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A NORMALIZAÇÃO DA ORTOGRAFIA

Apesar das críticas às mais recentes alterações ortográficas, penso que estas não foram tão longe quanto podiam e deviam ter ido. (Até porque, prevendo-se que são inevitáveis as reações por inércia, reações por reações, melhor teria sido que se poupassem reações a alterações futuras).

Designadamente, penso que se poderia e deveria ter ido mais longe na normalização da transcrição fonética, através de normas que fossem tão gerais quanto possível, ainda que isso implicasse a eliminação de vogais/consoantes desnecessárias. Por exemplo, não faz sentido distinguir ortograficamente palavras que se pronunciam do mesmo modo, como é o caso de “cozer” e “coser” ou “assento” e “acento” ou “conselho” e “concelho”... ou todas as palavras homófonas.

Poder-se-á objetar que são coisas diferentes; mas, ao pronunciá-las, as diferenças reconhecem-se pelo contexto – o que também se pode fazer nas frases escritas. Aliás, há já imensas palavras em que isso acontece, como com a palavra “banco” (o banco de sentar ou o banco que um dia destes teremos que resgatar) e “amo” (verbo e substantivo) e “são” (saudável e verbo ser)… e todas as palavras homónimas.



[Fernando Pessoa é citado com frequência pelos "anti-acordistas".
O que estes parece desconhecerem é que 
a ortografia defendida por Pessoa era diferente da que eles usam]

escrito por ai.valhamedeus

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O PAÍS DOS INHOS, DAS MARIAS, DO FADO... ETC.

Fugindo um pouco aos temas do momento que vivemos, neste país ridente, vamos debruçar-nos sobre outro tema candente, que se tornou numa “praga”: a utilização sistemática e sem critério do diminutivo. Mas apenas com acrescento do sufixo -inho ao vocábulo original. Tout court! Há pragas piores, dir-me-eis! Pois há.

Vejamos então! Saiam à rua e comecem a tomar nota da quantidade dos novos vocábulos, assim formados, digamos, ao longo de uma hora. Verificarão que não há chafarica, estabelecimento comercial, loja de cidadão, restaurante, café, refeitório que se preze, onde, a par de um sorriso (perdão, sorrisinho), os receberão com pelo menos um -inho, ao qual não conseguem fugir. Pois a todos os nomes constantes do dicionário do cliente, bem como do de quem vos atender se acrescentou um -inho: vai desejar um cafezinho, um saquinho, uma sopinha, uma aguinha, um talãozinho, um geladinho, uma facturinha, a continha? E por aí adiante.


[imagem copiada daqui]


Se conseguirem sobreviver a tanto -inho e chegarem a casa sentindo-vos um/a velhinho/a cair da tripeça, o/a qual compreende melhor a palavra cafezinho do que café, suminho (deveria ser sumozinho) do que sumo, etc. etc, pensando que vai finalmente sossegar do linguajar/linguarejar urbano, desengane-se. O telefone toca (outra praga), atendemos incautamente e então, as Marias deste país, e são muitas, passam a chamar-se Srª Maria, nome pelo qual nunca responderam.

E pode acontecer que ao desligarem, agastadas, o telefone, logo o telemóvel se ilumine com a mensagem onde lerão, alarmadas: Maria, venha ter connosco, temos a solução, blá, blá, blá. Normalmente é um rastreio auditivo, ou similar; em todo o caso, qualquer coisa relacionada com a saúde, ou a falta dela, dos velhos. E, portanto, mensagem essa semeada de -inhos.

Quanto ao Fado, é ocioso escrever seja o que for sobre o assunto. Os Portugueses descobriram-no e descobriram-se cantores incontestáveis, e incontestados, do mesmo. Ainda que alguns miem.

Dir-me-ão: para que havemos de nos preocupar com estas minudências, quando impende sobre as nossas cabeças o terrível aquecimento global, a nossa divida é, quiçá, impagável, os Bancos desmantelam-se um a um e reconstroem-se à nossa volta? Temos o trump, e a Le Pen, o da Coreia?

