Palestina livre!

Mostrar mensagens com a etiqueta comunicação social. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta comunicação social. Mostrar todas as mensagens

ESTES JORNALISTECOS...

Ontem, às tantas de uma reportagem em um canal de TV sobre a vida de quase miséria de um senhor, o jornalista fez-nos saber que " o idoso... [por desnecessária para este propósito, omito a informação seguinte]".

Ora "o idoso", esclarecera o jornalista uns segundos antes, o "idoso" tem... tem 54 anos.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

LA DÉPÊCHE DU MIDI

Os jornais regionais, em França, pelo menos, têm uma tiragem muito superior aos nacionais. Na Bretanha havia um, o Ouest France, se não me engano, que andava nos 300 000 exemplares.

La Dépêche du Midi

No Sud Ouest há La Dépêche Du Midi, um jornal da região de Toulouse mas que circula abundantemente na região tendo, segundo a net, 17 edições regionais/locais.

Lacrouzette

Ora, nos anos sessenta, tive contacto com este jornal. A casa onde me abrigava, em Lacrouzette, Tarn, de Elie e Marinette Lavergne, recebia diariamente, à porta, o seu jornal, dobrado, e enfiado na grade da porta assim como recebia a respetiva garrafa de leite, posta à porta, de um produtor da aldeia. A distribuição não falhava e o Elie, operário no granito, perorava sobre economia, política e tudo, munido do seu jornal e sempre com aquele ar um pouco chauvinista próprio dos franceses.


O Elie já faleceu, da Marinette não tenho notícias. Dos filhos, o Thierry está pela Ilha da Reunión e a Sabine, pelos lados de Bordeaux.

São tempos idos. Às vezes, tenho vontade de lá voltar. Já lá estive há cerca de quinze anos. Mas gostava de revisitar. Quando vou, procuro sempre o La Dépêche. Manias.

Fotos 1 e 3: respetivamente, o La Dépêche e a casa do Elie e Marinette.

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

O MUNDO PAROU. SENTIU?

Um dia destes, senti uma CONVULSÃO NO MUNDO. A REVISTA Sábado explicou-me a razão: o mundo parou, quando Nicolau Breyner morreu. Agora entendo...


Cito:
"Ao contrário do que [Nicolau Breyner] tinha profetizado há seis anos, o mundo parou no dia da sua morte".
A revista revela ainda uma carta inédita de Maria Elisa sobre a noite em que pensaram casar, ela e ele (que casou cinco vezes e perdeu a conta às namoradas).

Não sei por que raio os deuses não me fizeram assim... um homem enorme com 7 vidas.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

VENDA-SE A RTP! OU DÊ-SE!

Notícia de abertura do jornal da SIC das 13h de hoje: Austeridade prolongada.


À mesma hora, o jornal da RTP 1 arranca com a notícia de que o Governo alivia austeridade.


Lá mais para diante, no mesmo jornal, a RTP insere um pequeno "documentário" exemplar sobre uma "freguesia ingovernável" (citei): (e cito novamente) "O que está a acontecer no país aconteceu numa freguesia de Chaves", onde os partidos com eleitos levaram dois anos a entender-se, com a junta de freguesia em "governo de gestão". Quase no fim, é um entrevistado que tira a lição de moral: "Quem nos governa olhe para esta situação. [...]O país não pode estar sujeito a berrices [??? birrinhas???], a miminhos".


Esta RTP é a televisão para a qual eu pago todos os meses uma quantia contra a minha vontade, disfarçada na fatura da eletricidade. Privatize-se esta RTP! Venda-se esta RTP! Ou dê-se!

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

ALZHEIMER POR TRANSMISSÃO?


[clicar na imagem, para ver/ler melhor]

É isso!

Toca a alarmar toda a gente! toca a criar títulos apelativos e espalhar o pânico! well done!

Valha-nos o corpo de texto para esclarecer que podemos continuar todos a conviver em paz, sem medo de "apanhar o Alzheimer" por aí...

E valham-nos as investigações científicas para aprimorar conhecimento na saúde (e não só).

Se for para esquecer alguma coisa, que seja a facilidade com que se "endrominam mentes"!

escrito por Ana Rodrigues

LEIA O RESTANTE >>

ASSIM SE FALA


A RTP tem uma rubrica que pretende confrontar o espectador com palavras ou expressões modificadas com o acordo ortográfico.

