino, um pobre, meio nu, estendeu-lhe a mão, pedindo esmola. Martinho tirou o manto militar, cortou-o ao meio com a espada e entregou metade ao mendigo. Críticos dessa meia-generosidade ironizaram o facto de ele não ter dado a capa inteira, talvez por ser Inverno... E aí outro «milagre» aconteceu em defesa do santo: a sua festa litúrgica, 11 de Novembro (embora tenha morrido no dia 8), costuma ser um belo dia de Verão — o Verão de S. Martinho.A CONFUSÃO — Houve um outro S. Martinho, de Dume, natural da mesma Sabária da Panónia, dois séculos depois, que chegou a ser bispo de Braga, reputado como o homem mais ilustrado do seu tempo, tendo fundado no século VI o mosteiro de Dume, nos arredores de Braga, e tido como o grande convertor dos suevos para a religião católica.
Sobre S. Martinho de Dume escreveu Gregório de Tours, entre 591 a 594, contando mais um milagre do santo da Galícia: achava-se um dia o rei Miro na cidade em que seu sucessor tinha edificado a basílica de S. Martinho (de Dume), e em frente ao pórtico havia uma ramada de uvas, que o rei havia proibido que lhes tocassem, pois pertenciam ao santo. Como um servo desobedecesse e fosse colher um cacho, secou-se-lhe imediatamente a mão direita. Acudiu o rei e quis cortar-lha; atendendo, porém, aos rogos que lhe fizeram, voltou à igreja e foi chorar o delito do servo aos pés do altar. S. Martinho dignou-se curar o delinquente.
Devem ser essa «ramada e esse cacho de uvas» que fizeram ligar e confundir S. Martinho de Tours com o de Dume, transformando-o no santo do vinho.
Na minha opinião, quem deveria ser o santo protector do vinho é Martinho de Porres, nascido em 9 de Dezembro de 1579, em Lima, no Peru, e morto em 1639, a 3 de Novembro, dia em que é festejado. S. Martinho de Porres é padroeiro dos mulatos e é invocado para afugentar os ratos. Mas quando o leitor «amarrar» um porre, daqueles de trocar Jesus Cristo por Vitorino Nemésio, em vez do falso padroeiro do vinho, apegue-se ao santo peruano, ele deve ser do ramo. De porre ele entende.
[rapinado do jornal desportivo A Bola de 10/11/1994]
nota do Ai Jesus!: manteve-se o substantivo porre, em vez de o substituir por, mais utilizado no português europeu, bebedeira. Ou chiba. Ou cabra.
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
DIA DA BASTILHA
Associo-lhe duas canções emblemáticas da Revolução: La Carmagnole e Ça ira. Lê-se aqui que
Depois de «A Marselhesa», La Carmagnole foi a canção preferida dos sans coulottes da Revolução Francesa, apenas disputando o lugar com «Ça Ira». Escrita na base de uma dança tradicional do Piemonte, assinala nos seus versos iniciais a derrota de Luís XVI ao tentar utilizar o direito de veto que lhe havia sido concedido pela Constituinte de 1791, dando origem ao assalto às Tulherias e à prisão da família real.
La Carmagnole manteve-se ao longo dos séculos como uma das mais populares canções francesas, conhecendo-se mais de 50 letras diferentes utilizadas noutras situações revolucionárias e de luta do movimento operário.
Quanto a Ça ira,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira, refrain qui symbolise la Révolution, fut entendu pour la première fois en mai 1790. Son auteur, un ancien soldat chanteur des rues du nom de Ladré, avait adapté des paroles anodines sur le Carillon national, un air de contredanse très populaire dû à Bécourt, violoniste au théâtre Beaujolais et que la reine Marie-Antoinette elle-même aimait souvent jouer sur son clavecin.
escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
ESOS LOCOS BAJITOS
["baixitos são", diz Serrat. "Eventualmente baixitos. Mas baixitos". E "maravilhosamente loucos" até caírem nas mãos dos adultos que lhes cortam as asas mágicas com que vêm de fábrica, dando assim origem à deterioração da espécie que se nota quando se anda pelas ruas].
