TRUMP(A)

ALFREDO BARROSO E A ESQUERDA (DELE)

Alfredo Barroso foi chefe da Casa Civil de Mário Soares. Como o apelido sugere, é seu sobrinho. Foi fundador do PS, deputado, secretário de Estado, administrador do S. Carlos. É comentador televisivo e escreve em jornais.

O tio escreveu Um Político Assume-se e, nas 542 páginas que o livro tem, nem uma linha é dedicada ao sobrinho. Está assim justificado o prefácio, que é de Manuel Alegre.

O livro A Crise da Esquerda Europeia
[Barroso, Alfredo - A Crise da Esquerda Europeia, D. Quixote, Alfragide, 2012]
limita-se a dizer que a Esquerda está em crise, porque sucumbiu à direita
(claro que a Esquerda de Alfredo Barroso é o PS).
Diz o autor que uma das armas do neoliberalismo é a diminuição do custo do trabalho. Reconhece que os partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas se aproximam do centrão e aí perdem. No capítulo dedicado a Cavaco, aponta o dedo ao oportunismo de Cavaco. Ora vindo de quem serviu, durante dez anos, na presidência da República, o maior oportunista político que Portugal já conheceu,... é obra.

Mas um dos erros apontados a Cavaco é que ele duplicou a massa salarial da função pública. Mas, a diminuição da massa salarial não era um dos objectivos do neoliberalismo? Afinal Cavaco agiu como neoliberal ou como social-democrata? Apesar de um ataque cerrado a Cavaco, na página 88 vem reconhecer que entre Cavaco e o PS sempre houve grande entendimento, uma vez que "em questões socioeconómicas (o âmago da divisão esquerda-direita)" não terá havido grandes divergências.

Saltitando aqui e ali, não se recolhe uma ideia coerente, antes o autor se enrola em contradições, como é próprio do partido que ajudou a fundar -- e não tivesse ele estado dez anos em Belém...

A bibliografia ainda é o melhor que o livro nos fornece.

escrito por Carlos M. E. Lopes

7 comentário(s). Ler/reagir:

Ilda Ribeiro disse...

Pensava ler o livro... pela critica desisti, pena é que não seja citada alguma da bibliografia dita "boa". Obrigada pela critica assim podemos seleccionar o que lemos.

Anónimo disse...

a esquerda está em crise porque deixou de ter dinheiro para distribuir. a ideologia é uma treta, sempre foi uma treta que diverte meia dúzia de supostos bem pensantes. o resto é uma multidão ignorante que põe e dispõe dos políticos e fá-lo com alguma sabedoria, a saber, quando vê que deixa de haver capital para distribuir, vota à direita para que imponham algum rigor e amealhem uns cobrezitos; quando a situação se resolve e passa a haver um dinheirito no mealheiro, vota à esquerda - entenda-se esquerda democrática, porque o povo não é burro e sabe o que a outra esquerda gostava de fazer - para que o esbange um pouco por todo o lado. a esquerda e a direita representam-se pela fábula da cigarra e da formiga: a direita amealha, a esquerda distribui o que encontra...
S M

Anónimo disse...

A direita amealha o que não é deles. Acho muito bem que a esquerda devolva às pessoas o que lhes foi roubado.
Zé do Telhado

Anónimo disse...

principalmente o que lhes é roubado pela massa de indolentes de esquerda. todas as empresas públicas mais deficitárias deste país, nomeadamente os transportes, é um centro de acolhimento dos funcionários de esquerda cujos chefes lhes meteram na cabeça que só tê direitos. os deveres são para os outros e por isso fazem greves todos os dias - comboios, barcos, autocarros, metro... sorvedouro de milhões e milhões de euros dos contribuintes para alimentar um exército de indolentes ideológicos... estes sim são os resposáveis pela parte significativa da despesa pública. o trabalho e a iniciativa, nunca combinaram muito bem com a multidão esquerdista que só gosta de partilhar o que os outros ganham.
s m

Ilda Ribeiro disse...

