Palestina livre!

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O CHEIRO DOS LIVROS


Há muitos anos que leio bastante em suporte digital. Mas há dois meses, depois de ter comprado um reMarkable, abandonei completamente a leitura de livros em papel. E a escrita em papel, quase completamente (obrigam-me a assinar de vez em quando uns papéis...). 

Um dos últimos livros que li no brinquedo foi Crime e Castigo de Dostoievsky. Que conforto na leitura (e nas anotações) das quase 600 páginas (li-as em tempo recorde, eu que leio a ritmo de caracol)! 

E as notas, os apontamentos...?! estou a frequentar (mais) um Curso de História da Música. Todas as notas respetivas (em algumas dezenas de páginas escritas à mão) estão na pasta correspondente, dentro do reMarkable. 

Ontem, para tentar compreender os defensores do livro em papel com o argumento do cheiro dos livros, fui cheirar um. Que espirrante! Aquela mistura de pó e tóner... xiça! 

escrito por ai.valhamedeus

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MANIAS

De há uns anos a esta parte, mais de trinta ou quarenta, tenho tido a mania de assinar os livros que compro e colocar a data, tudo a esferográfica. A partir de há uns dias, só ponho a data da compra e a lápis. Que raio têm, os que vierem, de saber quem comprou e quando? O quando fica a lápis para ser facilmente apagado e só para o adquirente saber quando.

Pepe Carvalho, o famoso detetive de Manuel Vasquez Montalban, tinha o hábito de acender a lareira com livros que achava indesejáveis. Achei o hábito censurável. Hoje, já não tanto. O livro, uma biblioteca, é um universo único e intransmissível. Claro que há livros que interessam a um conjunto de pessoas. Sei lá, 60/70 % em uma biblioteca, não mais. Mas o universo, em si, não é interessante para ninguém.
Há anos que penso o destino a dar à minha biblioteca. Moçambique, Cabo Verde ou S. Tomé. Ainda deve interessar a muito mais pessoas do que em Portugal. Tenho muita fé em África.

São desabafos de um gajo no fim da estrada.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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ORGANIZAR UMA BIBLIOTECA...

Organizar uma biblioteca é um modo silencioso de exercer a arte da crítica
dizia Jorge Luís Borges.

Sem dúvida que se fazem escolhas, por vezes muito subjetivas, procurando sempre a maior objetividade, dentro de uma lógica que se pretende eficaz na recuperação do que se procura.

Um amigo espalhou os seus 5.000 livros por três salas e argumentava, 
não posso colocar Júlio Dantas perto de Almada Negreiros, Ramalho junto a Antero e por aí adiante. Fundamental na biblioteca que os livros se sintam confortáveis, entre amigos e possam descansar sem temores. Que venham para as nossas mãos com prazer sem queixume. Os livros têm vida, conversam, quando mal colocados adoecem e não se deixam ler.

[imagem copiada daqui]