Pois, são mais e grandes preocupações a juntar aos pequenos aborrecimentos do quotidiano, que nos impedem de reparar nos maiores, por esgotamento das nossas energias.

escrito por Gabriela Correia, Faro 
[sob a influência do ruído da farra dos dias da Semana Académica. E com o velho AO.
P.S. Há um vocábulo ao qual o -inho se deve aplicar sem restricções: o café. Devido à crise, penso eu, o preço da chávena do café não aumentou, mas a quantidade do apreciado líquido diminuiu. Drasticamente. SEJAM FELIZES, QUAND MÊME!]

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LÍNGUA PORTUGUESA

Academia de Ciências vai convocar profissionais da escrita para discutir mudanças no acordo ortográfico.

Encontro nacional vai decorrer no início de março. Empresas que vendem corretores ortográficos também vão ser convocadas para serem “chamadas à responsabilidade”. Nesta edição do Expresso Diário, entrevistamos o presidente da Academia de Ciências de Lisboa. Há elementos da Academia que queriam ver o acordo rasgado

In Expresso on line

escrito por Gabriela Correia, Faro

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O CAOS ORTOGRÁFICO

Num livro que comprei, ontem, procurei o que é habitual procurar: se respeita as novas regras ortográficas.

Li as duas primeiras páginas e não consegui saber se. Andei a folhear (en passant) a obra, à procura da resposta, e fiquei sem saber. As palavras que me poderiam ajudar a decidir a (não) compra escondiam-se. Fui ao sítio por onde devia ter começado: o verso da capa. Lá estava: respeita as regras.

E decidi-me pela compra.

Sentei-se ao volante do meu carrito a matutar num dos argumentos dos anti-acordistas: o caos que o novo acordo provoca na escrita...


Ao ler a primeira página pela segunda vez, verifiquei que tinha lido apressadamente: nas primeiras linhas do início da obra, que reproduzo, lá está um dos causadores do caos -- exatas em lugar de exactas.

Mas insisti na ideia: o caos é tão grande... que, concedendo que haja, não é fácil encontrá-lo.

escrito por ai.valhamedeus

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A DISCUSSÃO SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO É COISA DE VELHOS...


O miúdo, a ler Uma aventura... na edição que o pai leu, nos seus tempos de miúdo...

-- Mamã, tem alguns erros. Mas... no antigo escrevia-se assim...

escrito por ai.valhamedeus

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DIGA DOUTOR


Vi, hoje, publicidade a um programa (presumo que será isso) do canal televisivo que presta (presta?) serviço público a Portugal. E fiquei intrigado com o nome: "Diga Doutor" quererá dizer... o quê? Assim, de repente, ponho três hipóteses -- mas, admito, pode não ser nenhuma destas...
  1. "Diga, Doutor!"
  2. "Diga 'Doutor'!"
  3. "Diga!... [...] Doutor?!"
escrito por ai.valhamedeus

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OS ACÓRDOS DOS COMENTADORES

Caiu o governo mais precário dos governos portugueses.

Ao longo de todo o dia, caiu-nos em cima uma avalanche de comentadores das rádios e tvs. Para além de repetirem as mesmas ideias, em comum, maioritariamente, têm um discurso dominado
  • pela expressão "ou seja" (que eu entendo como sinal de pouca convicção pessoal);
  • pela palavra acordos, pronunciada como "ac[ó]rdos" em vez de (forma correta) "ac[ô]rdos". Até o provável futuro primeiro-ministro a pronunciou assim.

escrito por ai.valhamedeus

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E ESTA, HEIN!... 26

O AO FAZ MAL À SAÚDE

Se for ao médico ou às urgências por problemas nos olhos, e se lhe receitarem um medicamento ótico para a vista, veja bem se é mesmo para a vista, segundo o AO, ou se é para o ouvido.

Peça ao farmacêutico para se certificar de que lhe está a vender o produto certo. É que ótico refere-se ao ouvido.

escrito por Gabriela Correia, Faro

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E ESTA, HEIN!... 25

O ACORDO HORTOGRÁFICO

De acordo com um email que corre na Net, este (des)acordo ortográfico é muito bom. Senão, vejamos:

antigamente, quando alguém se punha na sorna e não queria trabalhar, quer fosse Dia Santo, quer o patrão se tivesse ausentado da loja, ou ambas as coisas, vinha sempre o diabo de um desmancha prazeres que vociferava. Para ser ouvido, claro, no meio do regabofe: Alto e pára o baile!