Hoje a palavra era louva a deus e a pergunta era se levava hífen ou não. A maioria dos entrevistados  disse que não levava hífen. A um dos entrevistados ainda perguntou porquê, sem obter resposta. A voz em off `explica` e dá a resposta. Neste caso e como muitas vezes acontece, a voz esclarece que, com o acordo ortográfico, muitas palavras são escritas sem hífen. Como se vê, a RTP esclarece cabalmente a razão da ortografia. Não há pai para a RTP!

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

O MUNDO É UMA TRAGÉDIA

A gente, se não ouvê notícias, nem imagina como é que o mundo gira. Mas, basta assistir-se ao Jornal da Uma da TVI e logo se percebe que o mundo está uma tragédia. Seja  o exemplo das notícias do jornal de hoje:
  • 11 mortes em acidente em Sertã: a notícia que abriu a lista é suficientemente trágica para render 17 minutos e quase 30 segundos.
  • Crianças envenenadas pela mãe: tragédia menor, com direito a 2 minutos e pico.
  • Destaque, de 18 segundos, de tragédia no Brasil. "Para ver daqui a pouco".
  • Crime em Beja: homem dispara contra mulher e filho, que estão, ambos, em estado crítico. Notícia trágica de quase 2 minutos.
  • Tragédia no Brasil: 231 mortos, a maioria, jovens, têm direito a mais de 2 minutos de notícia.
  • Empate do Sporting: destaque de um drama -- ou será também tragédia? "Para acompanhar daqui a pouco".
  • Funeral de Jaime Neves: quase 3 minutos, cuja maior tragédia foi a declaração de sua excelência o primeiro ministro de Portugal, sobre a importância do morto.
No total, quase 30 minutos dramático-trágicos, que incluem um drama a que já nos habituámos: a subida dos combustíveis, a terceira neste ainda jovem ano de 2013.

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

FINALMENTE!

A chamada comunicação social aguardava ansiosamente a primeira morte provocada pela gripe dos porcos
[não havendo mortes, como se pode justificar tanta barulheira em torno da gripe?].
Finalmente, têm-na -- os jornalistas. E nós temos as manchetes.

Homem com 41 anos é o primeiro caso de morte com gripe A. Para os médicos, não é líquido que o vírus da gripe A tenha sido a causa directa da morte. Mas os jornalistas são quem sabe disto
[disto quer dizer, de vender notícias].
[actualização: afinal voltamos ao ponto zero -- Hospital esclarece que doente morreu por “infecção bacteriana” e não por gripe A. Que chatos que são estes médicos! quando é que Sócrates trata de os obrigar a dizer sempre a verdade?]

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

AS INUNDAÇÕES NO ALGARVE

[clique nas imagens para as ampliar]

Cheias no Algarve
Cheias no Algarve
Cheias no Algarve
Cheias no Algarve
Cheias no Algarve
Fuseta e Moncarapacho Algarve
No sábado, choveu desalmadamente no concelho de Olhão, mas sobretudo nas freguesias da Fuseta e Moncarapacho. Alfandanga, num cruzamento entre a estrada Fuseta/Moncarapacho e a 125, foi particularmente fustigada. As fotografias estão aí para atestar. 

Extraordinário, sem dúvida. Mas extraordinária mesmo é a notícia do Público de ontem, segunda-feira. Diz-se aí que “Também o caminho de ferro entre Moncarapacho e a Fuzeta voltou a ser cortado durante algumas horas”. Ora, como se pode ver pela fotografia que encabeça este parágrafo e tirada hoje (terça-feira), a estação de Moncarapacho e da Fuseta são as mesmas. Será que a linha junto da estação foi interrompida? Quem forneceu tal notícia ao Público? Ou existirá uma linha, desconhecida
(pelo menos por mim que vivo na freguesia de Moncarapacho)?
escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

EX-CITAÇÕES * 58. os bastardos do Alberto

Alberto João JardimAlberto João Jardim

[o (ex?)possível candidato à chefia do PSD],
soube-se em Junho de 2005 que iria acumular

