Palestina livre!

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PÁSCOA DE 2015

Naquele tempo levantou-se o Primeiro-ministro e, a pensar nas próximas eleições, perguntou ao Povo:

– És tu o detentor do poder democrático?

– Sim, eu sou – respondeu o Povo.

O Primeiro-ministro olhou para o seu Conselho e disse:

– Ouvistes o mesmo que eu ouvi. Não necessitamos mais provas.

E com ar de quem respeita com o máximo respeito os tribunais Supremo e Constitucional, sentenciou respeitosamente:

– O Povo é réu de norte.

E desde essa hora começaram a castigar o povo. Aumentaram-lhe os impostos, tiraram-lhe o emprego; baixaram-lhe os salários e cortaram-lhe as pensões; fecharam escolas e eliminaram centros de investigação; desenharam provas que nem o ministro passaria e avaliações em que chumbariam os avaliadores, para despedirem os professores; fecharam Centros de saúde e maternidades; eliminaram valências nos hospitais e mandaram os médicos para a reforma; os novos licenciados foram empurrados para a emigração. E tudo para que o Povo dobrasse a cerviz.

Ao aproximarem-se as eleições, era costume nessa colónia do Império Europeu que o governo soltasse um criminoso.

Reuniu-se o Conselho de Ministros para decidirem se libertavam o Povo ou a Troika.

Uma ministra gritou esganiçada imitando o sotaque alemão:

– A Troika, a Troika.

O Primeiro-ministro ainda disse com aquele seu ar de «quem raio me meteu nisto»:

– Mas já castigamos o Povo severamente.

E logo um  ministro, com voz engolada:

– O Povo andou demasiado tempo a viver acima das suas posses.

Outro ministro – que era administrador de oito companhias antes de fazer parte do Conselho – acrescentou num tom muito peidogógico:

– Se o Povo se não se tivesse armado em parvo ao participar em greves e manifestações para exigir aumento de salário e créditos para comprar casas, não tínhamos agora as empresas e os bancos a fechar.

O Primeiro-ministro, agora com ar de «eu pensava que era opção», decretou:

– Soltem a Troika e crucifiquem o Povo.

Puseram então uma coroa de espinhos na cabeça do Povo e nomearam uma comissão – de banqueiros e beneficiários de luvas – para organizarem una grande recepção à Troika.

A oposição achou que já era demais e perguntou a meia-voz, no Parlamento:

– Quem é que recebeu luvas de submarinos e bancos?

O Espírito Santo tronou das alturas:

– Eu não.

Um senhor, com a boca cheia de baba, disse entre dentes:

– Tenho mais problemas de memória que um doente de Alzheimer na quarta etapa.

Entre doces costas e salgadas barrigas, todos foram negando e negando até que à trigésima negação… o galo cantou.

Às três horas de uma sexta-feira – para não estragar o fim de semana – crucificaram o Povo.

Ao terceiro dia, depois das férias, celebraram a sua própria festa pascal. O imperadorzito da colónia condecorou os banqueiros e desmemoriados CEO’s e elogiou a Troika. O Primeiro-ministro lavou as mãos – gesto a que já estava habituado – e anunciou que seria candidato de novo.

A Festa terminou com um jogo – muito popular noutro império – que consistia em buscar ovos na barriga de um coelhinho.

À saída, os jornalistas, microfone em riste, gritavam:

– Que tal a festa?

E cada ministro, á porta do Mercedes, olhava para o céu enquanto o motorista tratava de fechar a porta, e cantarolava:

– Ale…luia, ale...lu…ia, aleeeeluuuuuuiaaaaa.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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GANG

No meio da crise não faltam vozes

(ver alguns comentários deste Blog)  
que justificam o refrão «mal por mal, Marquês de Pombal». Se todos são ladrões, que me roubem os que já lá estão.

Esta posição, que aos incautos pode parecer uma declaração de impotência, é muito mais do que isso: é a posição dos acérrimos defensores da banda política que provocou e mantém toda esta desembrulhada crise. O raciocínio é diáfano:
  1. Todos os políticos são uns porcos que só pensam na gamela.
  2. Os da banda esquerda só querem (mas felizmente não podem) apanhar a gamela que os da banda direita defendem há muitos anos com unhas e dentes.
  3. Os da banda direita estão bem refastelados frente à gamela e já não há vianda para todos como antes.
Logo, pois, portanto, por conseguinte e por consequência, qualquer pensamento, palavra, acto ou omissão que pretenda levar à defenestração da banda que actualmente foça
(do latim vulgar fodiare
na gamela, deverá ser considerado um  acto canalha, porque, para despejar a gamela, os actuais porcos são excelentes e sumamente eficientes.

A BANDA (Bandalhos Afivelados Na Direita Arrogante) agradece a defesa dos membros do seu actual GANG (Gentalha Apoiada Na Gamela).

E por cá, este povo continuará a ser posto com a cara à banda até entender  que o GANG necessita mantê-lo de banda para continuar com a bandalheira da sua política à balda.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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25 DE ABRIL EM PORTO RICO



No 25 de abril, os professores de português de Porto Rico organizaram uma jornada interessante. Falei de algumas interioridades do antes do golpe. Um professor de política falou da europa desse tempo. E apresentaram um par de filmes. Vi o «Afirma Pereira».


escrito por José Alberto, Porto Rico

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CELAC PARA COMBATER A CRISE

Terminou, no passado dia 3, em Caracas, Venezuela, a cimeira em que foi fundada a CELAC

(Comunidade de Estados Larinoamericanos e das Caraíbas).
Todos os países da América Latina e das Caraíbas, excepto Estados Unidos e Canadá, representados por trinta e três chefes de estado e de governo, fundaram uma organização que ajudará esta região do mundo a crescer e desenvolver-se tendo como critério as suas necesidades e capacidades.

