TRUMP(A)

DIZCIONÁRIO [79 laicidade]

O texto coitadinhos dos vaticaninos provocou um número anormal
[para este blogue]
de comentários. O que está em questão, digo eu, é o conceito de laicidade
[frequentemente entendido como o contrário de religião, quando, na realidade, é o contrário de clericalismo e de totalitarismo].
E é sobre ele que deixo a entrada respectiva do Dictionnaire philosophique de André Comte-Sponville
[Paris: PUF, 2001].
Com as devidas desculpas por o transcrever no original
[se algum leitor fizer o favor de o traduzir, publicarei, agradecido, a tradução]:
LAÏCITÉ
Ce n'est pas l'athéism
e. Ce n'est pas l'irréligion. Encore moins une religion de plus. La laïcité ne porte pas sur Dieu, mais sur la société. Ce n'est pas une conception du monde ; c'est une organisation de la Cité. Ce n'est pas une croyance ; c'est un principe, ou plusieurs : la neutralité de l'Etat vis-à-vis de toute religion comme de toute métaphysique, son indépendance par rapport aux Eglises comme l'indépendance des Eglises par rapport à lui, la liberté de conscience et de culte, d'examen et de critique, l'absence de toute religion officielle, de toute philosophie officielle, le droit en conséquence, pour chaque individu, de pratiquer la religion de son choix ou de n'en pratiquer aucune, enfin, mais ce n'est pas le moins important, l'aspect non confessionnel et non clérical — mais point non plus anticlérical — de l'école publique. L'essentiel tient en trois mots : neutralité (de l'État et de l'école), indépendance (de l'Etat vis-à-vis des Eglises, et réciproquement), liberté (de conscience et de culte). C'est en ce sens que Mgr Lustiger peut se dire laïque, et je lui en donne bien volontiers acte. Il ne veut pas que l'État régente l'Église, ni que l'Église régente l'État. Il a évidemment raison, même de son propre point de vue : il rend « à César ce qui est à César, et à Dieu ce qui est à Dieu » (Mt 22, 21). Les athées auraient tort de faire la fine bouche. Que l'Église catholique ait mis tant de temps pour accepter la laïcité, cela ne rend sa conversion, si l'on peut dire, que plus spectaculaire. Mais cette victoire, pour les laïcs, n'est pas pour autant une défaite de l'Église : c'est la victoire commune des esprits libres et tolérants. La laïcité nous permet de vivre ensemble, malgré nos différences d'opinions et de croyances. C'est pourquoi elle est bonne. C'est pourquoi elle est nécessaire. Ce n'est pas le contraire de la religion. C'est le contraire, indissociablement, du cléricalisme (qui voudrait soumettre l'État à l'Église) et du totalitarisme (qui voudrait soumettre les Églises à l'État).

On comprend qu'Israël, l'Iran ou le Vatican ne sont pas des États laïques, puisqu'ils se réclament d'une religion officielle ou privilégiée. Mais l'Albanie d'Enver Hoxha ne l'était pas davantage, qui professait un athéisme d'État. Cela dit assez ce qu'est vraiment la laïcité : non une idéologie d'État, mais le refus, par l'État, de se soumettre à quelque idéologie que ce soit.

Et les droits de l'homme ? demandera-t-on. Et la morale ? Ce n'est pas à eux que l'État se soumet, mais à ses propres lois et à sa propre constitution — ou aux droits de l'homme pour autant seulement que la constitution les énonce ou les garantit. Pourquoi, dans nos démocraties, le fait-elle ? Parce que le peuple souverain en a décidé ainsi, et ce n'est pas moi qui le lui reprocherai. C'est mettre l'État au service des humains, comme il doit être, plutôt que les humains au sien. Mais la même raison interdit d'ériger les droits de l'homme en religion d'État. Distinction des ordres : l'État ne doit régner ni sur les esprits ni sur les cœurs. Il ne dit ni le vrai ni le bien, mais seulement le permis et le défendu. Il n'a pas de religion. Il n'a pas de morale. Il n'a pas de doctrine. Aux citoyens d'en avoir une, s'ils le veulent. Non pourtant que l'État doive tout tolérer, ni qu'il le puisse. Mais il n'interdit que des actions, point des pensées, et pour autant seulement qu'elles enfreignent la loi. Dans un État vraiment laïque, il n'y a pas de délit d'opinion. Chacun pense ce qu'il veut, croit ce qu'il veut. Il doit rendre compte de ses actes, non de ses idées. De ce qu'il fait, non de ce qu'il croit. Les droits de l'homme, pour un État laïque, ne sont pas une idéologie, encore moins une religion. Ce n'est pas une croyance, c'est une volonté. Pas une opinion, une loi. On a le droit d'être contre. Pas de les violer.
escrito por ai.valhamedeus

10 comentário(s). Ler/reagir:

O Rei da Sucata disse...