A propósito deste assunto, lembrei-me de um texto do livro de Gonçalo M. Tavares, O senhor Juarroz:
O senhor Juarroz gostava de organizar a sua biblioteca de maneira secreta. Ninguém gosta de revelar segredos íntimos. 
O senhor Juarroz primeiro organizara a biblioteca por ordem alfabética do título de cada livro. Rapidamente, porém, foi descoberto. 
O senhor Juarroz organizou depois a sua biblioteca por ordem alfabética, mas tendo em conta a primeira palavra de cada livro. 
Foi mais difícil, mas ao fim de algum tempo alguém disse: já sei! 
A seguir o senhor Juarroz reordenou a biblioteca, mas agora por ordem alfabética da milésima palavra de cada livro. 
Há no mundo pessoas muito perseverantes, e uma delas, depois de muito investigar, disse: já sei! 
No dia seguinte, assumindo este jogo como decisivo, o senhor Juarroz decidiu arrumar a biblioteca a partir de uma progressão matemática complexa que envolvia a ordem alfabética de uma determinada palavra e o teorema de Godel. 
Assim, para estranheza de muitos, a biblioteca do senhor Juarroz começou a ser visitada, não por entusiastas da leitura, mas por matemáticos. Alguns passaram tardes a abrir os livros e a ler certas palavras, utilizando o computador para longos cálculos, tentando assim encontrar a todo o custo a equação matemática capaz de desvendar a organização da biblioteca do senhor Juarroz. Era, no fundo, um trabalho de descoberta da lógica de uma série, semelhante a 2 1 9 1 30 1 93. 
Pois bem, passaram dois, três, quatro meses, mas chegou o dia. Um reputado matemático, completamente vermelho e eufórico, segurando, na mão direita, um bloco gigante coberto de números, disse: Já sei! E apresentou depois a fórmula da série que baseava a organização da biblioteca. 
O senhor Juarroz ficou desanimado e decidiu desistir do jogo. Basta! 
No dia seguinte pediu à sua esposa para organizar a biblioteca como bem entendesse. Por ele estava farto. 
Assim foi. Nunca mais ninguém descobriu a lógica da organização da biblioteca do senhor Juarroz.
[O senhor Juarroz. Gonçalo M. Tavares, ed. Caminho, 2004]

escrito por Paula Ferreira

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O PENTATEUCO

Pentateuco

Em 1987, mais precisamente a 30 de junho, comemorou-se o meio milénio da primeira edição do Pentateuco e, segundo se julga, o primeiro livro publicado em Portugal. Foi em Faro e quem o fez foi um judeu em 1487 de nome Samuel Gacon que quer dizer Samuel Porteiro.

Como se sabe, existe um cemitério judeu em Faro, ao lado do campo de futebol de S. Luís, que tem um museu.

O Pentateuco, que é constituído pelos primeiros cinco livros do Velho Testamento é chamado de Tora pelos judeus. Este Pentateuco é escrito em hebraico e encontra-se na British Library em Londres o único exemplar conhecido dessa primeira edição, roubado, claro está, segundo julgo, no Sec. XVI, pelos ingleses
(chamo ingleses sempre aos pulhas, mesmo que sejam galeses, escoceses ou outros…). 
Mas, se não roubaram, devem ser tratados assim, na mesma.

A edição que ora se exibe foi editada pelo Governo Civil de Faro, sendo então governador Cabrita Neto, e publicado em 1991.

Em 2017, a Editora Sul, Sol e Sal de Olhão republicou este livro (ainda que seja omisso na data de edição).

Pentateuco

Como se verifica, a leitura é feita ao contrário do que é usual (de resto, quem de entre nós nunca começou a ler uma revista ou jornal do fim para o princípio?) Parece uma manga japonesa…

Como muitos de entre nós domina a escrita judaica, também se publica a primeira página do livro. Vamos à leitura. Acho que começa assim: “No princípio, quando Deus criou os céus e a terra…”.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS LIVROS, SEMPRE OS LIVROS...


Nos anos de brasa de 1975/1976, reuníamo-nos no jardim público em Tavira. E havia então um dilema com que nos defrontávamos. Comprávamos livros a um ritmo superior à nossa capacidade de os ler. Aí, eu e o Ulisses Brito pusemos tal dúvida a um mais velho, experiente e sabedor camarada. Achas que devemos comprar livros se não temos tempo de os ler? Aí o veredicto do homem estragou-me a vida. Disse ele: se puderes, compra. Nunca sabes se quererás lê-lo mais tarde e não o encontras. Esta frase assassina foi dita pelo José Tomás Vasques, hoje figura proeminente do PS e então criador do Lutar no Mar Lutar em Terra.

E frase assassina porque me estragou a vida, pois segui-a quase sempre. Lembro-me que, por questões ideológicas, não quis comprar o Arquipélago de Gulag de Alexandre Soljenitsine e, depois, vi-me aflito para arranjar um em segunda mão. Só recentemente o comprei novo. Este episódio mais me fez crer na justeza do conselho.