Todos os representantes, desdo o Chile até ao México, reconheceram que a OEA (Organização dos Estados Americanos) esteve sempre dominada pelos Estados Unidos e de costas voltadas para os outros países.

Um bom exemplo disso está no facto de a OEA nunca ter permitido que Cuba entrasse nesse «Clube» e que agora este país seja membro fundador, representado em Caracas pelo seu Presidente, Raul Castro.

A realização desta cimeira num momento em que a crise económica obrigou as grandes potências a preocuparem-se com a defesa da sua sobrevivência, não é pura coincidência. Por razões que não são difíceis de adivinhar nem de entender, esta região do mundo só foi levemente atingida pela crise que tem os Estados Unidos e a Europa à beira da falência. Enquanto o crescimento económico dos países «desenvolvidos» nos últimos dois anos tem andado à volta dos 0%, na média da América Latina andou pelos 5%. E as previsões mais conservadoras falam de subir ainda mais nos próximos anos.

A fundação da CELAC não pode ser motivo de alegria para os países que sempre viram esta região como o seu «pátio traseiro» onde havia uma horta com os produtos que esses países necesitavam, mesmo que isso significasse mais miséria para os produtores.

Na OEA cozinharam-se e apoiaram-se golpes de estado nos países que decidiram eleger governos pouco obedientes ou desobedientes. Porque a lista completa seria demasiado longa, recordemos só os casos de Allende, no Chile e o de Bishop, em Granada.

Para sublinhar o dito, um representante dos Estados Unidos já declarou que a OEA se manterá como até agora. Só não explicou como é que os dois únicos membros, Estados Unidos e Canadá, pensam representar os outros trinta e três países.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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DE ESPANHA...

De espanha…

… dizem que «nem bom vento nem bom casamento». Será? Pondo de parte a metereologia e o romance, ainda fica muito por discutir. Não sei se a mulher portuguesa do músico espanhol Ernesto Alffter fez um bom casamento. E já é tarde para lhe perguntar. Mas podemos apreciar e criticar a música dele.

Vem isto a propósito da Rapsódia Portuguesa, para piano e orquestra, que, no fim de semana, ouvi interpretada pela Orquestra Sinfónica de Porto Rico, com a espanhola Laura Escarbó ao piano.

Aqui fica a curiosidade. Provavelmente já todos a conhecem. Em Portugal não faltam orquestras nem pianistas.




escrito por José Alberto, Porto Rico

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COERÊNCIA DEMOCRÁTICA


Há um país na América do Norte que definiu e é dono de palavras como democracia e ditadura.

Esse país quis ser sempre tão único que nasceu sem nome e se autoproclamou Estados Unidos da América. Como se os Estados Unidos do México não estivessem situados na América! Chamou norte-americanos aos seus cidadãos, como se os canadianos fossem cidadãos da América do Sul.

Dono do nome, quis ser também dono do continente. Quando necessitou limitar o poder da Rússia, definiu a democracia como o sistema político dirigido por um ditador. E temos então uma América Latina muito democrática, livre de comunistas e governada pelos Batistas, Videlas, Pinochets, Papadocs, Trujillos, Somozas e outras ervas que tais.

Enterrada a ameaça russa, a democracia passou a ser um regime necessário nos países com muito petróleo. E começa então a caça aos ditadores petroleiros, em nome da democracia. Os ditadores amigos, ou sem petróleo, continuam a receber a bênção USAda, porque nem todos os ditadores são iguais.

Anti-democráticos e a precisar de uns bombardeamentos são também os que andam às voltas para conseguirem um par de bombas atómicas. Também para isso necessitam a bênção do «padrinho». Israel tem. Irão não tem. Paquistão tem. Coreia do Norte, não.

Os rebeldes afegãos são esmagados, os rebeldes líbios, armados e apoiados. Os rebeldes egípcios são amamentados, os rebeldes sauditas e iemenitas, destruídos.

Mwamar Kadafi deve cumprir integralmente as resoluções das Nações Unidas, Obama estão dispensado e pode usar iguais resoluções como papel higiénico. No meio desta engrenagem corre um lubrificante que se chama lambe-botas de luxo. Por acaso, neste momento nem estava a pensar em suas excelências Durão Barroso e Pepe Aznar. Mas alguém podia pensar.

escrito por José Alberto, Porto Rico [imagem rapinada daqui]

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VELHOS CENTENÁRIOS, ACTUAIS PRECONCEITOS

Há dias vi a noticia da festa de anos da pessoa mais velha do mundo. Fazia nesse dia cento e vinte e seis anos. A senhora falava pelos cotovelos e fartou-se de comer bolo.


No seu país, mais de mil e quinhentas pessoas já celebraram os cem anos. Se calhar isso não tem importância nenhuma, porque a notícia ficou ali pelos noticiários locais. Se fosse em Portugal, a senhora andaria de boca em boca no circuito cultural Goucha, Baião, Pinheiro, Mendes, Lopes. Mas como foi em Cuba…

Dei comigo a pensar que, um dia destes, em Miami, algum portavoz do mundo livre informará que essas pessoas centenárias são vítimas do regime do seu país: o governo não lhes permite morrer antes dos 100 anos.

