TRUMP(A)

DOS HOMENS E DOS DEUSES

Ontem, o cineclube de Faro passou o filme abaixo referido. Não deixem de o ver, se puderem. Não quero acrescentar mais nada ao que os dois críticos de cinema sobre ele escrevem; apenas citar uma resposta de José Saramago à pergunta de um jornalista da Antena 2:
-- Acha que o mundo seria melhor sem religiões?
-- Não sei se o mundo seria melhor sem religiões. O que sei, e disso não tenho dúvidas, é que o mundo seria melhor, se as religiões não competissem entre si.
2 MILHÕES DE ESPECTADORES EM FRANÇA!

Com base em factos reais, o filme vencedor em 2010 do Grande Prémio do Júri em Cannes e candidato pela França a Óscar de Melhor Filme Estrangeiro nesse ano é, acima de tudo, uma reconciliação entre a fé católica e a islâmica e uma recusa absoluta de qualquer forma de fundamentalismo. A história, que culmina no assassinato de sete monges na Argélia nos anos 90, é um belíssimo hino espiritual e profundamente humanista. A força deste filme reside na expressão das fragilidades e forças humanas, tanto quanto confere sentido à espiritualidade, à incarnação e ao significado da morte de Jesus Cristo. E, acima de tudo, não impõe a fé católica, ou recusa a fé islâmica, mas antes prova que ambas as religiões partilham um respeito comum pela humanidade e uma repulsa, igualmente comum, por qualquer tipo de fundamentalismo.

[Helena Oliveira]


Sumptuosamente fotografado por Caroline Champetier e extraordinariamente encenado por Beauvois, é um filme que desacelera brutalmente e, à imagem do mosteiro na Argélia remota onde tudo se passa, cria um momento de silêncio e contemplação para nos permitir olhar para o mundo e para o ser humano tal como ele é.

O que o torna tão contemporâneo, nestes dias em que o fundamentalismo religioso parece estar constantemente nas notícias, das controvérsias do Ground Zero nova-iorquino aos debates sobre a burqa, é que se trata de um filme de resistência: de resistência ao medo, de resistência ao terrorismo, de resistência a tudo aquilo que nos rouba a humanidade (e, por consequência, o divino que há em nós).

[Jorge Mourinha, Público]

escrito por Gabriela Correia, Faro

2 comentário(s). Ler/reagir:

vitor m disse...

Já o vi 2 vezes.
Magnífico!

Anónimo disse...

Eu também o quero ver outra vez.
Filmes destes são para rever, e rever...
Gabriela