[à semelhança de outros políticos, note-se, e de acordo com a lei]
a pensão de reforma da função pública de 4124,07 euros com o vencimento de presidente do Governo Regional. A publicação de tais notícias motivou então ao presidente um ataque aos jornalistas ao modo de Jardim:
"Há aqui uns bastardos na comunicação social do Continente. Digo bastardos para não ter que lhes chamar filhos da puta... que aproveitaram este ensejo para desabafar o ódio que têm sobre a minha pessoa".
Se o meu caro leitor se indignou, particularmente com a expressão "filhos da puta", saiba que não tem razão para tanto. Garantiu-o, na altura, o Parlamento da Madeira pela voz dos deputados do PSD que, de pé, aclamaram que
"A Assembleia Legislativa da Madeira congratula-se com o modo, mais uma vez firme, como o presidente do Governo Regional denunciou comportamentos na comunicação social de Lisboa, os quais atentam contra os direitos, liberdades e garantias dos portugueses".
A gente lê isto; recorda que anos antes Jardim avisara os jornalistas que tinham sorte por viverem em democracia, pois, não tivessem essa sorte, "seriam fuzilados" por acusação de crime contra a economia da Madeira; lembra as bombas verbais que, volta e meia, Jardim lança... e imagina que rico dirigente partidário

[quero dizer, ganhando as eleições, que rico primeiro-ministro de Portugal]
o homem não daria...

escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

CÁ SE FAZEM, CÁ SE PAGAM

Ministério da Educação e JNNo Domingo, (2 de Março | 2008), o director do JN, cujo nome não publicito, compôs a sua prosa editorial, dirigindo ataques contundentes aos professores. Para esta eminência, que há muito reincide nesta panfletária tarefa, os profesores não beneficiam - no seu campo de certezas absolutas - de qualquer benefício, mesmo de uma qualquer dúvida elementar.

Para minha surpresa, ou talvez não, depois das tranches para a "Confap", hoje, o ME, no caderno "JN Anúncios", ocupando a totalidade da sua primeira página, fez publicar, com foto a cores, publicidade com o título: "A Escola é uma Organização em Mudança". Escola a tempo Inteiro, Aulas de Substituição e Novas Oportunidades, são algumas das loas desfraldadas ao vento, na "Caravela".

Bem diz a Ministra da Avaliação: "Dinheiro não falta!" Pois não! Até sabemos qual é a origem: congelamento de salários; travagem na progressão.

escrito por Jerónimo Costa

LEIA O RESTANTE >>

MISÉRIA ENGRAVATADA

À mesma hora em que as

[não há gralha no plural. É mesmo "as"]
SIC punham no ar a entrevista em que o presidente do conselho de ministros propagandeava o seu país e o governo pê-èsse, a TVI passou uma reportagem sobre um outro Portugal: o Portugal da classe (que deixou de ser) média, que passou a classe pobre. Sobre a miséria engravatada, como lhe chamou um fadista "entrevistado".

Vi apenas uma parte da reportagem. O suficiente para me aperceber de que há cada vez maior sensibilidade, nos meios de comunicação social, para este fenómeno... escondido. O suficiente para recordar o que o ministro pê-èsse da agricultura disse um dia destes, para justificar os aumentos consideráveis do preço do pão:
os consumidores portugueses foram «mal habituados» na última década, em que os preços dos cereais se mantiveram estáveis apesar dos sucessivos aumentos dos factores de produção.
Este faz lembrar o outro governante pê-èsse que, há uns meses atrás, utilizou o mesmo argumento para justificar o aumento do preço da electricidade: a culpa era também, neste caso, dos consumidores
[se quiser avivar a memória relativamente aos culpados do mal que acontece neste país, avive-a aqui].
escrito por ai.valhamedeus

LEIA O RESTANTE >>

A COMUNICAÇÃO SOCIAL E OS "RANKINGS"

Muitas páginas são votadas aos “rankings” escolares deste país, pelos jornais deste mesmo país. Desde comentadores de tudo, e também de “educação”, a cidadãos comuns, todos percebem muito do assunto.

Todos? Todos, não. Aparentemente só aqueles que deviam perceber de Educação, isto é os professores, é que não percebem nada do assunto. A não ser assim, na análise simplista de muitos, os resultados escolares seriam outros. Só não percebo como é que tanta gente douta ainda não encontrou uma tradução adequada para a palavra!...

Mas não é de “rankings” escolares que gostaria de falar. Por exemplo, já alguém se lembrou de publicar os “rankings” dos jornais e revistas portugueses, independentemente do número de vendas? Já alguém se lembrou de reivindicar o respeito pelos leitores e colocar os ditos num “ranking” de acordo com a percentagem de gralhas tipográficas, erros linguísticos, ortográficos e notícias dadas sem rigor, obrigando constantemente a posteriores correcções de informação?