Esta notícia chegará até aos confins do mundo, como deve ser.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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DESTINO SEM TINO

O venerável Obama, presidente dos Estados Unidos de América, disse no Chile
[sem tremuras na voz nem rosáceas na face]
que todos os povos, incluindo o de Cuba, devem ser donos do seu destino.

Curiosamente, o governo presidido por este venerável político reafirmou na semana passada, num longo documento de 120 páginas, que Porto Rico «pertence aos Estados Unidos , mas não é parte deste país». Ou seja, Estados Unidos reconhece uma vez mais que Porto Rico é uma colónia.

Perguntas ingenuamente obrigatórias ou obrigatoriamente ingénuas:
  1. Por que razão Obama se referiu a Cuba
    [país independente sobre o qual ele não tem nenhum poder]
    e não se referiu a Porto Rico
    [colónia que ele pode libertar quando lhe apeteça?
  2. Por que razão Obama gasta milhões de dólares para apoiar os rebeldes líbios a tomar o poder no seu país independente e mantém há dezenas de anos na prisão vários rebeldes portorriquenhos porque não querem ser colonizados?

  3. Por que razão Obama se enfureceu quando há duas semanas um tribunal cubano condenou um cidadão estadounidense, se por idênticas razões um tribunal do seu país condenou há anos cinco cidadãos cubanos e os mantém numa prisão nos Estados Unidos?

  4. Por que razão Obama não ataca o governo espanhol que apoia os rebeldes líbios, se não permite que os rebeldes da ETA sejam donos do destino do País Vasco?
escrito por José Alberto, Porto Rico [ilustração rapinada daqui]

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CLARO!

Barak Obama, presidente dos Estados Unidos de América, acaba de afirmar que as mudanças na Líbia não podem ser impostas pelo seu país nem por nenhum outro. Têm que ser buscadas pelos Líbios. Ontem disse que o governo da Líbia deve obedecer à Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Um forte aplauso: plas plas plas plas plas plas plas.

Mas… ontem um porta-voz seu disse que o seu país estava disposto a dar todo o seu apoio aos rebeldes líbios.

E não é este Barak Obama a mesma pessoa que mantém o exército do seu país no Iraque contrariando uma resolução do Conselho de Segurança? Não foi ele que decidiu tirar uns milhares de soldados do Iraque para os levar para o Afeganistão, país invadido contra outra resolução do Conselho de Segurança?

escrito por José Alberto, Porto Rico

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OS ARREDONDAMENTOS DA WORTEN

Tempos de crise. Tempos de solidariedade. Tempos de o capitalismo aproveitar mais esta chance de crise e de solidariedade...

Recebi já, na minha caixa de correio, várias mensagens contra as campanhas de solidariedade lançadas por grandes hiper-mercados, televisões... Destaca-se um MOVIMENTO ANTI-POPOTA, LEOPOLDINA E ARREDONDAMENTOS!!! que acentua o facto de aquelas empresas estarem a "fazer caridade" com o dinheiro dos outros e... ainda lucrarem com isso.

Reconheço que a coisa não é de fácil solução: se é verdade o que dizem "movimentos" como o referido, não é menos certo que existe muita gente a quem essas iniciativas interesseiras podem ajudar...

No texto Solidariedade golpista, O Ai Jesus! denunciou, em tempos, algumas manhas dessas iniciativas. Um texto actualíssimo...

escrito por ai.valhamedeus

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PEDOFILIA

Nota: Resposta à pessoa que me enviou o artigo. Não conheço o autor.

Sobre este artigo haveria muito que dizer - como sobre todos - porque é a visão de uma pessoa. E cada visão é diferente, nem melhor nem pior na maioria dos casos. Na história actual da pedofilia o monte dos artigos que atacam é igual ao monte dos que defendem. Para mim o drama é mesmo esse. A Igreja decidiu entrar nesta guerra com as mesmas armas dos seus contrários. E é ver
(pelo menos aqui)
a proliferação de artigos escritos por membros da OPUS DEI
(gente que antes nunca tinha escrito uma palavra).
Joga-se com o facto de serem leigos e estarem bem estabelecidos na sociedade. É só ver o comum pormenor de todas as assinaturas: acompanhada de todos os títulos académicos e posição ocupada na sociedade. Na minha opinião isso só tem complicado as coisas: a ver quem atira as pedras mais pesadas. Que queremos provar? Que, contrário ao Evangelho, apesar do nosso pecado sabemos e podemos atirar pedras?

A maior parte dos artigos de pretensa defesa, como o que envias, coxeia da mesma perna e se resume no estafado: «eles ainda são piores do que nós», e essa é uma falsa e perigosa questão. Claro que há pedófilos casados, homossexuais, heterossexuais, psiquiatras, professores, médicos, ateus, crentes, ricos, pobres. Infelizmente é verdade. Mas isso aumenta ou diminui a responsabilidade da Igreja? Ou não é certo que TODOS esses deviam ser objecto da missão da Igreja? Então o argumento usado para minimizar é perigoso porque é falacioso. A Igreja não pode usar a pedofilia de ninguém como poeira para que não se veja a dos seus ministros. A Igreja não devia gastar um cêntimo nem um minuto nesta guerra mediática sem sentido. O que é que o Papa ganha com a descabelada e milionária campanha que o Vaticano está a desenvolver para limpar a sua imagem?