Mas a coisa é cara e julgo que não há nada a fazer. Em 2018, comprei 145 livros, li 30 e gastei 1907,74 €! Uma barbaridade. Este ano, estou mais comedido. Só comprei 24… Vamos ver no final…


escrito por Carlos M. E. Lopes

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AS CAPAS DA RELÓGIO D'ÁGUA

Já me tinha apercebido, mas só agora reparei bem.

Geralmente, ao se editar um livro traduzido, as editoras acabam por utilizar as capas originais. A Relógio D´Água, podendo fazê-lo, fá-lo com uma beleza invulgar. As suas capas são extremamente belas, apetecíveis e singulares. Há contudo uma continuidade, uma harmonia que mostram terem tido origem no mesmo traço. Esse traço é o de Carlos César Vasconcelos. Fotógrafo, escritor, designer, músico, Carlos César Vasconcelos dá um toque singular às capas da Relógio D´Água.

Relógio d'Água

Veja-se esta, do livro de Natália Ginzburg. Ainda que seguindo a capa da edição italiana, não tem comparação. O Carlos Vasconcelos veio dar outra dimensão às capas dos livros. São os mais belos de todas as editoras.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O LIVRO DO CAVACO E OS NÃO FACTOS


Cavaco Silva entendeu escrever um livro sobre os seus dez anos na presidência. Nada de mal. Mas, como todos os manhosos, não exibe uma ideia, sobretudo do que ele entende ser os superiores interesses do país, interesses esses por que pautou a sua vida política (ele diria pública). Eu penso que, na nossa democracia, os superiores interesses do país seriam os explanados na Constituição, uma vez que nela são consagrados alguns princípios programáticos importantes, tais como o direito à habitação, saúde e educação. Mas desconfio de que não são esses os princípios por que o homem se pauta, sei lá, digo eu.

Ao folhear o índice, chamou-me a atenção um dos capítulos que diz A FALTA DE BOM SENSO DE UM MINISTRO (pág. 203 a 207). Pensei que iria aqui ter acesso àquilo que seria o exemplo dos princípios por que se pautava o Sr e indicasse factos que poderiam indiciar tais princípios. Primeiro pergunta a Sócrates a sua posição sobre o sector agrícola. Sócrates falou mal do governo anterior por causa das medidas agroambientais. Sócrates deu instruções ao ministro, Jaime Silva, para deixar de criticar o governo anterior. Mas havia animosidade entre o ministro e a CAP.

Tudo espremido, nem uma ideia, nem um facto sobre a falta de bom senso, a não ser que o ministro teria chamado de direita à CAP (redonda mentira, como se sabe). Lá para o fim, fala de perda de fundos da União Europeia por causa da incompetência do ministro. Foi só.

Esta posição manhosa, sem se comprometerem, é próprio destes políticos ranhosos e cobardes. Vou ainda consultar alguns capítulos. Sim, não irei ler o livro de seguida, por uma questão de higiene.

De folhear o livro, parece-me que a ideia geral do homem é que haja harmonia na família portuguesa e não truculências. Acho que já conhecemos a ideia…

Há uma coisa que quero dizer. Acho que não terá mal uma pessoa contar a sua história enquanto governante, mesmo que seja umas pseudomemórias.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS LIVROS, SEMPRE OS LIVROS...

A anarquia reinante nos meus bocados de biblioteca é de arrepiar. Cinco mudanças de casa em meia dúzia de anos geraram um desnorte geral, aliado a uma desorganização sistémica. Posso encontrar Dickens ao lado de Direito Romano, Hasek ao lado de Platão, Cunhal ao lado de Nuno Bragança, Carlos Fiolhais em namoro com Júlio César. Uma confusão só comparável com a cabeça do dono…

Mas os livros são uma paixão. Levar horas à procura de um título que não se sabe onde está, olhar as lombadas, folheá-los e …lê-los (não tanto como o desejo quer…).

Uma livraria em Saint Germain, em Paris, ao lado do Café de Flore, fascinou-me. Não muito grande, mas bem arrumadinha, à entrada, à esquerda, lá estava a biblioteca da Plêiade. Admirável coleção, lindas lombadas, encadernação de esmero. Foi o pai de André Schiffrin, um editor, que a criou.

