TRUMP(A)

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

1. A simplificação da lei do conhecido químico francês Lavoisier, (1743-1794) em que na terra “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, não necessariamente por esta ordem, dever-se-ia reescrever, updatar, se me é permitido o neologismo. Pelo menos o último termo do enunciado: tudo se vende!

Vem isto a propósito de notícias, cada vez mais comuns, da venda da virgindade, via Internet, a quem fizer o maior lance. Parece que o recurso a este expediente se justifica pela situação financeira desesperada das jovens, que, assim, se vêem obrigadas a despedir-se do seu bem mais precioso!!! Reparem que é a juventude no feminino. No masculino ainda não ouvi falar! Mas lá chegaremos. Com a mania modernaça da igualdade, tudo é possível. (lol)

Parece que as jovens em apuros são quase todas, ou todas, oriundas da Europa de Leste, as quais, ao que tudo indica, deram o exemplo, no que foram imitadas por jovens da América Latina. E a coisa está a alastrar, nesta fome masculina pela virgindade alheia.

2. E da América Latina ainda vem mais uma notícia, pela boca do escritor espanhol Juan José Millás, que a contou na Antena 2
(mas também podia ser o escritor chileno Luís Sepúlveda, a julgar pela voz e pelo estilo da narração. E pelas causas que abraça. Apanhei a notícia a meio e não consegui apurar quem a contou).
Quem a contou não interessa, o que aqui nos interessa é a estória.

Numa visita desse escritor a uma região pobre da Colômbia, deparou-se com o serviço fúnebre de uma jovem de 18 anos, que deixava uma filha de 3, órfã. Ora, essa mãe solteira tinha ganho em 2008 o concurso de Miss Tanga. Mas nunca lhe deram o prémio. Os responsáveis deram-lhe foi tanga e acrescentaram posteriormente uma cláusula ao prémio: prémio sim, mas só depois de fazer uma digressão pelo país exibindo a bunda e os seios de silicone que ela iria pôr. A operação foi feita por “um sapateiro” (não um sapateiro de sapatos, bem entendido) que nunca tinha realizado uma tal operação, e ela morreu.

Aqui o escritor poderia ter ido à sua vida. Mas não foi. Foi ao enterro da jovem. Ao qual também compareceu um dos responsáveis desse concurso chegado com grande estadão: limusina, pulseiras e cordões grossos, anéis em quase todos os dedos. E etc… o COSTUME.

O escritor meteu-se onde não era chamado, como o outro, aliás, lhe lembrou, mas perante a insistência o nababo resolveu concordar em enviar o prémio à filha menor da vítima da parvidade humana, como (única) herança. E fazer justiça, a fim de ser recebido nos céus, quando chegar a sua hora
(de certeza que desconhece a parábola de Jesus da agulha, do rico, e do camelo).
O curioso está no prémio. Adivinhem. Nunca lá chegarão!

O prémio, herança da menina numa das regiões mais pobres da Colômbia: 5 Barbies aperaltadas com vestidos luxuosíssimos.

Moral da estória: “os canalhas são iguais em toda a parte”. E cito.

P.S. O conteúdo das estórias é verdadeiro. O estilo narrativo é meu.


escrito por Gabriela Correia, Faro

3 comentário(s). Ler/reagir:

Antigo Estudante de Coimbra disse...

pois é!!!

Só que sei de donzelas que venderam a sua virgindade mais de uma dezena de vezes!!!

Houve um tempo de libertinagem que em Coimbra se grafiticaram paredes com o slogan

"A virgindade provoca cancro, vacina-te"

Apredizes de feiticeiros

Anónimo disse...

Qualquer semelhança entre a Internet e os muros de Coimbra é pura coincidência, não lhe parece?
Quanto a vender a virgindade mais do que uma vez, só é possível no romance do Jorge Amado :"Teresa Baptista, Cansada de Guerra"
Gabriela
P.S.Se alguém comprou gato por lebre...

Anónimo disse...

Às vezes é a pressa, menina...
«-Ah sua marota... afinal sempre eras virgem...
- É que não me deste tempo de tirar as calcinhas...»