O argumento que apresenta a Igreja como tendo feito mais coisas boas que más, também é ridículo, porque é contrário à sua doutrina. A Igreja não pode usar as estratégias que usam as multinacionais nas assembleias de accionistas. O que importa ao accionista é saber se houve lucros e quanto lhe toca. Não importa o preço. E nós sempre criticámos isso, porque esconde ou justifica a exploração dos trabalhadores e dos recursos.

Se com um só padre pedófilo já teríamos que nos preocupar, imagina quando todos os dias aparece a notícia de uns centos mais...

Na minha opinião o pior desta história é mesmo a maneira como sempre se trataram os casos de pedofilia. E de isso sabemos. Porque conhecemos casos concretos
(e que ainda nem são parte das estatísticas públicas).
Alguns deles viveram toda a sua vida em seminários, colégios e internatos das Missões. Eram conhecidos. Sabes perfeitamente que o mais importante era que não chegasse ao conhecimento público. Tu e eu entendemos perfeitamente a atitude do arcebispo Ratzinger nos seus anos de Munich. Fazia como os outros: descobriram um pedófilo? Muda-se de paróquia, deixa o seminário e vai para pároco, tiram-lhe os escuteiros. O artigo que enviaste ilustra a desgraça desta política, porque um pedófilo não deixa de o ser só porque o transferiram.

Nesta desgraçada política é que está o busilis.

NOS MEANDROS DO SEXO
SOCIEDADE SEXISTA MELINDRADA


António da Cunha Duarte Justo* cf em http://antonio-justo.eu/

Segundo a revista Psychologie Heute, de Março 2010, “na Alemanha anualmente há, aproximadamente, pelo menos 300 a 600 casos de contactos sexuais entre psicoterapeutas e pacientes”. Por muito que isto seja lamentável devido à relação de dependência do paciente para com o terapeuta, não é legítimo estigmatizar os psiquiatras e psicólogos, como a imprensa tenta fazer com os padres. A Universidade de Colónia investigou 77 vítimas de terapeutas verificando que 86% das vítimas eram femininas. Das 77 vítimas 30% já tinham sido vítimas de abusos sexuais na infância. 71% dos terapeutas eram homens com uma idade média de 47 anos. Na Alemanha, segundo a lei, terapeutas que tenham relações sexuais com pacientes tornam-se puníveis. O abuso sexual está na ordem do dia na nossa sociedade.

O abuso sexual de menores nas famílias, independentemente da Pedagogia Reformista, alcança percentagens impensáveis. O sofrimento das vítimas prolonga-se, geralmente, por toda a vida. A libertação sexual e a luta contra os tabus sexuais não deve criar e alimentar o tabu do sofrimento e a escravidão sexual que graça como praga social. Os crimes de alguns padres poderá ter a vantagem de alertar a sociedade a não desviar o olhar e não se tornar cúmplice com o que acontece nas famílias, nas escolas, nas prisões e na justiça. A maioria do abuso de menores dá-se no seio familiar.

É verdade que também na Igreja as vítimas foram ignoradas. A Igreja perdeu de vista as pessoas, ao calar-se e ao desviar o olhar dos abusos. O amor e a confissão não podem levar ao esquecimento das vítimas. Não se justifica porém a campanha intensiva dos Media durante semanas contra a Igreja.

Também nas escolas públicas estatais cada vez mais se tornam públicos casos de abuso de crianças por parte de professores. Associações de Pais e de Educadores na Alemanha exigem a criação de Hotline para o caso de abuso sexual nas escolas, para que crianças vítimas se possam manifestar sob anonimato. Continua discutível se a Hotline será domiciliada no Ministério da Educação ou numa repartição de aconselhamento independente.

Uma disputa séria chama a atenção para a necessidade de se centrar a discussão na situação pessoal da criança. Segundo a Comissão europeia, pelo menos 10 a 20% das crianças menores de 14 anos sofreram de abusos sexuais. Bruxelas quer agravar sanções contra a pedofilia nos estados membros.

Para se ter uma ideia da campanha tendenciosa contra a Igreja e a instrumentalização ideológica dos casos de pedofilia na Igreja, basta referir as estatísticas da USA onde em 42 anos 958 padres católicos e pastores protestantes foram acusados de abuso sexual de menores, tendo sido 54 condenados.

O que é de admirar é o facto de serem referidos mais casos de pedofilia entre pastores do que entre padres. Também, contrariamente ao resultado de investigações científicas, se procura estabelecer uma conexão causal entre celibato e abuso de crianças.

No mesmo espaço de tempo foram condenados 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos na USA. Disto ninguém fez notícia. A campanha secularista contra o cristianismo tenta deslegitimar a moral da Igreja católica na sua diaconia em hospitais e escolas… Estão-se marimbando para os réus ou para as vítimas. Um laicismo agressivo e militante propaga a ideia de que as crianças se encontram em perigo nas escolas da Igreja. Esquecem que, pelo facto de haver pedófilos na escola do Estado, ninguém diria que a escola é um perigo.