Gosto do teu jeito de argumentar.

Pois, enquanto te convenceres que tens argumentos para contrariar opiniões contrárias, sempre vais deixando publicar as asneiras dos que pensam de modo diferente de ti.

Espero que nunca te convenças do contrário pois nessa altura vai renascer o fachismo que existe em ti, começando pela censura prévia

Anónimo disse...

Foi ler o que se tinha dito sobre....porque afastado tenho andado e fiquei com a impressão que este blog virou ou blog religioso.....ainda bem que todos percebem tão bem porque são e não são porque a maioria é ou não é por uma questão cultural e mais nada

Anónimo disse...

Amigo anónimo, companheiro e amigo, gostei da sua prosa, prosa clara e cristalina.

Tão clara e clarividente que quakquer idiota (por mais que o seja) percebe oque queres dizer

idiota= ser inteligente que tem ldeias como a do anónimo anterior

anónimo da afurada do meio

Anónimo disse...

Ora aqui está um ser humano (Rei da Sucata) com nome e gosto refinados e, como sói dizer-se, gostos não se discutem!

Apropriando-se do métier da figura mais visível do mais recente grupo de malfeitores (alguns gestores, alguns políticos e quejandos), permanentemente empenhados em delapidar a coisa pública, o nosso “Rei” reverte para a escrita algumas afirmações curiosas, para não usar outro qualificativo mais impressivo. Um rei é um rei – ainda que da sucata –, e, nessa qualidade SABE que enquanto houver ARGUMENTOS para contrariar OPINIÕES CONTRÁRIAS, equivalentes a ASNEIRAS dos que pensam de modo diferente, a publicação está garantida.
Se a linguagem nos diz, como é que em tão pouco se consegue um tão fiel retrato de quem escreve?
Mas o que o rei sabe (e um rei sabe imenso!) permite-lhe esperar que no outro não aconteçam razões de convencimento contrário, senão – e sentencia a desgraça: “vai renascer o fachismo que existe em ti”. E como bom soberano até sabe que há-de começar pela censura prévia. Como é que gente tão abonada de ideias não experimenta uma carreira política? Ninguém daria por nada, nem nós.

Anónimo disse...

Ainda bem que se conhecem tão bem uns aos outros, parecem a Assembleia da República falam falam e dizem sempre o mesmo........desde que se domine o discurso....tudo decorre não importa como...mesmo que seja de ofensa em ofensa que importa! Eu por mim fico contente de não conhecer ninguém!

Anónimo disse...

De anónimo para anónimo (o anterior),
não admira que não conheça ninguém! Com um tão elevado grau de saber e ideias feitas em cima de preconceitos, quem não ficarei contente de o não conhecer?
Na AR, passam-se coisas deploráveis e, nos últimos 4 anos, por culpa da maioria absoluta socratina, aquilo não foi mais do que a voz do dono, um perigoso corrupto, que finge combater a corrupção. Mesmo assim, a não ser que o anónimo tenha outras fontes e outras frequências, por lá se desenvolveram debates importantes para o futuro do país e só não deram frutos pelas razões que (quase) todos conhecemos. Não sou crente mas tenho a convicção de que, sem a maioria absoluta, as socratinices vão ser em menor grau e as decisões de maior qualidade.
"Insulto" é uma expressão que vai servindo para tudo, principalmente para usar quando faltam os argumentos e dá bom aspecto:
- ai que aqui já me insultaram; coitado de mim;
e depois generaliza-se apressadamente:
- ai que estes tipos dominam o discurso e, como na Ar, falam, falam e... nada. Enfim. Fim de comentário.

Anónimo disse...

"O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades." (Almada-Negreiros)

Anónimo disse...

deixo apenas uma quadra que resume um pouco aquilo que são as discussões acerca dos leigos deste mundo e de todos em geral, de modo especial dos opinadores e daqueles que têm sempre uma palavra sobre as coissa que pensam ser "melhor" que a dos seus contraditores. a quadra é de Gil Vicente (1539)
"Do abismo viu o profundo
do profundo o paraíso
do paraíso viu o mundo
e do mundo viu o que quis"

O mundo é o lugar da eterna contradição pois os terráquios escolheram estar ocupados em torno de coisa nenhuma.

Anónimo disse...

Somos todos tão cultos, Almada-Negreiros, Gi Vicente
Bem prega Frei Tomaz façam o que ele diz e não o que ele faz

Frei José da Santa Vela Sempre Acesa disse...

Que o Santo Creisto bos proteija, ateus dum corisco!