TRUMP(A)

DO CONTRA [88] a exposição inquisitorial

A ideia que tenho das fogueiras da Inquisição

[de todos os tipos de fogueiras de todos os tipos de Inquisições]
é a de que o castigo público e as exposições públicas dos castigados são uma constante. E julgo que para que sirvam de exemplo aos que têm tentações de “mijar fora do penico”. Frequentemente, os poderes decisores deixam
(ou facilitam mesmo)
que a multidão se encarregue dos aspetos mais sujos da tarefa.,mantendo assim limpas a lei e... a justiça.

Como exemplo ilustrativo da antiga Inquisição, transcrevo de A Inquisição: o Reino do Medo
[de Toby Green. Editorial Presença, p. 82]
acontecimentos do ido ano de 1506, em Lisboa -- carnagem inicial: pelo menos 1900 vidas:
Nesse ano, numa das capelas do convento dominicano de Lisboa apareceu uma estranha luz sobre um dos crucifixos. Houve quem visse ali um milagre. Outros não estavam tão convencidos e um cristão-novo, cujo bom senso foi ultrapassado pela honestidade, afirmou que lhe parecia mais certo que a luz proviesse de uma vela acesa e colocada perto da imagem de Cristo. Sabendo da afirmação por acaso, alguns paroquianos agarraram o homem pelos cabelos e arrastaram-no para a rua, onde foi espancado,
ferido a pontapés e, finalmente queimado no Rossio perante uma grande turba. 
Uma das testemunhas da fogueira foi um frade que começou a incitar a turba contra os cristãos-novos. Foi então que dois frades dominicanos saíram do convento empunhando um crucifixo e gritando: «Heresia, heresia!» No que foi uma versão popular dos autos-de-fé de Espanha, onde os dominicanos tinham a seu cargo a Inquisição, uma multidão de 500 pessoas correu as ruas da cidade, agarrou quantos cristãos-novos encontrou, matando-os no próprio local ou arrastando-os meio mortos para as fogueiras onde foram queimados vivos. [...]As fogueiras foram alimentadas com servos e escravos africanos. Brilharam na margem do rio e no Rossio, num dia em que 500 pessoas foram queimadas. 
A situação piorou. No dia seguinte uma multidão de 1000 pessoas partiu as portas das casas onde se sabia que os cristãos-novos se escondiam. Arrastaram homens, mulheres e crianças para fora das igrejas, arrancando-lhes das mãos as imagens de Cristo e de Nossa Senhora. As vítimas eram puxadas pelas pernas e arrastadas pelas ruas, esmagadas contra as paredes e atiradas para as fogueiras. 
A fúria abrandou na terça-feira, embora a carnagem tivesse custado pelo menos 1900 vidas.
Se quiséssemos ilustrar a ideia com exemplos mais recentes
[da nossa época de gente mais supostamente civilizada e tolerante], 

não faltaria onde escolher: a exposição do cadáver de Savimbi pelas tropas
(a multidão, que não o poder oficial, pois claro!)
do MPLA;

o espetáculo mediático do enforcamento de Sadam Hussein;

a exposição de Kadafi pelos rebeldes
(a multidão, que não o poder oficial, pois claro!) 
líbios;....

Pensava eu que vivia numa mundo mais civilizado e tolerante do que o da Inquisição do século XVI...

escrito por ai.valhamedeus

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