Vem a este propósito a notícia sobre a morte de Sá Carneiro e Snu Abecassis (uma vez mais), na página 56 do Ípsilon de 16 de Novembro. No canto inferior esquerdo da fotografia a preto-e-branco, com letras brancas em fundo laranja, lia-se a legenda: Snu Abecassis e Mário de Sá Carneiro! Como poderia o poeta suicida acompanhar a dama com ar alegre e em segundo plano na fotografia? Esse interrompeu, ele próprio, a sua curta vida em Paris, não esperando que a tecnologia o apanhasse desprevenido. Erro grosseiro de informação, equivalente à resposta dada por um aluno à pergunta de História que questionava os seus conhecimentos sobre a histórica Defenestração: “foi quando os conjurados atiraram o Miguel Sousa Tavares pela janela fora”. Conjurada fosse eu!...

Portanto, a exemplo do leitor devidamente identificado que escreveu ao Director do Público sugerindo uma lista de funções para os professores do quadro de supranumerários, acrescento mais uma função de suprema importância: a de revisores de jornais de referência, a fim de preencherem o lugar dos extintos. E falo muito a sério. Já que se exige rigor que este seja para todos.

escrito por Gabriela Correia, Faro

LEIA O RESTANTE >>

A MADELEINE E OS OUTROS

Os pais de Madeleine foram recebidos pelo Papa que, vi no noticiário, benzeu a fotografia. A Sky news chegou a ter 80 jornalistas neste país de selvagens, qual National Geografic à procura de um chimpazé local raptor. As nossas TVs, com vaidade provinciana, também deslocaram meios em barda. A loucura, o desvario, o excesso estiveram em grande. E mantêm-se. Entretanto, na civilizada Inglaterra, desapareceram, neste lapso de tempo, 40 crianças... Estes desaparecimentos “não existiram”.

Abro o Público e vejo referências a candidatos à Câmara Municipal de Lisboa: Helena Roseta, António Costa, Ruben de Carvalho, Fernando Negrão, Telmo Correia e Sá Fernandes. Dizem-me que há 12 candidatos. Não acredito. Os “outros não existem”.

Tenho tido uma consideração residual pela imprensa. A falta de consideração vai-se, perigosamente, transformando em raiva. É mais forte do que eu.

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>

GIULIANA SGRENA

Vi-a há um par de dias. Não mete medo a ninguém com aquele corpo franzino e ar tímido

[quase assustado].
Isso pensei eu, mas parece que, enquanto andou a fazer perguntas por Bagdade, várias pessoas se assustaram. Ela acha que as perguntas mais incómodas
[chatas? perigosas?]
foram as relacionadas com o uso de bombas de fósforo durante a invasão e durante os assaltos para eliminar resistentes
[quem encheu a boca com as armas de destruição massiva do Sadam, não podia aceitar que lhe enchessem os ouvidos com notícias sobre as suas bombas de fósforo].
Sgrena foi raptada e esteve em cativeiro durante um par de semanas
[outros jornalistas tiveram menos sorte. Morreram].
Nunca deixou de fazer perguntas. O governo italiano meteu-se no caso e conseguiu a sua libertação. Agentes italianos foram buscá-la a Bagdade. A caminho do aeroporto uma patrulha estado-unidense fez fogo sobre o carro. Calipari, o agente encarregado da segurança da jornalista protegeu-a com o seu corpo. Morreu. Ela e os outros ficaram feridos.

A versão oficial diz que a patrulha fez alto ao carro num posto de controle. O carro não se deteve. Pararam-no à força de 58 disparos.

Sgrena deu-nos outra versão: ninguém mandou parar o carro. Nem sequer havia um posto de controle. Só deram pela coisa quando chegaram as balas.

Pergunta ela
[sempre jornalista, sempre a perguntar]:
Se a ideia era deter o carro, por que é que foram feitos 57 disparos aos passageiros e só um ao carro? Não seria mais normal que todos fossem às rodas e ao motor?

Ontem, em Roma, foi adiado para Julho o julgamento do responsável: um porto-riquenho, soldado do exército estado-unidense. O acusado não se apresentará ao tribunal, porque os seus chefes acham que ele procedeu correctamente. Para os italianos isso não tem importância. O julgamento seguirá o seu curso.

escrito por José Alberto, Porto Rico

LEIA O RESTANTE >>

O ELOGIO

Uma estreia absoluta: o “Ai Jesus” cede um naco do seu espaço sagrado

[leia-se laico]
ao reputado “Avante”. O motivo é seríssimo e o contributo A talho de foice tem aqui um martelo relevante. O estado em que vivemos
[qualquer que seja o sentido]
exige de nós persistência
[mesmo obstinada!]
na denúncia da cada vez maior equidistância desta gente em relação à ética
[porque, da moral…, estamos conversados!].
Já agora uma sugestãozita – que não tem grande importância –
[ou terá?!]:
nas páginas do governo, decidam-se: o homem é engenheiro, licenciado em engenharia, Bacharel do mesmo ofício, ou? Vá lá…
O elogio
(Henrique Custódio)