Papeis pintados com tinta, como dizia Pessoa, a escrita (e o livro) é o maior invento do homem, a par da roda.

Há forma mais feliz de passar umas horas do que lendo, no silêncio absoluto, um livro, passando por terras, dialogando com pessoas tão longínquas, assistir a diálogos incríveis, batalhas medonhas, acompanhar histórias de amor sublimes? Mas pode-se ler num café, num jardim, num transporte, num estádio de futebol. Em qualquer lado e a qualquer hora. Uma beleza sem fim.


Gostaria de deixar a minha biblioteca, sem valor bibliográfico, é certo, mas com carradas de livros que poderão ser úteis a quem ainda tem avidez pela leitura. Não concordo com o Pepe Carvalho que acendia a lareira com os livros da sua biblioteca. Não, isso não, mas o Pepe é uma personagem admirável. E se ele percebe de cozinha, de vinhos e de livros…

escrito por Carlos M. E. Lopes

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VÍDEO DA SEXTA 217. "Meu amigo Nietzsche”


Meu Amigo Nietzsche, curta-metragem de Fáuston Silva. 
Um vídeo sensível que mostra a vida de um menino que é mudada radicalmente quando descobre um misterioso livro no lixão.
Fonte: [https://jfborges.wordpress.com/2014/12/13/meu-amigo-nietzsche-o-pensamento-filosofico-e-o-poder-da-leitura/]

escrito por Adriana Santos

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OS LIVROS E AS LIVRARIAS

Tenho por hábito abraçar causas perdidas. Cada qual nasce para o que nasce…

Tenho estado com alguma atenção ao que se passa no mundo livreiro. Um dia, por azar, tive a ousadia de dizer na Buchholz

(também vou a lugares últimas a finos), 
na apresentação de um livro, que o livro, como o conhecíamos, tinha os dias contados. Fui insultado pela minha amiga Cristina, gerente da loja.

Entretanto fecharam não sei quantas livrarias. Uma das últimas o Pátio de Letras em Faro, que recebeu inúmeros escritores e intelectuais e que não souberam ou ignoraram o “evento”. A Liliana merecia mais consideração. O Pátio de Letras era o verdadeiro Centro Cultural do Algarve
(cheguei a dizê-lo lá).
Entretanto havia fechado a Bertrand na Guia. E tantas outras. O fecho é inevitável e vai varrer ainda mais o país. Estou crente que que em breve a FNAC fará o mesmo…
Leio no El Pais
(dou-me a esse luxo, de vez em quando…) 
que uns “espertos” ibero-americanos se reuniram em Madrid para discutir “los libros y los lectores” (1 de octobre de 2014). E aí vem a lenga lenga do costume: “a indústria editorial e os governos fracassaram na hora de forjar novos leitores e novos planos de fomento da leitura”
(a tradução é minha e não dos “espertos” do aijesus).
A “coisa” expande-se por todo o mundo: a leitura tem descido. O aumento da leitura dos livros digitais não colmata a queda geral. Que fazer? Há que fazer?

escrito por Carlos M. E. Lopes

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LEIT(e)URAS [53] o negócio dos livros


André Schiffrin era um editor americano
(melhor, um editor na América. Ele nasceu em França) 
filho do criador da Plêiade
(só isso lhe daria direito ao Panteão do Livro), 
escreveu O negócio dos livros, publicado em Portugal pela Letra Livre
[André Schiffrin, O negócio dos Livros, Letra Livre, Lisboa, 2013].
Nele procura e denuncia a força dos grandes editores e o interesse único no lucro, sem olhar à qualidade ou à natureza dos livros. Certamente essa pressão será mais forte na América, apesar de, como me dizia uma livreira suíça, a América seja Nova Iorque e pouco mais. E isto porque eu dizia que na América se tinham publicado 70 mil livros num ano, o que, comparado com Portugal, cerca de 15 mil, era pouco
(ainda que, segundo Schiffrin, se tenham vendido em 98 2,5 mil milhões de livros!).
Schiffrin está indignado com a falta de sensibilidade dos editores e porque os mesmos “afunilam” a procura para livros de êxito fácil, estando-se borrifando para a qualidade, antes procurando o lucro a todo o custo. E em Portugal? O mesmo. Só quero aqui recordar o que o patrão da Leya disse uma vez (cito de cor):
“não gosto de livros, gosto é de automóveis”. 
Paes do Amaral não disse isto por gozo, disse isto porque corresponde ao seu pensamento. A “guerra” das editoras (Leya e Porto Editora) é a guerra dos livros escolares, a guerra de 200 milhões do mercado do livro escolar. Nada mais. O resto é para dar sainete. É de censurar? It´s the business, stupid!