A ignorância é inimiga de todos, da esquerda e da direita. Saber um pouco mais de história só lhes ficava bem e lá porque não são competentes ou há incompetência em muitos locais (sendo as chefias ora da direita ora da esquerda) não quer dizer que todos sejamos incompetentes. Nem tão pouco que o problema está nos "que trabalham".
Tudo o que os anónimos disseram "Não são analises políticas" e embora eu não seja uma "critica" da área costumo Escutar os argumentos de ambas as partes....com o que V. Exas disseram nada concluí a não ser que não percebem, nada de politica....talvez como eu!!!só há uma diferença (pelo menos que eu encontro) eu escuto analiso e participo na sociedade civil tentando que o que se passou neste País antes do 25 de Abril não se repita - o que já não era mau de todo - mesmo para os que vivem agora mal....na altura vivia-se mesmo muito pior (com excepções , como há agora) e em maior numero de famílias. Por isso termino "saber um pouco mais de história ficava-vos muito bem) tanto mais que tanto quanto tanto tenho percebido a maior parte de vós são professores, ou talvez não! possivelmente são só dos indolentes de que falam....desculpem, mas não resisti!!!!

Anónimo disse...

O que é preciso saber da história? Que a ideologia de esquerda ao falsamente querer tornar iguais os indivíduos cuja característica principal é a diferença e o desejo de ser "mais que o outro", empobreceu na generalidade os países e os indivíduos, enquanto que as ideologias de direita permitiram um maior progresso e bem estar aos povos; que os países de esquerda acomodam as pessoas a modelos de vida totalitários que não se lhes adequam, enquanto que os de direita incentivam e valorizam o esforço individual; que os países evoluem com a iniciativa privada e regridem com a acção centralizada dos governos...
Não sei porque é que as pessoas ficam tão chateadas com a constatação de meros factos. Explo: as empresas do sector público em portugal acumulam despesas incomportáveis e mesmo assim os seus trabalhadores dão-se ao luxo de estar sempre em greve e, todos sabemos que a esmagadora maioria dos seus trabalhadores é militante e simpatizante da ideologia de esquerda.
até eu gostava que o mundo fosse diferente, que se organizasse de maneira a aproveitar melhor o qe tem de bom cada uma das propostas, mas não é assim... a humanidade não tem retorno. a sua principal característica é o individualismo e a vontade de poder. é isso que ensina a história. o resto é "romantismo" que fica bem em conversas de café mas que para nada serve quando se trata de consertar os danos sociais de que uns e outros, com mais ou menos ideologia, vão provocando.
S M

Ilda Ribeiro disse...

….pois,
Tempo anterior ao 25 de Abril – revolução – que nos conduziu à “confusão” da democracia e esses problemas que agora temos…………..
A história a que eu me referia era outra era mais esta,
Portugal: (país onde eu vivia e ainda vivo com algumas saídas e entradas, mas poucas)
Pais fechado, Estado autoritário, povo inculto, horizontes estreitos, péssima escola, má saúde, pouco emprego, nenhuma liberdade, baixa esperança de vida, segurança social insuficiente ou nula, alta mortalidade por doenças contagiosas próprias da pobreza. Poucos esgotos, reduzida abastecimento de água, eletrificação doméstica para uma minoria, mulheres sem emprego mantidas á margem do espaço público e sem estatuto pleno de cidadania,
Exemplificando: só muito poucos iam além do 4º ano de escolaridade, aldeias a 30 Kms de Lisboa (não era sequer interior) abasteciam-se em poços, não tinham electricidade, nem esgotos, nem recolha de lixo. O abastecimento de alimentos era feito nas Vilas das proximidades (não havia frigorifico….). Estudava-se à luz de candeeiro a petróleo, tomava-se banho em água aquecida ao fogão, não havia telefone e no interior repetia se a história com verdades ainda mais cruéis. À conta desta coisa da democracia (que pelos vistos tanto trabalho nos dá e nos incomoda) verdade é que também existe muita pobreza, muitos sem abrigo, muita fome mas, as coisas mudaram e não é só uma questão de não ser os mesmos é uma questão numérica.
Era esta A História a que eu me referia……E ainda acrescento que, nem os negros foram reconhecidos como iguais sem luta, nem as mulheres tiveram acesso ao espaço público e estatuto igual sem luta e nunca foi os Estados totalitários que reconheceram os direitos……
Nota: se for erros desculpem desde já…..mas eu escrevo ideias, reflexões mas não sou perita nem “boa” na forma, em cada leitor deve haver uma Marquesa de Alorna (e ainda bem ) por isso fica desde já o aviso e as desculpas para este e todos os comentários que eu vier a fazer neste blog
até………