TRUMP(A)

DO CONTRA [70] sejamos tolerantes com os católicos

Concordo totalmente com que seja permitido o casamento entre católicos. Penso que é uma injustiça e um erro tentar impedi-lo.

O catolicismo não é uma doença. Os católicos
[embora muita gente não goste deles ou os ache estranhos]
são pessoas normais e devem ter os mesmos direitos que os outros
[como se fossem, por exemplo, informáticos ou homossexuais].
Estou ciente de que muitos comportamentos e traços de personalidade das pessoas católicas
[como a sua atitude quase doentia em relação ao sexo]
podem parecer estranhos aos outros. Sei até que, às vezes, poderiam esgrimir-se argumentos de saúde pública, como a sua perigosa e deliberada rejeição dos preservativos. Sei também que muitos dos seus costumes
[como a exposição pública de imagens de torturados]
pode incomodar alguns. Mas isso
[para além de ser mais uma imagem mediática do que uma realidade]
não é razão suficiente para os impedir de exercer o direito ao casamento.

Poderia haver quem argumentasse que um casamento católico não é um casamento real, porque para eles é um ritual e um preceito religioso perante o seu deus, em vez de uma união entre duas pessoas. Também
[dado que os filhos fora do casamento são severamente condenados pela Igreja]
alguns poderiam considerar que permitir que os católicos se casem irá aumentar o número de casamentos feitos "pelo que as pessoas vão dizer", ou pela simples procura de sexo
(proibido pela sua religião fora casamento),
potenciando assim o aumento da violência doméstica e a desagregação familiar. Mas é necessário lembrar que isto não é algo que aconteça só em famílias católicas e que, não podendo nós entrar na cabeça dos outros, não devemos julgar as suas motivações.

Por outro lado, dizer que isso não é o casamento e deveria encontrar-se outra designação é apenas uma maneira um tanto manhosa de desviar o debate para questões semânticas que não vêm ao caso: mesmo que seja entre católicos, o casamento é um casamento e uma família é uma família.

E com esta alusão à família passo a outro tema quente sobre o qual a minha opinião, espero, não será muito radical: também sou a favor de que seja permitido aos católicos adoptar crianças.

Haverá certamente quem esteja revoltado com uma declaração deste tipo. É provável que alguns dos meus leitores respondam com exclamações do género de "católicos adoptarem crianças? Estas crianças podem tornar-se católicos! ".

A esse tipo de críticas respondo: embora seja certo que os filhos de católicos têm muito mais probabilidade de se tornarem, eles próprios, católicos
[ao contrário do que acontece, por exemplo, na informática ou na homossexualidade]
já antes argumentei que os católicos são pessoas como qualquer outra pessoa.

Apesar da opinião de alguns e de alguns indícios, não há provas evidentes de que os pais católicos estejam menos preparados para educar um filho, ou de que o ambiente religiosamente enviesado de um lar católico seja uma influência negativa para a criança. Além disso, os tribunais de adopção julgam cada caso individualmente, e faz parte do seu trabalho determinar exactamente a idoneidade dos pais.

Em suma
[e apesar das opiniões de alguns sectores]
acho que se deveria permitir aos católicos tanto o casamento como a adopção.

Exactamente como aos informáticos e aos homossexuais.

traduzido por ai.valhamedeus [de um texto do jornal argentino Página|12. Com um beso para a nastenka]

1 comentário(s). Ler/reagir:

Anónimo disse...

Brilhante! Deveríamos colocar o problema sempre ao contrário. Talvez houvesse mais comunicação e compreensão