Este livro tem um introito de Vítor Silva Tavares (da &etc) que vale a pena ler.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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LEIT(e)URAS [52] & ETC…


Letra Livre, uma editora do Bairro Alto, ou lá perto, fez uma homenagem a outra editora do Bairro Alto, ou lá perto, a & ETC. UMA EDITORA NO SUBTERRÂNEO é um livro que presta homenagem ao José Vítor Tavares pelos 40 anos da editora da terceira cave na Rua da Emenda, a & ETC.

É um recordar do romantismo livreiro, de uma figura pitoresca e um desfilar de memórias. Os livros, quadrados, vítima de censura no pós 25 de Abril no reinado da AD
(o livro seria uma merda, mas não foi por isso que foi censurado…). 
Lá surgiu a Adília Lopes, publicou-se Baptista Bastos, Jorge Fallorca
(falecido recentemente),
 Artaud, Paulo da Costa Domingos
(o meu fornecedor de alguns livros), 
Trotsky, Paul Lafargue
(genro de Marx e que descasca no Vítor Hugo -- como o Ai Jesus!aqui recordou), 
Nuno Júdice, Herberto Helder, Alberto Pimenta, Rabelais, Gastão Cruz, Ramos Rosa, e um nunca mais acabar de autores, uns marginais, outros nem tanto, num catálogo heterogéneo e cativante.

Tem algumas características que eu conheço (de onde será?). Nunca pagou direitos de autor, não faz reedições e os livros terão sempre a mesma tiragem.

Os livros quadrados da & Etc são uma tentação. Só de os termos nos sentimos da contracorrente. Lê-los é saber que estamos a fazer qualquer coisa do contra. Vê-los à venda é sabermos que estamos numa livraria especial.

Numa altura em que as livrarias marginais ou mesmo as outras estão a desaparecer inexoravelmente, saber que existe e sobrevive uma Letra Livre e uma & Etc. é uma esperança e um alento redobrado. Não sei até que ponto os Josés Vitores Tavares resistirão…

José Vítor Tavares é entradote na idade
(76 rebeldes primaveras)
 mas sempre inconformado. A entrevista da Alexandra Lucas Coelho que está inserida no livro é de isso exemplo.

Nas 230 páginas encontra os livros publicados pela & Etc. São 26,00€ e vale a pena. Faça como eu, peça na letralivre@sapo.pt

escrito por Carlos M. E. Lopes

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O PAPEL NÃO MORRERÁ JAMAIS

A ideia deste vídeo está bem... esgalhada:


Aparte isso, o raciocínio em que assenta é falacioso. O que não é grave, tratando-se de publicidade (a maioria da publicidade é falaciosa). O que me faz cócegas é que os (contra)atacantes dos defensores do fim dos livros em papel atiram-lhes com este vídeo às trombas e ficam todos deliciados. Alguns não se aperceberão de que a conclusão mais imediata do vídeo é
para limpar merda, o papel é ótimo e (para esse efeito) não há digital que o substitua.
escrito por ai.valhamedeus

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LETRAS DA AVENIDA


Até ao próximo dia 28 de julho, há tempo para visitar a Letras na Avenida, no Porto. Uma Feira do Livro que não se chama Feira do Livro.