Do Fanatismo Religioso para o Fanatismo Ideológico

Também o ressentimento dos adversários da Igreja conduz ao esquecimento das vítimas. A rede de propaganda é de tal ordem e tão cerrada que, qualquer pessoa com formação média poderá constatar, sem mais, a lavagem ao cérebro do cidadão, em via. A acção coordenada de campanhas cíclicas anticristãs a nível de toda a União Europeia são o melhor testemunho da boa organização e das redes de uniões secretas, grupos marxistas materialistas e ateus. Para isso bastaria fazer-se um estudo comparativo dos títulos de todos os meios de comunicação social, em todos os jornais da Europa; quase se repetem. Quer-se, a todo o custo uma União laicista baseada num republicanismo jacobino. O capitalismo e o progressismo não admitem rivais!

O fanatismo que na Europa já parecia ter sido superado renasce com a União Europeia no fanatismo secularista e partidário contra a Igreja; desvia assim a atenção do cidadão, da criação duma sociedade base cada vez mais pobre e da bancarrota dos Estados. A pretexto de alguns padres pedófilos, a opinião publicada na TV, Internet, rádio e jornais fomenta o preconceito de que a igreja é o vale dos hipócritas e dos pedófilos. A má consciência e a má intenção são capazes de tudo!

Os militantes do fanatismo em vez de coordenarem forças, com todas as pessoas de boa vontade, em defesa das vítimas e dos oprimidos aproveitam-se dos crimes de alguns para incriminar toda uma instituição. A eles só lhes importa assunto para fomentar o seu poder seja à custa de quem for. A igreja já ultrapassou o seu fanatismo religioso militante, agora encontramo-nos, a nível europeu, na era do fanatismo militante secularista e ateu. Sabem que o povo mais desacautelado, é inocente, se deixa levar!

Muitos aproveitam-se do carrossel dos média e outros aproveitam a boleia. Por isso falam da responsabilidade da Igreja e calam a responsabilidade dos criminosos, como se estes fossem menores. O cardeal alemão Karl Lehmann diz num artigo do
DIE ZEIT: “já há muito que se procura a culpa primeiramente no colectivo e quase sempre no Sistema”.

Apoio a Igreja mesmo que ela não me apoie a mim. Antes combatia a instituição eclesial como era moda nos anos 70. Tenho experiência a nível de Igreja e de alguns partidos.

A Igreja, nalguns pontos, a nível superficial, é retrógrada; porém, a nível da visão do Homem e da sociedade (cf. Encíclicas da doutrina social da Igreja) é, de longe, mais progressista e avançada que qualquer partido. A sociedade só conhece dela o folclore e aquilo que lhes importa para se afirmarem à sua custa. A Igreja é, ao mesmo tempo, pecadora e santa como toda a pessoa de boa vontade. Já os Padres da Igreja falavam da Igreja “casta prostituta“. A Igreja, como instituição, é tão pecadora e tão santa como a sua comunidade, os seus membros. Estes são homens e mulheres com tudo o que lhes pertence: o bem e o mal.

Os fariseus secularistas cospem no farisaísmo da Igreja; o mal está presente em toda a parte mas na Igreja brilha mais. Por todo o lado cheira a próximo. Ela é prostituta mas só ela é mãe e pode proteger e guardar o tesouro da fé cristã; sem a mãe, com a morte do indivíduo, morria a tradição.

A fé mantém-me na Igreja. Eu manteria a fé na Igreja de Jesus Cristo, mesmo sem a instituição. Admiro na Igreja a adoração dum Deus que é todo Homem e dum Homem que é todo Deus. Precisamos de crentes e ateus, precisamos de todas as vozes que clamam à terra, vozes que clamam ao céu, para juntos tornarmos o mundo melhor!

A doença da pedofilia, no dizer dos peritos, é muito difícil de diagnosticar e corresponde a uma inclinação profunda e incurável. Pedófilos exploram a necessidade de dedicação das crianças.

*Alemanha, Jornalista Free

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CONTINUAMOS A PERDER

Às Caraíbas não se vem só para passar férias. Alguns vêm por trabalho e outros para praticar desporto. O fim de semana passado esteve em Porto Rico a seleção nacional portuguesa de voleibol para disputar um dos últimos lugares disponíveis para o próximo campeonato do mundo. Tratava-se de um mini-torneio de fim de semana. Um jogo na sexta e outro no sábado. Portugal regressou a casa com duas derrotas. Porto Rico deverá enfrentar-se agora à seleção da China. Quem ganhar, irá ao baile.

A seleção portuguesa jogou mal. Muito mal. Pareciam assustados. Não era certamente a seleção que a imprensa porto-riquenha apresentou como de muito valor e com muitos méritos.

Fica-se sempre com a boca a saber a papel de música quando os nossos perdem. Mesmo que seja só um lugar no campeonato mundial de Volei.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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PEDOFILIA CLERICAL (3)

O problema da pedofilia insere-se num contexto mais amplo que é o da ideologia. Para os burocratas do Vaticano, a pedofilia sempre foi um problema de pouca monta. Eram problemas locais que se tratavam discretamente e com estratégias sempre tendentes a evitar a publicidade negativa.

A transferência do pedófilo a outra paróquia ou diocese resolvia esse problema. E com a vantagem de poder usar-se essa solução repetidamente. São muitos os casos de padres pedófilos que abusaram de crianças em vários lugares diferentes
[paróquias, colégios, seminários, orfanatos, internatos de missões, etc.]
e tudo se resolvia com nova transferência. A questão era que o conhecimento do caso não se propagasse. A ausência do prevaricador quase sempre fazia cair o caso no esquecimento.

