O Termidor, no calendário republicano, adotado pela Revolução Francesa, corresponde à data do termo do regime de Terror imposto por Robespierre. É o que diz qualquer enciclopédia.
Em Portugal corresponde ao 25 de novembro de 1975.
Considero a Revolução, o período de 25 de abril de 1974 (mas sobretudo após o 11 de março de 1975), até ao 25 de novembro.
Foi um período em que tudo foi possível sonhar. A Constituição aprovada a 2 de abril de 1976 ainda reflete um pouco esse período. Foi um período em que toda a gente (quase…) sonhou com o socialismo e com um mundo melhor. E Portugal era alvo de estudo e acompanhamento por todo o mundo (acho eu).
Estava em Lisboa, nessa altura, e lembro-me como o Diário de Notícias (com José Saramago) e O Século noticiavam um golpe a todo o momento. O ambiente que se vivia na capital era de golpe iminente. O ambiente estava a ser construído para um golpe ou golpada.
No dia 25 de novembro, o PCP nitidamente recuou e não quis entrar em aventuras. Francisco Martins Rodrigues, camarada de Cunhal na fuga de Peniche, dizia que Cunhal era um antifascista, mas não era um revolucionário. Talvez aí estivesse uma das causas. Outra possível causa teria sido o resultado da cimeira de Vladivostoque, entre Brejnev e Ford, em agosto de 1975, tendo-se aquele comprometido a não fomentar uma Cuba na Europa. Outra teria sido a fraca organização dos revoltosos. O que é certo é que o “socialismo” acabou nessa data. O socialismo ou uma certa ideia dele.
Em estudos sociais não há “se”, mas estou convencido de que estaríamos onde estamos, mesmo sem 25 de abril. A Grécia, a Espanha, o Brasil, Chile, Argentina, saíram de ditaduras, sem revolução nenhuma. E nós também sairíamos. Os tempos eram outros e a ditadura cairia e evoluiria para onde estamos. O 25 de novembro foi um retorno, sem ter sido um regresso. O período até ao 25 de novembro foi uma aventura imprevisível, linda e sonhadora.
O 25 de novembro foi o nosso Termidor.
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