Se não entendeu, talvez precise de saber as razões por que, este ano, não se realizou, no Porto, a Feira do Livro. Explicadas pelo ainda presidente da Câmara. Num texto do Público que segreda ainda que
Na sua visita, Rio não comprou qualquer livro e interessou-se, nomeadamente, por um exemplar do Livro de Leitura da 3.ª Classe, de 1954, que então custava 18 escudos.

escrito por ai.valhamedeus

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LIVRO EM PAPEL OU ELETRÓNICO?


Ontem, numa das recorrentes discussões sobre qual o vencedor da "luta" entre os livros em papel e os eletrónicos, saltou o inevitável argumento do cheiro do papel. "Quanto não vale ir comprar o jornal e sentir aquele cheirinho do papel?!"

Confesso a minha total incapacidade para "entender" este argumento.
  1. Quanto não vale acordar, colher o tablet que deixámos a repousar debaixo da cama quando decidimos dormir, e ler os jornais, sem ser preciso levantar da cama?!
  2. Quanto não vale a limpeza de um tablet, face à sujeira que os jornais deixam nas mãos?!
  3. Não sei onde está o encanto do cheiro... do toner.
  4. Devo andar muito distraído, porque nunca vi ninguém sair do quiosque a cheirar os jornais que comprou. Nem ninguém cheirar um livro antes de o comprar. Para já não falar das vantagens que o documento eletrónico oferece a quem tem alergias...
escrito por ai.valhamedeus

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CRIAR UM EBOOK EPUB

O formato EPUB é o mais comum na criação de livros eletrónicos (ebooks). Dois textos d'O meu baú explicam como os criar utilizando o programa grátis Sigil.
  1. Criar ebooks EPUB com o Sigil: como criar um ebook básico.
  2. Aprimorar ebooks EPUB com o Sigil: como aperfeiçoar os livros eletrónicos em formato EPUB, acrescentando uma capa, formatando o texto, criando secções,… e usando o programa grátis Sigil.

escrito por ai.valhamedeus

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KOBO

[este texto será atualizado com alguma regularidade. Procure as novidades, que estão escritas nesta cor]


A quem estiver a pensar comprar um Kobo (na Fnac) talvez interesse
  • saber que ele foi a escolha do editor da Wired Magazine 2012 para o melhor leitor de livros eletrónicos (eReader);
  • ler esta análise;
  • saber o que eu acho (?) -- mas, para isso, será necessário esperar algum tempo: comprei-o hoje (para fazer companhia ao Kindle e ao Transformer ;-)) e, portanto, não tenho experiência de utilização.
[atualização]

RESENHA:





MANUSEAMENTO
  • Numa primeira abordagem, carregar livros não é uma tarefa muito intuitiva: a sensação é a de que somos encaminhados para uma única via -- a da descarga via Internet (e pagando). O manual, que é fraquito, não dá grande ajuda. Para passar livros do computador para o Kobo, o Calibre (que é gratis) é precioso: é só carregar o livro no programa e depois enviá-lo para o aparelho.
  • O Calibre serve também para a conversão de formatos (para, por exemplo, converter pdf para epub).
  • Epub é o formato aceite (um dos formatos aceites) pelo Kobo.
  • Em alternativa ao Calibre, use o Sigil. Com este pode também criar livros eletrónicos (ebooks) epub.
  • Experimente organizar-se com o Adobe Digital Editions. Aqui, estão algumas observações sobre o programa e o Kobo (para quê pode usá.lo; quando não necessita e quando necessita...). Descarregue-o daqui
  • A leitura é muito agradável: os carateres, muito legíveis; o virar de página surpreendentemente rápido.
  • Ao tentar encontrar, via wi-fi, "ebooks gratuitos", recebo como resposta a mensagem: Oops. Problema do servidor. Mas, quando se recarrega a montra de loja, a coisa funciona... com livros pagos. (Tenho notícia de que isto não acontece só comigo. O truque é velho...)
  • É possível navegar na Internet com o Kobo. O navegador está Configuração » Extras » Navegador na rede.
  • Para ter bateria por mais tempo (até um mês, dizem os manuais), desative o wi-fi, se não precisa de o usar.
escrito por ai.valhamedeus