Marcial Maciel
Na década de sessenta, a mais atingida pelas denúncias de pedofilia, o verdadeiro problema para os burocratas estava relacionado com a política e a ideologia. Clérigos maus eram os que abraçavam as constituições do Concílio Vaticano Segundo e coerentemente tentavam pô-las em prática. Eram os padres operários, eram os que orientavam a sua prática pastoral privilegiando os pobres, eram os que atacavam o colonialismo, eram os que se candidatavam por partidos da esquerda,
[até 1974, sempre houve padres deputados da União Nacional com o consentimento da hierarquia]
eram os que denunciavam a estrutura feudal imposta e alentada pelo Vaticano.

Para esses não havia transferência pela calada da noite. Eram chamados a capítulo e se não baixavam a cerviz, eram despojados das suas ordens ou faziam-lhes a vida impossível para que o desânimo os levasse para longe.

Esta dupla vara utilizava-se para padres e bispos num perverso igualitarismo.

Enquanto um padre pedófilo era discretamente transferido pelo arcebispo Ratzinger, Hans Kung era privado da sua Cátedra de Teologia; D. Sérgio Méndez Arceo, Bispo de Cuernavaca, no México, especialista do Concílio, era perseguido e acusado de comunista; D.Hélder Câmara, no Brasil, era tratado como um pária pela sua defesa dos pobres do Nordeste. Os principais expoentes da Teologia da Libertação eram escorraçados como os grandes inimigos da Fé que, no Vaticano, defendia o Cardeal Rossi e depois Ratzinger.

Em Portugal, enquanto dezenas de padres se cevavam com carne fresca nos seminários e colégios
[a página pedófila portuguesa ainda está por escrever, porque somos um país de «brandos costumes» e preferimos falar do mal dos outros]
o P. José da Felicidade Alves era tratado como inimigo público número um. Os padres que se atreveram a contestar a orientação do Seminário Maior de Lisboa foram postos na rua. O P. Mário, da Lixa, ainda hoje se mantém como espinha viva na carne de uma igreja que preza mais a estrutura que a fé. Um pouco por todo o país, padre que não baixasse a cabeça sofria as consequências.

No Brasil, Leonardo Boff foi chamado ao Vaticano para que aceitasse uma ordem de mordaça. Não a aceitou e foi expulso. D. Manuel Vieira Pinto, Bispo de Nampula foi expulso da sua Diocese e de Moçambique, pela PIDE/DGS, pela sua oposição firme ao colonialismo. Numa audiência de dez minutos, no Vaticano, foi vergonhosamente zurzido pelo Cardeal Rossi porque «estava a criar problemas ao Vaticano na sua relação com o governo de Portugal». Sim, com o governo salazarista de Marcelo Caetano.

Ainda que não possa tirar conclusões definitivas, tenho suficientes elementos para pensar que, para além do aspecto ideológico, há um elemento material que pode ter levado ao aumento de casos de pedofilia: o vazio deixado por milhares de sacerdotes expulsos ou que abandonaram voluntariamente o munus pastoral, levou os pedófilos a senhorear-se de muitos espaços da Igreja. Tal como noutros casos, a escassez impôs a tolerância.

A ideologia pesa mais do que a moral. Um pedófilo conservador é tratado com tolerância, proeminentes teólogos acusados de progressistas, com suspensões e expulsões. Conhecemos casos recentes de heréticos e ilegítimos bispos «lefebristas» que foram perdoados e incorporados ao trabalho pastoral. Quantos teólogos sérios receberam igual oportunidade?

A grande dor de cabeça agora é que alguns desses pedófilos acusados, julgados e condenados, estão a levar o Vaticano à bancarrota económica pelos milhões pagos e a pagar em indemnizações às vítimas destes criminosos clérigos depredadores.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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PEDOFILIA CLERICAL (2)

O problema da pedofilia não é só o problema de umas centenas de padres que pecaram contra a moral. Uma confissão teria resolvido tudo, segundo a teologia e a pastoral. E então teriam razão os que, como neste Blog, se desunham por mostrar que a maior parte dos padres não são pedófilos, como se o problema estivesse na quantidade. Há padres e freiras excepcionais. Posso dar fé disso. Um botão de amostra: agora que já não há câmaras de televisão no Haiti, a maior parte dos que continuam a arriscar a vida e a saúde, são padres e freiras. Os caçadores de dividendos políticos saíram do país no avião que levou as últimas câmaras. O meu aplauso para esses religiosos. Mas é uma autêntica canalhada usar esse bom exemplo para enterrar, minimizar ou fazer esquecer o crime hediondo da pedofilia de muitos outros padres.

A arrogância é a catarata do espírito. Quem a padece vê tudo búzio, como se diz na minha aldeia. O problema agrava-se quando o paciente passa a defender com unhas e dentes a opacidade das coisas e a defender como cristalinas as coisas baças.

