TRUMP(A)

LEIT(e)URAS [37] morangos com exercícios

Brotéria, é sabido, é nome de revista portuguesa jesuítica. Assume-se (explicitamente) como uma publicação de “Cristianismo e Cultura”.

O número 5/6 do vol. 162 (Maio/Junho 2006) reproduz a conferência que José Frazão Correia, jesuíta Director do Centro Académico de Braga, apresentou em Lisboa, a 16 de Março deste ano, no contexto da comemoração dos jubileus de S. Inácio de Loiola, S. Francisco Xavier e B. Pedro Fabro. Passar-lhe-ia por cima em velocidade TGV, não fosse o título chamar-me a atenção: “Inácio e os Exercícios Espirituais em tempos de ‘morangos com açúcar’”.

Os exercícios espirituais
(mais conhecidos por retiros)
são actividades
(espirituais, obviamente)
realizadas em certo isolamento
(frequentemente sem comunicação verbal com os companheiros de retiro)
com o objectivo de revitalizar e aprofundar a vida espiritual. Os célebres Exercícios Espirituais [século XVI] inacianos são um guia em que o autor propõe a sua fórmula dos exercícios espirituais.

Dito isto, entende-se que a associação dos Exercícios com a telenovela Morangos com açúcar
[“fenómeno televisivo conhecido de todos, pelo menos por ouvir falar”]
seja candidata ao prémio da improbabilidade de 2006. Supõe-se que será manha para atrair ouvintes da conferência
(e leitores da revista)
– e supõe-se bem, a julgar pela introdução do conferencista:

“[com esta associação] confesso que cedo um pouquinho ao gosto muito generalizado, ou a uma quase necessidade, de tudo temperar com uma pitadinha de provocação sedutora.

Nos tempos que correm, o picante, o fantástico, o alternativo ou o provocador, parecem ser quase os únicos expedientes, uma espécie de condição sine qua non, para conseguir despertar e mobilizar espíritos super requisitados. No nosso abundantíssimo e variado mercado à la carte de ofertas e de possibilidades, mesmo que seja de coisas pias e santas, o desinteresse, se não mesmo a apatia, não são concorrentes que se possam bater facilmente. Por ser tanto e tão variado o que se diz e se oferece, poucas coisas conseguem tocar e, para que toquem, têm que conseguir proporcionar aquele toquezinho de novidade, de originalidade e de radicalidade ainda não experimentado. Por isso, se Inácio de Loiola não despertasse demasiado interesse, pelo menos, ligando-o a “morangos com açúcar”, nem que fosse apenas pela estranheza da relação, um certo frisson estaria garantido. Inácio perdoar-me-á".
escrito por ai.valhamedeus

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