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MANUAIS ESCOLARES

[https://www.facebook.com/pages/Trocar-Livros-Projecto-de-troca-de-manuais-escolares-e-outros-livros/107634245963031]
Fui proprietário de uma livraria durante vinte anos. Sei o que é a tortura dos livros escolares. Quer para os alunos e pais (sobretudo estes), quer para as livrarias. As editoras eram, ao tempo, essencialmente duas: a Porto Editora e a Texto. A margem de lucro cifrava-se nos 20% e não havia devoluções.

A coisa “evoluiu”. Hoje a Leya e a Porto Editora dominam o mercado do livro escolar e não só. Segundo sei, tal mercado representa 40 milhões de euros.

Os professores eram aliciados com os livros enviados pelas editoras. A pressão era enorme e ai daquele que pensasse trocar de livro.

Li no Público de 24 de Junho (pág. 12) que um banco de livros escolares, de forma a facultar troca/empréstimo dos livros a alunos mais carenciados foi chumbado por um “estudo” da… Porto Editora, onde se demonstrava, por A mais B, que os alunos mais prejudicados com a troca de livros eram precisamente os mais carenciados…

A edição e comercialização dos livros escolares são um escândalo de proporções enormes. Para quando alguma decência? Não sei como, mas gostava de saber a opinião dos professores.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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OS LIVROS (4)


O Público tem no seu site umas quantas entrevistas feitas na feira do livro do Porto sobre se o livro em papel vai acabar ou não.


Há respostas que denotam não se saber o que já é feito em suporte digital, nomeadamente no Kindle.


Sou da opinião de que o livro não vai acabar, mas o suporte em papel vai para valores residuais, em poucos anos. O livro em papel, não é uma questão de querer ou não acabar com ele, é saber se, com as tecnologias actuais, o livro em papel terá um futuro risonho. Sobretudo por uma questão de custos, incluindo aqui a impressão, distribuição, armazenamento e venda. Nós assistimos ao encerramento de livrarias por todo o país. Veja-se Faro. Conheci, nos anos sessenta, a Portugal, a Silva (das melhores do país), a Capela, a Artys, a Académica, a Luso-Espanhola, já para não falar das que existiram posteriormente, a Europa-América, a Caminho, a Sagres. Destas, existe a Europa-Amércia e a Sagres, esta sempre mais papelaria e aquela dedicada aos livros de auto-ajuda, mais recentemente. Hoje temos o Pátio de Letras (das melhores do país, que é Leya), a Bertrand. Está Faro limitada a estas duas livrarias. Não se devem incluir a Sagres e a Europa-Amércia, pelas razões referidas, e a Livraria Simões, pelo seu âmbito.

Em Tavira, em 1980, havia o Sr. Santos, Rifiola, Ideal, Brasil e Nova Aurora (esta, não é por ter sido minha, mas uma das boas livrarias do país). Hoje só existe a bookit no Plaza (uma livraria boa).

Há pouco, noticiou-se o fecho da Livraria Portugal. Agora, a Petrony. E quantas “morrem” sem darmos por isso?

O livro manter-se-á, não necessariamente na forma de papel, mas como meio de transmissão cultural por excelência.

O livro foi sempre um empecilho aos ditadores, coisa bem espelhada no filme de Truffaut Fahrenheit 451, “arma” do saber e índice civilizacional. Era a Literatura que distinguia os Gregos dos outros povos, os Bárbaros, e lhes dava a superioridade.

Estou convicto de que as livrarias irão fechar por este nosso país fora. É um movimento imparável, e devemos habituar-nos a outras formas de aquisição, mesmo dos livros em papel. Encomendar pela net é um meio já muito usado. Mais de 50% dos livros que compro, faço-o pela net.

