TRUMP(A)

ALL WE NEED IS LOVE

ALL WE NEED IS LOVE - ELA

Devagar, muito devagar vais-te desprendendo
Sem querer,
Querendo.
Devagar, muito devagar deixo-te ir.
Querendo,
Sem querer.


Ficar é este meu existir de partidas adiadas
Presa ao teu partir.
Mas ficando e existindo.
Partindo, sem partir
E tu vais ficando
Preso ao meu ficar.
E eu odeio-te e odeio-me neste lugar do nosso (des) encontro,
Vendo-te partir a cada dia.
E deixo-te ir
Com o coração em desalinho,
O rosto desgrenhado,
A imagem da dor em contrabaixo.
A saudade já senhora e dona, por inteiro.
Sabendo que não está certo,
Mas que é assim que tem de ser.

ALL WE NEED IS LOVE - ELE
Sou eu e não sou eu quando te abraço
Sou aquele que te quer quando estás longe
E te não vê quando viras a esquina ao meu encontro.
Sou eu e o outro que se desprende sem motivo ou retrocesso
No acesso aos teus braços, de improviso.


Sou eu quando te beijo
E me comovo na hora de partir
Devagar.
Envergonhado por ficar
Porque o porvir já me marcou falta na folha de presenças
E a tua indiferença me atormenta
E aguilhoa a vontade de ficar.
E fico.
Confundido nos teus dias que repetes
Sem querer, querendo.
E sou eu e todos os outros que tu sabias antes de mim.


E, por fim, parto
Sabendo que está certo,
Mas que não é assim que tem de ser.

escrito por Gabriela Correia, Faro

3 comentário(s). Ler/reagir:

GM disse...

Agrada-me a forma clara,simples e concisa como os temas foram escritos.Sintetizando diria que tive a sensação de estar a observar uma tela em que o artista com simples pinceladas define formas,dimensões e limites dos personagens distribuindo cores e luz de forma a dar-nos com precisão e profundidade o ambiente da descrição. Parabéns GM

Anónimo disse...

Muito obrigada. Fico enternecida com a sua apreciação.
O sr/a é um/a poeta.
Gabriela

Anónimo disse...

ENCONTRO NO DESENCONTRO
Tudo por vezes nos parece um conto
Nesta vida fugaz e impermanente.
Carrocel que rodopia, deixa tonto
E aprisionado,a quem está ausente.
Desliza o tempo e assim os encontra
Presos a memórias,alegrias e amor.
Numa tortura saudosa que afronta
Nostálgicos sonhos em esbatida cor.
A silenciosa dor ainda perdura
Na solidão fria duma mansa ternura Do que já viveram e do que restou.
Imperturbável na sua passada lenta
O tempo os fará sair dessa atormenta
Onde cinzenta nostalgia os algemou.

26 Fev 2012