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DEBATE SOBRE A DROGA

...debate com membros da Corte Suprema de Justiça da Argentina, o máximo poder na Justiça.


Mais que sobre drogas, sobre despenalização das drogas.

Defendendo a despenalização, um ministro da Corte fez o paralelo entre as as drogas e o vinho
[quando se aplicou a "Lei Seca" ao vinho]:
..."Lo que hizo la prohibición entonces fue elevar el precio, dividir por clases sociales, impedir el control de calidad, generar las industrias ilícitas y los servicios de distribución ilícitos. El proteccionismo estatal interviene pero para terminar favoreciendo a la empresa ilícita más poderosa, que es la que sobrevive."
[..."O que conseguiu a proibição então foi elevar o preço, dividir por classes sociais, impedir o controlo de qualidade, gerar as indústrias ilícitas e os serviços de distribuição ilícitos. O proteccionismo estatal intervém mas para acabar favorecendo a empresa ilícita mais poderosa, que é a que sobrevive"].
Na Argentina, na noite escura do governo Menem, castigou-se o usuário. O que fala o artigo cuja leitura aconselho é que os traficantes fizeram drogas piores para os pobres, que seguiram consumindo -- e o problema está longe de solução.

[ler todo o texto, em Página|12]

escrito por EduardoLG, Argentina

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A TOXICODEPENDÊNCIA, OS BONS COSTUMES E MÁRIO CRESPO

Os bons costumes têm feito um alvoroço sobre um famoso dicionário do Instituto da Droga e da toxicodependência.

Mário Crespo teve o seu presidente no Jornal das 9 de segunda-feira. João Goulão lá foi respondendo, mas Crespo, com aquele ar inteligente que o caracteriza, lá foi confrontando o pobre do João Goulão com perguntas sagazes e de grande alcance filosófico. Às tantas perguntou a João Goulão se era verdade que o Instituto no seu site dizia não haver receitas para que um indivíduo não se drogue. E perguntou isto com o ar de quem diz “vocês não têm vergonha?”. A deputada Caeiro do CDS já tinha dado corpo
(e que corpo!)
ao descontentamento das famílias face ao famosos dicionário do Instituto. Agora Crespo volta à carga com aquela de não haver receitas para evitar que um filho se drogue. Indignado, Crespo ficou perplexo
(com aquele ar de inteligente que o caracteriza),
com a resposta serena de Goulão: “Não, não há”.

De uma forma geral, somos todos drogados. Uns mais dependentes do que outros. Sabe-se que a toxicodependência
(é do senso comum, mas Crespo nem isso tem)
bate à porta de todas as classes sociais, sexos e idades. Apresenta-se sob qualquer forma e surge da maneira menos esperada. Toda a gente o sabe. Mas sabe Crespo? Não. Crespo não sabe. Crespo queria uma resposta simples. Por exemplo: quando o seu filho se drogar, dê-lhe porrada, tire-lhe o telemóvel e mande-o ver o programa… do Crespo. Assim, para que Crespo
(com aquele ar inteligente que o caracteriza)
ficasse descansado. Qualquer pessoa perceberá que o problema é complexo, não tem respostas fáceis nem receitas standard. Todos? Não. Crespo e já agora a deputada Caeiro têm solução para o problema.

João Goulão, com a paciência que anos a lidar com drogados lhe dá, teve uma pachorra inaudita com Crespo. Tratou-o como se fosse mais um paciente
(à inglesa).
Crespo é que não ficou satisfeito e depois de ameaçar que iria ler com atenção um estudo que João Goulão lhe deu
(ler, lerá, mas... e compreendê-lo?),
sorriu para a câmara
(com aquele ar inteligente que o caracteriza)
e despediu-se.

E que tal um internamento compulsivo
(para o Crespo, claro)?
escrito por Carlos M. E. Lopes

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MUNDO CÃO

Esta semana, um jovem da Beira Interior foi vítima de uma sobredose de heroína.

Não mereceu uma única palavra por parte dos meios de comunicação

[o que é comum não é notícia].
As pessoas da sua aldeia acharam que ele colheu o que semeou e que foi bem merecida a morte que teve.

Não sei quantas pessoas puseram a mira mais além do tipo que «não servia para nada».

A verdade é que o problema da droga não pode confinar-se ao mundo do drogado e sua família. É muito mais complexo. E os principais responsáveis não vivem nessas aldeias, nem sequer neste país.

No ano 2000 a produção de papoila no Afeganistão atingiu os níveis mais baixos de sempre. O governo Taliban estava empenhado em eliminar o cultivo e consequente negócio da matéria prima para preparar o ópio e a heroína. Por questões religiosas dos fundamentalistas islâmicos
[segundo rezam as crónicas dos analistas políticos do mundo livre e democrático].
O país foi entretanto invadido para resolver de uma penada, e rapidamente, o grave problema do terrorismo.

O terrorismo aumentou e a produção de papoila também. Em 2006, essa produção atingiu os quatro bilhões de dólares
[uma parte significativa do orçamento do governo que o combate ao terrorismo justifica e encoraja].
Claro que nos países livres e democráticos não se fala nisso, como não se fala da escória que as sobredoses ajudam a limpar. Mas os políticos de todas as cores enchem a boca
[e os meios de comunicação servem-lhes de altofalante]
com as brilhantes ideias que os seus respectivos governos têm para eliminar a droga. Entre as mais inovadoras estão as rusgas policiais feitas nos bairros pobres das grandes cidades
[nunca li nenhuma notícia de uma rusga feita numa urbanização de luxo, como se ali não houvesse drogas].
A ver se algum governo se atreve a sugerir que se acabe com a produção de papoila no Afeganistão!

escrito por J. Alberto, Porto Rico

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