Os que ainda têm algum pudor e não se atrevem a tapar o céu com a mão, dedicam-se então a tentar defender a honestidade e inocência dos jerarcas eclesiásticos como se deles dependesse a bondade e autenticidade da própria Igreja. Ou seja, é preciso impedir a todo o custo
[e isso implica até o uso da mentira]
que o caso da pedofilia possa beliscar o Papa ou algum dos altos executivos do Vaticano
[porque os casos de jerarcas como o Arcebispo de Boston são atenuados pela distância e não fazem mossa].
Como não se pode sustentar a defesa com a negação dos factos, desvia-se o assunto e afirma-se que um grupo de malvados se organizou para fazer mal ao Santo Padre e à Igreja que ele dirige. Ou seja, que o arcebispo Ratzinger tenha protegido um pedófilo não é nada, comparado com o dano que lhe pode fazer a notícia, portanto: morte ao mensageiro porque mentiroso. Mas quem será realmente o mentiroso, o que deu a notícia ou o que a desmentiu atirando a responsabilidade para as costas de um secretário do então arcebispo? Vejamos: a notícia foi confirmada. No tempo em que Ratzinger era arcebispo, um padre pedófilo da sua Diocese foi enviado para outra paróquia, sem qualquer pena canónica e sem ter sido denunciado à autoridade civil. Duas graves decisões confirmadas, mas logo esvaziadas quando se tenta ilibar o arcebispo, informando que a transferência foi feita sem o seu conhecimento. Quem isto afirma comete dois pecados: mente e abusa da simplicidade dos crentes. A transferência de um padre é da competência do Ordinário do Lugar e a nomeação tem que estar assinada por ele. Ou seja, o padre pedófilo só foi aceite na outra paróquia porque levava uma nomeação assinada pelo arcebispo Ratzinger. Quem conhece os meandros da burocracia diocesana sabe perfeitamente que no caso de um padre pedófilo ninguém daria um passo sem o conhecimento e consentimento do arcebispo. E ninguém acredita que um Ratzinger assinasse de cruz a nomeação de um padre pedófilo.

Sei perfeitamente que no fundo o que estava em causa não era proteger o padre pedófilo, mas sim a Igreja. Só que essa protecção se fez sobre os escombros de dezenas de crianças.

Sirva de corroboração o hediondo caso de um grupo de miúdos cubanos violados no Estado da Florida por um padre também cubano. Essas crianças chegaram à Florida como tendo sido arrebatadas ao comunismo! O pedófilo nunca foi incomodado.

No caso da pedofilia do clero, a entidade mais interessada em pôr tudo em pratos limpos devia ser o próprio Vaticano, se não por um imperativo de compaixão e justiça, pelo menos pelo respeito devido à dignidade desses milhares de padres e freiras que leal e honestamente dão o melhor de si. A sua existência e acção não devem ser usadas para calar ou minimizar as acusações; ao contrário, deveriam ser um incentivo para que toda a verdade saia à luz do dia. A sua coragem de sempre exige a coragem dos seus superiores neste momento.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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PEDOFILIA CLERICAL (1)

O Triduo Pascal é um tempo de reflexão sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Um tempo de exaltação da humildade. Pensaríamos então que esta virtude tão pregada, seria moeda corrente na esfera religiosa. Nada mais longe da verdade. Um dos problemas da discussão da pedofilia clerical estriba precisamente na ausência desta virtude.

Se folheamos os documentos da Igreja Católica Apostólica Romana
[desde os papais até aos dos bispos das dioceses mais pequenas, passando pelos dos cardeais, patriarcas e arcebispos]
notaremos que neles sempre se fala da Igreja, assim sem apelido, como se fosse a única
[mesmo que pudessem provar que é a única verdadeira, sociologicamente continua a ser uma de muitas]
numa arrogância que contaminou até os membros da base. Basta ler os comentários verrinosos que neste Blog se têm escrito contra as pessoas que identificam essa igreja através da sigla ICAR. Só a ignorância pode tomar esta designação como insulto porque pensam que dizer Igreja, ou Igreja Católica é suficiente, como acontece não só nos documentos eclesiásticos como também em 90% dos meios de comunicação social do país. A arrogância de uma alegada maioria apaga dessa maneira dezenas de igrejas em Portugal e centenas no mundo inteiro. Igreja Católica Apostólica aplica-se a duas igrejas: a romana e a anglicana.

Em conclusão, esta arrogância
[vício oposto à humildade]
manifestada até em coisas tão pedestres como é o nome dado a uma igreja, pode cegar e levar ao desvio da realidade, impedindo o encontro com a verdade, sem importar as consequências.

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SOLIDARIEDADE GOLPISTA

A solidariedade é um valor positivo. Num momento em que milhares de pessoas ficaram sem nada, incluindo parte da sua família, até os mais duros de coração metem a mão ao bolso e deixam cair uma moeda na lata, na cesta, na caixa ou no cabaz. Também podem ligar para um número de telefone para deixarem a sua ajuda usando o cartão de crédito.

Tudo caridade. Tudo solidariedade. Ou quase tudo, porque os chicos espertos sabem que as catástrofes são uma soberana oportunidade para ganharem umas massas e ficarem com fama de «boas pessoas» .

Já passaram por este blog os exemplos da Galp e de uma companhia de telefones. Pediam dois, enviavam um e metiam o outro ao bolso. Mas o método mais discreto
[mas não menos eficaz]
é o da publicidade paga com dinheiro da solidariedade. Um banco, por exemplo, lança uma campanha para angariar fundos para o Haiti. Abre uma conta onde se depositou uma determinada quantidade de dinheiro. O banco publica então um anúncio de página inteira no jornal de maior tiragem para informar que entregará às autoridades haitianas, digamos, 350 mil dólares, dos quais 50 mil são doados pelo banco. Pelo tipo de campanha, aceitemos que a quantidade recebida foi mesmo 300 mil. Para um leitor incauto tudo estaria perfeito e o banco passaria por ser uma instituição séria e solidária.