A menudo los hijos se nos parecen,escrito por ai.valhamedeus LEIA O RESTANTE >>
y así nos dan la primera satisfacción;
ésos que se menean con nuestros gestos,
echando mano a cuanto hay a su alrededor.
Esos locos bajitos que se incorporan
con los ojos abiertos de par en par,
sin respeto al horario ni a las costumbres
y a los que, por su bien, (dicen) que hay que domesticar.
Niño,
deja ya de joder con la pelota.
Niño,
que eso no se dice,
que eso no se hace,
que eso no se toca.
Cargan con nuestros dioses y nuestro idioma,
con nuestros rencores y nuestro porvenir.
Por eso nos parece que son de goma
y que les bastan nuestros cuentos
para dormir.
Nos empeñamos en dirigir sus vidas
sin saber el oficio y sin vocación.
Les vamos trasmitiendo nuestras frustraciones
con la leche templada
y en cada canción.
Nada ni nadie puede impedir que sufran,
que las agujas avancen en el reloj,
que decidan por ellos, que se equivoquen,
que crezcan y que un día
nos digan adiós.
MONTEVERDI FAZ ANOS
Monteverdi nasceu a 15 de Maio de 1567. Faz anos hoje, portanto.
[mas a culpa de a obra ser extraordinariamente como é, a culpa não é minha, é do seu criador].
PARA A MINHA FILHA
Para a Minha Filha[Gabriela Correia. Rimas para a infância]
Dêem-me um mote
Para eu dizer em verso
O que é um cachalote
Mas não digam que eu não presto.
Dêem-me um verso
Para eu dizer em prosa
O que é uma formiga
Ou a bela mariposa
Que ao sol parece mais bela.
Mas não digam que eu não presto.
Dêem-me o mundo
Para o pôr numa bandeja
E a teus pés colocá-lo.
Mas não digam que eu não presto.
Dêem-me o céu
Que tenho pressa de cumprir o meu destino
Como o fruto pequenino.
Mas não me digam que eu não presto.
escrito por Gabriela Correia, Faro LEIA O RESTANTE >>
HOJE É DIA DO LIVRO
Não imaginava, por exemplo, que a leitura silenciosa fosse prática usual no Ocidente apenas a partir do século X. Foi Alberto Manguel
[Uma História da Leitura. Lisboa: Editorial Presença, 1998]que me fez saber que datam do século IX as primeiras ordenações a requererem o silêncio dos escribas no scriptorium monástico; até então, os textos que copiavam eram-lhes ditados ou liam-nos eles próprios em voz alta. A nova moda na leitura gerou reacções negativas: a leitura em silêncio propiciava o sonhar acordado, o perigo de acídia -- o pecado do ócio, "a destruição que devasta ao meio-dia". Havia ainda outro perigo na leitura silenciosa: um livro lido em privado já não é susceptível de clarificação imediata ou de leitura guiada, condenação ou censura por um ouvinte. E leitores assim independentes eram obviamente... perigosos -- como viria a provar-se com o movimento protestante que, no século XVI, defendeu que toda a gente tinha o direito de ler a palavra de Deus directamente, sem testemunhas nem intermediários.
Nas suas Confissões, Santo Agostinho refere-se ao bispo de Milão, observando que era um leitor cuja voz se mantinha "em silêncio e a sua língua não se movia". Tal forma de ler era suficientemente estranha para merecer um registo nas Confissões. Manguel refere que, nos anos 70, na bela Biblioteca Ambrosiana, em Milão, os leitores falavam uns com os outros a partir dos seus lugares; de quando em quando, alguém gritava uma pergunta ou um nome, um tomo pesado fechava-se com estrondo, um carrinho com livros passava a chocalhar. Hoje, a leitura em silêncio é cada vez mais pontuada pelos estalidos e martelar dos teclados de computadores portáteis, como se vivessem bandos de picapaus dentro destes edifícios forrados a livros que são as bibliotecas/mediatecas.
escrito por ai.valhamedeus [inspirado no capítulo Os Leitores Silenciosos do referido livro] LEIA O RESTANTE >>







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