TRUMP(A)

OS PROFESSORES, AS AUTÁRQUICAS, E TELEFONEMAS À PARTE

Desculpem, mas, presentemente, não nos podemos queixar da pouca importância e peso na sociedade desta classe tão em destaque nos últimos tempos. Pelas boas e más razões.

Fazendo jus ao ditado não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, agora toda a “família política” quer dialogar connosco e dar-nos a importância que temos, pondo em evidência o nosso papel. Podemos continuar a ser mal vistos pela opinião pública em geral, inquinada que está, irremediavelmente. Ah, mas somos benquistos e moramos nos corações dos futuros autarcas: de “gente que não faz literalmente nada, que passa o tempo no café, e que é urgente pôr a fazer qualquer coisa”, passamos, de repente,
(leia-se: até à votação nas autárquicas),
a parceiros de diálogo.

Somos moeda de troca e é altura de aproveitarmos a situação e mantermos reféns do prometido os partidos com assento
(os assentos vazios não contam)
parlamentar, tal como os autarcas pródigos em promessas. Disso nos lembram os altifalantes tonitruantes vomitando slogans que nos entram pelas janelas das salas de aula, escancaradas por causa da gripe A. Impedindo o ministério da divulgação do saber por parte dos docentes, “pagos pelo erário público”.

Todos os dias o vidro do meu carro aparece pejado destes folhetos de amor, pródiga e profusamente distribuídos aos distraídos do amor por nós nutrido. Somos uns ingratos, não há que ver! Além de “preguiçosos”.

Porém, a cega-rega do convencimento do Zé-povinho por parte dos partidos começou muito antes. Encomendaram-se inquéritos, quiçá a “médias e piquenas“empresas, pagou-se a jovens para nos incomodarem em casa, a horas próprias para eles, pois asseguram a nossa presença na dita, mas impróprias para nós, e que aliciam a nossa paciência, asseverando que o inquérito só dura 1 a 2 minutos. E pronto, disparam 3 a 5 perguntas pindéricas, e com barbas, produzidas ou copiadas de altos estudos sobre a psicologia humana, e que já lemos há longos anos a esta parte em jornais ditos de referência:
  1. Com qual dos candidatos tomaríamos um café (cruzes, credo!);
  2. A qual deles compraríamos um carro em 2ª mão (abrenúncio);
  3. Desta não me lembro (ai. Meu Deus!);
  4. …;
  5. Em quem vai votar?
Todas elas antecedidas pela introdução: iria-lhe agora perguntar

É claro que o inquérito não durou nada os tais 2 minutos. Comecei por lhe emendar o verbo. Que ele, como aluno que se presa, não aprendeu. Disse-lhe que até para tomar café eu era muito exigente, e que se os candidatos usassem capachinho e/ou cabelo pintado jamais
(não o jamais de ministro)
aceitaria tal convite.

Rematei a entrevista com o clássico: “o voto é secreto”.

E vejam lá que o homem, de 35 anos
(sim, ele disse-me a idade, que eu perguntei)
terminou a entrevista todo agradecido. Coitado, ao que uma alma se sujeita quando precisa de compor o ordenado!...

Faro, AEA (antes das eleições autárquicas)

escrito por Gabriela Correia

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