Habituemo-nos à ideia do fim das livrarias. É mais certo isso que nos vermos livres da troika (ou tróica?).

escrito por Carlos M. E. Lopes

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AINDA OS LIVROS (3)


Que o livro é o meio, por excelência, de aprendizagem, não tenho dúvidas. Mas que se lê pouco, pelo menos em Portugal e, lá fora, o panorama não é muito melhor, também é verdade. É certo que comparar os índices de leitura que podemos constatar entre os ingleses com os portugueses, é confrangedor. Um dia, fui a um hotel, na Altura, Algarve. Na piscina havia cerca de quinze turistas ingleses. Treze estavam a ler e dois estavam dentro de água. Há um mês, fui à biblioteca de Vila Real de Santo António. Enquanto esperava, fui ao primeiro andar. Estavam dezassete pessoas. Quatorze estavam nos seus portáteis, sem qualquer livro à vista, dois liam revistas da moda e uma lia um livro.

A maior e mais frequente desculpa para não se ler, por parte dos que nunca lêem, é a de que os livros estão caros. Sabem que não é verdade. Os livros editados pelos jornais são baratíssimos, as bibliotecas não cobram pela requisição e, no entanto, os níveis de requisição e de leitura são baixíssimos.

Mas, quanto a custos... Façamos as contas a um livro vendido a 10,00€. 60% são para a distribuição, 10%, para direitos de autor, 0,58% IVA, 15% tipografia. Temos, portanto, 85,58%, só aqui. Agora somem-se as ofertas, promoção, sobras e proventos do editor...

Sendo o livro o objecto cultural mais importante, não quer dizer que ele se vá manter no suporte em que hoje o conhecemos. Estou convencido de que o suporte digital vai ser, dentro de poucos anos, o meio por excelência de divulgação do livro. Não vejo outra hipótese. O livro digital apresenta desde logo muitas vantagens: espaço ocupado (tenho um armazém de 52 m2 com livros), conservação (ainda que aqui se possa questionar a degradação ou desactualização dos meios de suporte), facilidade de transporte e de manuseamento (um Kindle alberga mais de mil livros), ausência de parasitas (tenho algumas dezenas de livros ruídos), higiene (continuo relutante na aquisição de livros de segunda mão, ainda que os tenha) e, em breve, também o preço, sendo que este me parece excessivo para o livro digital.

Quando Santo Ambrósio começou a ler em silêncio, sem mexer os lábios (pasme-se o prodígio), Santo Agostinho seguiu-lhe o exemplo e espantou o mundo. Mas se tal constituiu uma técnica inovadora, ela deu origem a uma revolução do próprio pensamento. A leitura isolada e silenciosa permitiu interpretações dos textos sagrados que contribuíram também para autênticas revoluções. Mas o que é certo é que, apesar da importância do livro ser inequívoca e ter em mim um devoto, também se verifica que alguns dos mais influentes homens de todos os tempos não escreveram uma linha (Jesus Cristo e Sócrates, o grego. O outro também não, mas não teve importância). E tenho amigos, que muito estimo, leitores ferozes, que nunca escreveram um livro e têm tido uma grande influência em mim e não só (Paulo Custódio, por exemplo).

Embora o livro seja tudo para mim, apetece-me dizer, com Agostinho da Silva, que em Roma só se falava latim, mas havia muitos ignorantes. Ora eu conheço muita gente que lê desalmadamente e são militantemente ignorantes. Outros, por outro lado, não lendo ou fazendo-o pouco, são de uma erudição e inteligência espantosas (neste caso o nosso António Gomes).

Sobre o livro, é o que se me oferece dizer e, como diria o amigo Quim, "sou desta opinião ou da contrária se necessário for", basta que haja quem tenha opinião diferente e eu concorde.

PS: Livros.
  • MANGUEL, António. Uma História da Leitura, Editorial Presença, Lisboa 1998
  • FURTADO, José Afonso. A edição de Livros e a Gestão Estratégica, Bookailors, Lisboa, 2009
  • FURTADO, José Afonso, Os Livros e a Leitura: Novas Ecologias da Informação, Livros e Leituras, Lisboa, 2000.
As citações são de memória, mas atribuídas a George Steiner.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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