Agora, neste novo regime de ortografia, imposto, a coisa fica muito, mas muito, mais simpática: na mesma situação, vocifera-se assim:
Alto e para o baile!

Portanto, as pessoas, além de terem feito cera, ainda são convidadas para deixarem tudo e irem para o baile. 

E digam lá se tenho ou não tenho razão?
E expliquem-me lá por que são contra o aborto? Perdão, Acordo.

(Texto livremente adaptado)

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ACORDISTAS CONTRA ANTI-ACORDISTAS


Nesta luta acesa entre os acordistas e os anti-acordistas
(a fogueira está a desacender, à medida que nos afastamos de datas como a entrada em vigor definitivo do dito),
há algumas conclusões que eu, polemicamente, tiro. Por exemplo,
  • os anti-acordistas são mais aguerridos do que os acordistas;
  • os anti-acordistas são mais incendiários do que os acordistas. Os argumentos que esgrimem, com frequência, balanceiam-se entre a ignorância arrogante (o caso do conhecido juiz cagado de fato malcheiroso é apenas o mais mediático) e os clamores emotivamente sonoramente ampliados.
 Deste último grupo fazem parte, por exemplo, José Pacheco Pereira. No texto Os apátridas da língua que nos governam, escreve que
Uma geração de apátridas da língua, todos muito destros em declamar que a “a nossa pátria é a língua portuguesa”, minimizam a nossa identidade e a nossa liberdade. É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.
"[...] como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar"?! valha-o deus!

escrito por ai.valhamedeus

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VELHINHOS EVACUADOS

O Ai Jesus! arquivou vários casos de evacuação. Eusébio foi evacuado. Portugueses foram evacuados no Egito...


...e agora foi a vez de umas dezenas de idoso/as serem evacuados.

Evacuar é despejar, expelir, esvaziar,... Pois garanto que nunca soube como é que esvaziaram o Eusébio ou os portugueses no Egito ou agora os velhinhos. Ter-lhes-ão dado uns clisteres?

escrito por ai.valhamedeus

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A RETROSPETIVA DE JORGE JESUS


Sobre a "pressão" do Vitória de Guimarães
("provisoriamente" a liderar o campeonato), 
diz o grande líder do SLBenfica:
Se se fizer uma retrospetiva para trás...
Ainda bem que é nesse sentido! olha se era para a frente...

escrito por ai.valhamedeus

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BICHAS E FILAS

Do meu mural do Facebook, importo para aqui o tema da sinonímia ou do contraste das palavras bicha e fila -- um tema motivado pelo texto (do Ai Jesus!) Os direitos dos bichos.



Parece-me generalizada a ideia de que é incorreta a utilização de bicha como sinónimo de fila. Tal ideia é que é incorreta, como se pode concluir da consulta de um vulgar, mas bom, dicionário: por exemplo, o da Priberam, em linha, recorda que um dos significados de bicha , em português europeu informal, é Fileira de pessoas, umas atrás das outras (ex.: bicha da caixa do supermercado). = FILA.

No conceituado sítio da Web Ciberdúvidas, João Carreira Bom esclarece mais  a sinonímia, associando a distinção a preconceitos da classe média. Concluindo:
Os elementos mais pretensiosos da classe média, pelo seu número e posição, podem ser muito influentes. Mas não vão para as bichas dos transportes públicos. Afigura-se-me não terem influência directa para provocar a morte de uma palavra inocente que, afinal, os perturba. Eles lá sabem porquê.
O mesmo Ciberdúvidas inclui um extrato do livro A Bicha e A Fila, uma paródia à volta das diferenças culturais entre Brasil, Angola e Portugal – a começar nas palavras do título do romance.

escrito por ai.valhamedeus

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O MPT E A EDUCAÇÃO

A FENPROF colocou 3 questões aos candidatos às eleições europeias:

  1. INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO: Sendo o investimento na educação e na ciência uma responsabilidade do Estado, que percentagem mínima do PIB deve reverter para essas áreas?
  2. PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO: Em que condições pode o ensino privado ser financiado com dinheiros públicos?
  3. CONDIÇÕES DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM: Que medidas concretas devem ser implementadas para melhorar as condições de trabalho nas escolas?
A coligação dos partidos do governo (PSD/CDS) não respondeu. O MPT
[que, segundo me disseram. será conhecido no Parlamento Europeu como Marinho e Pinto's Theatre]
respondeu assim
[quem terá escrito "isto"? não haverá no MPT quem escreva melhor?]

