TRUMP(A)

DIZCIONÁRIO [74 glamping]

Tipi Algarve

[...] porque é Verão, falemos de campismo. Mas claro que não é um campismo qualquer [...]. Falamos de glamping. Camping com glamour. Se calhar, campismo para pós-30 (ler como inverso de sub-21, por exemplo).

O termo não é o melhor - os anglo-saxónicos já nos brindaram com melhores contracções -, mas a ideia parece estar a ganhar terreno. Mais barato do que férias num hotel de luxo (às vezes), mais caro do que acampar num parque convencional (sempre), um meio-termo entre o apelo da natureza e a vontade de manter pequenos luxos como electricidade ou água corrente. Acampar com glamour é chegar a um tipi (uma tenda ou bungalow em formato índio americano) e ter uma bela cama, um tapete que, como diria Jeff Lebowski, compõe a sala, e chuveiro, roupa lavada e afins.

Parece a antítese do campismo? Parece uma coisa para gente picuinhas? O glamping é para todos, mas preferencialmente parecem ser as estrelas e os casais de ilustres desconhecidos a optar por cheirar os pinheiros entre cortinas de algodão egípcio de alta gramagem. Nomes? Sienna Miller em Glastonbury, os recém-casados Scarlett Johansson e Ryan Reynolds nos bosques canadianos, ou os 15 por cento dos mais de dois mil viajantes auscultados pelo site TripAdvisor na semana passada. Dessa mesma sondagem, dedicada ao campismo mas também ao glampismo (inventámos agora, será que pega?), percebe-se que são principalmente os casais que vão ao campismo de luxo - e ecológico, assinale-se, como é o caso dos dois espaços do género referenciados em Portugal no maior portal dedicado ao glamping, o goglamping.net. São eles o Tipi Portugal (cerca de 490 euros de semana), a alguns quilómetros de Portimão, e o Yurt, perto de Coimbra (cerca de 350 euros/semana). Como já se percebeu, o glamping não é propriamente barato, mas é um compromisso entre custos, modernices, e natureza. Os festivais de música europeus já perceberam o apelo e tal como Glastonbury, também o festival de música electrónica Creamfields sugere a possibilidade de se recorrer ao alojamento de boutique camping (outro nome fino para o glampismo) para descansar no pós-festa. Desde tendas de inspiração vária - marroquina, índia, mongol - a bungalows, passando por traseiras de caravanas à velho oeste, o alojamento é variado. As condições são melhoradas tanto pelos interiores quanto pelas preocupações ecológicas - o Yurt é alimentado a energia solar, por exemplo. E claro que um bocadinho de hype e falatório em torno de mais uma "moda", ainda por cima para férias e relax, também ajudam à popularização deste campismo com conforto.

escrito por ai.valhamedeus

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