Decerto para confirmar a sua independência, o viçoso semanário Sol impingiu esta semana ao País uma hagiografia de 20 páginas sobre José Sócrates, precedida por uma campanha de promoção espalhada por tudo o que é rua e paragem de autocarro. Olhando ao aparato e ao investimento a encomenda deve valer ouro, mas disso saberão os que patrocinam o chefe do hebdomadário, o formidável António José Saraiva.

De que se trata de uma encomenda é que restarão poucas dúvidas, tal o acervo de fotografias privadas e a abundância de apontamentos pessoais, obviamente apenas acessíveis a qualquer investigação se fornecidas directamente pelo visado, que nem sequer é um ilustre defunto com espólio a desbravar, mas um pujante primeiro-ministro reconhecidamente cioso da sua intimidade.

Por exemplo, contar que Sócrates, em criança, «é mordido pelo azar» porque «um cão vadio apanha-o pelo canela, deixa-lhe a perna a sangrar», sendo acudido por um polícia sinaleiro da Covilhã, que «desce do plinto e pede boleia para o hospital» valendo-lhe a prontidão «um louvor na folha de serviços», é tão pessoal, que tal ridículo não pode ser invenção de terceiros, mas uma memória de primeira. Primeira mão, evidentemente.

Mas se há coisa de que, obviamente, Sócrates não terá medo é do ridículo. Prova-o este repolhudo laudatório onde o homenageado surge na capa toda, a sorrir de corpo inteiro e agarrado a uma cadeira ao lado do título «Nascido para o Poder». Lá dentro, nas 20 páginas do encómio, explica-se como o «Zézito» da Covilhã viajou «da infância ao Poder», começando tudo «no externato do professor Cerdeira», onde o dito exigia «aos filhos da elite» que para lá iam leituras com «entoação e dotes de orador» treinados à reguada, expediente que o próprio Sócrates hoje agradece porque «era duro mas preparou-me e marcou-me para a vida». A infância na Covilhã prossegue sem sobressaltos de maior rumo ao Poder e com alguns lances heróicos a sinalizar o Predestinado que por ali andava, onde se destaca quando Sócrates, de atracão com companheiros de folguedo, comprava «mata-ratos» na taberna e os fumava «no jardinzito atrás da câmara», quando Sócrates foi mordido pelo tal cão vadio e salvo por um sinaleiro da Covilhã e quando Sócrates, «de conluio» com outro amigo, esportulou aos berros de menino mimado, para comprar cromos de futebol, os trocos que a «criada Augusta» recebera dos pais ausentes para uma emergência. O 25 de Abril apanha-o com 16 anos, na esteira do pai PPD inscreve-se na JSD mas os primeiros anos da Revolução são aproveitados «para ver mundo com Mané, amigo que aqui revela a alcunha mas não o nome» e com quem vai a salto para as vindimas em França. Quanto ao seu percurso académico, o extenso relato é curiosamente vago e nada esclarecedor em relação às dúvidas e reservas coligidas com minúcia pelo blogue DoPortugalProfundo sobre a autenticidade das suas habilitações, enquanto a ascensão meteórica no PS começa na sua conspiração com Guterres para este subir ao poder, o que por sua vez o lança no Governo e na ribalta para o projectar vertiginosamente rumo à chefia do partido e do País.

Se já é extraordinário que chegue ao Governo de Portugal este «Zézito» da Covilhã, apreciador de leituras à reguada e que aprendeu mundo através de passeios pelas vindimas, realmente fantástico é apresentar a coisa como um elogio...

[O Avante, 15 de Março de 2007]
escrito por J. Costa

LEIA O RESTANTE >>

ENTREVISTAS A PRESOS

Alguns jornais e revistas descobriram um novo filão: as entrevistas a presos.

Há uns anos, a Benetton fez publicar fotografias de pessoas que estavam a aguardar a sua execução nos corredores da morte nos Estados Unidos. Em Portugal descobriu-se, depois dos desgraçadinhos que vão à televisão agradecer à nossa senhora de Fátima, que há gente presa -- e nada melhor que explorar os dramas pessoais de quem está preso.

Vai ser um filão. A rebaldaria vai ser linda.

escrito por Carlos M. E. Lopes

LEIA O RESTANTE >>