[clique na imagem para ler melhor]

escrito por ai.valhamedeus

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E ESTA, HEIN!... 17

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO ACORDO ORTOGRÁFICO



escrito por Gabriela Correia, Faro

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HIPERDÚVIDAS


Nalgumas situações (em frases interrogativas, designadamente), tenho alguma dificuldade em saber se devo escrever porque ou porquê.

Em castelhano, é simples: trata-se de interrogação (direta ou indireta)? escreve-se porqué (quiero saber el cómo y el porqué de todo esto); caso contrário, porque.

Resolvi consultar o Ciberdúvidas. Numa das suas páginas, promete-se esclarecer quando se escreve porque, por que ou porquê. Em relação à minha dúvida... fiquei a saber que
  • escreve-se porque, "c) Quando é advérbio interrogativo: «Porque não vens comigo?» «Porque faz ele isto?»"
  • escreve-se porquê,  "quando é advérbio interrogativo [...]".
Em relação à minha dúvida... fiquei com Hiperdúvidas.

escrito por ai.valhamedeus

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ASSIM SE FALA


A RTP tem uma rubrica que pretende confrontar o espectador com palavras ou expressões modificadas com o acordo ortográfico.

Hoje a palavra era louva a deus e a pergunta era se levava hífen ou não. A maioria dos entrevistados  disse que não levava hífen. A um dos entrevistados ainda perguntou porquê, sem obter resposta. A voz em off `explica` e dá a resposta. Neste caso e como muitas vezes acontece, a voz esclarece que, com o acordo ortográfico, muitas palavras são escritas sem hífen. Como se vê, a RTP esclarece cabalmente a razão da ortografia. Não há pai para a RTP!

escrito por Carlos M. E. Lopes

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SABER SE QUAL DAS DUAS


Falhas, qualquer um tem. Falhas e gralhas. Na língua (e nos vários sentidos que língua tem), também.

Mas há sítios onde as gralhas (e muito mais as falhas) são menos toleráveis. Por exemplo, num sítio/blogue de uma marca com (re)nome.

Vem isto a propósito de umas andanças minhas pelo blogue da LG Portugal, motivadas pelo assunto sobre o qual escrevi ontem. Tratando-se, supostamente, de uma marca de prestígio, espera-se que de prestígio seja também a escrita pública. Veja-se um exemplo (de que assim não é):
neste texto, a LG compara duas aplicações Android para envio de mensagens e chamadas telefónicas. Esquecendo (nós) que se comparam duas aplicações que, em rigor, não são comparáveis (porque cumprem objetivos diferentes), atente-se nas falhas (ou gralhas?) do texto. Por exemplo, na conclusão: "Agora resta saber se qual das duas [aplicações] é a tua preferida". Saber se qual das duas?!
escrito por ai.valhamedeus

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RECEPCIONAR

A Uzo, TMN2, acaba de me avisar, por sms, de que
Caso não efectue qualquer consumo nas proximas 48 horas o seu cartao apenas lhe permitira recepcionar chamadas.
Recepcionar chamadas?! Rece(p)cionar, enquanto verbo transitivo, esclarece o dicionário da Priberam, é coisa de rece(p)cionista. Será que a Uzo me arranjou um empregozito?

escrito por ai.valhamedeus

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GRALHAS NA TVI

É muito difícil ver um programa da TVI que não nos confronte com alguma gralha ortográfica. Nalguns casos é, provavelmente, mesmo gralha de escrita. Noutros, resulta, claramente, de ignorância da língua.

 escrito por ai.valhamedeus

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