O leitor ainda não descobriu o golpe? Vejamos: O banco deu 50 mil dólares. O anúncio custou 52 mil. No fim do ano o banco desconta dos impostos os 50 mil da doação e mete os 52 mil na conta de publicidade. Sem contar os ganhos indirectos: o resultado da publicidade para o banco e a imagem positiva que provoca uma acção de solidariedade.

Só numa semana e só num par de jornais, pude somar mais de 300 mil dólares para pagar anúncios destes. Mais de 800 mil pães que os haitianos não comeram.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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ANIVERSÁRIOS

Guantánamo Cuba

As voltas que o mundo dá! O dia 23 de Fevereiro é uma data importante pela importância de alguns dos aniversários. Este ano, nessa data, fez 107 anos o contrato em que o governo dos Estados Unidos arrendou, para toda a vida, os terrenos
(116.5 kilómetros quadrados)
onde ainda hoje está a Base militar de Guantânamo. Preço de arrendamento: r 2 mil dólares anuais, em moedas de ouro.
[Um ano depois, no mesmo dia e mês, por um contrato semelhante, pagou ao governo de Panamá 10 milhões de dólares pela Zona do Canal. O contrato foi rescindido em 31 de Dezembro de 1999].
Em 1934, o Tratado Avery Porko incluiu uma clausula de rescisão: comum acordo entre os dois países ou no caso de abandono da Base. Esse mesmo Tratado actualizou o valor da renda que nesse ano era de 4.085 dólares. Nunca mais se actualizou esse valor.

Conclusão: entre o preto e o branco há muito cinzento!

escrito por José Alberto, Porto Rico

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SÁBIOS NA GUERRA, IGNORANTES NA PAZ

A ajuda a Haiti não chega porque os aviões não podem aterrar. Porque não há segurança para os socorristas, porque falta autorização das autoridades, porque não há, porque não há.

De repente o mundo rico e civilizado descobriu um país miserável e esquecido. E não sabe que fazer para ajudar. Condicionam a chegada, a entrega, o socorro. E choram perante as câmaras da CNN. Lágrimas de crocodilo. Este país foi invadido militarmente em várias ocasiões. E nesses momentos nunca houve dificuldades com os aviões e helicópteros, nem problemas de segurança, nem necessidade de autorização.

E as notícias dizem-nos estas coisas como se fôssemos todos brutos, como se não tivéssemos assitido à invasão do Iraque
(lá no fim do mundo)
em primeira fila. Todos aqueles aviões e helicópteros despejando toneladas de materiais e soldados. Grandes aviões carregados de veículos, tendas de campanha, hospitais. A guerra em todo o seu esplendor.

De repente, esses cérebros congelam-se e não têm a menor ideia de como transportar comida, água e medicamentos a um país ali ao lado. Estão há vários dias detidos na fronteira dominico-haitiana à espera... de godot. Os escravos quiseram a liberdade? Aí a têm.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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O VERDADEIRO INIMIGO

Veja este filme já, antes que o eliminem.


DISCURSO do veterano MIKE PRYSNER indicando quem é o verdadeiro inimigo do seu país...

escrito por José Alberto, Porto Rico

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DISCUSSÃO DISPUTADA

A discussão sobre temas religiosos encalha sempre no mesmo areal: os que se escandalizam com as críticas à estrutura religiosa exigem que os críticos assinalem também os aspectos positivos. Ou seja, a oposição não rebate a crítica, quer impor um método.


Igreja católica e pedofiliaUm exemplo tirado deste Blog: o caso dos padres pedófilos. Denuncia-se não só a cobardia
[a criança é mais fácil de seduzir e manter submissa e calada]
mas também a canalhada do predador amigo da onça que se aproveita de crianças que as famílias entregaram à sua responsabilidade
[caso de acólitos e seminaristas].
É um tema escabroso que devia ser discutido abertamente, mas quando sai à superfície a ponta do iceberg, em vez da esperada crítica e autocrítica das estruturas emporcalhadas por tais actividades, o que vemos é o grito de escândalo e o rasgar de vestiduras. Aqui d’el Rei que os malvados nos querem destruir a Igreja!

Em vez de uma atitude de vergonha solidária, põem cara de escandalizados e começam a disparar informação que nada tem a ver com o caso em discussão. Tratam logo de minimizar a questão ou desviá-la para o contraste numérico: por cada pedófilo há muitos padres que o não são; há muitos padres que gastam a vida nos seminários e colégios e nunca tocaram num aluno; há padres que dedicam a sua vida aos pretinhos nos palúdicos territórios da África pagã; há padres que são bons filhos e bons irmãos.

Ninguém nega esta possibilidade. São verdades de Lapalisse. Argumentação que não argumenta; que nada diz sobre o que se discute; que nada útil traz à discussão e muito menos às possíveis soluções. Estas boas almas (?) parecem esquecer-se de que um pedófilo pode ser um bom filho; pode ter estado muitos anos ensinando num seminário, ou em África, e nada disso altera ou minimiza o dano que que fez a esses alunos ou aos «pretinhos» dos internatos da Missão. Quem assim justifica o pedófilo
[mesmo que seja só com o intuito de defender a Igreja]
torna-se cúmplice do seu delito e do seu pecado.

escrito por José Alberto, Porto Rico

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